Igreja Metodista Livre · Disciplina de 1860 · Capítulos X a XIII
[N. do T.: rito derivado do matrimônio do Sunday Service de Wesley (1788), já traduzido neste site, cuja redação seguimos onde o texto é o mesmo. A Disciplina de 1860 omite os proclamas, o trecho da exortação sobre os que se casam “para satisfazer as concupiscências” e os três fins do matrimônio, a oração depois dos votos e todas as orações e respostas finais, que são substituídas por uma oração espontânea. Também diz “diante destas testemunhas”, e não “diante desta congregação”.]
No dia e na hora marcados para a celebração do matrimônio, estando juntas as pessoas que vão se casar, o homem à direita e a mulher à esquerda, o ministro dirá:
Amados, estamos aqui reunidos à vista de Deus e diante destas testemunhas para unir este homem e esta mulher em santo matrimônio, que é um estado honroso, instituído por Deus no tempo da inocência do homem, e que nos representa a união mística que existe entre Cristo e a sua Igreja. Este santo estado Cristo adornou e embelezou com a sua presença e com o primeiro milagre que realizou, em Caná da Galileia; e São Paulo o recomenda como digno de honra entre todos. Por isso ninguém deve empreendê-lo de modo irrefletido, mas com reverência, discrição, ponderação e no temor de Deus.
Neste santo estado vêm agora unir-se estas duas pessoas aqui presentes. Portanto, se alguém puder apresentar alguma causa justa pela qual não possam ser legitimamente unidas, fale agora, ou cale-se para sempre.
E, falando também às pessoas que vão se casar, ele dirá:
Exijo e ordeno a ambos (como hão de responder no terrível dia do juízo, quando os segredos de todos os corações serão revelados) que, se algum de vocês souber de algum impedimento pelo qual não possam ser legitimamente unidos em matrimônio, o confesse agora. Pois tenham bem certeza de que todos os que se unem de forma diferente da que a Palavra de Deus permite não são unidos por Deus, nem é legítimo o seu matrimônio.
Se nenhum impedimento for alegado, o ministro dirá ao homem:
M., você aceita esta mulher como sua esposa, para viverem juntos segundo a ordenança de Deus no santo estado do matrimônio? Você vai amá-la, consolá-la, honrá-la e cuidar dela, na doença e na saúde, e, deixando todas as outras, guardar-se somente para ela, enquanto ambos viverem?
O homem responderá:
Sim, aceito.
Então o ministro dirá à mulher:
N., você aceita este homem como seu marido, para viverem juntos segundo a ordenança de Deus no santo estado do matrimônio? Você vai obedecer-lhe, servi-lo, amá-lo, honrá-lo e cuidar dele, na doença e na saúde, e, deixando todos os outros, guardar-se somente para ele, enquanto ambos viverem?
A mulher responderá:
Sim, aceito.
Então o ministro fará que o homem tome com a mão direita a mão direita da mulher e diga depois dele, como segue:
Eu, M., recebo você, N., como minha esposa, para ter e conservar, deste dia em diante, nos dias bons e nos maus, na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar e cuidar, até que a morte nos separe, segundo a santa ordenança de Deus; e para isso lhe empenho a minha fé.
Então soltarão as mãos, e a mulher, tomando com a mão direita a mão direita do homem, dirá do mesmo modo depois do ministro:
Eu, N., recebo você, M., como meu marido, para ter e conservar, deste dia em diante, nos dias bons e nos maus, na riqueza e na pobreza, na doença e na saúde, para amar, cuidar e obedecer, até que a morte nos separe, segundo a santa ordenança de Deus; e para isso lhe dou a minha fé.
Então o ministro unirá as mãos direitas deles e dirá:
Aqueles que Deus uniu, ninguém separe.
Visto que M. e N. consentiram juntos no santo matrimônio, e o testemunharam diante de Deus e desta assembleia, e para isso empenharam a sua fé um ao outro, e o declararam unindo as mãos, eu os declaro marido e mulher, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
E o ministro acrescentará esta bênção:
Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo os abençoe, preserve e guarde; o Senhor olhe para vocês com misericórdia e favor, e os encha de tal modo de toda bênção e graça espiritual, que vocês vivam juntos nesta vida de tal maneira que no mundo vindouro tenham a vida eterna. Amém.
Então se fará oração.
[N. do T.: rito derivado do sepultamento do Sunday Service de Wesley, já traduzido neste site, cuja redação seguimos. A Disciplina de 1860 omite o Salmo 90 e a leitura de 1 Coríntios 15.]
O ministro, indo ao encontro do corpo e caminhando à frente dele, dirá:
“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente.” (Jo 11.25-26)
“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão, e não outros.” (Jó 19.25-27)
“Porque nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele.” (1Tm 6.7) “O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.21)
Junto à sepultura, quando o corpo for posto na terra, o ministro dirá:
“O ser humano, nascido de mulher, vive breve tempo, cheio de inquietação. Nasce como a flor e murcha; foge como a sombra e não permanece.” (Jó 14.1-2)
No meio da vida estamos na morte. De quem podemos buscar socorro, senão de ti, ó Senhor, que com justiça te desagradas dos nossos pecados?
Contudo, ó Senhor Deus santíssimo, ó Senhor todo-poderoso, ó santo e misericordiosíssimo Salvador, não nos entregues às dores amargas da morte eterna.
Tu conheces, Senhor, os segredos do nosso coração; não feches os teus ouvidos misericordiosos às nossas orações; mas poupa-nos, Senhor santíssimo, ó Deus todo-poderoso, ó santo e misericordioso Salvador, tu, digníssimo Juiz eterno: não permitas que, na nossa última hora, por dor alguma da morte, nos afastemos de ti.
Então se dirá:
“Então ouvi uma voz do céu, dizendo: ‘Escreva: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor.’ ‘Sim’, diz o Espírito, ‘para que descansem das suas fadigas…'” (Ap 14.13)
Então o ministro dirá:
Senhor, tem misericórdia de nós.
Cristo, tem misericórdia de nós.
Senhor, tem misericórdia de nós.
Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia. Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos ofendem. E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do mal. Amém.
A coleta.
Ó Deus misericordioso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é a ressurreição e a vida, em quem todo aquele que crê viverá, ainda que morra, e todo aquele que vive e nele crê não morrerá eternamente: humildemente te rogamos, ó Pai, que nos ressuscites da morte do pecado para a vida da justiça, para que, quando partirmos desta vida, descansemos nele; e, na ressurreição geral, no último dia, sejamos achados aceitáveis aos teus olhos e recebamos a bênção que o teu amado Filho então pronunciará a todos os que te amam e temem, dizendo: “Venham, benditos de meu Pai! Venham herdar o Reino que está preparado para vocês desde a fundação do mundo” (Mt 25.34). Concede isto, nós te rogamos, ó Pai misericordioso, por Jesus Cristo, nosso Mediador e Redentor. Amém.
A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos nós, para sempre. Amém.
1. O sustento anual dos pregadores itinerantes, supranumerários e jubilados que forem casados será de duzentos dólares, mais as despesas de viagem.
2. O sustento anual dos pregadores itinerantes, supranumerários e jubilados que forem solteiros será de cem dólares, mais as despesas de viagem.
[N. do T.: “supranumerários” (“supernumerary”) eram os pregadores que, por razões de saúde ou outras, ficavam temporariamente sem nomeação plena, mas continuavam ligados à conexão.]
3. A cada filho de pregador itinerante se concederão dezesseis dólares por ano até os sete anos de idade, e vinte e quatro dólares por ano dos sete aos catorze anos; e aos pregadores cujas esposas tiverem falecido se concederá, por ano, para cada filho, uma quantia suficiente para pagar a pensão desse filho ou desses filhos durante o período acima. Contudo, esta regra não se aplicará aos filhos dos pregadores cujas famílias forem sustentadas por outros meios nos seus respectivos circuitos.
4. O sustento anual das viúvas de pregadores itinerantes e jubilados será de cem dólares.
5. Aos órfãos de pregadores itinerantes, jubilados e esgotados pelo trabalho, a Convenção Anual concederá as mesmas quantias que se concedem aos filhos dos pregadores vivos. E, quando um pregador morrer deixando um ou mais filhos sem os bens materiais necessários ao seu sustento, a Convenção Anual da qual ele era membro levantará, da maneira que julgar melhor, uma quantia anual para a manutenção e a educação desse órfão ou desses órfãos, até que completem catorze anos de idade. O valor dessa quantia anual será fixado com antecedência, em cada sessão, por uma comissão da Convenção.
6. Será dever de uma comissão nomeada pela junta oficial, composta de membros da nossa Igreja, fazer uma estimativa da quantia necessária para fornecer lenha e as despesas de mesa para a família ou as famílias dos pregadores designados para o seu campo; essa estimativa ficará sujeita à decisão da junta oficial; e os mordomos providenciarão, pelos meios que acharem melhor, o pagamento dessas despesas, em dinheiro ou de outra forma; contanto que os mordomos não usem o dinheiro arrecadado para o sustento trimestral regular dos pregadores no pagamento das despesas da família.
Que cada líder de classe, no começo do ano, verifique quanto cada membro da sua classe pode e está disposto a pagar por semana para o sustento dos pregadores, anote isso no seu livro de classe e cuide com diligência que as coletas sejam feitas semanalmente, devidamente registradas e entregues ao mordomo em benefício dos pregadores.
7. Que os mordomos façam circular entre os nossos amigos uma subscrição, pagável a cada trimestre, para suprir o que faltar no sustento do pregador; e, se houver algum excedente das coletas das classes e das subscrições trimestrais, ele será destinado ao sustento das missões, a menos que a junta oficial determine outra coisa.
Pergunta 1. Quais são as qualificações necessárias aos mordomos?
Resposta. Que sejam homens de piedade sólida, que conheçam e amem a doutrina e a disciplina metodistas e tenham boa capacidade, natural e adquirida, para tratar dos assuntos materiais.
Pergunta 2. Como serão nomeados os mordomos?
Resposta. Pela sociedade, na sua reunião anual.
Pergunta 3. Quais são os deveres dos mordomos?
Resposta. Manter um registro exato de todo o dinheiro e de outras provisões recolhidos para o sustento dos pregadores no circuito; prestar contas exatas de cada gasto de dinheiro, seja com os pregadores, com os doentes ou com os pobres; procurar os necessitados e os aflitos para os socorrer e consolar; informar os pregadores sobre as pessoas doentes ou desordeiras; dizer aos pregadores o que acham errado neles; comparecer às reuniões trimestrais do seu circuito; dar conselhos, se lhes forem pedidos, no planejamento do circuito; participar das comissões para a aplicação de recursos às igrejas; dar conselho em questões de arbitragem; providenciar os elementos para a Ceia do Senhor; escrever cartas circulares às sociedades do circuito, pedindo-lhes mais generosidade, se for preciso; e também informá-las, quando a ocasião exigir, do estado das finanças na última reunião trimestral; registrar os casamentos e os batismos.
Pergunta 4. Quantos mordomos são necessários em cada circuito?
Resposta. Não menos de três nem mais de nove, um dos quais será o mordomo secretário.
1. Cada Convenção Anual terá a seu cargo todas as missões dentro dos seus limites. Terá poder para empregar missionários para trabalhar dentro dos seus limites, os quais, com a concordância do presidente, estarão autorizados a estabelecer novas igrejas onde os interesses da causa de Deus o exigirem.
2. Cada líder de classe nomeará um coletor missionário para a sua classe, que recolherá pelo menos um centavo por semana de cada membro da classe que estiver disposto a contribuir com essa quantia, e também de quaisquer pessoas que não sejam membros da nossa Igreja e estejam dispostas a contribuir para o nosso fundo missionário.
3. Também se fará uma coleta missionária pública em cada ponto de pregação de cada circuito.
4. Todo o dinheiro arrecadado para fins missionários será levado à Convenção Anual e aplicado segundo a sua orientação.
[N. do T.: mantivemos os títulos das obras como no original, identificando os autores quando o texto o permite. Várias delas já estão traduzidas neste site: as Institutas Teológicas de Richard Watson, a Clara Explicação da Perfeição Cristã e os Sermões e as Notas de Wesley, e, das obras de Fletcher, o Último Freio ao Antinomianismo.]
Para os que desejam ingressar em experiência na conexão itinerante
Gramática inglesa, aritmética, geografia moderna, Disciplina Metodista Livre, ortografia e redação.
A Bíblia: doutrinas.
A existência de Deus; os atributos de Deus, a saber: unidade, espiritualidade, eternidade, onipotência, onipresença, onisciência, imutabilidade, sabedoria, verdade, justiça, misericórdia, amor, bondade, santidade; a Trindade na unidade; a divindade de Cristo; a humanidade de Cristo; a união da divindade e da humanidade; a personalidade e a divindade do Espírito Santo; a depravação; a expiação; o arrependimento; a justificação pela fé; a regeneração; a adoção; o testemunho do Espírito; o crescimento na graça; a perfeição cristã; a possibilidade da apostasia final; a imortalidade da alma; a ressurreição do corpo; o juízo geral; recompensas e castigo.
Institutas de Watson, primeira parte; Plain Account of Christian Perfection (Clara Explicação da Perfeição Cristã), de Wesley; Anatomy and Physiology, de Cutter; Elocution, de Caldwell.
Redação.
Ensaio ou sermão.
[Ler: os Sermões e as Notas de Wesley; The Life of Wesley (A vida de Wesley); Gift of Power, de Platt; Political Economy, de Wayland.]
A Bíblia: sacramentos.
O sacramento do batismo: a sua natureza, finalidade, obrigação, sujeitos e modo. O sacramento da Ceia do Senhor: a sua natureza, finalidade e obrigação.
Institutas de Watson, segunda parte até o capítulo 18; Central Idea, de Peck; Moral Science, de Wayland.
Redação.
Ensaio ou sermão.
[Ler: History of Methodism, de Bangs; Natural Philosophy, de Johnston.]
A Bíblia: história e cronologia.
Os candidatos devem preparar-se sobre os principais acontecimentos do Antigo e do Novo Testamento. Livros de referência: Introduction, de Horne, e Palestine, de Robinson.
Institutas de Watson, segunda parte, a partir do capítulo 18; Natural Theology, de Paley; Church History, de Ruter; Logic, de Whateley; Rhetoric, de Boyd.
Redação.
Ensaio ou sermão.
[Ler: as Obras de Fletcher; Patriarchal Age, de Smith; Outlines of History, de Wilson.]
Revisão de todo o curso. Institutas de Watson, terceira e quarta partes; Analogy, de Butler; Elementary Geology, de Hitchcock.
Redação.
Ensaio ou sermão.
[Ler: Hebrew People, de Smith; Ecclesiastical History, de Mosheim; Intellectual Philosophy, de Wayland; história dos Estados Unidos.]
Tradução para o português a partir de The Doctrines and Discipline of the Free Methodist Church, adopted August 23, 1860 (Buffalo: B. T. Roberts, 1860), em fac-símile publicado pela First Fruits Press (Asbury Theological Seminary, 2016); domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.