História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XIII

A religião do partido dominante: o “Metodismo da Nova Escola”

Na sua História da Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal, o Rev. F. W. Conable diz: “O nazaritismo supunha que a grande maioria da Conferência e boa parte dos membros da igreja tinham se desviado do espírito essencial do metodismo; que, da parte desses, dentro do território descrito, a Disciplina da igreja se tornara letra morta; que, no tema da ‘santidade bíblica’, entendida no sentido wesleyano, muitos tinham se tornado heterodoxos, e muitos mais eram gravemente omissos; e que o mundanismo, a extravagância e a vaidade gerais tinham despojado e desolado a herança, antes tão bela, de Sião.”1

Na sua Ciclopédia do metodismo, o bispo Simpson se expressou no mesmo sentido, embora com menos palavras: “Nos seus escritos e discursos, queixavam-se do declínio da espiritualidade na igreja, acusando-a de tolerar, por interesse, as práticas mundanas dos seus membros, e de ter se afastado, tanto na doutrina como na disciplina, dos ensinos dos pais.”2

Nos dois trechos acima supõe-se claramente que as alegações dos que lutavam pelo metodismo genuíno eram infundadas. A questão, nesse ponto, é das mais vitais. Se as alegações dos homens que acabaram proscritos e expulsos da igreja sobre a religião do partido dominante eram infundadas, então a ação da Conferência de Genesee, da Igreja Metodista Episcopal, ao processá-los e expulsá-los, foi em alguma medida justificável, e a Igreja Metodista Livre não tem justificativa para existir. Por outro lado, se se puderem provar as suposições e alegações sobre o afastamento do metodismo dos seus padrões originais de fé e prática, então a referida ação da Conferência de Genesee é inteiramente injustificável e tem o caráter de uma perseguição tão maligna e persistente que justifica plenamente aqueles que ela proscreveu e excomungou, ao organizarem finalmente um ramo separado do metodismo.

Neste capítulo e no seguinte procuraremos dar ao leitor uma ideia correta dos dois tipos de religião e das duas espécies de metodismo que existiam na Conferência de Genesee na época referida, e entre as quais se travou o conflito acirrado. Cremos que, pela comparação e pelo contraste, o leitor imparcial será levado a concluir que o metodismo se deteriorara tristemente no oeste de Nova York, o que justifica plenamente as alegações dos chamados irmãos “nazaritas”, que lutavam com empenho por uma volta à simplicidade e à pureza metodistas; e também que a religião dos irmãos proscritos, em vez de ser, como afirmava a Regência, “fanatismo”, “entusiasmo”, “extravagância”, “fogo-fátuo” etc., era simplesmente o que o Dr. Chalmers declarou ser o metodismo do seu tempo: “o cristianismo levado a sério”.

Ao apresentar o caráter da religião dominante, inseriremos primeiro um artigo sobre o “Metodismo da Nova Escola”, publicado pelo Rev. B. T. Roberts, então pastor em Albion, Nova York, que expressa as opiniões dos reformadores sobre o afastamento da igreja dos seus padrões originais; e depois apresentaremos certas declarações publicadas por representantes do partido dominante na Conferência, para mostrar que as condições eram decididamente piores do que as descritas no “Metodismo da Nova Escola”.

Alguns anos antes, pela providência de Deus, Asa Abell, Eleazer Thomas, I. C. Kingsley e C. D. Burlingham, homens que criam na experiência da santidade, ou perfeito amor, a ensinavam e a desfrutavam pessoalmente, foram postos no cargo de presbítero presidente, e muitos outros de fé e experiência semelhantes estavam estreitamente associados a eles na sua obra. No trabalho dos distritos, esses presbíteros presidentes puseram em primeiro plano o tema da santidade, tal como ensinado pelos pais do metodismo, e insistiram não só na necessidade da regeneração para os não salvos, mas também no privilégio e no dever de os crentes serem inteiramente santificados. E isso não de maneira meramente formal e protocolar, mas com zelo nascido do céu e “em demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2.4). Multidões se converteram, e muitos pregadores e leigos “receberam a palavra com alegria” (Lc 8.13), buscaram e alcançaram o batismo santificador com o Espírito e “começaram a falar em outras línguas [embora no mesmo idioma], segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (At 2.4).

Em torno da bandeira da santidade erguida por esses homens piedosos se reuniram logo ministros como B. T. Roberts, William C. Kendall, Joseph McCreery, Loren Stiles Jr., William Cooley, Amos Hard e outros “cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Fp 4.3), todos homens de notável capacidade e de posição incontestada entre os seus irmãos da Conferência. Por onde iam esses homens, irrompiam avivamentos, nos quais grande número de pessoas se convertia, muitos eram inteiramente santificados, a igreja era vivificada e edificada, e o metodismo passava a ter o poder dos primeiros tempos.

Ao mesmo tempo, sob o ministério dos que representavam o tipo modernizado de metodismo, a espiritualidade declinava sem parar, o mundanismo crescia também sem parar e depressa, e a glória primitiva do metodismo diminuía constantemente.

Nessas condições, os “pregadores nazaritas”, como os adversários chamavam com desprezo os que lutavam pelas “veredas antigas” do metodismo, passaram a ser procurados na Conferência a ponto de alarmar os “progressistas”, que temiam que isso ofuscasse a sua glória e prejudicasse as suas perspectivas de posição e de renda. Iniciou-se, então, um esforço sistemático para desacreditar os pregadores mais combativos e o seu trabalho. Foram rotulados de “fanáticos”, “entusiastas”, “falsos profetas”, “reformadores espúrios” e com epítetos ainda mais ofensivos. A sua pregação foi qualificada de “jargão”, “gritaria”, “palavrório para impressionar”, “jactância arrogante”, “arengar o povo” e outros termos que tendiam a torná-la odiosa. Contra o seu trabalho levantaram-se os velhos gritos de “irregularidade”, “extravagância”, “fanatismo”, “fogo-fátuo” e assim por diante. Do púlpito e da imprensa foram atacados e deturpados com grande amargura, e numa linguagem da qual a citada acima é a menos ofensiva.

Na verdade, usou-se linguagem forte dos dois lados; mas o uso de termos ofensivos ao refinamento e à decência deve ser atribuído exclusivamente ao partido da “Regência”, como eram chamados os adversários do movimento de reforma, como se verá num capítulo posterior. Mas o movimento ganhara impulso demais e reunira seguidores demais para ser suprimido por tais medidas; e “assim, a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20).

Seguiram-se então aquelas reuniões secretas pelas quais a “Regência de Buffalo” procurou e obteve o controle da Conferência, com as consequências já relatadas.

Chegara agora o momento em que pareceu sábio aos líderes da obra de avivamento e reforma esclarecer a sua posição perante o público em geral, na medida do possível, quanto às principais diferenças entre eles e os seus adversários. Como os periódicos oficiais da igreja estavam fechados para eles nessas questões, recorreram às colunas do Northern Independent, jornal publicado em Auburn, Nova York, cujo redator, capaz e destemido, o Rev. William Hosmer, lhes deu inteira liberdade para defender a sua causa. Assim, em 1857, o Sr. Roberts escreveu e publicou um texto intitulado “Metodismo da Nova Escola”, que foi uma exposição muito competente do caso. No seu estilo claro e incisivo, ele expôs os afastamentos da Igreja Metodista Episcopal dos seus padrões primitivos, fundamentando cada alegação principal com amplas citações de homens de alta posição nos conselhos da igreja. Também definiu a posição do outro partido em termos que eles nunca tentaram negar e mostrou em que os irmãos que ele representava discordavam deles. Esse texto, como se verá pela reprodução a seguir, foi uma exposição digna, franca e serena do caso, sem uma única expressão descortês ou epíteto ofensivo. Segue o texto do Sr. Roberts:

METODISMO DA NOVA ESCOLA

A melhor semente, semeada ano após ano em solo pobre, degenera aos poucos. A bolota do carvalho imponente, plantada na planície árida, torna-se um arbusto raquítico. Desde a queda, o coração humano tem sido um solo desfavorável ao crescimento da verdade. Ervas daninhas florescem por toda parte espontaneamente, enquanto os grãos úteis exigem cultivo diligente.

Princípios corretos implantados na mente precisam de atenção constante, ou erros monstruosos crescerão acima deles e os arrancarão. Toda nação antiga conta a história da sua própria degeneração e aponta para a idade de ouro em que a verdade e a justiça reinavam entre os homens.

A verdade religiosa não está isenta dessa sujeição à corrupção. “Deus cuidará da sua própria causa” é uma máxima muitas vezes citada pelos covardes e pelos que transigem, como desculpa para a sua vil defecção. Quando os seus servos são fiéis aos encargos que lhes foram confiados, ela é gloriosamente verdadeira; quando vacilam, a sua causa sofre. As igrejas plantadas pelos apóstolos e regadas pelo sangue dos mártires superam hoje o próprio paganismo nas suas corrupções. Nenhuma outra parte do mundo é tão inacessível à verdade do evangelho quanto os países onde dominam a Igreja romana e a grega.

Como denominação, estamos tão sujeitos a cair por influências corruptoras quanto quaisquer outras que floresceram antes de nós. Não gozamos de imunidade contra o perigo. Já está surgindo entre nós uma classe de pregadores cujo ensino é muito diferente do dos pais do metodismo. Encontram-se aqui e ali por toda a nossa Sião; mas na Conferência de Genesee agem como um corpo associado. São cerca de trinta. Durante a última sessão desta Conferência, fizeram várias reuniões secretas, nas quais combinaram um plano para aprovar as suas medidas e espalhar as suas doutrinas. Abertamente levantaram a questão na Conferência. Ela está dividida. Existem dois partidos distintos. Todo pregador simpatiza com um ou com outro. Essa diferença é fundamental. Não diz respeito a coisas indiferentes, mas às de mais vital importância. Envolve nada menos que a própria natureza do cristianismo.

Ao mostrar as doutrinas dos metodistas da Nova Escola, citaremos o Advocate da seita, publicado em Buffalo. É o órgão do partido. É sustentado por eles. Eles agem como seus agentes. Onde a sua influência prevalece, ele circula com exclusão de outros jornais religiosos.

O seu título anterior era The Buffalo Christian Advocate. Mas, desde que declarou abertamente as novas doutrinas, retirou significativamente do cabeçalho a expressiva palavra “Christian” (“Cristão”). Essa omissão é cheia de significado. É, porém, muito apropriada, como veremos ao examinar a sua nova teoria da religião. Elogiamos o redator por esse exemplo de honestidade. Agora é simplesmente The Advocate, isto é, o único advogado das doutrinas que defende.

Os metodistas da Nova Escola afetam um grau de liberalismo tão grande quanto o de Theodore Parker e do Sr. Newman. Professam “caridade” para com todos, exceto os seus irmãos da Velha Escola. Num artigo sobre “Credos”, publicado no Advocate de 16 de abril, com a assinatura “W.”, o reverendo autor, um destacado ministro da Nova Escola, investe contra “as seitas cuja palavra de ordem é um credo” de um modo não indigno do próprio Alexander Campbell. Diz ele: “Não importa quão santa e irrepreensível seja a vida de alguém; se tiver a ousadia de questionar algum ponto da ‘ortodoxia’, é imediatamente, na devida forma eclesiástica, entregue ao diabo, como herege e incrédulo. Assim se lançam os grilhões de um despotismo espiritual sobre a razão humana… E assim aconteceu que, na estima de multidões, os ensinos de Paulo são ofuscados pelas teorias de Calvino, e os escritos de John Wesley são tidos em maior veneração do que as palavras inspiradas de São João.” Não é uma acusação modesta?

Mas a sua teoria da religião está exposta mais plenamente no editorial principal do Advocate de 14 de maio, com o título “O cristianismo, religião de beneficência mais do que de devoção”. Embora apareça como editorial, temos boas razões para crer que foi escrito por um destacado membro da Nova Escola na Conferência de Genesee. Não foi desautorizado por aquele partido. Embora esteja há meses diante do público, ninguém manifestou discordância das suas posições. É justo supor que represente as ideias dos líderes desse novo movimento.

Diz ele: “O cristianismo não é, caracteristicamente, um sistema de devoção. Não tem nenhum dos traços que devem distinguir uma religião fundada na ideia de que adorar o caráter divino é a obrigação mais imperiosa que pesa sobre os seres humanos. Prescreve a observância de muito poucos ritos sagrados; nem determina nenhuma forma particular de prestar homenagem à Divindade. Evita todas as formas exteriores e ensina que os que adoram a Deus devem adorá-lo em espírito e em verdade.”

Os metodistas da Velha Escola sustentam que “adorar o caráter divino” é a obrigação mais imperiosa que pesa sobre os seres humanos; que o cristianismo tem todos os traços que devem distinguir uma religião fundada nessa ideia; que quem adora a Deus corretamente terá, como consequência necessária, todas as virtudes sociais e morais; que o evangelho não deixa os seus seguidores escolherem, se quiserem, os ritos degradantes do paganismo ou as abominações supersticiosas do papismo, mas prescreve a oração, o louvor e a observância dos sacramentos do batismo e da Ceia do Senhor “como formas particulares de prestar homenagem à Divindade”; que não há necessidade de antagonismo, como os incrédulos e os universalistas costumam afirmar, entre a adoração espiritual e as formas de culto instituídas por Cristo.

A seguinte zombaria não é indigna do próprio Thomas Paine. Fica abaixo da dignidade de Voltaire: “O cristianismo de modo algum apoia a suposição de que o grande Jeová seja tão afetado pela fraqueza da vaidade que receba com emoções especialmente agradecidas as atenções e ofertas que pobres criaturas humanas possam prestar-lhe diretamente no culto.”

O que foi dito acima pode bastar para mostrar o que o cristianismo não é, na opinião desses teólogos da Nova Escola. Vejamos agora o que ele é: “A ideia característica desse sistema é a benevolência; e a sua realização prática se dá na beneficência. Ele consagra o princípio da caridade e ensina os seus seguidores a considerar as boas obras como o sacrifício mais santo e o mais aceitável que podem trazer ao Todo-Poderoso… Quaisquer que sejam as graças necessárias para constituir a vida cristã interior, a principal delas é o amor ao homem… A grande condição para alguém se tornar participante da salvação do evangelho é alguma demonstração prática de abnegação, de sacrifício de si mesmo pelo bem dos outros. ‘Vá, venda tudo o que tem, dê o dinheiro aos pobres’ foram os únicos termos de salvação que Cristo propôs ao jovem que, de outro modo, não estava longe do reino dos céus.”

Os metodistas da Velha Escola sustentam que a benevolência é apenas um dos frutos da verdadeira religião, mas de modo algum a própria religião. Na sua visão, “a principal graça da vida cristã interior” é o AMOR A DEUS; e o sacrifício mais aceitável que podemos oferecer-LHE é um coração quebrantado e contrito (Sl 51.17). Ensinam que a grande condição para alguém se tornar “participante da salvação do evangelho” é a FÉ EM CRISTO, precedida do arrependimento. Leem no evangelho que Cristo ordenou ao jovem mencionado: “Venha, tome a cruz e siga-me” (Mc 10.21) [N. do T.: Roberts cita a versão inglesa King James, que traz “tome a cruz”; a NAA, seguindo outros manuscritos, diz apenas “depois, venha e siga-me”.] Dar os seus bens aos pobres era apenas preparação para isso.

Os metodistas da Nova Escola sustentam que a justificação e a inteira santificação, ou santidade, são a mesma coisa; que, quando um pecador é perdoado, ele é ao mesmo tempo feito santo; que toda a mudança espiritual que ele pode esperar daí em diante é simplesmente um crescimento na graça. Quando falam de “santidade”, entendem por ela o mesmo que os ministros evangélicos das denominações que não aceitam as doutrinas ensinadas por Wesley e Fletcher sobre esse assunto.

Segundo os metodistas da Velha Escola, as pessoas que foram apenas justificadas, embora não cometam pecado exteriormente, têm consciência de que ainda resta pecado no coração, como o orgulho, a obstinação e a incredulidade. Sentem continuamente um coração inclinado a desviar-se; uma tendência natural para o mal; uma inclinação a afastar-se de Deus e a apegar-se às coisas da terra. Os que são inteiramente santificados são salvos de todo pecado interior: dos maus pensamentos e das más disposições. Nenhuma disposição errada, nenhuma contrária ao amor, permanece na alma. Todos os pensamentos, palavras e ações são governados pelo amor puro.

Os ministros da Nova Escola têm a franqueza de reconhecer que as suas doutrinas não são as doutrinas da igreja. Empreenderam corrigir os ensinos dos seus autores clássicos. No mesmo editorial do Advocate que citamos tão amplamente, lemos: “Assim, nos exercícios e meios de graça instituídos pela igreja, é claramente evidente que se visa antes à excitação das sensibilidades religiosas e ao cultivo da piedade emocional do que ao desenvolvimento de disposições cordiais e humanas e à formação de hábitos de bondade ativa e vigorosa.”

Aqui os males de que se queixam são atribuídos aos “exercícios e meios de graça instituídos pela igreja”. Não resultam de uma deturpação dos meios de graça, mas são os efeitos que se pretendia produzir ao instituí-los. É A IGREJA, então, que está errada, e tão errada que nem sequer visa ao desenvolvimento do verdadeiro caráter cristão. “Os meios de graça”, com cujo uso um Asbury, um Olin, um Hedding e uma multidão de homens dignos, falecidos e vivos, foram nutridos até a maturidade espiritual, devem ser abolidos, e outros, adequados ao “desenvolvimento de disposições cordiais e humanas”, estabelecidos no seu lugar. A loja deve substituir a reunião de classe e a festa de amor; e a reunião de oração à moda antiga deve dar lugar à festa social! Os que fundaram ou adotaram “os exercícios e meios de graça instituídos pela igreja” (Paulo e Pedro, os mártires e reformadores, Lutero e Wesley, Calvino e Edwards) todos deixaram de compreender a verdadeira ideia do cristianismo, pois todos eles sustentavam que o pecador é justificado pela fé em Cristo, e não por “alguma demonstração prática de abnegação”. A honra de apreender distintamente e de expor com clareza o verdadeiro gênio do cristianismo estava reservada a alguns teólogos do século XIX!

USOS E RESULTADOS

Divergindo assim na sua visão da religião, os metodistas da Velha e da Nova Escola necessariamente divergem nas suas medidas para promovê-la. Estes últimos constroem igrejas por ações e as equipam com bancos para acomodar uma congregação seleta; e com órgãos, harmônios, violinos e cantores profissionais, para executar peças musicais difíceis para um público da moda. Os primeiros são a favor das igrejas livres, do canto congregacional e da espiritualidade, simplicidade e fervor no culto.

Procuram promover avivamentos profundos e completos, como eram comuns no trabalho dos pais, como os que fizeram do metodismo a principal denominação do país. Os líderes do movimento da Nova Teologia não se destacam por promover avivamentos; e os que de vez em quando ocorrem entre eles podem em geral ser caracterizados como o redator do Advocate designou um que lhe chamou a atenção: “avivamentos esplêndidos”. Os pregadores da velha estirpe insistem, com todos os que querem ganhar o céu, na necessidade da abnegação, da não conformidade com o mundo, da pureza de coração e da santidade de vida; ao passo que os outros ridicularizam a singularidade, incentivam com o seu silêncio, e em alguns casos com o seu próprio exemplo e o das suas esposas e filhas, “o uso de ouro e de roupas caras” e tratam com desconfiança toda profissão de experiência cristã profunda.

Quando estes querem levantar dinheiro em benefício da igreja, recorrem à venda dos bancos a quem der o maior lance, a festas de recreio, ceias de ostras, quermesses, “sacolas de surpresa”, festivais e rifas; os outros, para esse fim, apelam ao amor que o povo tem por Cristo. Em suma, os metodistas da Velha Escola confiam, para a difusão do evangelho, na ação do Espírito Santo e na pureza da igreja. Os metodistas da Nova Escola parecem depender do patrocínio dos mundanos, do favor dos orgulhosos e ambiciosos e dos vários artifícios da política mundana.

Se essa diversidade de opinião e de prática entre os ministros da nossa denominação se limitasse a uma Conferência, seria relativamente sem importância. Mas sinais inconfundíveis mostram que a prosperidade está produzindo em nós, como denominação, o mesmo efeito embriagador que muitas vezes produz em indivíduos e sociedades. A mudança feita pela Conferência Geral de 1852 na regra da Disciplina que exigia que todas as nossas casas de culto fossem construídas simples e com bancos gratuitos, e a da última Conferência Geral na seção sobre o vestuário, mostram que já há entre nós muitos que derrubariam as barreiras que até agora nos separaram do mundo. O fato de a remoção ser gradual, para não provocar atenção e comoção demais, não a torna menos alarmante.

Todo amante da igreja deve sentir profunda ansiedade em saber qual será o resultado dessa nova ordem de coisas. Se pudermos julgar pelos seus efeitos na Conferência de Genesee, desde que ela domina ali, será desastrosa para nós como denominação. Aconteceu, por acaso ou por manobra, na divisão da Conferência de Genesee, há oito anos, que a maior parte dos veteranos indomáveis, que não podiam ser induzidos a abandonar os usos do metodismo honrados pelo céu, pelo grito enganoso de “progresso”, nem a fazer vista grossa a tais abandonos, pelas brandas censuras de Eli (“Por que vocês fazem essas coisas?”, 1Sm 2.23), ficaram destinados ao lado leste do rio Genesee. No primeiro ano depois da divisão, a Conferência de East Genesee tinha vinte pregadores jubilados; a Conferência de Genesee, só cinco. Os “homens do progresso”, na flor da idade, foram para o oeste do rio e tomaram posse da Conferência. Na maior parte do tempo, têm dominado ali desde então. Ultimamente, os jovens da Conferência, unindo-se aos pais e, assim unidos, formando a maioria da Conferência, procuraram deter esse “progresso” para longe das veredas antigas do metodismo. Mas os “progressistas” compensam com manobras o que lhes falta em número. Tendo livre acesso a qualquer hora aos ouvidos do episcopado, conseguiram, na maior parte das vezes, controlar as nomeações para os distritos e as estações mais importantes. Se, pela sua evidente aptidão, algum adepto intratável do metodismo primitivo foi nomeado para um distrito ou uma estação de primeira classe, em geral foi perseguido com diligência incansável e expulso da sua posição antes de terminar o seu prazo constitucional.

Nos limites da Conferência de Genesee, o povo em geral é favoravelmente disposto ao metodismo. Durante os últimos oito anos, não houve ali causas externas atuando contra a nossa prosperidade que não atuem em todo tempo e em todo lugar. Nesse período, o aumento nominal da igreja naquela Conferência foi de apenas setecentos e oitenta. A Conferência de East Genesee teve, no mesmo período, um aumento de cerca de dois mil e quinhentos. Para simplesmente acompanhar o crescimento da população, deveria haver, nos limites da Conferência de Genesee, mil seiscentos e quarenta e três membros a mais do que há atualmente. Ou seja, em oito anos, sob o domínio da nova teologia, a igreja sofreu, nos limites dessa única Conferência, uma perda relativa de quinze por cento de membros.

O Seminário de Lima, na época da divisão, não inferior a nenhum do país, foi levado, pelo mesmo tipo de manobra, à beira da ruína financeira.

Procuramos assim dar uma representação justa e imparcial do Metodismo da Nova Escola. O seu predomínio numa Conferência já a envolveu, como vimos, em divisão e desastre. Deixem que prevaleça em geral, e a glória se apartará do metodismo. Ele tem uma missão especial a cumprir. Não é reunir no seu aprisco os orgulhosos e os da moda, os devotos do prazer e da ambição, mas “espalhar a santidade bíblica por estas terras”. As suas doutrinas e os seus usos, os seus hinos, a sua história e o seu espírito, as suas nobres realizações no passado e as suas brilhantes perspectivas para o futuro, tudo proíbe que ele adote uma política de acomodação e de transigência, que agrade aos vícios do tempo. Que siga em frente, como tem feito, insistindo que as grandes verdades cardeais do evangelho recebam uma encarnação viva no coração e na vida dos seus membros, e o metodismo continuará a ser o favorecido do céu e a alegria da terra. Mas, se descer da sua posição e receber na sua comunhão todos os amigos do prazer e amigos do mundo que estiverem dispostos a pagar pelo privilégio, não é preciso visão de profeta para prever que o metodismo se tornará um corpo morto e corruptor, tentando em vão suprir, com a construção de igrejas esplêndidas e a execução imponente de cerimônias sem poder, a glória manifesta da presença divina, que antes brilhava tão intensamente em todos os seus santuários. “Assim diz o Senhor: Ponham-se à beira dos caminhos e olhem; perguntem pelas veredas antigas, qual é o bom caminho; andem por ele e vocês acharão descanso para a sua alma” (Jr 6.16).

[N. do T.: Theodore Parker (1810-1860) foi pregador unitário de Boston, de ideias religiosas liberais. Alexander Campbell (1788-1866) foi um dos fundadores do movimento dos Discípulos de Cristo, conhecido pela oposição aos credos. Thomas Paine e Voltaire são citados como críticos do cristianismo. “Igrejas por ações” (“stock Churches”) eram templos construídos com capital de acionistas, que depois alugavam ou vendiam os bancos.]

A publicação dessa exposição clara e abrangente dos pontos em discussão ofendeu todo o partido da “Regência” e, por isso, forneceu o pretexto para o início de medidas ainda mais opressivas e injustas, isto é, para toda aquela série de “proscrições, processos e expulsões que levaram à formação da Igreja Metodista Livre”. O Sr. Roberts foi a primeira vítima de expulsão. Foi julgado sob a acusação de “conduta imoral e não cristã” por ter escrito e publicado o artigo acima. Sendo assim, é justo concluir que o artigo em questão foi considerado o exemplo mais notável de delírio fanático e de linguagem ou publicação difamatória que se podia apresentar. Do contrário, o Sr. Roberts não teria sido a primeira e única vítima julgada com tal acusação e tais especificações.

Referindo-se, alguns anos depois, em Why Another Sect?, à redação e publicação desse artigo, o Sr. Roberts disse:

Antes disso, num artigo publicado no Buffalo Advocate, órgão do partido dominante, tínhamos sido chamados de “metodistas da Nova Escola”. Mostramos que o apelido pertencia propriamente aos nossos adversários. Embora divergindo deles, queríamos tratá-los com justiça. Por isso seguimos este caminho. Com receio de deturpar as suas ideias, expusemo-las tal como as encontramos expressas por um dos seus principais pregadores num editorial do Buffalo Advocate, reproduzido no New York Christian Advocate and Journal. Ele expunha, como críamos então e como cremos ainda, as ideias doutrinárias das quais divergíamos. Esse artigo, do qual fizemos citações fiéis, foi endossado por homens importantes do partido dominante. Nunca ouvimos dizer que alguém daquele partido o tenha desaprovado. Tornara-se notório que havia uma grande divisão na Conferência. Os nossos adversários, de tempos em tempos, no Buffalo Advocate e em outros jornais, numa linguagem nem verdadeira nem respeitosa, tinham exposto a sua versão dos fatos. Pensamos que chegara o momento de esclarecer a nossa posição perante o público. Foi o que procuramos fazer no artigo [acima], publicado com a nossa assinatura bem conhecida no Northern Independent, do qual eu era então redator correspondente.

O artigo sobre o “Metodismo da Nova Escola” representava a visão do Sr. Roberts sobre o estado da religião na Conferência de Genesee na época em que foi escrito. Ele expôs o caso de maneira clara e forte, mas em termos corteses e dignos, sem vestígio de amargura nem de ataques pessoais ofensivos. Só homens excessivamente suscetíveis poderiam considerar algo dito ali pessoalmente ofensivo e difamatório; e, no entanto, foi com esse fundamento que o autor do artigo foi considerado merecedor de ser processado e julgado pela sua Conferência.

Várias pessoas em posições de responsabilidade na Igreja Metodista Episcopal se manifestaram na época sobre o artigo em termos decididamente favoráveis, como mostram as seguintes cartas e trechos de cartas.

O Dr. F. G. Hibbard, que naquela época era redator do Northern Christian Advocate e a quem o Sr. Roberts enviou primeiro o artigo para publicação, embora tenha se recusado, por razões de prudência, a publicá-lo, escreveu ao autor o seguinte:

Prezado irmão Roberts:

Devolvo o seu texto, como o senhor pediu, por não julgar prudente publicá-lo. Suponho que o senhor não possa ver as coisas como eu as vejo da minha posição. O seu texto me envolveria numa controvérsia sem esperança, que me traria muitos problemas e perplexidades, sem esperança, a meu ver, de fazer bem real à igreja ou à causa de Cristo. Não digo isso contra o seu artigo considerado em si mesmo, mas contra a controvérsia que o seu artigo provocaria. O seu artigo me parece escrito num tom tão brando e franco quanto é possível expor tais fatos. Esteja certo, meu querido irmão, de que tenho um interesse profundo e vivo pela doutrina da santidade, pela vida e pelo poder da religião, pela integridade e pelo espírito do metodismo. Trabalho para promovê-los. Mas não me sentiria justificado em tomar partido na questão que agora, infelizmente, divide a Conferência de Genesee.

Que o Senhor abençoe o senhor e todos os seus ministros e dê paz e pureza às igrejas.

Sempre seu em Cristo,
F. G. Hibbard.
Auburn, 10 de agosto de 1857.

Mais tarde, quando ficou claro que o Sr. Roberts estava em minoria, o Dr. Hibbard escreveu contra ele, embora com muito mais zelo do que justiça. Mas, na carta acima, ele certamente escreve de modo favorável quanto ao mérito do artigo em questão. De que outro modo podemos interpretar estas palavras: “Não digo isso contra o seu artigo considerado em si mesmo, mas contra a controvérsia que o seu artigo provocaria. O seu artigo me parece escrito num tom tão brando e franco quanto é possível expor tais fatos”?

Em 1º de setembro de 1857, um presbítero presidente da Conferência de Oneida, referindo-se ao artigo sobre o “Metodismo da Nova Escola”, numa carta pessoal ao Sr. Roberts, disse: “Estou contente com a sua denúncia da ‘Nova Teologia’ que está amaldiçoando a igreja. Ela está se infiltrando na nossa Conferência e fazendo um mal imenso. Mantenha o monstro à luz.”

Outro ministro de destaque da mesma Conferência também lhe escreveu, dizendo: “Se o senhor pertencesse à nossa Conferência, nós lhe daríamos um voto de agradecimento por ter escrito esse artigo.”

Assim, o artigo do Sr. Roberts sobre o “Metodismo da Nova Escola” recebeu o endosso de homens distintos e imparciais, em todos os sentidos capazes de julgar se as suas afirmações correspondiam ou não aos fatos, e cuja lealdade ao metodismo os teria impedido de endossá-lo, se o considerassem de alguma forma uma deturpação do tipo de religião que o partido dominante procurava promover. O fato é que o artigo, que se mostrou tão ofensivo para a maioria da Conferência de Genesee a ponto de sustentar uma acusação de “conduta imoral e não cristã” baseada nas suas afirmações, era uma exposição da situação muito mais branda e sóbria do que se poderia ter feito sem o menor sacrifício da verdade nem concessão ao exagero.

[N. do T.: a descrição da inteira santificação que Roberts atribui aos metodistas da Velha Escola é quase literalmente a que, três anos depois, entrou na Disciplina de 1860 como Artigo XIII, “Inteira santificação”.]

Notas do autor

  1. Página 629. ↩
  2. Artigo “Free Methodists”. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.