História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo I
A Igreja Metodista Livre surgiu como resultado do declínio espiritual do corpo de onde saiu, a Igreja Metodista Episcopal. Diferentemente de outros ramos do metodismo, o seu surgimento não se deveu nem ao descontentamento com a forma episcopal de governo, nem a alguma suposta discriminação contra os leigos nas Conferências, nem a algum sistema de castas baseado em nacionalidade, cor ou condição social, nem a qualquer coisa que então se considerasse fundamentalmente errada no governo geral da igreja.
Que havia abusos no governo metodista, nascidos do declínio espiritual da igreja, era geralmente reconhecido; mas nem esses abusos foram jamais considerados pelos fundadores da Igreja Metodista Livre motivo suficiente para se separarem da Igreja Metodista Episcopal, nem justificativa para uma guerra contra o seu governo e os seus usos.
John Alfred Faulkner, doutor em teologia, do Seminário Teológico Drew, na sua obra Story of the Churches (História das igrejas), uma série de volumes sobre a história das principais denominações religiosas, diz:
“A única igreja que brotou do solo metodista por insatisfação com o mundanismo da igreja e com o abandono dos ideais heroicos dos tempos antigos é a Igreja Metodista Livre, organizada em Pekin, Nova York, em 1860. Foi fruto de uma profunda agitação no oeste do estado de Nova York nas décadas de 1840 e 1850, e teve como causa o suposto afastamento da igreja do seu testemunho primitivo: (1) quanto à escravidão, (2) quanto à santidade, (3) quanto à não conformidade com o mundo e (4) quanto à concepção evangélica da doutrina.”1
A declaração acima é correta, com uma exceção. Na lista dos pontos em que se considerava que a Igreja Metodista Episcopal tinha se afastado do seu testemunho primitivo, o “(1)” e o “(2)” deveriam trocar de lugar. Foi o “afastamento da igreja do seu testemunho primitivo” a respeito da santidade, antes de tudo, que provocou a “profunda agitação” de que escreve o Dr. Faulkner. A agitação a respeito do seu testemunho sobre a escravidão, a não conformidade com o mundo e a concepção evangélica da doutrina nasceu da agitação sobre a posição da igreja quanto à santidade, ou inteira santificação, e esteve inteiramente subordinada a ela.
Deve-se notar especialmente que a Igreja Metodista Livre não se originou de uma secessão do corpo de onde saiu. Também nisso ela difere de todos os outros ramos do metodismo americano. Os outros se separaram, por motivos e razões diversos; mas os que tiveram parte na formação da Igreja Metodista Livre foram leais à igreja-mãe até o fim, como o restante deste livro mostrará, e procuraram de boa-fé, com o mais sincero esforço, preservar e promover a sua pureza e integridade. Só quando foram excluídos do seu seio (de maneira injusta e ilegal, conforme criam) e até impedidos de recorrer à Conferência Geral, direito que lhes era garantido pela Disciplina da igreja, é que admitiram a ideia de formar um ramo separado do metodismo. Os parágrafos seguintes, da introdução à Disciplina adotada na ocasião em que a Igreja Metodista Livre foi organizada, e que em mais de meio século nunca foram refutados, confirmam o que foi dito:
“A Igreja Metodista Livre teve sua origem na necessidade, e não na escolha. Não nasceu de uma secessão, nem de uma tentativa frustrada de reformar o governo da Igreja. Os que tomaram parte na sua formação nunca esperaram separar-se da Igreja Metodista Episcopal, até o momento em que foram injustamente excluídos do seu seio. Buscaram reparação no tribunal competente. Ela não lhes foi concedida. Negaram-lhes até mesmo uma audiência imparcial. Lançados assim para fora, cortada a possibilidade de serem restituídos, e crendo que Deus ainda os chamava a trabalhar pela salvação das almas, não tinham outra alternativa senão formar uma nova organização. Na doutrina, na disciplina e no espírito eram metodistas, e por isso não podiam oferecer-se a nenhuma outra denominação.
“A questão pela qual foram expulsos era a disputa entre o formalismo morto e a vida e o poder da piedade. Por isso não se sentiam em casa naqueles ramos da família metodista em cuja formação entraram principalmente outras questões.”
[N. do T.: citação da “Origem da Igreja Metodista Livre”, na Disciplina de 1860, reproduzida aqui na mesma tradução publicada neste site.]
A Igreja Metodista Livre não é uma organização cismática, embora tenha surgido em consequência de um cisma na Igreja Metodista Episcopal. Os seus fundadores, porém, não provocaram o cisma que levou à sua formação. O corpo de onde saíram deve responder por isso. Cremos, com o falecido Rev. A. A. Hodge, doutor em teologia, que “se a Igreja é uma sociedade externa, então todo afastamento dessa sociedade tem a natureza de cisma; mas, se a Igreja é, na sua essência, um grande corpo espiritual, constituído pela habitação do Espírito Santo através de todas as épocas e nações, unindo todos em Cristo, e se a sua organização externa é apenas acidental e temporária, sujeita a mudança e variação (que é a doutrina protestante), então o afastamento de uma organização, a menos que tocado pelo espírito do cisma, não é prejudicial à Igreja”. Cremos também, com o mesmo célebre escritor, que, “nesta dispensação, Deus nos deixou livres para formar organizações. Deixou-nos livres para viver o cristianismo em todas as condições em que nos colocou; e a religião cristã que recebemos toma cores e tons variados conforme a nacionalidade, a tribo e a raça. Sem dúvida existe o cisma. O cisma é um grande pecado. Mas, se a Igreja é um corpo espiritual, o pecado é contra a unidade espiritual.”2
[N. do T.: Archibald Alexander Hodge (1823-1886) foi teólogo presbiteriano de Princeton. Hogue o cita aqui como testemunho sobre a natureza do cisma, e não como autoridade doutrinária.]
Os fundadores da Igreja Metodista Livre estavam tão longe de ser cismáticos que eram em geral reconhecidos como homens piedosos e espirituais, que lutavam com muito empenho e poder pela “unidade do Espírito” (Ef 4.3); e, na sua dedicação até mesmo à unidade orgânica da Igreja Metodista Episcopal, suportaram até o fim uma dura perseguição por parte dos seus irmãos menos espirituais, em vez de se retirarem voluntariamente da organização. Permaneceram no seio da igreja até serem postos para fora pela excomunhão. Portanto, qualquer que seja o ponto de vista que se adote entre os citados acima a respeito da natureza da Igreja, é preciso reconhecer que eles não foram cismáticos em nenhum sentido próprio da palavra. Viveram em estreita comunhão com tudo o que era espiritual no metodismo do seu tempo e eram tão dedicados à sua integridade como sociedade externa que preferiram sofrer deturpação, difamação, maldade e abusos cruéis a romper com a sua unidade orgânica.
Além disso, quando finalmente foram expulsos, alguns deles se uniram de novo à igreja como membros em experiência, e todos, menos um, recorreram à Conferência Geral, na esperança de que a sentença de expulsão fosse anulada, o que lhes permitiria continuar no seio da igreja. Só quando o tribunal supremo da igreja se recusou a examinar os seus recursos é que ficou evidente que a separação forçada da sua mãe eclesiástica teria de ser definitiva.
A Igreja Metodista Livre é uma organização destinada a preservar e promover o tipo de cristianismo que o metodismo primitivo exemplificou de maneira tão admirável. O Dr. Chalmers definiu o metodismo do seu tempo como “o cristianismo levado a sério”. Esse era o seu caráter essencial. Esse também é o caráter essencial da Igreja Metodista Livre.
O que há de mais essencial em todo metodismo verdadeiro é o seu princípio de intensa espiritualidade, de justiça intransigente, de santidade experimental e prática, de dedicação total e inabalável ao avanço do reino de Deus entre os homens. Como princípio, ou sistema de verdade e justiça, o metodismo é tão antigo quanto o próprio cristianismo; como forma de governo eclesiástico, data do início do século XVIII, quando, sob John Wesley, foram fundadas as Sociedades Unidas do metodismo. Quanto ao seu essencial, o metodismo, quando fiel ao tipo original, é um só e o mesmo em toda parte. O seu governo pode mudar, mas os seus princípios nunca, a não ser por um desvio do tipo que o deixe de ser metodismo em qualquer sentido verdadeiro e próprio.
“Não se segue, porém, que, pelo fato de o metodismo ser sempre o mesmo”, escreveu o Rev. Elias Bowen, doutor em teologia, em 1864, quando ainda era membro da Igreja Metodista Episcopal, “ele seja sempre conhecido pelo mesmo nome, ou se encontre sempre na mesma denominação. A adaptação é um elemento essencial do sistema; e, pela facilidade admirável com que se ajusta a tempo, lugar e circunstância, ele não tem dificuldade em tomar um novo nome, ou passar de um grupo de pessoas para outro, sempre que houver ocasião para isso, ou que a oferta de meios mais adequados para cumprir os seus fins legítimos exija essa mudança.
“Assim como a tartaruga da montanha, quando é o caso, deixa o seu velho casco e toma um novo revestimento, mais apropriado aos propósitos da sua existência; e assim como o rio caudaloso, quando muito obstruído no seu curso, deixa o velho leito por um novo, onde possa seguir com mais liberdade o seu caminho para o oceano; assim o metodismo, amarrado e embaraçado nas suas operações de salvar almas por uma conformidade com o mundo, sem escrúpulos e quase universal, na velha igreja, foi forçado, para cumprir a sua missão própria de ‘espalhar a santidade bíblica pela terra’, a deixar os seus púlpitos e altares de costume, tão terrivelmente profanados ultimamente pelo mundanismo e pelo eclesiasticismo, e a continuar a sua obra por meio do instrumento recém-organizado da Igreja Metodista Livre.”3
Por fim, a Igreja Metodista Livre afirma ter sido levantada pela providência, como Wesley disse dos metodistas do seu tempo, “para reformar a nação, especialmente a Igreja, e espalhar a santidade bíblica pela terra”. “Santo ao Senhor” tem sido a sua palavra de ordem e a inspiração do movimento desde o princípio. No Discurso Preliminar ao seu Livro de Disciplina,4 sobre a “Origem e o caráter” do movimento, os metodistas livres se expressaram sobre o caráter do metodismo livre nos seguintes parágrafos:
Os metodistas livres são um corpo de cristãos que professam estar decididos a ir para o céu, conformando-se a toda a vontade de Deus, tal como se revela na sua Palavra. Não creem que Deus ou a Bíblia tenham mudado para se acomodar às tendências da moda da época. Protestam solenemente contra a união da igreja com o mundo. As condições da salvação, como ensinam, são hoje as mesmas de mil e oitocentos anos atrás. Quem quiser ser cristão de fato, e não só de nome, deve negar a si mesmo, tomar dia a dia a sua cruz e seguir Jesus (Lc 9.23). Deve sair do meio do mundo, separar-se e não tocar em coisa impura (2Co 6.17).
Na doutrina, são metodistas. Creem na doutrina da Santíssima Trindade, numa expiação geral, na necessidade do novo nascimento, no testemunho do Espírito e em recompensas e castigos futuros. Insistem que é dever e privilégio de todo crente ser inteiramente santificado e conservado irrepreensível até a vinda do Senhor Jesus Cristo (1Ts 5.23). Todo aquele que é recebido em plena comunhão ou professa desfrutar aquele perfeito amor que lança fora o medo, ou promete buscá-lo com diligência até alcançá-lo.
Consideram a piedade prática o resultado infalível de uma experiência religiosa genuína. “Pelos seus frutos vocês os conhecerão” (Mt 7.20). Por isso insistem que os que professam ser discípulos de Cristo saiam do meio dos descrentes e se separem, abstendo-se de ligação com todas as sociedades secretas, renunciando a toda pompa e glória vãs, vestindo-se com roupa modesta, e não com ouro, nem pérolas, nem roupas caras. Não temos o direito de abolir nenhuma das exigências feitas por Cristo e pelos apóstolos, nem de fazer da obediência a elas uma questão de pouca importância. A Regra de Ouro, sustentam eles, vale igualmente para toda a humanidade.
O governo não é aristocrático, mas os membros têm voz igual à dos ministros em todos os conselhos da igreja. Tanto as Conferências Anuais como a Geral são compostas de tantos delegados leigos quanto ministeriais, que têm voz e voto iguais em todas as deliberações. A Comissão de Nomeações, que faz as designações, é composta do Superintendente Geral, dos presidentes de distrito e de um número igual de leigos escolhidos para esse fim. As juntas oficiais são escolhidas pelos membros dos circuitos, e não nomeadas pelos pregadores. Há presidentes de distrito, que podem ser designados para circuitos como os demais pregadores. Há Superintendentes Gerais, eleitos a cada quatro anos, cujo dever é presidir as Conferências Anuais e viajar por toda a conexão. Os direitos dos membros são cuidadosamente protegidos.
Procuram promover a espiritualidade e a simplicidade no culto. O canto congregacional é universal, e a execução de instrumentos musicais e o canto de corais no culto público são proibidos. Creem no Espírito Santo. Se os homens são de fato convertidos e santificados, é pelo Espírito de Deus. Quando ele age, há movimento. Como diz o presidente Edwards, “as coisas eternas são tão grandes e de tão vasta importância que é um grande absurdo os homens serem apenas moderadamente movidos e afetados por elas”. “Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade” (2Co 3.17). Os metodistas livres, embora não creiam em nenhum barulho meramente formal, não ousam opor-se às manifestações da presença do Espírito quando ele vem “como de um vento impetuoso” (At 2.2), como no dia de Pentecostes. Como diz Edwards, “sempre que houver um grau considerável de influência do Espírito sobre uma multidão mista, isso produzirá, de algum modo, uma grande comoção visível”. Resistir à sua ação é impedir a obra de Deus.
Não creem em recorrer à política do mundo para sustentar o evangelho. Cristo disse que quem der um copo de água fria em seu nome de modo nenhum perderá a sua recompensa (Mt 10.42). Mas é o motivo, e não o tamanho do que se faz, que garante a aprovação divina. Não há mais virtude em dar para a causa de Deus em troca de prazer carnal do que em qualquer outra ação puramente egoísta. Por isso não dão apoio aos expedientes modernos para promover o cristianismo, como venda ou aluguel de bancos, festas, rifas, quermesses e festas de doação. Dizer que a igreja não pode ser sustentada sem esses artifícios, que seduzem o mundo a sustentá-la, é confessar que os que professam ser cristãos são “mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus” (2Tm 3.4). É declarar que o cristianismo fracassou. O evangelho tem um poder inerente que não só se sustenta, mas abre caminho através de toda oposição, sempre que os seus defensores vivem à altura das suas exigências e confiam nas suas promessas.
Todas as suas igrejas devem ser tão livres quanto a graça que pregam. Creem que a sua missão é dupla: manter o padrão bíblico do cristianismo e pregar o evangelho aos pobres. Por isso exigem que todos os lugares nas suas casas de culto sejam gratuitos. Entre eles, nenhum banco pode ser alugado ou vendido. O mundo nunca será convertido a Cristo enquanto as igrejas forem conduzidas pelo sistema exclusivo. Sempre foi contrário à ordem da igreja cristã construir casas de culto com bancos para alugar. Mas o espírito do mundo foi invadindo pouco a pouco, até que, em muitas partes dos Estados Unidos, não se encontra uma única igreja livre em nenhuma das cidades ou vilas maiores. O sistema de bancos pagos prevalece em quase todas as denominações. Eles estão plenamente convencidos de que esse sistema é errado no princípio e mau na tendência. É uma corrupção do cristianismo. As igrejas livres são essenciais para alcançar as massas. As provisões do evangelho são para todos. As “boas-novas” devem ser anunciadas a cada indivíduo da raça humana. Deus envia a verdadeira luz para iluminar e derreter todo coração. Ao selvagem e ao civilizado, ao escravo e ao livre, ao negro e ao branco, ao ignorante e ao instruído, a grande salvação é oferecida gratuitamente.
Mas em benefício de quem devem ser feitos esforços especiais? Quem deve receber cuidado particular? Jesus resolve essa questão: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados”, e, como se tudo isso não bastasse para convencer João da validade das suas reivindicações, ele acrescenta: “e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11.5). Essa foi a prova suprema de que ele era aquele que havia de vir. Nisso a igreja deve seguir os passos de Jesus. Ela deve cuidar que o evangelho seja pregado aos pobres. Assim, esse dever é ordenado pelos preceitos e exemplos mais claros. Se o evangelho deve ser pregado a todos, segue-se necessariamente que todas as providências para a pregação do evangelho devem ser tomadas de modo a garantir esse objetivo. Se alguém disser que se dariam lugares gratuitamente aos que não podem pagar por eles, respondem que isso não resolve o problema. Poucos aceitam, enquanto têm condições de comparecer à igreja, ser tratados publicamente como indigentes.
[N. do T.: o “Discurso Preliminar” citado aqui não é a “Origem” da Disciplina de 1860, e sim um texto da edição de 1866, como indica a nota de Hogue. “Igrejas livres” e “sistema exclusivo” referem-se aos bancos gratuitos e ao costume de alugar ou vender os bancos às famílias que podiam pagar. As citações de Jonathan Edwards (1703-1758) foram traduzidas do inglês do texto.]
Sempre houve na igreja, considerada como instituição terrena, uma tendência a desviar-se. Foi assim com o antigo Israel. Deus disse deles: “O meu povo é inclinado a rebelar-se contra mim” (Os 11.7). É assim com a igreja de hoje.
As “igrejas da Galácia” mostraram essa tendência mesmo sob o ministério de homens inspirados. Na sua carta a essas igrejas, São Paulo achou necessário dizer-lhes: “Estou muito surpreso em ver que vocês estão passando tão depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual, na verdade, não é outro. Porém, há alguns que estão perturbando vocês e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que temos pregado, que esse seja anátema” (Gl 1.6-8).
A Carta aos Hebreus foi evidentemente escrita para proteger os seus destinatários dessa tendência quase universal. Acostumados a uma religião que apelava continuamente, de modo espetacular, aos sentidos, e que consistia em grande parte em ritos e cerimônias impressionantes, bem como nas “obras da lei”, eles corriam um perigo especial de voltar outra vez aos “rudimentos fracos e pobres” (Gl 4.9) dos quais Cristo os havia livrado.
A tendência ao declínio espiritual é causada pela fraqueza natural da humanidade; pela indolência espiritual até de homens e mulheres cristãos; pela falta de princípios que prevalece na massa dos que compõem a igreja nominal; pela suscetibilidade dos seres humanos a serem influenciados por aquelas agitações mundanas que são hostis à religião espiritual; pelo fato de que a “luta pela existência” é a lei da vida espiritual tanto quanto da física; pela lei da “reversão ao tipo”, que opera no âmbito espiritual tanto quanto no natural; pelo ensino do erro por meio de falsos mestres; e pela tendência de todos os traços carnais entre o povo que professa ser de Deus a agir em todo o corpo, como o fermento na farinha, até que tudo fique levedado (Mt 13.33), isto é, corrompido por princípios carnais.
O presidente Finney reconheceu com tanta clareza essa tendência da igreja a desviar-se que, na primeira das suas Lectures on Revivals of Religion (Conferências sobre avivamentos da religião), diz: “Um avivamento da religião pressupõe um declínio. Quase toda a religião que há no mundo foi produzida por avivamentos. Deus achou necessário aproveitar a excitabilidade que existe na humanidade para produzir entre os homens comoções poderosas, antes de poder levá-los a obedecer. Os homens são espiritualmente tão indolentes, e há tantas coisas que desviam a mente deles da religião e se opõem à influência do evangelho, que é preciso levantar uma comoção entre eles, até que a maré suba tão alto que arraste os obstáculos que se opõem. Precisam ser tão comovidos que rompam essas influências contrárias, antes de obedecerem a Deus. Não que o sentimento comovido seja religião, pois não é; mas é o desejo, o apetite e o sentimento comovidos que impedem a religião. […]
“As grandes agitações políticas e outras agitações mundanas que sacodem a cristandade são todas hostis à religião e desviam a mente dos interesses da alma. Ora, essas agitações só podem ser contrabalançadas por comoções religiosas. E, enquanto não houver no mundo princípio religioso para dominar as agitações irreligiosas, é inútil tentar promover a religião, a não ser por comoções que as contrabalancem. Isso é verdade na filosofia e é um fato histórico.”5
[N. do T.: Charles G. Finney (1792-1875), avivalista e presidente do Oberlin College. “Excitement”, que traduzimos por “comoção” ou “agitação”, é termo do seu vocabulário para o despertamento emocional e espiritual das multidões.]
Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.