História da Igreja Metodista Livre · Volume II · Capítulo XIII

A Conferência Geral

A Conferência Geral da Igreja Metodista Livre possui poderes legislativos, judiciais e executivos. É o corpo legislador da denominação e o único que tem autoridade para fazer e estabelecer regras e normas que todos os membros da igreja são obrigados a guardar. Quando devidamente convocada e organizada, tem pleno poder de legislar, fazendo, alterando ou anulando leis, regras e normas, sujeita às “Regras Restritivas” da Disciplina. Essas regras estabelecem as seguintes limitações:

1. A Conferência Geral não revogará, alterará nem mudará os nossos Artigos de Religião, nem as Regras Gerais das Sociedades Unidas, nem estabelecerá novos padrões ou doutrinas contrários aos nossos padrões de doutrina presentes, existentes e estabelecidos.

2. Não mudará nem alterará nenhuma parte ou regra do nosso governo de modo a abolir a delegação leiga, ou a superintendência geral, ou o sistema de assentos gratuitos nas nossas igrejas.

3. Não terá poder de privar os nossos pregadores ou membros do direito de julgamento por uma comissão imparcial e de apelação.

4. Contanto, porém, que, mediante a recomendação concorrente de três quartos de todos os membros das várias Conferências Anuais que estiverem presentes e votarem tal recomendação, uma maioria de dois terços da Conferência Geral seguinte bastará para alterar qualquer das restrições acima, exceto a última; e também, sempre que tal alteração ou alterações tiverem sido primeiro recomendadas por dois terços da Conferência Geral, logo que três quartos dos membros de todas as Conferências Anuais tiverem concordado, como acima, tal alteração ou alterações entrarão em vigor.

A Conferência Geral é também o Supremo Tribunal da denominação: julga a constitucionalidade de quaisquer leis que lhe agrade estabelecer e é a autoridade final em todas as apelações devidamente interpostas contra decisões de qualquer Conferência Anual, com jurisdição que alcança os limites extremos da denominação. É igualmente um tribunal de revisão, com autoridade exclusiva, e também obrigação, de rever as decisões de direito dos bispos, assim como os atos de todas as Conferências Anuais, e de julgá-los.1

Que esse corpo tem também certa autoridade executiva se vê pelo fato de a Disciplina determinar que ele eleja todos os oficiais gerais da denominação, os quais servirão por quatro anos, sob a sua jurisdição, a menos que de algum modo fiquem inabilitados:

1. Cada Conferência Geral elegerá, por voto secreto, um ou mais presbíteros itinerantes como bispo, um secretário e tesoureiro, um redator do Free Methodist, um redator da literatura da escola dominical, um secretário e evangelista da escola dominical, um agente da Casa Publicadora e um secretário de missões. A Conferência Geral poderá eleger, por voto secreto, um ou mais evangelistas gerais. Elegerá também um presbítero itinerante e um leigo de cada um dos seis distritos da Conferência Geral, que, com os bispos, constituirão a Comissão Executiva; e um presbítero itinerante e um leigo de cada um dos seis distritos da Conferência Geral para atuarem na Junta de Missões.

2. A Conferência Geral poderá eleger um bispo missionário, cujos deveres e cuja relação oficial ficarão restritos ao campo para o qual for nomeado.2

A Conferência Geral reúne-se regularmente uma vez a cada quatro anos; e a Disciplina determina que, “sempre que dois terços das Conferências Anuais o exigirem, o bispo ou os bispos, ou, se não houver nenhum, o secretário da Conferência Geral, convocará uma sessão extraordinária da Conferência Geral, fixando a data e a hora da reunião para depois da sessão seguinte de cada uma das Conferências Anuais”.

Esse corpo é composto dos bispos, que são membros natos, e de igual número de delegados ministeriais e leigos eleitos pelas várias Conferências Anuais do modo prescrito pela Disciplina. A base de representação era originalmente de um delegado ministerial e um leigo para cada Conferência Anual, mais um de cada tipo para cada dez pregadores pertencentes a ela, e ainda mais um de cada tipo para a Conferência que tivesse uma fração adicional de sete pregadores itinerantes. Por decisão da Conferência Geral de 1878, a palavra “quinze” foi posta no lugar de “dez” nessa disposição; e, em 1882, a base de representação passou do número de pregadores para o número de membros leigos de cada Conferência. Atualmente (1915), a Disciplina diz o seguinte sobre o assunto:

Cada Conferência Anual terá direito a um delegado ministerial e um leigo na Conferência Geral; e, sempre que uma Conferência Anual atingir um total de oitocentos membros em plena conexão, terá direito a dois delegados ministeriais e dois leigos, e mais um delegado de cada tipo para cada seiscentos membros em plena conexão a mais dentro da Conferência; contanto, porém, que em nenhum caso um pregador seja contado mais de uma vez na eleição dos delegados.3

[N. do T.: as páginas do original trazem aqui uma gravura com os redatores do General Conference Daily (o diário da Conferência Geral) de 1898 e de 1915; as legendas das gravuras não foram traduzidas.]

A primeira sessão da Conferência Geral reuniu-se em St. Charles, Illinois, em 8 de outubro de 1862, ficou em sessão até 15 de outubro e depois suspendeu os trabalhos para se reunir de novo em Buffalo, Nova York, em 4 de novembro seguinte, onde se realizaram quatro sessões, encerrando-se o corpo definitivamente em 6 de novembro. Surgiu considerável desconforto quanto à admissão dos delegados da Convenção de Susquehanna, porque o superintendente geral organizara essa Convenção sem autorização expressa da Disciplina para fazê-lo. Esse assunto foi exposto em pormenor junto com o esboço histórico da Conferência de Susquehanna.4 Para que a Disciplina fosse dali em diante mais explícita nesse ponto, o parágrafo que define os poderes e deveres dos superintendentes gerais foi mudado de modo a dizer, logo depois das palavras “estabelecer novas igrejas”: “e, com a concordância da Comissão Executiva, organizar novas Conferências onde quer que os interesses da causa o exijam, sujeito à aprovação da Conferência Geral seguinte”.

Outra mudança importante na Disciplina feita nessa sessão foi a que criou uma Comissão Executiva da Igreja Metodista Livre e definiu expressamente os seus deveres. Essa disposição dizia o seguinte:

Cada Conferência Anual elegerá, na sua sessão seguinte, e depois uma vez a cada quatro anos, ou sempre que ocorrer uma vaga, um ministro e um leigo dentre os seus membros, que constituirão a Comissão Executiva da Igreja Metodista Livre.

Será dever dessa comissão aconselhar o superintendente geral na organização de novas Conferências, e nenhuma nova Conferência será organizada sem o seu consentimento.

Caso não haja superintendente geral que viaje por toda a obra e presida as Conferências Anuais, a Comissão Executiva elegerá um superintendente, que servirá até a Conferência Geral seguinte.

A Comissão Executiva fixará o salário dos superintendentes gerais e providenciará os meios que julgar apropriados para levantá-lo.5

Determinou-se também que esta Convenção Geral elegesse uma Comissão Executiva, que atuaria até que outros fossem eleitos no seu lugar, conforme a disposição da Convenção. A primeira Comissão Executiva teve a seguinte composição: Convenção de Illinois, E. P. Hart, ministro, Orson P. Rogers, leigo; Convenção de Genesee, Albert G. Terry, ministro, L. S. Bryan, leigo; Convenção de Susquehanna, William Cooley, ministro, J. S. Whitney, leigo.

Mais tarde a Conferência Geral determinou que “a Comissão Executiva será composta dos bispos e de um presbítero itinerante e um membro leigo de cada um dos distritos da Conferência Geral, escolhidos pela Conferência Geral dentre os seus membros”.6

Fizeram-se também várias mudanças menores na Disciplina. Na última sessão, porém, realizada em Buffalo, Nova York, considerou-se a possibilidade de os Cristãos Bíblicos se unirem à Igreja Metodista Livre; e, para mostrar a atitude do corpo a esse respeito, reproduz-se aqui a seguinte decisão aprovada pela Convenção:

Resolvido, que, tendo havido alguma conversa da parte dos Cristãos Bíblicos dos Estados Unidos sobre unir-se a nós, e crendo que são filhos queridos de Deus e que tal união, se claramente indicada pela providência de Deus, seria em benefício desses dois ramos da igreja de Deus; portanto,

Resolvido, que esta Convenção nomeie uma comissão de dois ministros e dois leigos para conferenciar com representantes da referida denominação e dar os passos para efetuar a união que Deus, pela sua providência, lhes indicar.7

Foi nomeada tal comissão, composta das seguintes pessoas: Rev. B. T. Roberts, Rev. Joseph Travis, B. Hackney e C. T. Hicks. Os dois últimos eram delegados suplentes.

[N. do T.: os “Cristãos Bíblicos” (Bible Christians) eram uma denominação metodista de origem inglesa (1815), com igrejas também na América do Norte.]

Embora a disputa em torno da admissão dos delegados de Susquehanna tenha sido acirrada nessa sessão da Conferência Geral e tenha parecido, por algum tempo, capaz de dividir a obra quase no seu início, ainda assim, como se verá pelo relato desse assunto desagradável, dado em outro lugar e mencionado na primeira parte deste capítulo, o caso foi por fim resolvido de modo amigável e fraterno, e desde então tem havido relações harmoniosas entre as Conferências envolvidas.

B. T. Roberts foi reeleito por unanimidade superintendente geral.

A segunda sessão quadrienal da Conferência Geral reuniu-se, conforme a suspensão, em Buffalo, Nova York, em 10 de outubro de 1866, ficou em sessão ali até 13 de outubro e depois suspendeu os trabalhos para se reunir em Albion, Nova York, em 15 de outubro de 1866. A sessão foi finalmente encerrada em 18 de outubro. Durante o quadriênio, a Conferência de Michigan fora formada pelo superintendente geral Roberts, com a autorização da Comissão Executiva, e um dos primeiros atos da Conferência Geral, depois de devidamente organizada a sessão, foi aprovar a organização dessa Conferência.

Os delegados que apresentaram credenciais e foram inscritos como membros do corpo foram os seguintes: Conferência de Illinois, ministros Joseph McCreery e Joseph Travis, leigos Benjamin Hackney e Orson P. Rogers; Conferência de Susquehanna, ministros D. W. Thurston e William Cooley, leigos W. Earner e A. H. Knapp; Conferência de Michigan, ministerial E. P. Hart, leigo John Plues; Conferência de Genesee, ministros Henry Hornsby e Asa Abell, leigos Levi Wood e John W. Reddy.

“Tomou-se uma decisão favorável à fundação de um jornal semanal da denominação. O Rev. Levi Wood foi eleito redator e autorizado a começar a publicação do jornal assim que se levantassem cinco mil dólares para esse fim.”

O Rev. B. T. Roberts foi de novo eleito superintendente geral, recebendo dezessete de dezenove votos. A Conferência também autorizou e deu poder à Comissão Executiva para eleger mais um superintendente geral, se a seu juízo os interesses da obra o exigissem.

Decidiu-se obter, se possível, a incorporação da Conferência Geral por carta legislativa no estado de Nova York, e nomeou-se para esse fim uma comissão presidida pelo superintendente Roberts.

Apresentou-se ao corpo uma proposta de revisar a Disciplina suprimindo todo o capítulo relativo à ordenação de diáconos, e a votação final ficou empatada. O presidente deu o voto de desempate contra a proposta, e ela foi derrotada. Se essa proposta tivesse sido aprovada, teria abolido as duas ordenações na Igreja Metodista Livre.

Determinou-se também que o superintendente geral tivesse a seu cargo todas as missões fora dos limites reconhecidos das várias Conferências Anuais.

A Conferência Geral realizou a sua terceira sessão quadrienal em Aurora, condado de Kane, Illinois, de 12 a 21 de outubro de 1870. A Conferência elegeu William Gould como secretário, cargo para o qual foi reeleito em todas as sessões quadrienais até 1886.

Como não se formara nenhuma Conferência nova durante o quadriênio, só quatro Conferências Anuais estiveram representadas. As delegações de todas as Conferências tinham aumentado consideravelmente, porém. As Conferências de Genesee, Susquehanna e Illinois tinham direito, cada uma, a quatro delegados ministeriais e quatro leigos, contra dois de cada tipo na sessão anterior, e a de Michigan tinha direito a três de cada tipo, contra um de cada na sessão anterior. Devia haver vinte e sete delegados ao todo, mas, como um dos delegados leigos da Conferência de Susquehanna não compareceu, houve na realidade só vinte e seis.

Nomearam-se comissões permanentes, formadas cada uma por um ministro e um leigo, sobre itinerância, revisão da Disciplina, superintendência, publicações e educação; e nomearam-se também comissões sobre sociedades secretas, temperança, escolas dominicais e instrução religiosa dos jovens.

Dois casos de apelação exigiram a atenção da Conferência Geral. O primeiro foi o do Rev. D. A. Cargill, que apelou da decisão da comissão judicial nomeada pela Conferência de Susquehanna, que o expulsara da Conferência e da igreja por conduta imoral e não cristã. O outro caso de apelação foi o de D. W. Thurston, que apelou da decisão da Conferência de Susquehanna que o expulsara da Conferência e da igreja por ensinar doutrina errônea. Nos dois casos, a decisão da Conferência de Susquehanna foi mantida.

A Comissão de Limites recomendou, e a Conferência autorizou, a formação da Conferência de Kansas e Missouri; e também que os estados de Kansas, Missouri e Nebraska, e os circuitos de Lebanon e Alma, no estado de Illinois, fossem incluídos nos limites da nova Conferência.

As mudanças mais importantes na Disciplina foram: uma que determinava que a Regra Geral contra “a moleza e a autoindulgência desnecessária” fosse modificada pelo acréscimo das palavras “especialmente mascar, cheirar ou fumar tabaco para a satisfação de um apetite depravado”; e outra que determinava o acréscimo das palavras “uma superintendência geral” depois das palavras “ministério itinerante” nas Regras Restritivas.

O Rev. Levi Wood, que, com a aprovação da Conferência Geral de 1866, fundara o Free Methodist e até então o redigira e publicara, ofereceu-o agora à igreja, por meio dos seus representantes na Conferência Geral. A oferta foi aceita. A ação posterior da Conferência a esse respeito se encontrará no capítulo sobre “Os interesses editoriais da denominação”.

O Rev. B. T. Roberts foi de novo eleito superintendente geral, recebendo dezoito dos vinte e nove votos.

A Conferência Geral realizou a sua quarta sessão em Albion, Nova York, de 14 a 27 de outubro de 1874. O superintendente geral anunciou que, durante o quadriênio, organizara, com o consentimento da Comissão Executiva, a Conferência de Minnesota e Norte de Iowa, e que também fora organizada a Conferência de Nova York; diante disso, a Conferência votou aprovar essas organizações, e os seus delegados foram reconhecidos e puderam ser inscritos mediante a apresentação das suas credenciais.

O superintendente geral informou que submetera a mudança proposta na Disciplina (a inserção das palavras “uma superintendência geral” depois das palavras “um ministério itinerante” nas Regras Restritivas) às várias Conferências Anuais para adoção, como determinara a última Conferência Geral, e que a maioria exigida de três quartos dos membros votara pela adoção da mudança. O seu relatório foi aprovado, e a mudança entrou em vigor.

Outra mudança na Disciplina feita nessa sessão modificou o subparágrafo 2 da seção sobre “O julgamento dos membros da igreja”, acrescentando às palavras “e, em caso de persistência depois da devida admoestação e trabalho, a julgamento e censura” as palavras “ao período de experiência ou à expulsão, conforme a comissão determinar”. Fez-se também uma mudança que determinava a inserção, na parte final da Disciplina, de um “Modelo de libelo de acusações”. Mudou-se igualmente a Regra Geral que proibia “a embriaguez; comprar ou vender bebidas destiladas” etc., suprimindo a palavra “destiladas” e inserindo as palavras “fabricar ou vender [bebidas] alcoólicas”, de modo a dizer: “a embriaguez; comprar, fabricar ou vender bebidas alcoólicas” etc. Sobre essa última mudança a Conferência votou nominalmente, com trinta e cinco votos sim e nenhum não. Aprovou-se também uma resolução, declarada com força de lei, no sentido de “que é entendimento da Conferência que a Regra [Geral] da Disciplina que proíbe o uso de ouro se aplica aos que usam alianças de ouro”. Fizeram-se várias outras mudanças, mas de importância menor, e que de modo algum afetaram a organização geral da igreja.

[N. do T.: as Regras Gerais são citadas na redação da nossa tradução da Disciplina de 1860, já publicada no site (“A embriaguez; comprar ou vender bebidas destiladas…”).]

A Comissão de Superintendência apresentou um relatório de calorosa aprovação da administração do superintendente geral Roberts, mas também no sentido de que, na sua opinião, chegara o tempo em que, na providência de Deus, os interesses da obra exigiam mais obreiros nessa função, e recomendando a eleição de dois superintendentes gerais. Esse relatório foi por fim aprovado; e, na vigésima primeira sessão, B. T. Roberts foi reeleito e E. P. Hart foi eleito seu colega, recebendo o primeiro vinte e seis e o segundo vinte dos trinta e quatro votos.

As seguintes pessoas foram eleitas para constituir a Junta de Missões da denominação: B. T. Roberts, E. P. Hart, William Gould, Epenetus Owen, T. S. LaDue, Joseph Mackey e E. H. Winchester.

A Comissão Executiva para o quadriênio foi composta das seguintes pessoas: B. T. Roberts, E. P. Hart, J. W. Reddy, Epenetus Owen, J. G. Terrill, B. R. Jones, William Jones, N. A. Bennett, A. Wise, O. P. Rogers, D. W. Abrams, W. B. Bertels e J. M. Cusick.

O superintendente geral B. T. Roberts, como comissão sobre o trabalho das mulheres, apresentou o seu relatório, que, como foi por fim aprovado pela Conferência, criou uma classe de ministros com reconhecimento denominacional, conhecidos como evangelistas. Os evangelistas foram declarados “uma classe de pregadores chamados por Deus para pregar o evangelho, trabalhar para promover avivamentos da religião e espalhar a causa de Cristo pela terra; mas não chamados para um cargo pastoral nem para o governo da igreja”. Qualquer irmão ou irmã da igreja que se sentisse chamado por Deus para esse trabalho podia, por recomendação da sociedade a que pertencesse, receber licença de evangelista da Conferência Trimestral, depois de passar pelo devido exame, segundo a parte da Disciplina intitulada “Do exame dos que pensam que são chamados para pregar”. Depois de trabalhar com êxito por quatro anos, esse evangelista podia, por recomendação da Conferência Trimestral, receber licença da Conferência Anual, licença que valeria até ser revogada pelo corpo que a deu. Os evangelistas respondiam perante a Conferência Trimestral, como os pregadores locais.

O relatório tornou-se por fim um capítulo separado da Disciplina; e foi essa disposição que abriu caminho para que as mulheres ocupassem a posição de destaque no ministério da Igreja Metodista Livre que há tanto tempo e com tanta eficiência têm ocupado em muitas das Conferências, não só como evangelistas, no sentido geral desse termo, mas como evangelistas-pastoras. O capítulo foi um tanto modificado por Conferências Gerais posteriores, mas apenas no sentido de ampliá-lo, nunca no de restringir o trabalho das mulheres no ministério. A esfera de atuação das mulheres na Igreja Metodista Livre tem sido constantemente alargada desde o começo.

A Comissão de Incorporação nomeada pela última Conferência Geral apresentou o seguinte como o seu relatório:

ATO DE INCORPORAÇÃO

1. Lei que incorpora a Conferência Geral Metodista Livre da América do Norte, aprovada em 30 de abril de 1873.

O povo do estado de Nova York, representado no Senado e na Assembleia, decreta o seguinte:

Seção 1. A Conferência Geral da Igreja Metodista Livre da América do Norte será, e pela presente é declarada, uma corporação e pessoa jurídica, com o nome e o título de “Conferência Geral Metodista Livre da América do Norte”, e por esse nome terá sucessão perpétua; poderá processar e ser processada em qualquer tribunal; e terá e usará um selo comum, que poderá alterar e mudar à vontade.

2. Será lícito aos membros regulares da referida Conferência Geral, nas suas reuniões constitucionais regulares, nomear os oficiais e fazer e ordenar os estatutos e regulamentos sobre a administração e a disposição dos seus bens imóveis e móveis, os deveres dos seus oficiais e a administração dos cargos da corporação que julgarem apropriados, contanto que não sejam incompatíveis com a Constituição dos Estados Unidos.

3. A referida corporação terá poder para manter em fideicomisso propriedades de igrejas e escrituras de outras instituições beneficentes, educacionais ou editoriais; e para tomar, manter e receber quaisquer bens, imóveis, móveis ou mistos, em virtude de qualquer legado, doação, concessão ou compra, sujeita às restrições e limitações das leis existentes; contanto que a renda anual desses bens não exceda a soma de duzentos mil dólares e que seja destinada a fins religiosos, caritativos, missionários ou educacionais; e para vender, escriturar e transferir quaisquer bens imóveis ou móveis, quando necessário para servir aos fins da corporação.

4. Os oficiais da referida corporação permanecerão no cargo até que os seus sucessores sejam eleitos e empossados, e exercerão os poderes e cumprirão os deveres que forem autorizados pelos estatutos da referida corporação.

5. Esta lei entra em vigor imediatamente.

A Conferência adotou também, sob a carta acima, os seguintes

ESTATUTOS

I. 1. As seguintes pessoas serão os curadores da “Conferência Geral Metodista Livre da América do Norte”, como previsto no Ato de Incorporação aprovado em 30 de abril de 1873 pelo Legislativo do estado de Nova York, a saber: J. Travis, J. G. Terrill, John Ellison, J. L. Ward, O. P. Rogers e D. W. Abrams.

2. Os referidos curadores terão pleno poder para tomar posse e para receber e manter, sujeitos à ordem e à direção da Conferência Geral, quaisquer bens, imóveis, móveis ou mistos, que pertençam à referida Conferência Geral em virtude de qualquer legado, doação, concessão ou compra.

3. Os referidos curadores serão divididos em duas classes, a saber:

A primeira classe compreenderá J. Ellison, J. L. Ward e O. P. Rogers.

A segunda classe compreenderá J. Travis, J. G. Terrill e D. W. Abrams.

A primeira classe, eleita neste ano [1874], ocupará o cargo por quatro anos e até que outros sejam nomeados no seu lugar.

A segunda classe ocupará o cargo por oito anos e até que outros sejam nomeados no seu lugar.

4. Os referidos curadores elegerão o seu presidente, secretário e tesoureiro, que cumprirão os deveres próprios dos seus cargos.

5. Os referidos curadores apresentarão um relatório completo de todos os seus atos a cada Conferência Geral sucessiva.

6. Se o lugar de algum desses curadores ficar vago nos intervalos de uma Conferência Geral, será preenchido pelos curadores restantes.

7. Selo. Recomendamos que se obtenha um selo com a inscrição “The Free Methodist General Conference of N. A.”

A quinta sessão quadrienal da Conferência Geral realizou-se na Igreja Metodista Episcopal de Spring Arbor, Michigan, começando em 9 de outubro e terminando em 19 de outubro de 1878. Trinta e três delegados ministeriais e vinte e cinco leigos, além dos dois superintendentes gerais, constituíram o corpo. Os dois superintendentes gerais presidiram alternadamente. William Gould foi eleito secretário, e B. R. Jones e J. G. Terrill foram escolhidos por aclamação secretários adjuntos. Leram-se perante o corpo mais de cento e cinquenta propostas de mudança na Disciplina, que foram encaminhadas à Comissão de Revisão. Só uma pequena fração delas recebeu parecer favorável da Comissão de Revisão. A maioria das mudanças aprovadas era de caráter menor.

Fez-se uma mudança nos deveres dos presidentes de distrito, que lhes atribuía o dever de “cuidar de todos os circuitos que ficarem sem pregador”. Fez-se também uma mudança na parte da Disciplina que define a pena pela violação das Regras Gerais, de modo que, em vez de “exclusão”, passou a dizer “censura, suspensão e, por fim, exclusão”. Determinou-se também nessa sessão que “nenhuma pessoa em experiência numa Conferência Anual poderá ser eleita delegado”; e também que, “quando um pregador local for empregado como supridor, a sua condição de membro ficará no cargo onde trabalha”. Na segunda leitura, foi aprovada, por trinta e nove votos a sete, a mudança proposta na Regra Geral contra “fazer aquilo que sabemos não ser para a glória de Deus”, com o acréscimo de “como pertencer a sociedades secretas”.

A Comissão de Superintendência Geral apresentou parecer favorável à eleição de dois superintendentes gerais. O parecer foi aprovado, e marcou-se a hora da eleição. A eleição foi por voto secreto, com o seguinte resultado: total de votos, 53; necessários para a eleição, 27. Para B. T. Roberts, 49, e para E. P. Hart, 48; ambos foram declarados eleitos.

Durante a sétima sessão, determinou-se uma comissão de quinze pessoas encarregada de compilar um hinário com não menos de seiscentos hinos para uso da denominação. Depois, E. P. Hart, Joseph Travis e M. N. Downing foram nomeados comissão para indicar os membros da comissão de compilação. Mais tarde ainda, a comissão de indicação foi instruída a indicar os membros da comissão que publicaria o hinário. Determinou-se também que a comissão de publicação não pusesse a Conferência Geral nem a igreja sob nenhuma obrigação financeira por qualquer contrato que fizesse. A comissão de publicação foi instruída a registrar os direitos autorais do hinário em nome da Igreja Metodista Livre.

A Conferência considerou a questão de a igreja assumir a propriedade do Free Methodist, mas decidiu contra. Aprovaram-se também as seguintes resoluções:

1. Resolvido, que a Comissão Executiva está pela presente autorizada a atuar como comissão consultiva na administração do Free Methodist.

2. Resolvido, que, no caso de outra transferência do Free Methodist, a Comissão Executiva está pela presente autorizada a negociar a sua compra e a dirigi-lo segundo o seu melhor juízo.

A Comissão de Publicações também recomendou “que se peça a B. T. Roberts que escreva e publique uma refutação completa das afirmações inverídicas e das deturpações contidas no artigo sobre ‘Free Methodists’ publicado na recém-lançada Ciclopédia do metodismo do bispo Simpson”. Foi em resposta a esse pedido que se escreveu Why Another Sect?

O “Resumo das estatísticas” da denominação para o quadriênio que terminou no outono de 1878 mostra que havia 9.075 membros em plena conexão e 1.607 em experiência, num total de 10.682; 313 pregadores itinerantes e 233 pregadores locais; 268 escolas dominicais, com 9.249 alunos; e propriedades da igreja avaliadas em 358.290 dólares.

A sexta sessão da Conferência Geral realizou-se na Igreja Metodista Livre de South Hill, em Burlington, Iowa, começando em 11 de outubro de 1882 e encerrando-se definitivamente em 23 de outubro de 1882. Além dos dois superintendentes gerais, estavam presentes trinta e seis delegados ministeriais e trinta e dois leigos. Durante o quadriênio tinham sido organizadas as Conferências de Ohio, Centro de Illinois e Texas e Luisiana, o que explicava o número de delegados maior do que na sessão anterior. O Rev. William Gould foi de novo escolhido secretário, e W. W. Kelley e B. R. Jones foram escolhidos secretários adjuntos.

A regra que limitava o pastorado a um período de dois anos foi mudada de modo a permitir estender o prazo a três anos em casos especiais. A Conferência aprovou, pela maioria exigida, emendar a Regra Geral sobre “a moleza e a autoindulgência desnecessária” com o acréscimo das palavras “especialmente o uso habitual do tabaco ou de opiáceos de qualquer forma ou maneira”, e a mudança proposta foi enviada às Conferências Anuais para deliberação. Aprovou-se um novo capítulo sobre a temperança para inserção na Disciplina, substancialmente igual ao que aparece na Disciplina de 1911. Aprovou-se nessa sessão a disposição de que, se um membro se mudar de uma sociedade sem pedir carta de transferência e não mandar notícia satisfatória ao pregador ou à sociedade dentro de um ano, o pregador registrará esse membro no livro da igreja como “mudou-se sem carta”; e, se essa pessoa depois reivindicar a sua condição de membro, a Junta Oficial poderá restaurá-la; disposição que, teme-se, tem sido seriamente abusada, com a exclusão de muitos membros excelentes do âmbito da igreja. Determinou-se também que se acrescentasse à Regra Geral contra o uso do tabaco uma nota de rodapé que diria: “Isto será interpretado como proibição do cultivo, da fabricação e da venda do tabaco.” Também se previu que um presidente de distrito pudesse, com o consentimento do pastor e da Junta Oficial, dividir um circuito no intervalo das Conferências Anuais, se os interesses da obra o exigissem. Determinou-se também pôr na Disciplina uma nova seção sobre a “União com outros”, substancialmente igual à da edição de 1911. Acrescentou-se à disposição sobre a transferência de pregadores uma cláusula no sentido de que “nenhum pregador será transferido para outra Conferência sem um certificado da sua boa situação e da sua aceitação geral, dado pela sua Conferência Anual ou Trimestral”.

Autorizou-se a organização das seguintes Conferências: Dakota, Missouri, Oeste do Kansas, Califórnia, Pittsburgh, Oregon e Texas e Luisiana.

A questão da publicação de um novo hinário, que fora longamente considerada na sessão de 1878 e sobre a qual se tomara então uma decisão favorável, mas sem resultados quanto à realização do plano, foi de novo considerada nessa sessão. Depois de muita consideração pela Comissão de Publicações e de frequentes discussões pela Conferência como um todo, as seguintes pessoas foram nomeadas Comissão de Compilação e Publicação do Hinário: B. T. Roberts, R. W. Hawkins, Joseph Travis, J. G. Terrill, M. N. Downing e William Gould. O livro devia conter pelo menos 800 hinos; e o hinário metodista episcopal então em uso entre o povo metodista livre e o velho hinário wesleyano da Igreja Metodista Wesleyana da Inglaterra deviam servir de base para a compilação. Entendia-se que B. T. Roberts publicaria o volume à sua própria custa, e por isso se determinou que “os direitos autorais do novo hinário sejam registrados em nome de B. T. Roberts”. A comissão logo se pôs ao trabalho, e o resultado foi o hinário metodista livre original, que serviu bem ao seu propósito por quase trinta anos sem revisão.

B. T. Roberts e E. P. Hart foram de novo eleitos superintendentes gerais, recebendo o Sr. Roberts quarenta e nove e o Sr. Hart quarenta e oito dos cinquenta e sete votos.

Durante essa sessão, a firma Baker e Arnold, que antes comprara e controlava o Free Methodist, dissolveu a sociedade, e o Sr. Arnold propôs assumir sozinho a publicação do jornal, mas concordou com a eleição de um redator pela Conferência Geral, cujo salário ele pagaria; e concordou também com a eleição de uma comissão que, se achasse o arranjo insatisfatório, estaria autorizada a negociar a compra do jornal, ou a mudar a administração e preencher as vagas na redação. A Conferência aceitou a proposta do Sr. Arnold. Marcou-se a hora da eleição do redator e, quando chegou, passou-se a ela. Os votos mostraram muita divisão de opiniões sobre quem devia ocupar o lugar, mas por fim, no quarto escrutínio, Joseph Travis, tendo recebido vinte e cinco dos quarenta e oito votos, foi declarado eleito.

Deu-se considerável atenção ao tema das missões durante a sessão, e elegeu-se uma Junta de Missões, que teria a seu cargo as operações missionárias gerais da igreja e receberia e aplicaria o dinheiro para elas. As missões da igreja naquela época limitavam-se ao que a Disciplina hoje chama de missões gerais, isto é, missões para a extensão da obra dentro do nosso próprio país. Os membros da Junta de Missões eram J. Travis, D. M. Sinclair, J. G. Terrill, W. W. Kelley, C. B. Ebey, T. B. Arnold e D. W. Abrams. Por indicação da Comissão de Missões, C. B. Ebey foi eleito secretário da Junta.

A Comissão Executiva foi autorizada a cuidar dos interesses editoriais da igreja, sujeita aos regulamentos adotados nessa sessão da Conferência Geral.

A sétima sessão da Conferência Geral realizou-se em Coopersville, Michigan, começando em 13 de outubro e terminando em 26 de outubro de 1886. Os superintendentes gerais Roberts e Hart presidiram alternadamente. S. K. J. Chesbrough foi eleito secretário; e W. W. Kelley, C. B. Ebey e W. T. Hogue foram escolhidos secretários adjuntos. Além dos superintendentes gerais, foram inscritos como membros trinta e dois delegados ministeriais e trinta e dois leigos, representando vinte e quatro Conferências. A Conferência de Luisiana não esteve representada.

Entre as mudanças feitas na Disciplina nessa sessão esteve a de determinar que a Junta Geral de Missões constituísse também uma Sociedade de Extensão e Auxílio às Igrejas. O objetivo desta seria a devida administração de um fundo de doações e empréstimos para ajudar na construção de templos. As Conferências foram agrupadas em sete distritos, dos quais se escolhiam os membros da Junta de Missões. C. B. Ebey foi eleito secretário e S. K. J. Chesbrough tesoureiro da Junta. Determinou-se também que cada Conferência Anual nomeasse uma junta de cinco membros, que constituiria a Sociedade de Extensão e Auxílio às Igrejas da Conferência e teria pleno encargo de todo o trabalho relativo à extensão de igrejas dentro dos seus limites. Determinou-se também que a sociedade da Conferência fosse auxiliar da sociedade da Conferência Geral.

Fez-se também uma mudança na Disciplina que determinava a admissão das mulheres evangelistas nas Conferências Trimestrais e as tornava responsáveis perante elas. William Gould, delegado ministerial da Conferência de Nova York, protestou com vigor contra essa política, alegando que significava admitir mulheres a uma função de governo na igreja; e, quando ela foi por fim aprovada, apresentou a sua renúncia, que a Conferência aceitou. O Rev. Joseph Travis, delegado suplente da mesma Conferência, foi admitido no seu lugar.

Tomou-se também uma decisão que previa a eleição de um ou mais evangelistas da Conferência Geral; e W. B. M. Colt, da Conferência do Centro de Illinois, foi eleito para o cargo para o quadriênio seguinte, recebendo vinte e oito dos cinquenta e dois votos.

O “pai Colt”, como era familiarmente chamado, era homem de aparência e caráter proféticos. Nasceu em Waterford, Pensilvânia, em 1833; converteu-se perto de Rushville, Illinois, em 1848; estudou no Garrett Biblical Institute, em Evanston, Illinois; recebeu licença para pregar em 1853; casou-se com a Srta. Sarah J. Wright, em Springfield, Illinois, em 1855; foi inteiramente santificado em Quincy, Illinois, em 1863, e desde então “Santidade ao Senhor” foi o seu tema absorvente. Passou seis anos na Conferência de Nebraska da Igreja Metodista Episcopal, mas trabalhou como evangelista durante a maior parte do seu ministério. Deu vinte anos a esse trabalho na Igreja Metodista, principalmente em Illinois, Indiana, Iowa, Missouri, Nebraska, Ohio, Texas e Colorado. Trabalhou também um pouco em Michigan, Nova York e Pensilvânia.

Em 1861 alistou-se no serviço do seu país e foi feito capitão da Companhia B do 73º de Voluntários de Illinois. Esse era familiarmente conhecido como “o regimento dos pregadores”. Pela sua influência, o regimento foi organizado e comandado quase inteiramente por pregadores. O Rev. James F. Jaques era o seu coronel. A saúde do Sr. Colt falhou enquanto estava no exército, e por isso, depois de passar vários meses num hospital, foi dispensado com honra e voltou para casa em 1862.

Em 1877 passou oito meses, com outros, em trabalho evangelístico no Texas, onde o seu trabalho teve êxito eminente.

Uniu-se à Igreja Metodista Livre em 1879, sendo seguido nesse passo por muitos que tinham sido salvos sob o seu trabalho. Foi, de fato, o pai da Conferência do Centro de Illinois da Igreja Metodista Livre. Serviu nela por vários anos como presidente de distrito e representou quatro vezes a sua Conferência como delegado à Conferência Geral. Em 1886 foi eleito evangelista da Conferência Geral, o primeiro homem jamais escolhido para esse cargo na Igreja Metodista Livre. Dedicou-se com zelo aos seus deveres, mas logo foi chamado de volta para casa por aflições na família; e, por uma série de providências adversas, foi impedido de voltar ao trabalho, embora tenha conservado o cargo até o fim do quadriênio.

Em 1890 foi jubilado, mas continuou a pregar mais ou menos durante vários anos. O seu último culto foi em Decatur, Illinois, em 1896. Enquanto estava lá, caiu e fraturou duas costelas. O choque, junto com um ataque de gripe, o prostrou completamente e terminou por fim em tuberculose, que causou a sua morte em 15 de janeiro de 1899. Para W. B. M. Colt, “o morrer é lucro” (Fp 1.21).

A Comissão de Superintendência Geral apresentou parecer recomendando a eleição de dois superintendentes gerais. Propôs-se e apoiou-se uma emenda para pôr três no lugar de dois. Uma segunda emenda pedia a eleição de quatro. A segunda emenda foi rejeitada; depois a primeira foi aprovada, e o parecer, assim emendado, foi aprovado. Quando chegou a hora marcada para a eleição dos superintendentes gerais, passou-se ao assunto, com os seguintes resultados: no primeiro escrutínio foram dados cinquenta e sete votos. Destes, E. P. Hart recebeu cinquenta e quatro, B. T. Roberts cinquenta e G. W. Coleman vinte e oito. O Sr. Hart e o Sr. Roberts foram declarados eleitos. No segundo escrutínio, escreveu-se um só nome em cada cédula. Foram dados cinquenta e nove votos, dos quais G. W. Coleman recebeu trinta e cinco, e foi declarado eleito.

A Comissão de Publicações apresentou parecer recomendando: que a Conferência Geral passasse imediatamente a fundar um jornal da igreja; que isso se fizesse pela compra do Free Methodist de T. B. Arnold, se as suas condições fossem satisfatórias; que a Comissão Executiva fosse feita Comissão de Publicação, com a supervisão geral do jornal, do seu redator e do seu editor; que a Comissão Executiva fosse também instruída a encontrar meios para fundar uma Casa Publicadora e empregasse para isso um agente financeiro, com salário que não excedesse 1.000 dólares por ano; que a Conferência Geral elegesse um redator do jornal da igreja, cujo salário não excedesse 1.000 dólares por ano; que a Comissão Executiva tivesse poder para preencher todas as vagas que ocorressem nos cargos de redator e de agente, e também poder para removê-los quando julgasse necessário; e que a Conferência Geral fizesse, na sessão atual, uma subscrição para a compra ou a fundação do jornal da igreja proposto. O parecer foi aprovado; o Sr. Arnold manifestou disposição para negociar, e fizeram-se então os arranjos para a conclusão final do negócio e a transferência da propriedade. Os pormenores são dados mais completamente no capítulo sobre “Os interesses editoriais da denominação”.

Na décima sétima sessão passou-se à eleição do redator do Free Methodist. No segundo escrutínio, B. T. Roberts recebeu trinta dos cinquenta e quatro votos e foi declarado eleito. Já eleito para a superintendência geral, ele se levantou imediatamente e disse: “Irmãos, vocês me escolheram agora para dois dos cargos de maior responsabilidade na igreja, e estou pronto a renunciar ao que vocês designarem.” Não se manifestou desejo de que deixasse nenhum dos cargos. Assim, nos quatro anos seguintes, ele continuou a ocupar os dois cargos, e era ainda redator e proprietário do Earnest Christian, revista mensal que publicava desde 1860.

Ocupou o cargo de superintendente geral e o de redator do Free Methodist com notável capacidade; mas o peso desses dois cargos sobrecarregou muito as suas forças e foi uma das coisas que lhe arruinaram a saúde e apressaram o fim da sua carreira.

O quadro estatístico dessa sessão mostrava 14.166 membros em plena conexão e 3.112 em experiência, num total de 17.268. O valor das propriedades de igrejas era de 515.097 dólares, e o das casas pastorais, de 47.887 dólares, num total de 562.984 dólares.

Essa sessão da Conferência Geral autorizou a formação de três novas Conferências, a saber: Colorado, Norte de Minnesota e Norte de Indiana.

A oitava sessão quadrienal da Conferência Geral reuniu-se na Primeira Igreja Metodista Livre de Chicago, Illinois, em 8 de outubro de 1890, e terminou os seus trabalhos no dia 23 do mesmo mês. Além dos três superintendentes gerais, estiveram presentes quarenta delegados ministeriais e trinta e oito leigos. Realizaram-se vinte sessões, nas quais se fez considerável trabalho construtivo.

O relatório da Comissão Executiva mostrou: que esse corpo fora devidamente incorporado segundo as leis do estado de Illinois; que a Comissão instruíra o tesoureiro a emitir Certificados Vitalícios de Assinatura do Free Methodist, a serem dados a assinantes individuais mediante o pagamento da quantia de trinta e três dólares e trinta e três centavos (33,33 dólares), certificados que seriam transferíveis às viúvas dos assinantes falecidos e continuariam em vigor enquanto elas permanecessem viúvas, conservando a Casa Publicadora o direito de resgatá-los pelo valor nominal a qualquer tempo depois de cinco anos da data da emissão; que W. F. Manley se retirara da igreja, deixando uma vaga na Comissão Executiva, preenchida pela eleição de B. R. Jones, da Conferência de Michigan; que L. G. Torrance, membro da Comissão Executiva, morrera, e o seu lugar fora preenchido pela eleição de John W. Beavers, da Conferência de Missouri; e que na sessão de 1889 se autorizara a organização da Conferência de Nebraska.

Essa sessão da Conferência Geral autorizou a formação da Conferência do Sul da Califórnia, “abrangendo o território hoje ocupado pela Conferência do Sul da Califórnia da Igreja Metodista Episcopal e o Território do Arizona”. Mudou também o nome da Conferência de Dakota para Conferência de Dakota do Sul e fez certas mudanças nos limites das Conferências de Minnesota e Norte de Iowa, Wabash, Norte de Indiana, Nebraska, Colorado, Illinois e Centro de Illinois.

Dedicou-se muito tempo, durante a sessão, à consideração da questão da ordenação de mulheres. O superintendente geral B. T. Roberts apresentou o assunto, propondo o seguinte:

Resolvido, que o evangelho de Jesus Cristo, nas provisões que faz e nos agentes que emprega para a salvação da humanidade, não conhece distinção de nacionalidade, condição ou sexo; portanto, nenhuma pessoa chamada por Deus e devidamente qualificada deve ter a ordenação recusada por causa do sexo, da raça ou da condição.

A resolução foi recebida, e a deliberação sobre ela foi marcada como ordem do dia para as dez horas da manhã da quarta-feira seguinte. Depois, apresentaram-se o seguinte preâmbulo e resolução, aprovados por 38 votos a 32:

Considerando que a questão da ordenação de mulheres provavelmente virá à pauta durante esta Conferência; e

Considerando que, em outras questões que envolvem mudanças igualmente radicais na organização da igreja, exigimos mais do que um voto de maioria nas Conferências Anuais, assim como na Conferência Geral, antes que se tornem lei da igreja; portanto,

Resolvido, que é entendimento desta Conferência que, no interesse da unidade e da harmonia entre nós como povo, se exija votação semelhante sobre a referida questão antes que ela seja incorporada à nossa Disciplina.

O presidente, B. T. Roberts, deu a seguinte decisão:

A nossa Disciplina, no parágrafo 66, diz: “A Conferência Geral terá pleno poder para fazer regras e normas para a nossa igreja, sob as seguintes limitações e restrições.” Como a ordenação de mulheres não cai sob nenhuma dessas restrições especificadas, a resolução está fora de ordem.

A Conferência Geral não tem o direito de pôr em vigor, por simples maioria, qualquer assunto sob essas regras restritivas. É o que faz a resolução, quando proíbe a Conferência Geral de sancionar a ordenação de mulheres a não ser pelo mesmo processo pelo qual se mudam as regras restritivas, isto é, por maioria de dois terços da Conferência Geral e de três quartos de todos os membros das várias Conferências Anuais.

O superintendente geral Hart apelou da decisão da presidência. A Conferência, por quarenta e oito votos sim e vinte e oito não, acolheu a apelação. Todo o assunto foi então adiado para quarta-feira, 15 de outubro.

Quando chegou o momento de retomar a questão, B. T. Roberts pediu, e obteve, o privilégio de acrescentar à sua resolução, antes que a Conferência prosseguisse no exame dela, as seguintes palavras: “Esta resolução não entrará em vigor enquanto não for apresentada às Conferências Anuais e não tiver recebido os votos da maioria de todos os membros presentes e votantes.”

A Conferência passou então a considerar de novo a resolução de Roberts, com o superintendente geral Hart na presidência. Poucas questões, se é que alguma, despertaram jamais maior interesse e mobilizaram tão plenamente o talento de debate de uma Conferência Geral entre os metodistas livres como essa. Os ânimos ficaram às vezes decididamente exaltados, pondo severamente à prova a lei do “perfeito amor”. Ao fim da discussão, pediu-se e determinou-se a votação nominal, com o resultado de trinta e sete votos sim e quarenta e um não. Assim a resolução foi derrotada.

A questão da ordenação de mulheres era uma das que o superintendente Roberts sustentava com convicções decididamente fortes, e que ele esperava ardentemente ver aprovada pela Igreja Metodista Livre enquanto ainda estivesse nela. Durante a discussão do assunto, um tanto longa e muito acalorada, por causa do seu grande cansaço e da intensidade do seu interesse pela questão, ele mostrou sinais de estar perto de um colapso físico, e amigos pessoais tiveram de levá-lo para fora da sala. Foi uma cena comovente ver esse veterano de muitas batalhas ser levado do lugar do debate com a aparência de quem corria perigo iminente de uma apoplexia. O ar fresco e os cuidados ternos da sua amada esposa e de outros amigos logo o reanimaram, e na manhã seguinte ele pôde retomar o seu trabalho na Conferência como de costume.

Na décima terceira sessão, W. T. Hogue apresentou o seguinte, que, mediante moção, foi aprovado:

Considerando que a questão da ordenação de mulheres provavelmente virá à pauta para decisão na próxima sessão da nossa Conferência Geral; e

Considerando que, para a decisão da questão pela Conferência Geral, será muito desejável conhecer o pensamento do nosso povo em geral sobre o assunto; portanto,

Resolvido, que se peça aos superintendentes gerais que submetam essa questão a votação nominal nas sessões das Conferências Anuais a realizar-se imediatamente antes da próxima sessão da Conferência Geral, e que a submetam na seguinte forma: “Você é a favor da ordenação de mulheres nas mesmas condições em que ordenamos os homens?”

O documento foi aprovado, com trinta e oito votos sim e trinta e dois não.

[N. do T.: o próprio autor, Wilson T. Hogue, é quem apresenta aqui a proposta de consultar as Conferências Anuais.]

Mais tarde ainda, aprovou-se a seguinte decisão, embora a sua referência a uma resolução apresentada por O. M. Owen no dia anterior seja menos inteligível do que seria se a resolução de Owen não estivesse ausente do Journal, por ter sido anulada por alguma decisão posterior da Conferência ou omitida por engano do secretário ao passar as notas para o Journal:

Resolvido, que nós, a Conferência Geral de 1890, desaprovamos a ordenação de mulheres.

Propôs-se como emenda o acréscimo das palavras “quando chamadas por Deus e devidamente qualificadas”. A emenda foi rejeitada. A moção original foi aprovada por votação nominal, com trinta e cinco votos sim e vinte e nove não. Esse foi o fim do assunto naquela sessão.

Essa sessão da Conferência Geral nomeou a Junta de Superintendentes Gerais como comissão para preparar um catecismo para a doutrinação das crianças da igreja.

Foi também essa a Conferência Geral que se pronunciou desfavoravelmente sobre o livro do Rev. R. W. Hawkins intitulado Redemption; or, The Living Way (A redenção, ou o caminho vivo), decisão que foi a ocasião da sua saída da igreja, como se relata em pormenor em outro capítulo desta obra.

Na décima oitava sessão passou-se à eleição do redator e do editor. No sexto escrutínio, Burton R. Jones foi eleito redator, recebendo quarenta dos setenta e sete votos. No primeiro escrutínio para agente da Casa Publicadora, S. K. J. Chesbrough recebeu todos os setenta e seis votos menos um, e foi declarado eleito.

Entre as numerosas outras mudanças feitas na Disciplina nessa sessão esteve uma referente à ajuda aos pregadores jubilados, pela qual se lhes concederia à razão de cinco dólares por cada um dos primeiros dez anos de serviço ativo e à razão de dez dólares por cada um dos dez anos seguintes de serviço ativo, num limite máximo de 150 dólares.

Durante vários anos, tinham-se organizado “Grupos de Pentecostes” (Pentecost Bands), na maioria de jovens, no Centro-Oeste e também em algumas outras partes da obra, com fins evangelísticos. O iniciador desse movimento foi Vivian A. Dake, jovem pregador capaz e vibrante da Conferência de Michigan. O Sr. Dake era o seu principal líder. Estavam cheios de um zelo muito louvável e recolheram muito fruto precioso para a Igreja Metodista Livre. Acabaram, porém, sob a liderança e o ensino do Sr. Dake, por adotar sobre a santidade noções mais forçadas do que o grosso da igreja podia endossar, especialmente no que chamavam “o caminho da morte” para a experiência; e, quando as autoridades da igreja procuraram regular um pouco as suas atividades, os “Grupos” começaram a mostrar tendências crescentes à independência do governo da igreja e a tornar-se praticamente uma igreja dentro da igreja.

A questão dos Grupos esteve em consideração durante essa sessão, não com o propósito de obstruir as suas atividades, mas com o de fazer para eles disposições adequadas na economia da igreja e dar à igreja algum grau de supervisão geral sobre eles. Assim, adotou-se a seguinte decisão:

1. Os presidentes de distrito e os evangelistas nomeados pela Conferência Geral ou Anual poderão organizar Grupos para o trabalho evangelístico; mas nenhuma pessoa se tornará membro de tal Grupo sem a recomendação da sociedade a que pertence.

2. As regras e normas de tais Grupos estarão sujeitas à aprovação da Conferência Anual a que pertence o líder, ou dentro de cujos limites ele tem a sua condição de membro.

3. Nenhum evangelista ou Grupo marcará ou realizará reuniões onde interfiram com o trabalho regular de qualquer pregador devidamente nomeado para um circuito, uma estação ou um distrito.

4. Os que trabalharem com êxito num Grupo durante um ano poderão receber da Conferência Trimestral licença de obreiros de Grupo, de ano em ano.

Nessa sessão todos os superintendentes gerais foram reeleitos, recebendo E. P. Hart sessenta e nove votos e B. T. Roberts e G. W. Coleman sessenta e quatro cada um, de oitenta e um votos.

Por decisão dessa sessão inseriu-se também na Disciplina uma nova seção, que criava uma Junta Geral de Beneficiários da Conferência. Criar-se-ia um fundo geral em benefício dos beneficiários, e essa junta receberia e aplicaria o dinheiro recebido de toda a igreja para os pregadores jubilados e para as viúvas e os filhos dos pregadores falecidos. Antes, cada Conferência cuidava dos seus beneficiários, ou deixava de cuidar deles, conforme o caso; e isso, em muitos casos, funcionava contra a transferência de pregadores de uma Conferência para outra, quando de outro modo essas mudanças poderiam ter sido feitas com vantagem para a obra. O Fundo dos Beneficiários era agora considerado uma ajuda, e não uma pensão, e previa-se que todo beneficiário recomendado por uma Conferência Anual à Junta Geral de Beneficiários receberia a quantia devida do fundo geral, determinando a Conferência Anual qual seria essa quantia. Ninguém, porém, receberia essa ajuda a não ser os que, a juízo da Conferência Anual, precisassem dela, e então só a quantia julgada necessária para permitir à pessoa viver com conforto. O máximo da ajuda aos vários pregadores seria proporcional aos seus anos de serviço ativo depois de se unirem à conexão itinerante como membros plenos, e seria o mesmo para as viúvas dos pregadores falecidos que fora para os maridos em vida. Se elas se casassem de novo, porém, deixariam de ser consideradas beneficiárias desse fundo. Os filhos dos pregadores falecidos, se menores de catorze anos, poderiam ser recomendados para o que as suas necessidades exigissem, até trinta e seis dólares por ano. A Conferência que tivesse casos especialmente necessitados poderia ter permissão para fazer provisão adicional para eles, do modo que parecesse melhor.

A Comissão Executiva recebeu autoridade para publicar material de escola dominical para a denominação, sob a supervisão do agente da Casa Publicadora, quando parecesse melhor fazê-lo; e foi também aconselhada a fazer os arranjos para isso que a maioria da Comissão julgasse melhores.

A nona sessão da Conferência Geral realizou-se em Greenville, Illinois, de 10 a 25 de outubro de 1894. O assunto de maior interesse que veio perante essa sessão foi a questão da ordenação de mulheres. A questão fora antes votada por todas as Conferências Anuais, e isso intensificara muito o interesse pelo assunto dos dois lados. A discussão e a votação dessa questão ocuparam todo o tempo de uma sessão de três horas e meia. Catorze membros tomaram parte no debate, que foi talvez tão animado quanto qualquer discussão jamais feita na Conferência Geral em toda a história da igreja. A votação foi feita, como se determinara antes, nominalmente. Dos votos ministeriais houve 17 sim e 34 não; dos votos leigos, 18 sim e 31 não. O total de votos foi de 100, dos quais 35 a favor e 65 contra a ordenação de mulheres.

[N. do T.: a posição atual da Igreja Metodista Livre do Brasil sobre o ministério feminino está exposta na lição “Por que a Igreja ordena mulheres”, publicada no site.]

Nessa sessão fez-se também um esforço para pôr a palavra “bispo” no lugar das palavras “superintendente geral” em toda a Disciplina; mas a medida não passou. Esse esforço foi significativo, porém, de um espírito crescente de insatisfação com o nome que os pais da igreja tinham dado originalmente aos seus principais oficiais presidentes, espírito que estava destinado a espalhar-se e crescer até ter força bastante para aprovar a medida alguns anos depois.

Entre as mudanças feitas na Disciplina esteve a de pôr as palavras “presbítero de distrito” no lugar de “presidente de distrito” em todo o texto. A medida foi apresentada por B. R. Jones.

A questão dos Grupos de Pentecostes exigiu de novo consideração. O assunto foi apresentado por um memorial da Conferência de Illinois, que dizia o seguinte:

Considerando que há na igreja um movimento evangelístico conhecido como “Grupos de Pentecostes”, composto de uns oitenta ou noventa obreiros, distribuídos por diferentes Conferências e estados; e

Considerando que, a juízo desta Conferência, é um movimento que deve ser cuidado com ternura e que, a nosso juízo, só pode ser bem aproveitado, e com os maiores e melhores resultados, se for posto em relação mais estreita com a igreja; portanto,

Resolvido, que pedimos à Conferência Geral que redija as regras gerais que, a seu juízo, melhor ajudem esses irmãos a promover a obra de Deus na Igreja Metodista Livre.

O Sr. Dake, o líder original dos Grupos, morrera depois da última Conferência Geral. Esse obreiro zeloso visitou a costa ocidental da África, penetrou uma distância considerável no interior e procurou, com o esforço mais diligente, estabelecer uma obra permanente naquela região. Muitos dos seus amigos, incluindo a própria esposa, pensavam que era uma aventura insensata para ele empreender; mas, crendo que fora chamado por Deus para fazer a viagem, ele foi, mas não voltou. Estava quase terminando a sua obra no continente africano naquela ocasião, e já a caminho de casa, quando, numa casa missionária em Monróvia, foi acometido da febre africana. No dia seguinte estava melhor. Pensou-se que seria mais favorável à sua recuperação se pudesse ir para o mar, e assim, aos cuidados de um missionário metodista episcopal e de um explorador científico, ambos com destino à Inglaterra, foi levado a bordo do navio Mandingo, de volta para casa, e parecia em bom caminho para se recuperar e fazer com êxito a viagem de volta. Mas, enquanto o navio parava em Serra Leoa, piorou de repente, ficou em delírio por algum tempo e depois partiu tranquilamente. Na sua morte a causa de Deus perdeu um ministro capaz e um dos obreiros mais zelosos pela salvação dos homens que se podiam encontrar em qualquer igreja de qualquer parte do mundo. As palavras da profecia que o Senhor Jesus aplicou a si mesmo, “O zelo da tua casa me consumirá” (Jo 2.17), aplicavam-se também a Vivian A. Dake em grau notavelmente alto. Se a sua prudência tivesse igualado o seu zelo, poderia ter vivido muitos anos para ganhar troféus para o Mestre.

Depois da morte do Sr. Dake, Thomas H. Nelson sucedeu-lhe na liderança geral dos Grupos de Pentecostes. Era também um moço zeloso, de considerável capacidade, mas sem o dom de comando que caracterizava o Sr. Dake. Nem era teólogo tão sólido e seguro quanto o seu antecessor, mas decididamente mais visionário e impetuoso. Isso tornava ainda mais necessário que a igreja desse a mais respeitosa atenção ao memorial da Conferência de Illinois. A comissão a que o memorial foi encaminhado, depois de dar muita consideração a ele e ao assunto sobre o qual se pedia à Conferência que formulasse “regras e normas”, não conseguiu encontrar nada melhor do que as normas adotadas pela Conferência Geral de 1890. Por isso apresentou o seguinte relatório, que, mediante moção, foi aprovado:

É com não pequena satisfação que notamos a disposição e o esforço dos Grupos de Pentecostes de entrar em perfeita harmonia com a igreja nas suas atividades. Nós os vemos como irmãos honestos e sérios e esperamos sinceramente que as diferenças que nos agitaram como igreja no passado sejam completamente eliminadas. Não cremos, porém, que esse [fim] possa ser obtido por legislação. Não vemos modo de adotar “regras” que provejam mais amplamente às suas atividades do que as que [já] temos. É nosso sincero pedido que todos os nossos irmãos em toda a igreja, presidentes de distrito, pastores e membros, estendam os braços da comunhão cristã a esses obreiros sérios, e que os Grupos observem as regras sobre os “Grupos” no nosso livro de Disciplina. Feito isso, estamos confiantes de que todas as diferenças se ajustarão por si e de que a paz e a harmonia serão restauradas à igreja.

Essa decisão não foi aceita pelo Sr. Nelson, líder dos Grupos de Pentecostes, nem pelos seus principais seguidores, e por isso decidiram retirar-se da Igreja Metodista Livre e dali em diante conduzir as suas atividades independentes de toda organização eclesiástica.

De acordo com certa decisão da Conferência do Canadá com vistas à divisão desse corpo no futuro próximo, a Conferência Geral autorizou os superintendentes gerais a dividir a referida Conferência quando isso fosse exigido.

Desde a última Conferência Geral, morrera o superintendente geral B. T. Roberts, o que tornou necessária a eleição de outro para o seu lugar. A sua morte ocorreu em 27 de fevereiro de 1893. Em 5 de abril seguinte, convocou-se uma reunião da Comissão Executiva com o fim de eleger alguém para preencher a vaga pelo resto do quadriênio. Wilson T. Hogue foi eleito para esse cargo, que continuou a ocupar até a Conferência Geral seguinte. Por isso, na sessão em curso, tornou-se necessário eleger um superintendente geral no lugar do Sr. Roberts para os quatro anos seguintes. A Comissão de Superintendência recomendou que o número de superintendentes para o quadriênio seguinte fosse de três, e, quando chegou a hora da eleição, no primeiro escrutínio E. P. Hart recebeu oitenta e nove votos, G. W. Coleman cinquenta e seis e B. R. Jones cinquenta e três, número que, em cada caso, era maioria de todos os votos dados; e foram, por isso, declarados eleitos.

Na décima sétima sessão, W. G. Hanmer foi eleito evangelista da Conferência Geral, Wilson T. Hogue redator do Free Methodist, e S. K. J. Chesbrough foi reeleito agente da Casa Publicadora.

Outro assunto que despertou profundo interesse nessa sessão foi a localização da Casa Publicadora da denominação. A. C. Marshall, representando a Associação de Comerciantes de Corunna, Michigan, e Wilson T. Hogue, em nome da sociedade metodista livre e dos cidadãos de Greenville, Illinois, apresentaram cada um um convite para as suas respectivas localidades, apoiado por uma oferta de ajuda financeira substancial; e J. D. Kelsey, representando a Primeira Igreja Metodista Livre de Chicago, apresentou uma oferta dessa sociedade de vender o seu templo, que era relativamente novo (mas sobre o qual tinham tantas dívidas que corriam o risco de perdê-lo), em condições que ele julgava de grande vantagem para a igreja como meio de obter uma Casa Publicadora. Cada um desses lugares fez uma oferta vantajosa, e cada um teve os seus defensores calorosos. O assunto acabou se reduzindo a uma disputa entre as propostas de Corunna e de Chicago. O debate entre essas duas propostas ficou muito acalorado e às vezes muito mais tenso do que devia. A proposta de Chicago acabou vencendo, porém, e os acontecimentos posteriores mostraram que a decisão da Conferência Geral sobre o assunto naquela ocasião foi sábia.

A sessão aprovou um relatório da Comissão de Limites que previa a organização da Conferência de Oklahoma e Território Indígena quando parecesse melhor a juízo dos superintendentes gerais, com a disposição de que, até que esses Territórios fossem organizados numa Conferência, a obra seria atendida pelas Conferências do Kansas e do Oeste do Kansas.

No último dia da Conferência, Benjamin Winget foi eleito secretário de missões, e S. K. J. Chesbrough foi escolhido tesoureiro de missões. Pouco depois da eleição, o Sr. Winget renunciou, presumivelmente por deferência ao seu antecessor no cargo, J. G. Terrill. A renúncia foi aceita, e na votação seguinte o Sr. Terrill foi reeleito.

Fizeram-se numerosas mudanças na Disciplina da igreja nessa sessão, mas a maioria era de caráter menor.

A Conferência Geral de 1894 realizou-se à sombra do grande luto que viera sobre toda a igreja com a morte do seu superintendente geral mais antigo e principal fundador, o Rev. Benjamin Titus Roberts. Embora a sua saúde estivesse abalada havia vários anos, o fim veio afinal de repente; e ele caiu com a armadura vestida, em pleno combate ativo no serviço do Rei.

Fora realizar uma reunião trimestral em Cattaraugus, Nova York, aparentemente tão bem quanto estivera nos meses anteriores. Parou em Gowanda para passar uma noite com a mãe idosa e no dia seguinte tomou o trem para Cattaraugus, a poucas milhas de distância. No caminho, ao trocar de trem, foi acometido de um mal violento. G. M. Allen, o pastor de Cattaraugus, encontrou-o no trem, percebeu o seu estado, ajudou-o a ir à casa de um irmão Phillips e chamou um médico. Não demorou muito o diagnóstico, que foi de nevralgia do coração. O médico, Dr. Anstice Tefft, disse-lhe que o seu caso era um tanto crítico e sugeriu que, se tivesse algum assunto que exigisse a sua atenção, seria bom resolvê-lo imediatamente.

A família foi avisada do seu estado, embora sem que ele soubesse. A esposa e o filho, Benson H., partiram imediatamente para ir até ele. Antes que chegassem, porém, ele atendera à convocação da morte e fora estar com o seu Senhor. Ficou em paz até o fim e mostrou grande gratidão por tudo o que os bondosos amigos e o médico fizeram por ele. Pôde levantar-se e andar pelo quarto, mas por fim, tomado por um acesso de dor, ajoelhou-se no seu leito orando: “Jesus, tira esta dor.” Logo a agonia diminuiu, e ouviram-no dizer: “Louvado seja o Senhor! Amém!” E tudo acabou.

Grande parte da história da sua vida foi contada junto com os fatos registrados nas páginas anteriores. Algumas palavras mais cabem aqui, porém, sobre a aparência geral e o caráter do homem. Era de estatura média, de compleição sólida, um tanto inclinado à corpulência, de semblante viçoso e corado, nariz levemente aquilino, boca e queixo que indicavam firmeza, benignidade e domínio próprio, olhos castanho-claros que irradiavam bondade, e uma cabeça grande, bem formada e bem posta, como a de um homem cujas faculdades eram notavelmente equilibradas; de fato, um homem que impressionaria, em qualquer círculo da sociedade, como pessoa de capacidade e posição distintas. Além disso, a boa educação e uma cultura sólida o tinham preparado para apresentar-se da melhor maneira entre qualquer classe de pessoas.

Caracterizou-se sempre pela simplicidade mais natural, tanto na vida particular como na pública. Era um dos homens mais acessíveis. Todas as classes de pessoas se sentiam facilmente à vontade na sua presença. Porque era simples como uma criança, as crianças eram atraídas por ele; e ele sempre se interessava por elas. A sua simplicidade, porém, nunca diminuiu a dignidade do seu caráter. Unia elevada dignidade e simplicidade infantil como poucos homens unem. Era homem de saber profundo, embora nunca fizesse alarde dele em público, mas antes empregasse a sua erudição profunda para tornar claras às mentes mais iletradas as coisas difíceis de entender. Esse traço o caracterizava como pregador e como escritor. Podia dizer mais, e mais diretamente, em poucas e simples palavras, sobre assuntos de caráter profundo e complexo, do que a maioria dos pregadores e escritores conseguiria exprimir no dobro do tempo ou do espaço. O seu estilo foi sempre modelo de simplicidade, lucidez, objetividade, dignidade e força.

A sua experiência e o seu caráter cristãos foram retratados, tanto quanto os limites desta obra permitiam, nos relatos das suas primeiras e desagradáveis experiências ligadas à sua relação com a Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal. Basta dizer aqui que não foram o nascimento favorável, a boa educação, a preparação acadêmica completa nem as vantagens da cultura que fizeram dele o homem que foi na sua geração, mas tudo isso posto a serviço da causa de Jesus Cristo por uma experiência completa da graça de Deus que converte, santifica e refina. Ele podia sempre adotar a linguagem de São Paulo: “Pela graça de Deus, sou o que sou” (1Co 15.10).

Como oficial administrativo era sábio. Era também conservador, no melhor sentido do termo; hábil na condução de corpos deliberativos; bom parlamentarista, embora nem sempre atento às pequenas tecnicalidades quando atendê-las seria obstruir os trabalhos; e em geral mostrava o espírito paciente e tolerante do seu Senhor.

Benjamin Titus Roberts foi certamente um dos homens mais humildes, bondosos e perdoadores que o mundo já viu. Dizia-se às vezes: “Opor-se a ele era fazer dele seu amigo.” E, no entanto, era homem de convicções decididíssimas e sempre da coragem de declará-las e defendê-las. Como muitos dos antigos profetas, viveu uma geração ou mais à frente dos seus contemporâneos; e isso gerava na sua mente convicções com as quais os que o estimavam muito nem sempre podiam concordar. Ouviram-no dizer uma vez: “Raramente estive com a maioria.” Muitas vezes os homens não conseguiam aderir às suas ideias simplesmente porque não viam tão longe quanto ele. Mas estava sempre pronto a tomar a sua posição, ainda que tivesse de tomá-la sozinho; e, tendo-a tomado, a ficar

Original
Tradução
Stand as an iron pillar strong,
firme como uma coluna de ferro forte,
And steadfast as a wall of brass.
e inabalável como um muro de bronze.

[N. do T.: os versos são de Charles Wesley (Hymns and Sacred Poems, 1739, hino sobre At 4.29), com eco de Jr 1.18; a tradução segue a do corpus de hinos publicado no site.]

Era evidentemente nascido para a liderança; e honrou o seu cargo de líder do povo de Deus mostrando as qualidades exigidas por tal chamado tão plenamente, talvez, quanto qualquer homem dos tempos modernos, e com tão poucos erros e falhas a obscurecer o brilho do registro. Quando morreu o superintendente geral B. T. Roberts, “caiu em Israel um príncipe e um grande homem” (2Sm 3.38); e não foi estranho que a primeira sessão da Conferência Geral depois da sua morte fosse entristecida por tão grave perda para a denominação.8

Notas do autor

  1. Disciplina metodista livre, edição de 1911, par. 77. ↩
  2. Disciplina, edição de 1911, par. 74. ↩
  3. Disciplina de 1911, par. 68. ↩
  4. Ver vol. I, págs. 356 e seguintes [Cap. XXXV]. ↩
  5. General Conference Journal, vol. I, pág. 14. ↩
  6. Disciplina de 1911, pág. 43. ↩
  7. General Conference Journal, pág. 13. ↩
  8. Talvez se deva dizer aqui que, ao preparar a celebração do centenário da Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal, em 1910, mencionada no vol. I, pág. 115, pediu-se à Conferência de Genesee da Igreja Metodista Livre que enviasse um delegado fraterno. Foi a primeira vez, nos seus cinquenta anos de história, que a Igreja Metodista Livre recebeu tal cortesia daquele corpo. Em resposta a esse convite, o Rev. Benson Howard Roberts, filho do Rev. Benjamin Titus Roberts, foi enviado para representar a Conferência de Genesee da Igreja Metodista Livre. Foi recebido com muita cordialidade e tratado com cortesia. Na véspera da sua chegada, a Conferência votou por unanimidade restituir as credenciais de ordenação do falecido Rev. Benjamin Titus Roberts, seu pai, que lhe tinham sido tiradas quando foi expulso mais de cinquenta anos antes. O discurso fraterno foi digno, erudito, eloquente e destemido, e ao mesmo tempo uma justificação cavalheiresca e convincente da posição do seu pai e de outros que tinham sido expulsos em 1858 e 1859. No fim do discurso, os membros da Conferência estavam em geral banhados em lágrimas, e ouviram-se numerosas respostas à moda antiga de “Amém” e “Aleluia”. A moção de restituir as credenciais de Benjamin Titus Roberts seguiu-se à leitura de um esboço da história da Conferência pelo Rev. Ray Allen, o secretário, na véspera do discurso fraterno, e incluiu também a restituição das credenciais dos outros pregadores expulsos durante as dificuldades da Conferência de Genesee no mesmo período. Diz-se que a votação para restituí-las todas foi unânime e acompanhada de uma demonstração geral de aprovação. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.