Aula 4 de 7Narcisismo religioso

Pastores que apascentam a si mesmos

“Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Será que os pastores não deveriam apascentar as ovelhas?”Ezequiel 34.2 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Ez 34.1-24; Jo 10.11-15; At 20.28-35; 1Pe 5.1-4; 1Co 13.1-7; Mt 7.15-23; 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9; 2Tm 2.24-26

Ezequiel 34.1-10

Ai dos pastores que apascentam a si mesmos

O texto mais duro da Bíblia sobre liderança não está no Novo Testamento. Está em Ezequiel, e descreve pastores que inverteram a relação com o rebanho: em vez de alimentar as ovelhas, alimentam-se delas.

2 Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel; profetize e diga-lhes: Assim diz o Senhor Deus: “Ai dos pastores de Israel que apascentam a si mesmos! Será que os pastores não deveriam apascentar as ovelhas?

3 Vocês comem a gordura, vestem-se da lã e matam as melhores ovelhas para comer, mas não apascentam o rebanho.

4 Vocês não fortaleceram as fracas, não curaram as doentes, não enfaixaram as quebradas, não trouxeram de volta as desgarradas e não buscaram as perdidas, mas dominam sobre elas com força e tirania.

5 Assim, elas se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todos os animais selvagens.

6 As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todas as colinas. As minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque.”

10 Assim diz o Senhor Deus: Eis que estou contra os pastores e lhes pedirei contas das minhas ovelhas. Farei com que deixem de apascentar ovelhas, e não apascentarão mais a si mesmos. Livrarei as minhas ovelhas da sua boca, para que já não lhes sirvam de comida.

Ezequiel 34.2-6,10 · NAA

A inversão está na primeira frase: pastores “que apascentam a si mesmos”. Tudo o que vem depois desdobra essa inversão. Eles comem a gordura, vestem-se da lã, matam as melhores ovelhas; e a lista do versículo 4 registra, item por item, o que deixaram de fazer: não fortaleceram as fracas, não curaram as doentes, não enfaixaram as quebradas, não trouxeram de volta as desgarradas, não buscaram as perdidas. No lugar do cuidado, entrou o domínio: “dominam sobre elas com força e tirania”.

A consequência é descrita com realismo: as ovelhas se espalham, viram presa dos animais selvagens, e ninguém as procura. Então Deus anuncia duas coisas: vai pedir contas aos pastores e vai tirar-lhes o rebanho, e ele mesmo buscará as suas ovelhas (Ez 34.10-16). No contexto original, a imagem alcança a liderança de Israel, especialmente os seus governantes, e a aplicação pastoral à igreja deve respeitar essa origem. O princípio, contudo, é claro: quem recebe autoridade para cuidar responderá pelo modo como trata os que lhe foram confiados. A vulnerabilidade dos membros não dá ao dirigente o direito de explorá-los.

Outros profetas, a mesma denúncia. Jeremias: “Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto!” (Jr 23.1). Zacarias descreve o pastor insensato, que “não cuidará das ovelhas que estão perecendo, não buscará a desgarrada, não curará a que foi ferida”, mas “comerá a carne das ovelhas gordas” (Zc 11.16). E Jesus, no evangelho de João, põe o contraste definitivo: “O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. O mercenário… vê o lobo chegando, abandona as ovelhas e foge”, porque “não se importa com as ovelhas” (Jo 10.11-13). O pastor de Ezequiel 34 e o mercenário de João 10 têm o mesmo defeito: as ovelhas são meio, não fim.

Aplicação

O que acontece quando alguém deixa de produzir

A prova de Ezequiel 34 não se faz em dias de festa. Faz-se no dia em que uma ovelha adoece, se cansa ou deixa de render. É nesse dia que se descobre se o pastor cuidava dela ou se cuidava do que ela dava.

Essa responsabilidade pode ser avaliada em situações bem concretas. O que acontece quando alguém adoece e deixa de produzir? Quando uma família precisa reduzir a sua participação para cuidar de um filho? Quando um voluntário diz que chegou ao limite? Quando um contribuinte generoso perde o emprego? Se a pessoa só é valorizada enquanto oferece trabalho, dinheiro ou prestígio, o cuidado já foi comprometido. Ela estava sendo tosquiada, não pastoreada.

Uma líder de ministério, há dez anos à frente do trabalho com crianças, descobre uma doença que exige tratamento longo. Comunica ao pastor que precisa se afastar. Nas semanas seguintes, ninguém da liderança a visita; o nome dela some da lista de oração depois de um mês; e ela ouve, por terceiros, que “quem não está mais servindo não deveria opinar” sobre a escolha da substituta. Que versículo de Ezequiel 34.4 descreve o que aconteceu? O que a igreja ensinou a todos os outros voluntários com esse episódio?

Paulo deixou aos presbíteros de Éfeso um modelo do contrário. Ao se despedir, disse: “De ninguém cobicei prata, nem ouro, nem roupas; vocês mesmos sabem que estas minhas mãos serviram para o que era necessário a mim e aos que estavam comigo”, e lembrou a palavra de Jesus: “Mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.33-35). Antes disso, dera a ordem que resume a aula: “Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (At 20.28). O rebanho custou sangue. Ninguém tem o direito de tratá-lo como fonte de renda ou de prestígio.

Apascentar o rebanho

Fortalecer as fracas, curar as doentes, enfaixar as quebradas, trazer de volta as desgarradas, buscar as perdidas. O valor da ovelha não depende do que ela produz.

Apascentar a si mesmo

Comer a gordura, vestir a lã, ficar com as melhores. A ovelha vale enquanto rende; quando adoece, some da lista. O cuidado vira tosquia.

1 Pedro 5.1-4

O rebanho é de Deus

Pedro, que ouviu três vezes “apascente as minhas ovelhas”, escreve aos presbíteros como presbítero. Em três contrastes, diz o que é e o que não é pastorear.

1 Aos presbíteros que há entre vocês, eu, presbítero como eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e, ainda, coparticipante da glória que há de ser revelada, peço

2 que pastoreiem o rebanho de Deus que há entre vocês, não por obrigação, mas espontaneamente, como Deus quer; não por ganância, mas de boa vontade;

3 não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas sendo exemplos para o rebanho.

4 E, quando o Supremo Pastor se manifestar, vocês receberão a coroa da glória, que nunca perde o seu brilho.

1 Pedro 5.1-4 · NAA

Os três contrastes são precisos. Não por obrigação, mas espontaneamente: o pastoreio não é um fardo cumprido a contragosto. Não por ganância, mas de boa vontade: o rebanho não é fonte de lucro. Não como dominadores, mas como exemplos: a autoridade se exerce pela frente, andando na direção que se pede aos outros, e não por cima. A expressão “rebanho de Deus” decide tudo: as ovelhas não pertencem ao pastor. Jesus disse a Pedro “Apascente as minhas ovelhas” (Jo 21.17), e o pronome nunca mudou de dono. O pastor presta contas ao “Supremo Pastor”, e é dele, e não do rebanho, que espera a coroa.

A responsabilidade, porém, não é só dos líderes. Ezequiel 34 continua depois dos pastores: “Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes” (Ez 34.17). Há ovelhas que pisam o pasto que as outras vão comer e turvam a água que as outras vão beber (v. 18-19); há as gordas que, “com o lado e com o ombro”, dão empurrões e, “com os chifres”, rechaçam as fracas até espalhá-las (v. 21). Membros influentes, grupos internos e grandes contribuintes também podem intimidar pessoas. Toda forma de poder dentro da comunidade precisa submeter-se ao amor e à justiça, e não apenas o poder de quem tem cargo.

Ovelhas contra ovelhas

O empurrão de lado e o chifre

Deus não julga só os pastores; julga entre ovelha gorda e ovelha magra. A família que “manda” na igreja há três gerações, o grupo que decide nos bastidores, o contribuinte que condiciona a oferta à sua vontade: nenhum deles tem cargo, e todos podem espalhar as fracas.

Ez 34.17-22

1 Coríntios 13; Mateus 7

Dons e resultados não substituem o caráter

Paulo situa os dons no contexto da edificação da comunidade e, no centro dessa exposição, coloca o capítulo do amor. Mesmo as realizações mais extraordinárias perdem o seu valor espiritual quando separadas dele.

1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

2 Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.

3 E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, isso de nada me adiantará.

1 Coríntios 13.1-3 · NAA

Línguas, profecia, conhecimento, fé que remove montanhas, doação de todos os bens, martírio: Paulo empilha as credenciais mais impressionantes que um cristão poderia apresentar e diz que, sem amor, elas somam nada. E o amor que ele descreve em seguida é incompatível com o narcisismo religioso ponto por ponto: “não se envaidece, não é orgulhoso, não se conduz de forma inconveniente, não busca os seus interesses, não se irrita” (1Co 13.4-5). Os dons são distribuídos pelo Espírito “visando um fim proveitoso” para todos (1Co 12.7), e não como troféus de quem os recebe.

15 Cuidado com os falsos profetas, que se apresentam a vocês disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.

16 Pelos seus frutos vocês os conhecerão. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de ervas daninhas?

17 Assim, toda árvore boa produz frutos bons, porém a árvore má produz frutos maus.

18 A árvore boa não pode produzir frutos maus, e a árvore má não pode produzir frutos bons.

19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e jogada no fogo.

20 Assim, pois, pelos seus frutos vocês os conhecerão.

21 Nem todo o que me diz: “Senhor, Senhor!” entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

22 Muitos, naquele dia, vão me dizer: “Senhor, Senhor, nós não profetizamos em seu nome? E em seu nome não expulsamos demônios? E em seu nome não fizemos muitos milagres?”

23 Então lhes direi claramente: “Eu nunca conheci vocês. Afastem-se de mim, vocês que praticam o mal.”

Mateus 7.15-23 · NAA

Em Mateus 7, Jesus dá o critério e o exemplo. O critério: “pelos seus frutos vocês os conhecerão”, dito duas vezes. O exemplo: pessoas que apelam às suas realizações religiosas, profecia, expulsão de demônios e milagres em nome de Jesus, como fundamento da sua aprovação, e ouvem “Eu nunca conheci vocês”. O texto não nos obriga a aceitar como autêntica cada obra alegada; o que ele mostra é que credenciais espirituais não substituem a obediência à vontade do Pai e não resolvem a questão da fidelidade.

Sendo assim, eloquência, crescimento numérico, popularidade, manifestações emocionais e relatos de milagres não bastam para estabelecer a maturidade de alguém. É verdade que também não provam, por si mesmos, que haja manipulação. O exame precisa alcançar a vida, o ensino e o modo de tratar as pessoas, porque “pelo fruto se conhece a árvore” e “a boca fala do que está cheio o coração” (Mt 12.33-34). O Senhor “vê o coração” (1Sm 16.7); nós vemos os frutos, e é por eles que devemos avaliar.

1 Timóteo 3; Tito 1

O que a igreja deve exigir de quem lidera

As listas de qualificações do Novo Testamento surpreendem por uma coisa: a aptidão para ensinar é um item; quase tudo o mais é caráter e modo de tratar as pessoas.

7 Porque é indispensável que o bispo, por ser encarregado das coisas de Deus, seja irrepreensível, não arrogante, alguém que não se irrita facilmente, não apegado ao vinho, não violento, nem ganancioso.

8 Pelo contrário, o bispo deve ser hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, piedoso, deve ter domínio de si,

9 ser apegado à palavra fiel, que está de acordo com a doutrina, para que possa exortar pelo reto ensino e convencer os que contradizem este ensino.

Tito 1.7-9 · NAA

Em 1 Timóteo 3.1-7 a lista é parecida: irrepreensível, moderado, sensato, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar, não violento, cordial, inimigo de conflitos, não avarento, com a própria casa em ordem, com bom testemunho dos de fora. E um item que esta aula sublinha: “Que o bispo não seja recém-convertido, para não acontecer que fique cheio de orgulho e incorra na condenação do diabo” (1Tm 3.6). Paulo sabia que o cargo dado cedo demais produz orgulho, e tratou isso como risco espiritual, não como detalhe administrativo.

A qualificação A pergunta prática
Não arrogante (Tt 1.7) Ele consegue dizer “eu errei” diante da equipe, sem justificar?
Não se irrita facilmente; não violento (Tt 1.7) Como ele trata quem o contraria, na hora e nas semanas seguintes?
Não ganancioso (1Tm 3.3; Tt 1.7) As finanças são prestadas a alguém, ou a fiscalização é tratada como afronta?
Hospitaleiro, amigo do bem (Tt 1.8) As pessoas sem prestígio têm acesso a ele, ou só as úteis?
Domínio de si (Tt 1.8) Ele governa a própria língua, a própria agenda e o próprio humor?
Não recém-convertido (1Tm 3.6) O cargo veio depois do caráter provado, ou antes dele?
Apto para ensinar (1Tm 3.2; Tt 1.9) Ele ensina a Palavra, ou usa a Palavra para ensinar a si mesmo?

A igreja precisa avaliar os seus dirigentes por esses critérios, inclusive, e talvez sobretudo, quando eles possuem capacidades excepcionais. Um líder pode errar e receber correção com humildade. Uma pessoa dominada pela preservação da própria imagem, ao contrário, transforma qualquer questionamento em ataque à obra de Deus. O que decide não é a ausência de erros, mas a disposição comprovada de submeter-se à verdade e mudar. Tiago avisa que os mestres “serão julgados com mais rigor” (Tg 3.1) e dá o teste da sabedoria verdadeira: ela se mostra “em mansidão de sabedoria”, e onde há “inveja e rivalidade, aí há confusão e toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.13,16).

24 O servo do Senhor não deve andar metido em brigas, mas deve ser brando para com todos, apto para ensinar, paciente,

25 disciplinando com mansidão os que se opõem a ele, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento para conhecerem a verdade,

26 mas também o retorno à sensatez, a fim de que se livrem dos laços do diabo, que os prendeu para fazerem o que ele quer.

2 Timóteo 2.24-26 · NAA

Vale a pena examinar também o orgulho doutrinário, talvez a forma de narcisismo mais tentadora para quem ensina. Defender uma interpretação correta não autoriza desprezar quem ainda não a compreendeu. A maneira de ensinar precisa corresponder ao conteúdo do evangelho: brandura, paciência e mansidão com os que se opõem, na expectativa de que Deus os traga à verdade. Quem tem razão e humilha o outro perdeu a razão no modo.

Para a semana

Cuidar de quem não rende nada

O teste de Ezequiel 34 para esta semana é simples e incômodo: encontre uma ovelha que não rende nada e cuide dela.

1

Para quem pastoreia ou lidera

Faça a lista das pessoas que se afastaram do serviço nos últimos meses, por doença, cansaço ou família. Visite ou ligue para uma delas esta semana, sem pedir nada. Depois pergunte-se o que sentiu ao fazer isso sem retorno.

2

Para quem tem influência sem cargo

Pense em uma decisão recente da igreja em que o seu grupo, a sua família ou a sua contribuição pesaram. Alguma ovelha fraca foi empurrada de lado nesse processo? Ezequiel 34.21 é para você também.

Para usar em grupo. Leiam Ezequiel 34.1-16 em voz alta, marcando os verbos do versículo 4 (fortalecer, curar, enfaixar, trazer de volta, buscar) e os do versículo 16, em que Deus faz exatamente o que os pastores não fizeram. Depois leiam 1 Pedro 5.1-4 e conversem sobre os três contrastes. Terminem com a tabela das qualificações: cada um escolhe, em silêncio, a pergunta prática que mais o alcança, seja como líder, seja como ovelha que empurra.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.

0 de 6

Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.

Que diferença Ezequiel 34 e 1 Pedro 5 estabelecem entre cuidar de pessoas e usar a influência sobre elas em benefício próprio? Onde essa diferença aparece no meu modo de liderar ou de participar?Ver resposta sugerida

Comece pelos verbos. Ezequiel 34.4 lista cinco coisas que os pastores não fizeram, e 34.16 lista as mesmas cinco que Deus faz. Ponha ao lado de cada verbo um nome de pessoa da sua igreja: quem está fraco, doente, quebrado, desgarrado, perdido? E depois pergunte o que você fez por cada um nos últimos três meses.

Depois, o teste de 1 Pedro 5: por obrigação ou espontaneamente? Por ganância ou de boa vontade? Como dominador ou como exemplo? Não responda em geral; responda pela última decisão difícil que tomou ou apoiou.

E lembre que a aula também julga as ovelhas. Se você não tem cargo, pergunte se em alguma decisão o seu peso empurrou alguém de lado. O empurrão de lado raramente é visto por quem empurra; costuma ser sentido só por quem foi empurrado.

Um irmão diz que os resultados provam a unção: se a igreja cresce e há milagres, Deus aprovou o líder, e questioná-lo é lutar contra Deus. Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida

Reconheça primeiro o que é verdadeiro: Deus age, a igreja pode crescer de verdade e milagres acontecem. A aula não nega nada disso, e o próprio texto de Mateus 7 não diz que as obras alegadas eram falsas.

Depois, leia com ele Mateus 7.21-23 devagar. Pessoas apresentam profecia, expulsão de demônios e milagres em nome de Jesus, e ouvem “Eu nunca conheci vocês”. Se resultados provassem aprovação, esse texto não existiria. Some 1 Coríntios 13.1-3: fé que transporta montes, sem amor, é nada. E mostre que o Novo Testamento avalia líderes por outra lista, a de 1 Timóteo 3 e Tito 1, em que quase tudo é caráter e trato com as pessoas.

Por fim, devolva a pergunta com mansidão: se questionar um líder fosse lutar contra Deus, Paulo teria lutado contra Deus ao corrigir Pedro (Gl 2.11-14). Avaliar pelos frutos é obediência a Jesus, não rebeldia. A próxima aula trata exatamente desses textos.

O que acontece na nossa igreja com quem adoece, com a família que reduz a participação e com o voluntário que chega ao limite? O que essas respostas ensinam a todos os outros?Ver resposta sugerida

Responda com casos, não com intenções. Lembre as três ou quatro últimas pessoas que se afastaram do serviço por doença, cansaço ou família. Quem as procurou? Quando? O nome delas continua na oração e nas visitas, ou sumiu junto com a função?

Depois observe o que os outros aprenderam com isso. Uma igreja ensina a todos os voluntários, sem dizer uma palavra, o que acontece com quem deixa de render. Se a resposta for o esquecimento, ela ensinou que as pessoas valem pelo que produzem, e os voluntários que ainda produzem já entenderam o recado: não adoeçam.

Uma prática simples muda isso: uma lista mensal, revista pela liderança, das pessoas que se afastaram do serviço, com o nome de quem vai visitá-las. Não é burocracia; é Ezequiel 34.16 transformado em agenda.

Pastores que apascentam a si mesmos · Aula 4 de 7 do curso Narcisismo religioso. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada.