Eusébio, História Eclesiástica · Livro I

Livro I, capítulos 6 a 13

A profecia sobre os governantes da Judeia; as genealogias de Cristo nos Evangelhos; Herodes e os inocentes; Pilatos e os sumos sacerdotes; João Batista; os discípulos; a narrativa sobre Abgar, rei de Edessa.

Capítulo VI. Por volta do tempo de Cristo, conforme a profecia, chegaram ao fim os governantes que haviam dirigido a nação judaica em sucessão regular desde a antiguidade, e Herodes, o primeiro estrangeiro, tornou-se rei

1. Quando Herodes, o primeiro governante de sangue estrangeiro, tornou-se rei, cumpriu-se a profecia de Moisés, segundo a qual “não faltaria um príncipe de Judá, nem um governante saído de seus lombos, até que venha aquele para quem está reservado” (Gn 49.10). Este, mostra ele também, haveria de ser a expectativa das nações.

2. Essa predição permaneceu sem cumprimento enquanto lhes foi permitido viver sob governantes de sua própria nação, isto é, desde o tempo de Moisés até o reinado de Augusto. Sob este, Herodes, o primeiro estrangeiro, recebeu dos romanos o reino dos judeus. Como relata Josefo, ele era idumeu por parte de pai e árabe por parte de mãe. Mas Africano, que também não era um escritor comum, diz que os mais bem informados a respeito dele contam que era filho de Antípatro, e que este era filho de certo Herodes de Ascalom, um dos chamados servos do templo de Apolo.

3. Esse Antípatro, tendo sido capturado ainda menino por salteadores idumeus, viveu com eles, porque seu pai, sendo pobre, não pôde pagar o resgate. Criado nos costumes deles, foi mais tarde favorecido por Hircano, o sumo sacerdote dos judeus. Filho dele foi aquele Herodes que viveu nos tempos de nosso Salvador.

4. Quando o reino dos judeus passou às mãos de um homem assim, a expectativa das nações, conforme a profecia, já estava às portas. Pois com ele chegaram ao fim os seus príncipes e governadores, que haviam governado em sucessão regular desde o tempo de Moisés.

5. Antes do cativeiro e da deportação para a Babilônia, foram governados primeiro por Saul e depois por Davi; e, antes dos reis, governaram-nos líderes chamados juízes, que vieram depois de Moisés e de seu sucessor Josué.

6. Depois da volta da Babilônia, continuaram a ter, sem interrupção, uma forma aristocrática de governo, com uma oligarquia. Pois os sacerdotes dirigiram os negócios até que Pompeu, o general romano, tomou Jerusalém à força e profanou os lugares santos, entrando no próprio santuário mais interior do templo. Aristóbulo, que pelo direito da antiga sucessão fora até então rei e sumo sacerdote, ele o mandou acorrentado a Roma com os filhos; e deu o sumo sacerdócio a Hircano, irmão de Aristóbulo, ao passo que toda a nação dos judeus se tornou tributária dos romanos desde então.

7. Mas Hircano, que foi o último da linhagem regular dos sumos sacerdotes, logo depois foi feito prisioneiro pelos partos, e Herodes, o primeiro estrangeiro, como já disse, foi feito rei da nação judaica pelo senado romano e por Augusto.

8. Sob ele Cristo apareceu em forma corporal, e a esperada salvação das nações e o chamado delas seguiram-se conforme a profecia. Desde esse tempo os príncipes e governantes de Judá, isto é, da nação judaica, chegaram ao fim e, como consequência natural, a ordem do sumo sacerdócio, que desde os tempos antigos passara regularmente, em estreitíssima sucessão, de geração em geração, foi imediatamente lançada em confusão.

9. Disso também Josefo é testemunha, pois mostra que, quando Herodes foi feito rei pelos romanos, já não nomeava os sumos sacerdotes da antiga linhagem, mas dava a honra a certas pessoas obscuras. Procedimento semelhante ao de Herodes na nomeação dos sacerdotes foi seguido por seu filho Arquelau e, depois dele, pelos romanos, que tomaram o governo em suas próprias mãos.

10. O mesmo escritor mostra que Herodes foi o primeiro a guardar a veste sagrada do sumo sacerdote sob o seu próprio selo, recusando-se a permitir que os sumos sacerdotes a conservassem consigo. O mesmo procedimento foi seguido por Arquelau depois dele e, depois de Arquelau, pelos romanos.

11. Registramos essas coisas para mostrar que outra profecia se cumpriu no aparecimento de nosso Salvador Jesus Cristo. Pois a Escritura, no livro de Daniel (Dn 9.26), tendo mencionado expressamente certo número de semanas até a vinda de Cristo, das quais tratamos em outros livros, profetiza com toda a clareza que, completadas aquelas semanas, a unção entre os judeus pereceria totalmente. E isso, como se mostrou claramente, cumpriu-se no tempo do nascimento de nosso Salvador Jesus Cristo. Foi necessário dizer isso de antemão, como prova da exatidão da data.

Capítulo VII. A suposta discrepância dos Evangelhos quanto à genealogia de Cristo

1. Mateus e Lucas, em seus evangelhos, nos deram a genealogia de Cristo de modo diferente, e muitos supõem que estejam em desacordo um com o outro. Como, por isso, cada fiel, na ignorância da verdade, se empenhou em inventar alguma explicação que harmonizasse as duas passagens, permitam-nos acrescentar a explicação do assunto que chegou até nós, dada por Africano, que mencionamos há pouco, em sua epístola a Aristides, onde discute a harmonia das genealogias dos evangelhos. Depois de refutar as opiniões dos outros como forçadas e enganosas, ele apresenta a explicação que recebera da tradição, nestas palavras:

2. “Em Israel, os nomes das gerações eram contados ou segundo a natureza ou segundo a lei. Segundo a natureza, pela sucessão da descendência legítima; segundo a lei, quando outro suscitava um filho com o nome de um irmão que morrera sem filhos. Pois, como ainda não fora dada uma esperança clara de ressurreição, tinham uma representação da promessa futura por uma espécie de ressurreição mortal, para que o nome do falecido fosse perpetuado.

3. Como, então, dos que foram inseridos nessa tábua genealógica, alguns se sucederam por descendência natural, o filho ao pai, enquanto outros, embora nascidos de um pai, foram atribuídos pelo nome a outro, fez-se menção tanto dos que foram de fato progenitores como dos que o foram só no nome.

4. Assim, nenhum dos evangelhos está em erro, pois um conta segundo a natureza, o outro segundo a lei. Porque a linhagem que descende de Salomão e a que descende de Natã estavam de tal modo entrelaçadas uma com a outra, pela suscitação de filhos aos que não os tinham e por segundos casamentos, que as mesmas pessoas são com razão consideradas pertencentes ora a uma, ora a outra; isto é, ora aos pais putativos, ora aos pais verdadeiros. De modo que ambos os relatos são rigorosamente verdadeiros e chegam até José de maneira bastante intrincada, é verdade, mas inteiramente exata.

5. Mas, para que fique claro o que eu disse, explicarei o entrelaçamento das gerações. Se contarmos as gerações de Davi por Salomão, o terceiro a contar do fim é Matã, que gerou Jacó, pai de José. Mas se, com Lucas, as contarmos a partir de Natã, filho de Davi, do mesmo modo o terceiro a contar do fim é Melqui, cujo filho Eli foi pai de José. Pois José era filho de Eli, filho de Melqui.

6. Sendo, pois, José o objeto proposto, é preciso mostrar como cada um é registrado como seu pai, tanto Jacó, que descendia de Salomão, como Eli, que descendia de Natã; primeiro, como esses dois, Jacó e Eli, eram irmãos; depois, como seus pais, Matã e Melqui, embora de famílias diferentes, são declarados avós de José.

7. Matã e Melqui, tendo-se casado sucessivamente com a mesma mulher, geraram filhos que eram irmãos uterinos, pois a lei não proibia a viúva, quer o fosse por divórcio, quer pela morte do marido, de casar-se com outro.

8. De Esta, pois (esse era o nome da mulher segundo a tradição), Matã, descendente de Salomão, gerou primeiro Jacó. E, morto Matã, Melqui, que remontava sua descendência a Natã, sendo da mesma tribo mas de outra família, casou-se com ela, como já se disse, e gerou um filho, Eli.

9. Assim acharemos os dois, Jacó e Eli, embora pertencentes a famílias diferentes, irmãos pela mesma mãe. Destes, um, Jacó, tendo morrido sem filhos seu irmão Eli, tomou a mulher deste e gerou dela um filho, José, filho seu por natureza e segundo a razão. Por isso também está escrito: ‘Jacó gerou José’ (Mt 1.16). Mas, segundo a lei, ele era filho de Eli, pois Jacó, sendo irmão deste, suscitou-lhe descendência.

10. Por isso não será invalidada a genealogia traçada por meio dele, que o evangelista Mateus, em sua enumeração, apresenta assim: ‘Jacó gerou José’. Lucas, por outro lado, diz: ‘que era filho, conforme se pensava’ (pois isto ele também acrescenta), ‘de José, filho de Eli, filho de Melqui’ (Lc 3.23-24); pois não poderia exprimir com mais clareza a geração segundo a lei. E a expressão ‘gerou’ ele a omitiu em sua tábua genealógica até o fim, remontando a genealogia até Adão, filho de Deus. Essa interpretação nem é incapaz de prova, nem é conjectura vã.

11. Pois os parentes de nosso Senhor segundo a carne, quer pelo desejo de se gloriar, quer simplesmente querendo expor o fato, em ambos os casos com verdade, transmitiram o seguinte relato. Alguns salteadores idumeus, tendo atacado Ascalom, cidade da Palestina, levaram de um templo de Apolo que ficava junto aos muros, além de outros despojos, Antípatro, filho de certo escravo do templo chamado Herodes. E, como o sacerdote não pôde pagar o resgate do filho, Antípatro foi criado nos costumes dos idumeus e mais tarde foi favorecido por Hircano, o sumo sacerdote dos judeus.

12. E, tendo sido enviado por Hircano em embaixada a Pompeu, e tendo-lhe restituído o reino que fora invadido por seu irmão Aristóbulo, teve a boa sorte de ser nomeado procurador da Palestina. Mas, tendo Antípatro sido morto pelos que invejavam a sua grande fortuna, sucedeu-o seu filho Herodes, que mais tarde, por decreto do senado, foi feito rei dos judeus sob Antônio e Augusto. Seus filhos foram Herodes e os outros tetrarcas. Esses relatos concordam também com os dos gregos.

13. Mas, como até então se conservavam nos arquivos as genealogias dos hebreus, bem como as dos que remontavam sua linhagem a prosélitos, como Aquior, o amonita, e Rute, a moabita, e aos que se misturaram com os israelitas e saíram do Egito com eles, Herodes, visto que a linhagem dos israelitas em nada o favorecia, e aguilhoado pela consciência de sua origem ignóbil, queimou todos os registros genealógicos. Pensava que poderia parecer de origem nobre se ninguém mais pudesse, pelos registros públicos, remontar sua linhagem aos patriarcas ou aos prosélitos e aos que se misturaram com eles, chamados georas.

14. Uns poucos cuidadosos, porém, tendo obtido registros particulares próprios, seja lembrando os nomes, seja obtendo-os de outro modo a partir dos registros, orgulham-se de preservar a memória de sua nobre origem. Entre eles estão os já mencionados, chamados desposynoi, por causa de seu parentesco com a família do Salvador. Vindos de Nazara e Cocaba, aldeias da Judeia, para outras partes do mundo, eles reproduziram a referida genealogia de memória e do livro dos registros diários, tão fielmente quanto possível.

15. Quer, então, o caso seja assim, quer não, ninguém poderia achar explicação mais clara, segundo a minha opinião e a de toda pessoa sincera. E isso nos baste, pois, embora não possamos aduzir testemunho em seu apoio, não temos nada melhor nem mais verdadeiro a oferecer. Em todo caso, o Evangelho diz a verdade.” E, no fim da mesma epístola, ele acrescenta estas palavras: “Matã, que descendia de Salomão, gerou Jacó. E, morto Matã, Melqui, que descendia de Natã, gerou Eli da mesma mulher. Eli e Jacó eram, assim, irmãos uterinos. Tendo Eli morrido sem filhos, Jacó suscitou-lhe descendência, gerando José, filho seu por natureza, mas, pela lei, filho de Eli. Assim, José era filho de ambos.”

17. Até aqui Africano. E, estando assim traçada a linhagem de José, fica virtualmente demonstrado que também Maria era da mesma tribo que ele, visto que, segundo a lei de Moisés, não eram permitidos casamentos entre tribos diferentes. Pois o mandamento é casar-se com alguém da mesma família e linhagem, para que a herança não passe de tribo para tribo. Isso pode bastar aqui.

Capítulo VIII. A crueldade de Herodes para com as crianças e o modo de sua morte

1. Quando Cristo nasceu, conforme as profecias, em Belém da Judeia, no tempo indicado, Herodes ficou não pouco perturbado com a pergunta dos magos vindos do Oriente, que indagavam onde se achava aquele que nascera Rei dos judeus. Pois tinham visto a sua estrela, e esse era o motivo de fazerem tão longa viagem, já que desejavam ardentemente adorar o menino como Deus. Herodes imaginou que o seu reino poderia estar em perigo e por isso indagou dos doutores da lei, que pertenciam à nação judaica, onde esperavam que o Cristo nascesse. Quando soube que a profecia de Miqueias (Mq 5.2) anunciava Belém como o lugar de seu nascimento, ordenou, num único édito, que fossem mortos todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores de dois anos para baixo, conforme o tempo que ele apurara com exatidão dos magos, supondo que Jesus, como de fato era provável, teria a mesma sorte que os demais de sua idade.

2. Mas o menino escapou à cilada, levado ao Egito por seus pais, que souberam por um anjo que lhes apareceu o que estava para acontecer. Essas coisas são registradas pelas Santas Escrituras no Evangelho.

3. Vale a pena, além disso, observar a recompensa que Herodes recebeu por seu crime audacioso contra Cristo e os da mesma idade. Pois imediatamente, sem a menor demora, a vingança divina o alcançou ainda em vida e deu-lhe uma amostra do que haveria de receber depois da morte.

4. Não é possível relatar aqui como ele manchou a suposta felicidade do seu reinado com sucessivas calamidades em sua família, com o assassinato da mulher e dos filhos e de outros de seus parentes mais próximos e amigos mais queridos. O relato, que deixa na sombra qualquer outro drama trágico, é exposto longamente nas histórias de Josefo.

5. Como, logo depois de seu crime contra nosso Salvador e as outras crianças, o castigo enviado por Deus o arrastou à morte, podemos aprender melhor das palavras desse historiador, que no décimo sétimo livro de suas Antiguidades Judaicas escreve o seguinte sobre o seu fim:

6. “Mas a doença de Herodes agravou-se, infligindo-lhe Deus o castigo por seus crimes. Pois um fogo lento ardia nele, que não era tão aparente aos que o tocavam, mas aumentava o seu sofrimento interior. Tinha um terrível desejo de comida, a que não era possível resistir. Era também atacado de ulceração dos intestinos e de dores especialmente fortes no cólon, ao passo que um humor aquoso e transparente se acumulava em torno de seus pés.

7. Sofria também de mal semelhante no abdômen. Mais ainda, seu membro viril apodreceu e produziu vermes. Tinha também extrema dificuldade de respirar, o que era particularmente desagradável por causa do mau cheiro e da rapidez da respiração.

8. Tinha ainda convulsões em todos os membros, que lhe davam uma força incontrolável. Diziam, de fato, os que possuíam o dom da adivinhação e a sabedoria para explicar tais acontecimentos, que Deus infligira esse castigo ao rei por causa de sua grande impiedade.”

9. O escritor acima mencionado relata essas coisas na obra referida. E, no segundo livro de sua História, dá um relato semelhante do mesmo Herodes, que diz o seguinte: “A doença então se apoderou de todo o seu corpo e o afligiu com tormentos diversos. Pois tinha uma febre lenta, e a coceira da pele de todo o corpo era insuportável. Sofria também de dores contínuas no cólon, e havia inchaços em seus pés como os de quem sofre de hidropisia, ao passo que o abdômen estava inflamado e o membro viril tão apodrecido que produzia vermes. Além disso, só podia respirar em posição ereta, e mesmo assim com dificuldade, e tinha convulsões em todos os membros, de modo que os adivinhos diziam que suas doenças eram um castigo.

10. Ele, porém, embora lutando com tais sofrimentos, ainda assim se agarrava à vida, esperava salvar-se e buscava meios de cura. Por exemplo, atravessando o Jordão, usou os banhos quentes de Calírroe, que deságuam no lago Asfaltites, mas que são em si mesmos bastante doces para beber.

11. Ali os seus médicos pensaram que poderiam aquecer de novo todo o seu corpo por meio de óleo quente. Mas, quando o desceram a uma tina cheia de óleo, seus olhos enfraqueceram e reviraram como os de um morto. Quando, porém, os seus servos levantaram um clamor, ele voltou a si com o barulho. Por fim, desesperando da cura, mandou distribuir cerca de cinquenta dracmas aos soldados e dar grandes somas aos seus generais e amigos.

12. Depois, voltando, chegou a Jericó, onde, tomado de melancolia, planejou cometer um ato ímpio, como que desafiando a própria morte. Pois, reunindo de cada cidade os homens mais ilustres de toda a Judeia, mandou que fossem encerrados no chamado hipódromo.

13. E, tendo chamado Salomé, sua irmã, e o marido dela, Alexandre, disse: ‘Sei que os judeus se alegrarão com a minha morte. Mas posso ser pranteado por outros e ter um funeral esplêndido, se vocês quiserem cumprir as minhas ordens. Quando eu expirar, cerquem quanto antes com soldados esses homens que agora estão sob guarda e matem-nos, para que toda a Judeia e cada casa chorem por mim, ainda que contra a vontade.'”

14. E, pouco depois, Josefo diz: “E de novo ele foi tão torturado pela falta de alimento e por uma tosse convulsiva que, vencido pelas dores, planejou antecipar o seu destino. Tomando uma maçã, pediu também uma faca, pois costumava cortar maçãs e comê-las. Então, olhando em volta para ver se não havia ninguém que o impedisse, ergueu a mão direita como para se apunhalar.”

15. Além disso, o mesmo escritor registra que ele matou outro de seus próprios filhos antes de morrer, o terceiro morto por sua ordem, e que logo depois exalou o último suspiro, não sem dores excessivas.

16. Tal foi o fim de Herodes, que sofreu justo castigo pela matança das crianças de Belém, fruto de suas tramas contra nosso Salvador.

17. Depois disso, um anjo apareceu em sonho a José no Egito e ordenou-lhe que fosse para a Judeia com o menino e sua mãe, revelando-lhe que haviam morrido os que procuravam tirar a vida do menino (Mt 2.19-20). A isso o evangelista acrescenta: “Porém, ouvindo que Arquelau reinava em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. E, tendo sido avisado por Deus em sonho, foi para a região da Galileia” (Mt 2.22).

Capítulo IX. Os tempos de Pilatos

1. O historiador já mencionado concorda com o evangelista quanto ao fato de que Arquelau sucedeu a Herodes no governo. Ele registra de que modo Arquelau recebeu o reino dos judeus pelo testamento de seu pai Herodes e pelo decreto de César Augusto, e como, depois de reinar dez anos, perdeu o seu reino, enquanto seus irmãos Filipe e Herodes, o mais moço, juntamente com Lisânias, continuavam a governar as suas tetrarquias. O mesmo escritor, no décimo oitavo livro de suas Antiguidades, diz que, por volta do décimo segundo ano do reinado de Tibério, que sucedera no império depois de Augusto ter governado cinquenta e sete anos, Pôncio Pilatos recebeu o governo da Judeia e lá permaneceu dez anos completos, quase até a morte de Tibério.

2. Assim, fica claramente provada a falsificação dos que recentemente puseram em circulação atas contra nosso Salvador. Pois a própria data que nelas se dá mostra a falsidade de seus fabricantes.

3. Pois as coisas que ousaram dizer a respeito da paixão do Salvador são situadas no quarto consulado de Tibério, que ocorreu no sétimo ano de seu reinado. Nesse tempo, é evidente que Pilatos ainda não governava a Judeia, se é que se deve crer no testemunho de Josefo, que mostra claramente na obra acima mencionada que Pilatos foi feito procurador da Judeia por Tibério no décimo segundo ano de seu reinado.

Capítulo X. Os sumos sacerdotes dos judeus sob os quais Cristo ensinou

1. Foi no décimo quinto ano do reinado de Tibério, segundo o evangelista, e no quarto ano do governo de Pôncio Pilatos, quando Herodes, Lisânias e Filipe governavam o restante da Judeia, que nosso Salvador e Senhor, Jesus, o Cristo de Deus, tendo cerca de trinta anos, veio a João para ser batizado e começou a proclamação do Evangelho.

2. A Divina Escritura diz, além disso, que ele passou todo o tempo de seu ministério sob os sumos sacerdotes Anás e Caifás, mostrando que todo o período de seu ensino se completou no tempo que pertenceu ao sacerdócio desses dois homens. Como começou a sua obra durante o sumo sacerdócio de Anás e ensinou até que Caifás ocupasse o cargo, todo esse tempo não chega a perfazer quatro anos.

3. Pois, estando já abolidos desde aquele tempo os ritos da lei, também foram anulados os usos costumeiros ligados ao culto de Deus, segundo os quais o sumo sacerdote obtinha o cargo por descendência hereditária e o conservava por toda a vida. E os governadores romanos nomeavam para o sumo sacerdócio ora uma, ora outra pessoa, que não permanecia no cargo mais de um ano.

4. Josefo relata que houve quatro sumos sacerdotes em sucessão de Anás a Caifás. Assim, no mesmo livro das Antiguidades, ele escreve o seguinte: “Valério Grato, tendo posto fim ao sacerdócio de Anano, nomeia sumo sacerdote Ismael, filho de Fabi. E, tendo-o removido pouco depois, nomeia para o mesmo cargo Eleazar, filho do sumo sacerdote Anano. E, tendo removido também a este ao fim de um ano, dá o sumo sacerdócio a Simão, filho de Camito. Mas também este não conservou a honra mais de um ano, quando José, chamado também Caifás, lhe sucedeu.” Assim, todo o tempo do ministério de nosso Salvador mostra-se não ter chegado a quatro anos completos, visto que quatro sumos sacerdotes, de Anás à posse de Caifás, ocuparam o cargo um ano cada. Com razão, portanto, o Evangelho indicou Caifás como o sumo sacerdote sob o qual o Salvador padeceu. Daí também podemos ver que o tempo do ministério de nosso Salvador não discorda da investigação precedente.

5. Nosso Salvador e Senhor, não muito depois do início de seu ministério, chamou os doze apóstolos (Mt 10.1-4; Mc 3.14-19; Lc 6.13-16), e só a estes, dentre todos os seus discípulos, deu o nome de apóstolos, como honra especial. E designou ainda outros setenta, que enviou de dois em dois adiante de si a cada lugar e cidade aonde ele mesmo haveria de ir (Lc 10.1).

Capítulo XI. Testemunhos a respeito de João Batista e de Cristo

1. Não muito depois disso, João Batista foi decapitado pelo Herodes mais moço, como se diz nos Evangelhos (Mt 14.1-12; Mc 6.17-29). Josefo também registra o mesmo fato, mencionando Herodias pelo nome e afirmando que, embora ela fosse mulher de seu irmão, Herodes a tomou por esposa depois de repudiar sua antiga esposa legítima, que era filha de Aretas, rei de Petra, separando Herodias do marido enquanto este ainda vivia.

2. Foi também por causa dela que ele matou João e fez guerra contra Aretas, por causa da afronta infligida à filha deste. Josefo relata que, nessa guerra, quando chegaram à batalha, todo o exército de Herodes foi destruído, e que ele sofreu essa calamidade por causa de seu crime contra João.

3. O mesmo Josefo reconhece nesse relato que João Batista era um homem extremamente justo, concordando assim com o que se escreveu a respeito dele nos Evangelhos. Registra também que Herodes perdeu o seu reino por causa da mesma Herodias, e que foi expulso para o exílio com ela, condenado a viver em Vienne, na Gália.

4. Ele relata essas coisas no décimo oitavo livro das Antiguidades, onde escreve a respeito de João nestas palavras: “Pareceu a alguns dos judeus que o exército de Herodes fora destruído por Deus, que com toda a justiça vingou João, chamado Batista.

5. Pois Herodes o matou, um homem bom, que exortava os judeus a virem receber o batismo, praticando a virtude e exercendo a justiça uns para com os outros e para com Deus. Pois o batismo pareceria aceitável a Ele quando o usassem, não para o perdão de certos pecados, mas para a purificação do corpo, estando a alma já purificada pela justiça.

6. E, como outros se reuniam em torno dele (pois encontravam muito prazer em ouvir as suas palavras), Herodes temeu que a sua grande influência levasse a alguma sedição, pois pareciam prontos a fazer tudo o que ele aconselhasse. Julgou, portanto, muito melhor, antes que se fizesse algo novo sob a influência de João, antecipar-se matando-o, do que arrepender-se depois de vinda a revolta, quando se achasse em meio a dificuldades. Por causa da suspeita de Herodes, João foi enviado acorrentado à já mencionada fortaleza de Maquero, e ali foi morto.”

7. Depois de relatar essas coisas a respeito de João, ele menciona nosso Salvador na mesma obra, nestas palavras: “Viveu naquele tempo Jesus, um homem sábio, se é que convém chamá-lo homem. Pois era autor de obras maravilhosas e mestre dos homens que recebem a verdade com alegria. E atraiu a si muitos dos judeus e também muitos dos gregos. Ele era o Cristo.

8. Quando Pilatos, por acusação dos nossos principais homens, o condenou à cruz, os que o haviam amado no princípio não deixaram de amá-lo. Pois ele lhes apareceu de novo vivo no terceiro dia, tendo os divinos profetas dito essas e inúmeras outras coisas maravilhosas a respeito dele. E até hoje subsiste a raça dos cristãos, que dele recebeu o nome.”

9. Visto que um historiador, que é ele mesmo um dos hebreus, registrou em sua obra essas coisas a respeito de João Batista e de nosso Salvador, que desculpa resta para não os convencer de estarem destituídos de toda vergonha, os que forjaram as atas contra eles? Mas isso baste aqui.

Capítulo XII. Os discípulos de nosso Salvador

1. Os nomes dos apóstolos de nosso Salvador são conhecidos de todos pelos Evangelhos (Mt 10.2-4; Lc 6.13-16; Mc 3.14-19). Mas não existe catálogo dos setenta discípulos (Lc 10.1-20). Diz-se, de fato, que Barnabé era um deles, de quem os Atos dos Apóstolos fazem menção em vários lugares, e especialmente Paulo em sua Epístola aos Gálatas.

2. Dizem que também Sóstenes, que escreveu aos coríntios com Paulo, era um deles. Esse é o relato de Clemente no quinto livro de suas Hipotiposes, onde diz também que Cefas era um dos setenta discípulos, homem que tinha o mesmo nome do apóstolo Pedro, e aquele de quem Paulo diz: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face” (Gl 2.11).

3. Também Matias, que foi contado com os apóstolos no lugar de Judas, e aquele que foi honrado com a candidatura juntamente com ele, diz-se que foram igualmente considerados dignos do mesmo chamado com os setenta. Dizem que também Tadeu era um deles, a respeito de quem logo relatarei uma narrativa que chegou até nós. E, examinando, você verá que nosso Salvador teve mais de setenta discípulos, segundo o testemunho de Paulo, que diz que, depois de sua ressurreição dentre os mortos, ele apareceu primeiro a Cefas, depois aos doze e, depois destes, a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais alguns tinham adormecido (1Co 15.5-6), mas a maioria ainda vivia no tempo em que ele escreveu.

4. Depois, diz ele, apareceu a Tiago, que era um dos chamados irmãos do Salvador. Mas, como além destes houve muitos outros chamados apóstolos, à imitação dos Doze, como o próprio Paulo, ele acrescenta: “mais tarde, foi visto por todos os apóstolos” (1Co 15.7). Isso quanto a essas pessoas. Mas a história a respeito de Tadeu é a seguinte.

Capítulo XIII. Narrativa a respeito do príncipe dos edessenos

1. Espalhando-se entre todos os homens a fama da divindade de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo por causa de seu poder de operar maravilhas, ele atraiu inúmeras pessoas de países estrangeiros muito distantes da Judeia, que tinham a esperança de ser curadas de suas doenças e de toda espécie de sofrimentos.

2. Por exemplo, o rei Abgar, que governava com grande glória os povos além do Eufrates, estando aflito com uma doença terrível que a habilidade humana não podia curar, quando ouviu falar do nome de Jesus e de seus milagres, atestados por todos de comum acordo, enviou-lhe uma mensagem por um correio e rogou-lhe que o curasse da doença.

3. Mas ele não atendeu ao seu pedido naquele momento; julgou-o, porém, digno de uma carta pessoal, em que disse que enviaria um de seus discípulos para curar a sua doença e, ao mesmo tempo, prometeu salvação a ele e a toda a sua casa.

4. Não muito depois, a sua promessa se cumpriu. Pois, depois de sua ressurreição dentre os mortos e de sua subida ao céu, Tomé, um dos doze apóstolos, por impulso divino, enviou Tadeu, que também era contado entre os setenta discípulos de Cristo, a Edessa, como pregador e evangelista do ensino de Cristo.

5. E tudo o que nosso Salvador prometera cumpriu-se por meio dele. Vocês têm prova escrita dessas coisas, tirada dos arquivos de Edessa, que era naquele tempo uma cidade real. Pois nos registros públicos de lá, que contêm relatos dos tempos antigos e os atos de Abgar, essas coisas foram encontradas preservadas até o presente. Mas não há caminho melhor do que ouvir as próprias epístolas, que tiramos dos arquivos e traduzimos literalmente da língua siríaca, da seguinte maneira.

Cópia de uma epístola escrita pelo governante Abgar a Jesus e enviada a ele em Jerusalém por Ananias, o correio veloz.

6. “Abgar, governante de Edessa, a Jesus, o excelente Salvador que apareceu na região de Jerusalém, saudação. Ouvi as notícias a teu respeito e das curas que realizas sem remédios nem ervas. Pois se diz que fazes os cegos verem e os coxos andarem, que purificas leprosos e expulsas espíritos impuros e demônios, que curas os afligidos por doenças prolongadas e ressuscitas os mortos.

7. E, tendo ouvido todas essas coisas a teu respeito, concluí que uma de duas coisas deve ser verdade: ou tu és Deus e, tendo descido do céu, fazes essas coisas, ou então tu, que fazes essas coisas, és o Filho de Deus.

8. Por isso te escrevi para pedir-te que te dês ao trabalho de vir a mim e curar a doença que tenho. Pois ouvi que os judeus murmuram contra ti e tramam fazer-te mal. Eu, porém, tenho uma cidade muito pequena, mas nobre, que é bastante grande para nós dois.”

Resposta de Jesus ao governante Abgar, pelo correio Ananias.

9. “Bem-aventurado és tu, que creste em mim sem me ter visto (cf. Jo 20.29). Pois está escrito a meu respeito que os que me viram não crerão em mim, e que os que não me viram crerão e serão salvos. Quanto ao que me escreveste, que eu fosse a ti, é necessário que eu cumpra aqui todas as coisas para as quais fui enviado e que, depois de cumpri-las, seja assim elevado de novo àquele que me enviou. Mas, depois de ter sido elevado, enviarei a ti um de meus discípulos, para que cure a tua doença e dê vida a ti e aos teus.”

10. A essas epístolas acrescentava-se o seguinte relato, na língua siríaca: “Depois da ascensão de Jesus, Judas, que também se chamava Tomé, enviou a ele Tadeu, apóstolo, um dos Setenta. Quando chegou, hospedou-se com Tobias, filho de Tobias. Quando se espalhou a notícia a seu respeito, contaram a Abgar que tinha chegado um apóstolo de Jesus, como este lhe escrevera.

11. Tadeu começou então, no poder de Deus, a curar toda doença e enfermidade, de modo que todos se maravilhavam. E, quando Abgar ouviu falar das coisas grandes e maravilhosas que ele fazia e das curas que realizava, começou a suspeitar que fosse aquele de quem Jesus lhe escrevera, dizendo: ‘Depois de ter sido elevado, enviarei a ti um de meus discípulos, que te curará.’

12. Por isso, chamando Tobias, em cuja casa Tadeu se hospedava, disse: ‘Ouvi que certo homem poderoso chegou e está hospedado em tua casa. Traze-o a mim.’ E Tobias, vindo a Tadeu, disse-lhe: ‘O governante Abgar me chamou e me disse que te levasse a ele, para que o cures.’ E Tadeu disse: ‘Irei, pois fui enviado a ele com poder.’

13. Tobias, portanto, levantou-se cedo no dia seguinte e, tomando Tadeu, foi a Abgar. E, quando ele chegou, os nobres estavam presentes, de pé em volta de Abgar. E, logo que ele entrou, uma grande visão apareceu a Abgar no rosto do apóstolo Tadeu. Quando Abgar a viu, prostrou-se diante de Tadeu, enquanto todos os que estavam em volta ficaram atônitos, pois não viram a visão, que apareceu só a Abgar.

14. Ele então perguntou a Tadeu se era de fato discípulo de Jesus, o Filho de Deus, que lhe dissera: ‘Enviarei a ti um de meus discípulos, que te curará e te dará vida.’ E Tadeu disse: ‘Porque creste poderosamente naquele que me enviou, por isso fui enviado a ti. E, mais ainda, se creres nele, os pedidos do teu coração te serão concedidos conforme creres.’

15. E Abgar lhe disse: ‘Tanto cri nele que quis tomar um exército e destruir aqueles judeus que o crucificaram, se não tivesse sido impedido disso por causa do domínio dos romanos.’ E Tadeu disse: ‘Nosso Senhor cumpriu a vontade de seu Pai e, tendo-a cumprido, foi elevado ao seu Pai.’ E Abgar lhe disse: ‘Também eu cri nele e em seu Pai.’

16. E Tadeu lhe disse: ‘Por isso ponho a minha mão sobre ti em seu nome.’ E, quando ele o fez, imediatamente Abgar foi curado da doença e do sofrimento que tinha.

17. E Abgar se maravilhou de que, assim como ouvira a respeito de Jesus, assim recebera de fato por meio de seu discípulo Tadeu, que o curou sem remédios nem ervas; e não só a ele, mas também a Abdo, filho de Abdo, que sofria de gota, pois também este veio a ele e caiu a seus pés e, tendo recebido uma bênção pela imposição de suas mãos, foi curado. O mesmo Tadeu curou também muitos outros habitantes da cidade, fez prodígios e obras maravilhosas e pregou a palavra de Deus.

18. E depois Abgar disse: ‘Tu, ó Tadeu, fazes essas coisas com o poder de Deus, e nós nos maravilhamos. Mas, além disso, rogo-te que me informes a respeito da vinda de Jesus, como ele nasceu, e a respeito de seu poder, por que poder realizou aquelas obras de que ouvi falar.’

19. E Tadeu disse: ‘Agora, de fato, guardarei silêncio, pois fui enviado para proclamar a palavra publicamente. Mas amanhã reúne para mim todos os teus cidadãos, e pregarei na presença deles e semearei entre eles a palavra de Deus: a respeito da vinda de Jesus, como ele nasceu; a respeito de sua missão, para que fim foi enviado pelo Pai; a respeito do poder de suas obras e dos mistérios que proclamou no mundo, e por que poder fez essas coisas; a respeito de sua nova pregação, de seu rebaixamento e humilhação, e de como se humilhou, morreu, rebaixou a sua divindade e foi crucificado, desceu ao Hades e rompeu as trancas que desde a eternidade não tinham sido quebradas, e ressuscitou os mortos. Pois desceu sozinho, mas ressurgiu com muitos, e assim subiu ao seu Pai.’

20. Abgar, portanto, ordenou aos cidadãos que se reunissem de manhã cedo para ouvir a pregação de Tadeu e, depois, mandou que lhe dessem ouro e prata. Mas ele recusou aceitá-los, dizendo: ‘Se deixamos o que era nosso, como tomaremos o que é de outro?’ Essas coisas foram feitas no ano trezentos e quarenta.”

Inseri-as aqui em seu devido lugar, traduzidas literalmente do siríaco, e espero que com bom proveito.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de Arthur Cushman McGiffert (Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 1, Nova York, 1890), conferida com as imagens das páginas; domínio público. O original é grego: esta é, portanto, tradução de tradução. As notas de McGiffert, de comentário erudito, foram omitidas; os números de seção são os da edição dele. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Eusébio cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.