Aula 3 de 7Narcisismo religioso

Imagem, cargos e controle

“Mas o maior entre vocês será o servo de vocês.”Mateus 23.11 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Mt 23.1-12,23-28; 3Jo 1-12; 2Jo 7-11; Ef 4.11-13; 1Ts 5.12-13; Mc 9.33-37; Lc 22.24-27

Mateus 23.1-12

Dizem e não fazem

Mateus 23 reúne as advertências mais duras de Jesus contra a incoerência entre ensino e conduta. O discurso é dirigido às multidões e aos discípulos, e é assim que deve ser recebido por quem o lê: como advertência para nós, não como munição contra os outros.

1 Então Jesus falou às multidões e aos seus discípulos:

2 Na cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus.

3 Portanto, façam e observem tudo o que eles disserem a vocês, mas não os imitem em suas obras; porque dizem e não fazem.

4 Atam fardos pesados, difíceis de carregar, e os põem sobre os ombros dos outros, mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los.

5 Praticam todas as suas obras a fim de serem vistos pelos outros; pois alargam os seus filactérios e alongam as franjas de suas capas.

6 Gostam do primeiro lugar nos banquetes e das primeiras cadeiras nas sinagogas,

7 das saudações nas praças e de serem chamados de “mestre”.

8 Mas vocês não serão chamados de “mestre”, porque um só é Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos.

9 Aqui na terra, não chamem ninguém de “pai”, porque só um é o Pai de vocês, aquele que está nos céus.

10 Nem queiram ser chamados de “guias”, porque um só é o Guia de vocês, o Cristo.

11 Mas o maior entre vocês será o servo de vocês.

12 Quem se exaltar será humilhado; e quem se humilhar será exaltado.

Mateus 23.1-12 · NAA

Antes de qualquer crítica, Jesus reconhece a função: os escribas e fariseus “se assentaram” na cadeira de Moisés, e o que ensinam de acordo com a lei deve ser observado. A denúncia não é contra o ofício de ensinar, e sim contra a separação entre o que se diz e o que se faz. Daí a lista: cargas pesadas impostas aos outros sem um dedo para ajudar, obras feitas para serem vistas, o gosto pelos primeiros lugares e pelas saudações públicas, o apego aos títulos.

Repare na sequência dos versículos 5 a 7: tudo o que é descrito ali é visível, público e honroso. Filactérios largos, franjas longas, primeiros lugares, saudações, títulos. Nada disso é escondido; ao contrário, é a religião mais exposta que existe. O narcisismo religioso não se esconde. Ele precisa de plateia, como vimos na aula anterior, e Mateus 23 descreve o que acontece quando a plateia passa a ser o objetivo do cargo.

Mateus 23.23-28

O dízimo da hortelã e o interior do copo

Os “ais” de Mateus 23 descrevem uma religiosidade minuciosa por fora e vazia por dentro. Três imagens resumem o problema: o mosquito e o camelo, o copo limpo só por fora e o sepulcro pintado de branco.

23 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezam os preceitos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Mas vocês deviam fazer estas coisas, sem omitir aquelas!

24 Guias cegos! Coam um mosquito, mas engolem um camelo!

25 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas estes, por dentro, estão cheios de roubo e de glutonaria!

26 Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo!

27 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas, porque vocês são semelhantes aos sepulcros pintados de branco, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão!

28 Assim também vocês, por fora, parecem justos aos olhos dos outros, mas, por dentro, estão cheios de hipocrisia e de maldade.

Mateus 23.23-28 · NAA

A primeira imagem é a da proporção invertida. O dízimo das ervas de tempero é cumprido com exatidão, enquanto “a justiça, a misericórdia e a fé”, os preceitos mais importantes da Lei, são desprezados. Jesus não manda abandonar a minúcia: “vocês deviam fazer estas coisas, sem omitir aquelas”. O que ele denuncia é o uso da minúcia como substituto do essencial, como se a exatidão nas pequenas coisas comprasse dispensa nas grandes.

A segunda e a terceira imagens tratam da aparência. O copo é limpo por fora e permanece sujo por dentro; o sepulcro é belo por fora e cheio de morte por dentro. Em ambos os casos, o esforço vai todo para a parte que os outros veem. Na aplicação à igreja, uma pergunta é particularmente reveladora: o nosso sistema religioso facilita que as pessoas sejam cuidadas ou exige que elas preservem a imagem dos seus dirigentes? Quando um irmão ferido precisa ficar em silêncio para não prejudicar o prestígio de alguém, a ordem do cuidado foi invertida: o copo está sendo limpo por fora.

Um membro procura a liderança para relatar que foi humilhado em público por um dirigente. Ouve que “isso vai enfraquecer a igreja se vazar”, que “o pastor está passando por um momento difícil” e que “o melhor é orar e esperar”. Nada é apurado. Meses depois, outro relato igual aparece. Qual das três imagens de Mateus 23 descreve melhor o que a comunidade fez? O que a justiça e a misericórdia exigiriam no primeiro relato?

Função e condição

Cargos, títulos e a condição de irmãos

O Novo Testamento reconhece funções de liderança e recomenda consideração por quem trabalha na comunidade. A função ministerial, porém, não altera a condição fundamental de irmãos sujeitos ao mesmo Senhor.

Não há dúvida de que a igreja tem líderes, e de que eles merecem apreço. Cristo “concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres” (Ef 4.11), com vistas ao serviço dos santos e à edificação do corpo. Paulo pede que os tessalonicenses tenham “em grande apreço os que trabalham entre vocês, que os presidem no Senhor e os admoestam” (1Ts 5.12). Hebreus manda lembrar dos líderes que pregaram a Palavra e imitar a fé deles (Hb 13.7). Nada disso é anulado pelo que Jesus diz em Mateus 23.

O que Mateus 23.8 estabelece é o chão comum: “todos vocês são irmãos”. A função é real, mas é função, não condição. Nenhum título concede superioridade moral automática nem imunidade à correção. Paulo, que tinha toda a autoridade apostólica, escreveu aos coríntios: “Não que tenhamos domínio sobre a fé que vocês têm, mas porque somos cooperadores da alegria de vocês” (2Co 1.24). E Pedro, aos presbíteros: “não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas sendo exemplos para o rebanho” (1Pe 5.3).

A função

Pastorear, ensinar, presidir, admoestar, decidir. Recebe apreço, consideração, obediência no Senhor e oração. Existe para o serviço dos santos (Ef 4.12).

A condição

Irmão entre irmãos, sujeito ao mesmo Mestre, pecador salvo pela mesma graça, igualmente passível de correção. Não muda com o cargo, e o cargo não a suspende.

Os próprios discípulos precisaram aprender isso mais de uma vez. No caminho para Cafarnaum, discutiram sobre quem era o maior, e Jesus pôs uma criança no meio deles (Mc 9.33-37). Na última ceia, a discussão voltou, e Jesus disse: “o maior entre vocês seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve”, e acrescentou, sobre si mesmo: “no meio de vocês, eu sou como quem serve” (Lc 22.26-27). A aula 6 tratará desse texto por inteiro.

A incoerência denunciada em Mateus 23 pode aparecer em situações bem comuns: exigir sacrifícios que nunca se está disposto a fazer; julgar com severidade a falha de um membro e minimizar a mesma conduta em um dirigente; defender uma regra quando ela protege o próprio grupo e ignorá-la quando favorece um adversário. O exame bíblico alcança tanto os atos quanto os critérios com que os julgamos, e a fidelidade exige que a verdade tenha o mesmo peso quando nos beneficia e quando nos corrige.

Esta aula não é um argumento contra a autoridade pastoral. O desprestígio e o desrespeito à liderança ferem a igreja tanto quanto o abuso; a falta de líderes firmes deixa o rebanho exposto aos lobos de que Paulo fala em Atos 20.29-30. O alvo aqui é preciso: o cargo usado para colocar alguém acima dos irmãos e fora do alcance da correção.

3 João 5-12

Diótrefes, que gosta de exercer a primazia

A terceira carta de João oferece um retrato concentrado do abuso de influência dentro da igreja. Em dois versículos, uma sequência inteira: o gosto pela primazia, a recusa, a calúnia, o bloqueio da hospitalidade e a expulsão.

5 Amado, você tem sido fiel no que faz pelos irmãos, mesmo quando são estrangeiros.

6 Estes deram testemunho, diante da igreja, do amor que você tem. Você fará bem encaminhando-os em sua jornada de um modo que agrada a Deus.

7 Pois foi por causa do Nome que eles saíram, sem receber nada dos gentios.

8 Portanto, devemos acolher esses irmãos, para que nos tornemos cooperadores com eles na proclamação da verdade.

9 Escrevi algumas palavras à igreja, mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida.

10 Por isso, quando eu for aí, farei com que se lembre das obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras caluniosas. E, não satisfeito com isso, ele não recebe os irmãos, impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.

11 Amado, não imite o que é mau, e sim o que é bom. Quem pratica o bem procede de Deus; quem pratica o mal jamais viu a Deus.

12 Quanto a Demétrio, todos dão bom testemunho dele, até a própria verdade. E nós também damos testemunho, e você sabe que o nosso testemunho é verdadeiro.

3 João 5-12 · NAA

Diótrefes, “que gosta de exercer a primazia”, não acolhe a autoridade do presbítero, profere palavras caluniosas, não recebe os irmãos itinerantes, impede os que querem recebê-los e chega a expulsá-los da igreja. O texto informa o que ele fazia, mas não permite reconstruir todos os detalhes da sua posição na comunidade, e muito menos autoriza um diagnóstico. O que a sequência mostra é como a exaltação pessoal contamina a vida comunitária: o desejo de ocupar o primeiro lugar passa a determinar quem será ouvido, quem poderá cooperar e quem permanecerá no grupo, até que a comunhão fique condicionada à vontade de uma única pessoa.

A reação do presbítero é instrutiva. Ele anuncia que, quando for, fará lembrar as obras de Diótrefes, isto é, vai torná-las conhecidas diante da igreja. Confrontar uma conduta destrutiva pode ser parte necessária do cuidado com a comunidade, e o apelo à paz não deve impedir que os fatos sejam examinados. Ao mesmo tempo, a carta apresenta Gaio e Demétrio como referências positivas de hospitalidade e bom testemunho. A mesma comunidade tinha um Diótrefes e tinha um Gaio; o presbítero não desistiu dela.

1

O gosto pela primazia

Tudo começa aqui, e é a única motivação que o texto registra. Não há acusação doutrinária contra Diótrefes; o problema é o lugar que ele quer ocupar.

2

A recusa da autoridade legítima

“Não nos dá acolhida.” A carta do presbítero à igreja não é lida ou não é acatada. Quem quer o primeiro lugar não tolera outra referência.

3

A calúnia

“Palavras caluniosas” contra o presbítero. Para manter a primazia, a reputação dos outros precisa cair.

4

O controle da comunhão

Não recebe os irmãos, impede quem os recebe e expulsa. A hospitalidade, que era dever da igreja (v. 8), vira instrumento de poder.

A segunda carta de João completa o quadro do lado oposto: “Se alguém for até vocês e não levar esta doutrina, não o recebam em casa, nem lhe deem as boas-vindas” (2Jo 10). Acolhimento cristão não significa aprovação indiscriminada de qualquer ensino. O discernimento precisa considerar a verdade e a conduta, e é isso que separa a recusa legítima de 2 João da recusa de Diótrefes: uma protege a doutrina de Cristo; a outra protege a primazia de um homem. O erro de Diótrefes não foi ter critérios, e sim transformar preferências pessoais em condição para a comunhão.

Para a comunidade

Quatro perguntas que a igreja precisa fazer

Hoje, o texto de 3 João nos leva a perguntar como a autoridade funciona, de fato, na nossa comunidade. Não como está escrita no estatuto, mas como é exercida nas reuniões, nas decisões e nos corredores.

1

As decisões são justificadas com razões que podem ser examinadas?

Uma decisão pode ser impopular e ainda assim legítima. O sinal de saúde é que ela venha com razões, e que as razões possam ser discutidas sem que a discussão seja tratada como afronta.

2

Quem discorda pode falar sem ser humilhado?

Se discordar custa amizade, espaço ou função, a comunidade já aprendeu a calar. E uma comunidade que cala não protege ninguém, nem o próprio dirigente.

3

Existe alguém autorizado a corrigir o dirigente?

Paulo corrigiu Pedro (Gl 2.11-14), os sacerdotes corrigiram Uzias, Natã corrigiu Davi. Se ninguém pode corrigir o dirigente, a igreja está a um passo de Diótrefes.

4

O acesso ao ministério depende de fidelidade cristã ou de lealdade pessoal irrestrita?

Quando cargos e oportunidades dependem de lealdade a uma pessoa, e não de fidelidade a Cristo e de aptidão, a igreja se organiza em torno de alguém, e não de Alguém.

Uma comunidade amadurece quando os seus membros crescem na obediência a Cristo e na responsabilidade mútua; a dependência permanente da aprovação de uma só pessoa impede esse amadurecimento. Paulo viu isso em Corinto, onde os partidos (“eu sou de Paulo”, “eu sou de Apolo”) revelavam gente que andava “segundo padrões humanos” (1Co 3.4), e respondeu tirando de si mesmo qualquer centralidade: “Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus” (1Co 3.6). E deu a regra: “para que ninguém se encha de orgulho a favor de um em prejuízo de outro” (1Co 4.6).

João Batista é o contraponto perfeito de Diótrefes. Quando os seus discípulos reclamaram que todos iam a Jesus, ele respondeu com a frase que deveria estar na parede de todo gabinete pastoral: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). O amigo do noivo se alegra com a voz do noivo; não disputa a noiva.

Ao assumir a igreja, um pastor pede que cada líder de ministério assine um “compromisso de lealdade” com ele, pessoalmente, e explica que “quem não é leal ao pastor não é leal à visão”. Um líder pergunta se o compromisso não deveria ser com Cristo e com a igreja. É afastado do ministério na semana seguinte. Quais das quatro perguntas acima essa igreja já respondeu, na prática? O que Gaio faria?

Para a semana

Honra, apreço e a preferência pelos outros

A resposta bíblica à disputa pelos primeiros lugares não é abolir a honra, e sim mudar a sua direção: “Quanto à honra, deem sempre preferência aos outros” (Rm 12.10).

Paulo escreve aos romanos: “Amem uns aos outros com amor fraternal. Quanto à honra, deem sempre preferência aos outros” (Rm 12.10), e logo adiante: “Em vez de serem orgulhosos, sejam solidários com os humildes. Não sejam sábios aos seus próprios olhos” (Rm 12.16). Aos gálatas, resume o vício que produz os Diótrefes de todas as épocas: “Não nos deixemos possuir de vanglória, provocando uns aos outros, tendo inveja uns dos outros” (Gl 5.26). A cura da primazia não é a falsa modéstia; é a preferência ativa pela honra do outro.

1

Para quem exerce autoridade

Esta semana, apresente uma decisão com as razões por escrito e peça objeções. Anote o que sentiu ao ouvir a primeira. Depois, encontre uma pessoa que discorda de você e dê-lhe crédito em público por algo que ela fez bem.

2

Para quem está sob autoridade

Ore pelo seu pastor pelo nome, e faça uma coisa que ele pediu e que você vinha adiando. Discordar com respeito e obedecer no Senhor não são atitudes opostas; Hebreus 13.17 pede a segunda sem proibir a primeira.

Para usar em grupo. Leiam Mateus 23.1-12 e peçam que cada um identifique, em silêncio, o versículo que mais o descreve, não o que descreve o pastor. Depois leiam 3 João 5-12 em duas vozes: a de Diótrefes e a de Gaio. Conversem sobre as quatro perguntas da comunidade, uma de cada vez, começando pela mais fácil. Se a conversa esquentar, parem e leiam Romanos 12.10 antes de continuar.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.

Quem pode discordar de mim sem receio de perder amizade, espaço ou função? A resposta muda quando penso nas pessoas que dependem da minha aprovação?Ver resposta sugerida

Faça a lista, com nomes. Se a lista das pessoas que podem discordar de você for menor do que a lista das pessoas que dependem da sua aprovação, você encontrou o lugar em que Diótrefes pode nascer. A pergunta vale para pastores, mas vale igualmente para líderes de ministério, professores, pais e para quem tem influência em qualquer grupo.

Depois, lembre a última vez em que alguém discordou de você em público. O que aconteceu com essa pessoa depois? Não o que você disse a ela, mas o que aconteceu: convites, espaço, tom de voz. As pessoas aprendem com o que acontece, não com o que se diz.

Por fim, escolha alguém que dependa da sua aprovação e peça a ela, de verdade, uma crítica ao seu trabalho. Ouça sem responder. A capacidade de fazer isso, e de repetir, é o que separa a firmeza da primazia.

Um irmão diz que 3 João prova que a igreja não pode ter líderes fortes, porque toda liderança é um Diótrefes em potencial. Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida

Comece pelo que há de verdadeiro: toda liderança é tentada pela primazia, e é por isso que o Novo Testamento cerca os líderes de advertências. O irmão não está errado em desconfiar do poder.

Depois, mostre a mesma carta. Ela não condena a liderança; condena Diótrefes e elogia Gaio e Demétrio, que também eram líderes na comunidade, um deles responsável por acolher os irmãos itinerantes. E o próprio presbítero exerce autoridade com firmeza quando anuncia que vai expor as obras de Diótrefes. O Novo Testamento chama os líderes de dons de Cristo à igreja (Ef 4.11) e pede que sejam tidos em grande apreço (1Ts 5.12-13). Sem líderes firmes, o rebanho fica exposto aos lobos de Atos 20.29.

Por fim, proponha a distinção que a aula faz: o problema não é a firmeza, e sim o gosto pela primazia e o controle da comunhão. Um pastor firme explica as razões, aceita correção e alegra-se quando outros crescem. Um Diótrefes não. Convide o irmão a orar pelo pastor com essa distinção em mente.

Em nossa comunidade, que caminhos permitem relatar uma injustiça com segurança e receber uma apuração imparcial?Ver resposta sugerida

Responda descrevendo o caminho real, passo a passo, como se explicasse a um membro novo: a quem ele procura, quem ouve, quem apura, quem decide, o que acontece se o acusado for o próprio dirigente. Se a resposta for “procure o pastor” e a queixa for contra o pastor, o caminho não existe.

Uma apuração imparcial exige pelo menos três coisas: alguém que não dependa do acusado para ouvir o relato; um registro do que foi dito e do que foi feito; e um prazo e um retorno para quem relatou. O Manual da igreja prevê instâncias acima da igreja local exatamente para isso, e é bom que os membros saibam quais são.

E lembre o que 3 João mostra pelo avesso: Diótrefes prosperou porque ninguém na comunidade podia contrariá-lo sem ser expulso. Criar um caminho seguro para relatar injustiças é a forma mais prática de impedir que ele nasça.

Imagem, cargos e controle · Aula 3 de 7 do curso Narcisismo religioso. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada.