Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo II
[N. do T.: o título inglês é The Pastor as Shepherd, “o pastor como pastor de ovelhas”. Em português, a mesma palavra serve para os dois sentidos, por isso o título ficou “no cuidado do rebanho”.]
O apóstolo Pedro exortou os pastores a cuidar do rebanho de Deus como pastores (1Pe 5.2). Cuidar é partilhar as alegrias e os fardos dos outros: “Alegrem-se com os que se alegram e chorem com os que choram” (Rm 12.15). O verdadeiro cuidado pastoral exige habilidade profissional, mas, mais importante ainda, interesse amoroso e coração de pastor. Cuidado com um desempenho frio no ministério, que não entra na vida pessoal do seu povo.
Como nenhum outro profissional, o pastor recebe o alto privilégio de estar com o seu povo nos momentos importantes da vida, como o nascimento, a conversão ou o batismo, o casamento e a morte. Haverá muitas outras ocasiões de celebração ou de crise para as quais o pastor será convidado. Nesses momentos, o pastor é um representante de Cristo.
O pastor que cuida ministra ao rebanho de muitas maneiras, inclusive pelo espírito com que dirige o culto, coordena a administração e supervisiona os esforços de educação, de evangelismo e de alcance. Mas o que os membros agradecidos mais lembram é o cuidado amoroso demonstrado a cada pessoa.
O Concílio Geral de 1995 reconheceu as responsabilidades e, portanto, as exigências dos ministros. Para os que são chamados a lidar com a alma das pessoas e a conduzi-las no desenvolvimento espiritual, são necessárias as seguintes qualidades e habilidades para o cuidado pastoral:
Livro de Disciplina, Par. A/504
Por meio desses dons naturais e dessas habilidades adquiridas, o Espírito Santo torna o ministério eficaz. O Concílio Geral de 1995 pôs em primeiro lugar as qualificações espirituais para o ministério ordenado. Leia-as e considere-as com cuidado e oração:
Qualificações espirituais:
A figura do pastor de ovelhas é uma analogia apropriada para o cuidado pastoral. Ela transmite a responsabilidade e o privilégio de conhecer cada membro do rebanho e, por sua vez, ser conhecido por eles. Mas, numa congregação que cresce, isso não pode ser feito sozinho. O pastor recrutará e treinará auxiliares no cuidado do rebanho de Deus. Partilhar esse ministério com os leigos cria uma comunhão amorosa. O Corpo cresce à medida que cada membro serve e cuida dos outros. Feliz o pastor que conduz uma congregação que cuida. Um pastor fiel assim terá a gratidão do rebanho e a aprovação do Supremo Pastor.
Por decisão do Concílio Geral de 1995, as qualificações pessoais para o ministério ordenado na Igreja Metodista Livre estão descritas nos parágrafos A/502 a A/506 do Livro de Disciplina. Por instrução da Junta de Bispos, incluem-se aqui as responsabilidades dos pastores tal como constavam das edições anteriores do Livro de Disciplina.
Os deveres do pastor encarregado de uma nomeação pastoral são:
* Todas as pessoas nomeadas como pastores estão autorizadas a ministrar o sacramento da Ceia do Senhor às suas respectivas congregações.
Uma grande parte do trabalho do pastor será com pessoas em dificuldade. A aflição, disfarçada de muitas formas, ronda o caminho da vida. Corações perturbados precisam do ministério de um pastor espiritual que compreenda e se importe.
Às vezes uma decepção ou uma doença grave despedaça as esperanças de uma família. Reveses financeiros perturbam a tranquilidade de um lar bem organizado. Um filho rebelde, uma filha desviada, um irmão imprudente trazem tristeza, vergonha e dor a uma casa. Um acidente trágico ou uma morte prematura invade sem piedade outro lar. Há corações doendo, que precisam do ministério do consolo e da compreensão.
Nessas horas trágicas, o pastor tem o privilégio de chegar com um ministério de bondade, compreensão e ajuda, em nome de Cristo.
Não hesite. Vá imediatamente. Console o seu povo.
Se surgiu um conflito ou um mal-entendido entre membros da sua congregação, você pode ajudar a curar uma ferida ou a corrigir um erro. As pessoas a quem você serve vão amá-lo para sempre por isso. Uma conversa franca com os envolvidos pode deter um mal-entendido ou curar uma ferida que infecciona. Tratando o caso com honestidade e amor, você pode evitar mais tragédias. Natã fez um dia inteiro de trabalho quando falou francamente a Davi: “Esse homem é você” (2Sm 12.7).
Se um filho ou uma filha caiu em desonra pública, vá imediatamente àquela casa. Você poderá dar um conselho sábio e confidencial. Não é hora de condenar, mas de mostrar um espírito compreensivo.
Se chegar a notícia de uma doença grave, não perca tempo em visitar aquela casa; uma alma pode estar perto da eternidade e precisar das suas orações.
Quando um membro cai em tentação, talvez sem perceber as consequências trágicas, o pastor exercerá o ministério da confrontação amorosa e do resgate, como o pastor usa com firmeza o seu cajado para salvar uma ovelha desgarrada. Siga a verdade em amor, para ajudar uma ovelha do rebanho a não se afastar do aprisco da proteção de Deus.
Quando a morte chegar, não tente estancar as lágrimas dos que estão tristes ou em luto profundo. As lágrimas aliviam o coração perturbado e muitas vezes impedem que ele se parta. Pouco a pouco, com delicadeza, leve os que choram a pensar no outro lado. O verdadeiro consolo vem quando pensamos as coisas à luz dos propósitos eternos de Deus para cada um de nós. Uma oração apropriada, feita com naturalidade no momento certo, ajudará muito.
Se parecer sábio ler as Escrituras na casa onde chegou a dificuldade, leia pouco e depois ore, num espírito de consolação, mencionando diretamente os que estão sofrendo. Sempre que possível, use passagens inteiras das Escrituras, em vez de versículos soltos, mas não deixe que a leitura fique longa, porque a capacidade de concentração sofre quando vem a aflição.
Para os aflitos: Sl 46; Is 12.1-2; Is 26.3-9; Is 43.1-3; Jo 14.1-7,27; Rm 8.28,31,37-39; 1Pe 5.7-11.
Para usar em tempo de doença: Sl 23; Sl 27.1-6; Sl 46.10-11; Sl 111; Sl 121; Is 40.3-5,11,29-31; Jo 10.11-18; Ap 21.2-4.
Para o cristão cuja vida está se apagando: Sl 51.10-12,15; Is 55.1a,6-13; Mt 11.28-30; Lc 2.29-32; Jo 3.16-21; Jo 11.25-26; Hb 12.1-2.
Para usar na casa onde houve uma morte: Sl 31.24,19,20a; Dt 33.27; Sl 34.4-5,7-9; Sl 103.1-18; 2Co 4.7-12,16-18; Tg 1.2-4,12.
A integridade da membresia é uma marca do autêntico Corpo de Cristo. A responsabilidade principal de manter um rol de membros digno cabe ao pastor. A tarefa é exigente demais para ser feita sozinho. Membros sensíveis, dedicados e bem informados da congregação precisam trabalhar com o pastor para alcançar e manter a integridade da membresia.
O Concílio Geral de 1985 tomou providências para ajudar a igreja local criando a Comissão de Cuidado de Membros. (Veja o Livro de Disciplina, Pars. A/402.3, Seç. 10, e A/404.4.) Depois, preparou-se um Manual da Comissão de Cuidado de Membros, para dar ajuda prática ao pastor e ao povo de cada igreja local. Recomenda-se com insistência a todo pastor que se familiarize com esse manual, para orientar a Comissão de Cuidado de Membros local no seu trabalho.
O Manual da Comissão de Cuidado de Membros pode ser obtido na Light & Life Communications, telefone 1-800-348-2513.
O cuidado dos membros deve continuar quando eles se mudam da área do seu ministério. O escritório da Junta de Bispos fornece formulários que podem ser usados para avisar os pastores metodistas livres de que um membro da sua congregação está se mudando para a região deles. O uso desses formulários também lhe dará um registro da sua resposta oportuna e do acompanhamento pastoral. Se um membro se mudar para uma região onde não há Igreja Metodista Livre, recomenda-se enviar o formulário ao pastor de uma denominação irmã. Isso pode exigir alguma pesquisa, para garantir que você está ligando o seu amigo a uma congregação saudável.
Hinos
Leituras do Antigo Testamento*
Oração coletiva**
Oração pastoral
Passagens do Novo Testamento*
Sermão sobre o perdão
Oração no altar
Entrega dos cartões de perdão***
Oração do pastor por cada pessoa que responder
(O pastor deve manter sigilo absoluto, tanto na oração quanto no manuseio dos cartões de perdão.)
Oportunidade para testemunhos
Hino
Oração final de ação de graças
Bênção
* Leituras bíblicas
Antigo Testamento: Ed 10.1; Sl 34.4-18; 41; 85.1-7; 103; Is 43.25; 44.22; 44.7; 57.14-21; Ez 18.31.
Novo Testamento: Mt 6.12-25; 18.21-35; Lc 15.11-13; 17.14; 18.9-14; At 3.19; Ef 1.7; 4.32; Cl 3.12-17; 1Jo 1.9.
** Oração da congregação
Deus todo-poderoso e misericordiosíssimo, reconhecemos e confessamos que pecamos contra a tua santidade. Não te amamos de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e com toda a força. Não amamos o nosso próximo como a nós mesmos. Suplicamos-te, ó Deus, que nos perdoes as nossas falhas. Ajuda-nos a corrigir os nossos caminhos e, na tua misericórdia, dirige os nossos passos futuros, para que o teu amor e a tua bondade reinem sempre, sem rival, no nosso coração. Que daqui em diante andemos sempre nos teus caminhos, de modo irrepreensível, e sigamos os passos de Jesus, teu Filho, até o fim da vida. Em nome dele oramos. Amém.
ou:
Pai todo-poderoso, Senhor do céu e da terra, confessamos que pecamos contra ti, e só contra ti. Tem misericórdia de nós, ó Senhor, tem misericórdia de nós, segundo a tua bondade. Na tua grande graça, apaga as nossas transgressões. Lava-nos completamente da nossa maldade e purifica-nos dos nossos pecados; por amor de Jesus. Amém.
*** Cartão de perdão
Eu confesso ______________
Envolve um relacionamento rompido com (se for o caso) ______________
Renuncio a toda vingança.
Busco o perdão de Cristo ( ), dos outros ( ) e da igreja ( ).
Aceito agora o perdão de Cristo ( ).
Assinatura ______________
O texto seguinte é uma adaptação da aliança aprovada para a restauração de pastores sob disciplina, para uso das Comissões de Cuidado de Membros ou das Juntas Administrativas Locais na restauração de membros leigos faltosos. Não é uma determinação nem um formulário oficial, mas um guia para ajudar a igreja local a manter a integridade da membresia, restaurando os que erraram.
Este acordo é firmado como aliança entre ______________, membro leigo da Igreja Metodista Livre ______________, e ______________ (Junta Administrativa Local, Comissão de Cuidado de Membros ou outro grupo) desta igreja. O interessado e a comissão reconhecem e aceitam as declarações introdutórias e concordam em cumprir as alianças e promessas deste acordo, com o propósito de superar a ação disciplinar passada, reconhecer o arrependimento e o perdão do interessado e buscar a plena reconciliação dentro da congregação e da Igreja Metodista Livre, por meio do processo e dos procedimentos de restauração detalhados nesta Aliança de Restauração.
Considerando que cremos que os cristãos que pecaram deliberadamente e romperam o seu relacionamento com Cristo podem, pelo arrependimento diante de Deus, receber o perdão e a restauração do seu relacionamento com Cristo; e que Deus deu à igreja a responsabilidade e a autoridade de disciplinar um membro por conduta imprópria para um cristão e de restaurar um crente arrependido por meio de repreensão, conselho e acolhimento amorosos; e
Considerando que o interessado se submeteu à disciplina desta igreja, arrependeu-se da conduta que foi confessada a Deus e à comissão e demonstrou tristeza genuína; e
Considerando que é esperança e desejo desta igreja ir além de aceitar o arrependimento e o perdão do interessado, cuidando da sua plena restauração à membresia e ao serviço nesta igreja;
Portanto, em vista das declarações acima, fica pactuado e acordado diante de Deus que:
EM TESTEMUNHO DO QUE, as partes concordam, na presença de Deus e por meio do seu testemunho e das suas assinaturas, em cumprir esta Aliança de Restauração.
Assinatura ______________
Data ______________
Pela comissão da igreja local: ______________
Por instrução do Concílio Geral de 1995, a Junta de Bispos preparou as seguintes diretrizes para ajudar as igrejas locais e os pastores a planejar uma licença sabática para o pastor e a sua família.
25 de abril de 1996
[N. do T.: MEG é a junta de educação e orientação ministerial (Ministerial Education and Guidance), que no nosso Manual corresponde à Comissão de Treinamento e Orientação Ministerial (COTOM, §5220). A sigla MAC não é explicada no original.]
Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 137-148 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.