Aula 7 de 11A Escatologia de John Wesley

O grande julgamento: um só tribunal para toda a humanidade

“Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.”Romanos 14.10 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Rm 14.10-12; 2Co 5.6-10; Mt 25.31-46; Ap 20.11-15; Rm 2.1-16; Hb 9.27-28

Como ler esta aula. As palavras de Wesley aparecem como links sublinhados em laranja, seguidos da referência convencional entre parênteses (sermão e parágrafo, ou livro e versículo das Notas); o link abre a obra neste site no trecho exato. Os blocos marcados Síntese do curso trazem a leitura e a avaliação do curso; os marcados Nota do editor, esclarecimentos e fontes.

Para começar

Um julgamento ou vários?

Quem será julgado? Com base em quê? Os pecados perdoados dos crentes virão à luz? O tribunal de Cristo, o juízo das nações e o grande trono branco são três julgamentos ou um só? O Sermão 15 responde, e as Notas confirmam.

Em 10 de março de 1758, Wesley pregou na igreja de St. Paul, em Bedford, diante do juiz Sir Edward Clive e de todos os que participavam das sessões judiciais do condado: réus, testemunhas, oficiais, curiosos. Escolheu Romanos 14.10 e usou o tribunal humano, que estava diante dos olhos de todos, como imagem do tribunal de Cristo. O resultado é o Sermão 15, O grande julgamento, o texto mais completo de Wesley sobre o juízo final.

O sermão tem quatro partes: o que precede o julgamento, o julgamento em si, o que vem depois e as aplicações. Nesta aula vamos seguir essa ordem e cruzá-la com as Notas sobre Mateus 25, Romanos 2 e 14, 2Coríntios 5, 1Coríntios 3 e Apocalipse 20. E vamos prestar atenção a uma coisa que o próprio texto faz sem alarde: Wesley reúne, numa única cena, as passagens que os esquemas modernos separam em vários julgamentos.

Tribunal de Cristo ou tribunal de Deus? A Bíblia de Wesley, a versão King James, lia em Romanos 14.10 tribunal de Cristo, e o sermão cita o versículo assim; os manuscritos mais antigos e a NAA leem tribunal de Deus, e os editores modernos do sermão registram a variante. Para Wesley a diferença não altera nada: sobre o versículo seguinte ele observa que é Cristo que é aqui chamado tanto Senhor quanto DeusNotas, Rm 14.11.

Romanos 14.10-11; Sermão 15, introdução

Parte I do sermão

O que precede o tribunal

Wesley junta os textos como peças de uma só cena: sinais, trombeta, ressurreição, reunião de todos, Cristo no trono.

Primeiro, os sinais: as Escrituras descrevem terremotos, o rugido do mar e das ondas e grandes sinais no céuSermão 15, I.1. Depois, a voz do arcanjo e a trombeta de Deus; os túmulos se abrem, o mar entrega os seus mortos, e todos os que viveram e morreram ressuscitam incorruptíveis. Ao mesmo tempo, o Filho do Homem envia os anjos para reunir os escolhidos; o próprio Senhor vem nas nuvens e se assenta no trono da sua glória. Todas as nações serão reunidas diante dele.Sermão 15, I.2 Ele separa umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E então, sem mudar de assunto, Wesley acrescenta: João descreve essa assembleia universalSermão 15, I.2. Vi os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono; abriram-se livros; os mortos serão julgados segundo suas obras.Sermão 15, I.2

Repare no que aconteceu. As ovelhas e os cabritos de Mateus 25 e o grande trono branco de Apocalipse 20 são, para Wesley, a mesma assembleia. A trombeta de 1Tessalonicenses 4, a reunião dos escolhidos de Mateus 24 e a entrega dos mortos de Apocalipse 20 pertencem ao mesmo dia. Não há um juízo das nações antes de um milênio e outro juízo depois. Há o dia do Senhor.

Wesley também deixa claro o que é conjectura. Sobre a duração daquele dia: alguns cristãos antigos imaginaram que o chamado Dia do Juízo duraria mil anosSermão 15, II.2, e ele mesmo supõe que pode ser ainda mais longo, mas conclui que Deus revelará isso no tempo determinado. Sobre o lugar: não há declaração explícita, e ele acha provável que o trono se levante acima da terra. São suposições apresentadas como suposições.

Sermão 15, parte II, parágrafos 2 e 3

Quem será julgado

Todos, sem exceção, diante de um só Juiz

A universalidade do juízo é a marca do sermão. Ninguém é dispensado: nem os crentes, nem os que estiverem vivos na vinda de Cristo.

O Juiz é o Filho: o Pai confiou todo o julgamento ao FilhoSermão 15, II.1, e Deus o exaltou e o determinou como Juiz de vivos e mortosSermão 15, II.1. Sobre Atos 17.31, Deus, ao ressuscitar Jesus, demonstrou com isso que ele seria o glorioso Juiz de todosNotas, At 17.31. Sobre Romanos 14.11, é Cristo que é aqui chamado tanto Senhor quanto DeusNotas, Rm 14.11, e Wesley termina a nota com uma oração que vale para toda discussão escatológica: conceda o Senhor que achemos misericórdia naquele dia; e que ela seja também concedida aos que divergiram de nósNotas, Rm 14.11.

Quem comparece? Todo homem, toda mulher e toda criança que alguma vez respirou ouvirá a voz do Filho de DeusSermão 15, II.4, e comparecerá diante dele. A expressão de Apocalipse 20.12, os mortos, grandes e pequenos, significa todos, sem exceção; pessoas de todas as idades, condições e posições sociaisSermão 15, II.4. Na nota sobre esse versículo Wesley acrescenta um detalhe que fecha qualquer porta de exceção: isto inclui também os que passam por uma mudança equivalente à morteNotas, Ap 20.12, isto é, os que estiverem vivos na vinda e forem transformados (1Co 15.51). Sobre Apocalipse 11.18, o tempo de julgar os mortos abrange tanto os vivos quanto os mortos, dos quais os já mortos são de longe a parte mais numerosaNotas, Ap 11.18.

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Uma só vez

Sobre Hebreus 9.27, Wesley nega qualquer juízo particular logo após a morte. O Sermão 51 tira a conclusão: seremos julgados, assim como morremos, uma só vez, quando o Filho do Homem vier na sua glóriaSermão 51, III.1.

O critério

Julgados segundo as obras, salvos pela graça

O sermão é implacável quanto ao que será revelado: ações, palavras, pensamentos, intenções. E é ao mesmo tempo o texto mais consolador de Wesley para quem está em Cristo.

Cada pessoa prestará contas das suas obras. Não apenas as ações serão manifestadas, mas também as palavrasSermão 15, II.5: de toda palavra inútil daremos conta. Deus trará à luz não apenas as obras escondidas nas trevas, mas também os pensamentos e as intenções do coraçãoSermão 15, II.5. Naquele dia, será revelado cada movimento interior de cada almaSermão 15, II.6: cada apetite, paixão e disposição que formou o caráter. Sobre Romanos 2.16, tudo então se mostrará como realmente éNotas, Rm 2.16; sobre Romanos 2.5, quando Deus for revelado, então serão também revelados os segredos dos corações dos homensNotas, Rm 2.5. E sobre Apocalipse 20.12, os livros abertos são o da onisciência de Deus e o da consciência, que então concordarão exatamente: esta será a primeira história verdadeira, completa, imparcial e universalNotas, Ap 20.12.

Isso vale para os justos também. Wesley enfrenta a objeção: se Deus prometeu não se lembrar dos pecados perdoados (Jr 31.34), as más ações dos justos também serão lembradas naquele diaSermão 15, II.9? Ele responde que sim, para a plena revelação da glória de Deus, pois de outro modo não se veria a profundidade de onde a graça os tirou. Mas acrescenta o que muda tudo: seus pecados e suas iniquidades não serão lembrados para condenaçãoSermão 15, II.12. Sobre 2Coríntios 5.10 ele diz o mesmo: serão revelados provavelmente até os pecados dos fiéis, perdoados muito antes, mas isso se fará por desejo deles mesmos, sem tristeza e sem vergonhaNotas, 2Co 5.10.

Segundo as obras

Wesley insiste no juízo segundo as obras, e o Juiz as considera. Elas não compram nem merecem a salvação: são o critério público do julgamento e o fruto da fé que atua pelo amor. Sobre Mateus 25.34, o reino foi comprado pelo meu sangue para todos os que creram em mim com a fé que atua pelo amorNotas, Mt 25.34. A nota sobre 1Coríntios 3.14 fala de um grau peculiar de glóriaNotas, 1Co 3.14, e a sobre 3.15, da perda desse grau. Há diferença de recompensa, não de fundamento.

O bem lembrado

Sobre os justos, o Sermão 15 diz que todo o bem feito em nome de Jesus será apresentado diante de homens e anjos, e mais: seus bons desejos, suas intenções, seus pensamentos e suas disposições santas também serão lembrados.Sermão 15, II.8 Nada feito por amor se perde.

O Sermão 51 transforma essa doutrina num exame de consciência. Diante do grande trono branco, o Senhor pergunta: Como você empregou a sua alma?Sermão 51, III.3 E a resposta final é uma só: resta apenas que seja recompensado, por toda a eternidade, segundo as suas obrasSermão 51, III.7.

Parte III

Duas sentenças, um só julgamento

Destinos diferentes não exigem julgamentos diferentes. É aqui que o sermão se afasta, sem polêmica, do esquema que multiplica tribunais.

Depois de julgar os justos, o Rei se voltará para os que estiverem à esquerdaSermão 15, II.12, que também serão julgados segundo as suas obras. Então vem a dupla sentença: a alegre absolvição à direita e a terrível condenação à esquerda, e ambas permanecerão firmes como o trono de DeusSermão 15, II.12. A primeira coisa depois do julgamento é a execução: os ímpios vão para o castigo eterno e os justos para a vida eterna, e Wesley observa que a mesma palavra é empregada para o castigo e para a vida; a sentença é definitivaSermão 15, III.1. Sobre Mateus 25.46 a nota é idêntica: o Juiz falará primeiro aos justos, na presença dos ímpiosNotas, Mt 25.46, e a segunda observação é que esse castigo, longe de cessar no fim do mundo, só então começaNotas, Mt 25.46.

Vale pôr o esquema dispensacionalista ao lado. Ele fala de um tribunal de Cristo só para crentes, de um juízo das nações antes do milênio, para decidir quem entra nele, e de um grande trono branco só para ímpios, depois do milênio. Wesley usa como texto-base o tribunal de Deus de Romanos 14.10, diante do qual todos comparecemos; identifica a separação de ovelhas e cabritos com a assembleia de Apocalipse 20; e julga justos e ímpios no mesmo dia, um grupo depois do outro. A nota sobre Apocalipse 20.11 chama a cena do trono branco de uma representação daquele grande dia do SenhorNotas, Ap 20.11.

Síntese

Uma leitura que contraria o pré-milenismo

A volta de Cristo será seguida pela ressurreição geral e pelo julgamento de toda a humanidade? Ou haverá um intervalo de mil anos entre a ressurreição dos justos e a dos ímpios? O sermão responde com uma sequência, e ela não cabe no esquema pré-milenista, sobretudo na sua forma dispensacionalista.

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Wesley reúne a volta de Cristo e a ressurreição geral

Na parte I, a trombeta de 1Tessalonicenses 4.16 e a entrega dos mortos de Apocalipse 20.13 estão na mesma cena: soará a trombeta de Deus, chamando todos os que dormem no pó da terraSermão 15, I.1; o mar entregará os mortos que nele estiverem; a morte e o mundo dos mortos entregarão aqueles que guardavamSermão 15, I.1. Na parte II ele diz quem comparece: todos, sem exceção; pessoas de todas as idades, condições e posições sociaisSermão 15, II.4. No pré-milenismo, a ressurreição dos santos acontece na segunda vinda, e a dos demais mortos só depois do milênio; é a sequência defendida, por exemplo, pelo pré-milenista histórico George Eldon Ladd. A questão não é se haverá ressurreição corporal, que os dois lados afirmam. A divergência está na separação de mil anos entre as ressurreições, que Wesley não conhece.

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Wesley identifica o juízo das nações com o julgamento de Apocalipse 20

Logo depois da separação entre ovelhas e cabritos, de Mateus 25.31-32, ele introduz Apocalipse 20.12 com as palavras João descreve essa assembleia universalSermão 15, I.2. As duas descrições são, para ele, a mesma reunião da humanidade diante de Deus. O dispensacionalismo põe o juízo das nações antes do milênio, para decidir quem entra no reino milenar; o sermão não deixa espaço para isso.

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O tribunal de Cristo abrange justos e ímpios

O texto-base é Romanos 14.10, e Wesley o aplica a todos, desde a introdução: dentro de pouco tempo, todos compareceremos diante do tribunal de CristoSermão 15, §2. Na parte II ele descreve o julgamento dos justos e, em seguida, o dos ímpios: depois de julgar os justos, o Rei se voltará para os que estiverem à esquerdaSermão 15, II.12. Na parte III vem a execução das sentenças: a primeira será a execução da sentença pronunciada sobre os maus e os bonsSermão 15, III.1. Grupos diferentes recebem sentenças diferentes, mas isso não exige julgamentos separados por eras. A distinção entre os destinos não implica um intervalo milenar entre os julgamentos.

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Por que o argumento atinge especialmente o dispensacionalismo

É preciso distinguir as formas de pré-milenismo. Ladd, representante do pré-milenismo histórico, também rejeita a leitura de Mateus 25 como mera seleção para o milênio, observa que a passagem anuncia vida eterna e castigo eterno e considera intercambiáveis o tribunal de Deus e o tribunal de Cristo. Dizer apenas que Wesley identifica esses julgamentos, portanto, não basta para distingui-lo de todo pré-milenista. O argumento mais forte é a combinação: ressurreição universal, manifestação de Cristo e juízo geral no mesmo dia, diante daquele que foi determinado Juiz de vivos e mortos, tanto dos que estiverem vivos em sua vinda como daqueles que já tiverem morridoSermão 15, II.1. Contra a separação dispensacionalista dos julgamentos, o sermão oferece uma identificação expressa das cenas bíblicas; contra o pré-milenismo histórico, oferece uma sequência que reúne os acontecimentos sem inserir o intervalo milenar entre as ressurreições.

O sermão não resolve sozinho todas as particularidades da escatologia de Wesley; as aulas 8 e 9 completam o quadro com as Notas sobre Apocalipse 20 e 1Coríntios 15. Mas a sua exposição é clara o suficiente para mostrar que a sequência nele ensinada contraria a estrutura pré-milenista: a humanidade comparece diante de Cristo para o julgamento que determina os seus destinos eternos.

Fontes externas mencionadas: George Eldon Ladd, The Last Things, capítulos Resurrection e Judgment; e, para a leitura dispensacionalista de Mateus 25, o artigo The Kingdom in Matthew, do site Bible.org.

Parte IV e aplicação

Não faltará evidência: o tempo de se reconciliar é agora

Wesley termina o sermão falando aos juízes, aos oficiais, às testemunhas e, por fim, a todos. É a parte que ele mais queria que fosse ouvida.

Ele compara os dois tribunais. Aqui, alguns culpados escapam por falta de provas; ali, naquele tribunal, não faltará evidênciaSermão 15, IV.4. Estarão presentes as pessoas que conheceram nossos segredos, os espíritos que sugeriram o mal, os anjos que trabalharam pelo nosso bem, e também estará presente nossa consciência, como mil testemunhas em umaSermão 15, IV.4. E então a frase que fica: se a consciência vale como mil testemunhas, Deus vale como mil consciênciasSermão 15, IV.4. Diante disso, ele pergunta quem poderá permanecer, e responde com o evangelho: Cristo não veio para condenar, mas para salvar; Deus não deseja que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimentoSermão 15, IV.5, e pelo arrependimento à fé, e pela fé ao amor perfeito. Reconheça hoje aquilo que pertence à sua pazSermão 15, IV.5.

O apelo tem uma condição, e ela precisa ficar explícita para não soar universalista. Cristo morreu por todos, e por isso ninguém precisa perecer; mas a sentença de absolvição é para os que, pela fé, foram lavados no sangue do Cordeiro. O próprio Wesley diz que o reino foi comprado para todos os que creram com a fé que atua pelo amor. A largueza da oferta não anula a necessidade da resposta.

Wesley pregou o grande trono branco em ocasiões que o Diário registra. No sepultamento da mãe, em 1742, o texto foi Apocalipse 20.11-12, e ele escreveu: foi uma das assembleias mais solenes que já vi ou espero ver deste lado da eternidadeDiário, cap. 4. Em outra ocasião, numa congregação de mineiros, expôs parte do capítulo vinte do ApocalipseDiário, cap. 8, e a impressão foi tal que parecia que já estavam diante do trono. Ele não pregava o juízo para assustar; pregava para converter, e viu conversões.

Diário, capítulos 4 e 8

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Viva como quem vai prestar contas

O Sermão 51 pergunta como empregamos a alma, o corpo, os bens, o tempo e a graça. Faça o exame antes que o Juiz o faça.

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Pregue o juízo com o evangelho

Wesley nunca separou os dois. O mesmo sermão que descreve o tribunal termina com o convite: entregue-se agora àquele que se entregou por você.

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Não multiplique tribunais

Um só juízo, na vinda de Cristo, é mais simples, mais bíblico e mais urgente. Não deixe que esquemas adiem para um segundo julgamento o que a Escritura põe diante de todos no mesmo dia.

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Sete questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.

Wesley diz que nossa consciência valerá como mil testemunhas, e Deus como mil consciências. O que isso faz com os pecados que você mantém escondidos?Ver resposta sugerida

A resposta de Wesley é uma só: traga-os à luz agora, diante de Deus, enquanto é tempo de misericórdia. O que for confessado e perdoado nesta vida será revelado no juízo como troféu da graça, sem tristeza e sem vergonha, diz ele sobre 2Coríntios 5.10. O que for escondido até o fim será revelado como acusação.

Isso não é ameaça; é uma oferta. O mesmo Juiz é o Salvador que bate à porta do coração, e o sermão termina com o convite a entregar-se agora àquele que se entregou por nós. A confissão diante de Deus (1Jo 1.9), e quando necessário diante de quem ferimos (Tg 5.16), é o modo de antecipar o veredicto.

Uma prática: reserve uma hora esta semana para o exame que o Sermão 51 propõe, alma, corpo, bens, tempo e graça, e faça dele uma oração de confissão e de consagração.

Como falar do juízo final a uma geração que rejeita a ideia de um Deus que julga, sem suavizar a doutrina e sem tornar Deus um tirano?Ver resposta sugerida

Comece mostrando que um Deus que não julga seria um Deus indiferente ao mal. As pessoas que rejeitam o juízo costumam clamar por justiça quando são elas as ofendidas. O julgamento é a promessa de que nenhuma injustiça ficará sem resposta e de que a primeira história verdadeira, completa e imparcial será escrita, como diz Wesley sobre Apocalipse 20.12.

Depois, mostre quem é o Juiz. Não é um tirano; é o Cordeiro que morreu pelos réus. O Sermão 15 foi pregado a um tribunal e terminou com o evangelho: Deus não deseja que ninguém pereça. O juízo é conduzido por aquele que ofereceu a si mesmo para que ninguém precisasse ser condenado.

Por fim, seja honesto quanto à condição. A misericórdia é para quem se arrepende e crê; não é automática. Prometer que todos serão salvos, creiam ou não, é corromper a Palavra, e não a torna mais atraente. O que atrai é a verdade dita com amor, e Wesley a disse a juízes e réus no mesmo tom.

Por que a doutrina de vários julgamentos separados por eras se tornou popular, e o que se perde quando o juízo deixa de ser um só?Ver resposta sugerida

A multiplicação dos tribunais nasce da necessidade de um sistema: quem espera um reino terreno de mil anos depois da vinda de Cristo precisa de um julgamento antes dele, para decidir quem entra, e de outro depois, para os que restarem. Cada peça do esquema exige uma nova sessão do tribunal.

O que se perde é a simplicidade e a urgência dos textos. Jesus fala de um dia em que todas as nações são reunidas e as sentenças são de vida eterna e castigo eterno (Mt 25.31-46). Paulo fala de um tribunal diante do qual todos compareceremos (Rm 14.10; 2Co 5.10). João vê os mortos, grandes e pequenos, diante de um trono (Ap 20.12). Wesley leu tudo isso como uma cena, e pregou com a força de quem sabe que o próximo dia pode ser aquele.

A lição para nós é conservar essa simplicidade. Um só Juiz, um só dia, um só veredicto para cada pessoa, e o tempo de se preparar é agora.

O grande julgamento: um só tribunal para toda a humanidade · Aula 7 de 11 do curso A Escatologia de John Wesley. Todas as citações desta aula levam ao trecho exato das obras de John Wesley publicadas neste site.