Estudos do Bispo Ildo · Escatologia

Milênio

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Objeções ao conceito Premilenista+

Jesus nunca falou sobre um reino milenar a ser inaugurado no futuro após a sua Segunda Vinda. Nem mesmo os apóstolos em suas epístolas e nem tão pouco aprendemos isto no Antigo Testamento. Apenas o livro de Apocalipse, no capítulo 20, menciona um reino milenar de Cristo sem deixar claro quando se daria, se antes ou depois da Segunda Vinda de Cristo. Os números em Apocalipse são simbólicos e não devem ser interpretados literalmente. Por exemplo, se quisermos interpretar de maneira literal os números que aparecem em Apocalipse, baseados em Ap. 1.4, seríamos forçados a concluir que não existe apenas um Espírito de Deus, mas, sete. Por sabermos que o Livro de Apocalipse está repleto de figuras de linguagem, o mais prudente seria interpretar Ap. 20 à luz dos abundantes textos bíblicos que falam sobre o Reino de Deus. Por exemplo, Jesus ensinou mais sobre o Reino de Deus do que sobre qualquer outro assunto. Ele inicia seu ministério declarando que o Reino está próximo e termina proclamando que toda autoridade lhe foi dada tanto na terra como também no céu. A maior parte das parábolas de Jesus são ensinos a respeito da natureza do Reino de Deus. Após sua ressurreição e antes da sua subida aos céus, durante 40 dias, Jesus dedicou-se ao ensino do Reino de Deus. Tamanha ênfase e empenho no ensino do Reino de Deus por parte de Cristo não é coerente com o ensino de um Reino adiado para depois da Segunda Vinda, mas harmoniza-se bem com a idéia de que o Reino já foi inaugurado na Sua Primeira Vinda e tem a ver com a Igreja, que precisa de todo aqueles ensinos para uma melhor compreensão de seu papel e missão no Mundo. A igreja é conclamada a priorizar o Reino e a sua justiça (Mt. 6.33), como também a buscar que o senhorio de Cristo opere na Terra assim como acontece no céu (Mt 6.10), para isto também foi que Jesus nos deixou a constituição do Reino em seu Sermão do Monte, onde ele menciona o Reino por mais de dez vezes. Jesus ensinou que o Reino de Deus já foi inaugurado. Jesus é Rei e Senhor hoje e o “valente já foi amarrado” (Mt 12.28-29)!

Jesus ensinou que o Reino de Deus se daria na terra de modo gradativo. Atentar, por exemplo, para a parábola de Jesus que compara o Reino de Deus a um grão de mostarda, que uma vez plantado, cresce gradativamente até ser tornar grande (Mt 13). Falou também que o Reino é algo que já se manifesta a partir do interior dos crentes: “Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lucas 17.21). Outro texto forte neste sentido é aquele que se encontra em 1 Coríntios 15.24-26: “E então virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte.” O período do reinado de Cristo referido por Paulo em I Coríntios 15 só pode ser o atual, pois ele reina até por todos os inimigos debaixo dos pés, sendo que o último inimigo é a morte. Sabemos que a morte é destruída no dia da Segunda Vinda de Cristo, quando se dará a ressurreição e se perguntará: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Tragada foi a morte pela vitória!”. Portanto, segundo Paulo, a Segunda Vinda de Cristo não é o evento que inaugura o Reino, mas, sim, o que põe termo a este período do Reino em que Jesus reina pondo todos os seus inimigos debaixo dos seus pés, ao mesmo tempo em que introduz o seu Reino eterno de Deus, sem oposição, repleto de vida e paz. Não havendo mais lugar para o levante de nenhum outro inimigo, visto que o último já foi derrotado!

1 Coríntios 15.23,24 não ensina nada que justifique um reino milenar futuro e nada também sobre duas ressurreições uma de crentes antes do milênio e outra de não crentes após o milênio. Paulo não diz coisa alguma a respeito da ressurreição de incrédulos nesta passagem, pois ele está abordando apenas a ressurreição dos crentes.

O Novo Testamento ensina a existência de duas eras, a presente e a era porvir, que será estabelecida com a Segunda Vinda de Cristo, que trará o juízo final, a plena luz e a restauração completa de todas as coisas, novos céus e nova terra (Mt 25.31s, At 3.19-21, 1 Co 4.5, 2 Pe 3.10-13). A Bíblia nada fala sobre uma terceira era intermediária. Hoekema ii está plenamente correto ao afirmar que o Milênio dos premilenistas é algo como uma anomalia teológica, pois não é nem completamente como a era atual e nem completamente como a era por vir. Por que adiar o juízo final sobre o mal e por que adiar o desfrute do destino eterno dos salvos que já estariam prontos para o lar celestial por já estarem de posse de seus corpos glorificados?

De acordo com a interpretação premilenista comum, tanto os crentes mortos que foram ressuscitados quanto os crentes que estavam vivos por ocasião da Segunda Vinda e que foram transformados, estarão reinando durante os mil anos juntamente com Cristo. Mas, seguindo a própria interpretação premilenista, que entende que a frase “viveram e reinaram com Cristo” for entendida como que dizendo “foram ressuscitados dos mortos e reinaram com Cristo”, os premilenistas teriam que reconhecer que há um erro em sua interpretação que inclui aqueles que não foram ressuscitados. Para serem coerentes a sua própria linha de raciocínio e interpretação, os premilenistas teriam que concluir que apenas os crentes que foram ressuscitados estariam reinando com Cristo o que traria uma outra séria dificuldade a de explicar o destino durante estes mil anos dos crentes que estavam vivos na Segunda Vinda.

Quem serão as pessoas e os povos sobre os quais Cristo e os remidos reinarão? Seriam aquelas pessoas que estariam vivas por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, mas que não se encontram entre os salvos? Se for este o caso, como se justificar, que uma multidão de seguidores da Besta, que tinham sua marca em sua testa, possam, na segunda Vinda de Cristo, em vez de encararem o juízo final, estarem tendo o privilégio de desfrutarem o Reino Milenar de Cristo?

Haverá salvação no milênio premilenista?

Haverá nascimentos e mortes no milênio premilenista?

Como será o relacionamento de remidos ressurrectos de corpos glorificados com seres humanos normais? A idéia do retorno de Jesus Cristo glorificado e dos crentes glorificados para uma terra em que o pecado e a morte ainda vigoram (visto que o próprio texto de Ap 20, fala sobre uma rebelião no final do milênio) não violaria a própria finalidade da glorificação de Cristo? Hoekema questiona isto com razão: “Por que os crentes que têm estado desfrutando da glória celestial, durante o estado intermediário, deveriam ser ressuscitados dentre os mortos para voltar a um terra onde o pecado e a morte ainda existem? Não seria isto um anti-clímax? A existência de corpos ressurrectos e glorificados não reivindica uma vida em uma nova terra, da qual todos os remanescentes de pecado e maldição tenham sido banidos?” iii Além de tudo isto, Hoekema ainda questiona o porque Jesus, após sua vinda em glória, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma rebelião contra ele no fim do milênio? A batalha de Cristo já não foi vencida na cruz e ressurreição, quando da sua primeira vinda e na vitória sobre o último inimigo que é a morte na sua Segunda Vinda? Por que então haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a Segunda Vinda de Cristo?

Como explicar que no final do milênio, Satanás será solto e num período curto de tempo conseguirá promover uma rebelião sem precedentes contra Jesus arrebanhando uma multidão incontável? Como será isto possível mesmo após o reinado milenar de Cristo tão patente na terra que dispensará a necessidade de fé, visto que todos estariam contemplando diariamente a Cristo e aos cristãos ressuscitados com corpos celestiais?

Não parece também fazer o menor sentido que tal multidão de rebeldes e amotinados tenham qualquer espécie de esperança e vitória contra Cristo e o arraial dos santos, pois todos já tinham evidências de sobra a respeito de Cristo e de seu poder tanto na manifestação da Sua Segunda Vinda quanto também no Seu reinado milenar sobre a terra. Parece absurdo que após terem experimentado do reinado milenar de Cristo, venham eles a se rebelar em massa contra Jesus e ainda alimentando alguma esperança de vitória. Veja o que diz o texto: “Marcharam, então, pela superfície da terra e sitiaram o acampamento dos santos e a cidade querida; desceu, porém, fogo do céu e os consumiu” (Ap 20.9). Este texto deve ser interpretado em termos do aqui e agora, ou seja, no final da era presente Satanás terá liberdade para seduzir as nações de modo a promover uma grande rebelião contra Jesus e sua Igreja, agindo como o Homem da Iniquidade. Então, aparecerá no céu o Filho do Homem descendo sobre as nuvens do Céu com grande poder e glória e destruirá o inimigo com o sopro de sua boca.

O Novo Testamento sempre diz que o Juízo Final se seguirá a Segunda Vinda de Cristo (2 Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15 e Ap 22.12. E o Credo Apostólico também estabelece esta mesma relação ao dizer: “de onde há de vir pra julgar os vivos e os mortos”. Note que não diz “de onde há de vir para inaugurar seu reino milenar”). Seguindo este raciocínio, o Milênio só poderia acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo, pois é o juízo final se seguirá a sua segunda Vinda.

Veremos a seguir que Apocalipse 20, único texto que fala de um reino milenar, não precisa ser interpretado em termos de um reino milenar terreno a ser inaugurado no futuro, após a Segunda Vinda de Cristo, pode muito bem ser interpretado de maneira muito mais coerente com o ensino geral das Escrituras a respeito do Reino de Deus, em vez de ficar insistindo num ensino que não é encontrado em nenhum outro lugar da Bíblia.

O Milênio Apocalíptico

Introdução

Veremos agora uma interpretação de Apocalipse 20 de acordo com as regras da hermenêutica e à luz do conceito geral das Escrituras a respeito do tema.

Primeiramente devemos levar em conta o estilo literário, pois a literatura apocalíptica é repleta de figuras de linguagem que servem como representações simbólicas daquilo que se quer ensinar. Não é sábio ignorar a natureza do livro e passar a interpretar tudo de maneira literal. Uma interpretação literal de Apocalipse levou o fundador das Testemunhas de Jeová a conclusão de que apenas 144.000 pessoas seriam salvas e iriam para o céu.

A pergunta chave para a hermenêutica do Apocalipse não é: "O que é?", mas, sim, "O que significa?". Por exemplo: O que significam as dezenas de referências numéricas, tais como, 7, 24, 666, 144.000 e 1.000? Nem mesmo os mais literalistas pré-milenistas interpretam literalmente coisas como o número da Besta, A Besta do Mar com sete cabeças e dez chifres (Ap 13), Os Gafanhotos do Abismo (Ap 9) e cavalos (Ap 9).

Outra regra hermenêutica é que as Escrituras interpretam as próprias Escrituras. Um texto claro lança luz sobre um texto mais obscuro. No caso em questão, por se tratar do tema do Reino de Deus, temos uma vasta gama de textos bíblicos que discorrem a respeito do assunto. Aliás, Jesus falou mais sobre o Reino de Deus do que sobre qualquer outro assunto. E é interessante notar também que Jesus jamais tenha feito menção a um reinado milenar na Terra após Sua Segunda Vinda. O mais plausível é que a visão registrada no Capítulo 20 de Apocalipse seja um retrato do ensino claro de Cristo registrado em todos os Evangelhos e não algo contraditório.

É muito importante também levar em consideração o contexto em que o Livro foi escrito. Tudo indica que o Livro de Apocalipse tenha sido escrito por volta do ano 95, época em que a Igreja padecia uma horrenda perseguição por parte do Imperador Domiciano. O número de mártires se multiplicava a cada dia. O livro foi escrito em um momento de muita dor e sofrimento para confortar e animar o coração dos crentes. Há várias menções aos mártires, que são vistos como estando ao lado de Cristo, sendo consolados por Ele, cantando um cântico de vitória, recebendo coroas e reinando com Cristo. Eles não são uns mortos e derrotados. "Em todas estas coisas eles são mais do que vencedores!" Eles vivem e reinam com Cristo!

Precisamos também notar que o Livro de Apocalipse não é uma narrativa cronológica dos fatos. Antes, trata-se de uma série de visões entrelaçadas ou justapostas, como retratos de uma mesma história tirados de diversos ângulos diferentes de maneira a enriquecer a visão como um todo.

O livro está dividido em sete seções paralelas e progressivas. O Apóstolo João, autor do Apocalipse, também escreveu o Evangelho de João e lá também fez uso do número sete para destacar certas verdades, no caso, para defender a divindade de Jesus, pois o Evangelho registra sete milagres de Cristo e também sete vezes a expressão "Eu Sou". Então, Apocalipse, segue esta mesma linha, possuindo sete seções. Sendo que cada seção compreende o período que vai da primeira à segunda vinda. Cada nova seção é mais clara em seu retrato do fim até chegarmos ao clímax!  Primeira Seção (1-3) – Os sete candeeiros; Segunda Seção (4-7) – Os sete selos;  Terceira Seção (8-11) – As sete trombetas; Quarta Seção (12-14) – A trindade maligna; Quinta Seção (15-16) -As sete taças; Sexta Seção (17-19) – A derrota dos agentes do Dragão; e a Sétima Seção (20-22), que mostra o Reinado de Cristo com as almas do santos no céu e não em um milênio na terra depois da segunda vinda.

Embora o capítulo 19 descreva a Segunda Vinda de Cristo, ele termina com uma descrição viva do juízo final. Os eventos descritos no Capítulo 20 não seguem os do capítulo 19 em ordem cronológica, assim como também a descrição do nascimento de Jesus que encontramos no capítulo 12, de maneira alguma segue cronologicamente os eventos do juízo registrados no capítulo 11.

Portanto, assim como o capítulo 11 termina com uma descrição do Juízo Final e o capítulo 12 recomeça contando a história a partir do nascimento de Cristo, assim também, acontece com os capítulos 19 e 20. Pois, o capítulo 20 começa descrevendo os eventos que marcaram a primeira vinda. Porque foi por ocasião da Primeira Vinda de Cristo que aconteceu o aprisionamento de Satanás (Mt 12.27-29; Jo 1.5; Mt 16.18; Mt 28.18) e seu lançamento no abismo (Lc 10.18; 2Pe 2.4 e Jd 6).

Jesus já iniciou o seu reinado ainda que isto não esteja visível para todos conforme bem expressa o autor de Hebreus quando diz: "o coroaste de glória e de honra; tudo sujeitaste debaixo dos seus pés. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas." São duas afirmações paradoxais, pois primeiramente afirma de maneira categórica que todas as coisas estão sob o domínio de Cristo e, a seguir, confessa que não é possível ainda ver isto em termos concretos. Mas, uma coisa não nega a outra, pois o reinado de Cristo é espiritual e também está em processo de expansão. Ainda que o autor de Hebreus não consiga enxergar todas as coisas sob o domínio de Cristo, ele não nega o fato de que Cristo já reina na era presente como o fazem os pré-milenistas. Isto tem a ver com o caráter híbrido do Reino de Deus na era presente que é descrito por Jesus em termos de trigo misturado com joio (Mt 13). E também tem a ver com o caráter progressivo e paulatino da expansão deste Reino como bem descrito na Parábola do Grão de Mostarda (Mt 13) e na revelação do Reino de Cristo registrada em Daniel 2.35.

A Primeira Vinda de Cristo amarrou Satanás Começaremos, portanto, analisando os primeiros três versículos, que contam que o Dragão, Satanás, foi preso em correntes e lançado no abismo com o propósito de não mais enganar as nações. Jesus mesmo já havia dito que o ato de expulsar demônios pelo Espírito de Deus era um sinal claro de que já era chegado o Reino dos Céus, pois o “valente”, uma clara referência a Satanás, havia sido primeiramente amarrado, no sentido de não poder mais impedir que sua casa fosse saqueada (Mt 12.22-29).

É interessante notar que o mesmo termo utilizado em Mateus 12 para descrever o aprisionamento do homem valente é utilizado também em Apocalipse 20 para descrever o aprisionamento de Satanás, o termo grego dhshi. Este aprisionamento de Satanás deve ser entendido em termos da restrição de seu poder, no sentido de não poder continuar enganando as nações como vinha fazendo até a primeira vinda de Cristo (Ap 20.3). Agora, uma vez amarrado, não pode impedir o avançar de Cristo e de sua Igreja, de modo, que as portas do inferno não prevaleceram contra a Igreja (Mt 16.18; 24.14; 28.18s; Mc 13.10, At 1.8). Sabemos que Jesus veio ao Mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Jesus deixou claro que sua tarefa messiânica incluía mais do que evangelização, por envolver também a libertação dos cativos e oprimidos, com restauração da saúde e da justiça: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19).

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, segue na mesma missão sem poder ser definitivamente impedida pelas forças do inferno, pois sabemos que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18b) e João disse: “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Pois Jesus é o Rei e, como tal, tem todo poder no Céu e na Terra (Mt 28.18).

Existe um outro texto que, a semelhança de Mateus 12.28s, também está num contexto de expulsão de demônios, trata-se de Lucas 10.17-24, que descreve a alegria que os discípulos estavam experimentando por serem capazes de exercer autoridade sobre os demônios. E é interessante notar que aqui também Jesus menciona algo sobre a derrota e a perda de poder de Satanás, mas só que, em vez de dizer que Satanás está preso ou amarrado, ele o descreve como que caindo do céu, um sinal evidente de que seu poderio havia sido tremendamente abalado. E, para confirmar esta idéia, no v. 22, Jesus declara que tudo lhe foi entregue pelo Pai.

João 12.31, 32 é outro texto que mostra como a queda e o aprisionamento de Satanás estão diretamente associados à atividade missionária de Jesus e seus discípulos, pois a expulsão de Satanás está associada com o fato de que não somente judeus, mas também gentios de todas as nações estarem sendo atraídos a Cristo. O texto diz: "Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim"! Jesus não disse que tal expulsão de Satanás se daria após a sua Segunda Vinda, pelo contrário, ele é enfático no uso do adverbio "agora", ou seja, por ocasião da sua primeira vinda.

A Bíblia diz que Satanás recebeu um golpe mortal com a primeira vinda de Cristo (Gn 3.15 e Cl 215). A igreja cumpre sua missão na autoridade daquele que tem todo o poder no céu e na terra (Mt 28.18)! Por esta razão é que as portas do inferno não prevalecerão contra ela (Mt 16.18). A igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão de testemunhar do Evangelho a todas as nações antes do fim (Mc 13), pois nos céus haverá uma multidão incontável de salvos de todos os povos, línguas e nações (Ap 6 e 7), de modo que "a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar"(Is 11.9).

Para reforçar ainda mais esta interpretação, temos textos como 2 Pedro 2.4, que falam dos demônios como já tendo sido lançados no abismo: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” e Judas 6 fala dos demônios como já tendo sido presos e algemados sob trevas: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Repare que é a mesma linguagem de Apocalipse 20 e trata da questão como algo passado e não futuro.

Notar também que o próprio livro do Apocalipse fala deste abismo em outros capítulos: “Ela abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceira saída do poço, escureceu-se o sol e o ar” (Ap 9.2)… “e tinham sobre eles, como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom” (Ap 9.11)… “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará” (Ap 11.7)… “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá” (Ap 17.8). Note que é dito que a Besta surge do Abismo para pelejar contra os santos, o que concorda com Ap 20.3 que diz que é necessário que seja solto do Abismo por pouco tempo (Compare com Ap 12.12, que fala da última investida de Satanás, tendo consciência de que pouco tempo lhe resta). E os próprios pré-milenistas reconhecem que a manifestação da Besta se dará na era presente, ou seja, antes da Segunda Vinda de Cristo.

Portanto, o ensino do Novo Testamento é que Jesus amarrou a Satanás e inaugurou o seu reino em sua primeira vinda. Agora, como disse Paulo: "é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte" (1Co 15.25,26). Sendo assim, este período de reinado de Cristo mencionado por Paulo só pode ser na era presente, pois sabemos que é por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que a morte será destruída, como Paulo complementa no versículo 54 deste mesmo capítulo: "Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "A morte foi destruída pela vitória"! Se a morte é destruída na Segunda Vinda de Cristo, como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

A Natureza do Reino de Deus Já, quanto aos "mil anos", o número é simbólico, como tantos outros no Apocalipse, (“7”, “24”, “666”, 144.000”, etc), e significa um longo, suficiente, e completo período de tempo em que se dará o Reino terrestre de Cristo, que entendemos se tratar do período que vai de sua primeira vinda até a sua Segunda Vinda.

Pois, além de tudo que foi dito anteriormente, temos também a maravilhosa revelação de Daniel 2.44 que indica claramente que o reinado messiânico e eterno do Messias teria início na época do Império Romano. A interpretação do sonho indica quatro grandes reinos, a saber: 1) a cabeça de outro = império babilônico, 2) o peito e o braço = império medo-persa, 3) o ventre e os quadris = o império grego e 4) as pernas e os pés = império Romano. O texto diz: "Na época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará, mas esse reino durará para sempre"(Dn 2.44). Observe também a descrição da "Pedra":  "Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou. Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão. O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda" (Dn 2.34-35). O surgimento da pedra tem uma origem miraculosa como o nascimento de Cristo e, apesar de um começo modesto, a pedra cresce e se transforma em uma grande montanha. Isto não nos faz lembrar da Igreja? "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!"(Mt 16.18) e a comparação com a Parábola do Reino como um Grão de Mostarda é inevitável! (Mt 13). Jesus disse que o Reino havia chegado (Mt 12.28) e garantiu que alguns dos seus discípulos imediatos não morreriam antes de verem o Reino de deus vindo com poder! (Mc 9.1). "Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do Filho Amado"(Cl 1.13). Por esta razão é que o Livro de Apocalipse começa declarando que Jesus Cristo "nos constituiu reis e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai"(Ap 1.6).

A Igreja é o corpo de Cristo e reina com ele, vivendo a serviço do Rei.  É preciso que se reconheça a natureza deste Reino de Cristo, pois se de um lado sabemos que Jesus já é o Senhor e que o seu reinado já foi inaugurado, por outro, ainda não vemos todas as coisas debaixo dos pés de Cristo, conforme lemos em Hebreus 2.8: “todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (ver também Hb 10.13). É preciso observar que, na parábola do Joio e do Trigo (Mt 13), que é uma das parábolas do Reino de Deus, paralelamente ao crescimento do trigo, observasse também o crescimento do joio. Portanto, realismo bíblico ajuda a evitar os extremos perigosos do ufanismo de um lado e, de outro, a acomodação daqueles que postergam a inauguração do Reino para depois da Segunda Vinda de Cristo.

A expressão "até que" de 1 Co 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas? Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Jesus falou de seu reino em termos espirituais e em ação já na presente era: "…não vem o reino de Deus com visível aparência… porque o reino de Deus está dentro em vós"(Lc.17.20,21).

Para saber mais a respeito da Natureza do Reino de Deus, clique em Milênio: A Natureza do Reino de Deus.

As Almas dos Decapitados Os versículos de 4 a 6 falam daqueles que estão assentados em tronos, com autoridade para julgar e reinar juntamente com Cristo, destacando a figura dos mártires, pois o livro de Apocalipse foi escrito para encorajar os crentes que estavam sendo tremendamente atribulados naquele período, que, hoje, é conhecido como a Era dos Mártires. Eles perderam parentes e irmãos em Cristo e estão correndo o risco de perderem suas próprias vidas por causa do Evangelho.

Da perspectiva terrestre, o quadro não parece nada favorável, pois milhares de cristãos estão sendo martirizados. No entanto, o Livro de Apocalipse vê os mártires da perspectiva celestial e não são poucas as passagens que falam deles como vencedores, que agora estão servindo ao Senhor de dia e de noite e sendo consolados por ele, e que também estão cantando o cântico de Moisés e do Cordeiro e que se encontram em posição privilegiada vivendo e reinando com Cristo. Isto parece concordar com o que diz o autor de Hebreus no início do capítulo 12, quando menciona a nuvem tão grande de testemunhas, referindo-se aos heróis da fé, a maioria deles, mártires do Antigo Testamento que haviam sido citados no final do capítulo 11.

Em Apocalipse 20, o termo “decapitados” é usado para descrever todos os mártires, mas, se alguém insiste em interpretar este capítulo de forma literal terá, então, que concluir que estariam excluídos os mártires que não foram decapitados, o que soaria estranho, gerando uma série de outros questionamentos.

Os mártires estão em foco pela razão já exposta, mas pode ser que este grupo seja mais inclusivo, englobando a todos os filhos de Deus, mesmo aqueles que não morreram como mártires. Pois um cristão ainda que não morra como mártir, deve viver como mártir. “Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Romanos 8.36). Interessante notar também que o termo “testemunhas” da expressão “Ser-me-eis testemunhas” (At 1.8) é da mesma raiz da palavra mártir. “Ser-me-eis mártires” seria uma tradução possível.

E, além disto, temos outros textos que afirmam que os crentes que ainda vivem neste mundo também estão reinando com Cristo. Pois Paulo declara que os crentes em Cristo, que vivem neste mundo, já foram ressuscitados e estão assentados com Cristo nas regiões celestiais, onde está o trono de Deus: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Paulo diz que isto já aconteceu. Não é futuro, é uma realidade presente. Paulo ensina que os crentes em Cristo já ressuscitaram e já estão reinando com Cristo acima de todo o principado e potestade. Tal ressurreição e reinado se dão em termos espirituais. Jesus afirmou que o reino dele não era deste mundo (Jo 18.36). Jesus diz coisas aos seus discípulos que mostram em que sentido os cristãos estariam reinando aqui na terra: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e  sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10.19). A Igreja age como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

A menção "as almas dos decapitados" em Apocalipse 20 é muito semelhante a visão dos mártires na glória registrada no capítulo 6. São textos paralelos, de modo que um ajuda a entender melhor o outro. Vejamos o que diz: "Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamavam em alta voz: 'Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue?' Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles" (Ap 6.9-11). É impressionante a similaridade das duas descrições. Compare:  “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (Ap 6.9)  com: “as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus” (Ap 20.4).

Os mártires estão conscientes do que se passa aqui na terra no periodo ainda da Grande Tribulação. Eles clamam por justiça e recebem vestiduras brancas e lhes é dito que aguardem um pouco mais, pois a Segunda Vinda de Cristo e a consequente ressurreição e o juízo final ainda estão por vir! O que é visto em Apocalipse 6 é visto também em Apocalipse 20, pois as almas dos decapitados aguardam a ressurreição do corpo cuja descrição se dá no final do capítulo 20, mais precisamente, no versículo 13.

Portanto, a ressurreição do corpo e o julgamento final estão registrados no fim do capitulo 20, após a descrição do reinado de mil anos. Que esta ressurreição é geral, incluindo tanto incrédulos como crentes, se deduz da frase conclusiva que diz: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (v.15). Isto indica a existência de dois grupos distintos, os que não estão inscritos no livro da vida e os que estão, o que concorda perfeitamente com a descrição do juízo final feita pelo Senhor Jesus: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-33 e 46); exatamente o mesmo que profetizou Daniel: "Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno" (Dn 12.2. Veja também: 2 Co 5.10; Rm 14.10-12).

As Duas Ressurreições Quanto as duas ressurreições de Ap 20, primeira (v. 5) é de caráter espiritual, sendo uma referência ao novo nascimento e a condição de salvo, inscritos no Livro da Vida, como se pode ver no texto paralelo que se encontra no v.15. Pois quem nasceu de novo não sofre o dano da segunda morte ou condenação do inferno. O v. 14 diz que a Segunda Morte é o Lago de Fogo. “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

Portanto, quem tem o seu nome inscrito no Livro da Vida, ou seja, quem já participou da Primeira Ressurreição, não sofrerá o dano da Segunda Morte. Tanto a Primeira Ressurreição como a Segunda Morte são de caráter espiritual. Não seria coerente dizer que um Ressurreição física livra o homem de uma condenação espiritual.

O Novo Testamento usa com freqüência o termo ressurreição, ressuscitados e ressurrectos para descrever a condição do crente em Cristo: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2.12)… “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3.1)… Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4)… “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, de modo que os mártires cristãos estão vivos em Deus e reinam com Cristo.

Vemos, no capítulo 5 do Evangelho de João, o emprego do termo ressurreição tanto no sentido espiritual como no físico e isto num mesmo contexto (Jo 5.25-29). Portanto, não seria de se estranhar que o mesmo acontecesse neste outro escrito de João.

A primeira ressurreição mencionada em Apocalipse 20 é espiritual, apresentada aqui principalmente para indicar a vitória dos mártires que vivem e reinam com Cristo, pois o estado intermediário dos crentes, entre a morte e a ressurreição, é um período de vida (Lc 20.38) e consciência (Ap 6.9-11), que segundo Paulo é incomparavelmente melhor do que a dos crentes antes da morte (Fp 1.23), que o faz até preferir deixar o corpo para habitar com o Senhor (2 Co 5.8), pois eles desfrutam da presença do Senhor numa dimensão superior, por se acharem diante do trono de Deus, servindo a Deus de dia e de noite no seu santuário, já não tem mais fome, nem sede, e já não sofrem mais a intempéries da vida, pois são apascentados e consolados por Jesus (Ap 7.15-17), e, aqui, em Ap 20, vemos que eles também partilham de alguma maneira do privilégio de reinar juntamente com Cristo. Já, a segunda ressurreição é descrita nos versos de 11 a 13 como algo distinto da primeira, sendo uma clara referência a ressurreição do corpo que se dará por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

A Primeira Vinda de Cristo nos trouxe a primeira ressurreição, que é o novo nascimento e a Segunda Vinda nos trará a segunda ressurreição que será a do corpo. A segunda morte é uma referência ao castigo eterno, o que implica em que a primeira ressurreição, mencionada por João, não seja uma ressurreição física. Pois se os crentes já tivessem aqui (em Ap 20.6) ressuscitado fisicamente, em corpo glorificado, eles já estariam desfrutando do gozo pleno e total da vida vindoura e não seria necessário dizer que sobre eles a segunda morte não tem poder. Sendo assim, teríamos aqui o uso de um recurso estilístico comum naquela época, conhecido por chiasmo, que disporia os quatro elementos (primeira e segunda ressurreição e primeira e segunda morte) de modo a estabelecer um contraste diagonal em “X”, como ilustrado no diagrama abaixo, onde “a)” estaria se contrapondo a “b)”, espiritual com espiritual e físico com físico. Notar que este contraste, pelo menos em sua dimensão espiritual, entre a primeira ressurreição e a segunda morte, pode ser visto também no versículo 15, que diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”. A expressão “foi achado inscrito no Livro da Vida” indica a condição do salvo, daquele que nasceu de novo, que já foi ressuscitado espiritualmente com Cristo e que já passou da morte para a vida, enquanto que, no versículo 14, é dito que o lago de fogo é a segunda morte.

Assim, este texto estabelece o mesmo contraste encontrado no versículo 6, que diz “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”. O que fortalece o argumento em defesa da interpretação da primeira ressurreição como de natureza espiritual, não apenas pelo contraste estabelecido, mas também pelo paralelo que se vê entre os versículos 6 e 15, onde a expressão do v. 6 “aquele que tem parte na primeira ressurreição” tem a sua expressão paralela no v. 15 em termos que não deixam dúvida quanto ao caráter espiritual da mesma: “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Ou seja, “aquele que tem parte na primeira ressurreição” é o mesmo que dizer: aquele que “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Veja o diagrama:

Tabela – Diagrama Demonstrativo Ap 20.6 a) “ Primeira ressurreição”

– espiritual = símbolo da vida eterna = “foi achado inscrito no Livro da Vida”

(Comparar v.6 com v.15) a) “ segunda ressurreição”

(“reviveram” v.5)

= ressurreição geral e física (v. 13) b) “ Primeira morte”

(subentendida)

= morte física b) “ Segunda morte”

– espiritual – (v.6)

= símbolo da morte eterna = “A Segunda Morte é o Lago de Fogo” (v.14)

Para os que fazem questão de que os dois usos do termo ezesan em Apocalipse 20 sejam referências a ressurreições físicas, existe ainda uma outra interpretação possível, plausível e em perfeita harmonia com os Evangelhos e as Epístolas, onde ezesan significaria a transição da morte física dos mártires para a vida com Cristo no Céu durante o período intermediário entre a morte e a ressurreição.

E também podemos afirmar com propriedade que a Primeira Ressurreição foi a de Jesus,  o "Primogênito dentre os mortos" (Co 1.18)! De modo que os que estão em Cristo, estão, de fato, identificados com sua morte e ressurreição, tendo já passados da morte para a vida (Jo 5.24), e, como bem frisou o Apóstolo Paulo, dizendo que os cristãos já foram: "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Co 2.12). "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Co 3.1). "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).

Mesmo no estágio intermediário, entre a morte e a ressurreição, as almas dos crentes estão bem vivas e ativas no céu (Ap 6 e 7), diferente do que acontece com os restantes dos mortos que não crêem em Deus. Pois Deus não é Deus de mortos, mas sim, é Deus de vivos (Mc 12.27). O estado intermediário dos salvos já é infinitamente superior a nossa existência terrena, de modo a levar Paulo a exclamar: "desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Fp 1.23); e ainda: "Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor" (2 Co 5.8). Tanto é verdade, que o autor de Hebreus, após elencar uma série de mártires e heróis da fé, inicia o capítulo 12 mencionando que nós os vivos na terra estamos cercados de uma nuvem tão grande de testemunhas vivas nos céus (Hb 12.1). "As almas dos decapitados" vivem e reinam dos altos céus! (Ap 20). Obviamente, este texto de Apocalipse não pode ser interpretado literalmente, pois, se não, seríamos forçados a concluir que apenas as almas dos decapitados é que ressuscitariam para reinar, o que excluiria os crentes que foram mortos de outra forma; algo que nem mesmo o mais ferrenho literalista seria capaz de afirmar. É óbvio, portanto, que a referência aos decapitados é muito mais inclusiva e abrangente, envolvendo todos os que estão em Cristo.

Paulo ensinou que nossa posição em Cristo é muito elevada. Como ressurrectos dentre os mortos, já estamos assentados com Cristo, em seu trono, muito acima de todos os principados e potestades e sobre todo o reino e domínio que existe sobre a terra (Ef 2.6). Os crentes em Cristo exercem autoridade sobre os demônios (Lc 10.16s), o maligno não lhes toca (1 Jo 5.18).

Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontece no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Tal texto suscita algumas questões?

Se o milênio ensinado por Paulo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte e também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (v. 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

Segunda Vinda, Ressurreição geral e Juízo Final Só existe uma ressurreição física e geral de todos, quer sejam eles crentes ou incrédulos (Dn 12.2, At 24.14,15), vindo após isto, o Juízo Final e o estado eterno, “porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Os que não tiverem os seus nomes escritos no livro da vida serão condenados (Ap 20.11-13).

Jesus ensinou claramente que a ressurreição seria geral, para todos, crentes e não crentes, uns para vida e outros para a condenação: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.28,29).

E, em Mateus 25.31-46, lemos que, com a Segunda Vinda de Cristo se dará o juízo final com a separação dos cabritos das ovelhas e que, os primeiros irão para o castigo e eterno, enquanto os demais para a vida eterna.

O Novo Testamento sempre diz que o Juízo Final se seguirá a Segunda Vinda de Cristo (2 Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15 e Ap 22.12. E o Credo Apostólico também estabelece esta mesma relação ao dizer: “de onde há de vir pra julgar os vivos e os mortos”. Note que não diz “de onde há de vir para inaugurar seu reino milenar”). Seguindo este raciocínio, o Milênio só poderia acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo, pois é o juízo final que se seguirá a sua segunda Vinda.

Portanto, é bem razoável concluir que o texto de Apocalipse 20 não está ensinando nada de novo, como duas ressurreições físicas separadas por um período de mil anos, mas, sim, estaria falando de modo simbólico, como é característico da literatura apocalíptica, do tema da ressurreição de modo a concordar com todos os vários outros textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, que são unânimes no ensino de uma única ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos, seguida do Juízo Final. Veremos a seguir um estudo mais acurado sobre a natureza do Reino de Deus em sua íntima relação com a natureza e a missão de Jesus e do Espírito Santo.

Os eventos registrados nos capítulos 19 e 20 não estão em ordem cronológica como querem os pré-milenistas. Pois o capítulo 19 não termina com uma descrição da Segunda Vinda, mas, sim, com uma clara descrição do juízo final, culminando com a destruição de todos os inimigos de Deus. Se o capítulo 19 conclui com a morte de todos os habitantes da terra cujos nomes não estavam escritos no livro da vida, quem restou das nações para um reinado milenar na terra? Além disso, o milênio descrito em Apocalipse 20 não descreve Jesus reinando de Jerusalém, mas do céu. Não faz também sentido algum supor um motim generalizado contra Jesus no final dos mil anos. É absurda a idéia de exércitos marchando sobre a terra para atacar com armas a Jesus e os salvos com corpos glorificados e indestrutíveis.

Soa no mínimo estanho que Jesus careça de um fogo vindo do céu para destruir seus inimigos, quando bem sabemos que é Jesus mesmo quem desce do céu no meio de labaredas de fogo para destruir seus inimigos. Temos aqui uma alusão a Segunda-Vinda de Cristo em socorro a sua igreja que sofre perseguição no período da Grande Tribulação. Paulo ensinou que Jesus Cristo retornaria em meio a chamas flamejantes para julgar a humanidade (1 Ts 1.6-10) e o mesmo disse Isaías: "Vejam, O Senhor virá num fogo, e seus carros são como um turbilhão! Transformará em fúria a sua ira, e em labaredas de fogo, a sua repreensão. Pois com fogo e com a espada o Senhor executará julgamento sobre todos os homens" (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo, Ele retorna a terra em labaredas de fogo!

Diante da Segunda Vinda de Cristo, os pecadores não tem esperança de um reino milenar, mas sim, uma terrível expectativa do juízo final. Jesus claramente ensinou que a Segunda Vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes… Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos'… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-46). A Parábola das Dez Virgens ensina que não há esperança de vida e nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus. Ficando, assim, descartada a idéia de uma segunda oportunidade de vida e salvação para os não salvos após o Arrebatamento da Igreja.

Porque que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio? Por que, então, haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a destruição do último inimigo (1Co 15) por ocasião da Segunda Vinda de Cristo?

Portanto, Apocalipse 20, não está ensinando nada novo e nem diferente do ensino de Jesus e de seus Apóstolos que deixaram claro que a Primeira Vinda de Cristo inaugurou o Reino de Deus e que Jesus reina do seu trono celestial colocando um a um de seus inimigos debaixo de seus pés, cujo último inimigo, a morte, será destruído por ocasião da sua  Segunda Vinda, que é única, pessoal, visível, portentosa, em meio a labaredas de fogos, promovendo uma ressurreição geral de todos para o Juízo Final, quando o joio será separado do trigo e os bodes do meio das ovelhas. Os mortos em Cristo ressuscitarão e receberão corpos espirituais e indestrutíveis capacitados para viver a eternidade na Jerusalém Celestial. Não pertencemos a Jerusalém terrena, nossa cidadania é celeste! Aguardamos novos céus e nova terra, nossa morada celestial que Jesus foi preparar!

36 Questões para os pré-milenistas Por José Ildo Swartele de Mello Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontecerá no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (1Co 15.25,26, 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

A expressão "até que" de 1 Coríntios 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas?

Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Se o reinado de Cristo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte, e se também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o último inimigo que é a morte será destruído na Segunda Vinda, por que ainda haveria espaço para o surgimento de novos inimigos e de mais uma rebelião e guerra no final do milênio conforme afirmam os pré-milenistas?

Por que que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio?

Por que razão Jesus, após a sua sua gloriosa Segunda Vinda, teria de passar por nova humilhação representada por uma rebelião mundial contra o seu justo governo de mil anos?

Como explicar que no final do milênio, Satanás será solto e num período curto de tempo conseguirá promover uma rebelião sem precedentes contra Jesus arrebanhando uma multidão incontável de todas as nações?

Que argumentos usaria Satanás para enganar as nações no final de um milênio presidido física e pessoalmente pelo Todo Poderoso, Justo e Amoroso Cristo?

Não é absurda a idéia de que uma multidão de rebeldes alimente qualquer espécie de esperança de vitória contra o Todo Poderoso Cristo e seus santos com corpos glorificados e imortais?

Quem serão as pessoas e os povos sobre os quais Cristo e os remidos com corpos imortais reinarão? Não me diga que serão exatamente aqueles vivos por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que não se acharam entre o grupo de salvos, ou seja, os seguidores da Besta?

Se for este o caso, como justificar, que uma multidão de seguidores da Besta, marcados com o seu sinal, possam ter o privilégio de desfrutar o Reino Milenar de Cristo em vez de se depararem com o Juízo Final?

E como conciliar um milênio para os perdidos das nações sobreviventes da Grande Tribulação com o seguinte clamor dos mártires cristãos por justiça?

“ E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10)

E, a resposta do anjo ao clamor de justiça dos mártires indicaria um período milenar de espera até o dia do Juízo ou aponta diretamente para o momento subseqüente a quele em que se completará “o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”? (Ap 6.11). Em outras palavras, se o juízo ainda não veio porque o número total de mártires da Grande Tribulação não está completo, não fica estabelecida aí uma relação estreita entre a era presente e o juízo final? Caso, contrário, não seria apenas uma questão de se esperar a plenitude dos mártires, mas, muito mais que isto, se faria necessário aguardar mil anos mais com o dissabor de ter de contemplar seu algozes perseguidores no desfrute do reino milenar.

Quantas eras existem?

Jesus ensinou a existência de duas eras: a era presente e a vindoura, e jamais sequer sugeriu algo como uma terceira era intermediária com duração de mil anos. De acordo com Cristo, o que a era vindoura nos reserva é a ressurreição dos mortos para a vida eterna numa condição angelical onde não haverá mais lugar para casamentos e outras tantas coisas peculiares apenas a era presente.

“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna” (Mc 10.29,30); “Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna”. (Lc 18.30); “E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento” (Lc 20.34,35).

Jesus ensinou mais sobre o Reino de Deus do que qualquer outro assunto, então, por que será que ele nunca mencionou nada a respeito de um reino milenar na terra após a sua Segunda Vinda?

Por que os mortos em Cristo que já estavam desfrutando da glória celeste no estado intermediário ressuscitariam para voltar a um terra onde o pecado e a morte ainda existem? Não seria isto um retrocesso?

A existência de corpos ressurrectos e celestiais não reivindica uma vida em uma Nova Jerusalém celestial onde não há mais lugar para o pecado e a morte?

Por que adiar o juízo final sobre o mal e por que também adiar o desfrute do destino eterno dos salvos que já estariam prontos para o lar celestial por já estarem de posse de seus corpos glorificados?

Como encaixar o milênio entre a Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final, quando Jesus e seus Apóstolos categoricamente ensinaram que o Juízo Final acontecerá imediatamente após a Segunda Vinda?

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E t odas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda” (Mt 25.31.33); “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5.2,3); “Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem” (2 Ts 1.6-10).

Como dizem os pré-milenistas que o Livro de Apocalipse narra os fatos futuros em ordem cronológica se o nascimento de Jesus registrado no capítulo 12 é descrito logo após a uma narrativa do juízo final registrada no capítulo 11?

Como aceitar também que o milênio descrito no capítulo 20 seja um acontecimento imediatamente posterior a Segunda Vinda de Cristo descrita no Capítulo 19, quando o próprio capítulo 19 encerra-se com uma descrição do juízo final que resulta na destruição de todos os inimigos de Deus? Quem restaria das nações para o milênio?

O Juízo final não está também sendo narrado no capítulo 14? Se o Apocalipse fosse um livro contendo narrativas seqüências dos eventos últimos, quantos "juízos finais" aconteceriam? E quando é que “a seara da terra” estará madura para “o grande lagar da ira de Deus” no final do milênio pré-milenista ou na Segunda Vinda de Cristo? E a descrição do Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca não é uma clara imagem da Segunda Vinda de Cristo? (Ap 14.16; ver também: Mc 13.26; 14.62; Mt 24.30; 26.64; Lc 21.27; 1 Ts 4.17; Ap 1.7 e Dn 7.13); “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo … Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome… E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda…

Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura… E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios” (Ap 14.7-20).

Por que não encontramos o ensino de duas ressurreições separadas por mil anos nas Escrituras do Antigo Testamento, nem nos Evangelhos e nem nas Epístolas, antes, pelo contrário, o que vemos é o claro ensino de que haverá uma ressurreição geral para o juízo final?

“Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5.28-29); “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12.2)

“ Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.15)

Por que os discípulos deveriam almejar um reinado milenar na terra quando o que Jesus lhes prometeu foi um lar celestial? O que Jesus prometeu foi voltar para levá-los para si ou voltar para ficar com eles, constituindo um reino aqui na terra?

“ E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” ( Jo 14.3).

“ Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

Onde é que Pedro disse que se cumpriria a promessa de justiça na velha terra ou nos novos céus e terra?

Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (2 Pe 3.13)

S e Jesus declarou que seu reino não era deste mundo, por que ele teria de voltar para reinar na terra?

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36); “E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo 8.23)

Qual seria a duração do Reino de Cristo de acordo com as profecias do Antigo e Novo Testamentos?

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre (Dn 2.44); “O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” (Dn 4.3); “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Dn 7.14); “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Dn 7.27); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Is 9.6,7); “O teu re ino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações” (Sl 145.13); “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade” (Sl 45.6); “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1.32,33); “Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.11); Onde está o trono do Rei Jesus na terra ou no céu?

“E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono” (Ap 4.2); “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21); “Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima” (Ap 7.17)

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles (Ap 20.11); “E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o se mpre” (Ap 5.13); “O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19).

“ E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele” (Mt 23.22)

“ Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus” (Mt 5.34)

“ O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?” (At 7.49).

“Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés” (Hb 10.12-13); Por que nem mesmo Apocalipse 20 descreve Jesus fisicamente reinando em um trono na cidade de Jerusalém e por que o Apocalipse diz que Jesus precisou ser arrebatado da terra para chegar ao seu trono celeste para reger as nações com vara de ferro?

“ E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” ( Ap 12.5)

Quantas vezes Satanás será amarrado e solto? Como interpretar os seguintes textos que falam de Satanás como já tendo sido amarrado e perdido poder por ocasião da Primeira Vinda de Cristo?

“ Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente?”(Mt 12.29)

"Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lc 10.18,19).

Por que não reconhecer a afirmação de Cristo que declarou que o Reino de Deus já havia chegado em seus dias tendo como um dos sinais a expulsão de demônios pelo Espírito Santo de Deus?

“ Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Mt 12.28)

“Todo poder me é dado no céu e na terra” (Mt 28.18); “'Tudo sujeitaste debaixo dos seus pés'. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte”(Hb 2.8-9; ver também 1 Co 15.25 e Mt 16.18).

Após a Segunda Vinda gloriosa de Cristo, haverá realmente um retorno aos “rudimentos fracos e pobres”, tais como o templo em Jerusalém, os sacrifícios, a exaltação judaica e coisas desta natureza?

“ Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez?” (Gl 4.9)

“ Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção.”(Hb 9.8-12)

“A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos?… Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste"… Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”(Hb 10.1-14)

Saiba mais:

O Reino de Deus já foi inaugurado!

Controvérsias a Respeito do Reino de Deus Questões para os pré-milenistas Objeções ao Premilenismo Milênio: Interpretação de Apocalipse 20 Milênio: A Natureza do Reino de Deus O Domingo de Ramos e a Natureza do Reino de Deus Trindade, Reino de Deus e Missão Integral O Mistério do Reino de Deus – “já e ainda não”

O Rei Jesus, seu Reino e a Missão da Igreja O Exercício do senhorio de Cristo na era presente A Escatologia, O Espírito Santo e A Missão da Igreja O Espírito Santo, a Criação e a Nova Criação O Espírito Santo, o Reino de Deus e a Missão de Cristo O Espírito Santo, o Reino de Deus e a Missão da Igreja Reino de Deus e a Missão da Igreja A vida e a missão de Jesus como modelo para a Igreja Realismo não deve sufocar o bom ânimo O Reino, A Cruz e a Missão da Igreja A Encarnação de Cristo e a Missão da Igreja Senhorio de Cristo e a Missão da Igreja A Ressurreição de Cristo e a Missão da Igreja Desafios sociais que a Igreja encara hoje O desafio do cristianismo frente à esta sociedade de Consumo Estilo de vida simples por amor a justiça do Reino Resgatando a Cruz na espiritualidade evangélica Os poderosos recursos da Palavra e Oração As Duas Testemunhas de Apocalipse Os três gemidos de Romanos 8 A Missão da Igreja e a conversão Boas Obras para edificação do Reino A Missão da Igreja e Envolvimento Político Wesley, exemplo histórico do valor de uma boa escatologia Wesley, exemplo de vida simples em prol da caridade Wesley, o impacto social de sua escatologia Wesley, sua luta contra a Escravidão Wesley, grupos pequenos como modelo da cultura do Reino Wesley e a participação dos leigos na expansão do Reino Conclusões sobre o Milênio

O Milênio+

Introdução

Veremos agora uma interpretação de

Apocalipse 20

de acordo com as regras da hermenêutica e à luz do conceito geral das Escrituras a respeito do tema.

Primeiramente devemos levar em conta o estilo literário, pois a literatura apocalíptica é repleta de figuras de linguagem que servem como representações simbólicas daquilo que se quer ensinar. Não é sábio ignorar a natureza do livro e passar a interpretar tudo de maneira literal. Uma interpretação literal de Apocalipse levou o fundador das Testemunhas de Jeová a conclusão de que apenas 144.000 pessoas seriam salvas e iriam para o céu.

A pergunta chave para a hermenêutica do Apocalipse não é: "O que é?", mas, sim, "O que significa?". Por exemplo: O que significam as dezenas de referências numéricas, tais como, 7, 24, 666, 144.000 e 1.000? Nem mesmo os mais literalistas pré-milenistas interpretam literalmente coisas como o número da Besta, A Besta do Mar com sete cabeças e dez chifres ( Ap 13.1), Os Gafanhotos do Abismo ( Ap 9.3) e cavalos ( Ap 9.17).

Outra regra hermenêutica é que as Escrituras interpretam as próprias Escrituras. Um texto claro lança luz sobre um texto mais obscuro. No caso em questão, por se tratar do tema do Reino de Deus, temos uma vasta gama de textos bíblicos que discorrem a respeito do assunto. Aliás, Jesus falou mais sobre o Reino de Deus do que sobre qualquer outro assunto. E é interessante notar também que Jesus jamais tenha feito menção a um reinado milenar na Terra após Sua Segunda Vinda. O mais plausível é que a visão registrada no Capítulo 20 de Apocalipse seja um retrato do ensino claro de Cristo registrado em todos os Evangelhos e não algo contraditório.

É muito importante também levar em consideração o contexto em que o Livro foi escrito. Tudo indica que o Livro de Apocalipse tenha sido escrito por volta do ano 95, época em que a Igreja padecia uma horrenda perseguição por parte do Imperador Domiciano. O número de mártires se multiplicava a cada dia. O livro foi escrito em um momento de muita dor e sofrimento para confortar e animar o coração dos crentes. Há várias menções aos mártires, que são vistos como estando ao lado de Cristo, sendo consolados por Ele, cantando um cântico de vitória, recebendo coroas e reinando com Cristo. Eles não são uns mortos e derrotados. "Em todas estas coisas eles são mais do que vencedores!" Eles vivem e reinam com Cristo!

Precisamos também notar que o Livro de Apocalipse não é uma narrativa cronológica dos fatos. Antes, trata-se de uma série de visões entrelaçadas ou justapostas, como retratos de uma mesma história tirados de diversos ângulos diferentes de maneira a enriquecer a visão como um todo.

O livro está dividido em sete seções paralelas e progressivas. O Apóstolo João, autor do Apocalipse, também escreveu o Evangelho de João e lá também fez uso do número sete para destacar certas verdades, no caso, para defender a divindade de Jesus, pois o Evangelho registra sete milagres de Cristo e também sete vezes a expressão "Eu Sou". Então, Apocalipse, segue esta mesma linha, possuindo sete seções. Sendo que cada seção compreende o período que vai da primeira à segunda vinda. Cada nova seção é mais clara em seu retrato do fim até chegarmos ao clímax!  Primeira Seção (1-3) – Os sete candeeiros; Segunda Seção (4-7) – Os sete selos;  Terceira Seção (8-11) – As sete trombetas; Quarta Seção (12-14) – A trindade maligna; Quinta Seção (15-16) -As sete taças; Sexta Seção (17-19) – A derrota dos agentes do Dragão; e a Sétima Seção (20-22), que mostra o Reinado de Cristo com as almas do santos no céu e não em um milênio na terra depois da segunda vinda.

Embora o capítulo 19 descreva a Segunda Vinda de Cristo, ele termina com uma descrição viva do juízo final. Os eventos descritos no Capítulo 20 não seguem os do capítulo 19 em ordem cronológica, assim como também a descrição do nascimento de Jesus que encontramos no capítulo 12, de maneira alguma segue cronologicamente os eventos do juízo registrados no capítulo 11.

Portanto, assim como o capítulo 11 termina com uma descrição do Juízo Final e o capítulo 12 recomeça contando a história a partir do nascimento de Cristo, assim também, acontece com os capítulos 19 e 20. Pois, o capítulo 20 começa descrevendo os eventos que marcaram a primeira vinda. Porque foi por ocasião da Primeira Vinda de Cristo que aconteceu o aprisionamento de Satanás (Mt 12.27-29; Jo 1.5; Mt 16.18; Mt 28.18) e seu lançamento no abismo (Lc 10.18; 2Pe 2.4 e Jd 6).

Jesus já iniciou o seu reinado ainda que isto não esteja visível para todos conforme bem expressa o autor de Hebreus quando diz: "o coroaste de glória e de honra; tudo sujeitaste debaixo dos seus pés. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas." São duas afirmações paradoxais, pois primeiramente afirma de maneira categórica que todas as coisas estão sob o domínio de Cristo e, a seguir, confessa que não é possível ainda ver isto em termos concretos. Mas, uma coisa não nega a outra, pois o reinado de Cristo é espiritual e também está em processo de expansão. Ainda que o autor de Hebreus não consiga enxergar todas as coisas sob o domínio de Cristo, ele não nega o fato de que Cristo já reina na era presente como o fazem os pré-milenistas. Isto tem a ver com o caráter híbrido do Reino de Deus na era presente que é descrito por Jesus em termos de trigo misturado com joio ( Mt 13.24-30). E também tem a ver com o caráter progressivo e paulatino da expansão deste Reino como bem descrito na Parábola do Grão de Mostarda ( Mt 13.31-33) e na revelação do Reino de Cristo registrada em

Daniel 2.35

. A Primeira Vinda de Cristo amarrou Satanás Começaremos, portanto, analisando os primeiros três versículos, que contam que o Dragão, Satanás, foi preso em correntes e lançado no abismo com o propósito de não mais enganar as nações. Jesus mesmo já havia dito que o ato de expulsar demônios pelo Espírito de Deus era um sinal claro de que já era chegado o Reino dos Céus, pois o “valente”, uma clara referência a Satanás, havia sido primeiramente amarrado, no sentido de não poder mais impedir que sua casa fosse saqueada (Mt 12.22-29).

É interessante notar que o mesmo termo utilizado em Mateus 12 para descrever o aprisionamento do homem valente é utilizado também em Apocalipse 20 para descrever o aprisionamento de Satanás, o termo grego dhshi ou deo. Este aprisionamento de Satanás deve ser entendido em termos da restrição de seu poder, no sentido de não poder continuar enganando as nações como vinha fazendo até a primeira vinda de Cristo (Ap 20.3). Agora, uma vez amarrado, não pode impedir o avançar de Cristo e de sua Igreja, de modo, que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja (Mt 16.18; 24.14; 28.18-20; Mc 13.10, At 1.8). Sabemos que Jesus veio ao Mundo para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8).

Jesus deixou claro que sua tarefa messiânica incluía mais do que evangelização, por envolver também a libertação dos cativos e oprimidos, com restauração da saúde e da justiça: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18-19).

A Igreja, que é o Corpo de Cristo, segue na mesma missão sem poder ser definitivamente impedida pelas forças do inferno, pois sabemos que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16.18b) e João disse: “a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela” (Jo 1.5). Pois Jesus é o Rei e, como tal, tem todo poder no Céu e na Terra ( Mt 28.18).

Existe um outro texto que, a semelhança de

Mateus 12.28,29

, também está num contexto de expulsão de demônios, trata-se de

Lucas 10.17-24

, que descreve a alegria que os discípulos estavam experimentando por serem capazes de exercer autoridade sobre os demônios. E é interessante notar que aqui também Jesus menciona algo sobre a derrota e a perda de poder de Satanás, mas só que, em vez de dizer que Satanás está preso ou amarrado, ele o descreve como que caindo do céu, um sinal evidente de que seu poderio havia sido tremendamente abalado. E, para confirmar esta idéia, no v. 22, Jesus declara que tudo lhe foi entregue pelo Pai.

João 12.31,32

é outro texto que mostra como a queda e o aprisionamento de Satanás estão diretamente associados à atividade missionária de Jesus e seus discípulos, pois a expulsão de Satanás está associada com o fato de que não somente judeus, mas também gentios de todas as nações estarem sendo atraídos a Cristo. O texto diz: "Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim"! Jesus não disse que tal expulsão de Satanás se daria após a sua Segunda Vinda, pelo contrário, ele é enfático no uso do adverbio "agora", ou seja, por ocasião da sua primeira vinda.

A Bíblia diz que Satanás recebeu um golpe mortal com a primeira vinda de Cristo ( Gn 3.15 e Cl 2.15). A igreja cumpre sua missão na autoridade daquele que tem todo o poder no céu e na terra ( Mt 28.18)! Por esta razão é que as portas do inferno não prevalecerão contra ela ( Mt 16.18). A igreja será bem sucedida no cumprimento de sua missão de testemunhar do Evangelho a todas as nações antes do fim, pois nos céus haverá uma multidão incontável de salvos de todos os povos, línguas e nações ( Ap 7.9-14), de modo que "a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar"( Is 11.9).

Para reforçar ainda mais esta interpretação, temos textos como

2 Pedro 2.4

, que falam dos demônios como já tendo sido lançados no abismo: “Ora, se Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno, os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” e Judas 6 fala dos demônios como já tendo sido presos e algemados sob trevas: “e a anjos, os que não guardaram o seu estado original, mas abandonaram o seu próprio domicílio, ele tem guardado sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande Dia”. Repare que é a mesma linguagem de Apocalipse 20 e trata da questão como algo passado e não futuro.

Notar também que o próprio livro do Apocalipse fala deste abismo em outros capítulos: “Ela abriu o poço do abismo, e subiu fumaça do poço como fumaça de grande fornalha, e, com a fumaceira saída do poço, escureceu-se o sol e o ar” (Ap 9.2)… “e tinham sobre eles, como seu rei, o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego, Apoliom” (Ap 9.11)… “Quando tiverem, então, concluído o testemunho que devem dar, a besta que surge do abismo pelejará contra elas, e as vencerá, e matará” (Ap 11.7)… “A besta que viste, era e não é, está para emergir do abismo e caminha para a destruição. E aqueles que habitam sobre a terra, cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e não é, mas aparecerá” (Ap 17.8). Note que é dito que a Besta surge do Abismo para pelejar contra os santos, o que concorda com Ap 20.3 que diz que é necessário que seja solto do Abismo por pouco tempo (Compare com Ap 12.12, que fala da última investida de Satanás, tendo consciência de que pouco tempo lhe resta). E os próprios pré-milenistas reconhecem que a manifestação da Besta se dará na era presente, ou seja, antes da Segunda Vinda de Cristo.

Portanto, o ensino do Novo Testamento é que Jesus amarrou a Satanás e inaugurou o seu reino em sua primeira vinda. Agora, como disse Paulo: "é necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte" ( 1Co 15.25,26). Sendo assim, este período de reinado de Cristo mencionado por Paulo só pode ser na era presente, pois sabemos que é por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que a morte será destruída, como Paulo complementa no versículo 54 deste mesmo capítulo: "Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: "A morte foi destruída pela vitória"! Se a morte é destruída na Segunda Vinda de Cristo, como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

A Natureza do Reino de Deus Já, quanto aos "mil anos", o número é simbólico, como tantos outros no Apocalipse, (“7”, “24”, “666”, 144.000”, etc), e significa um longo, suficiente, e completo período de tempo em que se dará o Reino terrestre de Cristo, que entendemos se tratar do período que vai de sua primeira vinda até a sua Segunda Vinda.

Pois, além de tudo que foi dito anteriormente, temos também a maravilhosa revelação de Daniel 2.44 que indica claramente que o reinado messiânico e eterno do Messias teria início na época do Império Romano. A interpretação do sonho indica quatro grandes reinos, a saber: 1) a cabeça de outro = império babilônico, 2) o peito e o braço = império medo-persa, 3) o ventre e os quadris = o império grego e 4) as pernas e os pés = império Romano. O texto diz: "Na época desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído e que nunca será dominado por nenhum outro povo. Destruirá todos os reinos daqueles reis e os exterminará, mas esse reino durará para sempre"(Dn 2.44). Observe também a descrição da "Pedra":  "Enquanto estavas observando, uma pedra soltou-se, sem auxílio de mãos, atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmigalhou. Então o ferro, o barro, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados, viraram pó, como o pó da debulha do trigo na eira durante o verão. O vento os levou sem deixar vestígio. Mas a pedra que atingiu a estátua tornou-se uma montanha e encheu a terra toda" (Dn 2.34-35). O surgimento da pedra tem uma origem miraculosa como o nascimento de Cristo e, apesar de um começo modesto, a pedra cresce e se transforma em uma grande montanha. Isto não nos faz lembrar da Igreja? "Sobre esta pedra edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela!"(Mt 16.18) e a comparação com a Parábola do Reino como um Grão de Mostarda é inevitável! (Mt 13). Jesus disse que o Reino havia chegado (Mt 12.28) e garantiu que alguns dos seus discípulos imediatos não morreriam antes de verem o Reino de deus vindo com poder! (Mc 9.1). "Pois ele nos resgatou do domínio das trevas e nos transportou para o Reino do Filho Amado"(Cl 1.13). Por esta razão é que o Livro de Apocalipse começa declarando que Jesus Cristo "nos constituiu reis e sacerdotes para servir a seu Deus e Pai"(Ap 1.6).

A Igreja é o corpo de Cristo e reina com ele, vivendo a serviço do Rei.  É preciso que se reconheça a natureza deste Reino de Cristo, pois se de um lado sabemos que Jesus já é o Senhor e que o seu reinado já foi inaugurado, por outro, ainda não vemos todas as coisas debaixo dos pés de Cristo, conforme lemos em Hebreus 2.8: “todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (ver também Hb 10.13). É preciso observar que, na parábola do Joio e do Trigo (Mt 13), que é uma das parábolas do Reino de Deus, paralelamente ao crescimento do trigo, observasse também o crescimento do joio. Portanto, realismo bíblico ajuda a evitar os extremos perigosos do ufanismo de um lado e, de outro, a acomodação daqueles que postergam a inauguração do Reino para depois da Segunda Vinda de Cristo.

A expressão "até que" de 1 Co 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas? Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Jesus falou de seu reino em termos espirituais e em ação já na presente era: "…não vem o reino de Deus com visível aparência… porque o reino de Deus está dentro em vós"(Lc.17.20,21).

Para saber mais a respeito da Natureza do Reino de Deus, clique em Milênio: A Natureza do Reino de Deus.

As Almas dos Decapitados Os versículos de 4 a 6 falam daqueles que estão assentados em tronos, com autoridade para julgar e reinar juntamente com Cristo, destacando a figura dos mártires, pois o livro de Apocalipse foi escrito para encorajar os crentes que estavam sendo tremendamente atribulados naquele período, que, hoje, é conhecido como a Era dos Mártires. Eles perderam parentes e irmãos em Cristo e estão correndo o risco de perderem suas próprias vidas por causa do Evangelho.

Da perspectiva terrestre, o quadro não parece nada favorável, pois milhares de cristãos estão sendo martirizados. No entanto, o Livro de Apocalipse vê os mártires da perspectiva celestial e não são poucas as passagens que falam deles como vencedores, que agora estão servindo ao Senhor de dia e de noite e sendo consolados por ele, e que também estão cantando o cântico de Moisés e do Cordeiro e que se encontram em posição privilegiada vivendo e reinando com Cristo. Isto parece concordar com o que diz o autor de Hebreus no início do capítulo 12, quando menciona a nuvem tão grande de testemunhas, referindo-se aos heróis da fé, a maioria deles, mártires do Antigo Testamento que haviam sido citados no final do capítulo 11.

Em Apocalipse 20, o termo “decapitados” é usado para descrever todos os mártires, mas, se alguém insiste em interpretar este capítulo de forma literal terá, então, que concluir que estariam excluídos os mártires que não foram decapitados, o que soaria estranho, gerando uma série de outros questionamentos.

Os mártires estão em foco pela razão já exposta, mas pode ser que este grupo seja mais inclusivo, englobando a todos os filhos de Deus, mesmo aqueles que não morreram como mártires. Pois um cristão ainda que não morra como mártir, deve viver como mártir. “Como está escrito: Por amor de ti, somos entregues à morte o dia todo, fomos considerados como ovelhas para o matadouro” (Romanos 8.36). Interessante notar também que o termo “testemunhas” da expressão “Ser-me-eis testemunhas” (At 1.8) é da mesma raiz da palavra mártir. “Ser-me-eis mártires” seria uma tradução possível.

E, além disto, temos outros textos que afirmam que os crentes que ainda vivem neste mundo também estão reinando com Cristo. Pois Paulo declara que os crentes em Cristo, que vivem neste mundo, já foram ressuscitados e estão assentados com Cristo nas regiões celestiais, onde está o trono de Deus: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Paulo diz que isto já aconteceu. Não é futuro, é uma realidade presente. Paulo ensina que os crentes em Cristo já ressuscitaram e já estão reinando com Cristo acima de todo o principado e potestade. Tal ressurreição e reinado se dão em termos espirituais. Jesus afirmou que o reino dele não era deste mundo (Jo 18.36). Jesus diz coisas aos seus discípulos que mostram em que sentido os cristãos estariam reinando aqui na terra: “Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 18.18). “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e  sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10.19). A Igreja age como sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13-16).

A menção "as almas dos decapitados" em Apocalipse 20 é muito semelhante a visão dos mártires na glória registrada no capítulo 6. São textos paralelos, de modo que um ajuda a entender melhor o outro. Vejamos o que diz: "Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamavam em alta voz: 'Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue?' Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles" (Ap 6.9-11). É impressionante a similaridade das duas descrições. Compare:  “as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram” (Ap 6.9)  com: “as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus” (Ap 20.4).

Os mártires estão conscientes do que se passa aqui na terra no periodo ainda da Grande Tribulação. Eles clamam por justiça e recebem vestiduras brancas e lhes é dito que aguardem um pouco mais, pois a Segunda Vinda de Cristo e a consequente ressurreição e o juízo final ainda estão por vir! O que é visto em Apocalipse 6 é visto também em Apocalipse 20, pois as almas dos decapitados aguardam a ressurreição do corpo cuja descrição se dá no final do capítulo 20, mais precisamente, no versículo 13.

Portanto, a ressurreição do corpo e o julgamento final estão registrados no fim do capitulo 20, após a descrição do reinado de mil anos. Que esta ressurreição é geral, incluindo tanto incrédulos como crentes, se deduz da frase conclusiva que diz: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo” (v.15). Isto indica a existência de dois grupos distintos, os que não estão inscritos no livro da vida e os que estão, o que concorda perfeitamente com a descrição do juízo final feita pelo Senhor Jesus: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes. E colocará as ovelhas à sua direita e os bodes à sua esquerda… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-33 e 46); exatamente o mesmo que profetizou Daniel: "Multidões que dormem no pó da terra acordarão: uns para a vida eterna, outros para a vergonha, para o desprezo eterno" (Dn 12.2. Veja também: 2 Co 5.10; Rm 14.10-12).

As Duas Ressurreições Quanto as duas ressurreições de Ap 20, primeira (v. 5) é de caráter espiritual, sendo uma referência ao novo nascimento e a condição de salvo, inscritos no Livro da Vida, como se pode ver no texto paralelo que se encontra no v.15. Pois quem nasceu de novo não sofre o dano da segunda morte ou condenação do inferno. O v. 14 diz que a Segunda Morte é o Lago de Fogo. “Nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). “Em verdade, em verdade vos digo: quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24).

Portanto, quem tem o seu nome inscrito no Livro da Vida, ou seja, quem já participou da Primeira Ressurreição, não sofrerá o dano da Segunda Morte. Tanto a Primeira Ressurreição como a Segunda Morte são de caráter espiritual. Não seria coerente dizer que um Ressurreição física livra o homem de uma condenação espiritual.

O Novo Testamento usa com freqüência o termo ressurreição, ressuscitados e ressurrectos para descrever a condição do crente em Cristo: “tendo sido sepultados, juntamente com ele, no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2.12)… “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3.1)… Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida” (Rm 6.4)… “Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte” (1 Jo 3.14). Deus não é Deus de mortos, mas de vivos, de modo que os mártires cristãos estão vivos em Deus e reinam com Cristo.

Vemos, no capítulo 5 do Evangelho de João, o emprego do termo ressurreição tanto no sentido espiritual como no físico e isto num mesmo contexto (Jo 5.25-29). Portanto, não seria de se estranhar que o mesmo acontecesse neste outro escrito de João.

A primeira ressurreição mencionada em Apocalipse 20 é espiritual, apresentada aqui principalmente para indicar a vitória dos mártires que vivem e reinam com Cristo, pois o estado intermediário dos crentes, entre a morte e a ressurreição, é um período de vida (Lc 20.38) e consciência (Ap 6.9-11), que segundo Paulo é incomparavelmente melhor do que a dos crentes antes da morte (Fp 1.23), que o faz até preferir deixar o corpo para habitar com o Senhor (2 Co 5.8), pois eles desfrutam da presença do Senhor numa dimensão superior, por se acharem diante do trono de Deus, servindo a Deus de dia e de noite no seu santuário, já não tem mais fome, nem sede, e já não sofrem mais a intempéries da vida, pois são apascentados e consolados por Jesus (Ap 7.15-17), e, aqui, em Ap 20, vemos que eles também partilham de alguma maneira do privilégio de reinar juntamente com Cristo. Já, a segunda ressurreição é descrita nos versos de 11 a 13 como algo distinto da primeira, sendo uma clara referência a ressurreição do corpo que se dará por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

A Primeira Vinda de Cristo nos trouxe a primeira ressurreição, que é o novo nascimento e a Segunda Vinda nos trará a segunda ressurreição que será a do corpo. A segunda morte é uma referência ao castigo eterno, o que implica em que a primeira ressurreição, mencionada por João, não seja uma ressurreição física. Pois se os crentes já tivessem aqui (em Ap 20.6) ressuscitado fisicamente, em corpo glorificado, eles já estariam desfrutando do gozo pleno e total da vida vindoura e não seria necessário dizer que sobre eles a segunda morte não tem poder. Sendo assim, teríamos aqui o uso de um recurso estilístico comum naquela época, conhecido por chiasmo, que disporia os quatro elementos (primeira e segunda ressurreição e primeira e segunda morte) de modo a estabelecer um contraste diagonal em “X”, como ilustrado no diagrama abaixo, onde “a)” estaria se contrapondo a “b)”, espiritual com espiritual e físico com físico. Notar que este contraste, pelo menos em sua dimensão espiritual, entre a primeira ressurreição e a segunda morte, pode ser visto também no versículo 15, que diz: “E, se alguém não foi achado inscrito no Livro da Vida, esse foi lançado para dentro do lago de fogo”. A expressão “foi achado inscrito no Livro da Vida” indica a condição do salvo, daquele que nasceu de novo, que já foi ressuscitado espiritualmente com Cristo e que já passou da morte para a vida, enquanto que, no versículo 14, é dito que o lago de fogo é a segunda morte.

Assim, este texto estabelece o mesmo contraste encontrado no versículo 6, que diz “Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos”. O que fortalece o argumento em defesa da interpretação da primeira ressurreição como de natureza espiritual, não apenas pelo contraste estabelecido, mas também pelo paralelo que se vê entre os versículos 6 e 15, onde a expressão do v. 6 “aquele que tem parte na primeira ressurreição” tem a sua expressão paralela no v. 15 em termos que não deixam dúvida quanto ao caráter espiritual da mesma: “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Ou seja, “aquele que tem parte na primeira ressurreição” é o mesmo que dizer: aquele que “foi achado inscrito no Livro da Vida”. Veja o diagrama:

Tabela – Diagrama Demonstrativo Ap 20.6 a) “ Primeira ressurreição”

– espiritual = símbolo da vida eterna = “foi achado inscrito no Livro da Vida”

(Comparar v.6 com v.15) a) “ segunda ressurreição”

(“reviveram” v.5)

= ressurreição geral e física (v. 13) b) “ Primeira morte”

(subentendida)

= morte física b) “ Segunda morte”

– espiritual – (v.6)

= símbolo da morte eterna = “A Segunda Morte é o Lago de Fogo” (v.14)

Para os que fazem questão de que os dois usos do termo ezesan em Apocalipse 20 sejam referências a ressurreições físicas, existe ainda uma outra interpretação possível, plausível e em perfeita harmonia com os Evangelhos e as Epístolas, onde ezesan significaria a transição da morte física dos mártires para a vida com Cristo no Céu durante o período intermediário entre a morte e a ressurreição.

E também podemos afirmar com propriedade que a Primeira Ressurreição foi a de Jesus,  o "Primogênito dentre os mortos" (Co 1.18)! De modo que os que estão em Cristo, estão, de fato, identificados com sua morte e ressurreição, tendo já passados da morte para a vida (Jo 5.24), e, como bem frisou o Apóstolo Paulo, dizendo que os cristãos já foram: "Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos" (Co 2.12). "Portanto, se já ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus" (Co 3.1). "Nem tampouco apresenteis os vossos membros ao pecado por instrumentos de iniqüidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça" (Rm 6.13).

Mesmo no estágio intermediário, entre a morte e a ressurreição, as almas dos crentes estão bem vivas e ativas no céu (Ap 6 e 7), diferente do que acontece com os restantes dos mortos que não crêem em Deus. Pois Deus não é Deus de mortos, mas sim, é Deus de vivos (Mc 12.27). O estado intermediário dos salvos já é infinitamente superior a nossa existência terrena, de modo a levar Paulo a exclamar: "desejo partir e estar com Cristo, o que é muito melhor" (Fp 1.23); e ainda: "Temos, pois, confiança e preferimos estar ausentes do corpo e habitar com o Senhor" (2 Co 5.8). Tanto é verdade, que o autor de Hebreus, após elencar uma série de mártires e heróis da fé, inicia o capítulo 12 mencionando que nós os vivos na terra estamos cercados de uma nuvem tão grande de testemunhas vivas nos céus (Hb 12.1). "As almas dos decapitados" vivem e reinam dos altos céus! (Ap 20). Obviamente, este texto de Apocalipse não pode ser interpretado literalmente, pois, se não, seríamos forçados a concluir que apenas as almas dos decapitados é que ressuscitariam para reinar, o que excluiria os crentes que foram mortos de outra forma; algo que nem mesmo o mais ferrenho literalista seria capaz de afirmar. É óbvio, portanto, que a referência aos decapitados é muito mais inclusiva e abrangente, envolvendo todos os que estão em Cristo.

Paulo ensinou que nossa posição em Cristo é muito elevada. Como ressurrectos dentre os mortos, já estamos assentados com Cristo, em seu trono, muito acima de todos os principados e potestades e sobre todo o reino e domínio que existe sobre a terra (Ef 2.6). Os crentes em Cristo exercem autoridade sobre os demônios (Lc 10.16s), o maligno não lhes toca (1 Jo 5.18).

Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontece no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Tal texto suscita algumas questões?

Se o milênio ensinado por Paulo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte e também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (v. 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

Segunda Vinda, Ressurreição geral e Juízo Final Só existe uma ressurreição física e geral de todos, quer sejam eles crentes ou incrédulos (Dn 12.2, At 24.14,15), vindo após isto, o Juízo Final e o estado eterno, “porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo” (2 Co 5.10). Os que não tiverem os seus nomes escritos no livro da vida serão condenados (Ap 20.11-13).

Jesus ensinou claramente que a ressurreição seria geral, para todos, crentes e não crentes, uns para vida e outros para a condenação: “Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (João 5.28,29).

E, em Mateus 25.31-46, lemos que, com a Segunda Vinda de Cristo se dará o juízo final com a separação dos cabritos das ovelhas e que, os primeiros irão para o castigo e eterno, enquanto os demais para a vida eterna.

O Novo Testamento sempre diz que o Juízo Final se seguirá a Segunda Vinda de Cristo (2 Ts 1.7-10; Mt 16.27; 25.31-32; Jd 14-15 e Ap 22.12. E o Credo Apostólico também estabelece esta mesma relação ao dizer: “de onde há de vir pra julgar os vivos e os mortos”. Note que não diz “de onde há de vir para inaugurar seu reino milenar”). Seguindo este raciocínio, o Milênio só poderia acontecer antes da Segunda Vinda de Cristo, pois é o juízo final que se seguirá a sua segunda Vinda.

Portanto, é bem razoável concluir que o texto de Apocalipse 20 não está ensinando nada de novo, como duas ressurreições físicas separadas por um período de mil anos, mas, sim, estaria falando de modo simbólico, como é característico da literatura apocalíptica, do tema da ressurreição de modo a concordar com todos os vários outros textos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento, que são unânimes no ensino de uma única ressurreição geral, tanto de crentes como de incrédulos, seguida do Juízo Final. Veremos a seguir um estudo mais acurado sobre a natureza do Reino de Deus em sua íntima relação com a natureza e a missão de Jesus e do Espírito Santo.

Os eventos registrados nos capítulos 19 e 20 não estão em ordem cronológica como querem os pré-milenistas. Pois o capítulo 19 não termina com uma descrição da Segunda Vinda, mas, sim, com uma clara descrição do juízo final, culminando com a destruição de todos os inimigos de Deus. Se o capítulo 19 conclui com a morte de todos os habitantes da terra cujos nomes não estavam escritos no livro da vida, quem restou das nações para um reinado milenar na terra? Além disso, o milênio descrito em Apocalipse 20 não descreve Jesus reinando de Jerusalém, mas do céu. Não faz também sentido algum supor um motim generalizado contra Jesus no final dos mil anos. É absurda a idéia de exércitos marchando sobre a terra para atacar com armas a Jesus e os salvos com corpos glorificados e indestrutíveis.

Soa no mínimo estanho que Jesus careça de um fogo vindo do céu para destruir seus inimigos, quando bem sabemos que é Jesus mesmo quem desce do céu no meio de labaredas de fogo para destruir seus inimigos. Temos aqui uma alusão a Segunda-Vinda de Cristo em socorro a sua igreja que sofre perseguição no período da Grande Tribulação. Paulo ensinou que Jesus Cristo retornaria em meio a chamas flamejantes para julgar a humanidade (1 Ts 1.6-10) e o mesmo disse Isaías: "Vejam, O Senhor virá num fogo, e seus carros são como um turbilhão! Transformará em fúria a sua ira, e em labaredas de fogo, a sua repreensão. Pois com fogo e com a espada o Senhor executará julgamento sobre todos os homens" (Is 66.15-16). Jesus não é ajudado por labaredas de fogo, Ele retorna a terra em labaredas de fogo!

Diante da Segunda Vinda de Cristo, os pecadores não tem esperança de um reino milenar, mas sim, uma terrível expectativa do juízo final. Jesus claramente ensinou que a Segunda Vinda precipitaria imediatamente o Juízo Final: "Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes… Então dirá aos que estiverem à sua esquerda: 'Malditos, apartem-se de mim para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos'… E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna" (Mt 25.31-46). A Parábola das Dez Virgens ensina que não há esperança de vida e nem de salvação para os perdidos após a Segunda Vinda de Jesus. Ficando, assim, descartada a idéia de uma segunda oportunidade de vida e salvação para os não salvos após o Arrebatamento da Igreja.

Porque que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio? Por que, então, haveria espaço para mais uma rebelião e mais uma guerra após a destruição do último inimigo (1Co 15) por ocasião da Segunda Vinda de Cristo?

Portanto, Apocalipse 20, não está ensinando nada novo e nem diferente do ensino de Jesus e de seus Apóstolos que deixaram claro que a Primeira Vinda de Cristo inaugurou o Reino de Deus e que Jesus reina do seu trono celestial colocando um a um de seus inimigos debaixo de seus pés, cujo último inimigo, a morte, será destruído por ocasião da sua  Segunda Vinda, que é única, pessoal, visível, portentosa, em meio a labaredas de fogos, promovendo uma ressurreição geral de todos para o Juízo Final, quando o joio será separado do trigo e os bodes do meio das ovelhas. Os mortos em Cristo ressuscitarão e receberão corpos espirituais e indestrutíveis capacitados para viver a eternidade na Jerusalém Celestial. Não pertencemos a Jerusalém terrena, nossa cidadania é celeste! Aguardamos novos céus e nova terra, nossa morada celestial que Jesus foi preparar!

36 Questões para os pré-milenistas Por José Ildo Swartele de Mello Paulo não era pré-milenista, pois ensinou que a Ressurreição do corpo acontecerá no final do milênio e não no início:

"É necessário que ele reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés. O último inimigo a ser destruído é a morte… Quando, porém, o que é corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal, de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: 'A morte foi destruída pela vitória'" (1Co 15.25,26, 54).

Se o Apóstolo Paulo claramente ensina que o último inimigo que é a morte será destruído por ocasião da Segunda Vinda de Cristo (1Co 15.25,26, 54), como dizem os pré-milenistas que haverá morte no milênio que segundo eles acontecerá após a Segunda Vinda de Cristo?

Como poderemos exclamar "destruída foi a morte pela vitória" por ocasião da Segunda Vinda de Cristo se a morte continuará fazendo vítimas no milênio pré-milenista?

Quem estaria com a razão, Paulo, quando afirma que a morte será destruída na Segunda Vinda de Cristo, ou os pré-milenistas que ensinam que isto acontecerá apenas depois do milênio?

A expressão "até que" de 1 Coríntios 15.25 não indica um desenvolvimento paulatino do Reino em que os inimigos vão sendo gradativamente postos debaixo dos pés de Cristo e não abruptamente como ensinam os pré-milenistas?

Como a interpretação pré-milenista se harmoniza com as Parábolas do Reino (Mt 13) que ensinam que o Reino de Deus se estabelece de maneira gradativa como o desenvolvimento da plantação de um grão de mostarda e também híbrida com a presença do joio no meio do trigo, onde temos também a presença do maligno representado pelo inimigo que planta o joio e pelos pássaros?

Se o reinado de Cristo se processa até a destruição do último inimigo que é a morte, como dizem os pré-milenistas que este reinado começará após a Segunda Vinda, quando bem sabemos que é exatamente por ocasião da Segunda Vinda que a morte será destruída?

Se Paulo ensina que a Ressurreição física dos mortos em Cristo marca a destruição do último inimigo que é a morte, e se também ensina que "é necessário que ele (Jesus) reine até que todos os seus inimigos sejam postos debaixo de seus pés", então, como podem os pré-milenistas ensinarem que a ressurreição física dos mortos precede o reinado milenar de Cristo quando Paulo aponta exatamente para o contrário disto?

Se o último inimigo que é a morte será destruído na Segunda Vinda, por que ainda haveria espaço para o surgimento de novos inimigos e de mais uma rebelião e guerra no final do milênio conforme afirmam os pré-milenistas?

Por que que razão Jesus, após sua vinda gloriosa, deveria ainda ter de governar sobre seus inimigos com vara de ferro, e ainda ter de esmagar uma absurda rebelião no fim do milênio?

Por que razão Jesus, após a sua sua gloriosa Segunda Vinda, teria de passar por nova humilhação representada por uma rebelião mundial contra o seu justo governo de mil anos?

Como explicar que no final do milênio, Satanás será solto e num período curto de tempo conseguirá promover uma rebelião sem precedentes contra Jesus arrebanhando uma multidão incontável de todas as nações?

Que argumentos usaria Satanás para enganar as nações no final de um milênio presidido física e pessoalmente pelo Todo Poderoso, Justo e Amoroso Cristo?

Não é absurda a idéia de que uma multidão de rebeldes alimente qualquer espécie de esperança de vitória contra o Todo Poderoso Cristo e seus santos com corpos glorificados e imortais?

Quem serão as pessoas e os povos sobre os quais Cristo e os remidos com corpos imortais reinarão? Não me diga que serão exatamente aqueles vivos por ocasião da Segunda Vinda de Cristo que não se acharam entre o grupo de salvos, ou seja, os seguidores da Besta?

Se for este o caso, como justificar, que uma multidão de seguidores da Besta, possuidores da marca sia marca, possam ter o privilégio de desfrutar o Reino Milenar de Cristo em vez de se depararem com o Juízo Final?

E como conciliar um milênio para os perdidos das nações sobreviventes da Grande Tribulação com o seguinte clamor dos mártires cristãos por justiça?

“ E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Ap 6.10)

E, a resposta do anjo ao clamor de justiça dos mártires indicaria um período milenar de espera até o dia do Juízo ou aponta diretamente para o momento subseqüente a quele em que se completará “o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram”? (Ap 6.11). Em outras palavras, se o juízo ainda não veio porque o número total de mártires da Grande Tribulação não está completo, não fica estabelecida aí uma relação estreita entre a era presente e o juízo final? Caso, contrário, não seria apenas uma questão de se esperar a plenitude dos mártires, mas, muito mais que isto, se faria necessário aguardar mil anos mais com o dissabor de ter de contemplar seu algozes perseguidores no desfrute do reino milenar.

Quantas eras existem?

Jesus ensinou a existência de duas eras: a era presente e a vindoura, e jamais sequer sugeriu algo como uma terceira era intermediária com duração de mil anos. De acordo com Cristo, o que a era vindoura nos reserva é a ressurreição dos mortos para a vida eterna numa condição angelical onde não haverá mais lugar para casamentos e outras tantas coisas peculiares apenas a era presente.

“E Jesus, respondendo, disse: Em verdade vos digo que ninguém há, que tenha deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por amor de mim e do evangelho, que não receba cem vezes tanto, já neste tempo, em casas, e irmãos, e irmãs, e mães, e filhos, e campos, com perseguições; e no século futuro a vida eterna” (Mc 10.29,30); “Que não haja de receber muito mais neste mundo, e na idade vindoura a vida eterna”. (Lc 18.30); “E, respondendo Jesus, disse-lhes: Os filhos deste mundo casam-se, e dão-se em casamento; Mas os que forem havidos por dignos de alcançar o mundo vindouro, e a ressurreição dentre os mortos, nem hão de casar, nem ser dados em casamento” (Lc 20.34,35).

Jesus ensinou mais sobre o Reino de Deus do que qualquer outro assunto, então, por que será que ele nunca mencionou nada a respeito de um reino milenar na terra após a sua Segunda Vinda?

Por que os mortos em Cristo que já estavam desfrutando da glória celeste no estado intermediário ressuscitariam para voltar a um terra onde o pecado e a morte ainda existem? Não seria isto um retrocesso?

A existência de corpos ressurrectos e celestiais não reivindica uma vida em uma Nova Jerusalém celestial onde não há mais lugar para o pecado e a morte?

Por que adiar o juízo final sobre o mal e por que também adiar o desfrute do destino eterno dos salvos que já estariam prontos para o lar celestial por já estarem de posse de seus corpos glorificados?

Como encaixar o milênio entre a Segunda Vinda de Cristo e o Juízo Final, quando Jesus e seus Apóstolos categoricamente ensinaram que o Juízo Final acontecerá imediatamente após a Segunda Vinda?

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E t odas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda” (Mt 25.31.33); “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão” (1 Ts 5.2,3); “Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, e a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem” (2 Ts 1.6-10).

Como dizem os pré-milenistas que o Livro de Apocalipse narra os fatos futuros em ordem cronológica se o nascimento de Jesus registrado no capítulo 12 é descrito logo após a uma narrativa do juízo final registrada no capítulo 11?

Como aceitar também que o milênio descrito no capítulo 20 seja um acontecimento imediatamente posterior a Segunda Vinda de Cristo descrita no Capítulo 19, quando o próprio capítulo 19 encerra-se com uma descrição do juízo final que resulta na destruição de todos os inimigos de Deus? Quem restaria das nações para o milênio?

O Juízo final não está também sendo narrado no capítulo 14? Se o Apocalipse fosse um livro contendo narrativas seqüências dos eventos últimos, quantos "juízos finais" aconteceriam? E quando é que “a seara da terra” estará madura para “o grande lagar da ira de Deus” no final do milênio pré-milenista ou na Segunda Vinda de Cristo? E a descrição do Filho do Homem assentado sobre uma nuvem branca não é uma clara imagem da Segunda Vinda de Cristo? (Ap 14.16; ver também: Mc 13.26; 14.62; Mt 24.30; 26.64; Lc 21.27; 1 Ts 4.17; Ap 1.7 e Dn 7.13); “Dizendo com grande voz: Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é vinda a hora do seu juízo … Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, Também este beberá do vinho da ira de Deus, que se deitou, não misturado, no cálice da sua ira; e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro. E a fumaça do seu tormento sobe para todo o sempre; e não têm repouso nem de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, e aquele que receber o sinal do seu nome… E olhei, e eis uma nuvem branca, e assentado sobre a nuvem um semelhante ao Filho do homem, que tinha sobre a sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda…

Lança a tua foice, e sega; a hora de segar te é vinda, porque já a seara da terra está madura… E o anjo lançou a sua foice à terra e vindimou as uvas da vinha da terra, e atirou-as no grande lagar da ira de Deus. E o lagar foi pisado fora da cidade, e saiu sangue do lagar até aos freios dos cavalos, pelo espaço de mil e seiscentos estádios” (Ap 14.7-20).

Por que não encontramos o ensino de duas ressurreições separadas por mil anos nas Escrituras do Antigo Testamento, nem nos Evangelhos e nem nas Epístolas, antes, pelo contrário, o que vemos é o claro ensino de que haverá uma ressurreição geral para o juízo final?

“Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz e sairão; os que fizeram o bem ressuscitarão para a vida, e os que fizeram o mal ressuscitarão para serem condenados” (Jo 5.28-29); “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno” (Daniel 12.2)

“ Tendo esperança em Deus, como estes mesmos também esperam, de que há de haver ressurreição tanto dos justos como dos injustos” (Atos 24.15)

Por que os discípulos deveriam almejar um reinado milenar na terra quando o que Jesus lhes prometeu foi um lar celestial? O que Jesus prometeu foi voltar para levá-los para si ou voltar para ficar com eles, constituindo um reino aqui na terra?

“ E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” ( Jo 14.3).

“ Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20).

Onde é que Pedro disse que se cumpriria a promessa de justiça na velha terra ou nos novos céus e terra?

Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça (2 Pe 3.13)

S e Jesus declarou que seu reino não era deste mundo, por que ele teria de voltar para reinar na terra?

“Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18.36); “E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” (Jo 8.23)

Qual seria a duração do Reino de Cristo de acordo com as profecias do Antigo e Novo Testamentos?

Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre (Dn 2.44); “O seu reino é um reino sempiterno, e o seu domínio de geração em geração” (Dn 4.3); “E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído. (Dn 7.14); “E o reino, e o domínio, e a majestade dos reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo; o seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão, e lhe obedecerão” (Dn 7.27); “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.

Do aumento deste principado e da paz não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar com juízo e com justiça, desde agora e para sempre; o zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto” (Is 9.6,7); “O teu re ino é um reino eterno; o teu domínio dura em todas as gerações” (Sl 145.13); “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade” (Sl 45.6); “Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai; E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1.32,33); “Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 1.11); Onde está o trono do Rei Jesus na terra ou no céu?

“E logo fui arrebatado no Espírito, e eis que um trono estava posto no céu, e um assentado sobre o trono” (Ap 4.2); “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono” (Ap 3.21); “Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima” (Ap 7.17)

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles (Ap 20.11); “E ouvi toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o se mpre” (Ap 5.13); “O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19).

“ E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele” (Mt 23.22)

“ Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus” (Mt 5.34)

“ O céu é o meu trono, E a terra o estrado dos meus pés. Que casa me edificareis? diz o Senhor, Ou qual é o lugar do meu repouso?” (At 7.49).

“Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés” (Hb 10.12-13); Por que nem mesmo Apocalipse 20 descreve Jesus fisicamente reinando em um trono na cidade de Jerusalém e por que o Apocalipse diz que Jesus precisou ser arrebatado da terra para chegar ao seu trono celeste para reger as nações com vara de ferro?

“ E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono” ( Ap 12.5)

Quantas vezes Satanás será amarrado e solto? Como interpretar os seguintes textos que falam de Satanás como já tendo sido amarrado e perdido poder por ocasião da Primeira Vinda de Cristo?

“ Ou, como pode alguém entrar na casa do valente, e roubar-lhe os bens, se primeiro não amarrar o valente?”(Mt 12.29)

"Eu vi Satanás caindo do céu como relâmpago. Eis que vos dou poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda a força do inimigo, e nada vos fará dano algum.” (Lc 10.18,19).

Por que não reconhecer a afirmação de Cristo que declarou que o Reino de Deus já havia chegado em seus dias tendo como um dos sinais a expulsão de demônios pelo Espírito Santo de Deus?

“ Mas se é pelo Espírito de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Mt 12.28)

“Todo poder me é dado no céu e na terra” (Mt 28.18); “'Tudo sujeitaste debaixo dos seus pés'. Ao lhe sujeitar todas as coisas, nada deixou que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas. Vemos, todavia, aquele que por um pouco foi feito menor do que os anjos, Jesus, coroado de honra e glória por ter sofrido a morte, para que, pela graça de Deus, em favor de todos, experimentasse a morte”(Hb 2.8-9; ver também 1 Co 15.25 e Mt 16.18).

Após a Segunda Vinda gloriosa de Cristo, haverá realmente um retorno aos “rudimentos fracos e pobres”, tais como o templo em Jerusalém, os sacrifícios, a exaltação judaica e coisas desta natureza?

“ Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos, como é que estão voltando àqueles mesmos princípios elementares, fracos e sem poder? Querem ser escravizados por eles outra vez?” (Gl 4.9)

“ Dessa forma, o Espírito Santo estava mostrando que ainda não havia sido manifestado o caminho para o Santo dos Santos enquanto ainda permanecia o primeiro tabernáculo. Isso é uma ilustração para os nossos dias, indicando que as ofertas e os sacrifícios oferecidos não podiam dar ao adorador uma consciência perfeitamente limpa. Eram apenas prescrições que tratavam de comida e bebida e de várias cerimônias de purificação com água; essas ordenanças exteriores foram impostas até o tempo da nova ordem. Quando Cristo veio como sumo sacerdote dos benefícios agora presentes, ele adentrou o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito pelo homem, isto é, não pertencente a esta criação. Não por meio de sangue de bodes e novilhos, mas pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, e obteve eterna redenção.”(Hb 9.8-12)

“A Lei traz apenas uma sombra dos benefícios que hão de vir, e não a realidade dos mesmos. Por isso ela nunca consegue, mediante os mesmos sacrifícios repetidos ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam para adorar. Se pudesse fazê-lo, não deixariam de ser oferecidos?… Por isso, quando Cristo veio ao mundo, disse: "Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste; de holocaustos e ofertas pelo pecado não te agradaste"… Mas quando este sacerdote acabou de oferecer, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à direita de Deus. Daí em diante, ele está esperando até que os seus inimigos sejam colocados como estrado dos seus pés; porque, por meio de um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre os que estão sendo santificados”(Hb 10.1-14)

Saiba mais:

O Reino de Deus já foi inaugurado!

Questões sobre o Milênio O Milênio Apocalíptico Uma Visão Bíblica do Reino de Deus Controvérsias a Respeito do Reino de Deus Objeções ao Premilenismo Questões para os pré-milenistas Milênio: Interpretação de Apocalipse 20 Milênio: A Natureza do Reino de Deus O reino de Deus já foi inaugurado!

O Domingo de Ramos e a Natureza do Reino de Deus Trindade, Reino de Deus e Missão Integral O Mistério do Reino de Deus – “já e ainda não”

O Rei Jesus, seu Reino e a Missão da Igreja O Exercício do senhorio de Cristo na era presente A Escatologia, O Espírito Santo e A Missão da Igreja O Espírito Santo, a Criação e a Nova Criação O Espírito Santo, o Reino de Deus e a Missão de Cristo O Espírito Santo, o Reino de Deus e a Missão da Igreja Reino de Deus e a Missão da Igreja A vida e a missão de Jesus como modelo para a Igreja Realismo não deve sufocar o bom ânimo O Reino, A Cruz e a Missão da Igreja A Encarnação de Cristo e a Missão da Igreja Senhorio de Cristo e a Missão da Igreja A Ressurreição de Cristo e a Missão da Igreja Desafios sociais que a Igreja encara hoje O desafio do cristianismo frente à esta sociedade de Consumo Estilo de vida simples por amor a justiça do Reino Resgatando a Cruz na espiritualidade evangélica Os poderosos recursos da Palavra e Oração As Duas Testemunhas de Apocalipse Os três gemidos de Romanos 8 A Missão da Igreja e a conversão Boas Obras para edificação do Reino A Missão da Igreja e Envolvimento Político Wesley, exemplo histórico do valor de uma boa escatologia Wesley, exemplo de vida simples em prol da caridade Wesley, o impacto social de sua escatologia Wesley, sua luta contra a Escravidão Wesley, grupos pequenos como modelo da cultura do Reino Wesley e a participação dos leigos na expansão do Reino Conclusões sobre o Milênio

Conclusões sobre o Milênio+

Por José Ildo Swartele de Mello

O Reino de Deus não foi postergado, mas já foi inaugurado por Jesus Cristo em Sua primeira Vinda, como pudemos ver detalhadamente no capítulo que tratou da natureza do Reino de Deus. Vimos como o Pré-tribulacionismo não tem base bíblica e conduz ao escapismo e também como o Premilenismo está ancorado em um único texto da Bíblia que se encontra no livro de Apocalipse, que sabemos está repleto de figuras de linguagem. E, por se tratar do tema do Reino de Deus, tão ampla e detalhadamente descrito por Jesus e seus Apóstolos nas demais passagens do Novo Testamento, deveria ser lido e interpretado a luz destes textos tão mais claros, que ensinam sobre a natureza e o estabelecimento do Reino de Deus. Isto evitaria muitos erros, inclusive, o pior deles, o de favorecer uma postura de acomodação e alienação diante do status quo, o que dificulta em muito que a Igreja tenha a clara consciência de seu papel no Mundo e exerça sua missão de modo integral e não apenas se dedique a obra de evangelização.

A base trinitária e criacional da escatologia

A Escatologia está embasada na própria natureza da Trindade, na doutrina da criação, nos propósitos eternos de Deus, na natureza de Jesus como Rei, Sacerdote e Profeta, na natureza do Reino de Deus, na pessoa e obra do Espírito Santo, na natureza e na missão da própria Igreja, no sentido de contribuir com os propósitos de Deus de conduzir a história da humanidade ao seu destino final e desejável.

Portanto, vimos que quanto melhor é a nossa compreensão da natureza do Reino de Deus que se manifestou em Cristo, quanto mais distantes estaremos do perigo que representam para a Missão da Igreja as posições escatologias extremistas, tais como o ponto de vista futurista, que é pessimista em relação ao presente, que a respeito do Reino de Deus, diz: “Agora não; depois”, e que, por isso, tem levado muitos à acomodação, alienação e ao escapismo, numa atitude meramente contemplativa, que reduz a missão da Igreja ao campo da salvação das almas, adiando a esperança do Reino, e carregando nas tintas ao descrever os vaticínios de juízo e condenação, se portando como se fossem agoureiros do fim do mundo, que para eles só vai de mau a pior, idéia esta que favorece a criação de grupos sectários que fogem do mundo; e, já, do lado oposto, temos também o ponto de vista triunfalista i que diz: “Não depois, agora!”, pregando o paraíso na terra já na era presente e contribuindo também para a manutenção do status quo, fomentando a ganância, e apresenta a Deus como um instrumento para a satisfação do ideal desta sociedade de consumo, que materialista, hedonista e individualista. De um e de outro lado, tal polarização extrema revela um desequilíbrio que não faz jus à natureza paradoxal e multidimensional do Reino de Deus derivada da tensão entre os aspectos presente e futuro do Reino em decorrência de estarmos vivendo num período intermediário que se encontra entre a primeira e a segunda-vinda de Cristo. O Reino de Deus, de fato, é tanto presente como futuro, já foi inaugurado e está entre nós, promovendo transformações substanciais, mas se manifestará em sua plenitude, produzindo transformação total, somente por ocasião da Segunda Vinda de Cristo.

Jesus não veio para criar uma religião, mas para cumprir o propósito de Deus de colocar todas as coisas sob o seu governo. ii Pois Deus está interessado em promover a restauração do homem consigo mesmo, com o seu semelhante e com a criação, devemos fazer missão buscando alcançar estes objetivos divinos, movidos pelo Espírito Santo, que nos capacita com dons e talentos com vistas à edificação do Reino e o serviço cristão, devemos seguir o exemplo de Cristo que veio para servir e não para ser servido. Como cristãos não devemos apenas nos preocupar em aprender a teologia de Cristo, mas precisamos dar a devida atenção ao seu estilo de vida e ministério como modelo para nós. Precisamos por Jesus em prática. Pois andar como ele andou é o sinal do verdadeiro crente. Se não existe dicotomia entre o ser e o agir de Cristo, nem tão pouco deveria existir em nós, que carregamos o seu precioso nome.

O Reino de Deus e a missão da Igreja

A Missão da Igreja é continuação da Missão de Cristo. A Igreja está intimamente ligada a Cristo e ao Espírito de Deus em sua missão. Pois, como Corpo de Cristo, tem Jesus por cabeça e o Espírito como sua alma. A Igreja age em cooperação com Deus (2 Co 6.1), como um agente do Reino de Deus para cumprir sua Missão de ser sal da terra e luz do mundo. Para tanto, precisa sair de suas trincheiras e necessita também contar com a participação de cada membro com os seus dons e talentos, que foram concedidos para servir não apenas dentro das estruturas formais da Igreja, mas também para promoção dos valores e para o cumprimento dos propósitos do Reino de Deus no Mundo. Há uma relação entre o sacerdócio e os dons, que são essenciais para o exercício de seu ministério. Todos os membros da Igreja, sem exceção, por terem sido integrados no corpo, receberam dons e ministérios. Não há lugar no Corpo de Cristo para crentes de arquibancada, que permanecem como meros expectadores ou clientes. A Missão não é privilégio de um pequeno grupo que foi chamado para o campo missionário no exterior ou para o ministério ordenado. Todo cristão é um missionário em todo lugar, onde quer que esteja, pois toda a necessidade humana é campo missionário. O pastor não deve exercer o monopólio do ministério e dos dons. O líder cristão não deve se apegar ao poder. Deve ser reconhecido por quem é e não pelo cargo que ocupa. O papel do pastor é o de capacitação como se vê em Efésios 4. Algo como um treinador em um time. O pastor deve ajudar também a todos os membros, com seus dons e talentos, a se porem a serviço do bairro. A Igreja existe para servir e faz isto para a glória de Deus. A Igreja precisa estar presente no bairro num sentido construtivo onde a evangelização se dá no contexto do convívio e em meio ao serviço que está sendo prestado a comunidade.

Aprendemos com Jesus que o estilo de liderança do Reino de Deus nada tem a ver com o estilo de governar deste mundo, pois não é dominador, não se impõe pela força, mas procura cativar e inspirar pelo exemplo, pela humildade, e pelo serviço em amor. É um estilo as avessas do padrão comum de autoridade, pois é caracterizado pela cruz, pelo burrinho, pelo balde e a toalha.

Vimos também algo sobre o alcance político da Missão da Igreja, não na busca pelo poder, mas sim no sentido de que, como sal, luz e fermento, sua influência deve se fazer sentir em todas as esferas da vida, o que inclui a política. O envolvimento político da Igreja não deve ser encarado como uma defesa dos seus próprios interesses. Pois, como vimos, a natureza da Igreja e de sua missão é existir para servir aos interesses do Reino. A Igreja não existe para si mesma, mas existe para os outros.

Wesley, escatologia e missão: um resumo

Vimos como a escatologia pós-milenista realista de Wesley contribuiu para que os metodistas primitivos pudessem exercer um ministério integral com grande impacto social. Embora fosse realista devido a sua consciência da realidade e da natureza do pecado humano, Wesley mantinha viva uma esperança otimista baseado em sua confiança no poder regenerador da graça de Deus. Wesley aprendeu com Jesus a não usar nem a mais razoável das desculpas para justificar acomodação diante da “realidade” da natureza das coisas. O realismo não deve sufocar nossa confiança que está baseada no poder e na providência divina. A Igreja crê em milagres! Ela deve crer no poder de Deus para transformar a realidade e para restaurar o propósito original da natureza das coisas. Com Jesus o imponderável se torna realidade. A Igreja não deve se render e nem se conformar numa atitude de acomodação ao mundo e seu sistema, mas deve ser reativa e positiva no sentido de transformar-se a si mesma para tornar-se um instrumento de transformação nas mãos de Deus. O ministério de compaixão de Wesley não era uma isca para a evangelização, como se costuma ver hoje em dia, pois o ministério de ação social tem valor em si mesmo, por derivar a sua ação da própria natureza do Reino de Deus, que é amor, justiça e paz.

A missão deve se realizar através de palavras e obras para tornar visível a manifestação da Igreja como a comunidade do povo de Deus, a comunidade escatológica que existe para servir aqui e agora como agente do Reino de Deus, com um ministério mais profético que clama por justiça seja no púlpito, seja nos meios de comunicação, ou até mesmo em passeatas e marchas mais comprometidas com a realidade brasileira, ou seja, que estejam mais relacionadas com as aspirações e gemidos do nosso povo. Para que possamos ser a voz dos que não tem voz.

Com Wesley aprendemos também que um estilo de vida simples, com o propósito de praticar a caridade de maneira generosa e sacrificial é a melhor maneira de se combater o materialismo e o individualismo que caracterizam esta nossa sociedade de consumo. Isto sim significa buscar em primeiro lugar a justiça do Reino de Deus.

Democratização do ministério e missão integral

Aprendemos também o vital papel da democratização do ministério com a abertura para a participação dos leigos e também o fundamental papel dos grupos pequenos para o desenvolvimento da cultura do Reino de Deus. A Igreja existe não apenas para proclamar o Evangelho do Reino, mas para também servir de modelo do Reino de Deus para a sociedade em geral.

Por fim, queremos enfatizar que a missão integral da Igreja só pode ser cumprida através da mediação do Espírito Santo de Deus. Os profetas do Antigo Testamento deixaram claro que só por uma intervenção poderosa do Espírito Santo é que os corações seriam transformados e capacitados para fazerem a vontade de Deus e cumprirem sua missão (Ez 36.26; Is 61.1ss). O próprio Cristo foi ungido pelo Espírito para o cumprimento de sua missão messiânica de evangelizar os pobres; proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor, o ano do Jubileu que tinha como objetivo promover a justiça social (Lc 4.18-19). E sabemos que sem Pentecostes não haveria Igreja. Somente pelo poder e capacitação do Espírito é que a Igreja pode enfrentar o desafio de viver a ética do Reino de Deus para proclamar o Evangelho do Reino não apenas por palavras, mas também por obras, servido de modelo para o mundo. Vimos como Wesley com toda boa intenção e também com toda a sua excelente formação familiar e com todo o seu preparo acadêmico, acabou experimentando um grande fracasso em sua primeira investida missionária na América. No entanto, após ter reconhecido sua frieza espiritual, sua incredulidade e seu pecado, e de ter se arrependido, passando a estar sedento de Deus, foi que Wesley foi avivado pelo Espírito Santo, o que, conforme vimos produziu um impacto extraordinário em sua vida e ministério, o que, entre tantos frutos, fez também com que os metodistas de Wesley chegassem a ser a maior Igreja Evangélica nos Estados Unidos em meados do século XIX. De tempos em tempos a Igreja precisa ser renovada. Precisamos de um reavivamento. Não me refiro a um avivamento do tipo emocionalista e manipulador, que parece mais fabricação humana. Mas precisamos de um avivamento nos moldes do Novo Testamento, algo como o avivamento wesleyano que produz transformação de vidas e também transformação da sociedade, por impulsionar a Igreja ao cumprimento de sua missão de modo integral, como agente que é do Reino de Deus. Mártir Luther King em seu famoso sermão, disse: “Eu ainda tenho um sonho!”, foi capaz de viver e morrer por este sonho. Wesley sonhou com a expansão do Reino de Deus na terra, sonhou, por exemplo, com o fim da escravidão. E nós, como Igreja brasileira, que sonhos ainda temos? i Estamos focalizando aqui a teologia da prosperidade, mas os argumentos usados aqui para combater a idéia da realização plena do Reino na era presente se aplicam também a outras teologias como a teologia da libertação e para todas as demais posições triunfalista que supervalorizam determinados textos da Bíblia em detrimento de outros tantos, não mantendo viva a tensão entre as dimensões presente e futura do Reino de Deus. ii Padilla, C. R.

Missão Integral, São Paulo, FTL-B/Temática, 1992. P. 53.

Promessas feitas a Abraão cumprindo-se em Cristo+

Pensativo a respeito de como se dará o cumprimento da promessa relacionada a Terra Prometida, debrucei-me sobre as Escrituras em busca de resposta. Segue algumas considerações a respeito.

Hebreus 11: Abraão esperava uma cidade celestial

Um texto que me chamou bastante a atenção foi Hebreus 11.9-10, que claramente diz que Abraão, Isaque e Jacó habitaram em tendas na Terra Prometida de Canaã, considerando-a como terra alheia, porque nutriam a esperança de uma outra espécie de terra prometida, de caráter celestial, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus; O que nos faz lembrar das palavras de Jesus que disse aos discípulos que deveria subir aos céus para construir nossa definitiva habitação! Portanto, para o autor de Hebreus, a esperança dos patriarcas quanto a terra prometida é a mesma da Igreja: “Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fp 3.20). Por isso é que o autor de Hebreus arremata a questão dizendo: “Todos estes morreram na fé, sem ter obtido as promessas; vendo-as, porém, de longe, e saudando-as, e confessando que eram estrangeiros e peregrinos sobre a terra. Porque os que falam desse modo manifestam estar procurando uma pátria. E, se, na verdade, se lembrassem daquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Mas, agora, aspiram a uma pátria superior, isto é, celestial. Por isso, Deus não se envergonha deles, de ser chamado o seu Deus, porquanto lhes preparou uma cidade” (Hb 11.13-16). De modo que as Escrituras do Novo Testamento não vêem as promessas da Terra Prometida encontrando um cumprimento terreno, mas celestial: “Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa; porque aguardava a cidade que tem fundamentos, da qual Deus é o arquiteto e edificador” (Hb 11.9-10 ).

Romanos 4: herdeiro do mundo, não de um território

Outro texto bastante esclarecedor é o de Paulo, em Romanos 4.13, que diz: “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé”. Onde se vê que a promessa da terra é uma profecia que diz respeito aos descendentes espirituais de Abraão, judeus e gentios crentes em Cristo, herdeiros de todo o mundo renovado e celestial, uma nova terra, uma nova Jerusalém, ou seja, uma nova Canaã!

Assim como nosso corpo se revestirá de características celestiais e incorruptíveis, assim também acontecerá com a terra, que se revestirá do céu, numa espécie fusão, passando pela purificação do fogo! Não é à toa, que toda a criação geme e aspira a redenção (Rm 8.21). Por isto o céu é também chamado de Nova Jerusalém, nossa “terra” prometida que terá Jesus como o nosso sol (Ap 22.5), e também é dito que: “a cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória. As suas portas nunca jamais se fecharão de dia, porque, nela, não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações. Nela, nunca jamais penetrará coisa alguma contaminada, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro” (Ap 21.23-27).

Notar tratar-se da descrição da Nova Jerusalém celeste, onde o sol já não existe mais como o conhecemos, e observe também que as nações ali trarão a glória e a honra a Jesus, mas devemos lembrar que a Nova Jerusalém desce do céu após o Juízo Final, portanto, a descrição aqui das nações louvando a Deus não pode estar se referindo a um milênio na terra, pois trata-se de uma nova terra que é celestial. O primeiro céu e a primeira terra passaram e eis que tudo se fez novo! Nações aqui significam os remidos de todas as nações que habitarão na Nova Jerusalém. Veja que é dito que somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro é que tem o direito de habitar nesta morada celestial.

Gálatas 3: os da fé é que são filhos de Abraão

Ainda sobre Romanos 4, observe que a promessa da Terra é para toda a descendência de Abraão, o que inclui os gentios que são filhos da fé ou filhos da promessa e não somente de judeus que receberam a lei de Moisés (Rm 4.16-17). Paulo afirma que é através dos filhos espirituais de Abraão que se cumpre a promessa de que Abraão seria pai de muitas nações (Rm 4.17).

“Sabei, pois, que os da fé é que são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus justificaria pela fé os gentios, preanunciou o evangelho a Abraão: Em ti, serão abençoados todos os povos. De modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” (Gl 3.7-9).

Aprendemos com Paulo que as promessas feitas a Abraão pertencem ao seu descendente que é Cristo e nEle se cumprem: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz:E aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só:E ao teu descendente, que é Cristo” (Gl 3.16).

Lembrando que, quando Abraão esteve prestes a sacrificar o filho da promessa, Deus interveio, provendo o Verdadeiro Filho da Promessa, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! O descendente que pisaria a cabeça da serpente, cumprindo a promessa feita a Adão, pai da humanidade.

Paulo conclui o capítulo 3 de Gálatas reafirmando que as promessas foram destinadas ao descendente por excelência de Abraão que é o Cristo (v. 19) e diz que tais promessas são extensivas a todos os que crêem em Cristo: “Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que, mediante a fé em Jesus Cristo, fosse a promessa concedida aos que crêem” (Gl 3.22).

A Igreja como remanescente de Israel

A Igreja é a manifestação do remanescente de Israel. Notar que o primeiro gentio a se converter foi Cornélio. O que vale dizer que a Igreja era composta originariamente de crentes judeus, pelos remanescentes de Israel (Rm 2.28,29; 3.3,4; 9.6-8,27,29; 11.15), os gentios foram acrescentados nesta mesma oliveira. Há muito mais continuidade do que descontinuidade (Ef 2.18-20; 3.6; Gl 3.6-29). Não houve mudança no plano de Deus (Ef 1.3-4), mas revelação progressiva (Gl 6.16; 3.13,14). O Verdadeiro Israel é aquele que possui o Messias. Cristo é a Videira verdadeira (Jo 15.1), a videira é símbolo notório de Israel. O verdadeiro herdeiro de Abraão é o que tem fé no Messias prometido (Gl 3). É não é sem propósito que o número de apóstolos da Igreja é idêntico ao número de tribos de Israel.Paulo não diz que Deus mudou o seu plano original, antes, ele afirma que a Igreja sempre foi o plano de Deus (Ef 3.4-6, 21, 26, 31; Gl 3.8, 16; ver também Gn 3.15). O N.T. ensina que a lei, a circuncisão e a própria nação de Israel foram sombras da realidade que se encontra na Igreja (Cl 2.17; Hb 10.1; Ef 1.22,23). Israel era um tipo da Igreja; a terra um tipo do céu; a circuncisão um tipo do novo nascimento e do batismo; a lei um tipo e um aio para o evangelho e o templo um tipo do “Corpo de Cristo” ( Hb 8.5; 9.9, 24; 10.9,16,19-21; 11.9-16,39,40; 12.18-24; 13.10-14; Cl 2.11,12). Os cristão são chamados de “eleitos de Deus” (Rm 9.33). A Igreja foi profetizada no A.T.: (Jo 8.56; At 3.22-24; 1 Pe 2.9 comparar com Ex 19.5,6; Hb 2.12 comparar com Sl 22.22).

Em Romanos 11, Paulo fala sobre o futuro do remanescente de Israel. E nenhuma palavra é dita sobre o retorno a terra ou a reconstrução do templo e restauração do ritual levítico. Todas as profecias concernentes ao retorno de Israel para a terra e a reconstrução do templo foram feitas antes de 516 a.C., ano em que o templo foi reconstruído. Não existe nenhuma profecia mais a este respeito após 516 a.C., nem no A.T. e nem no N.T. Por exemplo, o livro de Malaquias não menciona, em momento algum, uma expectativa de retorno a terra e reconstrução do templo, pois, evidentemente, entendia que as profecias neste sentido tinham tido o seu cumprimento no ano de 516 a.C. Mas em Rm 11, Paulo fala de um retorno de Israel para Cristo e não para a Palestina. Nenhuma palavra é dita sobre Israel ser salvo após o “arrebatamento”. Paulo se inclui entre os remanescentes de Israel que serão salvos (Rm 11.1); Todos os israelitas crentes serão salvos. Em nenhum lugar encontramos base para a crença de que haverá uma segunda chance de salvação para os homens quer sejam judeus ou gentios após o arrebatamento da Igreja (Mt 25).

A herança é uma pátria celestial

A herança de Abraão é uma pátria celestial (Hb 11.8,13-16, 39,40; 1 Pe 1.4). As expectativas judaicas se cumprem em Cristo (Lc 1.54, 55,68-74). A primeira vinda de Cristo completou a redenção de Israel e “tantos quantos o receberem foi lhes concedido o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.10-12).

Por esta razão é que os gentios se tornaram co-herdeiros com Cristo de todas as promessas feitas a Abraão! “Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo; se com ele sofremos, também com ele seremos glorificados” (Rm 8.17). E tais promessas, principalmente aquelas que dizem respeito a terra, encontram um cumprimento que vai muito além do território da Palestina, abrangendo o mundo todo (Rm 4.13) e vai muito além desta vida e do mundo material, mas invade a eternidade e é revestida da glória celestial.

Os crentes, judeus e gentios, já estão espiritualmente ressuscitados e assentados juntamente com Cristo nos lugares celestiais, ou seja, ao lado daquele que tem todo o poder no céu e na terra e vive e reina do seu alto e sublime trono, acima de todo o principado e potestade (Ef 2.6), e por isto é dito que os crentes já tem “chegado ao monte Sião e à cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e a incontáveis hostes de anjos, e à universal assembléia e igreja dos primogênitos arrolados nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados” (Hb 12.22-22). A vocação deles é celestial: “Por isso, santos irmãos, que participais da vocação celestial” (Hb 3.1).

A esperança do cristão judeu, Paulo, também é a de um reino celestial e não milenar aqui na terra: “O Senhor me livrará também de toda obra maligna e me levará salvo para o seu reino celestial” (2 Tim 4.18). “E, por isso, neste tabernáculo, gememos, aspirando por sermos revestidos da nossa habitação celestial” (2 Co 5.2 cf. Rm 8.21).

Conclusão

Espero ter sido capaz de demonstrar que as promessas feitas a Abraão foram destinadas a um descendente em especial que é o Messias. A própria Terra Prometida está sendo preparada por Cristo e se destina a todos os judeus e gentios que creem em Cristo. Os da fé são os verdadeiros descendentes de Abraão e herdeiros da promessa, co-herdeiros juntamente com Cristo.

No amor do Senhor, Ildo Mello

Milênio: A Natureza do Reino de Deus+

Para que se tenha uma melhor compreensão do que está escrito em Apocalipse 20, é preciso que se conheça a natureza paradoxal do Reino de Deus ensinado por Jesus Cristo. Pois o Reino de Deus em sua dimensão terrestre não é sem oposição. Mas pode-se objetar aí que o texto de Apocalipse 20 afirma que Satanás é preso e que, portanto, tal descrição do Reino de Deus onde Satanás é descrito como estando preso não poderia se adequar a um conceito de Reino de Deus na era presente, devido à presença do mal nos dias de hoje. Portanto, segundo os premilenistas, seríamos forçados a concluir que o texto estaria mesmo se referindo a um reinado milenar que teria lugar na história no futuro, após a Segunda Vinda de Cristo. No entanto, como já demonstramos anteriormente, a prisão de Satanás descrita em Apocalipse 20 pode muito bem ser compreendida como significando o mesmo que Jesus está dizendo no capítulo 12 de Mateus, verso 29, quando fala sobre amarrar o valente antes de saquear os bens. Jesus estava saqueando os bens do “valente”, que simboliza ali a Satanás, pois o contexto mostra que Jesus estava expulsando demônios pelo Espírito de Deus, o que era em si um sinal de que o Reino de Deus já era chegado, pois já havia amarrado a Satanás (Mt 12.22 a 29). É o mesmo que vemos registrado em 2 Pedro 2.4 e Judas 6, que são textos que falam dos demônios que foram colocados presos no abismo. Portanto, Jesus, Pedro e Judas falam sobre este amarrar e prender dos demônios como eventos passados. Mas, se é assim, como é que vemos tanto mal agindo no mundo hoje? Bem, sabemos que este aprisionamento não pode ser interpretado no sentido de que o diabo está completamente inoperante no mundo, pois é óbvio que não é assim. Mas, se Jesus sabia que o diabo continuava a operar no mundo, o que é que ele quis dizer então com já ter amarrado o valente? Eis aí a questão!

O sentido de “amarrar” e “prender em correntes”

Precisamos entender o sentido de amarrar e prender em correntes tanto de Mateus 12.29 como de Apocalipse 20. Precisamos entender a natureza do Reino de Deus. Há um paradoxo no fato de a Bíblia falar que Satanás está amarrado e nós ainda estarmos percebendo o seu agir no mundo, e isto com relativa e aparente liberdade. Há outro paradoxo também na afirmação cristã de que Jesus é o Senhor e nós não vermos ainda todas as coisas sujeitas ao seu senhorio (Hb 2.8). Neste mesmo sentido, temos o texto de Efésios 1.22 que diz: “E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à Igreja”, entrando em aparente contradição com o texto de 1 Coríntios 15.28, pois se, no primeiro, Paulo declara que todas as coisas estão debaixo dos pés de Cristo, no segundo, ele diz que todas as coisas lhe serão sujeitas um dia: “Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.”

Um paradoxo apenas aparente: o já e o ainda não

Estas contradições são aparentes e se devem a natureza do Reino terrestre de Jesus na era da Igreja. Em sua primeira vinda, em sua morte e ressurreição, Jesus venceu e triunfou sobre a morte e sobre o mal. A batalha decisiva já foi travada, como bem observou Oscar Cullmani, ao lembrar que, numa guerra, nem sempre a última batalha é a mais importante e a decisiva. Pode ser que uma batalha intermediária tenha sido tão avassaladora que não exista mais como reverter a situação; não restando mais nenhuma esperança de vitória para o exército inimigo, por suas forças terem sido profundamente minadas. Mas, pode ser que, mesmo assim, outras batalhas ainda sejam necessárias porque o inimigo pode insistir em lutar, recusando-se a reconhecer sua derrota. Foi isto que aconteceu na Segunda Guerra Mundial. A batalha decisiva, que ficou conhecida como o “Dia D”, não foi a última. Mas a vitória daquela batalha foi tão tremenda que já não havia mais como reverter o quadro. Foi o que aconteceu também na batalha entre Jesus e Satanás. A batalha decisiva já foi travada, na cruz, Jesus foi o vencedor, como afirmou o Apóstolo Paulo: “despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz” (Cl 2.15). Mas a batalha final, a batalha do Armagedom, ainda está por vir, quando “então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e o destruirá pela manifestação de sua vinda” (2 Ts 2.8). Jesus é o legítimo Rei, mas o usurpador, mesmo derrotado, ainda é visto insistindo em ocupar o lugar que não lhe pertence. É por isto que o autor de Hebreus escreve em 2.8: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas.” O paradoxo é evidente: “Todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés” versus “porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas”. Sendo assim, alguém poderia questionar: Afinal de contas, todas as coisas estão ou não estão sujeitas debaixo dos pés de Cristo? A resposta é ao mesmo tempo sim e não. Sim, num certo sentido, e não, em outro. É sim, no sentido em que ele triunfou sobre o mal, tendo vencido a grande batalha, e é não, no sentido de que a guerra ainda não acabou, devido ao inimigo insistir em não reconhecer a vitória de Cristo. Por esta razão, ainda que Cristo já tenha triunfado na batalha decisiva, há outras batalhas até o dia final. Quem joga xadrez sabe que a maioria das partidas é vencida muito antes do xeque mate, mas nem todos os adversários são prontos em reconhecer o evidente fracasso e muitos insistem em continuar jogando até o movimento final em que se dá o xeque mate.

As parábolas e o crescimento oculto do Reino

Em muitas de suas parábolas, Jesus falou do Reino de Deus em termos deste paradoxo. Por exemplo, Jesus comparou o Reino de Deus a um homem que plantou o trigo, mas vem o inimigo e planta o joio, ambos crescem juntos e surge então este antagonismo e esta complexidade, típicas da natureza deste Reino (Mt 13.24-30). Em outra parábola, Jesus fala também do Reino de Deus em termos de um grão de mostarda (Mt 13.31-32), pequena semente que, uma vez plantada, cresce até tornar-se a maior das hortaliças. Mas não para por aí, pois fala também dos pássaros vieram aninhar-se debaixo de suas folhagens. Os pássaros não representam coisa boa, pelo menos neste contexto, pois na Parábola do Semeador (Mt 13.1s), os pássaros roubam a semente que caiu no caminho e aqui eles se aproximam como aproveitadores e interesseiros. Os pássaros procuram destruir a semente e querem se associar quando cresce como uma grande árvore. Foi isto que aconteceu com a Igreja, ela começou pequena como um grão de mostarda, foi desprezada e perseguida, mas resistiu e cresceu a ponto de conquistar o Império Romano, neste ponto muitos foram os pássaros que se aproximaram com intuito de tirar proveito. A boa semente cresceu, mas o joio também cresceu. Jesus compara o Reino de Deus com um pescador que lança a rede ao mar e pega peixes de toda espécie, bons e maus, e vemos também que a semente do reino cai em todo tipo de solo. Tal é a natureza do Reino de Deus, tão paradoxal e complexa, que muitos ou o ignoram ou o desprezam, enquanto outros tantos o adiam para depois da Segunda Vinda de Cristo. Mas não se deve desprezar o poder deste pequeno grão de mostarda, pois em seu DNA, ele encontra seu destino de crescer com a missão de ser sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5.13-16).

Este Reino de Deus pode passar desapercebido por muitos (Lc 17.20-21), pois se assemelha a uma pequena semente, que tem o seu crescimento gradativo e que possui esta natureza paradoxal e complexa só pode mesmo se dar na era presente, enquanto Jesus reina pondo um a um os seus inimigos debaixo dos seus pés (1 Co 15.25), pois, como sabemos pelas Escrituras, após a Segunda Vinda de Cristo, não haverá mais lugar para oposição, pois o anticristo será destruído (2 Ts 2.8) e a morte, o último inimigo a ser colocado debaixo dos pés de Jesus (1 Co 15.26), será tragada pela vitória final trazida pela Segunda Vinda de Jesus. Naquele dia, se dirá, “onde está, ó morte, a tua vitória… tragada foi a morte pela vitória!” (1 Co 15.54,55). Se a morte é como afirmou o Apóstolo Paulo, de fato, o último inimigo a ser destruído e se é certo como ele também afirmou que a morte será destruída por ocasião da Segunda Vinda de Cristo, quando se dará a ressurreição, então, não resta outra alternativa, senão, concluir que, tais textos que falam sobre o Reinado de Cristo, que acabamos de mencionar, só podem estar se referindo a era presente que antecede a Segunda Vinda. Deixemos que Paulo fale por si mesmo: “Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1 Co 15.25 e 26). Portanto, a Segunda Vinda não inaugurará o Reino de Deus, mas, sim, trará a plenitude do Reino com a destruição final de toda oposição e o estabelecimento de uma nova era com novos céus e nova terra onde a justiça, a verdade, a paz e o amor prevalecerão sem rivais. Enquanto isto não acontece, ressalto mais uma vez a necessidade de se discernir a natureza multidimensional do Reino de Deus, procurando, assim, manter unidas as distintas polaridades dimensionais que formam área de tensão, tais como presente e futuro, pessoal e social, celeste e terrestre, interno e externo, otimismo e realismo, reino que se estabelece tanto de maneira gradual e paulatina a partir da primeira vinda de Cristo, como também através de momentos críticos de intervenção divina e de modo abrupto e cataclísmico caracterizado pela Segunda Vinda de Cristo, pois nenhuma destas dimensões deve ser entendida a despeito da outra, pois tal tensão paradoxal entre o “já e o ainda não”, deve-se ao fato de estarmos vivendo num período de transição entre o a inauguração do Reino e a sua plenitude.

Para onde seguimos

Aprenderemos a seguir, de maneira mais específica, como a natureza do Reino de Deus se revela na Trindade, em especial, na pessoa e obra de Cristo e do Santo Espírito de Deus. O que servirá para preparar o terreno para que possamos compreender melhor a natureza e a dimensão da própria natureza da missão da Igreja, intimamente ligada a natureza do Reino e da Trindade.

i Cullman, Oscar, Christ and Time. tradução. Floyd V. Filson. Philadelphia: Westminster, 1950, p. 87.

Domingo de Ramos – A Natureza do Reino de Deus+

(Assista também o vídeo do sermão desta mensagem cliclando aqui)

Por que celebrar o Domingo de Ramos

É uma pena ver que boa parte dos evangélicos ignora o Domingo de Ramos. Alguns, em sua ignorância, chegam até a alegar que isto é coisa de católicos. Por estas e outras, as celebrações evangélicas da Páscoa estão cada dia mais pobres, limitando-se à comemoração do Domingo da Ressurreição. Assim, não apenas o Domingo de Ramos, mas até mesmo a Sexta-Feira da Crucificação está sendo ignorada. Um absurdo, pois o tema central do Evangelho é a mensagem da cruz (1 Co.2.2).

Se pensarmos bem, até mesmo por uma questão pedagógica, seria interessante aproveitarmos melhor as datas festivas para comunicar o seu significado. Por exemplo, um culto temático, cujas canções, encenações, decoração, ramos, leituras bíblicas e mensagem estivessem focadas no evento, contribuiria em muito para a fixação dos ensinamentos deste que foi o primeiro dia da Grande Semana de Jesus na Terra.

A hora que finalmente chegou

Quando Jesus iniciou o seu ministério, ele proferiu a seguinte frase: “Ainda não é chegada a minha hora” (Jo 2.4). Mas, agora, é diferente! Três anos e meio depois, finalmente, a sua hora havia chegado! O grande dia da manifestação do Messias prometido!

Jesus acabara de realizar o maior de seus milagres, ressuscitando a Lázaro, cujo corpo putrefato após quatro dias de sua morte fora milagrosamente vivificado! A fama de Jesus se espalhou por toda a Jerusalém. O povo, maravilhado, viu naquele milagre o sinal do Messias.

Então, uma multidão entusiasmada começa a celebrar a chegada do Grande Rei. Pessoas pobres improvisam a criação de um tapete estendendo seus mantos e ramos de palmeira pelo caminho em que Cristo havia de passar, e exclamavam com imenso júbilo, dizendo: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas” (Mt 21.9; Lc 19.38)!

Os fariseus, incomodados, pediram que Jesus interrompesse aquela adoração, mas Jesus respondeu: “se eles se calarem, até as próprias pedras clamarão”, visto ser aquele um momento sem igual, quando as profecias messiânicas estavam se cumprindo: “alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo, vitorioso e humilde, montado num jumentinho” (Zc 9.9)!

O Rei que entra montado num jumentinho

Interessante que ele tenha entrado em Jerusalém montado sobre um jumentinho, algo incomum para um rei, pois os reis faziam questão de ostentar poder e glória. Jesus, se quisesse, poderia ter se imposto aos homens pela força do seu poder, mas não quis que fosse assim. “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zacarias 4.6). Ele não quis se impor pela força, pois decidiu cativar pelo amor (Jo 12.32-33)! Sendo o próprio Deus, esvaziou-se de sua glória para identificar-se com nossa fraqueza (Fl 2.7), revelou-se como servo sofredor (Is 53), que carrega a sua cruz (Jo 13.1; 19.17) e dá a vida pelos seus amados (Rm 5.8). E, mesmo quando é chegada a hora de apresentar-se como Rei, em sua entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, Jesus não se apresenta montado num cavalo portentoso e cheio de pompa e nem estava acompanhado de um forte e ameaçador exército, mas escolheu entrar de maneira humilde e mansa montado num jumentinho.

Sendo Senhor, Jesus foi humilde e assumiu a condição de servo, chegando até a lavar os pés dos discípulos (Jo 13.4-5). Ele não foi dominador e nem tirano, mas procurou cativar pelo exemplo. Não constrangeu os seguidores pela força, pois seus discípulos sempre foram livres para escolher e até mesmo desistir de segui-lo. Portanto, Jesus jamais quis impor-se pela força, antes escolheu atrair seguidores através de seus atos de amor, que é uma eterna fonte de inspiração vocacional (2 Co 5.14).

Um reino de libertação

O Reino de Cristo é um reino de libertação! Jesus veio para proclamar liberdade aos cativos e oprimidos (Lc 4.18). Ele veio desfazer as obras do Diabo (1 Jo 3.8). Quando da sua entrada em Jerusalém, após a purificação do templo, Jesus é visto libertando e curando a muitos. E até mesmo no episódio do burrinho, vemos um sinal de libertação. Pois, seguindo a orientação de Jesus, os discípulos foram buscar o jumentinho, que foi encontrado amarrado. Os discípulos começam a libertá-los das amarras. Os donos surgem reclamando, mas não causam maior resistência quando descobrem que os discípulos estavam à serviço do Senhor. Os jumentos estavam presos aos donos, mas o Senhor é bem mais poderoso que qualquer dono! Por vezes, os homens se vêem aprisionados e oprimidos por distintos “donos”. A força humana parece pequena diante dos poderosos donos, mas maior é o Senhor para nos livrar! O liberto começa, então, uma jornada gloriosa à serviço do Rei dos reis e do Senhor dos senhores!

Um reino de paz

O Reino de Jesus é de Paz. Jesus não vem com armas. Nenhuma gota de sangue é derramada. Nem os animais experimentam qualquer espécie de sofrimento. É notável que Jesus tenha tomado o cuidado de que o jumentinho viesse acompanhado de sua mãe de modo que nem ele e nem sua mãe padecessem a dor da separação visto ser o jumentinho ainda muito jovem. O Reino de Cristo promove restauração dos propósitos originais de Deus para o bem estar de toda a Criação. É um reino de harmonia e paz!

Um reino sem pompa

O Reino de Jesus não é um reino de pompa. Em sua entrada triunfal, não há carruagem, não há nenhum tapete vermelho estendido em seu caminho, mas apenas folhagens típicas da região e mantos surrados de operários pobres. Jesus desprezou a fama, a riqueza e a glória deste mundo, demonstrando que o valor da vida não reside em nada disto.

Um reino de alegria

O Reino de Jesus é também um reino de muita alegria! Ele veio trazer vida abundante (Jo 10.10)! A chegada de Jesus foi motivo de alegria para adultos e crianças, que, eufóricos, exaltaram o Grande Rei!

Um reino de natureza espiritual

O reino de Jesus é de natureza espiritual. Para frustração da grande maioria do povo que aguardava um Messias Político que libertaria Israel do domínio Romano, ao entrar como Rei em Jerusalém, Jesus não se encaminha na direção do Palácio de Herodes ou de Pilatos. Mas, em vez disto, é visto entrando no templo! E foi exatamente ali que ele começou o exercício de seu senhorio. Com autoridade, ele expulsou os mercenários e mercadores do templo.

A revolução que Cristo veio promover é de caráter espiritual. Começa com a santificação do templo. Tem um começo tímido e pequeno como um grão de mostarda, mas não subestime o seu poder de germinar, crescer e se espalhar por toda a Terra! Após a purificação, Cristo assume o seu lugar no templo, e começa a promover cura e salvação gratuita a todos que passaram a ter livre acesso ao templo.

A Igreja, agente do Reino

A Igreja é o principal agente do Reino de Deus. Mas, para ser fiel a sua missão, ela precisa ser purificada dos mercenários que exploram a fé do povo para benefício próprio. Foi o zelo de Jesus pela santificação do templo que produziu a ira dos lideres religiosos que viam em Cristo uma séria ameaça aos seus interesses mesquinhos e escusos.

O Rei que chora por Jerusalém

E é por seu grande amor que Jesus está entrando em Jerusalém, pois ele bem sabe que está a caminho da Cruz. Ele está disposto a dar sua vida para salvar os que estão condenados ao castigo eterno (Jo 1.29; Rm 8.1). Jesus, o justo, na Sexta-feira daquela mesma semana, assumiria o nosso lugar e cumpriria a nossa pena para que pudéssemos ter acesso ao perdão e a vida eterna (Is 53.5-11).

Ao avistar Jerusalém, Jesus chorou com pena dela e disse: “Ah! Jerusalém! Se você pudesse reconhecer aquele que pode te trazer a paz! Mas, infelizmente, os teus olhos estão tapados” (Lc 19.41-42). Jesus lamentou a cegueira espiritual de Jerusalém e segue chorando hoje por tantos que ainda estão em trevas, ignorando e desprezando sua única esperança que é o Salvador. “Eles têm olhos para ver, mas não vêem, e ouvidos para ouvir, mas não ouvem, pois são uma nação rebelde” (Ez 12.1-2).

Em outra ocasião, Jesus já havia feito um lamento semelhante: “Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes” (Lc 13.34)! Repare que Jesus quer acolher a todos como filhos, mas não contra a vontade deles, pois Deus respeita a vontade dos homens; Afinal, foi Ele mesmo quem lhes concedeu poder de decisão. Também observamos isto na parábola do Filho Pródigo, que tem liberdade para deixar a casa do Pai e ir para um lugar distante (Lc 15.12-13). O Pai se entristece com a atitude rebelde do filho. Ele não quer que o seu filho sofra, no entanto, respeita as escolhas do filho, pois não quer um filho contrariado em casa, e, esperançoso, ainda o aguarda de braços abertos (Lc 15.20). Assim como o Filho Pródigo, nós também temos liberdade de ir e vir, de ficar longe e de regressar para casa. Assim como aquele povo de Jerusalém, diante de Jesus, cada um de nós tem também hoje a liberdade de exclamar “Hosana” ou de gritar “crucifica-o”. Pilatos perguntou: “Que farei de Jesus chamado Cristo?” (Mt 27.22); a multidão decidiu crucificá-lo, Pilatos preferiu lavar as mãos… e nós o que faremos?

No final daquele glorioso dia, após tantos feitos grandiosos, cansado, Jesus parece não encontrar um lugar de descanso em Jerusalém, pois é dito que se retirou de Jerusalém para pousar na casa do amigo Lázaro em Betânia. Tem gente que só sabe dar trabalho para Jesus, mas que jamais chega ao ponto de se tornar um verdadeiro amigo de Deus. Será que Jesus encontra amizade e descanso em nossas vidas e em nossas casas?

O Rei humilde voltará em glória

Embora tenha o Rei Jesus se manifestado aos homens primeiramente de modo humilde e manso montado sobre um jumentinho visando cativar pela via do amor, retornará finalmente com grande poder e glória montado sobre um cavalo branco e estará acompanhado de um exército celestial para subjugar todos os seus inimigos. Enquanto a primeira vinda inaugura um período de perdão, redenção e salvação, a segunda promoverá o juízo final contra o mal. A semente do Reino é plantada na primeira vinda, a plenitude do Reino será estabelecida quando o Rei retornar. Ai daqueles que o desprezam nesta era presente e felizes os que agora verdadeiramente exclamam: “Hosana nas maiores alturas! Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!”

Bispo José Ildo Swartele de Mello http://www.metodistalivre.org.br

A dúvida de um homem de fé+

Introdução:

“És tu aquele que estava para vir ou esperaremos outro?” (Lc 7.20).

A dúvida de João Batista tem a ver com o fato dos judeus esperarem um Messias guerreiro como Davi que venceu o Golias (1Sm 17) e não um bondoso e pacífico pastor que curava os enfermos. João Batista era um homem como nós, sujeito às mesmas fraquezas. Ele foi preso e estava prestes a ser degolado pelo perverso Rei Herodes, e não havia sido liberto daquela prisão por Jesus. Portanto, suas expectativas de que Jesus fosse um messias guerreiro e libertador político não estavam se cumprindo. A partir dos sinais do Reino de Isaías 35, Jesus provou para João que ele era de fato o Messias prometido:  “os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres, anuncia-se-lhes o evangelho” (Lc 7.22).

Existem muitas profecias que mostram o Messias atuando como um pastor que “apascentará o povo na força do Senhor… ele será a nossa paz” (Mq 5.4,5), pois Deus prometeu: “suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará” (Ez 34.23). Em vez de liderar um exército armado de Israel, Deus disse que desarmaria o seu povo: “Destruirei os carros de Efraim, e os cavalos de Jerusalém; e o arco de guerra será destruído” (Zc 9.10). Pois o Messias é o Príncipe da Paz! No entanto, os judeus não costumavam dar muita atenção a tais sinais messiânicos, preferindo focar em textos como: “Pede-me e Eu te darei as nações por herança, e as extremidades da terra por tua possessão. Com vara de ferro as regerás, e as despedaçarás como um vaso de oleiro” (Sl 2.8-9). Para eles, o messias assumiria um trono em um palácio em Jerusalém e derrotaria as nações opressoras.  Israel não esperava, de maneira alguma, que o Messias fosse o Servo Sofredor de Isaías 53, com uma postura de rei manso e humilde, que entraria em Jerusalém montado sobre um jumentinho, e que se portaria como ovelha muda diante de seus tosquiadores e como um bom pastor capaz de sacrificar sua vida para salvação de suas ovelhas.

Por conta de tais expectativas distorcidas, Jesus precisou discursar muito a respeito da verdadeira natureza de seu Reino, dizendo que seu reino não era deste mundo (Jo 18.36), seu trono não seria terreno, pois é sempre celestial (Ap 1: 4; 3:21; 4: 2,4-6, 9-10; 5:1, 6-7,11,13; 06:16; 7:9-11,15,17; 8:3; 12:5; 14:3; 16:17; 19:4-5; 20:4,11-12; 21:3,5; 22:1,3), e que “não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei- lo aqui! Ou: Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20). Jesus venceu a tentação política relativa aos reinos deste mundo (Mt 4.8-9). Disse a Pedro: “Embainha a tua espada” (Mt 26.52), pois seu reino não vem pela via da força e nem por violência (Zc 4.6; Mt 26.52). Jesus optou pela via da cruz, atraindo todos a si pelo seu amor sacrificial ali revelado (Jo 12.32). Veio como um rei manso e humilde (Lc 19 e Zc 9.9), para estabelecer um reino contrário ao espirito deste mundo. Um reino onde maior é o que serve e onde os últimos é que são os primeiros! (Lc 22.26) E felizes são os humildes, os que choram, os mansos, os que tem fome e sede de justiça, os misericordiosos e os que sofrem perseguição por causa de Cristo e seu reino de “justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Mt 5 e Rm 14.17).

O propósito desta mensagem é demonstrar como a profecia de Isaías 35 se cumpre plenamente em Jesus, o Cristo.

A Profecia de Isaías 35 e o seu Cumprimento em Cristo • Parte desta profecia diz respeito a alegria do retorno de Israel depois da sua deportação à Babilônia em 587 a.C.

• Comparar com Isaías 51. A Redenção do Êxodo do cativeiro egípcio serve como analogia para a redenção do exílio babilônico, e ambos apontam para a plena redenção em Cristo!

Isaías 35.3 – Fortalecei as mãos frouxas e firmai os joelhos vacilantes.

• Hebreus 12.12 – Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; • Profecia e Cumprimento • Isaías 35.4 – Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará.

• João 12.15 – Não temas, filha de Sião, eis que o teu Rei aí • Marcos 6.50 – Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais! Marcos 10.49 – Tem bom ânimo; levanta-te, ele te chama.

• Hebreus 6.18 – forte alento tenhamos nós que já corremos para o refúgio, Isaías 35.4 – Dizei aos desalentados de coração: Sede fortes, não temais. Eis o vosso Deus. A vingança vem, a retribuição de Deus; ele vem e vos salvará.

• Lucas 4.18-21 – O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, 19 e apregoar o ano aceitável do Senhor. 21 Então, passou Jesus a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu a Escritura que acabais de ouvir. (Lc 4.18–21 cp. Is 61.1–2).

• Colossenses 2.15 – Triunfou sobre os principados na Cruz • João 12.31 – Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso.

• Lucas 10.18 – Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago.

• Ap 12.8-10 – O grande dragão foi lançado fora. Ele é a antiga serpente chamada Diabo ou Satanás, que engana o mundo todo. Ele e os seus anjos foram lançados à terra. Então ouvi uma forte voz dos céus que dizia: “Agora veio a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos.

Isaías 35.5–6 – Então, se abrirão os olhos dos cegos, e se desimpedirão os ouvidos dos surdos; 6 os coxos saltarão como cervos, e a língua dos mudos cantará; pois águas arrebentarão no deserto, e ribeiros, no ermo.

• Mateus 11.5 – os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho.

• Atos 26.18 – para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim.

Isaías 35.8 – E ali haverá bom caminho, caminho que se chamará o Caminho Santo; o imundo não passará por ele, pois será somente para o seu povo; quem quer que por ele caminhe não errará, nem mesmo o louco.

• Jesus é o caminho. Ele chamou os cansados e sobrecarregados e os aliviou.

• João 14.6 – Respondeu-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.

• Atos 2.28 – Fizeste-me conhecer os caminhos da vida, encher-me-ás de alegria na tua presença.

Isaías 35.9 – Ali não haverá leão, animal feroz não passará por ele, nem se achará nele; mas os remidos andarão por ele.

• Há linguagem figurada quando se fala de deserto se alegrando e também de não haver Leão e animais predadores neste caminho. O leão significa os poderosos e arrogantes que acham que podem conquistar o reino pela força e mérito. Veja o contraste com os loucos ou débio mentais que mesmo sendo inaptos não se perdem neste caminho. Não é dos fortes a vitória nem dos que correm melhor, mas dos humildes que se agarram a misericórdia divina. Deus da graça aos humildes, mas abate os soberbos. A soberba precede a derrota.

• Mateus 11.25 – Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos.

• Romanos 9.16 – Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.

Isaías 35.10 – Os resgatados do Senhor voltarão e virão a Sião com cânticos de júbilo; alegria eterna coroará a sua cabeça; gozo e alegria alcançarão, e deles fugirá a tristeza e o gemido.

• João 16.22 – Assim também agora vós tendes tristeza; mas outra vez vos verei; o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém poderá tirar.

• Romanos 14.17 – Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

• Filipenses 4.4 – Alegrai-vos sempre no Senhor!

• Romanos 8.24 – Mas também nós, que temos as primícias do Espírito, igualmente gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção de filhos, a redenção do nosso corpo.

• Apocalipse 21.4 – E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram.

A plenitude da redenção e do Reino ainda é futura, mas uma boa parte já pode ser experimentada aqui e agora, em termos, não de comida e bebida, mas de justiça e paz e alegria no Espírito Santo. Pois já desfrutamos das primicias do Espírito e da vida abundante em Cristo!

Colossenses 1.13 – Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor.

Efésios 1.3 – Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo.

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Uma Visão Bíblica do Reino de Deus+

Introdução: expectativas e realidade

Os judeus do primeiro século esperavam um Messias guerreiro que restaurasse o reino político de Israel, libertando-os do domínio romano. Porém, o Reino que Jesus veio anunciar contrastava radicalmente com essas expectativas. Conhecendo essa mentalidade, Jesus dedicou grande parte de seu ministério a falar sobre o Reino de Deus, mais do que sobre qualquer outro tema. Ele esclareceu sua natureza espiritual e destacou sua importância central. Jesus inaugurou um Reino que não é político e que não se estabelece pela força ou pelo poder humano, mas sim pelo poder do Espírito Santo. Vamos agora explorar como Ele redefiniu essa expectativa e revelou a verdadeira essência do Reino de Deus.

1. A expectativa judaica e o Messias guerreiro

Os judeus esperavam um Messias semelhante ao rei Davi, que liderasse Israel na luta contra seus opressores. Contudo, essa expectativa ignorou profecias importantes que descreviam o Messias como um pastor, servo sofredor, rei manso e humilde e príncipe da paz. Zacarias, por exemplo, declarou: “Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém; e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações. O seu domínio se estenderá de um mar a outro” (Zc 9.10). O profeta Isaías chamou o Messias de “Príncipe da Paz” (Is 9.6-7), reforçando que seu reinado traria justiça e paz, não guerras e conflitos.

Os próprios profetas apontavam para um Messias que “apascentaria o povo na força do Senhor” (Mq 5.4) e seria “um só pastor” para Israel (Ez 34.23). Essa imagem de um pastor humilde e sofredor se concretizou em Jesus, o “Servo Sofredor” de Isaías 53, que contrariou a expectativa de um guerreiro triunfante.

2. A natureza espiritual do Reino de Deus

Jesus iniciou seu ministério com o anúncio: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15). Ele declarou que o Reino estava sendo inaugurado em sua pessoa e obra. Na sinagoga de Nazaré, leu a profecia de Isaías 61 e afirmou: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabais de ouvir” (Lc 4.21). Esse foi um ato claro de identificação do Reino de Deus com seu ministério.

Ao longo de seu ministério, Jesus esclareceu a natureza espiritual do Reino. Ele disse: “O Reino de Deus não vem com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Lá está! Porque o Reino de Deus está no meio de vós” (Lc 17.20-21). Jesus enfatizou que o Reino não é construído por força humana ou estabelecido por meios políticos. Pelo contrário, “não por força, nem por poder, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos” (Zc 4.6).

Jesus reforçou essa mensagem em sua entrada em Jerusalém, montado em um jumento, cumprindo a profecia de Zacarias 9.9. Ele não entrou como um rei guerreiro, mas como um Rei manso e humilde. Em suas próprias palavras, “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Mc 10.45). Jesus lavou os pés dos discípulos (Jo 13.14), demonstrando que a verdadeira grandeza no Reino de Deus é encontrada no serviço humilde ao próximo.

A missão de Jesus estava fundamentada no amor, e Ele propôs um caminho de conquista por meio do sacrifício: “E quando eu for levantado da terra, atrairei todos a mim” (Jo 12.32). Na cruz, Jesus expôs a falácia dos sistemas políticos e valores mundanos, triunfando sobre os poderes malignos (Cl 2.15). Ele rejeitou as tentações mundanas de Satanás (Mt 4.1-11) e inaugurou um novo estilo de vida e valores, fundamentado no amor, na graça e nas bem-aventuranças (Mt 5.3-12).

3. O Reino de Deus em expansão paulatina

Jesus usou parábolas para ilustrar como o Reino cresce de forma gradual e silenciosa. Ele o comparou ao grão de mostarda que, embora pequeno, cresce até se tornar uma grande árvore (Mt 13.31-32). Também comparou o Reino ao fermento que, quando misturado à massa, faz com que toda ela cresça (Mt 13.33). Esses exemplos demonstram que o Reino de Deus se expande de forma invisível e transformadora, sem alarde ou imposição.

A profecia de Daniel reforça essa visão: “Nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que jamais será destruído” (Dn 2.44). A pedra lançada sem auxílio de mãos humanas representa o Reino de Deus, que começou com Jesus e cresce ao longo da história. Paulo reforça essa ideia quando afirma: “É necessário que ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés” (1 Co 15.25). Esse reinado não é uma conquista política, mas a vitória contínua do poder do Espírito sobre as forças do mal e do pecado.

4. O Reino ainda não pleno: a esperança futura

Jesus reconheceu que o Reino, embora presente, ainda não é pleno. Na parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30), Ele revelou que, até o tempo da colheita, o trigo (filhos do Reino) crescerá ao lado do joio (filhos do maligno). Essa convivência do Reino com o mal no mundo aponta para a realidade de um Reino em processo, que aguarda sua consumação final.

Apesar dessa realidade, Jesus deu aos seus discípulos autoridade sobre o mal. Quando os setenta retornaram alegres após a missão, Ele disse: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.18), indicando a derrota progressiva do poder maligno. Ele concedeu aos discípulos “poder sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19), demonstrando a presença e a autoridade do Reino em ação.

Além disso, Jesus entregou à igreja “as chaves do Reino dos céus” (Mt 16.19), simbolizando a autoridade para proclamar o evangelho e exercer poder espiritual. Essa autoridade é fortalecida pela presença do Espírito Santo, derramado em Pentecostes (At 2.1-4), capacitando os discípulos a serem testemunhas “até os confins da terra” (At 1.8). O Espírito é o agente da expansão do Reino, agindo por meio da igreja para transformar corações e levar o evangelho.

5. A missão e a autoridade de Jesus

Após sua ressurreição, Jesus passou quarenta dias ensinando os discípulos “as coisas concernentes ao Reino de Deus” (At 1.3). Essa dedicação demonstra que o Reino não é apenas uma realidade futura, mas uma missão presente que os discípulos precisavam discernir. Antes de subir aos céus, Jesus declarou: “Toda autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28.18-19).

Ele assegurou que a igreja teria sucesso em sua missão porque prometeu sua presença contínua: “E eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28.20). Essa missão seria realizada não pela força humana, mas pelo poder do Espírito Santo (At 1.8). Jesus não apenas concedeu autoridade, mas também prometeu que, pelo Espírito, a igreja seria capaz de superar as forças do mal e expandir o Reino em meio às trevas.

Conclusão: o chamado dos discípulos

O Reino de Deus já está entre nós, se manifestando na vida e no ministério de Jesus e na missão contínua da igreja. Contudo, não é um reino estabelecido pela força, mas sim pelo Espírito, através do amor, do serviço e do sacrifício. Nele, os maiores são os que servem, e os últimos são os primeiros.

Enquanto aguardamos a manifestação completa do Reino, somos chamados a viver de acordo com seus valores, proclamando o evangelho, servindo ao próximo e exercendo compaixão e misericórdia. Nosso papel é representar o Reino, não por poder humano, mas pelo poder do Espírito Santo que nos capacita. Dessa forma, caminhamos na esperança da consumação final do Reino, quando Cristo triunfará sobre todo o mal e estabelecerá seu governo perfeito.

Domingo de Ramos+

from Ildo Mello on Vimeo.

Lições extraídas dos eventos que marcaram o primeiro dia da Grande Semana de Cristo na Terra.

Pena que uma boa parte dos evangélicos ignore o Domingo de Ramos. Alguns, em sua ignorância, chegam até a alegar que isto é coisa de católicos. Por essas e outras, as celebrações evangélicas da Páscoa estão cada dia mais pobres, limitando-se a comemoração do Domingo da Ressurreição. Assim, não apenas o Domingo de Ramos, mas até mesmo a Sexta-Feira da Crucificação está sendo ignorada. Um absurdo, pois o tema central do Evangelho é a mensagem da cruz (1 Co.2.2).

Até mesmo, por uma questão pedagógica, é interessante aproveitar as datas festivas para comunicar o seu significado. Por exemplo, um culto temático com canções, mensagem e, até mesmo, "ramos", no dia da celebração do Domingo de Ramos ajudará a fixar a mensagem bíblica.

Domingo de Ramos! Dia em que celebramos a Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém, quando uma multidão, festiva, o recebeu como o tão esperado Messias. Eufórico, o povo, carinhosa e respeitosamente, espalhava seus próprios mantos, juntamente com ramos de palmeira pelo caminho em que Cristo havia de passar, e aclamava a Jesus com imenso júbilo, dizendo: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas” (Mt 21.9; Lc 19.38)!

Os fariseus, incomodados, pediram que Jesus mandasse parar aquela adoração, mas Jesus respondeu: “se eles se calarem, até as próprias pedras clamaram”, visto ser aquele um momento sem igual, quando as profecias messiânicas estavam se cumprindo: “alegre-se muito, cidade de Sião! Exulte, Jerusalém! Eis que o seu rei vem a você, justo, vitorioso e humilde, montado num jumentinho” (Zc 9.9)!

Interessante que ele tenha entrado montado sobre um jumentinho, algo incomum para um rei, pois os reis faziam questão de ostentar poder e glória. Jesus, se quisesse, poderia ter se imposto aos homens pela força do seu poder, mas não quis que fosse assim. “Não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor” (Zacarias 4.6). Ele não quis se impor pela força, pois decidiu cativar pelo amor (Jo 12.32-33)! Sendo o próprio Deus, esvaziou-se de sua glória para identificar-se com nossa fraqueza (Fl 2.7), revelou-se como servo sofredor (Is 53), que carrega a sua cruz (Jo 13.1; 19.17) e dá a vida pelos seus amados (Rm 5.8). E, mesmo quando chegou a hora de apresentar-se como Rei, em sua entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, Jesus não entrou montado num cavalo portentoso e cheio de pompa e nem estava acompanhado de um forte e ameaçador exército, mas escolheu entrar de maneira humilde e mansa montado num jumentinho.

Sendo Senhor, Jesus foi humilde e assumiu a condição de servo, chegando até a lavar os pés dos discípulos (Jo 13.4-5). Ele não foi dominador e nem tirano, mas procurou cativar pelo exemplo. Não constrangeu os seguidores pela força, pois seus discípulos sempre foram livres para escolher e até mesmo desistir de segui-lo. Portanto, Jesus jamais quis se impor pela força, antes escolheu atrair seguidores através de seus atos de amor, que é uma eterna fonte de inspiração vocacional (2 Co 5.14).

E é por seu grande amor que Jesus está entrando em Jerusalém, pois ele bem sabe que está a caminho da Cruz. Ele está disposto a dar sua vida para salvar os que estão condenados ao castigo eterno (Jo 1.29; Rm 8.1). Jesus, o justo, na Sexta-feira daquela mesma semana, assumiria o nosso lugar e cumpriria a nossa pena para que pudéssemos ter acesso ao perdão e a vida eterna (Is 53.5-11).

Ao avistar Jerusalém, Jesus chorou com pena dela e disse: “Ah! Jerusalém! Se você pudesse reconhecer aquele que pode te trazer a paz! Mas, infelizmente, os teus olhos estão tapados” (Lc 19.41-42). Jesus lamentou a cegueira espiritual de Jerusalém e segue chorando hoje por tantos que ainda estão em trevas, ignorando e desprezando sua única esperança que é o Salvador. “Eles têm olhos para ver, mas não vêem, e ouvidos para ouvir, mas não ouvem, pois são uma nação rebelde” (Ez 12.1-2).

Em outra ocasião, Jesus já havia feito um lamento semelhante: “Jerusalém, Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados! Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos como a galinha ajunta os do seu próprio ninho debaixo das asas, e vós não o quisestes” (Lc 13.34)! Repare que Jesus quer acolher a todos como filhos, mas não contra a vontade deles, pois Deus respeita a vontade dos homens; Afinal, foi Ele mesmo quem lhes concedeu poder de decisão. Também observamos isto na parábola do Filho Pródigo, que tem liberdade para deixar a casa do Pai e ir para um lugar distante (Lc 15.12-13). O Pai chora de tristeza a atitude rebelde do filho e as danosas consequências que isto acarretará para o jovem. Ele não quer que o seu filho sofra, mas respeita as escolhas do filho, pois não quer um filho contrariado em casa, no entanto, esperançoso, ainda o aguarda de braços abertos (Lc15.20).

Como o Filho Pródigo temos liberdade de ir e vir, de ficar longe e de regressar para casa. Assim como aquele povo de Jerusalém, diante de Jesus, cada um de nós tem também hoje a liberdade de exclamar “Hosana” ou gritar “crucifica-o”.

“Que farei de Jesus chamado Cristo?” (Mt 27.22)

Bispo José Ildo Swartele de Mello

Controvérsias a respeito do Reino de Deus+

Enquanto as discussões das questões tribulacionistas são bem recentes, em termos da história da Igreja, o debate em torno das questões milenistas remonta aos primórdios da Igreja. É antigo o debate entre premilenistas históricos, amilenistas e pós-milenistas. Mas, recentemente, em meados do século XIX, surge um tipo diferenciado de premilenismo, conhecido como premilenismo dispensacionalista, que é pré-tribulacionista e que faz uma rígida distinção entre Igreja e Israel, o que dará ao seu conceito de milênio um cunho bem judaico, de acordo com seu sistema literalista de interpretação. É bom que se diferencie entre premilenista histórico e dispensacionalista para não incorrer em injustiça. A crítica maior deste trabalho se dirige ao premilenismo dispensacionalista, pois reconhecemos as seguintes virtudes no premilenismo histórico: (1) Deus tem apenas um povo, e não dois povos separados, Israel e Igreja, com dois destinos distintos; (2) o Reino de Deus é tanto presente quanto futuro; (3) a Igreja passa pela Grande Tribulação; (4) a Segunda Vinda de Cristo é um evento único e visível a todos, ocasião em que se dá o arrebatamento da Igreja; (5) os sinais dos tempos têm se manifestado desde a primeira vinda de Cristo, mas irão se intensificar à medida que nos aproximamos do dia da sua Segunda Vinda. i Entretanto, existem pontos em comuns entre os premilenistas históricos e dispensacionalistas que estaremos questionando a seguir. Mas, antes, veja a tabela comparativa entre os distintos pontos de vista mais conhecidos sobre o Reino de Deus:

Tabela comparativa: as questões milenistas

Amilenismo Pós-milenismo Pré-milenismo histórico Pré-milenismo dispensacionalista
Povo de Deus Um Um Um Dois. Distinção rígida entre Igreja e Israel, com dois planos e destinos distintos.
Grande Tribulação Pós-tribulacionismo Pós-tribulacionismo Pós-tribulacionismo Pré-tribulacionismo
Duração da Grande Tribulação Período de tempo indeterminado antes da 2ª Vinda Período de tempo indeterminado antes da 2ª Vinda Período de tempo indeterminado antes da 2ª Vinda 7 anos de duração, após o arrebatamento
2ª Vinda — fases Fase única Fase única Fase única Duas fases
2ª Vinda — modo Visível, em glória Visível, em glória Visível, em glória Arrebatamento secreto (1ª fase)
2ª Vinda — oportunidade de salvação Fim da oportunidade de salvação Fim da oportunidade de salvação Fim da oportunidade de salvação Pessoas ainda são salvas após o arrebatamento, durante a Grande Tribulação
2ª Vinda — finalidade Para o juízo final e os novos céus e nova terra Para o juízo final e os novos céus e nova terra Para o milênio; depois, juízo final e novos céus e nova terra Para livrar a Igreja da Grande Tribulação (1ª fase); depois, para o milênio, o juízo final e os novos céus e nova terra
Reino de Deus “Já e ainda não” “Já e ainda não”, com ênfase no “já” “Já e ainda não”, com ênfase no “ainda não” “Ainda não”. Reino adiado para o futuro
Milênio Nenhum reino milenar, nem no presente nem no futuro Milênio na terra, na era presente Milênio na terra, após a 2ª Vinda Milênio na terra, após a 2ª Vinda
Expectativa quanto ao Reino na era presente Realismo quanto à natureza do Reino no presente Otimismo, ainda que existam pós-milenistas realistas Pessimismo Pessimismo total
Reino futuro De dimensão celestial e eterna De dimensão celestial e eterna Reino milenar futuro na terra, antes do juízo final e do reino eterno e celestial Reino milenar futuro com características predominantemente judaicas, antes do juízo final e do reino eterno e celestial
Ressurreição Única e geral, para o juízo final Única e geral, para o juízo final Duas: (1) dos salvos, antes do milênio; (2) dos demais, após o milênio, para o juízo final Três: (1) dos salvos, no arrebatamento; (2) dos crentes mortos na Grande Tribulação, na 2ª Vinda, antes do milênio; (3) dos infiéis, após o milênio, para o juízo final
Juízo Um único julgamento, geral e final, após a 2ª Vinda Um único julgamento, geral e final, após a 2ª Vinda Dois julgamentos: dos crentes, na Segunda Vinda; e o juízo final, após o milênio Três julgamentos: dos crentes, no arrebatamento; dos demais crentes, na 2ª etapa da 2ª Vinda; e o juízo final, após o milênio

O caminho deste estudo

Começaremos levantando algumas objeções ao conceito premilenista, apresentando também uma interpretação de Apocalipse 20, único texto que menciona um Reino Milenar, à luz dos claros ensinos bíblicos a respeito do Reino de Deus. Veremos como a Natureza do Reino de Deus está intimamente associada à natureza e a Missão de Cristo e do Espírito Santo. Este capítulo servirá de base para o capítulo seguinte que tratará da missão da Igreja, que, como Corpo de Cristo que é, se apresentará como uma derivação natural da Missão de Cristo e do Espírito.

Para saber mais a respeito sugiro a leitura do estudo:

O Milênio Apocalíptico

Notas

i Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 217. ii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 218 e 219. iii Hoekema, Anthony. A Bíblia e o Futuro. Tradutor Karl H. Kepler. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2.ed. 2001, P. 219.

Como é que o Reino de Deus se manifesta hoje?+

A natureza espiritual do Reino de Deus

na era presente A expectativa dos judeus era da vinda de um Messias que restaurasse o reino político da nação de Israel. Jesus não cumpriu tal expectativa. Pelo contrário, ele declarou a Pilatos: “meu reino não é deste mundo” (Jo 18.36), e também disse aos seus discípulos que: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou:Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17.20). “O Reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17). O Reino de Deus foi o tema central de Jesus, até mesmo após sua ressurreição, o que se fez necessário para esclarecer sua natureza não aparente (At 1.3). Pois, se por um lado, “todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8).

O Rei humilde e o reino que cresce em silêncio

Jesus se apresentou como um rei humilde e manso (Lc 19 e Zc 9.9); Inaugurando um reino que não se estabelece por força, nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc 4.6). “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11.20). Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8). Ele amarrou Satanás para que este não mais continuasse a enganar as nações como vinha fazendo até então, de modo que as portas do inferno não poderão prevalecer contra a Igreja (Lc 10.18; Ap 20.2,3; Mt 12.29; Jd 1.6; 2Pe 2.4; Jo 12.31,32; Mt 16.18). A Igreja será bem sucedida em sua missão de fazer discípulos de todas as nações (Ap 5.9; 7.9; Mt 16.18). Na cruz, Jesus triunfou sobre os principados e potestades (Cl 2.15), tornando-se Cabeça de toda autoridade. Ele reina! (Cl 2.10). Seu trono está nos céus, onde está assentado a direita de Deus Pai “nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1.20-22), e “nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2.6). Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor (Cl 1.13) e nos constituiu reino (Ap 1.4), e nos deu as chaves do Reino (Mt 16.9) e autoridade para “para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19). Em Cristo, já somos mais do que vencedores (Rm 8.37). Na era presente, “convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.25-26). A morte, o último inimigo, será destruída por ocasião da segunda vinda de Cristo, quando o reino se manifestará de forma aparente e plena na Nova Jerusalém celestial (Mt 25.1–13; Lc 12.35–48; 19:11–27 e Ap 21 e 22).

O reino é descrito em termos de parábolas que mostram um começo modesto como um grão de mostarda em processo de crescimento mas que tem que enfrentar a ação do inimigo e conviver com joio (Mt 13; Mc 4.26–29; 4:30–32; Lc 13.18–19, 20–21). Não é facilmente identificado, mas, os que o descobrem, encontram grande alegria (Mt 13.44, 45–46). Deus convida as pessoas para o Reino (1 Ts 2.12 e Mt 22). Devemos partilhar as boas novas do Reino (At 28.31). Nenhum imoral entrará no Reino (Ef 5.5). É necessário fé e arrependimento para entrar no Reino de Deus (Mt 3.1–2). Só os nascidos de novo entrarão no Reino (Jo 3.3). O Sermão do Monte descreve as qualidades dos cidadãos do Reino (Mt 5.1–19). A vida cristã deve refletir os valores do Reino (1 Ts 2.12). Devemos viver de modo digno deste Evangelho do Reino, cumprindo nossa missão de ser sal da terra e luz do mundo até que venha o grande Dia do Senhor.

Bispo Ildo Mello

A natureza espiritual do Reino de Deus na era presente+

A expectativa dos judeus era da vinda de um Messias que restaurasse o reino político da nação de Israel. Jesus não cumpriu tal expectativa. Pelo contrário, ele declarou a Pilatos: “meu reino não é deste mundo” (Jo 18:36), e também disse aos seus discípulos que: “Não vem o reino de Deus com visível aparência. Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou:Lá está! Porque o reino de Deus está dentro de vós” (Lc 17:20). “O Reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14:17). O Reino de Deus foi o tema central de Jesus, até mesmo após sua ressurreição, o que se fez necessário para esclarecer sua natureza não aparente (At 1:3). Pois, se por um lado, “todas as coisas sujeitaste debaixo dos seus pés. Ora, desde que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou fora do seu domínio. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas a ele sujeitas” (Hb 2.8).

Jesus se apresentou como um rei humilde e manso (Lc 19 e Zc 9:9); Inaugurando um reino que não se estabelece por força, nem por violência, mas pelo Espírito de Deus (Zc 4:6). “Se, porém, eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, é chegado o reino de Deus sobre vós” (Lc 11:20). Jesus veio para desfazer as obras do diabo (1Jo 3.8). Ele amarrou Satanás para que este não mais continuasse a enganar as nações como vinha fazendo até então, de modo que as portas do inferno não poderão prevalecer contra a Igreja (Lc 10.18; Ap 20:2,3; Mt 12.29; Jd 1.6; 2Pe 2.4; Jo 12.31,32; Mt 16.18). A Igreja será bem sucedida em sua missão de fazer discípulos de todas as nações (Ap 5.9; 7.9; Mt 16.18). Na cruz, Jesus triunfou sobre os principados e potestades (Cl 2:15), tornando-se Cabeça de toda autoridade. Ele reina! (Cl 2:10). Seu trono está nos céus, onde está assentado a direita de Deus Pai “nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir, não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1:20-22), e “nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Ef 2:6). Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o Reino do Filho do Seu amor (Cl 1:13) e nos constituiu reino (Ap 1:4), e nos deu as chaves do Reino (Mt 16.9) e autoridade para “para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19). Em Cristo, já somos mais do que vencedores (Rm 8.37). Na era presente, “convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15:25-26). A morte, o último inimigo, será destruída por ocasião da segunda vinda de Cristo, quando o reino se manifestará de forma aparente e plena na Nova Jerusalém celestial (Mt 25:1–13; Lc 12:35–48; 19:11–27 e Ap 21 e 22).

O reino é descrito em termos de parábolas que mostram um começo modesto como um grão de mostarda em processo de crescimento mas que tem que enfrentar a ação do inimigo e conviver com joio (Mt 13; Mc 4:26–29; 4:30–32; Lc 13:18–19, 20–21). Não é facilmente identificado, mas, os que o descobrem, encontram grande alegria (Mt 13:44, 45–46). Deus convida as pessoas para o Reino (1 Ts 2:12 e Mt 22). Devemos partilhar as boas novas do Reino (At 28:31). Nenhum imoral entrará no Reino (Ef 5:5). É necessário fé e arrependimento para entrar no Reino de Deus (Mt 3:1–2). Só os nascidos de novo entrarão no Reino (Jo 3:3). O Sermão do Monte descreve as qualidades dos cidadãos do Reino (Mt 5:1–19). A vida cristã deve refletir os valores do Reino (1 Ts 2:12). Devemos viver de modo digno deste Evangelho do Reino, cumprindo nossa missão de ser sal da terra e luz do mundo até que venha o grande Dia do Senhor.

Bispo Ildo Mello

Para saber mais, assista a seguinte palestra:

Apresentação+

A Escatologia está embasada na própria natureza da Trindade, na doutrina da criação, nos propósitos eternos de Deus, na natureza de Jesus como Rei, Sacerdote e Profeta, na natureza do Reino de Deus, na pessoa e obra do Espírito Santo, na natureza e na missão da própria Igreja, no sentido de contribuir com os propósitos de Deus de conduzir a história da humanidade ao seu destino final e desejável.O Reino de Deus é tanto presente como futuro, já foi inaugurado e está em nós, entre nós e difunde-se a partir de nós neste Mundo, mas se manifestará em sua plenitude somente por ocasião da Segunda Vinda de Cristo. A compreensão da verdadeira natureza do Reino de Deus livra a Igreja dos perigos de posições extremistas.

Estes estudos pretendem ser uma advertência contra uma Escatologia especulativa, estanque e reducionista que produz alienação, acomodação e escapismo, fazendo oposição também à uma outra espécie de Escatologia, que se encontra no outro extremo, por ser triunfalista, se apegando a determinados textos em detrimento de outros, gerando ilusão e engano, comprometendo também a Missão da Igreja. Ao mesmo tempo em que pretende encorajar a Igreja a assumir o seu papel como agente de transformação pessoal e social na promoção dos valores do Reino de Deus pela capacitação do Espírito de Cristo.

A primeira série de estudos trata de questões tribulacionistas, onde faço uma crítica aos ensinos pretribulacionistas e ao dispensacionalismo. Depois passo a tratar das questões relacionadas ao milênio, apresentando objeções ao premilenismo e procurando expor o ensino bíblico sobre a Natureza do Reino de Deus e suas implicações para a Missão da Igreja. Passo, então, a citar Wesley e o avivamento Metodista como exemplo da influência positiva de uma boa escatologia para a Missão da Igreja com um alcance que vai além da transformação do indivíduo. Por fim, aproveito o espaço do blog para apresentar alguns escritos meus a respeito de outros assuntos teológicos, que entendo serem relevantes para a Igreja e o Mundo.

Isaías 65.20 ensina que haverá morte depois da volta de Cristo?+

“Não haverá mais nela criança que viva somente alguns dias, nem velho que não complete os seus dias. Porque morrer aos cem anos será morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado” (Is 65.20).

Como devemos entender essas palavras? Isaías estaria ensinando que, depois da Segunda Vinda de Cristo, ainda haverá nascimento, envelhecimento, pecado, maldição e morte durante mil anos? Ou estaria usando uma linguagem profética para anunciar a plenitude da salvação que Deus trará ao seu povo?

A resposta precisa considerar o contexto de Isaías 65 e, principalmente, a revelação mais clara do Novo Testamento sobre a volta de Cristo, a ressurreição dos mortos e a destruição definitiva da morte.

1. O contexto é a nova criação

Poucos versículos antes, Deus declara:

“Pois eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá lembrança das coisas passadas, jamais haverá memória delas” (Is 65.17).

Portanto, Isaías 65.20 faz parte de uma profecia sobre os novos céus e a nova terra. O capítulo descreve uma realidade marcada por alegria, paz, segurança e restauração:

  • Não haverá mais choro de tristeza (v. 19).
  • O povo desfrutará do fruto do seu trabalho (v. 21-23).
  • Deus responderá antes mesmo de ser chamado (v. 24).
  • Não haverá destruição nem dano no monte santo do Senhor (v. 25).

Isaías está anunciando a reversão da maldição e a restauração da criação. Entretanto, ele descreve essa realidade futura utilizando imagens, experiências e categorias conhecidas por seus primeiros ouvintes.

2. Isaías utiliza uma linguagem profética de bênção e longevidade

No mundo antigo, a morte precoce de crianças e jovens era uma realidade frequente. Chegar à velhice era considerado um sinal especial da bênção de Deus.

Quando Isaías afirma que morrer aos cem anos seria morrer jovem, seu objetivo não é estabelecer uma tabela literal da duração da vida na nova criação. Ele está dizendo que a vida seria tão plena, segura e abençoada que cem anos pareceriam pouco.

Trata-se de uma linguagem de comparação e intensidade. É como dizer: “A vida será tão abundante que aquilo que hoje consideramos uma idade avançada será visto como juventude.”

O profeta descreve a vitória sobre a morte usando a imagem da maior longevidade que seus ouvintes poderiam imaginar. Ele fala da realidade futura com o vocabulário e as referências disponíveis em seu próprio tempo.

O mesmo acontece quando os profetas descrevem o Reino de Deus por meio de imagens como vinhas, plantações, animais vivendo em harmonia e Jerusalém como centro das nações. Essas imagens comunicam verdades reais, mas não precisam ser interpretadas como uma descrição fotográfica e rigidamente literal do estado eterno.

3. A frase sobre pecado e maldição também pertence à linguagem profética

Isaías também declara:

“E quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado.”

Essa frase não significa que haverá pecadores vivendo normalmente na nova criação depois da volta de Cristo. Ela reforça, por contraste, a dimensão extraordinária da bênção prometida.

Em outras palavras, Isaías utiliza as categorias conhecidas de vida, morte, pecado e maldição para mostrar que a ordem presente será completamente transformada. Até mesmo aquilo que seria considerado uma vida longa, cem anos, pareceria uma vida interrompida precocemente.

A intenção do texto não é ensinar a permanência do pecado e da maldição no Reino consumado, mas destacar a superioridade da bênção divina sobre toda a realidade presente.

Uma leitura rigidamente literal produziria uma contradição dentro do próprio capítulo. Isaías 65.19 afirma que não haverá mais choro nem clamor, e o versículo 25 declara que não haverá dano nem destruição. Como poderia não haver choro, sofrimento ou dano se ainda existissem pecado, maldição e morte?

A linguagem precisa ser compreendida como profética e figurada.

4. O Novo Testamento esclarece a profecia de Isaías

A revelação bíblica é progressiva. O Antigo Testamento anuncia a obra futura de Deus por meio de promessas, figuras e imagens. O Novo Testamento mostra com maior clareza como essas promessas serão cumpridas em Cristo.

O apóstolo Paulo ensina que, na volta de Jesus, acontecerá a ressurreição dos que pertencem a Cristo:

“Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. E então virá o fim” (1Co 15.23-24).

Observe a sequência apresentada por Paulo:

  1. Cristo ressuscitou como as primícias.
  1. Os que pertencem a Cristo ressuscitarão em sua vinda.
  1. Então virá o fim.

Paulo não coloca um período adicional de mil anos entre a volta de Cristo e o fim. Ele prossegue afirmando:

“Porque é necessário que ele reine até que tenha posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte” (1Co 15.25-26).

Quando Cristo vier, a morte será destruída. Portanto, não faz sentido afirmar que, depois dessa vitória, a morte continuará agindo durante mais mil anos.

Precisamos fazer uma pergunta simples: se Jesus já voltou em glória, ressuscitou os mortos e destruiu o último inimigo, como ainda poderia haver pessoas morrendo durante um reino milenar posterior?

5. A Segunda Vinda traz a ressurreição e o juízo

Jesus também ensinou que haverá uma hora em que todos os mortos ouvirão a sua voz:

“Vem a hora em que todos os que se acham nos túmulos ouvirão a voz dele e sairão: os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.28-29).

Jesus fala de uma mesma hora em que justos e injustos ressuscitarão. Os destinos são diferentes, mas o acontecimento é conjunto.

Da mesma forma, em Mateus 25.31-46, quando o Filho do Homem vier em sua glória, todas as nações serão reunidas diante dele para o juízo. A sua vinda não inaugura uma nova era de pecado e mortalidade. Ela traz a manifestação final do Reino, o juízo e a separação definitiva entre justos e injustos.

Pedro também relaciona o Dia do Senhor à destruição da presente ordem e à chegada dos novos céus e da nova terra:

“Nós, porém, segundo a promessa de Deus, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça” (2Pe 3.13).

É significativo que Pedro esteja provavelmente retomando justamente a promessa de Isaías 65. Ele não interpreta os novos céus e a nova terra como um reino temporário no qual ainda haverá pecado, maldição e morte. Ele os descreve como a realidade “na qual habita a justiça”.

6. Apocalipse confirma a ausência definitiva da morte

Apocalipse 21 retoma diretamente a linguagem de Isaías:

“Vi novo céu e nova terra” (Ap 21.1).

Em seguida, João explica como será essa nova criação:

“E lhes enxugará dos olhos toda lágrima. E a morte já não existirá; já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram” (Ap 21.4).

Isaías havia anunciado os novos céus e a nova terra usando a linguagem profética de longevidade e vida abundante. João, recebendo uma revelação posterior e mais clara, afirma diretamente: “A morte já não existirá.”

Não existe contradição entre Isaías e Apocalipse. Existe desenvolvimento da revelação.

Isaías fala da vitória sobre a morte em termos de uma longevidade extraordinária. Apocalipse mostra a plenitude dessa promessa: a morte será definitivamente eliminada.

7. O problema da interpretação pré-milenista literal

A leitura pré-milenista frequentemente entende Isaías 65.20 como uma descrição literal de um reino de mil anos depois da volta de Cristo. Nesse período, haveria pessoas mortais, nascimentos, pecado, maldição e morte.

Entretanto, essa interpretação cria graves dificuldades.

Primeiro, coloca a morte depois de sua destruição. Paulo ensina que a morte é o último inimigo e será destruída na consumação, quando Cristo vier e os mortos ressuscitarem.

Segundo, coloca o pecado e a maldição depois da manifestação gloriosa de Cristo. Mas o Novo Testamento associa a sua vinda ao juízo final e à renovação da criação.

Terceiro, transforma os novos céus e a nova terra de Isaías em uma ordem ainda imperfeita, embora Apocalipse 21 utilize a mesma linguagem para descrever uma realidade em que não haverá morte, dor ou maldição.

Quarto, interpreta literalmente uma imagem profética do Antigo Testamento, mesmo quando o Novo Testamento esclarece que a promessa aponta para algo ainda maior.

A interpretação mais coerente não é usar Isaías 65.20 para enfraquecer as declarações claras do Novo Testamento. Devemos fazer o contrário: interpretar a linguagem profética de Isaías à luz da revelação plena trazida por Cristo e seus apóstolos.

Conclusão

Isaías 65.20 não ensina que haverá morte, pecado e maldição durante mil anos depois da Segunda Vinda de Cristo.

O profeta utiliza a linguagem de longevidade e prosperidade para anunciar uma realidade inteiramente restaurada por Deus. Dizer que morrer aos cem anos seria morrer jovem é uma forma profética de afirmar que a vida será plena, segura e abundante.

O Novo Testamento revela claramente a consumação dessa promessa. Quando Cristo vier, os mortos ressuscitarão, o juízo acontecerá, o fim chegará e o último inimigo, a morte, será destruído.

Portanto, a esperança cristã não é um reino provisório depois da volta de Jesus, no qual cemitérios ainda serão necessários e a morte continuará vencendo pessoas durante mil anos.

A esperança cristã é a vitória definitiva de Cristo.

Ele não voltará para administrar um mundo ainda dominado pela morte. Ele voltará para ressuscitar os mortos, julgar o mundo, renovar a criação e destruir para sempre o último inimigo.

Então se cumprirá plenamente aquilo que Isaías anunciou em linguagem profética e que Apocalipse declarou de maneira direta:

“E a morte já não existirá” (Ap 21.4).

(Autor Bispo José Ildo Swartele de Mello)