Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo I

O uso do altar, a música e os introdutores

O uso do altar

Há milhares de anos o altar é um lugar preferido de encontro entre Deus e o seu povo. Em algumas tradições, é conhecido como a “grade da comunhão”, onde a comunhão do Éden pode ser parcialmente recuperada. O pastor tem a preciosa responsabilidade de fazer do altar um lugar acolhedor, ao qual o povo venha livremente e com frequência para encontrar “graça para ajuda em momento oportuno” (Hb 4.16).

O altar, tal como o conhecemos na Igreja Metodista Livre, simboliza, em parte, o “banco dos penitentes” dos avivamentos em acampamentos dos tempos da fronteira americana. Ele atende à necessidade prática de um lugar para oração, confissão e comunhão com Deus diante da congregação. Simbolicamente, continua a representar um lugar de sacrifício, onde aquele que busca a Deus, arrependido, se apresenta a ele como oferta viva e experimenta o perdão e a aceitação do Salvador.

Além de ser o lugar aonde as pessoas com necessidades espirituais específicas vêm buscar o Senhor, o altar pode ser usado de várias maneiras:

  1. Pode ser usado em reuniões de oração de pequenos grupos, como uma reunião de homens no domingo bem cedo ou uma reunião de oração e jejum na hora do almoço.
  2. Os membros da congregação podem ser convidados a orar no altar durante a oração pastoral.
  3. Os candidatos à membresia são trazidos ao altar como símbolo da sua consagração a Cristo e à igreja.
  4. O altar é muitas vezes usado como lugar de confissão e comunhão durante o sacramento da Ceia do Senhor.
  5. A congregação pode ser convidada a um compromisso em oração ao redor do altar, como conclusão do sermão.
  6. O altar é um lugar apropriado para um culto de cura, especialmente o Culto de oração pela cura das feridas humanas (veja a p. 73). [N. do T.: assim no original; esse culto está na p. 60.]

As igrejas são incentivadas a incluir um altar no projeto arquitetônico do local de culto.


A música e a direção do cântico

Martinho Lutero declarou certa vez a importância da música, quando disse: “Depois da Palavra de Deus, a música merece o mais alto louvor. O dom da linguagem, unido ao dom do canto, foi dado às pessoas para que proclamassem a Palavra de Deus por meio da música.”

A música é um dom glorioso de Deus como veículo da verdadeira adoração. Por isso, cada culto deve incluir cântico e instrumentação de qualidade, adequados à congregação e ao estilo do culto. As letras devem manter o equilíbrio entre o foco em Deus (hinos e cânticos bíblicos) e o foco na pessoa (cânticos evangelísticos e corinhos).

O pastor é responsável pelo cultivo, pela supervisão e pelo uso da música sacra.

Pessoas qualificadas, cujo caráter e cuja vida revelem os princípios das Escrituras e que apoiem os padrões da Igreja Metodista Livre, serão escolhidas para dirigir o cântico no culto público e, onde houver música instrumental, para tocar o(s) instrumento(s).

O pastor é responsável por providenciar o cultivo da música sacra e por evitar a complexidade e o formalismo no cântico. O cântico é uma parte do culto divino da qual todos os presentes devem participar. A música congregacional não deve ficar em segundo plano em relação à música especial. Devem ser escolhidos hinos adequados à ocasião, e raramente se devem usar mais de quatro ou cinco estrofes de um mesmo hino…

… O propósito da música no culto divino é inspirar e sustentar a adoração. A música vocal e instrumental usada no culto deve procurar contribuir para a reverência e para uma adoração elevada, e não para a exibição de talentos.

Par. A/378, Livro de Disciplina

O canto dos hinos pela congregação é um meio de graça e um ato de culto divino. O cântico nunca é um aquecimento, um tapa-buraco ou um truque para mudar de posição. É parte integrante da adoração e da comunhão no Espírito.

Orientações gerais

  1. Prepare o seu próprio espírito para dirigir o culto, separando tempo para orar antes de cada culto e pedindo a Deus que o unja com o seu Espírito como membro da equipe de louvor.
  1. Peça ao pregador o tema do sermão, para escolher hinos e cânticos apropriados.
  1. Escolha a música antes do culto. Anote os seus planos para cada número. Por exemplo, indique quais estrofes serão cantadas.
  1. Entregue ao(s) acompanhador(es) uma cópia da ordem do culto, com instruções completas sobre a música a ser usada, inclusive quais estrofes serão cantadas.
  1. Ao usar corinhos com retroprojetor, certifique-se de que:a. o operador do projetor está preparado, com as transparências na ordem de uso;b. o operador sabe como posicionar as transparências;c. a projeção está nítida o bastante para ser vista por todos os adoradores. Sempre que possível, projete a música junto com a letra, para ajudar os que chegaram há pouco a aprender os corinhos. Isso também incentiva o canto a vozes;d. a permissão da Christian Copyright License, Inc. (CCLI) foi obtida. (Ela é exigida sempre que as letras dos cânticos são impressas ou projetadas para a congregação.)

[N. do T.: a CCLI é a entidade que licencia o uso, nas igrejas, de cânticos protegidos por direitos autorais.]

  1. A economia de palavras é sempre bem-vinda na direção do culto, e isso vale para todos os que contribuem de alguma forma para a música. O dirigente do cântico anuncia um hino com no máximo uma ou duas frases bem pensadas. Se a congregação está cantando bem, não precisa ser interrompida entre as estrofes com comentários ou exortações.
  1. Evite dar uma aula de hinologia no culto da manhã. Isso é apropriado de vez em quando, num horário marcado para apreciar hinos ou aprender hinos e cânticos novos.
  1. Nunca tente, com gracejos, fazer a congregação cantar mais alto, mais depressa ou com um sorriso maior. Isso enfraquece o espírito de adoração, porque chama a atenção para o desempenho. A concentração na letra e na música, com boa direção e bom acompanhamento, produzirá o fruto da edificação, da alegria e de um entusiasmo harmonioso. A mecânica da direção do cântico deve ficar sempre em segundo plano.
  1. Não é apropriado agradecer à congregação por ter cantado bem. Ela não está cantando para você, dirigente do cântico. Todos estão cantando em louvor a Deus, na alegria da sua grande salvação. É a ele que se deve agradecer!
  1. Se for dirigir o cântico, peça ajuda a um músico profissional para aprender a reger compassos simples. Mantenha um bom andamento, nem rápido nem lento demais. Pratique diante do espelho.

Se você rege com uma só mão, marque para a congregação o ritmo da letra. Se consegue usar as duas mãos de forma independente, pode reger o cântico com uma mão e marcar o compasso para os instrumentos com a outra.

Não é preciso cantar mais alto do que a congregação para dirigi-la com a voz.

  1. Os instrumentistas são membros da equipe de direção. No entanto, devem em geral acompanhar o cântico, a não ser nas raras situações em que seja importante que eles conduzam. Os instrumentistas precisam ter sensibilidade para manter o equilíbrio de harmonia e volume entre instrumentos e vozes. Equilibre com cuidado os instrumentos naturalmente fortes, como os metais e a bateria.

Os introdutores

Depois dos dirigentes do culto público, são os introdutores que têm mais influência sobre a qualidade do culto do que qualquer outra pessoa presente. Eles influenciam o culto pelo seu senso de reverência, pela sua habilidade em receber e acomodar as pessoas, pelo seu calor humano com os visitantes, pela sua capacidade de lidar com emergências e pela sua conduta em geral.

Orientações gerais

  1. Chegue pelo menos quinze minutos antes do horário marcado para o culto; mais cedo, se houver previsão de casa cheia.
  1. Frequente os cultos com regularidade, para entender o andamento do culto e liderar pelo exemplo.
  1. Vista-se como se vestiria para qualquer evento público importante na sua comunidade. A sua maneira de vestir deve contribuir para o senso da presença de Deus.
  1. Seja um adorador exemplar. Evite tanto a formalidade rígida quanto o desleixo exagerado. Mascar chiclete, encostar-se nas paredes ou ficar conversando distraído com os colegas não é de bom gosto.
  1. Considere-se em serviço desde o momento em que assume as suas tarefas até o fim do culto. Durante todo esse tempo, seja amável e prestativo: ajude quando for o caso, responda a perguntas sobre telefone e banheiros, localize na congregação pessoas que sejam necessárias em emergências etc. Na medida do possível, aprenda o nome dos frequentadores regulares, para cumprimentá-los pessoalmente.
  1. Esteja sempre atento à orientação de quem estiver dirigindo.
  1. Valorize a sua parceria com o pastor e com a equipe de culto. Fique atento às necessidades que só você pode ajudar a resolver (ventilação, iluminação, alguém que passe mal durante o culto etc.).

Formas de acomodar as pessoas

As formas de acomodar as pessoas devem ser demonstradas pelo pastor ou pelo introdutor-chefe num encontro de treinamento. Você será responsável por aprender e seguir essas instruções.

Formas de recolher as ofertas

Se você for responsável por recolher a oferta, o procedimento deve ser demonstrado pelo introdutor-chefe. Por exemplo, ao se dirigir aos primeiros bancos para recolher a oferta, fique atento para que as salvas passem em ordem por cada fileira, avançando pelo corredor de modo discreto. A sua atenção deve estar voltada não para as pessoas e o que elas dão, mas para a maneira ordenada e natural como a oferta é recolhida.

Ausência

Se precisar faltar, avise o introdutor-chefe e, se ele pedir, providencie um substituto com a maior antecedência possível.

Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 44-49 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.