“A terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.”Isaías 11.9 · NAA
Como ler esta aula. As palavras de Wesley aparecem como links sublinhados em laranja, seguidos da referência convencional entre parênteses (sermão e parágrafo, ou livro e versículo das Notas); o link abre a obra neste site no trecho exato. Os blocos marcados Síntese do curso trazem a leitura e a avaliação do curso; os marcados Nota do editor, esclarecimentos e fontes.
Para começar
Wesley esperava um reinado de Cristo sobre a terra antes do fim? Como ele via o avanço do evangelho na história? Era um otimista? A resposta está em dois sermões e num punhado de notas, e é mais simples do que os sistemas modernos fazem parecer.
A resposta curta, que a aula vai demonstrar, é esta. Para Wesley, o Reino de Deus é espiritual e já está estabelecido: Cristo reina desde a ascensão, pela sua Palavra, no coração dos que creem. Esse Reino cresce na história como o fermento na massa, de coração em coração e de nação em nação, até que a terra se encha do conhecimento do Senhor. Isso acontece antes da volta de Cristo, e não depois dela: quando Cristo voltar, será para ressuscitar e julgar a todos, e não para começar um reinado terreno. Na linguagem de hoje, essa esperança na expansão do evangelho possui afinidades com o pós-milenismo, sem que Wesley se enquadre perfeitamente nesse sistema; ele não usou o termo, que é posterior. E ele a sustentou sem ingenuidade, com um olhar realista sobre o pecado, a igreja e o mundo. Os elementos especulativos que ele tomou de Bengel na leitura de Apocalipse 20 ficam registrados numa breve nota histórica, no fim da aula.
Os dois sermões que sustentam a aula são o Sermão 63, A difusão geral do evangelho, escrito em 1783, e a terceira parte do Sermão 4, O cristianismo bíblico, pregado em Oxford em 1744. A eles se somam as Notas sobre as parábolas do Reino e sobre Apocalipse 20.
O que é
Antes de perguntar quando o Reino vem, Wesley pergunta o que ele é. E a resposta dele afasta, de saída, qualquer reino político com sede em Jerusalém.
No Sermão 7, sobre Romanos 14.17, o Reino de Deus é a verdadeira religião: justiça, paz e alegria no Espírito Santo, reinando no coração. É chamado Reino dos Céus porque, em certa medida, é o céu aberto dentro da almaSermão 7, I.12. Sobre Lucas 17.21, Wesley diz que o Reino não deve ser procurado em tempos distantes ou lugares remotos: é um reino espiritual, um princípio interior: onde quer que exista, existe no coraçãoNotas, Lc 17.21. Sobre Mateus 3.2, ele significa não apenas um futuro estado de felicidade no céu, mas um estado a ser desfrutado na terraNotas, Mt 3.2, e a própria exigência de arrependimento mostrava que era um reino espiritualNotas, Mt 3.2.
Por isso o cetro de Cristo não é uma arma. Sobre o Salmo 110.2, como o reino de Cristo não é carnal, e sim espiritual, este cetro não é outra coisa senão a sua palavraNotas, Sl 110.2. Sobre Atos 1.6, os discípulos ainda sonhavam com um reino exterior e temporal, em que os judeus teriam domínio sobre todas as naçõesNotas, At 1.6, e Jesus os corrigiu. Sobre Daniel 7.13, a vinda do Filho do Homem ao Ancião de Dias refere-se à ascensão, quando recebeu formalmente o seu reino messiânicoNotas, Dn 7.13: Cristo já recebeu o Reino. Sobre Mateus 16.28, alguns dos discípulos veriam o Messias estabelecer o seu reino com poder pelo crescimento da sua igreja e pela destruição do temploNotas, Mt 16.28. E sobre Mateus 6.10, a oração do Pai-Nosso pede que o reino de graça venha depressa e absorva todos os reinos da terraNotas, Mt 6.10.
Em resumo. O Reino de Deus, para Wesley, não é um regime que Cristo virá instalar. É o governo de Deus que já começou em Cristo, que se estabelece pela Palavra e pelo Espírito no coração das pessoas, e que se consuma na glória. Tudo o que se disser sobre o seu avanço na história parte daqui.
Como cresce
O Sermão 63 é a resposta de Wesley a uma objeção: se Deus é bom, por que o mundo está tão escuro? A resposta dele é a promessa de Isaías, e o modo como ele espera vê-la cumprida define a sua escatologia.
Wesley começa pelo diagnóstico: em que condição se acha o mundo no presente!Sermão 63. Dezenove partes em trinta do mundo eram pagãs, seis maometanas, e os cristãos, em sua maioria, apenas nominais. Como conciliar isso com a bondade de Deus? A resposta é que não será sempre assim. Deus já começou a mudar a face da terra, e a obra que começou levará adiante até o dia do Senhor Jesus.
O modo é o do fermento. O avivamento nasceu com uns poucos jovens em Oxford: de Oxford, onde primeiro apareceu, o pequeno fermento se espalhou cada vez maisSermão 63, §13. Wesley não duvida de que Deus levará a obra adiante, e diz que este é apenas o começo de uma obra muito maiorSermão 63, §16. Mas o reino de Deus não virá de modo visível: mas crescerá silenciosamente, onde quer que se estabeleçaSermão 63, §17, de coração em coração, de casa em casa, de cidade em cidade, de um reino a outroSermão 63, §17. Nada de força irresistível. Deus converte as pessoas sem privar nenhum deles daquela liberdade que é essencial a um agente moralSermão 63, §11, e por isso é-lhe tão fácil converter um mundo quanto uma só almaSermão 63, §12.
1
Em toda nação, Deus observará a mesma ordem do princípio: todos o conhecerão, não do maior para o menorSermão 63, §19, mas do menor para o maior. Antes do fim, até os ricos, os governantes e os sábios entrarão no Reino.
2
Quando a vida dos cristãos deixar de ser o grande obstáculo ao evangelho, maometanos e pagãos olharão a igreja com outros olhos. Wesley diz literalmente: removido assim felizmente o grande obstáculo do caminhoSermão 63, §20, a saber, a vida dos cristãos.
3
E assim também todo o Israel será salvoSermão 63, §24, quando entrar a plenitude dos gentios (Rm 11.25-26). Sobre Romanos 11.12, a conversão dos judeus será um meio de rápida propagação do evangelho entre maometanos e pagãosNotas, Rm 11.12.
4
Deus não interromperá a obra do seu Espírito até haver cumprido todas as promessas, posto fim ao pecado, à miséria e à morte, e restabelecido a santidade e a felicidade universaisSermão 63, §27. É Isaías 11.9 cumprido na história.
As Notas dizem o mesmo em poucas palavras. Sobre a semente de mostarda: assim se espalharão a doutrina cristã no mundo e a vida de Cristo na almaNotas, Mt 13.32. Sobre o fermento: assim o evangelho há de levedar o mundo, e a graça, o cristãoNotas, Mt 13.33. Sobre a pedra de Daniel 2.45, que despedaça a estátua: é também uma pedra que cresce até se tornar um monte e, por isso, encherá a terraNotas, Dn 2.45. Sobre os tempos dos gentios de Lucas 21.24, terminarão na plena conversão dos gentiosNotas, Lc 21.24. E sobre o Salmo 2.9, o reinado do Filho se cumpriu em parte na queda de Jerusalém e na conversão do império, mas não se cumprirá completamente enquanto todo poder e principado adversário não for abatidoNotas, Sl 2.9.
Quarenta anos antes, no Sermão 4, o jovem Wesley já descrevia esse futuro diante da universidade de Oxford. Depois de mostrar o cristianismo nascendo nos indivíduos e espalhando-se pelo mundo, ele pergunta se não veremos coisas maiores, e responde: Satanás não pode anular as promessas de Deus; virá o tempo em que o cristianismo prevalecerá sobre tudo e cobrirá a terraSermão 4, III.1. E convida os ouvintes a contemplar esse espetáculo estranho, um mundo cristãoSermão 4, III.1, com as palavras de Isaías 2 e 11 e de Romanos 11. O Sermão 61 chega à mesma esperança pelo caminho oposto, o da história das corrupções da igreja: se a religião cristã nunca cumpriu o seu fim na terra, por certo há de cumpri-lo, e está próximo o tempo em que a justiça será tão universal quanto hoje é a injustiçaSermão 61, §36.
Sermão 4, O cristianismo bíblico, parte III; Sermão 61, O mistério da iniquidade
Apocalipse 20
Wesley esperava um milênio. A pergunta decisiva é onde ele o punha: antes ou depois da volta de Cristo, na terra ou no céu. As Notas respondem em poucas linhas, e os próprios comentários de Wesley trazem três argumentos diretos contra a sua classificação como pré-milenista.
Um tempo futuro de paz na terra. Para Wesley, os mil anos em que Satanás fica preso ainda estão por vir: eles trazem à igreja imunidade dos males e afluência de bênçãos, e tal tempo a igreja ainda não viuNotas, Ap 20.2. Com o inimigo removido, o reino de Deus segue seu curso ininterrupto entre as naçõesNotas, Ap 20.3. É o cumprimento, na história, da expansão descrita na seção anterior: a terra cheia do conhecimento do Senhor. Mas onde entra a volta de Cristo? Os comentários de Wesley respondem.
Ao comentar Apocalipse 20.3, Wesley resume a ordem dos acontecimentos: Satanás será preso; os mártires viverão e reinarão com Cristo; “então se seguem a sua vinda em glória, o novo céu, a nova terra e a nova Jerusalém”. A sequência é clara: primeiro o reinado dos santos; depois a volta de Cristo. O pré-milenismo estabelece a ordem inversa. A nota sobre 20.2 diz o mesmo de outro modo: a estes mil anos se seguem os últimos tempos do mundo, a soltura de Satanás e Gogue e MagogueNotas, Ap 20.2; e a cena que fecha o capítulo, o grande trono branco de 20.11, é uma representação daquele grande dia do SenhorNotas, Ap 20.11.
Explicando onde os santos reinam com Cristo em Apocalipse 20.4, Wesley afirma: não na terra, mas no céuNotas, Ap 20.4. E acrescenta que o reinar sobre a terra de Apocalipse 11.15 é bem diferente distoNotas, Ap 20.4. Portanto, ele não interpreta a passagem como um reinado terrestre de Jesus com os santos depois da segunda vinda, conforme ensina o pré-milenismo. Não há trono em Jerusalém nem Cristo governando nações em pessoa. O Reino continua sendo o que sempre foi: espiritual, exercido pela Palavra, com os santos reinando com Cristo no céu.
Ao comentar a ressurreição dos que pertencem a Cristo, na sua vinda (1Co 15.23), Wesley escreve: ao mesmo tempo ressuscitarão também os ímpiosNotas, 1Co 15.23. Na vinda de Cristo, ele não separa por mil anos a ressurreição dos justos e a dos ímpios, como faz o pré-milenismo. No versículo seguinte, associa o fim do mundo à ressurreição e ao juízo geral: o fim vem depois da ressurreição e do juízo geralNotas, 1Co 15.24, como o grande desfecho de todas aquelas cenas maravilhosasNotas, 1Co 15.24. Uma só vinda em glória, uma só ressurreição geral e um só juízo universal, e tudo depois do reinado dos santos.
Otimismo da graça, sem ingenuidade
Quem lê só o Sermão 63 pode achar Wesley um otimista ingênuo. Quem lê os Sermões 4 e 61 descobre um dos diagnósticos mais duros da história da igreja. Os dois lados são o mesmo homem.
No fim do Sermão 4, depois de descrever o mundo cristão que virá, Wesley se volta para Oxford e pergunta onde esse cristianismo existe agora. A resposta: confessemos, então: nunca vimos, até hoje, um país cristão sobre a terraSermão 4, IV.1. E, à universidade, a pergunta que lhe custou o púlpito: esta cidade é uma cidade cristã?Sermão 4, IV.3 Ele nunca confundiu a promessa com a realidade presente.
O Sermão 61 percorre a história inteira para mostrar como o mistério da iniquidade operou, inclusive dentro da igreja, desde os apóstolos: onde quer que o cristianismo se espalhou, a apostasia também se espalhouSermão 61, §30. Não foi a perseguição que corrompeu a igreja, e sim a prosperidade; a riqueza foi, em todas as eras, a ruína do cristianismo genuínoSermão 61, §34. Daí a lição: de quanta vigilância precisam os que desejam ser cristãos reaisSermão 61, §35. E a nota sobre 2Tessalonicenses 2.7 completa: o mistério da iniquidade não está confinado à igreja romana, mas se estende também a outrasNotas, 2Ts 2.7. Sobre a parábola do joio, o joio, na igreja, são propriamente os cristãos de aparência, os que têm a forma da piedade sem o poder delaNotas, Mt 13.28, e ficam na igreja até a colheita.
O próprio Sermão 63 é realista. O avivamento pode ter um aguaceiro de graça no começo e depois seguir por graus suaves; quando os primeiros instrumentos forem removidos, haverá então, muito provavelmente, um grande abaloSermão 63, §16. E a expansão depende de gente que pode resistir: Deus não converte ninguém pela força, de modo que a obra avança na medida da resposta humana. É a mesma razão pela qual Wesley diz, sobre Apocalipse 20.3, que mesmo com a prisão de Satanás é necessário guardar-se da sua fúria e astúcia, que depois ele deve ser soltoNotas, Ap 20.3, e que não é tempo de assentar sobre as nossas borrasNotas, Ap 20.3. Que nos é necessário? Sabedoria, paciência, fidelidade, vigilância.Notas, Ap 20.3
O que ele espera
Que o evangelho encha a terra, que Israel se converta, que a santidade e a felicidade se tornem universais antes da volta de Cristo.
O que ele não esquece
Que nunca houve um país cristão; que a riqueza arruína a religião; que o joio cresce na igreja; que Satanás será solto; que cada geração precisa de sabedoria, paciência, fidelidade e vigilância.
Avaliação e aplicação
Esta é a aula em que a nossa leitura mais se distingue da de Wesley, e a diferença é real, embora não altere a estrutura fundamental do desfecho.
Onde concordamos. O Reino é espiritual e já está estabelecido; cresce pela Palavra, não pela força; Cristo reina do céu com os seus; a volta dele é uma só, para a ressurreição e o juízo de todos; não há reino terreno de Cristo entre a vinda e o juízo. Em tudo isso Wesley está do nosso lado, e contra o pré-milenismo.
Onde lemos de outro modo. Wesley punha a prisão de Satanás e os mil anos no futuro, como uma era de paz na terra antes do fim. A leitura amilenista, que é a minha, entende que Satanás foi amarrado na primeira vinda de Cristo (Mt 12.29; Jo 12.31; Cl 2.15), que os mil anos são a era presente da igreja, entre as duas vindas, e que a primeira ressurreição é a participação dos crentes na vida de Cristo, agora e no paraíso (Jo 5.24-25; Ef 2.5-6; Ap 20.6). A diferença está no momento dos mil anos, na prisão de Satanás e na natureza da primeira ressurreição; não no desfecho: uma só parousia, ressurreição geral, juízo universal e nova criação. E a esperança de Wesley, de que o evangelho continue a encher a terra até a volta de Cristo, é bíblica e nossa, ainda que eu não a conte em mil anos.
Se o Reino cresce como fermento, cada casa, cada bairro e cada nação são massa. A esperança de Wesley produziu pregadores, escolas e sociedades; a nossa deve produzir o mesmo.
Nunca vimos um país cristão. Pregue o Reino que vem sem fingir que ele já chegou, e diagnostique a igreja com a honestidade de Wesley.
É a lista de Wesley para os tempos em que o Reino avança. Não é tempo de assentar sobre as nossas borras.
Em suas Notas sobre Apocalipse 20, Wesley acompanhou alguns elementos da interpretação de Johann Albrecht Bengel, incluindo uma complexa distinção entre dois períodos milenares. Essa construção é especulativa, carece de fundamentação exegética convincente e não representa uma contribuição essencial de Wesley à doutrina das últimas coisas. Por essa razão, o presente curso não a desenvolve nem a adota. Nosso interesse está nas convicções escatológicas mais claras e constantes de Wesley: a expansão do evangelho, a volta de Cristo em glória, a ressurreição geral, o juízo universal e a renovação de todas as coisas.
Fixação
Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.
Avaliação
Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.
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Para pensar e conversar
Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.
Há duas maneiras de esperar o futuro: com a expectativa de que tudo piore até Cristo intervir, ou com a expectativa de que o Reino cresça até o fim. Wesley ficou com a segunda, e o Sermão 63 é o retrato dela: de coração em coração, de casa em casa, de nação em nação.
Você não precisa adotar o milênio futuro de Wesley para viver dessa esperança. A leitura amilenista também crê que o Reino cresce como a pedra de Daniel 2 e que o evangelho será pregado a todas as nações antes do fim (Mt 24.14). O que muda é a contagem dos anos, e não o trabalho.
Uma esperança assim produz missionários. Quem espera que tudo piore tende a se recolher; quem espera que o Reino cresça planta igrejas, evangeliza a vizinhança e ora pela conversão de Israel e das nações. Pergunte-se qual das duas disposições governa a sua vida de igreja.
Comece concordando com a parte verdadeira: Wesley cria, sim, num milênio futuro, e escreveu que tal tempo a igreja ainda não viu. Reconhecer isso abre a conversa.
Depois, mostre que milênio futuro e pré-milenismo não são a mesma coisa. Pré-milenismo é a doutrina de que Cristo volta antes do milênio para reinar na terra com os santos ressuscitados, e de que os ímpios só ressuscitam mil anos depois. Wesley nega as três peças: a vinda em glória vem depois do reinado dos santos (Ap 20.3), esse reinado é no céu (Ap 20.4), e os ímpios ressuscitam ao mesmo tempo que os justos, na vinda de Cristo (1Co 15.23-24). Se o irmão lembrar a primeira ressurreição de Apocalipse 20, reconheça que a leitura de Wesley ali tem elementos especulativos, tomados de Bengel, que o curso não adota (veja a nota histórica); mesmo nela, o reinado é no céu e a vinda em glória vem depois, o que não é o esquema pré-milenista. O milênio de Wesley é a igreja florescendo na terra pelo evangelho, com Cristo reinando do céu.
Por fim, ofereça os links e deixe o irmão ler. A conversa não precisa terminar em acordo sobre o milênio; precisa terminar com os dois lendo Wesley como ele é.
Ensina, primeiro, a pregar a promessa e o diagnóstico no mesmo sermão. Wesley descreveu o mundo cristão que virá e, no mesmo fôlego, confessou que nunca vira um país cristão. Uma igreja que só ouve a promessa fica ingênua; uma que só ouve o diagnóstico fica cínica.
Ensina, segundo, a localizar o obstáculo no lugar certo. Para Wesley, o grande obstáculo à difusão do evangelho não é o mundo, e sim a vida dos cristãos. A reforma geral que ele espera começa pela igreja, e o Sermão 61 mostra que a riqueza foi, em todas as eras, a ruína do cristianismo genuíno.
Ensina, terceiro, a esperar com vigilância. A lista da nota sobre Apocalipse 20.3, sabedoria, paciência, fidelidade e vigilância, é a postura de quem crê que o Reino avança e sabe que Satanás ainda não foi solto pela última vez. Otimismo da graça é isto: trabalhar com esperança, sem se assentar sobre as borras.
O Reino de Deus: a sua natureza e a sua expansão na era presente · Aula 8 de 11 do curso A Escatologia de John Wesley. Todas as citações desta aula levam ao trecho exato das obras de John Wesley publicadas neste site.