História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XV

A religião dos chamados nazaritas

Os chamados “nazaritas” eram em geral descritos pelos adversários como um bando de “fanáticos”, “reformadores espúrios”, “falsos profetas”, e com outros epítetos igualmente ofensivos, tudo para fazer parecer que eram uma classe de fracos irracionais e irresponsáveis, a serem vistos com um misto de pena e desprezo. Será justo e correto, portanto, dar ao leitor uma visão da religião deles no seu funcionamento prático, tal como os escritos da época a refletiram de diversas maneiras, para que ele julgue por si mesmo se os adversários estavam certos ou errados ao descrevê-los assim.

Assim como aprendemos muito sobre o verdadeiro caráter do cristianismo primitivo pelo que os seus inimigos disseram e escreveram sobre os cristãos daqueles dias, assim também podemos aprender muito sobre o caráter da religião proscrita na Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal, na década de 1850 a 1860, pelo que os seus inimigos disseram sobre os que trabalhavam ativamente para promovê-la.

Pelos artigos que os irmãos proscritos daquele tempo publicaram, os autores assumiram plena responsabilidade, publicando-os com o próprio nome. Isso é provável evidência de que escreviam a verdade e de que não se envergonhavam dela, nem tinham medo de assumir a responsabilidade pelo que tinham escrito. Muitos dos que escreveram contra eles, porém, o fizeram com nomes fictícios, escondendo assim a sua identidade e recusando-se a ser publicamente conhecidos como responsáveis pelo que escreviam. Pelo que saía nas colunas editoriais do Buffalo Advocate e do Northern Christian Advocate, os redatores naturalmente assumiam a responsabilidade. Mas muitos artigos, ao mesmo tempo falsos e vilmente vingativos, foram escritos por pessoas cuja identidade não foi revelada. Tais escritores eram assassinos de reputações em grande escala, que atacavam as suas vítimas e desferiam os seus golpes mortais sob a capa da escuridão.

Uma das coisas mais vis e mais repreensíveis de que um homem pode ser culpado, no que se refere a prejudicar pessoalmente os outros, é tentar enegrecer o caráter alheio escondendo a própria identidade enquanto o faz. No entanto, esse caminho foi seguido repetidas vezes em relação aos que trabalhavam para promover a reforma religiosa na Conferência de Genesee daqueles dias. Os trechos seguintes de um artigo publicado no Medina Tribune, periódico secular de considerável influência local, em 11 de setembro de 1856, cerca de um ano antes da publicação do “Metodismo da Nova Escola”, estão entre os mais respeitáveis do seu tipo. A evidência interna mostra que foi escrito por algum membro da Conferência de Genesee:

REFORMADORES E REFORMA NAZARITAS

Reformadores espúrios são tão abundantes quanto amoras silvestres, e tão desprezíveis quanto abundantes. Incapazes de compreender a condição moral e as necessidades da sociedade em volta, e também de entender os modos ou processos pelos quais a reforma deve ser realizada, creem, ou fingem crer, que são os instrumentos escolhidos de alguma regeneração social muito necessária, cuja necessidade ou possibilidade ninguém além deles consegue descobrir. Confundindo o desejo de fazer algo grandioso com o chamado para uma grande empresa, e o desejo de fama com uma indicação profética de algum feito esplêndido, apresentam-se ao mundo com ares estranhos e grosseiros, que esperam que todos considerem prova do “furor divino” de que estão possuídos, e repetindo frases sem sentido e de efeito, que equivocadamente escolheram como palavras de ordem de um movimento reformador. A figura ridícula que fazem provoca o riso e a zombaria de todos, exceto dos que são tão desmiolados e tolos quanto eles. Por estes, porém, são muitas vezes tomados por verdadeiros profetas; e o ganho de alguns prosélitos sempre confirma uns e outros na sua loucura.

Nós, da Conferência de Genesee, temos entre nós uma leva assim de falsos profetas, de pseudorreformadores. E não podemos crer que um grupo de regeneradores como o que formam os nazaritas tenha jamais sido reunido pela força de uma crença comum num chamado divino para uma grande obra. De onde ou por que lhes veio a ideia de que eram os ministros escolhidos de uma nova reforma, provavelmente nunca será tirado da obscuridade e da incerteza da especulação. Provavelmente sentiram algo se mexer dentro deles (talvez fossem gases no estômago) e o confundiram com os sinais de uma comissão vinda do céu, que os convocava a socorrer o metodismo agonizante e a inaugurar uma nova era de vida espiritual na história do movimento wesleyano.

Para eles, a religião ainda parece ser um sistema de formas e símbolos exteriores, de cerimônias materiais e manifestações corporais, de influência animal e sensações nervosas. Para eles, uma cara comprida e ares de santidade valem por pureza interior e bondade de coração. No seu credo, uma profissão altissonante tem precedência sobre uma vida santa, e ficar alegre numa reunião religiosa é apresentado como prova indubitável do favor divino. Para eles, um chapéu de aba larga e copa em forma de sino equivale ao “capacete da salvação” (Ef 6.17), e uma casaca de abas cortadas, ao manto de justiça (Is 61.10).

Mas que meios esses reformadores empregam para alcançar os seus fins? Vão ao povo com palavras de verdade e de bom senso (At 26.25), procurando tornar os homens melhores ao aplicar ao coração e à consciência dos ouvintes, com eloquência fervorosa e apelos sérios e racionais, a declaração da Palavra de Deus? Não; as suas arengas ao povo consistem em discursos facciosos, frases feitas e gritaria; em protestos da sua própria pureza sem mancha e em insinuações, abertas e veladas, contra o caráter cristão e ministerial dos seus irmãos.

JULIUS.

[N. do T.: o chapéu de aba larga e a casaca de abas cortadas (“shad-bellied coat”) eram trajes simples e antiquados, associados aos quacres e aos primeiros metodistas; o autor zomba da simplicidade no vestir defendida pelos reformadores.]

Compare-se o estilo ofensivo, o espírito amargo e a linguagem grosseira dessas palavras com o tom sereno, digno e varonil do texto sobre o “Metodismo da Nova Escola”, e decida-se então qual está mais de acordo com o espírito, o preceito e o exemplo de Jesus Cristo.

“Não se podiam, porém, formular argumentos que respondessem ao espírito desse libelo e dessa caricatura, tão ‘ofensiva no estilo, amarga no espírito e falsa nas afirmações’. Não se pode argumentar contra uma zombaria. O tom calmo com que os fatos, tão desagradáveis e desabonadores para a Regência, foram expostos no ‘Metodismo da Nova Escola’ só despertou um espírito de ódio amargo contra o seu autor e a determinação de esmagá-lo.”1

Entre os membros mais antigos da Conferência de Genesee que se entendia em geral pertencerem à classe contra a qual foi escrita essa diatribe estavam homens como Asa Abell, Benajah Williams, John P. Kent, Samuel C. Church e Amos Hard, homens cujos anos de leal dedicação à causa do metodismo mereciam tratamento mais bondoso da parte do partido dominante na Conferência. E havia, entre os pregadores mais jovens, homens como William C. Kendall, Loren Stiles Jr., Benjamin T. Roberts e I. C. Kingsley, homens que, em capacidade natural, formação acadêmica e conhecimento geral, eram iguais, se não superiores, a qualquer dos que se opunham a eles, e que em espiritualidade e fecundidade geral os superavam de longe. Que vergonha para o nome do metodismo que homens como esses tivessem de suportar dos seus próprios irmãos de Conferência o desprezo e a difamação contidos no artigo acima!

Ao comparar o artigo anônimo sobre “Reformadores e reforma nazaritas” com o artigo do Sr. Roberts sobre o “Metodismo da Nova Escola”, o leitor deve ter em mente que o primeiro é bastante respeitável, comparado com outros do seu tipo, que foram julgados indecentes e grosseiros demais para publicação geral.

O texto seguinte, que saiu como editorial no Buffalo Advocate de 15 de setembro de 1859, embora mais breve, está bem de acordo com o trecho anterior e mostra quanto o seu autor, como representante de um grande eleitorado, se afastara do espírito e da prática do metodismo primitivo, a ponto de poder escrever com desprezo sobre o próprio tipo de culto que o metodismo foi originalmente levantado para perpetuar na terra:

A próxima sessão da Conferência de Genesee sem dúvida reunirá multidões em Brockport, tanto amigos quanto adversários da igreja. A facção nazarita, ao que sabemos, estará lá em peso. O exortador Purdy [o Rev. Fay H. Purdy, evangelista famoso naqueles dias] armará uma grande tenda, e umas mil ou menos tendas menores serão introduzidas às escondidas nos terrenos vizinhos. Esperamos ver e ouvir uma multidão aos berros e prevemos uma semana agitada. A Conferência, naturalmente, fará os seus trabalhos à sua maneira, sem levar em conta a pressão e a presença de fora, pelas quais não será mais responsável do que seria por um circo ou uma exposição de feras.

Um texto desse caráter dispensa comentários. Ao procurar criar um preconceito generalizado contra os esforços evangelísticos sérios e zelosos de um verdadeiro filho da Igreja Metodista Episcopal, e daqueles homens e mulheres devotos e piedosos que cooperavam com ele na busca de um avivamento da religião espiritual, o autor do trecho acima mostrou sinais inconfundíveis de declínio religioso e, ao mesmo tempo, deu sem querer testemunho de que a chamada “facção nazarita” era composta de homens e mulheres vivos para Deus e cheios do espírito de “evangelização agressiva”, para o qual a Igreja Metodista vem procurando, nos últimos anos, despertar o interesse geral.

É preciso lembrar que, na nomenclatura da facção da “Regência”, “nazaritismo” era um termo usado para designar com desprezo o metodismo à moda antiga, ou “o cristianismo levado a sério”. Com isso em mente, pede-se ao leitor que considere o seguinte, do mesmo autor do trecho anterior:

O VERDADEIRO TIPO DO NAZARITISMO EM GERAL

Um filho ilegítimo muitas vezes carrega pela vida afora as marcas do pecado que lhe deu origem! A excitação governa mais gente do que a razão, o que explica boa parte do mal, físico e moral, que há no mundo. Essa qualidade é um elemento muito característico do nazaritismo, e leva os seus seguidores a impropriedades e excessos no culto religioso que ofendem a dignidade, o bom senso e até a decência comum. Homens sóbrios e ponderados, cuja mente tem um volante regulador, não são nazaritas. É o superficial, de impulsos rápidos, que dispara num instante, como uma tocha acesa enfiada num paiol de pólvora; esses são os indivíduos que abraçam essa interpretação moderna de antigas noções religiosas. A excitação é a sua vida; e, se puderem viver abraçando o nazaritismo e ao mesmo tempo ser religiosos, nada lhes é mais aceitável.2

Mais uma vez, do mesmo redator do órgão da “Regência”, o leitor é brindado com o seguinte:

NÃO SE OPÕEM À IGREJA

Que piada! Esses homens que vivem esbravejando contra a igreja, criando divisões e desprezando a ordem e a autoridade, pensam que alguém vai acreditar neles quando dizem que são amigos dela e pretendem permanecer nela? Não há uma palavra de verdade nessa afirmação. Agora só permanecem na igreja para tirar um pouco mais de proveito, para usar não daqui a doze meses. Nenhum elemento tão repulsivo e desagregador pode ter permissão para existir por muito mais tempo numa igreja que busca a paz e a boa vontade entre os seus membros. É notável que a paciência não tenha se esgotado há muito tempo, e que esses inimigos da igreja e odiadores da sua ordem não tenham sido sumariamente despachados e postos à deriva.3

As colunas do Buffalo Advocate de 1855 a 1860 estão cheias de artigos do mesmo caráter daqueles de onde se tiraram esses trechos. Embora tivessem o propósito de prejudicar os chamados “nazaritas”, refletem sem querer o fato de que era a oposição ao seu zelo, à sua intensidade, à sua espiritualidade e à sua dedicação intransigente aos princípios do metodismo primitivo o que provocava a grosseria e a amargura que eles mostram claramente.

Mas qual era o verdadeiro caráter da religião denunciada com tal espírito e tal linguagem destemperados? Era, nas suas manifestações, daquele caráter irracional, inconveniente, fanático e perigoso que os seus adversários na Conferência de Genesee apresentavam? Era repulsiva aos homens instruídos em geral, e de um tipo que só atrairia os fracos de espírito, os sem instrução, os desequilibrados, os visionários e as classes excêntricas da comunidade? Felizmente, não dependemos apenas das descrições desse assunto que os homens da “Regência” da Conferência de Genesee deixaram registradas para nossa informação. Outros homens, ministros de outras Conferências da Igreja Metodista Episcopal, alguns deles de alta posição, que tiveram ocasião de ver e conhecer por si mesmos, também deixaram registrado o seu testemunho, e este a favor da religião proscrita e em apreço por ela, como simples metodismo à moda antiga. Daremos agora alguns desses testemunhos.

O primeiro é um relato do acampamento de Bergen, escrito pelo Rev. William Reddy, homem de Deus dedicado e por muitos anos presbítero presidente na Conferência de Oneida, e publicado no Northern Christian Advocate. Esse acampamento era considerado pela Regência uma das piores exibições da religião que ela denunciava com tanta veemência. Alguns entre eles declararam que era “um viveiro de fanatismo”. O acampamento aqui referido realizou-se na primavera ou no começo do verão de 1858, poucos meses antes da expulsão do Sr. Roberts.

O ACAMPAMENTO DE BERGEN

Havia cento e quatro tendas no terreno, num bosque encantador que pertence à Associação e que pode ser muito melhorado com pouco gasto. Deus estava lá. Eu cria, eu sentia que ele estava lá; e muitas eram as testemunhas vivas do seu poder para salvar, não só para perdoar, mas também para purificar de toda injustiça (1Jo 1.9). Ouvi velhos metodistas de Boston e de Connecticut dizerem, com os olhos em lágrimas e o coração aos saltos: “Isto é como era quarenta anos atrás.” Confesso que senti o meu coração fortemente unido a esses “concidadãos dos santos e membros da família de Deus” (Ef 2.19). A doutrina da santificação segundo o padrão de John Wesley, o modo definido de buscar a bênção, as confissões espontâneas de tê-la alcançado, da parte de pessoas inteligentes e maduras, o dever de mostrá-la na prática pela abnegação e pela obediência completa, a observância das regras da Disciplina, “não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência” (Rm 13.5), a paciência amorosa em suportar a oposição e a perseguição por amor de Cristo, se preciso fosse, tudo isso foi ensinado e aplicado com seriedade, e muitas foram as testemunhas. E alguns dos “sacerdotes [ministros] obedeciam à fé” (At 6.7), isto é, foram maravilhosamente abençoados e batizados.

Soube que um número bem grande se converteu. Deixei o irmão Ives pregando, e o irmão Gotham, da Conferência de Wyoming, devia exortar depois dele.

Auburn, 25 de junho de 1858.
Wm. Reddy.

O Rev. B. L. Ives, doutor em teologia, também relatou esse acampamento, e de modo muito mais extenso. Era um homem cuja posição elevada e incontestada no metodismo do estado de Nova York garantia a sua capacidade de saber e de julgar se as devoções religiosas desse acampamento eram os vapores sem sentido e os delírios insanos de homens e mulheres irresponsáveis, ou o culto simples, sério, fervoroso e inteligente de homens e mulheres que, como os metodistas de um tempo anterior, eram exemplos louváveis do “cristianismo levado a sério”. Por isso, apresentamos aqui o seu relato na íntegra:

ACAMPAMENTO DE BERGEN

O acampamento foi de longe o maior a que já assisti, e dizem que foi o maior e o melhor já realizado no oeste de Nova York. Havia cento e quatro tendas de pano, muitas delas muito grandes, e todas pareciam bem cheias. As congregações foram grandes e muito atentas durante todo o acampamento. No domingo devia haver pelo menos cinco mil pessoas presentes, e, no entanto, até onde pude ver ou saber, reinou a melhor ordem, e todos pareciam ansiosos por ouvir a “palavra desta salvação” (At 13.26).

Duas coisas ligadas a esse acampamento me impressionaram de modo especial. A primeira foi o número de homens de negócios inteligentes e influentes que estavam lá com as suas famílias, acampados no terreno, e que ficaram durante todo o acampamento, trabalhando para Deus e para a salvação das almas. É assim que deve ser.

A segunda coisa que notei de modo especial foi o espírito de oração e de trabalho pela conversão dos pecadores e pela santificação dos crentes, que se manifestou do começo ao fim do acampamento. Não vi nada parecido com simples visitas ou com o desperdício ocioso de um tempo precioso, que, lamento dizer, às vezes vemos nos acampamentos. Ali todos pareciam sentir que tinham vindo com um só objetivo: a glória de Deus e a salvação das almas. Isso era tão evidente que, quando chegavam estranhos ao terreno, eram levados a dizer, como vários irmãos do ministério e outros me disseram: “Deus está aqui. Há poder aqui; parece haver uma corrente de fogo santo e de poder envolvendo este acampamento.” E assim era. Parecia repousar sobre todos, quando entravam no círculo das tendas, a santa impressão de que Deus estava ali com poder tremendo, para despertar, converter, purificar e salvar almas. Isso se percebia e se sentia não só na congregação pública e durante a pregação da Palavra, mas também nas reuniões de classe e de oração realizadas nas diversas tendas. Tal era o poder da convicção que repousava sobre muitos dos não convertidos que, em vários casos, eles entravam sem convite nas reuniões de oração e, chorando, pediam ao povo de Deus que orasse por eles. E não posso deixar de crer que seria assim em toda a nossa terra, se a igreja de Deus fosse batizada com santidade e poder. Quem não sente vontade de cantar:

Original
Tradução
Oh, that it now from heaven might fall!
Ah, se ele agora do céu caísse!

Havia mais de trinta ministros diferentes presentes, sem falar do grande grupo de pregadores locais que estavam a postos, “cheios de fé e do Espírito Santo” (At 6.5), e que tinham “ânimo para trabalhar” (Ne 4.6). Havia no acampamento vários pregadores de outras Conferências, como os irmãos Parker, Gulick, Wood, Wheeler, Brown e Tinkham, de East Genesee, Wm. Reddy, de Oneida, e B. W. Gotham, de Wyoming.

O Rev. S. C. Church e Asa Abell (ambos ex-presbíteros presidentes, creio eu) dirigiam o acampamento, e ambos pareciam muito à vontade nesse tipo de trabalho. Todos os pregadores pareciam competir entre si para pregar Cristo ao povo da maneira mais eficaz, e naturalmente a bênção e o poder de Deus acompanharam os seus esforços. E nem uma única vez os pecadores foram convidados a vir ao altar e buscar o Senhor sem que viessem alguns, e em geral um grande número.

Saí do terreno na noite anterior ao encerramento, de modo que não sei o número provável dos que se converteram ou foram restaurados, mas deve ter sido um grande número; e sem dúvida centenas louvarão a Deus na eternidade por terem estado no acampamento de Bergen.

Não posso parar sem falar da festa de amor realizada às oito horas da manhã de quarta-feira, que foi de fato um “banquete de carnes suculentas” (Is 25.6) e um tempo de salvação, poder e glória. Interessou-me de modo especial ouvir alguns dos veteranos da cruz contarem a sua experiência, algumas das mais ricas que já ouvi, e ver o rosto deles radiante de alegria e iluminado de glória, enquanto diziam: “Isto me faz pensar na minha conversão. Isto me lembra os primeiros dias do metodismo neste país. Este é um acampamento como os que tínhamos trinta, quarenta ou cinquenta anos atrás.”

Não vi, em todo o acampamento, nada que parecesse “fogo-fátuo” ou simples “excitação animal”. O lema era: “Ordem e poder”. E todo o povo de Deus parecia batizado com o verdadeiro “fogo de Jerusalém” à moda antiga. E peço a Deus que tenhamos mais disso em todas as nossas igrejas. Louvado seja Deus pelos acampamentos, e todo o povo diga: Amém.

Auburn, 28 de junho de 1858.
B. L. Ives.

[N. do T.: o verso citado por Ives é de Charles Wesley, no hino “Contra a esperança, crendo na esperança” (Hymns and Sacred Poems, 1740), estrofe 8, onde “ele” é o fogo refinador do Espírito; a tradução segue a do corpus de hinos publicado no site. “Banquete de coisas gordurosas” é a expressão da versão inglesa de Is 25.6.]

No ano seguinte, poucos meses depois das primeiras expulsões, realizou-se outro acampamento no mesmo terreno. O relato desse acampamento também foi escrito e publicado por um ministro da Conferência de Oneida. Nós o reproduzimos em parte, para que, “pelo depoimento de duas ou três testemunhas” (Mt 18.16), fique estabelecida toda palavra a respeito dos acampamentos de Bergen, que tanto ofendiam o partido da Regência.

ACAMPAMENTO DE BERGEN

Chegamos ao terreno na sexta-feira de manhã (o segundo dia do acampamento), e parecia que o acampamento estava mais adiantado, em interesse e em poder, do que alguns acampamentos a que assistimos estavam nos seus últimos dias. É evidente que essas pessoas vivem mais perto de Deus em casa e trazem consigo o fogo verdadeiro. Sábado de manhã, 23 de junho: B. T. Roberts pregou às dez horas. O que houve de notável nesse sermão foi que o pregador nem sequer mencionou os seus problemas, mas o espírito mais doce e mais celestial pareceu reinar em todo o sermão. Se ele continuar a conservar o espírito que tem agora, todos os seus inimigos cairão impotentes aos seus pés. O Dr. Redfield pregou às duas da tarde, sobre Mt 5.16. Às quatro horas reuniu-se a Convenção dos Leigos.

Não vimos nada nos seus trabalhos que não pudéssemos endossar. Esses leigos são homens de inteligência, de poder e de prudência. Que Deus dê à igreja mais homens assim em toda esta terra. À noite, A. L. Backus pregou sobre Rm 5.1, com o tema “A justificação pela fé”. No domingo de manhã, quem escreve falou um pouco sobre Mt 21.22, com o tema “A oração vitoriosa”. O Senhor ajudou. Às dez horas, o Dr. Redfield pregou sobre Jr 9.3: “Não são valentes pela verdade”. Depois disso, formaram-se círculos de oração por todo o terreno, e o poder de Deus se manifestou grandemente entre o povo. Reinou ordem perfeita, embora houvesse provavelmente 12.000 pessoas no terreno. Evidentemente prevalecia a ordem de Deus.

Esse foi um dos acampamentos mais fortes a que já assistimos. Tínhamos ouvido falar tanto desse povo que, ao chegarmos ao terreno, ficamos por algum tempo no banco do “vinde e vede”; mas logo descobrimos que essas pessoas não tinham nada além do que alguns do nosso povo têm na Conferência de Oneida. São um povo cheio de fé e, quando oram, esperam resultados imediatos. São uma classe de pessoas tão inteligente quanto a que se encontra em qualquer congregação do estado de Nova York. Têm ideias claras sobre a santidade, segundo os nossos autores clássicos e segundo as Escrituras. Queremos estar identificados com os princípios e as doutrinas desse povo tão perseguido. Se houver alguma vergonha ligada a eles, enquanto permanecerem onde estão agora, queremos levar a nossa parte.

J. F. Crawford.
Marathon, 15 de julho.

[N. do T.: em Jr 9.3, a frase “they are not valiant for the truth” é da versão inglesa King James; a NAA traduz “fortalecem-se na terra, mas não para a verdade”. O “banco do vinde e vede” parece aludir a Jo 1.46 (“Venha ver!”): o escritor ficou primeiro como observador, à espera de ver por si mesmo.]

Notas do autor

  1. Benjamin Titus Roberts, A Biography, por seu filho, Benson Howard Roberts, pág. 125. ↩
  2. Editorial do Buffalo Advocate de 23 de junho de 1859. ↩
  3. Idem, 2 de junho de 1856. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.