História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXII
O caminho violento seguido no julgamento e na expulsão de Roberts e McCreery, e na perseguição geral aos chamados “nazaritas” que se seguiu, naturalmente causou uma agitação generalizada, não só em toda a Conferência, mas também nas “regiões além”. Tanto os jornais religiosos como os seculares passaram a discutir esses assuntos, e quase todos, exceto os que eram dirigidos ou utilizados no interesse da “Regência de Buffalo”, condenaram sem reservas a Conferência de Genesee pelo seu procedimento opressivo e injusto. Vários órgãos oficiais em toda a Conferência também aprovaram resoluções que exprimiam com força a sua desaprovação dos ultrajes que a Conferência cometera contra homens inocentes e santos.
Por fim, os leigos dentro dos limites da Conferência se levantaram de vez e sentiram que precisavam fazer alguma coisa da sua parte para deter, se possível, medidas tão opressivas e cruéis. Isaac M. Chesbrough, de Pekin, condado de Niágara, N. Y., foi o primeiro a sugerir a linha de ação definida a seguir, isto é, a realização de uma convenção de leigos representantes de todas as sociedades, dentro dos limites da Conferência, que se opunham às medidas opressivas adotadas e seguidas no trato com os homens que tinham sido expulsos.
O Sr. Chesbrough era metodista havia meio século ou mais. Era homem de muita inteligência, juízo sólido, integridade inabalável e grande experiência nos assuntos práticos, e era em geral estimado e venerado por todos os que o conheciam. “Estava sempre pronto a socorrer os aflitos, a encorajar os desanimados e a ficar ao lado dos oprimidos. Via depressa através das meras pretensões, abominava as farsas e não tinha medo de agir de acordo com as suas convicções.” Era um dos verdadeiros nobres de Deus, homem que seria uma honra para qualquer comunidade, qualquer igreja, qualquer nação, em qualquer geração ou em qualquer época.
A proposta do Sr. Chesbrough teve aprovação geral. Assim, publicou-se a convocação de uma convenção como a que ele sugerira, com as assinaturas de mais de cem dos principais leigos da Conferência, representando vinte e dois circuitos e estações. Em resposta a essa convocação, cento e noventa e cinco leigos representantes, de quarenta e sete circuitos e estações, reuniram-se em Albion, N. Y., em 1º de dezembro de 1858, para realizar uma convenção com o fim de deliberar sobre o caminho a recomendar e seguir diante das condições existentes.
A convenção foi precedida de uma festa de amor dos leigos, realizada na Igreja Metodista Episcopal na primeira noite. Foi uma reunião de caráter novo, mas acompanhada de muito da presença do Espírito Santo, e por isso foi um culto de grande interesse.
A convenção propriamente dita realizou-se no salão Kingsland, e a primeira sessão seguiu-se à festa de amor, às 20h30. Depois de exercícios devocionais apropriados, fez-se a organização, com a eleição dos seguintes oficiais: o Exmo. Abner I. Wood, presidente; Isaac M. Chesbrough, George W. Holmes, S. C. Springer, G. C. Sheldon, J. H. Brooks, George Bascom e C. Sanford, vice-presidentes; S. K. J. Chesbrough, W. H. Doyle e J. A. Latta, secretários.
Nomeou-se uma comissão de resoluções, formada por S. K. J. Chesbrough, W. H. Doyle, G. W. Estes, S. S. Rice, John Billings, A. Ames e J. Handly; e também uma comissão de finanças, formada por Nelson Coe, Claudius Brainerd, S. P. Briggs, S. S. Bryant e George W. Holmes. Vários fizeram discursos, e depois a convenção suspendeu os trabalhos até as nove horas da manhã seguinte.
Na segunda sessão, depois dos exercícios devocionais e da leitura da ata, leu-se a seguinte convocação, que expunha o objetivo da convenção:
CONVENÇÃO DOS LEIGOS DA CONFERÊNCIA DE GENESEE
Manifesta-se há vários anos, entre certos membros da Conferência de Genesee, a disposição de abafar, sob o nome de fanatismo e de outros epítetos injuriosos, o que consideramos a vida e o poder do nosso santo cristianismo. Em cumprimento desse propósito, por causa de uma combinação feita contra eles por certos pregadores, o Rev. Isaac C. Kingsley e o Rev. Loren Stiles Jr. foram tirados do Gabinete na Conferência de Medina; e a última Conferência, em Perry, depois de um julgamento marcado pela parcialidade e pela injustiça, expulsou da Conferência e da igreja dois dos nossos amados irmãos, Benjamin T. Roberts e Joseph McCreery, por nenhuma outra razão, a nosso ver, senão a de serem ministros ativos e zelosos do nosso Senhor Jesus Cristo, que tinham o favor do povo e lutavam com empenho pelas peculiaridades do metodismo que até aqui foram essenciais para o nosso êxito como denominação. Também excluíram da Conferência dois moços dignos, piedosos e dedicados, Frank M. Warner e Isaac Foster, que, durante o seu período de experiência na Conferência, se mostraram mais que comumente aceitos e úteis entre o povo; e, ainda, na última sessão da Conferência, tiraram do Gabinete o Rev. C. D. Burlingham, o único presbítero presidente que restava contrário ao domínio deles. Há vários anos, também, por uma “diplomacia clerical” consumada, afastaram muitos dos nossos membros dignos das suas funções oficiais na igreja, por nenhuma outra razão senão a de aprovarem os princípios defendidos por esses irmãos.
Portanto, diante desses fatos e de outros de natureza semelhante, nós, abaixo assinados, convidamos pela presente todos os nossos irmãos que, conosco, se opõem a essa política de proscrição a se reunirem conosco em convenção em Albion, na quarta e na quinta-feira, 1º e 2 de dezembro, para tomar as medidas e adotar o caminho que as exigências do caso pedirem. Irmãos, chegou o tempo em que devemos agir com decisão nesse assunto. A convenção começará na quarta-feira à noite, às sete horas, com uma festa de amor dos leigos. Esperamos que os nossos irmãos que estão conosco nesse assunto compareçam.
[N. do T.: o “Gabinete” (“Cabinet”) é o conselho formado pelo bispo e pelos presbíteros presidentes, que prepara as nomeações dos pregadores.]
Depois da leitura da convocação, passou-se à inscrição, e deram-se os nomes de cento e noventa e cinco leigos em plena simpatia com os objetivos da convenção.
A comissão de resoluções apresentou então o seguinte relatório:
Como membros da igreja de Jesus Cristo, temos o mais profundo interesse na pureza dos seus ministros. A eles recorremos em busca de instrução nas coisas que afetam o nosso bem-estar eterno. As suas ministrações e o seu exemplo nos influenciam muito mais do que talvez percebamos. Como metodistas, não temos voz na decisão de quem serão os nossos pastores. Qualquer um de cem, que os que seguram as rédeas do poder escolherem, pode ser enviado a nós, e espera-se que o recebamos e sustentemos. Podemos, então, com razão, sentir e exprimir preocupação pela pureza do ministério em geral, e especialmente da parte dele que forma a Conferência de Genesee, dentro de cujos limites moramos.
No Novo Testamento aprendemos que os apóstolos, embora gozassem da inspiração do Espírito Santo, costumavam, nas ocasiões importantes, consultar os irmãos em geral e proceder segundo as decisões que estes expressavam. Afirmamos que a razão e a revelação nos dão o direito de formar e expressar a nossa opinião sobre os atos públicos dos ministros que ocupam os nossos púlpitos e são sustentados pelas nossas contribuições. Em teoria, pelo menos, nós, como protestantes, negamos a doutrina da infalibilidade. É possível que a maioria de uma Conferência se engane; é também possível que tome uma decisão injusta e perversa. Cremos que as Conferências, como os outros corpos públicos, podem errar, e que os seus atos são objeto legítimo de crítica, para aprová-los ou condená-los, conforme o caso pedir; e que os membros individuais não devem ser recompensados com a proscrição ou a excomunhão pela expressão honesta das suas convicções; do contrário, a ocultação e a corrupção seriam a ordem do dia.
Consideramos a expulsão dos irmãos Roberts e McCreery um ato de perseguição perversa, que pede a mais forte condenação. Foi também uma violação palpável da liberdade de expressão e de imprensa que as nossas instituições livres garantem a todos.
Os fatos, tal como os entendemos, são estes. Há anos prevalece entre os pregadores uma divisão, nascida da ligação de alguns com sociedades secretas, de uma diversidade de opiniões sobre a doutrina da santidade e de visões diferentes sobre o padrão da justificação.
Escritores do partido da Regência publicaram, no Advocate e em outros jornais, artigos que faziam grande injustiça aos que procuravam manter os antigos marcos do metodismo. As suas exposições partidárias estavam produzindo o efeito pretendido. Muitos sentiram que chegara o tempo de fazer uma exposição do outro lado.
Assim, o Rev. B. T. Roberts escreveu um artigo com o título “Metodismo da Nova Escola”, expondo as suas opiniões sobre as questões em debate. A franqueza e o bom espírito do seu artigo são evidentes. Nós mesmos ouvimos diferentes pregadores, simpatizantes do “partido da Regência”, exporem ideias semelhantes às que lhes são atribuídas no “Metodismo da Nova Escola”.
Por escrever esse artigo, apresentou-se uma acusação de imoralidade contra o Rev. B. T. Roberts. Ele declarou em plena Conferência, aos que o acusavam, que, se os tivesse deturpado, corrigiria e publicaria o seu erro. Não se fez nenhuma correção; ninguém alegou ter sido deturpado.
As acusações foram confirmadas por voto da maioria, embora nas especificações ele fosse acusado de ter escrito o que nenhuma interpretação honesta das suas palavras admitiria. Publicou-se com avidez, por toda parte, que esse pregador útil fora condenado por “conduta imoral e não cristã”. Para satisfazer a ansiedade e o desejo gerais de saber em que consistia a “imoralidade”, um de nós publicou uma segunda edição do “Metodismo da Nova Escola”, das acusações, das especificações e de um breve relato do julgamento. Por pôr em circulação esse documento, esses dois irmãos foram julgados na última Conferência por “conduta imoral e não cristã” e expulsos. Uma testemunha, e só uma, o Rev. J. Bowman, depôs que o irmão R. lhe entregara um pacote desses folhetos para circulação, os quais, porém, ele nunca pôs em circulação.
Ainda que as especificações tivessem sido provadas com toda a clareza, não constituiriam ofensa merecedora de censura. Com tais fundamentos esses homens de Deus, os irmãos Roberts e McCreery, foram expulsos da Conferência e da igreja. Seria razoável supor que a malignidade comum se satisfizesse em depô-los do ministério. Mas tal era a malevolência dos que controlavam a maioria dos votos da Conferência que não puderam parar antes do limite extremo do seu poder. Se não tivessem sido refreados pela lei civil, as fogueiras do martírio poderiam ter sido acesas no século XIX, no oeste de Nova York.
A acusação contra esses irmãos era tão insignificante que, em todos os esforços feitos para justificar os que votaram pela sua condenação, ninguém tentou mostrar que os testemunhos justificavam a decisão. A sua única defesa é: “Se esses homens não mereciam ser expulsos por pôr em circulação o folheto, mereciam por promover o entusiasmo e o fanatismo.” Se é assim, por que não foram julgados por isso? Onde está a justiça de julgar homens por uma coisa e condená-los por outra?
Quanto a essa acusação de “fanatismo e entusiasmo”, sentimo-nos preparados para falar. Os nossos meios de informação são muito mais dignos de crédito do que os dos pregadores que fazem a acusação. Temos assistido aos “acampamentos e reuniões trimestrais gerais”, contra os quais se levantou um clamor especial como “viveiros de entusiasmo”. Temos ouvido a pregação desses irmãos acusados de promover essas desordens; alguns de nós os ouviram durante anos inteiros. Sabemos o que é o metodismo; alguns de nós se converteram e entraram na igreja sob o trabalho dos seus honrados pioneiros. Falamos com conhecimento de causa, portanto, quando dizemos que a acusação feita aos irmãos Roberts e McCreery, e à classe de pregadores denominados “nazaritas”, de promover o fanatismo é totalmente falsa e sem fundamento. Eles simplesmente procuram que levemos a sério a busca do céu. Em vez de atacar a igreja, são os seus defensores. Pregam as doutrinas da Igreja Metodista como costumávamos ouvi-las pregadas anos atrás; e, por meio deles, muitos foram levados a alegrar-se no gozo de uma SALVAÇÃO PRESENTE E PLENA. Não podemos dizer isso dos seus opositores. A Regência afirma que prega as doutrinas da santidade. Ainda não ouvimos a primeira pessoa que, nos últimos anos, tenha experimentado essa bênção por meio deles. Pelo contrário, cremos que alguns deles rebaixaram o padrão da justificação muito abaixo do que o metodismo e as Escrituras autorizam. Portanto, quer consideremos a causa aparente, quer a causa real da expulsão dos irmãos Roberts e McCreery, o ato pede e recebe a nossa condenação sincera e veemente.
Nem podemos deixar passar sem atenção o caminho seguido pelo “partido da Regência” sempre que se apresentaram queixas de caráter grave contra algum dos seus. Têm circulado notícias de que alguns deles foram culpados de “crimes expressamente proibidos na Palavra de Deus”, que envolvem alto grau de torpeza moral. Apresentaram-se queixas, e, embora a prova da sua culpa fosse considerada ampla, foram sumariamente rejeitadas, e de modo a desencorajar todo esforço de levar à justiça, perante a Conferência, qualquer dos pregadores da Regência, por mais perverso e imoral que fosse.
Se nas suas reuniões secretas (cuja existência a princípio negaram com tanta firmeza, mas depois tentaram defender, quando foram plenamente expostas) se fez alguma combinação, expressa ou implícita, para proteger os seus partidários culpados e perseguir os seus opositores inocentes, não temos como saber; mas parece-nos que esse foi o resultado. É impossível termos confiança no caráter cristão daqueles cujos votos são dados para condenar o inocente e proteger o culpado. Também desaprovamos e condenamos com força o procedimento do partido dominante de manter fora da Conferência moços de piedade, talento e promessa reconhecidos, simplesmente porque têm hombridade cristã e consciência demais para se tornarem instrumentos de homens ambiciosos e calculistas. Somos metodistas verdadeiros, leais e tementes a Deus. Não temos a menor intenção de deixar a igreja da nossa escolha. Cremos que os males de que nos queixamos podem ser curados, e para isso não deixaremos de tentar nenhum meio apropriado.
Um remédio evidente está ao nosso alcance: o poder de reter as nossas contribuições. Estamos convencidos de que, por mais fortemente que condenemos o procedimento da facção da Regência, eles não se corrigirão enquanto forem sustentados. Além disso, não podemos em consciência dar o nosso dinheiro para abafar a obra do Senhor. Portanto, queremos que fique bem entendido que não podemos pagar um centavo a nenhum pregador ou presbítero presidente que tenha votado pela expulsão dos irmãos Roberts e McCreery, a não ser mediante “contrição, confissão e reforma satisfatória”.
Alguns talvez pensem que essa atitude da nossa parte é revolucionária. Mas, pelos trechos seguintes, se verá que estamos apenas exercendo os nossos direitos indiscutíveis de modo constitucional.
Damos provas inquestionáveis da nossa lealdade à igreja ao procurar assim corrigir um dos abusos de poder mais opressivos e tirânicos de que já se ouviu falar.
Confiamos que ninguém pensará em deixar a igreja; mas permaneçamos todos firmes e apliquemos o remédio próprio e legítimo contra os ultrajes vergonhosos cometidos sob as formas da justiça.
Citamos o Ensaio sobre a política eclesiástica do Rev. Abel Stevens, doutor em direito. Esse livro foi adotado pela Conferência Geral como livro-texto no curso de estudos dos pregadores jovens. Tem, portanto, a mais alta autoridade. O Dr. Stevens diz (Church Polity, pág. 162): “Que controle tem o povo sobre essa máquina? É claro que, assim como os pregadores elegem os bispos e os bispos distribuem os pregadores, o povo deve controlar todo o plano por meio de um contrapeso sobre todo o corpo ministerial. Isso está previsto na forma mais decisiva que poderia assumir, isto é, o poder das contribuições financeiras. Não existe na economia metodista nenhum contrato estipulado de sustento. A Disciplina admite certo sustento, mas não o impõe; e nenhum pregador metodista pode mover ação civil pelo seu salário. A Conferência Geral renuncia a todo direito de tributar os bens dos nossos membros.
“Uma igreja metodista não precisa, para controlar ou remover o pregador, processá-lo por um procedimento judicial demorado e caro, mas simplesmente avisar que, a partir de certa data, AS SUAS CONTRIBUIÇÕES CESSAM. Ele não pode viver de ar; tem de submeter-se ou partir.
“Essa seria certamente uma garantia suficiente; e esse controle se aplica não só a uma prerrogativa específica do ministério, mas a todo o sistema ministerial. O saudoso Dr. Emory o expõe assim:
“‘Dissemos que a Igreja Metodista Episcopal possui uma segurança eficaz e substancial contra quaisquer abusos tirânicos da parte dos seus pastores. Pois a pura verdade é que não há, no mundo inteiro, um corpo de ministros mais perfeitamente dependente daqueles a quem serve do que o ministério itinerante metodista. O nosso sistema nos põe, de fato, não só de ano em ano ou de trimestre em trimestre, mas de semana em semana, ao alcance de tal controle da parte do povo como nenhuma outra denominação, cremos sinceramente, possui.'”
O Dr. Bond, na sua Economy of Methodism, pág. 35, diz: “A Conferência Geral nunca se considerou autorizada a cobrar impostos dos leigos, ou a fazer de qualquer contribuição em dinheiro uma condição para ser membro da igreja. Os nossos pregadores dependem inteiramente das contribuições voluntárias dos leigos; e por isso temos sobre eles um controle positivo e absoluto; pois, sempre que os seus rebanhos retirarem o sustento, os pregadores serão obrigados a abandonar as suas relações pastorais atuais e a dedicar-se a alguma ocupação secular. O pregador itinerante que depende, para o pão de si mesmo e da sua família, da boa vontade dos irmãos leigos não pode ter nenhuma tentação de exercer sobre eles uma autoridade injustificável ou odiosa.”
Na Ecclesiastical Polity, do Rev. A. N. Fillmore, pág. 166, temos o seguinte: “Os pregadores metodistas não têm nenhum meio de obrigar ao pagamento de um centavo para o seu sustento, pois, embora a Disciplina preveja certa verba, não oferece nenhum meio de obtê-la; e não há nenhum artigo que exponha sequer à censura o membro que deixe ou se recuse a contribuir para o sustento do evangelho.”
Assim, o direito de reter as contribuições, por razões boas e suficientes, é admitido e defendido por autores clássicos da nossa igreja. Que tal razão existe agora deve ser evidente a todos os que não estejam inteiramente cegos às exigências da justiça e da humanidade.
Nem podemos aprovar o ato do bispo de nomear para o cargo de presbítero presidente homens que participaram das medidas de proscrição do partido da Regência. Pensamos que esse posto deve ser ocupado por homens que simpatizam com a vida e o poder da piedade e que trabalham para promovê-la. Consideramos a igreja uma organização estabelecida para ajudar a garantir a salvação das almas, e não principalmente para levantar dinheiro.
Esta convenção nasceu entre nós mesmos. A primeira sugestão foi feita por um de nós. Nem os irmãos expulsos nem qualquer dos membros da Conferência tiveram coisa alguma a ver com a convocação desta convenção. Mencionamos esse fato porque se faz com frequência a insinuação de que o povo não pode fazer nada senão por instigação dos pregadores. Não somos papistas, que precisam ser instruídos pelo sacerdócio a cada passo sobre que atitude tomar ou que jornais e livros ler.
Asseguramos aos nossos irmãos ministros, tanto os que foram lançados fora da Conferência como os que nela permanecem e se dedicam à obra de espalhar a santidade bíblica, que têm a nossa ardente simpatia; e, enquanto empregarem o seu tempo e os seus talentos no esforço de promover a vida e o poder da piedade, comprometemo-nos a sustentá-los cordialmente, com a nossa influência e os nossos recursos, estejam ou não na Conferência. Portanto,
Resolvido, que temos a máxima confiança nos irmãos B. T. Roberts e Joseph McCreery, apesar da sua expulsão da Conferência, e os contamos entre os ministros mais puros e mais capazes do Novo Testamento.
Resolvido, que nos mantemos fiéis às doutrinas e aos usos dos pais do metodismo. A nossa adesão à Igreja Metodista Episcopal é sincera e calorosa; mas não reconhecemos a política opressiva da fraternidade secreta da Conferência, conhecida como Regência de Buffalo, como ato da igreja, e não podemos nem queremos submeter-nos a ela. Consideramo-la uma grosseira má administração sob a aparente sanção de formas judiciais.
Resolvido, que os leigos têm alguma utilidade para a igreja e que as suas opiniões e pontos de vista deveriam merecer algum pequeno respeito, em vez do frio desprezo com que os seus desejos têm sido tratados por alguns dos oficiais da Conferência nos últimos anos.
Resolvido, que o grito farsesco de desunião e secessão é produção astuta de homens calculistas, para assustar os fracos e tímidos e fazê-los entrar nos seus planos de ação e de proscrição. Queremos que fique bem entendido que não temos, nem nunca tivemos, a menor intenção de deixar a igreja da nossa escolha, e que aprovamos de coração o procedimento dos irmãos Roberts e McCreery de voltar a filiar-se à igreja na primeira oportunidade; e esperamos que a administração opressiva e contrária ao metodismo, indicada na Carta Pastoral como política atual da maioria da Conferência, não leve nenhum dos nossos irmãos a sair da igreja. Os metodistas têm mais direito do que ninguém à Igreja Metodista Episcopal, e, pela graça de Deus, nela pretendemos permanecer.
Resolvido, que é motivo de não pequena queixa, e de prejuízo para a igreja de Deus, que esses pregadores, na sua administração pastoral local, se tenham dedicado deliberadamente a excluir dos cargos oficiais da igreja líderes, ecônomos e curadores, membros de experiência cristã profunda e indubitável, por causa da sua adesão ao metodismo espiritual e religioso, e a pôr nos seus lugares pessoas de experiência religiosa leve e superficial, por causa da sua adesão a um metodismo de política mundana.
Resolvido, que não ajudaremos no sustento de nenhum membro da Conferência de Genesee que tenha contribuído, com o seu voto ou com a sua influência, para a expulsão dos irmãos Roberts e McCreery da Conferência e da igreja, até que estes sejam plenamente restaurados à sua posição anterior; e recomendamos a todos os que creem que esses irmãos foram injustamente expulsos da Conferência e da igreja que sigam o mesmo caminho.
Resolvido, que recomendamos ao Rev. B. T. Roberts e ao Rev. J. McCreery que viajem livremente e trabalhem, conforme a oportunidade se apresentar, pela promoção da obra de Deus e pela salvação das almas.
Resolvido, que recomendamos ao irmão Roberts que estabeleça a sua família na cidade de Buffalo.
Resolvido, que, na nossa opinião, o irmão Roberts deve receber 1.000 dólares para o seu sustento durante o próximo ano, e o irmão McCreery, 600 dólares.
Resolvido, que recomendamos a nomeação de uma comissão de quinze pessoas para pôr em prática as resoluções acima, cada uma das quais estará autorizada a nomear os coletores que julgar necessários; e recomendamos também a nomeação de um tesoureiro, a quem se pagarão todas as quantias recebidas para esse fim, e que as pagará, proporcionalmente, aos irmãos Roberts e McCreery, recebendo deles os recibos.
Resolvido, que se envie uma cópia do preâmbulo e das resoluções acima ao Northern Independent, com o pedido de que sejam publicados.
S. K. J. Chesbrough, Pekin; William Doyle, Youngstown; George W. Estes, Brockport; S. S. Rice, Clarkson; John Billings, Wilson; Jonathan Handly, Perry; Anthony Ames, Ridgeville. Comissão de Resoluções.
Seguiu-se considerável discussão depois da leitura do relatório, sobretudo quanto ao alcance exato de algumas das resoluções; mas a natureza da discussão foi tal que produziu entendimento e acordo gerais, e depois disso o relatório foi aprovado no seu conjunto.
As palavras sérias e dignas desse relatório, aprovado por um corpo tão respeitável de homens tementes a Deus, causaram profunda impressão na comunidade. Além de dar notícia dos oficiais eleitos e dos trabalhos da convenção, o Orleans American, em comentário editorial, exprimiu-se assim sobre o que se fez na ocasião:
Na quinta-feira de manhã a convenção passou aos trabalhos. As discussões se fizeram com animação, com bom espírito e com notável competência. A ação da convenção foi harmoniosa num grau que não tínhamos previsto. Era formada por homens capazes, que se tinham posto a trabalhar com seriedade para corrigir o que criam ser um grande mal na administração dos assuntos da igreja. Se o caminho adotado produzirá o resultado desejado, ainda está por ver. O número de presentes foi muito maior do que se esperava, estando representadas todas as partes da Conferência. W. G. Colegrove veio de Smethport, condado de McKean, Pensilvânia; G. C. Sheldon, de Allegany; e James Brooks, de Olean. Havia na convenção bom número de cabeças grisalhas. De destaque entre os mais velhos estava I. M. Chesbrough, de Pekin, que primeiro sugerira a realização de uma convenção, um velho senhor de nobre aparência, vindo outrora de Baltimore. O Sr. Jeffres, de Covington, também conquistou excelentes opiniões pela pertinência e pela competência das suas observações.
De acordo com a recomendação da convenção, os Srs. Roberts e McCreery dedicaram-se a trabalhar por toda a Conferência em nome de Cristo e pelo avanço do seu reino, dirigindo reuniões religiosas como leigos e trabalhando da melhor maneira que podiam pela salvação dos seus semelhantes. Tinham o cuidado, porém, de declarar que não reivindicavam nenhuma autoridade da Igreja Metodista Episcopal para realizar esses cultos, mas que o faziam por se sentirem chamados por Deus a esse trabalho pela salvação das almas, e sob a sua própria responsabilidade como homens e como cristãos.
Depois da expulsão, esses irmãos tinham voltado a filiar-se à igreja como membros em experiência (crendo, por razões que serão mostradas mais adiante, que era certo e apropriado fazê-lo) e tinham recebido licença de exortadores; mas o presidente de um julgamento eclesiástico posterior decidira que eles não eram membros da Igreja Metodista Episcopal, nem mesmo em experiência. Além de anunciar que prosseguia no seu trabalho como homem que se sentia chamado por Deus a ele, sob a sua própria responsabilidade como homem e como cristão, o Sr. Roberts publicou o seguinte no Northern Independent:
Parece ser questão entre os doutores se pertenço ou não à igreja. Fiz o melhor que pude para permanecer nela; e, quando fui lançado fora sem culpa minha, procurei voltar e realmente pensei que o tinha conseguido; mas o presidente de um julgamento eclesiástico recente (e esses julgamentos, diga-se de passagem, estão ficando muito numerosos na Conferência de Genesee) decidiu que eu não era membro, nem mesmo “em experiência”. Como essa foi uma “decisão judicial”, um “ato de administração”, naturalmente resolve a questão. Mas, dentro ou fora, confio que ainda me será permitido ter “o desejo de fugir da ira vindoura”. A nossa excelente Disciplina especifica, entre os frutos desse desejo, “instruir, repreender ou exortar todos com quem tenhamos contato”. É isso, então, o que estou fazendo. O Senhor abriu uma porta grande, pela qual entrei (1Co 16.9). Não reivindico nenhuma autoridade dos homens, mas simplesmente “instruo, repreendo e exorto”, porque creio que ele me chamou para isso, e ele me abençoa nisso. Por toda parte aonde vamos, congregações grandes e atentas ouvem a Palavra com interesse aparentemente profundo.
[N. do T.: as expressões entre aspas vêm das Regras Gerais das Sociedades Metodistas, na redação já usada no site.]
Não é exagero dizer que, depois do que aconteceu na Convenção dos Leigos e do início do trabalho de Roberts e McCreery conforme o conselho da convenção, os homens da “Regência” ficaram muito agitados. A sua agitação se exprimiu primeiro pelas colunas do Buffalo Advocate e do Northern Christian Advocate, que pareciam competir entre si para derramar sobre esses homens excomungados, e sobre os detestados “nazaritas” em geral, as taças da sua ira e dos seus insultos. O redator do primeiro desses jornais parecera inclinado a tratá-los com bondade por algum tempo, mas agora sobreviera nele uma mudança decidida. Escrevendo sobre o seu procedimento, o Sr. Roberts diz:
O Dr. Hibbard nos tratou com grande consideração até que se obteve uma clara maioria contra nós. Então foi até o fim para justificar cada ato da maioria e para criar uma opinião pública contra os que eles tinham proscrito.
As afirmações que publicou no seu jornal sobre o partido proscrito da Conferência de Genesee eram tão inexatas que o Rev. W. Hosmer, que procurava dizer a verdade fosse onde fosse, e que não podia suportar a duplicidade, lhe deu, num editorial de 29 de janeiro de 1859, este lembrete: “Esperamos que ele se lembre de que mesmo um redator oficial tem algumas obrigações de dizer a verdade.”1
Assim, por meio dessas publicações, ajudadas por outras que a influência das sociedades secretas lhes permitia controlar no seu interesse, a maioria adversária continuou a lançar uma torrente incessante de exageros, deturpações e falsidades descaradas para difamar esses objetos do seu desprezo e do seu ódio. Tão flagrantes e desavergonhados eram esses periódicos nesses aspectos que um membro destacado da Conferência de East Genesee se sentiu obrigado a dizer, talvez com algum sarcasmo, de um deles, pelo Northern Independent:
Se o Advocate e a panelinha da qual ele é órgão servil e mercenário apenas se abstiverem de nos elogiar, julgaremos que somos muito afortunados. Os seus insultos são o mais alto elogio. O seu louvor seria insuportável. Com qualquer marca da aprovação deles sobre nós, sairíamos, como Caim ao ser marcado, da presença do Senhor, clamando: “Meu castigo é tão grande, que não poderei suportá-lo” (Gn 4.13).
Além disso, o redator do Northern Independent, homem de convicções e de igual coragem para declará-las, e a quem as autoridades da igreja não conseguiam intimidar e calar quando ele julgava que devia falar, escreveu sobre “O procedimento do Advocate“, num dos seus editoriais, o seguinte:
O redator do N. C. Advocate está avançando furiosamente contra os “nazaritas”. Como se os infelizes irmãos designados por esse termo de gíria não tivessem sido suficientemente perseguidos, ele se lança sobre eles com a bravura e a perspicácia que lhe são características.
Ele finge crer que existiu certa vez uma sociedade nazarita; outros, porém, sabem melhor, e as suas revelações históricas passam por nada. Aliás, o redator escreve sobre esse assunto com pouco discernimento. Parece esquecer que, entre as coisas mais insuportáveis, está o triunfo da arrogância oficial sobre a virtude caída. Deveria saber que o homem contra quem se dirigem principalmente as suas flechas é seu igual em todos os sentidos e seu superior em erudição, em talentos e em todos os elementos mais elevados do caráter ministerial. Dizemos essas coisas com mais liberdade porque nunca fomos defensores dos nazaritas. Julgamos que o nosso dever é deixar que eles mesmos se defendam, trabalho que são bem capazes de fazer. As nossas colunas estarão sempre abertas aos perseguidos. Dois jornais, o N. C. Advocate e o Buffalo Advocate, estão inteiramente ocupados na nobre obra de extirpar esses irmãos, e fechar-lhes as nossas colunas nesse extremo seria descer a uma baixeza a que não queremos descer. Não atacamos a Regência, como é chamado o partido dominante da Conferência. Condenamos um ato da Conferência de Genesee, porque nos pareceu insensato e injusto em altíssimo grau. Outros podem aprovar a expulsão dos irmãos Roberts e McCreery, se quiserem, pois este é um país livre; mas teremos a nossa própria opinião sobre o assunto e sobre as dificuldades que lhe são afins. Ao discordar da maioria da Conferência, não ocupamos nenhuma posição partidária; é um juízo independente sobre um fato particular. Toda opressão, no Norte ou no Sul, de homens negros ou de homens brancos, é igualmente perversa e merece a nossa cordial aversão. Afirmamos que os homens devem ter um julgamento justo, e que uma maneira arbitrária e prepotente de dispor deles é apenas uma nova demonstração do mesmo espírito desenfreado de opressão que manteve o africano pisado durante séculos. Mas o mais singular em tudo isso é a notável bravura do irmão Hibbard. Sempre que a guilhotina eclesiástica corta a cabeça de um homem, ele imediatamente se põe em guarda, como um cavaleiro andante, e ataca o cadáver. É terrível: contra tal inimigo, Lutero e Knox não se igualariam a ele.
Outros homens de destaque na igreja não hesitaram em falar em termos inequívocos sobre a reputação dos periódicos mencionados de exagerar e deturpar o que diziam a respeito dos “nazaritas” e do “nazaritismo”. O Rev. Hiram Matteson, doutor em teologia, escreveu: “Quem não se lembra de que, pouco antes da última Conferência Geral, o irmão Hibbard publicou vários artigos longos no Christian Advocate defendendo as mesmas doutrinas que agora chama de ‘nazaritismo’?” E o Rev. C. D. Burlingham se exprimiu assim:
O Advocate está fazendo o possível para manter a sua reputação atual. Pela deturpação e pelos insultos, o Northern Christian Advocate tem pleno direito à palma. O zelo, o zelo intenso, costuma ser traço destacado do caráter de um recém-convertido.
Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.