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Cântico dos Cânticos
Notas de John Wesley sobre Cântico dos Cânticos. 8 capítulos · 8 publicados (100%).
Introdução
Que este livro seja de inspiração divina é tão claro que, como notam os escritores judeus, ninguém jamais o pôs em dúvida, ainda que alguns tenham duvidado de outros escritos de Salomão. E os mesmos argumentos que provam a divindade dos demais livros encontram-se aqui: a qualidade do autor, que era reconhecidamente homem inspirado por Deus; a excelência e a plenitude da matéria; a majestade sagrada e sublime do estilo; e a singular eficácia dele sobre os corações das pessoas sóbrias e sérias. A forma deste livro é dramática, na qual várias partes são proferidas em nome de várias pessoas — principalmente o esposo e a esposa, e os amigos ou companheiros de um e de outra. E não se declara o que e quando cada um deles fala, mas isso se deixa à observação do leitor prudente. O propósito do livro, em geral, é descrever o amor e o feliz casamento de duas pessoas; mas não se deve entender a respeito de Salomão e da filha de Faraó (embora a ocasião possa ter sido tomada disso, ou antes, ele faça uma alusão a isso), e sim a respeito de Deus, ou de Cristo, e da sua igreja e do seu povo. Isto se torna suficientemente evidente pelas descrições deste esposo e desta esposa, que são tais que não poderiam, com decência alguma, ser usadas ou entendidas a respeito de Salomão e da filha de Faraó. Há muitas expressões e descrições que, aplicadas a eles, seriam absurdas e monstruosas. Segue-se daí que este livro se deve entender alegoricamente, a respeito daquele amor e casamento espiritual que há entre Cristo e a sua igreja. E isto será mais que provável a todo homem que considerar os seguintes pontos: 1. Que as Escrituras, tanto do Antigo como do Novo Testamento, estão cheias de passagens alegóricas — o que, sendo sabido e reconhecido, é desnecessário provar. 2. Que a doutrina de Cristo, sendo ele a cabeça e o esposo da igreja ou do povo de Deus, era bem conhecida, ao menos dos profetas e dos israelitas sábios e piedosos no tempo do Antigo Testamento. 3. Que Deus se compara a um esposo, e à sua igreja como esposa (Is 62.5), e chama-se e reconhece-se marido do seu povo (Is 54.5; Os 2.16,19-20). Nesses lugares, comparando-os com muitos outros textos da Escritura, por Deus, ou o SENHOR, entende-se Cristo, a segunda pessoa da Divindade, que então havia de descer, e desde então desceu do céu à terra, para a consumação daquele eterno desígnio de casamento entre Deus e o seu povo. 4. Que o Salmo 45, que é uma espécie de compêndio deste livro, embora aluda ao casamento entre Salomão e a filha de Faraó, foi escrito a respeito do Messias, como concordam todos os intérpretes, cristãos e judeus. Destas considerações, e de muitas outras que se poderiam sugerir, fica suficientemente manifesto que o alvo deste livro é descrever o mútuo amor, união e comunhão que há entre Cristo e a sua igreja, nas várias condições a que ela está sujeita neste mundo.
Capítulos
Números sem destaque indicam capítulos em preparação.