História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXXVII

A formação da Conferência de Nova York

Embora a Conferência de Nova York só tenha sido organizada catorze anos depois da Convenção de Pekin, na qual se adotou a Disciplina e se formou a denominação; e embora, em ordem cronológica, a Conferência de Michigan a tenha precedido em oito anos, e as de Minnesota e Norte de Iowa em dois anos; ainda assim, por ter feito parte por tanto tempo da Conferência de Susquehanna, e por ter a sua primeira sociedade sido levantada por um ministro da Conferência de Genesee, julgou-se que este é o lugar lógico para esboçar a sua origem e o seu progresso.

No começo de 1861, o Rev. Loren Stiles Jr., a pedido insistente e repetido de muitas almas devotas que tinham sofrido da Igreja Metodista tratamento semelhante ao dos excomungados no oeste de Nova York e no norte de Illinois, foi a White Haven, Pensilvânia, e passou algum tempo pregando o evangelho da plena salvação. A situação em que encontrou as coisas e os resultados do seu trabalho estão expostos na seguinte carta, que ele mandou publicar no número de abril do Earnest Christian:

IRMÃO ROBERTS: Estou em White Haven, condado de Luzerne, Pensilvânia, a cerca de quarenta milhas da divisa de Nova Jersey, encorajando o coração e fortalecendo as mãos dos pequeninos de Deus daqui. Ao chegar, encontrei um pequeno grupo nobre de cristãos sérios que, durante anos, ainda na Igreja Metodista Episcopal, vinham lutando com empenho “pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3). Tal tem sido, porém, a política opressiva dos poderes constituídos que, para a glória de Deus e a salvação das almas, foram forçados a escolher entre abrir mão das suas convicções de dever, submetendo-se mansamente à renúncia dos seus direitos de metodistas e de cristãos, ou estabelecer reuniões separadas, onde pudessem trabalhar e orar pelas almas e seguir as suas convicções de dever. Escolheram o segundo caminho e, a pedido deles, organizei trinta e seis deles numa Igreja Metodista Livre; e mais alguns, o bastante para elevar o seu número a entre quarenta e cinquenta, logo darão os seus nomes. Em proporção ao seu número, penso que não encontrei em parte alguma testemunhas mais claras e distintas da santidade completa do que entre esses irmãos, que cresceram aqui sozinhos, nesta região montanhosa e selvagem, sem nenhuma ajuda ministerial, vivendo pela fé e trabalhando para Deus do verdadeiro modo metodista antigo.

Se eu tivesse vindo aqui de olhos vendados, entrado nas suas reuniões e os ouvido falar, orar, cantar e dar brados de louvor, poderia facilmente ter imaginado que estava no campo de batalha de Genesee, rodeado de alguns dos nossos melhores veteranos, provados e mais hábeis, do oeste de Nova York, nesta guerra gloriosa. Alguns deles têm leves cicatrizes de armas da Regência de Baltimore. Dois sofreram a expulsão sob acusações igualmente frívolas e por julgamentos de fachada semelhantes aos que caracterizaram a administração da Conferência de Genesee e a tornaram imortal na infâmia. Cerca de vinte se uniram a nós vindos da Igreja Metodista Episcopal.

Há semanas vêm realizando as suas reuniões de oração e de exortação em casas particulares, onde almas se converteram e foram santificadas. Nesta sexta-feira à noite, a última noite do meu trabalho com eles, onze foram à frente pedindo oração e buscando o favor perdoador de Deus.

Desde que estou entre eles, os nossos irmãos presbiterianos nos concederam com muita bondade o uso da sua igreja, onde preguei várias vezes para congregações grandes e atentas. Os nossos metodistas livres daqui estão construindo um templo para si e esperam pedir-nos em breve que lhes forneçamos um pregador. São tão parecidos esses cristãos sérios do leste da Pensilvânia com os nossos metodistas livres do oeste de Nova York, e tão semelhante é a oposição que enfrentaram, e tão parecido é o caminho por onde foram conduzidos, que não posso explicar isso de outro modo senão que eles têm aqui o mesmo Senhor e o mesmo diabo que nós temos lá.

L. Stiles Jr.

[N. do T.: “Regência de Baltimore” parece referir-se ao grupo dominante da Conferência metodista episcopal da região, comparado à Regência de Buffalo.]

Essa obra foi por fim posta sob o cuidado da Conferência de Susquehanna e, na sessão realizada em Nova York em setembro de 1863, A. B. Burdick foi mandado a White Haven, Pensilvânia, como pregador responsável. Em 1864 surgira outro circuito, e mandaram-se dois pregadores para aquela região. A obra nessas partes continuou a crescer e, em 1865, havia seis pregadores nomeados para circuitos nesse território. Em 1867 informou-se dessa região um número de 175 membros leigos, incluindo os que estavam em experiência, e o número de circuitos permaneceu o mesmo. Em 1879, porém, o número de membros aumentara para cerca de 300, e eram necessários nove pregadores para atender essa obra. Continuou a haver um crescimento constante e saudável até que, em 1874, se julgou melhor organizar a obra numa Conferência separada.

[N. do T.: “1879” está assim no original, conferido na imagem da página, mas deve ser erro de impressão, pois o texto passa em seguida a 1874. O número de membros, “cerca de 300”, também foi conferido na imagem.]

Tendo a Conferência de Susquehanna de 1873 votado pedi-lo, e tendo a Comissão Executiva agido favoravelmente quanto ao pedido, o superintendente geral Roberts convocou uma sessão para a organização da Conferência de Nova York, a realizar-se em Brooklyn, Nova York, de 2 a 6 de setembro de 1874. Quando o superintendente assumiu a presidência e dirigiu os exercícios devocionais, “anunciou que todos os pregadores que estavam encarregados de circuitos dentro dos referidos limites [prescritos como território da Conferência de Nova York] seriam considerados membros da nova Conferência, a menos que desejassem conservar a sua condição de membros da Conferência de Susquehanna; e que quaisquer outros membros da Conferência de Susquehanna seriam considerados membros da nova Conferência, se [assim] desejassem e declarassem esse desejo a esta Conferência. O presidente leu os nomes dos pregadores que tinham trabalhado dentro dos referidos limites; cada um respondeu, e o seu nome foi posto no rol da nova Conferência”.

Os ministros que se tornaram membros fundadores desse corpo eram dezesseis ao todo: treze deles tinham sido membros da Conferência de Susquehanna em plena conexão, e um estivera em plena conexão na Conferência de Genesee. Seguem os seus nomes: A. G. Terry, William Jones, William Gould, James Mathews, M. N. Downing, M. D. McDougall, W. M. Parry, S. H. Bronson, John Glen, G. E. Ferrin, W. W. Warner, R. Coons, O. V. Ketels, F. J. Ewell. Além desses, H. Hendrickson, George Eakins e J. E. Bristol continuaram em experiência, e Andrew Algreen foi recebido em experiência.

[N. do T.: a lista do original traz catorze nomes, embora o texto fale de dezesseis membros fundadores.]

A Comissão de Nomeações recomendou por unanimidade a divisão do território da Conferência em três distritos, o de Nova York, o de Wilkes-Barre e o de Filadélfia, e que os dois primeiros ficassem sob uma presidência itinerante e o último fosse supervisionado por um presidente com nomeação fixa. A Conferência aprovou a recomendação, e William Gould foi eleito presidente dos distritos de Nova York e de Wilkes-Barre, e James Mathews foi nomeado para Filadélfia e eleito presidente do distrito de Filadélfia.

O registro estatístico mostra que o número de membros leigos era então de 617, incluindo noventa em experiência, e que o valor das propriedades da igreja era de 57.035 dólares.

Na época da sua organização, a Conferência de Nova York abrangia “todas as partes dos estados de Nova York e Pensilvânia não incluídas nas Conferências de Genesee e de Susquehanna, e todo o território situado a leste”. Mais tarde foi feita para “abranger todas as partes dos estados de Nova York e Pensilvânia não incluídas nas Conferências de Genesee, Pittsburgh e Susquehanna, e os estados de Nova Jersey, Maryland, Delaware e Virgínia”. Entre as suas nomeações atuais estão Newark, Dover, Phillipsburg, Flemington e Vineland, no estado de Nova Jersey; Baltimore, Hampstead, Alesia, Fairmount, Spencerville, Rockville, Avery, Lay Hill etc., no estado de Maryland; e Alexandria, Virgínia. A obra em Maryland foi quase toda levantada em anos recentes e é muito promissora. A obra em Alexandria, Virgínia, começou muito antes, assim como a da maioria dos pontos em Nova Jersey.

A obra na Conferência de Nova York sempre foi favorecida com alguns dos melhores talentos ministeriais da denominação. No seu período inicial, foi abençoada com os serviços de homens como William Gould, James Mathews, M. N. Downing, John Glen, Joseph Travis, T. S. LaDue, A. F. Curry, William Jones, M. D. McDougall, W. M. Parry, S. H. Bronson e J. E. Bristol, homens de grande capacidade, profunda piedade, coragem invencível e santa ousadia, cuja influência para o bem ainda sobrevive. Mais tarde vieram à frente homens como A. G. Miller e J. T. Michael. Ambos eram homens de capacidade notável. Quando o Sr. Michael foi recebido em plena conexão na Conferência metodista de Newark, vários falaram a seu favor. Um ex-presbítero presidente, M. E. Ellison, falou muito bem do seu trabalho no circuito, e o Dr. Hurst, então presidente do Seminário Teológico Drew (depois bispo), disse que o bispo Foster afirmara que o Sr. Michael tinha a melhor mente de todos os estudantes que frequentaram o seminário durante a sua presidência (de Foster); o Dr. Hurst acrescentou que “ele [o irmão Michael] era o segundo Watson”. George Eakins, J. T. Logan e W. B. Rose também devem ser mencionados na lista acima, os dois últimos dos quais têm servido a igreja há vários anos como oficiais da Conferência Geral: o Sr. Logan como redator do Free Methodist e o Sr. Rose como agente da Casa Publicadora da denominação.

[N. do T.: “o segundo Watson” refere-se provavelmente a Richard Watson, autor das Institutas Teológicas, cuja tradução está publicada no site.]

O metodismo livre na Conferência de Nova York passou por mais do que a quantidade comum de provas e peneiras, e às vezes pareceu que, em alguns dos centros mais importantes, seria inteiramente destruído; contudo, manteve a cabeça acima das ondas e parece destinado a sobreviver e ser uma bênção para o mundo. Atualmente (1914) tem trinta e dois pregadores em plena conexão, com cinco em experiência; membros leigos em número de 1.338, incluindo 219 em experiência; propriedades da igreja avaliadas em 118.500 dólares; e casas pastorais no valor de 28.750 dólares.

O crescimento e o progresso iniciais da obra na Conferência de Nova York deveram muito à dedicação, à integridade, à sabedoria e à generosidade de leigos como W. B. Bertels, de Wilkes-Barre, Pensilvânia, fabricante de artigos de folha de flandres; C. O. Schantz, de Allentown, Pensilvânia, que trabalhava no ramo bancário; Joseph Mackey, da cidade de Nova York, redator e editor de um guia ferroviário e de The United States Economist and Dry Goods Reporter; James Gray, também da cidade de Nova York, impressor geral; James Dickson, de Filadélfia, comerciante de ferragens; a sua esposa, a Sra. Emily Dickson, mulher dotada de raras capacidades, que pregava com frequência e com grande aceitação e que levantou principalmente a obra de West Philadelphia; John Gray, pregador local ordenado, de aceitação geral; Lucien Woodruff, juiz de paz, homem de Deus muito dedicado e influente; e Noah Patrick, outro homem de Deus influente, cuja memória é preciosa para todos os que o conheceram.

Havia também várias outras mulheres que merecem menção especial entre os leigos que estiveram em destaque ligados ao metodismo livre primitivo na Conferência de Nova York: a Sra. Maria Rose, dotada de capacidade evangelística, que ajudou a levantar a sociedade de Dover, Nova Jersey, e trabalhou com eficácia em outros campos; a Sra. Jane Dunning, durante muitos anos superintendente da Missão Providence, em Nova York, levantada e mantida pelo Dr. Sabine; e a Sra. Calista Fairchild, evangelista talentosa, ligada à origem da obra em Alexandria, Virgínia, e em Washington, D. C., que ainda vive dentro dos limites da Conferência. A essas e a outras “senhoras eleitas”, cujos nomes não se podem mencionar aqui, mas estão no Livro da Vida, o progresso e a prosperidade da obra no território da Conferência de Nova York deveram muito nos seus primeiros dias.

Alguns dos leigos mencionados na lista acima também acabaram tendo papel de destaque na obra mais geral da Igreja Metodista Livre. Joseph Mackey foi por algum tempo redator e proprietário do Free Methodist; isso, naturalmente, antes de a igreja assumir a propriedade do jornal. C. O. Schantz serviu por dois quadriênios como auditor da denominação, e com notável eficiência. A sua renúncia final foi por causa da saúde debilitada. W. B. Bertels, embora leigo, é presbítero local ordenado e representou repetidas vezes a sua Conferência Anual como delegado à Conferência Geral, onde sempre se houve com muita sabedoria, dignidade e espiritualidade. James Dickson, que com a esposa deu ajuda generosa às igrejas de Filadélfia, West Philadelphia e Brooklyn, também merece menção nesta lista. Outro homem que, desde cedo, teve considerável destaque e influência entre os leigos desse corpo foi John W. Searing, um segundo Zaqueu na estatura física (cf. Lc 19.3), mas espiritualmente de altura imponente. Esteve muito ligado ao início e ao primeiro desenvolvimento da obra em Dover, Nova Jersey, e ainda é lembrado com muito prazer pelos sobreviventes daquele período inicial. Depois se mudou para Fargo, Dakota do Norte, e assumiu um cargo de confiança no Fargo Forum, que ocupa há mais de trinta anos. Ali continuou a ser o mesmo irmão humilde, sério, generoso, zeloso e espiritual que fora no Leste, e tem sido um fator importante na formação do metodismo livre no grande Noroeste. Raramente uma Conferência é favorecida com uma classe de leigos mais nobre, mais inteligente e mais dedicada do que a que em geral honrou a Conferência de Nova York.

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.