W. B. Pope · Compêndio de Teologia Cristã · volume II · O ministério mediador
Quanto a Deus e ao homem. O termo neotestamentário Reconciliação (ou, como às vezes aparece, Expiação) [N. do T.: na versão inglesa do Rei Tiago, a palavra grega que a NAA traduz por “reconciliação” aparece uma vez como atonement, “expiação” (Rm 5.11).] define a Obra Consumada como aquilo que efetuou e manifestou a restauração da comunhão entre Deus e o homem. A mudança de relação é mútua: Deus depõe o seu desagrado contra a humanidade, propiciado pela intervenção do seu Filho; e todos os homens, por meio do ministério da Reconciliação, são convidados a entrar num estado de aceitação diante de Deus, depondo a sua inimizade. O primeiro aspecto pertence à obra de Cristo como decreto do céu cumprido na terra; o segundo pertence à mesma obra enquanto consumada na terra e pleiteada no céu, na provisão feita para a aceitação individual. A reconciliação, portanto, é um processo realizado em dois sentidos: primeiro, o Juiz supremo é reconciliado com a raça de modo absoluto; segundo, faz-se provisão para a reconciliação de todos os homens, individualmente, com ele.
Deus, o Reconciliador e o Reconciliado. Deus é o Reconciliador na Expiação, visto que é ele quem provê o sacrifício pelo qual ele mesmo é propiciado: a própria existência, ou possibilidade, do sacrifício prova que ele já está propiciado. Mas isso não exclui que ele seja o Reconciliado; na verdade, no que diz respeito à grande mudança declarada na intervenção do Mediador, ou operada por ela, só Deus é reconciliado. A remoção da inimizade no pecador segue-se à grande reconciliação e é o seu efeito secundário. Aqui é preciso precaver-se contra dois erros opostos.
II, 283Reconciliação de Deus com o homem. 1. A Sagrada Escritura não favorece a ideia de que a efetiva obediência sacrificial de Cristo reconciliou com o homem um Deus antes hostil; nem a de que a expiação oferecida na cruz produziu, como causa, o efeito de modificar a intenção da mente divina para com a raça humana. O propósito da redenção foi um propósito eterno: a mudança tem de operar-se no tempo. Nosso Senhor foi enviado para declarar uma reconciliação com a natureza humana pecadora, reconciliação que precedia o pecado que dela precisava e o pressupunha. Essa reconciliação, na verdade, não era outra senão a da misericórdia do amor com a justiça da santidade na própria natureza divina, por meio da encarnação, tornada possível pelo adorável mistério das três Pessoas na Divindade. Isso é declarado sempre, e de modo coerente, no Novo Testamento, que faz do método da expiação pura e simplesmente um produto do conselho divino. O seu propósito, a sua justiça, o seu amor são vistos, cada um por sua vez, como o princípio originador. Mas sempre a iniciativa e o ato da reconciliação procedem dele: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2Co 5.19).
Do homem com Deus. 2. O outro erro é o dos que insistem em que a única reconciliação é a do homem com Deus. É um sentimento muito superficial, e pode-se acrescentar sentimentalista, o que leva a essa afirmação: o contrário estaria, como vimos, mais perto da verdade, como ficará ainda mais evidente pelas considerações seguintes acerca das ideias que nos apresentam as Escrituras que falam do assunto, e acerca da fraseologia coerente adotada para expressar essas ideias.
Só de Deus. (1.) Aquele que oferece a reconciliação abre mão, por assim dizer, das suas justas reivindicações antes que sejam exigidas; e, em vez de exigi-las, roga aos homens que se reconciliem com ele. Mas todas as reivindicações divinas (para repetir uma palavra que a teologia usa com relutância) foram satisfeitas nos pressupostos da obra expiatória. A palavra parece olhar só para o homem, mas o seu rosto está voltado também para Deus. Para não recorrermos a princípios abstratos, a Escritura deve ser a nossa instância de apelo. As poucas frases que contêm o aspecto da obra do Salvador que a considera como a Reconciliação falam, no seu contexto, de uma ira divina, e de tal modo que dão à ira o seu sentido mais extremo. Na clássica passagem aos coríntios lemos: não levando em conta os pecados dos seres humanos (2Co 5.19), passagem que tem por trás de si, ou melhor, à sua frente, aquela declaração tão solene: Aquele que não conheceu pecado, Deus o FEZ PECADO por nós (2Co 5.21). Estas últimas palavras dão a chave de toda a doutrina, encerrando a sua exposição com profunda ênfase.
II, 284(2.) A devida atenção ao uso habitual do termo levará à mesma conclusão. Podemos legitimamente comparar a palavra do Senhor, vá primeiro reconciliar-se com o seu irmão (Mt 5.24), que é um paralelo estrito quanto ao sentido, embora a palavra διαλλάγηθι não seja exatamente a mesma: é o irmão ofendido que é de fato propiciado. Assim também no caso dos filisteus e de Davi: de que outro modo se reconciliaria com o seu senhor? (1Sm 29.4); era o senhor, e não Davi, que devia ser aplacado. O verbo καταλλάσσειν nunca é empregado em referência à Expiação no Antigo Testamento; mas há alguns textos nos apócrifos que preparam o seu uso posterior. Por exemplo: suplicaram ao Senhor misericordioso que se reconciliasse com os seus servos (2 Macabeus 8.29). Embora o Novo Testamento não fale de Deus como reconciliado, o sentido é exatamente o mesmo que nesta e em outras passagens semelhantes. O Deus eterno, porém, é preciso repetir, já estava reconciliado antes que Cristo viesse manifestar a sua graça salvadora: Cristo apenas trouxe a reconciliação, que nós recebemos. Houve no céu uma Expiação antes da Expiação.
O mundo reconciliado. A Reconciliação é uma mudança de relação entre Deus e a humanidade, ou a raça humana, ou a natureza do homem. É verdade que a linguagem inspirada não usa esses termos abstratos; mas diz que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (2Co 5.19). Ali, ἦν καταλλάσσων, combinado com μὴ λολιζόμενος [não levando em conta], indica que o Pai, no Filho, estava e está sempre levando a efeito um propósito de graça: o decreto eterno foi cumprido em Cristo na cruz; e está sempre em curso de cumprimento. É o primeiro desses sentidos que ἦν sugere, em comparação com o ἐποίησεν que vem depois, Deus o fez pecado por nós (2Co 5.21): a ira de Deus contra a nossa transgressão foi descarregada sobre o nosso Representante e desviada de nós. Ele reconciliou consigo o mundo removendo dele, enquanto mundo, o seu desagrado eterno. O que agora se realiza por meio do ministério é a conquista de almas individuais para o gozo da paz divina. Para a plena interpretação dessa passagem clássica, é preciso considerar mais distintamente o sentido de ambos os termos: Reconciliação e Mundo.
II, 285Reconciliação. 1. Diz-se que Deus reconciliou consigo, em Cristo, o mundo inteiro da humanidade, visto que o sacrifício expiatório foi a efetiva realização de um propósito que se considerava cumprido desde o início da história humana. Uma economia ou relação de paz sempre prevaleceu no seu governo de uma raça pecadora. Pode-se dizer que o termo caracteriza o tipo de administração que o Governante supremo tem exercido sobre uma raça culpada. São Paulo mostra isso quando diz: também nos gloriamos em Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o qual recebemos, agora, a Expiação, ou a reconciliação (Rm 5.11), que aqui equivale simplesmente à graça da redenção. A Reconciliação é um título da obra de Cristo, assim como as palavras Graça, Evangelho e Justiça lhe dão os seus nomes. Assim como o mundo recebeu um Salvador ou Libertador, e o evangelho é pregado ao mundo, assim também o mundo teve, desde o princípio, o benefício da anistia. Mas uma dispensação de tolerância ANTES de Cristo é, EM Cristo, uma dispensação de Paz perfeita. Por isso o evangelho é chamado ministério da reconciliação (2Co 5.18). Deus administra, por meio dos despenseiros deste mistério, um sistema ou economia de perdão e de paz. Os embaixadores de Cristo anunciam ao mundo uma declaração geral da boa vontade divina. O seu ministério não consiste tanto em induzir os pecadores a depor a sua oposição a Deus, quanto em persuadi-los de que Deus depôs a sua oposição a eles, não levando em conta os pecados dos seres humanos (2Co 5.19). Eles são representantes da obra de Cristo como expressão da vontade do Pai. Porque Deus achou por bem que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas (Cl 1.19-20): estas duas últimas orações bem poderiam ser invertidas; a reconciliação não é a sequência do fazer a paz, mas o próprio fazer a paz. Nada se diz aqui de uma reconciliação entre as inteligências superiores e o homem, ou entre ambos, unidos, e Deus: é evidente que a Expiação é fundamento de anistia no governo divino universal somente no que diz respeito à raça humana. A Cruz pertence ao mundo, e a todo o mundo. Os seus dois braços se estendem para trás e para a frente, até o princípio e até o fim do tempo. O mesmo se dá numa passagem paralela: Porque ele é a nossa paz… e reconciliasse ambos em um só corpo com Deus, por meio da cruz, destruindo a inimizade por meio dela (Ef 2.14-16). Que inimizade ele destruiu, explica-o a reconciliação COM DEUS. O resultado é que reina a vida da salvação.
II, 286O mundo. 2. Há outro sentido em que o mundo da humanidade é reconciliado ou restaurado em Cristo: a família humana é realmente representada por aquela parte dela que vive espiritualmente na sua nova Cabeça. Sem dúvida haverá, como houve e ainda há, uma porção dos descendentes de Adão não restaurada a Deus. Embora a raça, na sua unidade, esteja colocada, apesar do pecado, numa relação de paz com o Governante supremo, de modo que os céus santos ainda podem estender-se como um dossel sobre uma terra profana, essa paz, no que diz respeito ao mundo como tal, é afinal apenas a provisão e a possibilidade da paz. E, contudo, pode-se dizer que Deus salvou a humanidade; ou, antes, que a humanidade foi restaurada ao convívio com ele e àquela comunhão que tão cedo foi suspensa no Paraíso. Os anjos, ou os habitantes de outras regiões do governo divino, diriam que o homem foi salvo, que as coisas sobre a terra (Cl 1.20) foram reconciliadas e postas em ordem; de fato, eles o disseram certa vez: paz na terra (Lc 2.14). A solução é que os que recusam a grande Reconciliação são lançados fora como não pertencentes à raça humana. Aquele Corpo que é a Igreja, do qual Cristo é a cabeça, é a humanidade nova e reconciliada. Por isso o sangue da sua Cruz é o meio pelo qual o beneplácito do Pai restaura o seu pródigo humano; assim ele encontra meios para que o banido não permaneça afastado de sua presença (2Sm 14.14), não sendo contados entre os vivos os que permanecem proscritos depois de esgotada a Expiação. Não podemos ter certeza de que os espíritos perdidos tenham rejeitado algo que corresponda à nossa redenção. Mas, quanto à nossa libertação, são Paulo nos diz que o efeito da Cruz é uma reconciliação consumada, na qual Deus se compraz e que não é prejudicada pela reprovação dos perdidos. Retomando a passagem já citada, o que Deus achou por bem foi, por meio dele, reconciliar consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos céus (Cl 1.20): aqui todas as coisas são apenas as coisas humanas, ou as coisas nos céus enquanto se relacionam com o homem na terra. Assim, na Epístola aos Hebreus lemos: Era necessário, portanto, que as figuras das coisas que estão nos céus fossem purificadas com tais sacrifícios, mas as próprias coisas celestiais requerem sacrifícios superiores àqueles (Hb 9.23). Esta última passagem é, na verdade, a interpretação da misteriosa frase aos colossenses que acabamos de citar.
II, 287Reconciliação pessoal. 3. O que foi dito tornará evidente que a reconciliação individual com Deus não é outra coisa senão a apropriação pessoal do benefício da reconciliação geral. A paz estabelecida entre Deus e o homem pela obra de Cristo é a base para a aceitação pessoal do crente no favor de Deus, com todas as suas benditas consequências. O sermos reconciliados nunca significa depormos a nossa inimizade, mas a revelação, em nós, da misericórdia de Deus. Isso é evidente nas palavras do apóstolo aos romanos: Porque, se nós, quando inimigos, sob o desagrado de Deus, ἐχθροὶ ὄντες, fomos reconciliados com Deus, κατηλλάγημεν τῷ Θεῷ, mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, tendo-nos tornado participantes da graça divina, seremos salvos pela sua vida (Rm 5.10). Ele é a nossa paz (Ef 2.14), diz são Paulo, assim como é o nosso Salvador, o nosso Senhor, a nossa Cabeça. E os que receberam a reconciliação, ou que são justificados pelo seu sangue (isto é, os que não rejeitam a reconciliação que lhes é anunciada no evangelho), têm paz com Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 5.1, 9, 11). Os pregadores do evangelho declaram a mensagem da sua embaixada e rogam aos homens em nome de Cristo: reconciliem-se com Deus (2Co 5.18-20). Mas querem dizer apenas: submetam-se à misericórdia do Céu. São Paulo dá outra expressão à mesma verdade: acrescenta E, quando veio, Cristo evangelizou paz (Ef 2.17), depois daquela descrição da Expiação, já citada, que fala de ele ter destruído a inimizade na cruz (Ef 2.16). Quando a Reconciliação é recebida com fé penitente, torna-se o estado e a vida da justiça; e introduz-se uma nova ordem de termos, com a qual as seções futuras nos familiarizarão melhor.
Quanto ao homem: a redenção. O termo mais frequentemente usado, empregado na mais ampla variedade de aplicações e ligado de modo mais expressivo ao homem como beneficiário da Expiação, é Redenção. Ele apresenta a obra de Cristo como o pagamento de um preço de resgate para a libertação legítima e eficaz da humanidade da escravidão da lei do pecado. Como a reconciliação, a redenção é objetiva e subjetiva: objetivamente, a raça é redimida; e faz-se provisão para a libertação subjetiva do homem individual da sentença da lei, do poder do pecado e de todas as consequências da transgressão. Por isso a redenção é ao mesmo tempo universal e parcial, ou limitada. Mas em todos os casos é o homem que é redimido, ao passo que só Deus é glorificado, e Deus e o homem são reconciliados.
II, 288Terminologia. A redenção efetuada de uma vez por todas na cruz e a redenção agora em curso são descritas pelos mesmos termos. Esses termos podem ser dispostos em quatro classes: primeiro, aqueles em que está incluído o λύτρον, ou preço de resgate; segundo, os que significam compra em geral, como ἀγοράζειν; terceiro, os que implicam apenas soltura, como os derivados de λύειν; e, por fim, os que indicam a noção de livramento à força, ῥυέσθαι. Será evidente que, como estamos agora discutindo a Expiação apenas em relação à obra consumada de Cristo, a primeira dessas classes pertence ao nosso assunto presente mais estritamente que as demais. Às vezes a distinção Pelo preço e pelo poder. se exprime como redenção pelo preço e redenção pelo poder. É uma distinção bela e verdadeira, embora convenha estarmos atentos para não separar demais as duas, seja na obra externa do Senhor, seja na experiência interior que o crente tem dela. Agora, porém, devemos limitar-nos principalmente à Expiação objetiva. Embora seja impossível excluir de todo a aplicação pessoal, esta caberá com mais propriedade na administração da redenção. É preciso lembrar que, sejam quais forem os sentidos secundários que o termo possa ter, a redenção é a libertação da humanidade da escravidão. O tratamento do assunto talvez seja mais eficaz Cinco perguntas. se considerarmos e respondermos a cinco perguntas. Qual é a escravidão da qual a raça é redimida? Qual é o preço pago por essa redenção? A quem e por quem ele é oferecido? Para quem é eficaz? Quais são os resultados gerais dessa redenção? Mas a resposta a essas perguntas pressupõe a discussão anterior da Expiação em geral e há de envolver necessariamente, até certo ponto, alguma repetição.
De quê. A humanidade, como objeto da redenção, é resgatada primariamente do cativeiro do pecado; de modo subordinado e indireto, do cativeiro de Satanás e da morte, a pena do pecado.
O pecado. 1. O pecado mantém o homem em escravidão tanto como condenação quanto como poder. (1.) A condenação é a maldição da lei (Gl 3.13). Assim como a força do pecado é a lei (1Co 15.56), assim também a força da lei é o pecado. A lei obriga toda criatura moral à obediência perfeita; e, faltando esta, encerra o transgressor na sentença de condenação da qual, no que depende da ordenança legal, não há soltura. (2.) O pecado é um poder interno na natureza humana, que escraviza a vontade, os afetos e a mente. (3.) A intervenção expiatória de Cristo aniquilou o pecado (Hb 9.26) como poder absoluto na vida humana. Ele obteve uma eterna redenção (Hb 9.12): uma redenção objetiva, eterna e toda-suficiente da maldição da lei e da necessária entrega da vontade ao poder do mal.
Satanás e a morte. 2. Satanás e a morte são representantes subordinados, mas reais, desse poder do mal: subordinados, porque são apenas ministros do pecado, que poderia manter o seu império ainda que eles não existissem. (1.) Satanás é o executor da sentença divina e o príncipe de todo mal: na primeira relação, representa a condenação da lei; na segunda, a escravidão interior à iniquidade. (2.) Também a morte, como sentença de separação de Deus, mantém o homem em escravidão apenas como outra forma da maldição da lei. Como morte temporal, ela é, tal como aquele que tem o poder da morte, um governante sujeito ao pecado. (3.) Destes, que são os subordinados e representantes do grande cativeiro, a redenção fez provisão para libertar o homem. A Epístola aos Hebreus liga essa verdade à Expiação de modo notável. Tudo é dito num parágrafo emoldurado por estas palavras: para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos (Hb 2.9) e para fazer propiciação pelos pecados do povo (Hb 2.17). Eis o princípio e o fim do mistério da redenção de Cristo, a morte expiatória. Entre um e outro lemos: para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos os que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida (Hb 2.14-15). Satanás é reduzido a nada, e a morte deixa de ser um terror, quando o pecado é expiado e abolido como império externo e como império interno.
O preço. O λύτρον, ou preço de resgate pago, é o Sangue, ou a Vida, ou a própria Pessoa de Cristo; e importa perguntar como isso se liga à libertação do homem.
O λύτρον. 1. No grego clássico e na Septuaginta, o termo aparece no plural e significa o dinheiro pago pelo resgate de um cativo; mas, por uma razão óbvia, está no singular quando aplicado ao Vida. grande Redentor. (1.) As palavras do Senhor dão o único exemplo do seu uso como substantivo: o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos, τὴν ψυχὴν αὐτοῦ λύτρον ἀντὶ πολλῶν (Mt 20.28). Os que as ouviram não poderiam interpretá-las senão como os λύτρα περὶ ψυχῆς da Septuaginta: Não aceitem resgate pela vida (Nm 35.31). Mas a VIDA de Cristo foi uma só satisfação por todos os culpados e por toda espécie de Sangue. ofensa, resumidas todas numa só. (2.) São Paulo fala do SANGUE do nosso Redentor como o preço do resgate, transformando o substantivo em verbo: a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue (At 20.28). O apóstolo variou essas palavras ao escrever aos mesmos presbíteros de Éfeso: nele temos a redenção, pelo seu sangue (Ef 1.7). Assim também são Pedro: não foi mediante coisas perecíveis, como prata ou ouro, que vocês foram resgatados da vida inútil que seus pais lhes legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo (1Pe 1.18-19). E são João: com o teu sangue compraste para Deus (Ap 5.9). (3.) O último testemunho de são Paulo acrescenta um terceiro termo, deu a si mesmo em resgate por todos (1Tm 2.6): A si mesmo. A SI MESMO, a sua Pessoa divino-humana, identificando a oferta com a própria Pessoa divino-humana, como faz são João quando diz: ele é a propiciação (1Jo 2.2). O Substituto, para sempre bendito, entrega a sua vida, que está no seu sangue; mas é a vida do Deus-homem, tanto morto como vivo para sempre, em lugar de todos os homens, e especialmente em favor do seu próprio povo.
Figuras, mas verdadeiras. 2. A ligação precisa entre o preço do resgate e a salvação do homem é apresentada de diversas maneiras na Escritura. Não pode haver dúvida de que as palavras são figuradas e não conseguem exprimir por completo a natureza do grande livramento a que se referem. Os termos da redenção, como o sistema cerimonial, ministram em figura e sombra das coisas celestiais (Hb 8.5): refletem debilmente a realidade eterna. Definem a salvação do homem em termos gerais, mas de muitas formas: como resgate de um cativo, pagamento de uma dívida, dissolução de um poder, salvamento das mãos de um inimigo, libertação de sistemas de erro e da vida inútil, e de outras formas ainda. Mas seria errado dizer que essa linguagem é apenas figurada. Ela exprime uma dupla verdade importantíssima, e cada um dos seus lados repousa sobre o valor infinito do preço pago: primeiro, negativamente, o salvamento da ira; segundo, positivamente, a recuperação para as mãos de Deus em Cristo. Essas duas verdades devem ser consideradas na sua ordem e na sua conexão.
II, 291Satisfação à justiça. (1.) O preço do resgate é a satisfação das exigências da justiça divina, e a redenção é a libertação provida para a raça. O nosso Libertador tomou o lugar do cativo, sendo feito pecado por nós (2Co 5.21) e maldição em nosso lugar (Gl 3.13). Por isso as ideias de resgate e de expiação se fundem numa só, assim como no Antigo Testamento o λύτρον é ἐξίλασμα (Sl 49.7, Septuaginta). Observem-se, no Novo Testamento, duas passagens em que são Paulo combina de modo notável as duas ideias: mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus apresentou como propiciação (Rm 3.24-25). Aqui o preço é levado ao templo e depositado sobre o altar; e com essas palavras se pode comparar: em quem temos a redenção [pelo seu sangue], a remissão dos pecados (Cl 1.14), onde se acrescenta uma terceira ideia: o preço da redenção, oferecido em sangue sacrificial, assegura o perdão das ofensas. A conjunção feita por são Pedro é semelhante: não foi mediante coisas perecíveis… que vocês foram resgatados…, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula (1Pe 1.18-19), com o acréscimo da vítima sacrificial. Por fim, pode-se comparar a Epístola aos Hebreus: pelo seu próprio sangue, ele entrou no Santuário, uma vez por todas, e obteve uma eterna redenção (Hb 9.12); nessas palavras se acrescenta ainda outra verdade: o preço é levado aos céus, para ali ser computado para sempre.
Aquisição para si. (2.) Na doutrina cristã, o Redentor recupera para si aquilo que liberta. Essa é a peculiaridade transcendente da ideia. Cristo não nos resgata no sentido de simplesmente nos soltar e nos deixar ir: ele nos resgata de volta para os seus próprios direitos sobre nós como Deus; e isso explica a ligação entre o ofício sacrificial e o real. O Redentor, aproximando-se do seu altar, ora: Glorifica o teu Filho, para que o Filho glorifique a ti, assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade (Jo 17.1-2): a autoridade de um Libertador sobre aquilo que adquiriu com o seu próprio preço de resgate. Pois o Salvador da humanidade morreu e tornou a viver a fim de ser Senhor tanto de mortos como de vivos (Rm 14.9). Daí que, mais particularmente, o salvamento mediador é a restituição ao homem do Espírito Santo, a herança que ele, criado para a comunhão com Deus, havia perdido. O nosso Salvador é o Goel-Redentor do Antigo Testamento. Ele compra de volta a nossa herança, positivamente, e também nos liberta da escravidão, negativamente. As duas coisas estão na frase de são Paulo: Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar, porque está escrito: “Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro”, para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios, em Cristo Jesus, a fim de que recebêssemos, pela fé, o Espírito prometido (Gl 3.13-14). Mas isso se reduz à antiga e conhecida bênção dupla da aliança cristã. A redenção provê a libertação da condenação e assegura a concessão de um Espírito renovador.
II, 292Termos variados. (3.) A palavra, portanto, enquanto exprime o efeito da Expiação, não se limita estritamente à libertação do cativeiro e à restituição dos privilégios perdidos. A ideia geral do λύτρον às vezes recua, e emprega-se uma classe de termos que significam salvamento, ou livramento, ou pagamento de uma dívida, ou anulação de uma obrigação escrita. Convém lembrar, porém, que esses termos se referem antes à administração da redenção do que à própria redenção. Quanto à obra consumada do próprio Salvador, realizada uma vez por todas, ela é sempre o pagamento de um preço pelo resgate do mundo. Numa passagem notável, são Paulo declara que nosso Senhor cancelou a nossa dívida humana e pendurou na sua cruz o documento legal que a atestava: uma concepção que, na Escritura, só aparece aqui. O apóstolo fala primariamente da anulação, por Cristo, dos documentos da aliança que separava o judeu do gentio; mas as palavras têm um sentido mais amplo e dão uma ilustração das mais impressionantes da nossa redenção em geral: cancelando o escrito de dívida que era contra nós e que constava de ordenanças, o qual nos era prejudicial, removeu-o inteiramente, cravando-o na cruz (Cl 2.14). Essa passagem pertence a uma certa classe de ilustrações singulares do fato central: devem ser usadas com parcimônia na exposição teológica, por mais úteis que sejam na aplicação prática.
A quem foi pago. O que ficou dito antecipou a terceira questão, ou virtualmente já a respondeu: a quem e por quem foi oferecido o resgate?
Dentro do Ser divino. 1. A redenção da humanidade é inteiramente uma transação divina, na sua origem, no seu método e nos seus resultados. (1.) Na sua origem: o mistério do nosso salvamento esteve oculto na Divindade antes de Na sua origem. ser revelado ao homem; o Amor do Deus triúno é a sua fonte, a Justiça do Deus triúno é a sua necessidade, e a Sabedoria do No seu método. Deus triúno é a sua lei. (2.) No seu método: a obra do nosso livramento consumado, como raça, é inteiramente operada por Deus, mas por Deus na revelação mediadora da Trindade. Aquilo que, por trás do véu que oculta o Triúno, é um, a nós aparece como trino e uno. O Pai é Deus, que envia o seu Filho; o Filho é Deus, que assume a nossa natureza para nela nos redimir; o Nos seus resultados. Espírito Santo é Deus, que ordena o processo da nossa salvação do alfa ao ômega. (3.) Nos seus resultados: a aceitação do preço do resgate da humanidade é a realização de um Propósito divino, que não precisou de nada fora de Deus para se cumprir e por nada fora de Deus poderia ser frustrado. Foi um ato divino, e a Vontade divina não precisa de ajuda nem de concurso, assim como nenhum outro poder poderia frustrar ou deter a sua execução sem que ela mesma tivesse antes dado o seu consentimento. Por isso a Trindade é o Autor de uma salvação necessária, uma ETERNA REDENÇÃO (Hb 9.12). O preço foi depositado no tesouro eterno para uso futuro, no tempo.
Erros. 2. A luz dessa verdade desmascara muitos erros, que podem Nenhum conflito na Divindade. ser aqui brevemente antecipados. (1.) Não há discórdia na natureza divina, nem conflito de interesses entre as Pessoas da Santa Trindade. O Filho eterno não propicia no Pai uma ira que ele mesmo não compartilhe; nem o Pai eterno representa, na natureza divina, uma santa justiça que deva ser satisfeita por um amor expiatório que só se encontre no Filho; nem o Espírito eterno testemunha uma aliança que resolva uma discórdia da qual ele não participe. A segunda e a terceira Pessoas da Santa Trindade têm, cada uma, uma personalidade distinta, que, no seu adorável mistério, torna possível a Expiação. Mas, além disso, a nossa reverência não nos permite dizer nada. (2.) O Inimigo do homem Satanás subordinado. não tem nenhuma parte necessária na transação. Desde o início da teologia pós-apostólica até Bernardo, uma estranha noção dos direitos de Satanás perturbou a mente dos homens; ela se desvaneceu quando a Expiação passou a ser estudada, por assim dizer, primeiro nos recessos ocultos Nenhum experimento. da natureza divina. (3.) O nestorianismo, com toda variante moderna que faça da redenção da natureza humana em Cristo um experimento, está banido da nossa doutrina. A redenção obtida no tempo foi uma redenção eterna: foi uma salvação predestinada da raça humana: Para sempre, ó Senhor, a tua palavra está firmada no céu (Sl 119.89). (4.) Toda teoria que se opõe à gratuidade da graça de Deus, ou a A graça honrada. perverte, não tem apoio. Há duas em particular, que abrangem todas as variedades das suas muitas formas: nenhum mérito humano pode ter lugar num plano que foi estabelecido em favor do homem na misericórdia eterna, e não pode haver nenhum socorro para o homem à parte de uma economia redentora. A graça e o livramento têm os mesmos fundamentos eternos.
Universal. O Preço foi pago por todos os homens, pela raça inteira, ou pela natureza humana inteira em todos os seus representantes, do primeiro transgressor ao último. A redenção como tal é UNIVERSAL; ou é geral, em distinção da Redenção Especial do indivíduo.
A priori. 1. Esta bendita verdade é, a priori [anterior à experiência], a antecipação da razão, e corresponde à expectativa que poderia ser nutrida, e que de fato tem sido nutrida, pela mente do homem, supondo-se que ele tome conhecimento do fato de uma intervenção divina. Naturalmente, este é apenas um argumento preliminar; e, se ficasse provado que a Palavra de Deus contradiz o instinto universal, esse argumento teria de ser abandonado. Mas a Palavra de Deus não contradiz esse profundo sentimento da humanidade.
Uma só raça. (1.) O homem sente, por verdadeiro instinto, que pertence a uma raça que é una na sua origem e no seu destino: una, quer na ruína, quer na recuperação; tanto na sua queda como na sua redenção.
Filantropia divina. (2.) O Deus da humanidade, pelos próprios termos, deve ser concebido como um Deus de filantropia, que ama como tal a raça que criou. Ele nos deu a existência, seja como família, seja como indivíduos, sem que a pedíssemos: haveria de nos eliminar sem esperança depois de termos caído, ou de reservar a sua salvação para poucos? Será que o Juiz de toda a terra não faria justiça? (Gn 18.25). Em resposta a esse instinto criado em nós, o seu Revelador nos diz que Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito (Jo 3.16), e que ele é o Deus vivo, Salvador de todos (1Tm 4.10). A sua graça se manifestou, trazendo salvação a todos (Tt 2.11), depois de ter permanecido relativamente oculta até o seu tempo oportuno; e ela é a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor por todos (Tt 3.4), ou a sua FILANTROPIA. Esta última palavra não admite limitação.
II, 295Dignidade do Redentor. (3.) O objeto da intervenção redentora de um Ser como o Deus-homem não pode ser limitado sem que, mais uma vez, se faça violência à nossa expectativa instintiva. Daríamos por certo que uma Pessoa tão gloriosa não seria enviada a uma incumbência parcial e limitada; que, supondo-se que ele visitasse esta terra, abrangeria na sua missão toda a extensão dela; e os testemunhos acerca de Cristo confirmam isso. Ele é o Mediador entre Deus e a humanidade, Cristo Jesus, homem (1Tm 2.5). Ele é o último Adão e o segundo homem (1Co 15.45-47); e a única vez em que falou da sua alma como resgate, chamou a si mesmo Filho do Homem (Mt 20.28). Onde se diz que, para livrar todos os que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida, ele socorre a descendência de Abraão (Hb 2.15-16), essa descendência se opõe aos anjos do mesmo versículo, aos quais ele não estendeu a sua mão auxiliadora, e num versículo anterior é explicada por carne e sangue: ele é a descendência de Davi, que é a descendência de Abraão, que é a descendência da mulher. Aquele que fez DE um só sangue todas as nações dos homens (At 17.26) também POR um só sangue redimiu todas as nações dos homens [N. do T.: a NAA traz “De um só homem fez todas as nações”; a antítese de Pope depende da redação inglesa, “of one blood”].
Escritura. 2. As afirmações positivas da Escritura são poucas, mas muito vigorosas.
(1.) Diretamente, diz-se que Cristo Jesus… deu a si mesmo em resgate por todos (1Tm 2.6). E a força desse testemunho é, se possível, reforçada pelo contexto, que contém a exortação a orar em favor de todas as pessoas, o que é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, que deseja que todos sejam salvos, porque ele é um só Deus, que trata com os homens por meio de um só Mediador. Lemos que esse Mediador desceu abaixo dos anjos para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos (Hb 2.9), ὑπὲρ παντός: esta última palavra não significa “por toda criatura”, mas certamente “por todo homem”. O Precursor convida a todos nós: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo (Jo 1.29); a sua palavra nova, αἴρει, tira, é meio expiatória, meio redentora, mas inteiramente universal. (2.) Indiretamente, muitas passagens exigem isso como inferência. Chegando a renegar o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição (2Pe 2.1): passagem paralela à de são Paulo, Não faça perecer, por causa daquilo que você come, aquele por quem Cristo morreu (Rm 14.15; 1Co 8.11), mas que introduz de modo ainda mais evidente o preço substitutivo. Outros exemplos são tão numerosos que não podem ser citados por inteiro, e dispensam amostras: como todas as declarações do amor de Deus pelo mundo, todas as proclamações gerais do arrependimento e do evangelho como boas-novas, o anúncio antecipado da ressurreição de todos os homens como resultado da redenção, e os textos que tornam o homem responsável pela sua própria perdição. Mas as mais impressionantes dessas afirmações indiretas são as que revestem o Redentor de atributos e relações com o mundo que não conhecem restrição: ele é a luz do mundo (Jo 9.5), a vida, universalmente, e o Senhor de todos (At 10.36). A glória deste argumento, porém, é que ele não precisa do apoio de textos isolados.
Geral e especial. Embora a Redenção Universal seja uma grande realidade, ela só o é como base de uma aplicação particular.
1. A raça está redimida. Foi virtualmente redimida antes de Geral. pecar e antes de existir. Daí os instintos de toda a humanidade e as tradições da história, que apontam para Aquele que é o Desejado das nações (Ag 2.7) [N. do T.: a NAA traz “serão trazidas as coisas preciosas de todas as nações”; o argumento de Pope depende da redação inglesa, “Desire of nations”]. O governo mediador do mundo tem sido, desde o princípio, fruto e prova de um único grande livramento. Uma raça não redimida, e sem esperança de redenção, não poderia, no universo de um Deus santo, continuar a propagar as suas gerações. O Espírito Santo foi dado logo no início como, num sentido peculiar, o Penhor da redenção, e Cristo foi, desde a própria porta do Paraíso, o Senhor de todos, o Juiz de toda a terra, o Salvador do mundo, a LUZ DOS HOMENS (Jo 1.4).
Especial. 2. Mas essa salvação universal está ligada a uma que é particular. (1.) A Escritura fala de uma só grande redenção; mas faz uma distinção, quando fala daquele que é Salvador de todos, especialmente dos que creem (1Tm 4.10). Aqui a redenção especial é distinta da geral, embora brote dela; o que a torna especial não é o decreto de soberania, mas a fé dos que a abraçam. A distinção, porém, condena os latitudinários que consideram toda a raça, pelo simples fato da encarnação de Cristo, individualmente redimida, justificada e salva. (2.) Mas ela faz das duas redenções uma só, no sentido de que o benefício individual é apenas a aplicação de um benefício geral que pertence a todos os que não o rejeitam. O Novo Testamento nunca distingue realmente entre a redenção que é provida para todos pelo preço e a que é aplicada pelo poder a todos os que abraçam as suas provisões.
II, 297Termo universal. 3. Por isso, como não há livramento que não seja individual, nem salvação que não seja livramento, toda a história da religião pessoal é apresentada em termos de Redenção: é a libertação da vontade, que é o benefício universal; o arrependimento, que é concedido pelo Espírito de escravidão; a libertação da lei da morte, na justificação e na regeneração; o remir de toda iniquidade, na inteira santificação; a redenção final e esperada da criação que geme; e o livramento dos santos do presente mundo perverso. De cada uma dessas coisas trataremos no seu lugar.
Tradução para o português a partir de William Burt Pope, A Compendium of Christian Theology, 2ª edição revista e ampliada, Londres, Wesleyan Conference Office, 1877-1879, na forma revista da tiragem de Nova York (Phillips & Hunt, 1881), vol. II, pp. 282-297, domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Os números em cinza no canto dos parágrafos indicam a página da edição inglesa. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.