Quem viu primeiro?
As primeiras testemunhas e mensageiras da ressurreição não foram os apóstolos. Isso significa algo.
“Ele ressuscitou! Ele não está aqui.”Marcos 16.6 · NAA
Para começar
O capítulo mais curto do curso carrega a notícia que muda tudo. Três perguntas para o último degrau da escola.
As primeiras testemunhas e mensageiras da ressurreição não foram os apóstolos. Isso significa algo.
O anjo mandou um recado com endereço. Duas palavras que restauram um discípulo caído.
O curso começou com “Venham comigo”. Termina com “Vão por todo o mundo”. O círculo se fecha em nós.
Mc 16.1-8
“Passado o sábado”, três mulheres madrugam com aromas para ungir um corpo — e encontram a pedra removida e o túmulo aberto.
Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé saem “muito cedo, no primeiro dia da semana, ao nascer do sol” (Mc 16.1-2). No caminho, a preocupação prática: “Quem removerá para nós a pedra?” (Mc 16.3) — e Deus já havia resolvido o problema antes de elas chegarem, como tantas vezes resolve os nossos. Dentro do sepulcro, um jovem vestido de branco anuncia o evangelho em três frases: “Não se assustem. Vocês procuram Jesus, o Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou! Ele não está aqui. Vejam o lugar onde o tinham posto” (Mc 16.6). O anúncio une as duas coisas que a fé cristã jamais separa: o crucificado é o ressuscitado — a cruz não foi anulada pela Páscoa; foi vindicada por ela (Rm 4.25; 1Co 15.3-4).
E note quem recebe a primeira missão da nova era: “Mas vão e digam aos discípulos dele e a Pedro que ele vai adiante de vocês para a Galileia” (Mc 16.7). Num tempo em que o testemunho de mulheres nem era aceito nos tribunais, Deus as escolheu como primeiras testemunhas e primeiras mensageiras da ressurreição — as apóstolas dos apóstolos, como a igreja antiga carinhosamente as chamou. Não é acaso: elas ficaram na cruz (Mc 15.40-41), acompanharam o sepultamento (Mc 15.47) e madrugaram no túmulo; a honra seguiu a fidelidade. Ao longo de todo o curso vimos as mulheres sendo erguidas por Jesus e enxergando antes dos videntes — a sogra de Pedro levantada, a hemorrágica chamada de filha, a sírio-fenícia vencedora do único debate, a viúva do maior tesouro, a mulher de Betânia que entendeu a cruz. Aqui, a coroa: o próprio Deus lhes confiou a primeira pregação do evangelho pleno. Viva a graça que honra os fiéis pequenos!
“E a Pedro.” Duas palavras que valem um tratado sobre a graça. O último registro de Pedro no livro era um homem chorando após negar três vezes (Mc 14.72). O Ressuscitado não o riscou da lista: mandou-lhe recado nominal, marcou encontro na Galileia — onde tudo começou — e o restaurou (Jo 21.15-17), a ponto de Pedro se tornar o pregador de Pentecostes (At 2.14-41) e a fonte deste Evangelho. Se você caiu, o recado tem o seu nome também: a queda não cancela o chamado de quem se arrepende e volta (1Jo 1.9).
Marcos anota, com honestidade de testemunha, a primeira reação delas: saíram fugindo, “tomadas de temor e de assombro”, e por um tempo “nada disseram a ninguém, porque estavam com medo” (Mc 16.8) — medo santo diante do inaudito, que logo se converteu em anúncio, pois os demais Evangelhos mostram que elas foram, sim, contar (Mt 28.8; Lc 24.9-10; Jo 20.18). O evangelho não esconde a fragilidade das suas testemunhas; e é exatamente isso que as torna críveis.
Registro especial
As mulheres receberam um tratamento todo especial no Evangelho de Marcos. Antes de encerrar o curso, vejamos, reunido num só lugar, o fio que acompanhamos aula a aula.
Mc 16.9-20
Sua Bíblia provavelmente traz uma nota em Mc 16.9: “alguns dos mais antigos manuscritos não trazem os versículos 9-20”. Não há motivo para susto — há motivo para gratidão pela seriedade com que o texto bíblico chegou até nós.
Os dois manuscritos mais antigos e completos que possuímos encerram o Evangelho no versículo 8, e alguns pais da igreja conheciam cópias assim; por outro lado, a imensa maioria dos manuscritos traz o final longo, citado já no segundo século. Estudiosos fiéis dividem-se: alguns entendem que Marcos terminou propositalmente no assombro do versículo 8, ou que seu final original se perdeu; outros defendem a autenticidade do final longo. Duas âncoras pastorais bastam-nos. Primeira: nenhuma doutrina cristã depende desses versículos — a ressurreição está firmada em Mc 16.1-8 e no restante do Novo Testamento (1Co 15.3-8), e tudo o que o final longo relata tem paralelo nos demais Evangelhos e em Atos. Segunda: o fato de as nossas Bíblias informarem isso em nota é sinal de honestidade, não de fraqueza — o cristianismo não teme a luz sobre seus manuscritos, pois nenhum livro da antiguidade tem transmissão tão fartamente documentada. Podemos ler Mc 16.9-20 com proveito, como a igreja fez por séculos, sabendo o que as notas dizem.
Mc 16.15
“Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).
Lembre a Aula 1: o Evangelho de Marcos é emoldurado por dois chamados. No primeiro capítulo, “Venham comigo, e eu farei de vocês pescadores de gente” (Mc 1.17); no último, “Vão por todo o mundo” (Mc 16.15). Entre o Vinde e o Ide, o Mestre fez exatamente o que prometeu: tomou pescadores comuns — lerdos para entender, prontos para dormir, capazes de negar — e os transformou, pelo convívio, pela correção paciente e pela cruz, em testemunhas que virariam o mundo de cabeça para baixo (At 17.6). O verbo “farei” de Mc 1.17 se cumpriu. E o Senhor que subiu ao céu e “se assentou à direita de Deus” não abandonou a obra: “eles saíram e pregaram por toda parte, e o Senhor cooperava com eles” (Mc 16.19-20). O Evangelho do Servo termina com o Servo entronizado — e ainda trabalhando com os seus.
O livro não termina de verdade no versículo 20: termina em cada leitor que ouve o Vinde e obedece ao Ide. Marcos escreveu a escola do discipulado — e a matrícula continua aberta.
Síntese do curso
Doze aulas, dezesseis capítulos, uma escola. Encerro com a minha posição explícita, como prometi na primeira aula.
Fixação
Toque no cartão para ver a definição. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Cinco questões de múltipla escolha, com nota ao final, e duas perguntas para reflexão com resposta sugerida. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe — errar aqui também ensina.
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Para pensar e conversar
Tarefas
Ler Mc 16 e 1Co 15.1-11, anotando as testemunhas listadas por Paulo; escrever o “recado com nome” para alguém que caiu, e entregá-lo nesta semana; e, encerrando o curso, reler de uma sentada o Evangelho de Marcos inteiro — comparando a sua visão de Cristo de agora com a da Aula 1.
Fim do curso
Você concluiu as doze aulas do Evangelho de Marcos. Do Vinde ao Ide, a escola do Servo continua na vida de cada discípulo. Reveja as aulas quando quiser em Lições →
Citações bíblicas: Nova Almeida Atualizada (NAA), salvo indicação em contrário. · Bispo Ildo Mello