W. B. Pope · Compêndio de Teologia Cristã · volume II · O ministério mediador
Ofício real. A autoridade real de Cristo se funda na sua morte sacrificial: como a sua alta recompensa; como o meio de levar a efeito os fins dessa morte; e, no seu exercício mais elevado, como a concessão das bênçãos compradas pela sua expiação. Essa dignidade mediadora, ele a reivindicou para si na terra, por antecipação e em virtude da divindade da sua Pessoa. Depois da ressurreição, assumiu-a formalmente no Monte da Galileia; subiu então ao seu trono no céu para exercê-la; e de lá envia os seus apóstolos para declarar e fazer valer as suas prerrogativas reais. Nos escritos deles, o reino de Cristo é apresentado como o reino da graça: administrado no mundo pela sua providência, na Igreja e no coração dos crentes. Como tal, terminará com o juízo final; mas, como reino da glória, já iniciado e a ser consumado no grande dia, será eterno.
Predito. 1. Entendendo pelo título de Rei o governo mediador do Redentor em geral, podemos dizer que ele ocupa o lugar mais destacado na predição do Antigo Testamento e que, por isso, nosso Senhor o assumiu como seu desde o princípio. As Antigo Testamento. mais antigas e mais gloriosas profecias que de antemão falaram do Libertador proclamavam a sua autoridade suprema. Tais foram o Protoevangelho (Gn 3.15); a promessa a Abraão (Gn 22.17); a bênção de Jacó (Gn 49.10); e as predições feitas a Davi (2Sm 7.16). Os Salmos começam com a supremacia real do Cristo e fazem dela a sua nota fundamental, sempre recorrente (Sl 2; 45; 72; 110). Os Profetas partem desse tema: é ele que abre a profecia propriamente dita em Isaías e, como já se viu, percorre toda a série dos profetas messiânicos, que invariavelmente ligam o anúncio dos SOFRIMENTOS do Salvador às GLÓRIAS QUE VIRIAM DEPOIS (Lc 24.26; 1Pe 1.11). Os mestres do judaísmo, depois do Cativeiro, introduziram uma visão diferente. Aplicaram a si mesmos e à sua própria nação os sofrimentos do Servo de Jeová (Is 52; 53), e predominou entre eles uma visão carnal do reinado do seu Cristo: o nome preferido que lhe davam era REI MESSIAS. Os judeus do Egito diferiam dos da Palestina por não situarem em Jerusalém o cenário do governo do Messias e, de modo geral, por entenderem que o seu reino era moral e espiritual.
II, 250O próprio Senhor. II. Nosso Senhor abriu a sua missão proclamando, não o seu próprio reino, mas o reino dos céus e de Deus. Sobre a natureza desse governo espiritual discorreu longamente; mas só no fim do seu ministério se apresentou como o Soberano supremo nele. Até então, a sua autoridade foi apenas a do Mestre: exercida no Monte das Bem-aventuranças e confirmada a seu favor no Monte da Transfiguração. O seu reino mediador, como tal, devia fundar-se especialmente na sua morte expiatória como Representante divino-humano da humanidade. A relação entre o seu governo real e a sua humilhação expiatória foi declarada por ele mesmo na véspera da sua paixão, e os seus apóstolos se detêm muito nela. Ela nos é apresentada sob dois aspectos.
Fundamento do seu reino. 1. Ao sofrer uma morte substitutiva pela humanidade, o Redentor adquiriu sobre a raça humana um direito tanto judicial quanto moral. (1.) Ele a resgatou da escravidão do pecado e da sentença Direito judicial. de morte. Ora, na linguagem dele mesmo e na dos seus servos, Satanás representa essa escravidão na qualidade de deus deste mundo (2Co 4.4). Ao se aproximar da sua cruz, nosso Senhor disse: Chegou o momento de este mundo ser julgado, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim (Jo 12.31-32). O poder estrangeiro foi expulso no tribunal, e ficou decidido que o mundo pertencia àquele que morreu e tornou a viver: para ser Senhor tanto de mortos como de vivos (Rm 14.8-9). Mas isso foi apenas a confirmação de uma autoridade que, virtualmente, era sua desde o princípio, pois ele tinha sido o Rei não coroado, por ser o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8) [N. do T.: na NAA, “desde a fundação do mundo” se refere aos nomes não escritos no Livro da Vida]. (2.) O seu direito Direito moral. moral é aquele que o benefício infinito da sua paixão lhe confere; e é isso que atrai os homens aos seus pés. É o domínio gracioso e eficaz do sacrifício expiatório sobre todos os que aceitam a sua propiciação: vocês foram comprados por preço (1Co 6.20).
II, 251Recompensa. 2. A renúncia de Jesus a si mesmo recebe como recompensa o governo universal. Ele obteve como dom o domínio sobre a humanidade: Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti, assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste (Jo 17.1-2). Mas recebeu também o governo mediador do universo: Por isso também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome (Fp 2.9). Quer a virtude da sua paixão se tenha estendido a outros mundos, quer não, certamente a sua recompensa e a sua honra se estendem a eles.
Assunção. III. Depois da sua ressurreição, ele assumiu formalmente o seu domínio real.
O Monte. 1. Foi no Monte da Galileia, para onde convocou os seus apóstolos e discípulos e, virtualmente, toda a companhia dos crentes, que ele anunciou pela primeira vez a sua autoridade absoluta sobre os assuntos humanos. Antes, ele havia dito, com um sentido mais amplo e mais profundo: Todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas (Jo 17.10); mas agora declara: Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra (Mt 28.18). Toda a autoridade no céu E na terra; no céu, PARA a terra. Tendo já proclamado o seu domínio lá embaixo como Senhor de mortos (Rm 14.9), e tendo-o declarado no meio dos seus irmãos na terra, subiu então para exercê-lo para sempre.
Somente divino-humano. 2. Daí é evidente que o ofício real de Cristo não deve incluir o seu governo do universo como Filho eterno. Além disso, ficamos preparados para a doutrina de são Paulo de que a jurisdição obtida pelo Mediador, depois de cumpridos todos os seus desígnios na salvação dos santos e na sujeição dos seus inimigos, será entregue ao Pai, e a autoridade mediadora cessará. Ela começou depois da Cruz e, por isso, terminará quando o desígnio redentor estiver cumprido.
II, 252Função real. IV. A análise formal do ofício real do Redentor, apresentado em Atos como exercido na terra, no Apocalipse como exercido no céu e nas Epístolas descrito teologicamente, só pode ser resumida aqui. Quase todos os tópicos encontram o seu lugar mais apropriado adiante, na administração da redenção.
Na Igreja. 1. O reino de Cristo é a Igreja cristã, ou o reino da graça. Como tal, o seu tratamento deve ficar reservado para uma etapa posterior. Enquanto isso, alguns pontos importantes exigem breve menção. Espiritual. (1.) Este reino é, no seu sentido mais amplo, o restabelecimento da autoridade divina sobre o homem. É o Reino dos Céus (passim), porque o seu Soberano subiu ao céu e ali está assentado no trono da autoridade salvadora; porque o seu objetivo é restaurar na terra os princípios da obediência celestial, conforme a nossa primeira grande oração: venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu (Mt 6.10); e porque será consumado quando a terra se tornar céu, e o céu se tornar terra, para a humanidade. É o Reino de Deus (passim), porque o Soberano encarnado é ele mesmo divino; e assim se distingue também dos reinos deste mundo (Ap 11.15) [N. do T.: a NAA traz “o reino do mundo”], que foram ordenados por Deus para ser os tipos e os reflexos do seu governo supremo. Por isso a Igreja, como reino de Cristo, é essencialmente uma autoridade espiritual sobre súditos espirituais. Seja qual for a relação que mantenha com os governos passageiros do tempo, ela é inteiramente independente deles. E, seja qual for a exterioridade que assuma por algum tempo, o seu caráter profundo e permanente é a reconstrução interior e espiritual da TEOCRACIA, na qual Deus, agora o Deus-homem, reina sobre uma humanidade salva. (2.) Ela tem, de fato, uma organização exterior: leis e administração das leis, governantes e submissão aos governantes, condições de admissão e penas de excomunhão. Mas tudo isso se liga antes à Igreja visível, ou às igrejas visíveis, do que ao Reino de Cristo, que é a gloriosa restauração da autoridade divina sobre o homem: um só, espiritual, sempre em expansão e tendendo à sua consumação no céu. O REINO tem um sentido que a IGREJA não tem.
No coração. 2. Isso ficará ainda mais claro se considerarmos com que constância se declara que o reino de nosso Senhor se estabelece dentro do coração de cada um. Ele é a vida interior da religião e coincide com as bênçãos concedidas da salvação pessoal sob a nova aliança e com as relações éticas que delas resultam. Não há visão da religião pessoal mais abrangente do que aquela que a faz consistir no domínio absoluto de um só Soberano dentro do coração.
II, 253Providência. 3. É a jurisdição sobre o mundo por amor da Igreja cristã. O Novo Testamento é rico em testemunhos, que encontram a sua expressão mais alta nas palavras de são Paulo acerca do grande poder que sujeitou todas as coisas debaixo dos pés de Cristo e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas (Ef 1.22-23). O governo providencial dos assuntos humanos está nas mãos de Cristo por amor do Corpo de uma nova humanidade que ele está reunindo e santificando para si. (1.) Por isso o ofício real do SENHOR DE TODOS (At 10.36) se exerce na proteção do seu povo. Ele é o Capitão da salvação deles (Hb 2.10) [N. do T.: a NAA traz “Autor da salvação deles”; Pope segue a KJV, “Captain”]: no seu manto e na sua coxa está escrito um nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (Ap 19.16). (2.) É a chefia de um evangelho conquistador, que deve, em algum sentido, ganhar o mundo, subjugar e reprimir os poderes satânicos e resgatar a humanidade como tal. Quando nosso Senhor anunciou pela primeira vez a sua autoridade, acrescentou: Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos (Mt 28.19-20). Aquele cujo nome está ACIMA DE TODO NOME (Fp 2.9) presta aqui vassalagem à Santa Trindade, da qual é o Representante. Mas a realização final dos desígnios do céu está ligada à obediência a ele mesmo. É isso o que ele aguarda no seu trono. Com este EIS podemos relacionar outro, do Antigo Testamento: Eis aqui o meu servo, a quem sustenho! Não desanimará, nem será esmagado até que estabeleça na terra a justiça (Is 42.1, 4).
Juízo. 4. A última função do domínio mediador será o juízo final, quando o Sumo Sacerdote já não intercederá pelo mundo, nem o Profeta ensinará a humanidade, mas o Filho do Homem, que é também o Rei, se assentará no trono da sua glória, e todas as nações serão reunidas em sua presença (Mt 25.31-32): reunidas pela primeira e última vez, para que ele de novo os separe uns dos outros, para nunca mais se unirem.
Fim e não fim. 5. Embora o Rei mediador vá depor a sua autoridade, o mesmo Rei, como Cabeça da Igreja, reinará para sempre. E o seu reinado (como a inabitação da glória suprema da Divindade na humanidade) não terá fim (Lc 1.33). Mas esses são assuntos que pertencem à escatologia.
Nomes do Redentor. Quase todos os elementos da doutrina cristã podem ser relacionados com as denominações que a Escritura dá a nosso Senhor, complementadas, em alguns casos, pela nomenclatura teológica. O que os nomes de Deus são na teologia propriamente dita, os nomes de Cristo são na cristologia. Eles definem tudo o que sabemos do seu ser pré-temporal, das suas relações mediadoras gerais, seja como Cristo humilhado, seja como Cristo exaltado, dos seus ofícios messiânicos específicos e das suas relações com a Igreja na salvação administrada. Já foram passados em revista, mas podem, com considerável proveito, ser classificados.
Pré-temporais. I. Os nomes do Ser pré-temporal, supra-humano e supracriatural, que se fez homem, são de duas espécies: os que lhe pertencem em sentido absoluto, como divino, e os que lhe pertencem como a Segunda Pessoa da Divindade.
Deus. 1. Ele é DEUS em sentido absoluto, ou o GRANDE DEUS, DEUS BENDITO PARA SEMPRE (Rm 9.5). Ele é JEOVÁ ou SENHOR; o SENHOR DA GLÓRIA (1Co 2.8); o PRIMEIRO E O ÚLTIMO; o PRINCÍPIO E O FIM (Ap 1.8-11) [N. do T.: na NAA esses dois títulos não aparecem em Ap 1.8-11; estão juntos em Ap 22.13]: palavras que implicam tanto o Shaddai quanto o Adonai do Antigo Testamento, tanto a autossuficiência interior quanto a onipotência exterior do Ser divino.
A Segunda Pessoa. 2. Como Segunda Pessoa da Divindade, ele é o FILHO, o FILHO DE DEUS, o DEUS UNIGÊNITO (Jo 1.18), a SABEDORIA, o ANJO DE JEOVÁ, o VERBO DA VIDA, o VERBO DE DEUS, o VERBO, a IMAGEM DE DEUS, o RESPLENDOR DA GLÓRIA DE DEUS (Hb 1.2-3), o PRIMOGÊNITO antes de toda criatura (Cl 1.15); o PRINCÍPIO, ou Autor, DA CRIAÇÃO DE DEUS (Ap 3.14), da sua própria criação como Deus. A respeito da maioria desses nomes, pode-se dizer que, embora se baseiem na dignidade original do Filho, lhe são dados nas suas relações de encarnado; não há um só deles que não tenha alguma referência indireta ao estado divino-humano.
A Pessoa encarnada. II. Os nomes que formulam expressamente a união das duas naturezas na Pessoa única de Cristo são poucos nas Escrituras.
II, 255Emanuel. 1. Evidentemente, EMANUEL, Deus conosco (Is 7.14; Mt 1.23), vem em primeiro lugar: nome usado uma vez, simbólica e tipicamente, no Antigo Testamento; no Novo, aplicado de tal modo que se tornou pessoal; e, no entanto, nunca mais adotado depois da sua primeira proclamação. É o primeiro nos Evangelhos e será, na realidade, o último, sobrevivendo como expressão de uma verdade eterna quando a maioria dos outros já se tiver tornado histórica. Algumas descrições da única Pessoa encarnada que se encontram nos profetas não foram transmitidas ao Novo Testamento. Tal é o termo O RENOVO. Ele pertence à natureza humana de nosso Senhor: Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes brotará um renovo (Is 11.1); mas também à divina: Naquele dia, o Renovo do Senhor será de beleza e de glória; e o fruto da terra será o orgulho e a glória (Is 4.2), onde o humano é o fruto da terra, e o divino, o Renovo do Senhor. O FILHO é um daqueles nomes divinos da eterna Segunda Pessoa que a ligam à Manifestação temporal: assim na fórmula batismal (Mt 28.19), onde é difícil separar a palavra da sua ligação com o Encarnado. Com referência especial à sua Pessoa, enquanto inclui a humanidade, também se usa às vezes o nome FILHO DE DEUS (Jo 9.35) [N. do T.: neste versículo a NAA traz “Filho do Homem”].
O Filho do Homem. 2. Uma designação sobressai com destaque singular, derivada da relação do Redentor com a humanidade: O FILHO DO HOMEM (passim). Ocorrendo uma vez em Daniel, foi adotada habitualmente por nosso Senhor; em circunstâncias singulares, foi usada por santo Estêvão; e depois não se ouve mais. Ela lembra aquele caso do termo HOMEM em que ele é chamado MEDIADOR, o único exemplo que nos permite empregar a palavra para descrever a Pessoa de nosso Senhor: ἄνθρωπος Χριστὸς Ἰησοῦς (1Tm 2.5), Cristo Jesus, não um homem nem o homem, mas HOMEM.
Deus-homem. 3. Nenhuma das expressões usadas na Escritura foi conservada na linguagem da teologia para exprimir a união das duas naturezas na Pessoa de Cristo. A origem da palavra DEUS-HOMEM perde-se na obscuridade: a atribuição dela a Orígenes é duvidosa. Na linguagem teológica usam-se termos como O ENCARNADO, a PESSOA DIVINO-HUMANA, a PESSOA TEANTRÓPICA.
Nomes oficiais. III. As designações do Filho de Deus no seu aspecto oficial em relação ao universo e à humanidade são, naturalmente, as mais numerosas e as mais importantes. Baseiam-se em princípios variados e exigem ordenação.
II, 256Αρχηγός ou Príncipe. 1. Em primeiro lugar, devem distinguir-se aqueles nomes da natureza divina e eterna de nosso Senhor que o ligam à criação em geral, especialmente porque formam uma transição para as suas relações redentoras. Voltando aos títulos pré-temporais, vemos que o Verbo eterno é o PRÍNCIPE DA VIDA (At 3.15). Como Autor de toda a vida, ele é A VIDA em sentido absoluto. Daí ser ele a NOSSA VIDA; o PRÍNCIPE, ou Capitão, DA SALVAÇÃO (Hb 2.10); o PRÍNCIPE, ou Autor, DA FÉ (Hb 12.2). Nessas passagens, Ἀρχηγός significa nada menos que ele é a Fonte e o Princípio eterno daquela vida que para nós é salvação e se obtém pela fé: donde, combinando todos eles, ele é PRÍNCIPE E SALVADOR (At 5.31) [N. do T.: a NAA traduz o termo por “Autor” em At 3.15, Hb 2.10 e 12.2, e por “Príncipe” em At 5.31]. Embora esses títulos tragam o Senhor para dentro da economia redentora, têm o seu fundamento numa relação eterna do Filho na Trindade, como Originador de toda a existência criada.
Proféticos. 2. Há alguns que pertencem aos tempos da preparação profética e não continuam no Novo Testamento: tais são o ANJO DE JEOVÁ, o MENSAGEIRO da aliança (Ml 3.1) e o SERVO DO SENHOR (Is 42-43). Esses três devem ser observados na sua unidade e gradação: o último deles reaparece no Novo Testamento quando Cristo é chamado MINISTRO (Rm 15.8), e nas palavras de são Pedro, que fala de Deus ter suscitado na nossa natureza, para a sua obra messiânica, o seu FILHO Jesus (At 3.26) [N. do T.: a NAA traz “o seu Servo”], onde se usa παίς num sentido de certo modo intermediário entre filho e servo. Pode-se fazer referência aos nomes, ou ao conjunto de nomes, dados ao Redentor vindouro em Isaías: e o seu nome será: MARAVILHOSO CONSELHEIRO, DEUS FORTE, PAI DA ETERNIDADE, PRÍNCIPE DA PAZ (Is 9.6). Em tempos anteriores, ele foi anunciado de antemão como SILÓ, PAZ (Gn 49.10), o que sugere o PRÍNCIPE DA PAZ, e ele é a nossa PAZ (Ef 2.14): não há palavra ligada de modo mais íntimo e sagrado ao Senhor e à sua obra. E, mais cedo que todos esses, encontramo-lo designado como o DESCENDENTE: da Mulher (Gn 3.15), de Abraão e de Davi.
3. Os nomes que indicam a relação do Filho encarnado com a sua obra, considerada em geral, ocupam o lugar central nesta classificação.
Nomes oficiais. (1.) Alguns deles definem o seu ofício na sua extensão mais ampla e nos seus resultados universais. O mais amplo e abrangente de todos é JESUS, do hebraico Jehoshua ou Josué, Auxílio do Senhor, ou Senhor-Salvador: o NOME DE JESUS (Fp 2.10) tem um sentido supremo no Novo Testamento. Ele é o PRÍNCIPE DA SALVAÇÃO (Hb 2.10-13), O SALVADOR: salva todos os homens da pena do pecado original e salva os que creem de todo mal, tanto da sua culpa quanto da sua habitação em nós, isto é, do pecado e da pecaminosidade. Ele é a SALVAÇÃO do seu povo: Digam à filha de Sião: Eis que vem a sua Salvação; com ele vem a sua recompensa, e diante dele vem o seu galardão (Is 62.11) [N. do T.: a NAA traz “o seu Salvador”]. Ele é o MESSIAS hebraico e o CRISTO universal, como o Agente Ungido da vontade divina e a fonte da unção do seu povo pelo Espírito (1Jo 2.20). Em ambos os Testamentos, ele é o SANTO, como O UNGIDO DO SENHOR. No exercício de todos os seus ofícios em conjunto, ele é o nosso REDENTOR (Is 59.20): redime-nos da pena e do poder do pecado, de Satanás, que é o seu representante, e do mundo, que é a sua esfera; mas esse nome, embora seja constantemente aplicado à sua obra, em geral não lhe é dado na Escritura. Quando o nosso Senhor, ao se aproximar da sua paixão, disse: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mt 20.28), ele quase chamou a si mesmo O MINISTRO DA REDENÇÃO, que é a forma neotestamentária do SERVO de Deus do Antigo Testamento. Em toda a sua manifestação, ele é a LUZ para os gentios (Is 42.6), a GLÓRIA de Israel (Is 17.3), o DESEJADO das nações (Ag 2.7) [N. do T.: a NAA traz “as coisas preciosas de todas as nações”] e a SALVAÇÃO dos confins da terra (Sl 98.3).
II, 257(2.) Além desses apelativos, que se tornaram, por assim dizer, nomes próprios, vemos que quase todo aspecto do benefício da sua obra lhe fornece um título. Ele não é chamado de Justificador: é Deus quem os justifica (Rm 8.33); mas, como fundamento e ao mesmo tempo administrador dessa justificação, ele é O SENHOR, JUSTIÇA NOSSA (Jr 23.6), e é Jesus Cristo, O JUSTO (1Jo 2.1). No templo, onde reina a santidade, ele mesmo é, enfaticamente, O QUE SANTIFICA (Hb 2.11) e O SANTO (At 3.14), títulos que ele partilha com o Pai e o Espírito. Entre a nossa justificação no átrio e a nossa santificação no templo, vem a nossa nova vida na casa de Deus; e Cristo, como o Unigênito, é O PRÍNCIPE DA VIDA (At 3.15), daquela vida que brota da união com ele mesmo. Quanto à aliança ratificada no seu sangue, ele é O MEDIADOR (Hb 9.13-15), como o seu fundamento, na sua Pessoa e na sua obra; o FIADOR (Hb 7.22), como o Penhor vivo no céu, tanto para Deus como para o homem, da observância das suas condições e da concessão das suas bênçãos; o TESTADOR (Hb 9.16), porque destina essas bênçãos à sua casa pelo seu testamento, ao morrer. Olhando para a realização final de todos os desígnios da aliança, ele é O CONSUMADOR da Fé (Hb 12.2) e A VIDA dos crentes (Jo 14.6). A vida, sob os seus dois aspectos, lhe dá dois nomes: ele é A RESSURREIÇÃO (Jo 11.25), que levanta da morte universal, e é A VIDA ETERNA (1Jo 1.2), nos seus desdobramentos eternos.
II, 258Os seus ofícios específicos. IV. Os ofícios específicos do Redentor lhe dão uma variedade de títulos, cada um dos quais descreve um aspecto da sua obra e é impróprio quando aplicado à Pessoa de Cristo em geral. Naturalmente, só se mencionam aqui os que se limitam a cada ofício e, na maior parte, os que se encontram na Escritura ou em reproduções exatas da linguagem bíblica. Alguns deles são restritos demais para o uso comum.
Profeta. 1. O Senhor, como Revelador da vontade divina, é por excelência o PROFETA. Essa foi uma das mais antigas designações proféticas; mas, uma vez mostrado que nele o cumprimento havia chegado, o termo deixa de lhe ser aplicado: fica para os seus servos, os profetas, seja do Antigo, seja do Novo Testamento. Pela mesma razão, caíram em desuso os títulos que foram dados ao nosso Senhor com referência especial à sua missão israelita, como RABI, MESTRE, INSTRUTOR, MINISTRO DA CIRCUNCISÃO. Uma vez, e uma só vez, ele é o APÓSTOLO, isto é, o antítipo de Moisés, assim como é o SUMO SACERDOTE e antítipo de Arão (Hb 3.1): é o único lugar em que o nosso Senhor é ligado diretamente a essas duas pessoas reunidas. Seria de esperar que aqui ele fosse chamado de Profeta; mas a missão de Moisés é apresentada como tipo daquele que é mais do que profeta e que disse: Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês (Jo 20.21). É com referência ao seu ofício profético que ele é A SABEDORIA DE DEUS, A LUZ DO MUNDO, A VERDADE: da parte de Deus, para iluminar os homens e aperfeiçoar o conhecimento humano. Há ênfase em ele ser a VERDADEIRA LUZ, que ilumina toda a humanidade, como também em ele ser a Verdade, tanto como a sua substância quanto como o seu Mestre.
Sacerdote. 2. Como Representante expiador da humanidade, isto é, no seu ofício sacerdotal, Jesus tem muitos títulos, tanto descritivos quanto pessoais. Ele é o SUMO SACERDOTE: primeiro, como o Antítipo de Arão; e, segundo, como o Cabeça de uma comunhão de sacerdotes, o Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb 3.1). Mas, como agora ele é o único que oferece sacrifício, sendo as ofertas do seu povo apresentadas por ele, ele é o SACERDOTE de modo absoluto: o grande Sacrificador e Intercessor pelo homem. Assim, o primeiro título sanciona o sacerdócio universal dos cristãos, ao passo que o segundo revoga todo sacerdócio ministerial especial. Da sua obra sacrificial (Ef 5.2) ele recebe muitos apelativos que se tornaram quase nomes pessoais. Ele é o PROPICIATÓRIO vivo, ou assento da misericórdia, ou Sacrifício expiatório (Rm 3.25). Ele é a Vítima da sua própria oblação, a unidade de todas as vítimas, embora só uma delas lhe dê uma designação: O CORDEIRO (passim). A preeminência desse nome está em que ele continua sendo o nome de Jesus em todos os seus ofícios no céu: descreve o Encarnado na glória triúna recebendo a homenagem do universo no meio do trono, como o Rei; tomando o Livro, como o Profeta; e ainda como o Cordeiro que parecia que tinha sido morto (Ap 5.6). Assim, o CORDEIRO DE DEUS do Batista (Jo 1.29), que não reaparece diretamente na fraseologia do Novo Testamento, é devolvido do céu à terra e nunca deixou de ser familiar na devoção cristã. Quando o Profeta cristão escreve como Apóstolo, ele chama o Intercessor no céu de ADVOGADO, ou PARÁCLITO, do seu povo (1Jo 2.1-2), sendo essa palavra tanto um apelativo de Jesus Cristo quanto do Espírito Santo, o Consolador. São João vai além de todo precedente anterior ao chamar esse DEFENSOR no céu de PROPICIAÇÃO viva.
II, 259Rei. 3. No seu ofício real, o nosso Salvador é SENHOR de todos, o seu nome mais alto; REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (1Tm 6.15): todo poder vem de Deus; todas as dignidades inferiores são dadas à Autoridade suprema, e daí os seus muitos diademas (Ap 19.12). REI, de modo absoluto, Jesus não é chamado, a não ser indiretamente numa das suas próprias parábolas; mas ele é o FILHO DO REI. PRÍNCIPE ele é, da paz e da vida; mas o termo PRÍNCIPE DA VIDA não se refere tanto à autoridade quanto à prioridade e à origem: ele é o Ἀρχηγὸς τῆς ζωῆς. São Pedro o chama de PRÍNCIPE e Salvador (At 5.31). E ele é o CAPITÃO da salvação. Como Senhor, ele é também o JUIZ; mas, assim como ele mesmo disse: eu não vim para julgar o mundo, e sim para salvá-lo (Jo 12.47), assim também não assume esse título. Embora o Pai tenha confiado todo julgamento ao Filho (Jo 5.22), esse Filho quase não leva o nome: Deus é o Juiz de todos (Hb 12.23).
Combinações. V. É proveitoso observar também as permutações e combinações dos títulos que são dados ao Redentor, ou pelos quais ele é invocado. A mais evidente é JESUS CRISTO (passim): isso não significa apenas, como às vezes se diz, o nome pessoal e o nome oficial; os dois são nomes oficiais. A variação na ordem é arbitrária. Tanto Jesus quanto Cristo aparecem como nomes próprios, e sem o artigo. Mas, quando o termo Senhor se liga a eles, geralmente há alguma razão no contexto. Isso acontece especialmente quando se lhe dá o conjunto completo dos seus augustos títulos: observe-se o predomínio de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO nas primeiras Epístolas, que se referem à sua vinda, nas quais ele também é chamado O SENHOR, de modo absoluto (1Ts 2.19; 5.27-28). Uma vez lemos sobre a comunhão de seu FILHO JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR (1Co 1.9). DEUS, NOSSO SALVADOR, e NOSSO GRANDE DEUS E SALVADOR JESUS CRISTO só ocorrem na Epístola Pastoral a Tito (Tt 2.10, 13). São Judas o chama O ÚNICO DEUS SÁBIO, NOSSO SALVADOR (Jd 25) [N. do T.: a NAA traz “o único Deus, nosso Salvador, mediante Jesus Cristo, Senhor nosso”]. São Pedro, O PASTOR E BISPO da nossa alma (1Pe 2.25); e ele dá a fórmula mais ampla: NOSSO SENHOR E SALVADOR JESUS CRISTO (2Pe 1.11). Mas talvez seja o próprio Senhor quem mais engrandece o seu nome: Eu sou o ALFA E O ÔMEGA, O PRIMEIRO E O ÚLTIMO, O PRINCÍPIO E O FIM (Ap 22.13), o mesmo nome divino do capítulo 1 (Ap 1.8). E ainda: Estas coisas diz O SANTO, O VERDADEIRO, AQUELE QUE TEM A CHAVE DE DAVI (Ap 3.7). E também: Estas coisas diz O AMÉM, A TESTEMUNHA FIEL e VERDADEIRA, o PRINCÍPIO DA CRIAÇÃO DE DEUS (Ap 3.14). Um dos anciãos o chamou O LEÃO DA TRIBO DE JUDÁ, A RAIZ DE DAVI (Ap 5.5). Mais uma vez, diz-se dele que no seu manto e na sua coxa está escrito um nome: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES (Ap 19.16). O seu último testemunho sobre si mesmo é: Eu sou a RAIZ E A GERAÇÃO DE DAVI, a BRILHANTE ESTRELA DA MANHÃ (Ap 22.16). As palavras finais da Bíblia invocam a graça de NOSSO SENHOR JESUS CRISTO (Ap 22.21) [N. do T.: a NAA traz “A graça do Senhor Jesus”]. Mas um NOVO NOME ainda há de ser revelado (Ap 2.17).
II, 260Nomes figurados. VI. Há outra classe de apelativos, que se referem às relações do nosso Senhor com o seu povo. São metáforas, ou símbolos, ou termos abstratos que exprimem qualidades personificadas nele: não são propriamente nomes, mas são mais do que meras descrições adjetivas, e são usados na Igreja cristã com muito proveito para a sua literatura prática e devocional. Abrangem também figuras tiradas de quase todas as regiões dos mundos mental, moral e físico. Assim como o nosso Senhor tem muitos diademas, também tem muitos nomes: está revestido de mais títulos e epítetos, atributos e propriedades, do que qualquer outro objeto do universo. Omitindo todos os que lhe pertencem porque pertencem a Deus, encontramos na Escritura uma abundância sem fim de nomes aplicados distintamente ao Redentor. O maior número deles indica as suas relações com a sua Igreja, embora antes definam essa relação do que lhe deem apelativos. Ele é a ROCHA ou o FUNDAMENTO sobre o qual a Igreja é edificada: isto é, o fundamento primitivo que está por baixo, sobre o qual repousa o fundamento dos apóstolos e profetas; aquilo que a devoção chamou de A ROCHA ETERNA. Daí ele ser a PEDRA ANGULAR (1Pe 2.6). Deixando essa metáfora, ele é para a sua Igreja o BOM PASTOR, a Videira, o seu CABEÇA, enquanto ela é um corpo coletivo, e, por causa dela, também o Cabeça do universo (Ef 1.22; Cl 2.19). Também é O CAMINHO, o único pelo qual todos os homens têm acesso a Deus, à vida e ao céu. Ele é o AMIGO DE PECADORES (Lc 7.34), o NOIVO da sua Igreja (Mt 25.6) e, por implicação, o IRMÃO dos seus discípulos (Jo 20.17). De modo geral, pode-se dizer que toda bênção da qual ele é a fonte ou o meio lhe dá um nome. Ele é a FONTE aberta (Zc 13.1), a ÁGUA e o PÃO da vida e o MÉDICO das almas. Ele é a PORTA (Jo 10.7) de acesso a Deus, à vida e ao céu. Ele é para o seu povo TUDO E EM TODOS: Πάντα καὶ ἐν πᾶσιν Χριστός (Cl 3.11). É profundamente interessante observar de quantas maneiras essas figuras bíblicas foram consagradas nas ideias devocionais da antiguidade Arte cristã. e santificadas pela arte em memória do nosso Senhor. Por exemplo, a Igreja antiga transmitiu o nome sagrado sob as letras IHS, Jesus Hominum Salvator, Jesus, o Salvador dos homens. A palavra ἰχθύς, peixe, também era de uso familiar, por ser formada pelas iniciais de Ἰησοῦς Χριστός, θεοῦ υἱος, σωτήρ [Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador]. Às vezes, as letras INRI representavam Jesus Nazarenus, Rex Judæorum [Jesus Nazareno, Rei dos Judeus]. Mas tudo isso nos leva além, ou abaixo, da nossa teologia bíblica.
II, 261Uso prático. VII. O uso prático do estudo desses nomes é evidente.
Uso teológico. 1. É o método divino de nos ensinar as doutrinas da economia da redenção; quem entende a derivação, os usos e o alcance do rico conjunto de termos dispostos neste esboço, especialmente nos seus símbolos hebraicos e gregos, terá um conhecimento nada desprezível deste ramo da teologia e da teologia em geral. Pois este estudo tende também a dar precisão à linguagem do teólogo, especialmente do pregador, que observará com que primorosa propriedade cada epíteto é usado pelos evangelistas e apóstolos em relação à Pessoa, à obra e às relações do Redentor. Não pode haver melhor exercício teológico do que o estudo da doutrina evangélica fundamentada nos títulos de Jesus.
II, 262A dignidade do nosso Senhor. 2. Nenhum estudo tende com mais segurança a exaltar o nosso Senhor. Não podemos percorrer em pensamento os nomes sem limite que a inspiração deu ao nosso adorável Mestre sem sentir que não há lugar digno dele abaixo do mais alto, que ele não pode ser menos que Deus para a nossa fé e reverência, para a nossa devoção e amor. Ele é precioso (1Pe 2.7) além de toda estimativa humana: ἡ τιμή, ele é tudo o que a preciosidade significa para os que creem; nenhuma palavra pode descrever a grandeza da sua Pessoa e a dignidade que ela confere a tudo o que é seu. Tudo o que nele toca é santo.
Cautela. 3. O assunto sugere também a importância de grande cautela no uso dos termos que a teologia não inspirada adotou para suplementar a Escritura. A maioria deles foi mencionada acima. Observe-se que, embora alguns deles sejam muito valiosos, e até indispensáveis, na teologia dogmática, nenhum se alojou na linguagem comum da cristandade, exceto os que o Novo Testamento fornece.
Reverência. 4. Por fim, o espírito de reverência deve levar-nos a conformar ao exemplo das Escrituras os nossos pensamentos e as nossas palavras a respeito dele, seja na devoção, seja na pregação ou na meditação. Aqueles a quem ele chamou de seus amigos, e não quis chamar de servos (Jo 15.15), aqueles a quem ele, depois da ressurreição, chamou de meus irmãos (Jo 20.17), tinham por prática abster-se de lhe retribuir esses nomes: Jesus nunca é o Amigo nem o Irmão deles; e não há um só epíteto de carinho aplicado a ele em todos os seus escritos. Só o Pai o chama de Amado: Eis aqui o meu escolhido, em quem a minha alma se agrada! (Is 42.1), na profecia do Antigo Testamento, palavras devolvidas repetidas vezes, com acréscimo, no cumprimento do Novo Testamento: Este é o meu Filho amado (Mt 17.5). Só em relação ao Pai se diz que Cristo é querido: seu Filho amado, embora mesmo aí seja apenas o Filho do seu amor (Cl 1.13). Quanto aos apóstolos e a todos os seus seguidores, eles são os seus servos, ou δουλοί; ele é o SENHOR JESUS CRISTO deles (passim). Devemos guiar-nos pelo exemplo deles. É a nossa mais bendita abnegação reprimir os transbordamentos do afeto humano para com aquele em quem exultamos com uma alegria indescritível e cheia de glória (1Pe 1.8). Em todo pensamento sobre ele, e em toda palavra a seu respeito, a divindade na Pessoa encarnada deve sempre ser preeminente e governar tudo.
Tradução para o português a partir de William Burt Pope, A Compendium of Christian Theology, 2ª edição revista e ampliada, Londres, Wesleyan Conference Office, 1877-1879, na forma revista da tiragem de Nova York (Phillips & Hunt, 1881), vol. II, pp. 249-262, domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Os números em cinza no canto dos parágrafos indicam a página da edição inglesa. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.