História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXVII

O processo de esmagamento continua

Depois da segunda Convenção dos Leigos em Albion, a guerra contra o “nazaritismo” foi travada com mais fúria do que nunca. Poucas semanas depois do encerramento da convenção, circulava entre os pregadores da “Regência” uma carta que os encorajava fortemente na sua política. Embora não tivesse assinatura, entendia-se em geral que era obra de certo bispo. Ou era, ou não era de autoria episcopal. Se era, certamente fala mal do bispo. Se não era, era um reflexo ainda pior sobre os homens responsáveis pela sua circulação. Lê-se como obra de alguém que se considerava habilitado a falar com autoridade. Reproduzimo-la aqui, de Why Another Sect?:

3 de janeiro de 1860.

Prezado irmão:

Um feliz Ano-Novo para o senhor. * * O meu conselho decidido é que o senhor remova todo líder que tome parte na Convenção de Albion, ou em qualquer outra de caráter semelhante. Não se deixe deter por ameaças de dificuldades ou de saída da igreja. Melhor não ter membros do que tê-los desordeiros. O mundo é vasto. Os pecadores são numerosos. Iremos a eles com o evangelho, e Deus nos dará fruto. Repito, então: de todos os modos, mantenha-se firme ao lado da ação da igreja. Remova todo líder que se levante contra ela, não importa qual seja a sua influência, ou quão grande a sua utilidade, ou como isso afete a sua congregação, ou qual venha a ser o resultado final.

Quanto aos membros comuns, eu não faria nada enquanto não se envolvessem em reuniões de oposição. Mas, se organizarem e sustentarem reuniões para pregadores expulsos, ou resistirem à ação da igreja, eu os citaria a julgamento, depois da devida admoestação.

Asseguro-lhe de novo que a segurança da igreja está na ação firme e direta.

Sinceramente seu, ______.

Parecia agora muito que qualquer medida que prometesse esmagar o “nazaritismo” seria vista com bons olhos pelo partido dominante, e isso sem perguntar pelo seu caráter moral. Os “nazaritas” eram considerados foras da lei eclesiásticos, a serem evitados mais do que qualquer outra classe de pessoas. “Esses nazaritas”, exclamou o Rev. Thomas Carlton na Conferência de Brockport, “são como os cardos do Canadá: corta-se um, e brotam dez no lugar.” A observação nos lembra de modo impressionante como, no meio das perseguições dos primeiros cristãos, para cada um que era mandado ao martírio pareciam levantar-se dezenas no seu lugar, até dar origem ao ditado proverbial: “As cinzas dos mártires são a semente da igreja.”

A observação acima do Sr. Carlton, embora inspirada por um espírito de desprezo e de ódio, não era em si tão ofensiva. Outras observações do mesmo discurso, porém, revelaram uma malignidade arraigada, difícil de conciliar de algum modo com um espírito semelhante ao de Cristo. O Rev. C. D. Burlingham descreveu assim o seu discurso:

Um dos seus principais campeões, cuja eficiência em originar e perpetuar as dificuldades da Conferência é insuperável, e de cuja posição oficial se poderia esperar decência, se não dignidade, ao fazer um discurso, “no auge da sua argumentação”, exclamou com um verdadeiro berro que “preferia encontrar mil diabos a três nazaritas”; isto é, na estima desse ministro de Jesus e oficial da Conferência Geral, um nazarita é pior do que trezentos e trinta e três diabos e um terço! Mas isso foi dito em defesa da igreja! Não será tal zelo em favor dela devidamente apreciado, e não se conferirão por isso as honras cobiçadas? A minoria respondeu a toda essa eloquência, como devia, com desprezo silencioso.

A presidência muito raramente achou por bem repreender esse tipo de declamação.1

O efeito de tal arenga, naquele momento, foi altamente inflamatório sobre os pregadores da “Regência”. Isso, junto com o exemplo perseguidor da Conferência e a influência da carta oficial, mas sem assinatura, que foi citada, levou-os a ir para as suas nomeações plenamente decididos a livrar as sociedades metodistas de todos os que aderiam sem transigência às doutrinas e aos usos do metodismo original. Em outras palavras, saíram com “Morte ao nazaritismo” como lema para o ano. Daremos agora algumas amostras do seu modo de proceder, mas por elas só se pode transmitir uma ideia muito imperfeita do seu espírito e das suas maneiras.

Uma das primeiras ocorrências se deu no circuito de Kendall. Havia ali várias famílias metodistas de inteligência acima do comum, com ideias bem definidas e corretas sobre as doutrinas e os usos do metodismo. A doutrina da santidade, ou perfeição cristã, fora pregada e aplicada entre elas com clareza e fidelidade. Em consequência, muitos professavam ter entrado nessa experiência e honravam a sua profissão com uma vida constantemente coerente. A última Conferência, em Brockport, mandara um pregador de tendências opostas e hostis para submeter esse povo ao regime opressivo que ela inaugurara. Era tarefa mais difícil do que ele imaginara, mas persistiu, como leal filho da facção da “Regência”. A maioria dos oficiais e dos membros principais se opunha firmemente ao domínio da “Regência”, simpatizava claramente com os pregadores e leigos proscritos e estava disposta a dar à obra da santidade o seu endosso sem reservas. Como ele haveria de proceder? O trecho seguinte de Why Another Sect? o dirá:

O seu primeiro passo foi obter o controle da Conferência Trimestral. Isso se faz facilmente na Igreja Metodista Episcopal, em que a Conferência Trimestral é em substância criação do pregador, que nomeia todos os líderes, indica os ecônomos e dá licença aos exortadores, que são os que principalmente a compõem. Ele pôs novos líderes e, para ter mais líderes do que os outros membros da Conferência Trimestral, nomeou dois líderes para uma só classe. Quando a Conferência Trimestral se reuniu, propôs que a junta de ecônomos fosse declarada vaga. Com a ajuda dos seus líderes, aprovou isso facilmente. Pôs então os seus próprios seguidores como ecônomos.

Depois o pregador propôs que vários membros principais, conhecidos por se oporem à política de esmagamento da Conferência, fossem declarados retirados. Isso também foi aprovado. Em vão esses membros protestaram que não se retiravam nem tinham intenção de fazê-lo. O pregador leu os seus nomes como “retirados”. Dali em diante, foram-lhes negados os privilégios de membros da Igreja Metodista Episcopal! Isso era um aperfeiçoamento da farsa de passar pela forma de um julgamento. Que necessidade há de testemunhas quando o veredito é feito de antemão sem a menor consideração pelos depoimentos? Por que chamar um júri com o único fim de declarar culpado quem quer que o juiz acuse? Assim, dispensaram-se até as formas da justiça e, pelo despotismo mais descarado, muitos foram postos para fora de igrejas de que tinham sido os pioneiros e de casas de culto que o seu próprio dinheiro construíra.

O Rev. A. L. Chapin, pregador responsável pelo circuito de East Otto, foi um dos instrumentos mais amargos e violentos do “partido da Regência”. Procedeu com mão de ferro para livrar a igreja de East Otto dos “nazaritas” e dos que simpatizavam com o “nazaritismo”. A sua admissão na Conferência fora fortemente combatida pelos pregadores do partido da reforma, pela razão de que, embora fosse homem de boa capacidade, lhe faltava religião verdadeira. A vingança inflamou o seu zelo ao máximo. Adotando o novo método curto e fácil, expulsou da igreja Dewey Tefft, Niles Tefft, E. S. Woodruff e Otis O. Bacon. Procedeu da seguinte maneira.

Primeiro, reuniu os membros oficiais do circuito e, num discurso inflamado, informou-os de que a Disciplina metodista não reconhecia membros que não contribuíssem para o sustento do ministério. Depois, com a ajuda dos seus membros oficiais, fez um lançamento da quantia que cada membro devia pagar, com o entendimento de que deviam pagar ou ser excluídos da igreja. Queria que o que se fez nessa reunião fosse mantido em estrito segredo e declarou enfaticamente que, se alguém traísse o segredo, tal conduta seria considerada motivo justo para expulsão.

Em seguida, marcou uma ocasião em que pretendia encontrar-se com a classe do bairro dos Tefft, um ponto rural a duas ou três milhas da cidade. Reuniram-se na hora marcada e tiveram uma conversa franca sobre o sustento da igreja, em resultado da qual toda a classe informou claramente ao pastor que não contribuiria com nada para o seu sustento, a não ser mediante a sua “contrição, confissão e emenda devida”. Foi um ato ousado de todos eles. Os Tefft, porém, eram homens de posses, muito inteligentes e com toda a coragem das suas convicções. Tinham imigrado para aquela parte do oeste de Nova York quando era uma selva, “estavam familiarizados com feras e não se deixariam assustar pelos desvarios de um pregador a ponto de agir contra as suas convicções”. O seu heroísmo inspirou os outros a tomarem posição com igual coragem. Por isso a fúria do pregador foi inútil.

Como terceira medida, o Sr. Chapin convocou outra reunião oficial, na qual ficou mais violento do que na anterior. Primeiro, exigiu saber quem publicara o que se passara na reunião anterior. O Sr. Bacon respondeu, em substância, que não sabia quem publicara aquilo, mas que ele mesmo contara a um homem o que se fizera ali. O Sr. Chapin ficou furioso, sacudiu o punho diante do rosto do Sr. Bacon e disse com veemência, repetidas vezes: “Quem já ouviu uma coisa dessas?” O Sr. Bacon respondeu corajosamente: “Eu não sabia que uma reunião oficial era uma associação secreta; mas, se é, quanto mais cedo o senhor me tirar dela, melhor para o senhor.” Nessa reunião decidiu-se por fim que os membros rebeldes seriam levados a julgamento.

Logo se formularam e se apresentaram acusações contra eles. Foram acusados de “contumácia”, a acusação costumeira contra os chamados “nazaritas”, e, além disso, de “assinar e pôr em circulação o Northern Independent“. O Sr. Bacon foi também acusado, numa das especificações, de palavras censuráveis usadas no debate da reunião oficial e, em outra, de pregar num bairro afastado quando o seu pastor o proibira. Parece ter havido da parte do Sr. Chapin um esforço para privar o povo daquele bairro dos cultos de pregação, como castigo pela sua contumácia. Mas o Sr. Bacon recusou-se a fazer parte dessa obra de proscrição, para grande desgosto do seu pastor.

O seguinte episódio agitado, ligado a um dos julgamentos, é descrito assim:

Durante o julgamento de Dewey Tefft, o Sr. Chapin foi tão arrogante e prepotente que a hombridade de alguém que viera ao julgamento como um dos seus partidários se revoltou. Pondo-se de pé, muito agitado, o Sr. Scott perguntou em tom de trovão, dirigindo-se ao Sr. Chapin:

“Quem é o senhor?”

“O neto de Ethan Allen”, respondeu Chapin, pondo-se de pé.

“Como a raça degenerou poderosamente!”, replicou Scott. “O senhor pode ser um homem esperto, mas não é esperto o bastante para ser juiz, júri, acusador e tudo num só caso. Agora tome o seu devido lugar e fique nele. Quero ver jogo limpo.”

Por algum tempo reinou a mais desvairada agitação.

[N. do T.: Ethan Allen (1738-1789) foi herói da guerra de independência americana, chefe dos “Green Mountain Boys” de Vermont.]

Como todos os outros casos que consideramos, que estavam muito claramente decididos de antemão, esses julgamentos resultaram na expulsão de todos os acusados da igreja. Ao pronunciar a sentença, porém, o pregador responsável teve o cuidado especial de declarar que não eram expulsos por nenhuma violação das regras da moral e da religião, mas por “uma violação das nossas regras”.

A ação da Conferência de Brockport começava assim a dar fruto no extermínio dos chamados “nazaritas” e do “nazaritismo” da Igreja Metodista Episcopal no oeste de Nova York. Mas ainda não era o fim.

Uma obra semelhante de expulsão foi levada adiante com vigor na Igreja Asbury, perto de LeRoy, pelo Rev. S. M. Hopkins. Cyrus Sperry, Martin Seekins, Hiram Husted e Sylvester Near, todos leigos de confiança e nobres cristãos, foram expulsos em resultado dos julgamentos mais farsescos. O Sr. Sperry, firme, digno de confiança e de retidão inflexível, foi julgado com base num libelo de acusações que, segundo se diz, cobria duas folhas de papel almaço, fundado nos trabalhos da Convenção dos Leigos. Acusações semelhantes foram feitas contra os outros. “O Sr. Seekins estava trabalhando no seu campo, na colheita, quando foi citado perante o tribunal da igreja para responder a acusações que só então lhe foram apresentadas. Pediu um adiamento de uma hora. Foi-lhe negado.” Procedimentos tão sumários não se poderiam justificar, a não ser no caso dos crimes mais flagrantes.

Ao fim do ano da Conferência, o Sr. Hopkins foi mandado para outro lugar, e o Rev. J. B. Lankton assumiu essa obra e passou a terminar o que o seu antecessor começara com tanto vigor, isto é, o esmagamento do “nazaritismo” no circuito. Primeiro, citou a Sra. Olive Sperry para responder por “desprezo e desobediência à ordem e à Disciplina da Igreja Metodista Episcopal, por ter assistido a uma reunião sediciosa, e se interessado por ela, no dia 9 de agosto último, na casa de reuniões, e votado a favor de algumas ou de todas as resoluções ali aprovadas, que eram violentamente rebeldes contra a Disciplina e o governo da Igreja Metodista Episcopal”.

As “resoluções” referidas nessa acusação diziam que os que votavam por elas se manteriam firmes nos seus direitos de membros da Igreja Metodista Episcopal de reter o sustento dos pregadores que, a seu ver, se tinham mostrado indignos dele. Não conseguimos apurar nada, ligado às circunstâncias, mais “violentamente rebelde contra a Disciplina e o governo da Igreja Metodista Episcopal” do que votar por essas resoluções. No entanto, o Sr. Lankton expulsou catorze ou quinze membros com base em acusações semelhantes às feitas contra a Sra. Sperry.

Esse tipo de trabalho se espalhava agora como um contágio. O Rev. B. F. McNeal adotou a mesma política no circuito de Tonawanda e Ridgeville. John Corliss e Anthony Ames tinham sido líderes de classe eficientes durante anos, mas ele os tirou do cargo sem causa devida. Depois o presbítero presidente, o Rev. P. Woodworth, na Conferência Trimestral seguinte, decidiu que Tristram Corliss, superintendente da escola dominical em Pendleton, no circuito de Tonawanda e Ridgeville, não era membro da junta oficial, porque Tonawanda era a primeira sociedade nomeada do circuito. Criou-se então uma junta de ecônomos formada por membros do circuito que votariam conforme a vontade do pregador responsável. No domingo seguinte, o Rev. McNeal, sem o seu consentimento, e mesmo sem que soubessem o que ele ia fazer, “leu como retirados” da igreja Anthony Ames e John Corliss, líderes de classe; Tristram Corliss, superintendente da escola dominical; W. R. Wilcox, J. Hunt e Henry Kayner, ecônomos, e as suas esposas; M. Folger e esposa; e a Sra. Henry Pickard.

A fúria das expulsões chegou ao circuito de Belfast. O Rev. J. W. Reddy, um dos pregadores tornados estabelecidos pelas resoluções-teste na Conferência de Brockport, foi a primeira vítima. Apresentou-se contra ele uma acusação de “maledicência”, por afirmar que a Conferência de Genesee expulsara quatro dos seus membros mais santos por nada, e também uma acusação de “desobediência à ordem e à Disciplina da igreja”, por realizar reuniões religiosas separadas na hora dos cultos regulares da igreja. Quando o admoestaram por essas coisas, o Sr. Reddy explicou que, se dissera que aqueles ministros tinham sido expulsos por nada, não queria ser entendido em sentido literal; o que queria exprimir era que tinham sido expulsos por nenhum crime que merecesse tal ação, mas simplesmente por causa da posição intransigente que tomavam por um cristianismo sério.

Em 12 de março, as acusações, com as especificações, foram comunicadas verbalmente ao irmão Reddy; e ele foi citado a julgamento do mesmo modo, na Conferência Trimestral a realizar-se no sábado seguinte. Pediu então uma cópia escrita das acusações e especificações, para poder preparar a sua defesa. Isso lhe foi negado pelo pregador responsável, que disse que podia levá-lo e o levaria a julgamento sem acusações escritas. Depois dos cultos religiosos da reunião trimestral no sábado, entregou-se uma cópia das acusações ao irmão Reddy, e a Conferência se reuniu imediatamente (não na igreja, como de costume, mas na sala da casa pastoral, que mal bastava para os membros oficiais, com exclusão dos membros comuns, salvo uma exceção), e em meia hora passou ao julgamento. Antes disso, porém, para que os trabalhos fossem harmoniosos, removeram-se quatro líderes de classe e um ecônomo que se supunha terem alguma simpatia pelo acusado.

O irmão Reddy foi denunciado e, declarando-se inocente, pediu o adiamento do caso, para ter tempo de conseguir um defensor e preparar a sua defesa. O pedido foi recusado. Passou-se então pela forma de um julgamento, o acusado foi declarado culpado, condenado e expulso.

Nem todos os que se sabia serem contrários às resoluções-teste aprovadas na Conferência de Brockport tiveram o seu caráter posto sob acusação. Alguns foram deixados sem serem pressionados a uma decisão, supostamente na esperança de que, vendo a sorte dos outros, que resistiam de modo mais firme às medidas opressivas da Conferência, enfraquecessem e por fim se submetessem ao poder da “Regência”. Esse foi o efeito em alguns, mas não em todos. Depois que a Conferência Geral se recusou a examinar as apelações, fato que ainda será considerado, Asa Abell, C. D. Brooks e A. F. Curry retiraram-se da Conferência de Genesee e da Igreja Metodista Episcopal e logo se identificaram com a Igreja Metodista Livre, que fora fundada nesse meio-tempo.

O caso do Rev. Henry Hornsby também deve ser notado aqui. Era um inglês valente, muito lido, especialmente familiarizado com a história e as tradições do metodismo e com a jurisprudência eclesiástica. Era também pregador capaz, que aderia aos princípios do metodismo primitivo e estava em plena simpatia com a obra de avivamento que vinha acontecendo na Conferência havia alguns anos. Era um dos homens mais afáveis, mas odiava a hipocrisia e as farsas de todo tipo. Era também devoto e piedoso, um homem contra quem não se podia achar nada, a não ser a sua simpatia pelo “nazaritismo”.

A Conferência de Genesee de 1861 realizou-se em Albion. Nessa sessão, o caráter do Rev. Amos Hard foi posto sob acusação por ter se associado com os que tinham sido expulsos e com os que se tinham retirado. Estava com a saúde fraca e por isso não podia assumir as responsabilidades do trabalho num circuito, embora pudesse pregar uma vez por domingo. Amava a obra de Deus e tinha prazer em trabalhar, conforme a saúde permitia, pela salvação dos homens. A pregação do Sr. Hard, porém, era reta demais para ser popular na Conferência, e por isso só fora convidado a pregar três vezes durante o ano. Convidado a pregar a outros, seguiu a regra da Disciplina para os pregadores, “vá não só aos que querem você, mas aos que mais precisam de você”, e aceitou o convite.

Quando ele foi denunciado perante a Conferência, o Sr. Hornsby, como seu amigo pessoal, arriscou-se a falar brevemente em seu favor. O caso do Sr. Hard foi deixado com uma comissão, para ser investigado durante o ano; e a atenção se voltou então para o Sr. Hornsby, que fora tão imprudente (?) e “contumaz” (?) a ponto de intervir em sua defesa.

“O senhor está no mesmo barco que esse homem!”, exclamou o Rev. J. B. Wentworth, um dos perseguidores mais implacáveis dos chamados “nazaritas”, “e cuidaremos do senhor; e, embora o seu caráter tenha sido aprovado, será reconsiderado.”

Então, por proposta sua, nomeou-se uma comissão, formada por A. P. Ripley, J. B. Wentworth e A. L. Backus, para investigar o caso do Rev. H. Hornsby. Segue o desfecho do caso:

A comissão encarregada do seu caso relatou que, em diferentes ocasiões durante o ano, ele assistira a reuniões irregulares e oficiara com membros expulsos da Igreja Metodista Episcopal, e terminou com a seguinte resolução:

“Que ele faça confissão aberta e franca das suas faltas nos assuntos acima enumerados e que prometa conformar a sua conduta e a sua administração, no futuro, às resoluções adotadas na Conferência de Brockport.”

A Conferência aceitou o relatório e adotou a resolução. Esse relatório foi apresentado pela manhã, e ele foi chamado a responder às resoluções. Disse à Conferência que se opusera à aprovação das resoluções em Brockport e se recusara a submeter-se a elas naquela época, e que continuava com a mesma opinião. A Conferência suspendeu os trabalhos ao meio-dia, e na sessão da tarde o seu caso estava em pauta. C. D. Burlingham e S. C. Church tentaram que o assunto fosse arquivado, mas não! O Dr. Chamberlayne, T. Carlton e J. B. Wentworth disseram que não! Era submissão, submissão abjeta, como nenhum homem daria, muito menos um ministro cristão. Ele lhes disse desde o início que não prometeria governar-se pelas resoluções, pois não se dobraria. A. D. Wilbor veio a ele e disse: “Ora, irmão H., o senhor parece decidido a fazer a Conferência aceitar os seus termos; por que não diz sim, e tudo ficará bem?”

Passava das cinco da tarde quando o seu caso foi mandado à comissão para julgamento. Às sete da noite, T. Carlton foi nomeado acusador. O Sr. Hornsby pediu as acusações, se ia ser julgado. Thomas Carlton respondeu: “Serão fornecidas a tempo.” O Sr. Hornsby foi na hora marcada. Carlton chegou às 19h20 e lhe deu o libelo de acusações: “Contumácia. Por violar uma série de resoluções.” A quarta especificação era “recusar-se a confessar o seu pecado de desprezar o conselho da Conferência no seu caso”. Ele pediu para tornar-se pregador estabelecido. “Não”, diz K. D. Nettleton; “se o Sr. Hornsby se tornar estabelecido, ficará solto e nos dará mais trabalho do que já deu. Penso que é melhor prosseguir com o caso.” Ele pediu permissão para retirar-se. O pedido foi concedido. A Conferência não sabia quais eram as acusações pelas quais ele seria julgado. Podia inferir quais seriam, mas nunca foram lidas na Conferência. Nem ele teve tempo para preparar-se para o julgamento. A decência comum foi pisada. Alguns deles pareciam ter pressa de vê-lo fora. Alguns diziam: “Ele é nazarita dos pés à cabeça, e pode ir agora mesmo como em qualquer outra hora.”2

As coisas continuaram assim em toda a Conferência, em geral, até a Conferência Geral de maio de 1860, e mesmo por algum tempo depois dela. Nesse meio-tempo, realizou-se uma terceira Convenção dos Leigos em Olean, N. Y., em 1º e 2 de fevereiro de 1860.

Pouco antes da Convenção de Olean, o Sr. Roberts lançou uma revista mensal chamada The Earnest Christian (O Cristão Sério), de que era redator e proprietário. O primeiro número saiu em janeiro de 1860. O seu objetivo declarado era oferecer ao número crescente de pessoas sinceras e sérias de todo o país que perguntavam ansiosamente pelas “veredas antigas” (Jr 6.16), insatisfeitas com ser adoradores do pátio de fora, desejosas de “habitar no esconderijo do Altíssimo” (Sl 91.1) e “ansiosas por conhecer as condições pelas quais se pode alcançar a felicidade eterna”, uma publicação religiosa que atendesse às suas necessidades. O Sr. Roberts continuou a redigir e publicar o Earnest Christian até a sua morte, no começo de 1893.

Notas do autor

  1. Outline History, pág. 52. ↩
  2. Reproduzido em Why Another Sect? ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.