Daniel · Aula 5Lição

Pesado na balança

“Você foi pesado na balança e achado em falta.”Daniel 5.27 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Leitura prévia: Dn 5; Rm 3.21-26; Pv 29.1

A noite

Uma festa com os utensílios do templo

Décadas se passaram desde o capítulo anterior. Nabucodonosor está morto, e quem governa é Belsazar, que oferece um grande banquete enquanto o exército persa cerca a cidade.

No meio da bebedeira, ele toma uma decisão que parece apenas extravagante e é, na verdade, um ato deliberado: “mandou trazer os utensílios de ouro e de prata que Nabucodonosor, o seu pai, havia tirado do templo de Jerusalém”, para que ele, os nobres, as mulheres e as concubinas bebessem vinho neles (Dn 5.2).

E o texto acrescenta o que fizeram enquanto bebiam: “Beberam o vinho e deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra” (Dn 5.4). Não foi só falta de respeito. Foi usar o que pertencia ao Deus vivo para celebrar deuses fabricados.

O sagrado tratado como decoração. Aqueles cálices tinham estado no templo, separados para Deus. Nas mãos de Belsazar viraram louça de festa. É o retrato de toda banalização do santo: nada é destruído, tudo é apenas rebaixado ao uso comum e divertido.

A reação veio no mesmo instante. Uma mão apareceu escrevendo na parede caiada, no lugar iluminado pelo candelabro, onde todos pudessem ver. E o texto descreve o rei com um realismo quase constrangedor: “o semblante do rei empalideceu, e os seus pensamentos o deixaram perturbado; as suas pernas bambearam, e os seus joelhos batiam um no outro” (Dn 5.6).

O homem esquecido

Alguém se lembrou de Daniel

Os sábios foram chamados e, como sempre, não conseguiram ler. Foi preciso que a rainha-mãe entrasse no salão e lembrasse ao rei que existia, no reino, um homem que já fizera aquilo no tempo do avô dele.

Daniel devia ter mais de oitenta anos. Estava fora do círculo do poder, esquecido por uma corte que nem sabia quem ele era. Servira fielmente a um império que já não se lembrava do seu nome.

Trazido à presença do rei, recebe a oferta de púrpura, corrente de ouro e o terceiro lugar no reino. E responde antes de qualquer coisa: “O senhor pode ficar com os seus presentes e dar as suas recompensas a outra pessoa. No entanto, vou ler para o rei o que está escrito na parede” (Dn 5.17).

A acusação

“Mesmo sabendo de tudo isso”

Antes de traduzir a escrita, Daniel faz um sermão. E o sermão é uma aula de história: ele conta a Belsazar o que aconteceu com o avô.

Deus dera a Nabucodonosor “grandeza, glória e majestade”; mas, “quando o coração dele se elevou, e o seu espírito se tornou orgulhoso e arrogante, foi derrubado do seu trono real e perdeu toda a sua glória” (Dn 5.18-20). Nabucodonosor aprendeu, e aprendeu pelo caminho duro.

E vem o resumo do pecado da noite: ele se levantou contra o Senhor do céu, profanou os utensílios do templo e “deu louvores aos deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem e não sabem nada. Mas o senhor não deu glória a Deus, em cuja mão estão a sua vida e todos os seus caminhos” (Dn 5.23).

Guarde a última linha, porque ela é a chave: “em cuja mão estão a sua vida e todos os seus caminhos”. Belsazar prestava culto a objetos que não veem nem ouvem, e ignorava Aquele que segurava o próprio fôlego dele naquela noite.

Daniel 5.25-28

Mene, Tequel, Parsim

São três palavras que, no uso comum, designavam pesos e moedas. Deus as usou como sentença.

Mene

“Deus contou os dias do seu reinado, ó rei, e pôs um fim nele.” O tempo tinha prazo, e o prazo acabara.

Tequel

“Você foi pesado na balança e achado em falta.” Não faltou poder, nem riqueza, nem prestígio. Faltou o que Deus mede.

Peres

“O seu reino foi dividido e entregue aos medos e aos persas.” A sentença já estava executada do lado de fora dos muros, enquanto a festa continuava lá dentro.

E o capítulo termina em duas linhas secas: “Naquela mesma noite, Belsazar, rei dos caldeus, foi morto. E Dario, o medo, se apoderou do reino” (Dn 5.30-31). Entre o brinde e a morte não houve nem um amanhecer.

Uma observação sobre a balança. A imagem é dura, e precisa ser lida com o evangelho ao lado. Se o critério fosse o mérito, todos seríamos achados em falta: “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23). A tragédia de Belsazar não foi ser pesado, e sim ter tido diante de si toda a história do avô, todo o aviso e todo o tempo, e ter recusado se humilhar.

Para a nossa vida

Saber não é o mesmo que aprender

Herança de conhecimento não salva

Belsazar sabia tudo sobre o Deus de Daniel: a história do avô, o sonho, a loucura, a restauração. Conhecer a história da fé da família não é o mesmo que ter fé.

O sagrado banalizado

Ninguém quebrou os cálices: apenas os usaram para outra coisa. É assim que costuma acontecer conosco, com a oração, com o culto, com a Palavra, com o nome de Deus.

Fidelidade sem plateia

Daniel serviu décadas e foi esquecido pela corte. Continuou o mesmo. Quando finalmente o chamaram, ele estava pronto, e não estava amargurado.

Não se vender

“O senhor pode ficar com os seus presentes.” Quem depende do favor de alguém dificilmente diz a esse alguém a verdade.

Uma pergunta para levar

Que aviso o senhor já recebeu e ainda não atendeu?

Belsazar não foi condenado por ignorância. Foi condenado por saber e não se humilhar. A pergunta do capítulo não é o que ainda não sabemos, e sim o que já sabemos e continuamos adiando.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe, e errar aqui também ensina.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Belsazar conhecia toda a história do avô e não aprendeu nada com ela. Que aviso o senhor já recebeu e continua adiando?Ver resposta sugerida

A culpa dele não foi a ignorância: “mesmo sabendo de tudo isso”. A pergunta do capítulo não é o que ainda não sabemos, e sim o que já sabemos.

Ninguém quebrou os utensílios do templo: apenas os usaram para beber. Onde o sagrado tem sido rebaixado ao uso comum na sua vida?Ver resposta sugerida

Pode ser a oração virada em fórmula, o culto virado em programa, o nome de Deus usado como bordão. Nada é destruído; tudo é apenas banalizado.

Daniel foi esquecido pela corte por décadas e continuou o mesmo homem. Como o senhor tem lidado com períodos em que ninguém percebe o seu trabalho?Ver resposta sugerida

Quando finalmente o chamaram, ele estava pronto e não estava amargurado. As duas coisas juntas são raras.

“O senhor pode ficar com os seus presentes.” De que o senhor depende hoje que talvez o impeça de dizer a verdade a alguém?Ver resposta sugerida

Quem depende do favor de alguém dificilmente diz a esse alguém a verdade. Daniel recusou o pagamento antes de falar.

Se a balança fosse de méritos, todos seríamos achados em falta. O que muda quando lemos este capítulo com Romanos 3.23-24 ao lado?Ver resposta sugerida

A tragédia de Belsazar não foi ser pesado: foi ter tido diante de si todo o aviso e todo o tempo, e recusar humilhar-se. Em Cristo, o que falta em nós é suprido pela graça, não pelo peso.

Pesado na balança · Bispo Ildo Mello · Igreja Metodista Livre do Brasil