História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XX

A crise do conflito: Roberts e McCreery expulsos

A CRISE DO CONFLITO: ROBERTS E McCREERY EXPULSOS

O Sr. Roberts acabou escolhendo o seu amigo pessoal, o Rev. L. Stiles Jr., para ajudá-lo na defesa, e assim o julgamento prosseguiu. A acusação não fez nenhum esforço para provar que o conteúdo do folheto de Estes era calunioso, ou que fosse em algum grau inverídico. Para isso não tiveram coragem. Preferiram dar por assente esse ponto, tão vital para o caso. “Assim, desde o início, supôs-se que o folheto, cujo autor declarado ainda era membro oficial da Igreja Metodista Episcopal, era de caráter tão perverso que ajudar a pô-lo em circulação era ofensa mortal.”

Para uma ofensa de caráter tão grave como a mencionada no libelo de acusações, seria natural supor que uma Conferência de ministros, ao julgar um irmão ministro, tivesse tal abundância de provas dignas de crédito que convencesse as mentes honestas em geral. Foi esse o caso? Vejamos.

O único testemunho apresentado pela acusação para sustentar a acusação geral e as três especificações principais foi o do Rev. John Bowman, e o seu testemunho foi impugnado! Foi especialmente no ponto essencial de ter ajudado na publicação do folheto de Estes, fato categoricamente contestado pelo Sr. Estes, que o Sr. Bowman deu o seguinte depoimento:

Já vi antes este documento intitulado “Metodismo da Nova Escola” e “A quem interessar possa”, assinado “George W. Estes”. Vi-o pela primeira vez no trem, entre Medina e Lockport. O irmão Roberts mo apresentou; foram apresentados vários num pacote; eram, creio, três dúzias. O irmão Roberts queria que eu deixasse uma parte deles em Medina, condicionalmente. Pediu-me que os pusesse em circulação; queria que eu deixasse uma parte deles com o irmão Codd ou com o irmão Williams, de Medina, caso me encontrasse com eles. Perguntei-lhe se deviam ser distribuídos de graça ou vendidos. Ele disse que gostaria de obter o suficiente para cobrir as despesas da impressão, mas que os pusesse em circulação de qualquer modo; pediu-me que não fizesse saber que ele tinha alguma participação na circulação do documento, se eu pudesse, com coerência, guardar isso para mim. Não sei onde o irmão Roberts tomou o trem. A minha impressão é que viajávamos para o leste. Não sei se se disse mais alguma coisa sobre o pagamento da impressão; a minha lembrança não é muito nítida; ele mencionou que tivera uma despesa considerável.

A acusação esperava pôr outra testemunha no banco, a saber, o impressor do folheto de Estes. Tinham-no trazido à sede da Conferência, de trinta e cinco milhas de distância, supondo que daria um testemunho prejudicial à causa do acusado. Mas, quando viram que ele diria a verdade se fosse posto no banco das testemunhas, já não tiveram uso para ele. E, no entanto, o Rev. F. W. Conable, na sua História da Conferência de Genesee, tem o descaramento de dizer:

O impressor se recusou a depor sobre a autoria, e não temos lei que obrigue ao comparecimento num tribunal eclesiástico.1

Numa breve resenha do livro do Sr. Conable,2 em Why Another Sect?, o Sr. Roberts diz:

O Sr. Conable, e todos os que o endossaram e estavam na Conferência de Perry, sabem que isso não é verdade. Os mais inescrupulosos, a não ser quando levados ao desespero, raramente se arriscam a uma falsidade tão flagrante. O impressor do folheto de Estes estava presente no julgamento! Um dos pregadores contrários a mim levou-o lá e o trouxe de volta, cerca de setenta milhas, numa carruagem. Não o chamaram para depor.

O Sr. H. N. Beach, redator do Brockport Republican, foi o impressor do folheto; e, num bilhete pessoal ao Sr. Roberts, disse:

O Rev. E. M. Buck me levou a Perry, para o caso, na época da Conferência; mas não fui chamado a depor, porque, suponho, o meu depoimento não era o que se queria.

Vê-se pelo exposto que o Sr. Conable se tornou responsável pela publicação de duas falsidades completas: primeiro, ao dizer que o impressor do folheto não compareceu ao tribunal; segundo, ao dizer que o impressor se recusou a depor. Além disso, essas afirmações foram votadas para os arquivos da Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal por homens plenamente cientes da sua total falsidade! “Se a luz que existe em você são trevas, que grandes trevas serão!” (Mt 6.23).

Na sua defesa, o Sr. Roberts provou, pelo próprio George W. Estes, que não tinha nada a ver com a publicação do folheto. No interrogatório direto, o Sr. Estes deu o seguinte depoimento:

O irmão Roberts não teve nada a ver com a publicação, ou com ajudar a publicar, o documento em questão, que eu saiba, e presumo saber. Não teve nada a ver com a redação da parte que leva o meu nome; não sei que ele tivesse conhecimento de que se pretendia publicá-lo; nunca deu o seu consentimento para que a parte intitulada “Metodismo da Nova Escola” fosse reeditada por mim ou por qualquer outro, que eu saiba; nunca foi responsável pela publicação, nem no todo nem em parte; nunca contribuiu com nada para o pagamento da publicação, que eu saiba; a minha intenção era que o que se vendesse fosse para cobrir as despesas da publicação; nunca lhe vendi nenhum.

No interrogatório cruzado, disse:

Nunca enviei, nem mandei enviar, nenhum deles ao irmão Roberts; nunca lhe dei nenhum pessoalmente; não sei de ninguém que lhe tenha dado ou enviado algum. Nunca dei ordem a ninguém para enviar algum ao irmão Roberts, que eu saiba.

Quanto à suposta circulação do folheto, o Sr. Roberts apresentou o seguinte testemunho:

Chamado o Rev. Russell Wilcox:

“Sou diácono local da Igreja Metodista Episcopal em Pekin. Conheço intimamente o irmão Roberts, pastor da igreja de Pekin. Não sei que ele tenha jamais posto esse folheto em circulação em parte alguma; vi-o pela primeira vez depois de sair de casa, a caminho desta Conferência.”

Chamado o Rev. J. P. Kent:

“Pedi, sim, ao acusado um desses folhetos; queria ver um deles e perguntei ao irmão Roberts se podia me deixar ver um; ele disse que não os punha em circulação, mas que não tinha objeção a que eu visse o que ele tinha. Isso foi há algumas semanas, no acampamento de Holley ou de Albion; talvez por volta de primeiro de agosto.”

O único testemunho que a acusação apresentou para provar as especificações e sustentar a acusação geral foi o do Rev. John Bowman, e até ele confessou: “A minha lembrança não é muito nítida”, e não tinha certeza da direção em que viajavam quando, segundo alega, o Sr. Roberts lhe deu um exemplar do folheto e lhe pediu que ajudasse a pô-lo em circulação, mas diz: “A minha impressão é que viajávamos para o leste!” Além disso, o seu testemunho foi impugnado por vários membros da Conferência.

Por outro lado, não havia nada de hesitante ou nebuloso na lembrança de George W. Estes, cujas afirmações foram todas diretas, positivas e muito nítidas, como as de um homem que pretende dizer a verdade e tem consciência de que a está dizendo. Ele afirma que ele, e só ele, foi responsável pela reedição do “Metodismo da Nova Escola” e que o Sr. Roberts “nunca deu o seu consentimento” para a reedição; que “ele [Roberts] não teve nada a ver com a parte que leva o meu nome”; e também: “não sei que ele tivesse conhecimento de que se pretendia publicá-lo”; que “nunca contribuiu com nada para o pagamento da publicação”; e, por fim, diz: “nunca lhe vendi nenhum”.

O próprio Sr. Roberts diz: “O fato é que não tive nada a ver com a publicação do folheto e tive pouco interesse por ele. Estava ocupado com outro trabalho.”

Contudo, diante de todas essas contradições ao testemunho do Sr. Bowman, e sem nem mesmo uma prova circunstancial de qualquer tipo que o confirmasse, o testemunho desse único homem parece ter pesado mais do que todos os outros testemunhos dados no caso, na mente da maioria da Conferência; fato para o qual não há outra explicação senão a de terem decidido de antemão a sorte do Sr. Roberts na reunião secreta realizada antes de se dar qualquer passo para o julgamento. Poderia algum homem ou grupo de homens sustentar uma causa perante um tribunal honrado em qualquer lugar dos Estados Unidos com provas tão limitadas e duvidosas? Não determinam igualmente as leis divinas e humanas que “pelo depoimento de duas ou três testemunhas se estabelecerá o fato” (Dt 19.15)? Mas eis aqui um caso em que, pela boca de uma só testemunha, e esta hesitante e nebulosa na sua lembrança, se põe de lado como sem valor o testemunho de várias testemunhas, de lembrança nítida e de afirmações diretas e positivas! Para os que tinham condenado Jesus Cristo numa reunião secreta e ilegal do Sinédrio, nenhuma prova da sua inocência podia ter peso algum. É sempre assim quando a inimizade, o ciúme e o ódio perseguidor usurpam o lugar da calma, da ponderação e do amor à justiça.

É preciso lembrar que o Sr. Roberts, desejoso de lançar luz sobre vários pontos levantados no folheto de Estes, examinou muitas testemunhas sobre esses pontos. Ao fazê-lo, provou, com testemunhas favoráveis à acusação, que se tinham realizado reuniões secretas, e o que se fizera nelas, além de outras coisas que não honravam a acusação, algumas das quais já foram consideradas.

A acusação e a defesa tinham ambas encerrado a sua exposição, e os debates terminaram cedo, ao anoitecer. A impressão produzida foi tal que, se o caso tivesse ido a votação naquela noite, dificilmente se pode duvidar de que o veredito teria sido favorável ao acusado. Era então que o caso deveria ter sido votado, para dizer o mínimo, pois as possibilidades de um veredito honesto eram muito mais favoráveis do que poderiam ser mais tarde. Temendo que uma votação naquela noite garantisse a absolvição, os líderes do partido da “Regência” obtiveram o adiamento, fizeram outra reunião secreta e de tal modo fortaleceram os nervos dos que eram considerados fracos e duvidosos no caso que a maioria entrou na sessão da manhã seguinte e votou o veredito de culpado e, depois, a expulsão do acusado da Conferência e da igreja!

Mais tarde, alegou-se, numa tentativa de justificar os procedimentos no caso do Sr. Roberts, que ele foi expulso porque tentou provar que as afirmações de Estes eram verdadeiras. Há, porém, duas coisas erradas nessa teoria. Primeiro, o Sr. Roberts não fez nenhuma tentativa de provar a verdade das afirmações contidas no folheto de Estes. Com a verdade ou a falsidade delas ele não teve nada a ver em todo o curso do seu julgamento. Disse, sim, em plena Conferência, aos seus acusadores, que, se lhe mostrassem que deturpara algum dos seus irmãos no que escrevera, publicaria, com o devido pedido de desculpas, as correções nos vários periódicos da igreja. Ninguém alegou ter sido deturpado, e por isso não se fez nenhuma correção.

Não só a alegação acima era uma invenção sem fundamento, como mostra a intenção dos procedimentos pelos quais o Sr. Roberts foi expulso da Conferência e da igreja sob uma luz ainda mais forte. Pense-se nisto! Ao tentar desculpar assim um ato palpavelmente injusto, admite-se, ao menos tacitamente, que condenaram o objeto da sua perseguição, e lhe impuseram a pena mais extrema conhecida na jurisprudência eclesiástica, por uma ofensa de que ele não fora acusado. Foi denunciado e julgado sob a acusação de “contumácia”, mas foi condenado e executado eclesiasticamente por ser “fanático” e “nazarita”.

Não é estranho, portanto, que o Rev. C. D. Burlingham, comentando os julgamentos do Sr. Roberts em 1857 e 1858, se tenha expressado nesta linguagem pertinente e vigorosa:

É fato notório que esses veredictos não se baseiam em testemunho que prove atos ou palavras criminosos. Vários que votaram com a “maioria”, e outros que simpatizam com ela, disseram: “Bem, se as acusações não foram sustentadas por prova suficiente, a Conferência os tratou como mereciam, pois são grandes agitadores e promotores da desordem e do fanatismo.”

Aí está. Homens julgados por uma coisa e condenados por outra! Que jurisprudência iníqua um princípio desses não acobertará?

Por que não julgá-los por promover a desordem e o fanatismo? Porque o resultado certo seria o fracasso de tal tentativa de condená-los.3

Como prova de que os seus perseguidores não consideravam seriamente o Sr. Roberts “não cristão” ou “imoral” durante o período em que os processos contra ele estavam pendentes, chama-se agora a atenção para os seguintes fatos:

1. As suas nomeações durante esse período um tanto prolongado foram tudo o que ele poderia ter pedido, e de caráter tão responsável que provavelmente não o seriam se a “maioria” realmente o julgasse “não cristão e imoral”.

2. Duas vezes, durante o seu último julgamento, os seus irmãos da Conferência lhe prestaram homenagens que teriam sido contraditórias da parte deles, se o julgassem culpado de alguma ofensa criminosa, e como talvez ninguém jamais tenha ouvido que um tribunal prestasse a um homem em julgamento por crime de qualquer espécie. Uma vez, adiaram o julgamento por um dia para assistir a um culto fúnebre em honra do Rev. W. C. Kendall, que morrera durante o ano; e, percebendo a eminente adequação da escolha, nomearam por voto unânime o Sr. Roberts para pregar o sermão fúnebre perante a Conferência. Ele atendeu à nomeação e pregou na ocasião, com dois dos bispos sentados no púlpito. Em outra ocasião, durante o andamento do julgamento, celebrou-se o aniversário da Sociedade Bíblica Americana, e o Sr. Roberts foi designado para presidir esses atos públicos!

Referindo-se a esses fatos em Why Another Sect?, o Sr. Roberts pergunta: “Seria isso uma imitação dos antigos idólatras, que primeiro coroavam com grinaldas as vítimas que iam sacrificar? Ou seria antes a homenagem natural que os homens muitas vezes prestam instintivamente aos que sabem estar com a razão, mesmo enquanto os perseguem?”

Apresentamos agora, em resumo, o relato do julgamento do Rev. Sr. McCreery sob uma dupla acusação de “contumácia”, que continha, em substância e de modo quase idêntico, as mesmas especificações que acompanhavam a acusação semelhante no caso do Rev. Sr. Roberts. Os trabalhos foram publicados em 1860, em forma de folheto, com o título Trial of Rev. J. McCreery, Jr., Before the Genesee Conference of the Methodist Episcopal Church, at Perry, N. Y., October 22, 1858 (Julgamento do Rev. J. McCreery Jr. perante a Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal, em Perry, N. Y., 22 de outubro de 1858), relatados por S. K. J. Chesbrough e J. McCreery. O relato que agora apresentamos foi provavelmente escrito, na maior parte, pelo próprio Sr. McCreery, mas está substancialmente de acordo com a ata oficial dos trabalhos, da qual o autor tem um exemplar diante de si enquanto escreve estas páginas. O leitor deve dar algum desconto ao sarcasmo de que às vezes se usa, mas pode ter certeza de que os fatos substanciais do caso estão dados corretamente, enquanto a versão do Sr. McCreery, pelo seu estilo saboroso, anima o relato e serve também para mostrar, com a concisão e a mordacidade que lhe eram próprias, o caráter de farsa do seu suposto julgamento perante a Conferência. Eis o seu modo de expor o assunto:

O JULGAMENTO DO REV. J. McCREERY JR.

“Por que Abner teve de morrer como se fosse um tolo?” (2Sm 3.33).

O Rev. J. G. Miller foi designado para ajudar a conduzir a acusação.

O acusado recusou qualquer defensor. Não fora citado para o seu verdadeiro julgamento, que se vinha fazendo em segredo, havia várias noites, no salão dos Odd Fellows, em Perry, e não julgou que valesse a pena incomodar ninguém para atuar como defensor numa farsa judicial.

O acusador disse que tinham decidido não percorrer os itens do libelo de acusações, que tinham ocupado tanto tempo no julgamento anterior. “Limitaremos o caso aos dois pontos principais: a publicação e a circulação.”

O acusado respondeu que podiam omitir tudo, se quisessem, ou a parte que quisessem. Ele não fazia questão nenhuma. Pouparia tempo dispensar o julgamento e votar logo o veredito. “Apelo para a Conferência Geral.” O bispo observou que o aviso de apelação era prematuro.

Os Revs. C. P. Clark e W. Scism depuseram que o acusado pusera em circulação o folheto de Estes. A acusação apresentou então como prova um cartão de mais ou menos três polegadas por duas, de aparência um tanto encardida, seriamente roído num canto e marcado de um lado com certas letras e algarismos sinistros e cabalísticos.

* * *

O cartão foi apanhado por S. M. Hopkins, como ele declarou no seu depoimento, e guardado com cuidado até o dia do juízo. O acusado tinha servido o circuito de Parma, um dos melhores e mais metodistas da Conferência, nos dois anos anteriores, e Hopkins fora mandado para lá pela Regência de Buffalo para vigiar o irmão Abell e recolher alguma coisa que pudesse ser usada nessa conspiração contra o acusado. Por esse serviço, os seus patrões lhe votaram sessenta dólares dos fundos da Conferência, sob o pretexto de que esse fiel cumprimento do dever reduzira os seus rendimentos nessa quantia. Sondada a Conferência, viu-se que era impossível obter uma maioria comprometida contra o irmão Abell; e faltava também suficiente “apoio na porta” que justificasse a empreitada [N. do T.: expressão de Jó 31.21 na versão inglesa; a NAA traz “o apoio dos juízes”]. Carlton, que estava no fundo de toda essa trapaça (o tempo todo sério e solene como um santo), não achou político atacá-lo seriamente. O caráter do irmão A. foi apenas detido, um pouco manchado, e depois aprovado. Assim, esse cartão foi a única migalha aproveitável do ciscar e bicar de Hopkins. Depois de devidamente atestado, como segue, foi marcado “R” com louvável gravidade e solenemente arquivado entre os documentos dessa perseguição.

Chamado o Rev. J. B. Wentworth. Conhece a letra do acusado? Resposta: Conheço. Tenho recebido cartas dele. Na minha opinião, este cartão é da letra dele. Tenho quase certeza.

Chamado o Rev. J. M. Fuller. Conhece a letra do acusado? Resposta: Conheço, sim, senhor. Não tenho dúvida de que este cartão é da letra dele. Não sei dizer quando nem onde vi este cartão pela primeira vez; foi há algumas semanas.

Chamado o Rev. S. M. Hopkins. Já viu este cartão antes? Resposta: Sim. Vi-o pela primeira vez no púlpito da Igreja Metodista Episcopal de Parma Center, por volta de meados de novembro passado. Houve ali uma reunião de quatro dias, chamada por alguns de reunião trimestral geral. O acusado estava lá. Vi o folheto de Estes nessa reunião; havia muitos. Vi, pelo que pude calcular, cem ou cento e cinquenta exemplares. Comprei alguns numa carruagem em que andavam a irmã McCreery e também a irmã Fuller, que morava com eles. Não vi o acusado chegar à reunião; mas, perguntando, julguei que fosse a carruagem dele.

Reinquirido: Vi o cartão pela primeira vez sobre o genuflexório do púlpito. Considerei-o um documento importante. Pensei que poderia lançar luz sobre a fonte de onde vinham esses panfletos. Não tenho certeza de quem era a charrete em que estavam os panfletos. Comprei oito exemplares da braçada que a irmã Fuller trouxe da charrete, a quem paguei o dinheiro. Não me lembro do preço exato que paguei. O irmão Estes estava na reunião. Não sei se eram vendidos por conta dele ou não. A irmã Fuller parecia cuidar do negócio; se o dinheiro ia para o irmão Estes ou para outra pessoa, não sei dizer. Comprei um dólar em exemplares. Uma parte deles encontrei na casa do irmão Dunn. Paguei todo o dinheiro à irmã Fuller. Não sei se ela morava na casa do irmão Duel naquela época; esteve na casa do acusado durante a Conferência. Logo encontrei esses folhetos em quase todas as famílias metodistas do circuito.

Pergunta: O senhor mandou um exemplar pelo correio a algum metodista?

O acusador objetou a essa pergunta, observando que o irmão Hopkins não estava sendo julgado por pôr o documento em circulação. Ainda que cem pessoas estivessem envolvidas num crime, isso não desculparia nenhum participante individual.

O acusado queria mostrar que todo mundo pusera o folheto em circulação. Ninguém jamais sonhara que houvesse crime ou contumácia nisso. Tanto pregadores da Regência como nazaritas, homens, mulheres e crianças, faziam-no com toda a liberdade com que fariam com um almanaque ou com o Livro dos mártires de Foxe. A acusação de contumácia por fazer o que todos os outros faziam era uma farsa ridícula. “Há sete horas, por ordem dos seus patrões, esta testemunha se levantou e votou pela expulsão do irmão Roberts da igreja sob a acusação de pôr em circulação este folheto; e comprometeu-se, em conclave secreto, a prestar-me o mesmo serviço daqui a algumas horas. Agora quero dizer, por implicação, que a criminalidade no caso é uma ideia posterior, uma ficção fabricada para a ocasião. Outras testemunhas se ofereceram para contar o que fizeram com os seus pacotes. Quero saber o que a testemunha fez com o seu dólar em exemplares.”

A testemunha declarou que lhe tinham entregado um libelo de acusações exatamente igual ao do acusado; na verdade, era o mesmo libelo, com o nome do acusado riscado e o dele posto no lugar.

O bispo decidiu que não se podia exigir que a testemunha respondesse de modo a incriminar-se.

Resposta: Penso que não fiz nenhum mal à igreja com o que fiz com os exemplares que comprei; tive em vista os melhores interesses da igreja.

O testemunho do irmão Estes foi substancialmente o mesmo que ele deu no julgamento do irmão Roberts, a saber: que só ele era o autor e editor responsável do folheto que leva o seu nome. Não enviou um exemplar ao acusado para revisão. Não se lembrava de ter mandado o impressor fazê-lo. Presumia ter mandado que fosse enviado a algum lugar, a alguém. Já que a Conferência achara por bem supor que a publicação era um crime, ele não a poria na pista de mais vítimas dizendo a quem mandara enviá-lo. Vários leigos o tinham visto antes da publicação. Alguns aconselharam a publicação, e outros tentaram dissuadi-lo. Fora ameaçado com um processo civil pela publicação. Estava pronto para ele em qualquer dia. Só ele era responsável; e estava pronto e em condições de provar tudo o que publicara num tribunal civil, sempre que fosse chamado. Todo mundo o pusera em circulação.

Testemunho da defesa:

Chamado o Rev. S. Hunt. Viu no Buffalo Christian Advocate uma notícia dos trabalhos da última Conferência no caso do irmão Roberts?

Resposta: Creio que li uma referência a isso. (Aqui o bispo Baker deixou apressadamente a presidência, e o bispo Janes a assumiu.) Pergunta: Esse jornal deu a acusação e as especificações do julgamento? Essa pergunta foi objetada como irrelevante pelo acusador, que disse: “Não estamos julgando jornais aqui.”

O acusado: “Mas estamos fazendo a coisa mais próxima disso: estamos julgando um folheto. Quero mostrar que a falsidade de um jornal justifica a verdade de um folheto como antídoto. O julgamento do irmão Roberts se tornara fato notório nos jornais. O Buffalo Advocate publicara relatos parciais, branqueando um lado e enegrecendo o outro. E, quando se perguntou, como se perguntou a respeito de alguém culpado de algo parecido com o mesmo crime, há mil e oitocentos anos: ‘Que mal ele fez?’ (Mt 27.23), a única resposta desse órgão dos saduceus da Conferência de Genesee foi: Conduta não cristã e imoral! Sobre esse texto, fornecido por uma trapaça judicial da mais baixa categoria, fizeram-se todas as variações, enquanto o que ele de fato fizera era cuidadosamente escondido. A verdade exigia a reedição do ‘Metodismo da Nova Escola’, para que o povo soubesse que tipo de escrito era aquele tão criminoso. E uma curiosidade justificável exigia uma exposição fiel dos vários modos carltonianos de raciocinar empregados pelos mestres dessa cerimônia judicial para levar a Conferência a esse estranho veredito de ‘imoralidade’ no caso. O acusado reivindica o direito de mostrar isso em justificação dos fatos imputados na acusação.”

A objeção foi acolhida pelo bispo. Diante disso, recusou-se em silêncio qualquer defesa posterior.

Assim, o testemunho da defesa somou, ao todo, duas perguntas e uma resposta.

O acusador fez uma defesa grandiloquente.

O acusado não respondeu uma palavra.

O acusado foi declarado culpado das especificações e da acusação.

E foi expulso da Conferência e da igreja pelo número costumeiro de votos: 50.

RESUMO DA VOTAÇÃO

Homens regulares da Regência 33
Presbiterzinhos presidentes 15
Tolos sérios, assustados com o bicho-papão do nazaritismo 2
Total a favor da expulsão 50
Membros que votaram contra a expulsão 17
Membros da Conferência que não votaram 53
Total dos que não votaram pela expulsão 70
Número total de membros 120

Note-se que um número notavelmente grande de pregadores não votou. Carlton conseguira fazer sussurrar com cuidado por toda parte, tão alto que todos pudessem ouvir, que o bispo ia fazer as nomeações dos pregadores conforme a sua defesa da igreja, isto é, da facção da Regência, nessa crise memorável. Todos os presbíteros presidentes eram firmes amigos da igreja, isto é, instrumentos de Carlton, Robie & Cia., exceto um; e este foi removido nessa Conferência e expulso na seguinte. O hábil chocalhar dos pães e peixes nas cestas de feira marcadas “P. P.” resolveu a questão. Funcionou nos dois sentidos, conquistando tanto votos como abstenções.

Isso explica o grande número dos que não queriam votar com iniquidade e não ousavam votar com justiça. O poder de nomear é onipotente; e quem tem a habilidade de bajulá-lo, intimidá-lo ou enganá-lo para pô-lo a seu serviço pode fazer ou ser o que quiser.

[N. do T.: o “Livro dos mártires” de John Foxe (1563) era leitura popular entre os protestantes. “P. P.” traduz “P. E.” (Presiding Elder, presbítero presidente). Os Odd Fellows eram uma sociedade fraternal secreta.]

Tanto o Sr. Roberts como o Sr. McCreery deram aviso de apelação para a Conferência Geral, com plena confiança de que, se os seus casos pudessem chegar a esse corpo, a sua reabilitação seria completa e seguiria a sua restauração à igreja e à Conferência. As suas apelações, porém, nunca puderam chegar a esse corpo, para grande decepção deles e de milhares em todo o território do metodismo americano. O motivo aparecerá à medida que prosseguirmos com a nossa história.

Notas do autor

  1. Pág. 646. ↩
  2. Ver o Apêndice B, com o texto completo dessa resenha. ↩
  3. Outline History, pág. 40, seção 21. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.