Por que Jesus falava por parábolas?
Para facilitar ou para peneirar? A resposta de Jesus surpreende (Mc 4.11-12).
“Não tenha medo; creia somente.”Marcos 5.36 · NAA
Para começar
Dois capítulos, uma pergunta crescendo: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.41).
Para facilitar ou para peneirar? A resposta de Jesus surpreende (Mc 4.11-12).
O gadareno era o retrato do ser humano arruinado pelo mal. E foi restaurado por completo.
Uma cidade inteira expulsou Jesus depois do maior milagre de libertação. O motivo revela um sistema de valores.
Mc 4.1-34
O Reino de Deus não chega como exército, chega como semente — pequeno, silencioso, mas imparável.
Na parábola do semeador, a semente é uma só — “a palavra” (Mc 4.14) — e os solos é que variam: a beira do caminho, onde Satanás rouba o que foi semeado; o solo rochoso, que recebe com alegria mas não tem raiz e seca na tribulação; os espinhos, onde “as preocupações desta vida, a fascinação das riquezas e as demais ambições” sufocam a palavra (Mc 4.19); e a boa terra, que ouve, recebe e frutifica a trinta, sessenta e cem por um (Mc 4.20). A parábola não pergunta o que você acha da semente; pergunta que tipo de solo você é.
E por que parábolas? Jesus explica citando Isaías: para os de fora, tudo se diz por parábolas, “para que, vendo, vejam e não percebam” (Mc 4.11-12; Is 6.9-10). A parábola é ao mesmo tempo revelação e juízo: ao coração faminto ela abre o mistério do Reino; ao coração endurecido ela devolve apenas uma historinha. O mesmo sol que derrete a cera endurece o barro. Por isso o refrão do capítulo: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça” (Mc 4.9, 23).
Mc 4.21-25
Ninguém acende uma lâmpada para escondê-la. O que hoje é mistério será manifesto; e a medida com que ouvimos determina a medida do que recebemos.
“Atentem no que vocês ouvem” (Mc 4.24)
Mc 4.26-29
O lavrador dorme e a semente cresce “sem que ele saiba como”. O crescimento do Reino é obra de Deus — semeamos e confiamos.
1Co 3.6-7
Mc 4.30-32
A menor das sementes torna-se maior que todas as hortaliças. Não despreze os começos pequenos: é a assinatura do Reino.
Zc 4.10
Mc 4.35-41
Foi Jesus quem disse “Vamos para o outro lado” — e mesmo assim a tempestade veio.
Estar no centro da vontade de Deus não é garantia de mar calmo: os discípulos estavam obedecendo a uma ordem direta quando o vendaval quase afundou o barco. Jesus, exausto do dia de ensino, dormia sobre o travesseiro na popa — detalhe de testemunha ocular que só Marcos registra (Mc 4.38). Acordado aos gritos (“Mestre, não te importas que pereçamos?”), ele repreende o vento e diz ao mar: “Acalme-se! Aquiete-se!” E fez-se grande bonança (Mc 4.39).
Então vem a pergunta que dói: “Por que vocês são assim covardes? Como é que não têm fé?” (Mc 4.40). No Antigo Testamento, dominar o ímpeto do mar é prerrogativa exclusiva de Deus (Sl 89.9; 107.29). Por isso o temor final dos discípulos é maior que o medo da tempestade: “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4.41). A pergunta certa — que cada aula deste curso vai aprofundar.
Mc 5.1-20
“O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10.10). Este episódio é o contraste em carne viva.
O gadareno não nasceu endemoninhado. Foi uma pessoa como outra qualquer — tinha casa e os seus (Mc 5.19). Mas a Bíblia adverte: “não deem lugar ao diabo” (Ef 4.27), e as pessoas podem se afundar no mal até se verem dominadas por ele. Veja o retrato do que os demônios pretendem fazer com o ser humano: ele não habitava mais em casa, mas nos sepulcros (Mc 5.3); era impelido para a solidão do deserto (Lc 8.29); tornou-se antissocial e violento, a ponto de ninguém conseguir detê-lo (Mc 5.4); vivia noite e dia gritando, numa angústia sem tréguas; perdeu o pudor e andava sem roupas (Lc 8.27); e, com espírito autodestrutivo, feria-se com pedras (Mc 5.5). O adversário tem estratégias diferentes para pessoas diferentes — geralmente é mais sutil —, mas o alvo é o mesmo: matar, roubar e destruir.
A boa notícia é que há esperança mesmo para alguém tão arruinado. Jesus o libertou! Agora o vemos “assentado, vestido e em perfeito juízo” (Mc 5.15): apto ao convívio, restaurado na honra e na dignidade, com o bom senso recobrado. E mais: encontrou razão para viver — queria seguir o Mestre, ir para longe como missionário. Jesus, porém, o orienta: “Vá para casa, para os seus, e anuncie-lhes tudo o que o Senhor fez por você” (Mc 5.19). Missões começa em casa (At 1.8): Jesus restaura o lar e, ao mesmo tempo, deixa um missionário em Decápolis (Mc 5.20) — uma testemunha do seu poder até entre os que lhe foram hostis.
Mc 5.21-43
Marcos entrelaça duas histórias — a técnica do “sanduíche” — para que uma interprete a outra.
Jairo, chefe da sinagoga, cai aos pés de Jesus pela filha de doze anos que está morrendo. No caminho, uma mulher que sofria de hemorragia havia doze anos — arruinada pelos médicos, excluída do convívio pela impureza cerimonial (Lv 15.25-27) — abre caminho por trás na multidão, dizendo consigo: “Se eu tocar somente na roupa dele, ficarei curada” (Mc 5.28). Pessoa de fé e de atitude corajosa: tocou, foi curada, e Jesus não a deixou ir embora anônima. “Quem me tocou?” — não para envergonhá-la, mas para transformá-la de paciente em filha: “Filha, a sua fé a salvou; vá em paz” (Mc 5.34). É a única pessoa que Jesus chama de “filha” nos Evangelhos.
A demora, porém, custou caro a Jairo: “Sua filha morreu; por que ainda incomodar o Mestre?” E Jesus, sem se abalar: “Não tenha medo; creia somente” (Mc 5.36). No quarto, diante do riso dos profissionais do luto, ele toma a menina pela mão: “Talitá cum — Menina, eu ordeno: levante-se!” (Mc 5.41). Marcos guarda o aramaico no ouvido de Pedro. A menina se levanta, e Jesus, com ternura prática, manda dar-lhe de comer.
Observe o fio dos dois capítulos: a palavra de Jesus domina o mar, os demônios, a doença e a morte. Nenhuma força — natural, espiritual, física ou final — resiste à sua voz. A pergunta “Quem é este?” já tem resposta se formando: é aquele diante de quem só cabe fé. “Não tenha medo; creia somente.”
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Mc 4–5 e escrever um parágrafo respondendo, com suas palavras, à pergunta do barco: “Quem é este?” (Mc 4.41); e identificar uma pessoa que o mundo trata como “caso perdido”, orando por ela nesta semana pelo nome — lembrando do gadareno.
Aula 4
A primeira multiplicação dos pães, Jesus andando sobre o mar, o “EU SOU” revelado e a fé da mulher sírio-fenícia (Mc 6–7). Ir para a Aula 4 →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello