História da Igreja Metodista Livre · Volume II · Capítulo XV

Os interesses editoriais da denominação

Como se notou num capítulo anterior, reconheceu-se desde o começo da história da igreja a necessidade de algum tipo de periódico que fosse propriedade da igreja e representasse os seus princípios. Na segunda sessão da Conferência de Genesee esse assunto foi livremente discutido, mas, por causa da exigência financeira que imporia à igreja infante, e também por outras considerações, não se fez nada de definido.

Na segunda sessão da mesma Conferência o assunto também esteve em discussão, e nomeou-se uma comissão de dois pregadores e dois leigos com o fim de cooperar com uma comissão semelhante da Conferência de Illinois num esforço para lançar um jornal semanal da denominação. Nada resultou da nomeação dessa primeira comissão, porém. Outras resoluções foram aprovadas de tempos em tempos sobre o assunto, mas nenhuma das resoluções e esforços para lançar um órgão da denominação tomou forma definida até a reunião da Conferência Geral em Buffalo, Nova York, em 1866.

[N. do T.: o original diz “segunda sessão” nas duas frases; pelo vol. I (Cap. XXXIII), a primeira menção corresponde à primeira sessão (1860).]

Esse corpo considerou o assunto e decidiu por fim que seriam necessários pelo menos 5.000 dólares como base financeira para começar tal empreendimento. O Rev. Levi Wood, da Conferência de Genesee, foi nomeado para levantar a quantia necessária; e ficou também entendido que, se tivesse êxito nessa tarefa, seria o redator da publicação quando começasse, com salário que não excederia 1.000 dólares por ano.

O Sr. Wood dedicou-se à tarefa que lhe fora confiada com todo o empenho de que era capaz. Imprimiram-se dois mil exemplares do relatório da Comissão de Publicações, como aprovado pela Conferência Geral, em forma de folheto, que foram enviados aos pregadores, instando-se com eles a que cooperassem no empreendimento. Depois o Sr. Wood passou três meses do inverno de 1866-1867 viajando em favor do movimento, durante os quais visitou a maioria dos circuitos da Conferência de Genesee, viajando grande parte do tempo a pé e apresentando o assunto a todos os interessados, numa campanha pessoal. Por causa, porém, da pequenez da nova denominação, da relativa pobreza da maioria dos seus membros e da opinião um tanto dividida quanto a lançar naquela ocasião um órgão da denominação, os seus esforços não tiveram êxito, e ele abandonou com relutância o projeto de levantar os 5.000 dólares.

Tendo falhado na tarefa para a qual a Conferência Geral o nomeara, decidiu por fim lançar um jornal da igreja sob a sua própria responsabilidade; e a esse esforço da sua parte o Free Methodist, hoje órgão oficial da denominação, deve a sua origem.

De acordo com o seu propósito, o Sr. Wood publicou uma circular em que propunha que, se conseguisse 2.500 assinaturas a 2,50 dólares por ano cada uma, publicaria um semanário de oito páginas, cada página com cinco colunas de dezessete polegadas de altura, todas preenchidas com colaborações e textos escolhidos dos melhores escritores disponíveis. Houve numerosas respostas à circular, e manifestou-se bastante interesse pelo empreendimento em várias partes da denominação. Ainda assim, a lista de assinantes ficou muito aquém do número necessário. Assim o assunto ficou até depois das Conferências de outono de 1867. Nas suas respectivas sessões, essas Conferências consideraram o assunto e, sob certas condições especificadas, prometeram ao periódico projetado o seu apoio caloroso.

Encorajado assim, o Sr. Wood passou à publicação do jornal. Em vez de 2.500 assinaturas a 2,50 dólares por ano, porém, teve de começar com apenas 500 assinaturas a 2,00 dólares por ano. O primeiro número regular do jornal saiu em 9 de janeiro de 1868. Naturalmente, publicara-se algum tempo antes um número de amostra, usado em grande parte para angariar assinantes. No fim do primeiro ano, fixou o preço do periódico em 1,75 dólar por ano, preço em que ficou enquanto ele continuou a publicá-lo.

A propriedade e a publicação do Free Methodist pelo Sr. Wood duraram apenas dois anos e nove meses. Durante esse tempo ele morava em North Chili, Nova York, e publicava o jornal em Rochester, dez milhas a leste de North Chili. Sendo homem de família e sem recursos consideráveis, deve ter gemido e orado sob o peso que o lançamento e a publicação contínua do jornal lhe impunham num grau que os metodistas livres de hoje mal podem imaginar.

Vendo-se incapaz de manter o empreendimento financeiramente vivo, quando a Conferência Geral se reuniu em Aurora, Illinois, em 1870, o Sr. Wood ofereceu o jornal a esse corpo. A Conferência Geral o aceitou e, numa sessão da manhã, fez certos arranjos provisórios para a sua publicação e elegeu redator o Rev. Epenetus Owen. Numa sessão da tarde do mesmo dia, o Sr. Owen renunciou.

Quando surgiu a emergência causada por essa reviravolta, o Sr. Joseph Mackey, homem de negócios e delegado leigo da cidade de Nova York, “ofereceu-se para tomar o jornal e publicá-lo no interesse da igreja, assumindo a responsabilidade pela dívida que então pesava sobre ele”. A proposta foi prontamente aceita pela Conferência Geral; o Sr. Mackey tornou-se imediatamente dono do Free Methodist, e este foi transferido para a cidade de Nova York, de onde saíram os seus números semanais enquanto o Sr. Mackey foi o seu proprietário.

O Sr. Mackey publicou o primeiro número do jornal sob a sua propriedade em 10 de novembro de 1870. Apareceu em forma inteiramente nova, e a sua apresentação geral era consideravelmente diferente da anterior. O preço da assinatura foi fixado em 2,50 dólares na cidade e 2,00 dólares por ano fora dela. O preço maior para os assinantes da cidade se devia a que as leis postais da época exigiam um selo de um centavo em cada exemplar nas cidades onde o jornal era entregue na casa ou no escritório do assinante. O lema atual, “Não remova os marcos antigos que os seus pais colocaram” (Pv 22.28), apareceu então pela primeira vez, por sugestão do Rev. W. B. Rose, então empregado do Sr. Mackey.

Depois de dirigir o empreendimento pouco mais de um ano e vendo que era um investimento com prejuízo, o Sr. Mackey foi obrigado a procurar alívio do pesado ônus financeiro, que deve ter interferido em alguma medida nos seus outros negócios, pondo-o à venda.

As negociações foram por fim concluídas, e o Rev. Lewis Bailey, presidente de distrito da Conferência de Illinois, tornou-se o seu dono. O Sr. Mackey recebeu uma quantia insignificante pela lista de assinantes, e a única exigência feita ao Sr. Bailey foi que cobrasse, tanto quanto possível, 600 dólares devidos por assinaturas em atraso e os entregasse ao Sr. Mackey. Sabe-se que a maior parte disso nunca foi cobrada. Embora o Sr. Mackey tenha tido o jornal em seu poder por pouco tempo, fê-lo atravessar uma emergência da sua história que de outro modo poderia ter resultado no seu completo fracasso. Escrevendo sobre esse fato, o Rev. W. B. Rose disse bem: “Certamente a igreja deve a Joseph Mackey uma dívida de gratidão pelo modo nobre com que tomou sobre os ombros o peso dessa responsabilidade num período muito crítico da história do jornal.”

Comprado o Free Methodist pelo Sr. Bailey, que morava no Oeste, foi transferido para Aurora, Illinois, e o preço da assinatura foi fixado uniformemente em 2,00 dólares por ano. O Sr. Bailey descobriu, como os que tinham tentado antes dele, que o jornal não era um investimento lucrativo. O seu ideal fora tê-lo, como jornal religioso, livre de todo anúncio. Mas, diante de séria falta nas receitas das assinaturas, foi sensato e prático o bastante para admitir um número suficiente de anúncios pagos escolhidos para impedir o fracasso financeiro do empreendimento e preservar-se assim da necessidade de ir à falência.

A redação do jornal pelo Sr. Bailey satisfez plenamente os seus leitores, e, se ele pudesse ter suportado o esforço sobre o seu corpo um tanto frágil, sem dúvida teria tornado o empreendimento bem-sucedido. Mas, depois de apenas dois curtos anos, o esforço sobre a mente e o corpo causou o colapso das suas forças físicas, e logo “as rodas cansadas da vida pararam”. A sua morte foi amplamente e sinceramente lamentada, pois todos os que o conheciam sentiam que era um nobre homem de Deus. Não só era capaz no púlpito, mas havia na sua pregação um encanto e uma atração espirituais incomuns, que traziam rapidamente os ouvintes à mais estreita simpatia com ele e com a verdade que pregava. Em boa medida se podia dizer o mesmo do seu trabalho como redator.

Durante oito meses depois da sua morte, a viúva, Sra. Mary E. Bailey, continuou a dirigir o jornal. Obteve que o Rev. Levi Wood, fundador e primeiro redator e proprietário do Free Methodist, escrevesse os editoriais, e o jornal foi publicado regularmente para ela pelo Rev. John A. Murray.

No começo do verão de 1874, D. P. Baker e T. B. Arnold, ministros da Conferência de Illinois, formaram sociedade e compraram o jornal da Sra. Bailey. Começaram a sua administração em 12 de agosto de 1874. O Sr. Arnold escreveu sobre essa aventura o seguinte:

Demos à irmã Bailey a nossa nota promissória de 1.500 dólares; 500 eram pelos tipos e pelo material, 1.000 pelo “fundo de comércio” do jornal. A lista de assinantes era então de 3.200, e as assinaturas não pagas compensavam exatamente o que se devia aos assinantes. O jornal ainda nunca pagara as suas despesas, tendo havido um prejuízo de cerca de 1.000 dólares sob a administração de Bailey. Isso foi compensado pelos 1.000 dólares pagos pelo “fundo de comércio” do jornal.

Parecia um passo ousado que pessoas sem experiência assumissem, sem apoio financeiro, a responsabilidade de um empreendimento que nunca pagara as suas despesas correntes; mas tínhamos calculado o melhor que podíamos a economia que se faria transferindo o empreendimento para Sycamore, Illinois, onde os meus irmãos tinham uma tipografia e onde podíamos fazer o nosso trabalho bem barato; onde os aluguéis eram baixos e as despesas de vida podiam ser reduzidas ao mínimo; e pensamos que, com a ajuda de Deus, poderíamos levar o empreendimento adiante.

O jornal saía como um fólio de sete colunas, numa folha de 25 por 38 polegadas. Nós o aumentamos para um fólio de oito colunas e usamos uma folha de 26 por 40. Esse aumento de tamanho acrescentou muito à despesa, mas sentíamos que, ao preço de 2,00 dólares, se devia dar uma folha maior. Assim, corremos o risco de fazê-lo pagar as despesas. Exerceu-se a economia mais escrupulosa em todos os sentidos. Não podíamos pagar um auxiliar de escritório; por isso eu varria o escritório, acendia o fogo, corrigia a lista de assinantes, fazia a escrituração, comprava os materiais, pagava os empregados, escrevia as notas editoriais e comerciais e operava a máquina de endereçar nos dias de expedição. O meu horário de escritório era das seis da manhã às dez da noite.

Depois de toda a sua economia e trabalho duro, os Srs. Baker e Arnold, no fim de um ano, tinham um saldo líquido a seu favor de 150 dólares: resultado muito pequeno, certamente; mas 150 dólares de lucro do negócio eram muito melhores do que os grandes déficits que sempre mostrara antes. Além disso, mostrava certo aumento correspondente no volume do negócio, com que se podia contar como um ativo para o futuro.

Na primavera de 1880, a tipografia foi transferida de Sycamore para o número 212 da Washington Street, em Chicago, onde ocupou o primeiro andar e o porão. Cerca de um ano depois, achando as instalações apertadas demais, alugaram o terceiro andar do mesmo prédio, com entrada pela Franklin Street, sendo o endereço 108-110 Franklin Street. Em 1882 aumentaram de novo o tamanho do jornal para um quarto de seis colunas, impresso numa folha de 32 por 44 polegadas.

Na Conferência Geral de Burlington, Iowa, realizada em outubro daquele ano, os Srs. Baker e Arnold dissolveram a sociedade, retirando-se o Sr. Baker. Discutiu-se com destaque nessa Conferência o assunto de uma Casa Publicadora da denominação. A Comissão de Publicações, a que fora encaminhado, depois de longa deliberação, deu parecer contrário à criação de tal empreendimento, mas recomendou também a aceitação de uma proposta do Sr. Arnold de que a Conferência Geral elegesse o redator do Free Methodist para o quadriênio seguinte, cujo salário seria pago pelo editor. A Conferência aprovou o parecer. O Rev. Joseph Travis, inglês bem conhecido em toda a conexão, de pequena estatura e corpo frágil, mas de intelecto gigante, e além disso um dos pregadores mais capazes e espirituais, foi escolhido redator da denominação. Esse arranjo passou do editor para a igreja a responsabilidade pelo caráter literário do jornal. O Sr. Travis ocupou o cargo de redator com honra para si e para a denominação durante quatro anos, e provavelmente o teria ocupado indefinidamente, não fosse a decisão, no fim do seu mandato, de a igreja assumir o controle total do jornal.

[N. do T.: as páginas do original trazem aqui gravuras com retratos (Plates Ten e Eleven); as legendas não foram traduzidas.]

Essa decisão foi tomada na Conferência Geral realizada em Coopersville, Michigan, em outubro de 1886. A Comissão de Publicações, depois de muita deliberação sobre o assunto, deu parecer favorável a lançar um jornal estritamente denominacional, e também a que isso se fizesse comprando o Free Methodist do Sr. Arnold, se se pudesse fazê-lo em condições satisfatórias. A Conferência aprovou esse parecer. Quando a proposta lhe foi comunicada, o Sr. Arnold ofereceu-se para vender “a lista de assinantes, os tipos, o mobiliário da tipografia, o ‘fundo de comércio’ do negócio e o mobiliário e as instalações do escritório” pela quantia de 10.000 dólares. Nomeou-se então uma comissão para conferenciar com o Sr. Arnold e, pelos seus livros e pela lista de assinantes, apurar o estado do negócio, o número total de assinaturas, o valor devido aos assinantes, pelo qual o jornal teria de ser enviado até o fim do prazo que tinham pago, o valor devido ao negócio pelos assinantes em atraso, o valor estimado dos tipos em estoque e de todos os outros materiais de tipografia, e também o valor do mobiliário e das instalações dos vários escritórios ligados ao negócio, e depois apresentar relatório à Conferência com as recomendações apropriadas.

Depois de dedicar vários dias ao cumprimento completo da sua tarefa, essa comissão informou que considerava 8.000 dólares uma quantia justa a pagar pelo negócio. Depois de considerável discussão, da qual o Sr. Arnold participou como delegado, o relatório da comissão foi aprovado; diante disso o Sr. Arnold levantou-se e aceitou publicamente a oferta da igreja.

Assim a propriedade e o controle total do Free Methodist passaram de mãos particulares para a própria igreja. Certamente se deve grande crédito a todos aqueles nobres homens ligados à administração do órgão da denominação durante os anos em que a sua publicação só foi possível pela sua rigorosa economia e abnegação, acompanhadas de trabalho e resistência quase sobre-humanos. A maioria deles foi há muito para a sua recompensa no alto; mas, vivos ou mortos, o Free Methodist é um monumento vivo aos seus esforços abnegados e heroicos para dar à Igreja Metodista Livre um periódico digno da sua alta vocação e do seu destino.

Provavelmente ninguém que esteja vivo jamais saberá das duras lutas e sacrifícios, das dolorosas decepções, das graves ansiedades e aflições, das dores de parto, de fato, pelas quais o Free Methodist foi trazido ao nascimento. Levi Wood, o seu fundador, foi de fato um grande homem. Era grande de corpo, grande de intelecto, grande de alma. Era grande como pregador e como escritor. Era pensador profundo e original. Era de temperamento lento ou fleumático, mas nas grandes ocasiões, e especialmente quando sob a unção e o poder do Espírito, parecia que a sua pregação ressuscitaria os mortos. Grandes auditórios eram balançados nessas ocasiões como as árvores de uma floresta são balançadas por um furacão. Nas ocasiões comuns, porém, a profundidade e a lentidão do seu pensamento e a extensão dos seus sermões diminuíam um tanto a estima pública por ele como pregador. Ainda assim, mesmo então, os que tinham paciência para orar e ouvir estavam sempre certos de receber uma discussão instrutiva e magistral de qualquer assunto que ele tratasse. O Sr. Wood foi um dos primeiros construtores do metodismo livre, e um que fez pela causa muito mais do que jamais recebeu crédito por isso, muito mais do que jamais foi devidamente apreciado pela geração em que viveu. Terminou a sua obra e foi para casa, para Deus, de Bradford, Pensilvânia, em 3 de setembro de 1904.

A Conferência Geral em que a igreja assumiu o controle do Free Methodist elegeu redator da denominação o Rev. B. T. Roberts, já eleito por esse corpo para outro mandato na superintendência geral. Sem dúvida o peso extra de procurar ocupar dois cargos de tanta responsabilidade, além de redigir a sua própria publicação mensal, o Earnest Christian, teve muito a ver com apressar a sua morte, que só ocorreu, porém, em 1893, entre dois e três anos depois de terminado o seu mandato de redator.

Os editoriais e as notas editoriais claros, vigorosos, práticos e espirituais com que ele enchia as páginas para as quais escrevia provavelmente nunca serão superados, se é que serão igualados, por nenhum dos seus sucessores. Deram ao jornal da igreja uma posição que nunca tivera antes e que conquistou não só o apoio leal dos metodistas livres em geral, mas a atenção respeitosa de muitos fora dos limites do metodismo livre.

Um resultado disso, porém, foi que a lista de assinantes do Free Methodist aumentou constantemente, enquanto a da sua própria publicação diminuía na mesma proporção. Isso porque os que antes assinavam o Earnest Christian assinavam essa revista principalmente por causa dos seus editoriais; e agora, podendo lê-lo no Free Methodist toda semana, e sentindo-se capazes de assinar só um periódico, assinavam o jornal semanal e deixavam caducar a assinatura da revista. Desse modo a lista de assinantes do Earnest Christian passou de uma que dava um belo lucro para uma que mal pagava as despesas de publicação e circulação.

Nessa sessão da Conferência Geral, o Rev. T. B. Arnold foi eleito agente da Casa Publicadora da denominação e, por essa eleição, tornou-se o primeiro agente do Free Methodist como órgão da denominação. O Sr. Arnold chamou para guarda-livros o Rev. S. K. J. Chesbrough, pastor em Jamestown, Nova York, dentro da Conferência de Genesee. Na reunião anual da Comissão Executiva em 1888, o Sr. Arnold renunciou ao cargo de agente da Casa Publicadora, e o Sr. Chesbrough foi escolhido pela Comissão Executiva para preencher a vaga, cargo que continuou a ocupar, por reeleições da Conferência Geral, durante cerca de dezenove anos, e que sempre ocupou com honra para si e com honra e proveito para a denominação.

A Conferência Geral de 1890 elegeu para a redação do jornal da igreja o Rev. Burton R. Jones, natural do estado de Nova York, mas que trabalhara muitos anos no ministério das Conferências de Michigan e Ohio, servindo grande parte do tempo como presidente de distrito. Serviu com eficiência durante o quadriênio seguinte e, na Conferência Geral de 1894, foi feito superintendente geral. Durante a sua redação, o jornal ainda era publicado no número 108 da Franklin Street, em Chicago.

A Conferência Geral de 1894 realizou-se em Greenville, Illinois, e nela Wilson T. Hogue, presidente do Greenville College, que desde a morte do superintendente geral Roberts vinha preenchendo a vaga deixada por ele, por nomeação da Comissão Executiva, foi escolhido para suceder ao Sr. Jones na redação do Free Methodist, cargo que continuou a ocupar, reeleito em 1898, durante oito anos e oito meses.

A Conferência Geral de Greenville tomou também medidas para comprar, para fins da Casa Publicadora, o prédio da Primeira Igreja Metodista Livre, no número 14-16 da North May Street, em Chicago, um sólido edifício de tijolos construído havia só quatro ou cinco anos, mas seriamente sobrecarregado de dívidas. Fez-se isso para salvar a propriedade para a denominação metodista livre e também porque ela podia servir de Casa Publicadora durante alguns anos a um custo muito menor do que o da construção de um prédio novo.

Uma comunicação de Selden Beckwith, leigo abastado de Utica, Nova York, fora apresentada à Comissão Executiva na sua reunião regular do outono de 1892, na qual ele se propunha a dar 8.000 dólares em 1893 para o começo de uma Casa Publicadora da denominação. A proposta fora aceita, e a quantia fora mantida entre os recursos da denominação para o fim mencionado na doação; e isso formou um belo núcleo para um fundo da Casa Publicadora da denominação quando, em 1894, a Conferência Geral decidiu estabelecer tal instituição em Chicago. Antes de fazer a doação para a Casa Publicadora, o Sr. Beckwith dera 500 dólares para o preço de compra do Free Methodist. Deu também 500 dólares para a obra missionária no exterior, mais ou menos na mesma época. Certamente se mostrou amigo de verdade da causa, especialmente dos interesses editoriais da igreja, sendo um amigo muito útil numa hora de necessidade urgente.

O interior da Primeira Igreja foi reconstruído, para adaptá-lo aos fins de Casa Publicadora, a um custo de vários milhares de dólares. Fez-se no jornal da igreja, e manteve-se por algum tempo, um apelo por fundos para completar o pagamento do prédio e da sua reconstrução, e obteve-se o bastante para pôr o empreendimento numa base financeira segura. Depois, pela administração prudente do Sr. Chesbrough como agente da Casa Publicadora, e sob a sábia direção da Comissão Executiva, os interesses editoriais começaram a crescer em prosperidade e, no devido tempo, a propriedade da Casa Publicadora ficou livre de dívidas, sem que nenhuma conta contra ela jamais fosse apresentada uma segunda vez para pagamento, e com a maioria das contas paga com desconto dentro de trinta dias. A Casa Publicadora assim obtida acomodou o negócio da denominação durante quinze anos.

Ao remodelá-la para o fim para o qual fora comprada, deixou-se no segundo andar um salão de culto com cerca de metade do tamanho do original, e fez-se um contrato entre a sociedade da Primeira Igreja e a corporação da Casa Publicadora no sentido de que a sociedade teria o auditório como lugar de culto em troca de um pagamento diferido de 4.000 dólares, quantia a ser paga à sociedade a qualquer tempo em que desejasse deixar o salão e ir para outro lugar. Continuaram a usá-lo para fins de igreja durante treze ou catorze anos. Quando decidiram sair, a quantia foi paga à sociedade. Por fim se uniram à que fora conhecida como Segunda Igreja, uma ramificação da Primeira, e na sua união tomaram o nome de Igreja Metodista Livre Central de Chicago.

Depois de dez ou doze anos de uso, a Casa Publicadora construída a partir da Primeira Igreja estava quase pequena demais para o negócio, e começou-se a falar da aquisição de instalações mais amplas como necessidade próxima. Por fim a Conferência Geral de 1907 tomou uma decisão favorável a obter um terreno adequado e construir na cidade de Chicago. Os pormenores foram deixados à Comissão Executiva. Depois da devida consideração, a Comissão Executiva decidiu comprar um terreno de 100 por 100 pés na esquina do Washington Boulevard com a South May Street, por 20.000 dólares. Elegeu-se uma comissão de construção. M. B. Miller e Wilson T. Hogue foram feitos comissão para obter a planta de um arquiteto para a nova Casa Publicadora e submetê-la à aprovação da comissão de construção. A comissão de construção foi instruída a prosseguir com a construção do prédio assim que a planta fosse aprovada. Supunha-se que o prédio seria construído a um custo de cerca de 40.000 dólares.

A planta finalmente adotada foi a de um prédio de três andares e porão, de 50 por 100 pés, de tijolos prensados cor de canela, acabado com material de primeira classe e moderno em todas as instalações. Como se vê pelas dimensões acima, só metade do terreno foi ocupada pela nova sede. Na outra metade havia uma casa de moradia grande e antiquada, alugada por um preço moderado. O lote ocupado pela casa ficou reservado para uma ampliação da Casa Publicadora quando se julgasse conveniente instalar prensas, encadernação e depósito. Toda a propriedade, tal como está hoje, custou 69.161,14 dólares. Está praticamente livre de dívidas, com um bom saldo a seu favor.

Alguns pensavam que haveria grande dificuldade em financiar o empreendimento da Casa Publicadora quando se decidiu por fim construir, e apresentou-se um forte argumento contra a empreitada com esse fundamento. A Comissão Executiva, porém, nomeou M. B. Miller e Wilson T. Hogue para elaborar um plano de financiamento do projeto. O plano foi preparado, submetido e aprovado; diante disso os mesmos senhores foram nomeados para executá-lo. Pouco depois de começarem as operações, o Sr. Hogue foi acometido de uma doença que o incapacitou por mais de dois anos, e o trabalho de executar por fim o plano de financiamento do empreendimento recaiu sobre o Sr. Miller sozinho. Deve-se-lhe grande crédito pela sabedoria, energia, fidelidade e êxito com que se dedicou à tarefa até que o prédio foi concluído e pago. Além disso, deve-se grande crédito ao povo da Igreja Metodista Livre pela prontidão com que cooperou com o plano de financiamento da obra.

A Casa Publicadora é certamente um bem de grande valor para a igreja, e a sua aparência entre os muitos belos edifícios de Chicago também honra a denominação. Foi dedicada com cerimônias apropriadas em 14 de outubro de 1909, fazendo o bispo Pearce o discurso principal. O negócio editorial começou então uma nova era de prosperidade, que ainda continua.

Em 1896 a Comissão Executiva, reconhecendo que o crescimento do negócio o estava tornando pesado demais para o Sr. Chesbrough como agente da Casa Publicadora, elegeu o Rev. W. B. Rose, da Conferência de Nova York, agente adjunto. A eleição foi confirmada e renovada pela Conferência Geral de 1898, e de novo pela Conferência Geral de 1903, de modo que o Sr. Rose serviu como agente adjunto quase onze anos. Em 1907 foi eleito para suceder ao Sr. Chesbrough como agente da Casa Publicadora, tendo este recusado, por causa da idade avançada, ser candidato à reeleição. O Sr. Rose tem servido e ainda serve nesse cargo com grande fidelidade. Na mesma Conferência Geral em que o Sr. Rose foi escolhido agente, o Rev. C. W. Stevens, de Saratoga Springs, Nova York, foi eleito agente adjunto. Ocupou o cargo com honra até meados de abril de 1913, quando, por causa da saúde fraca, renunciou. Era homem muito afável, que ocupou bem o seu cargo. Até agora não se elegeu sucessor.

A igreja sempre foi singularmente favorecida no caráter e na eficiência dos homens que tiveram a seu cargo os seus interesses editoriais. Foram homens da maior probidade de caráter, e também sábios, prudentes, fiéis ao encargo e homens da piedade mais devota e coerente.

O primeiro jornal de escola dominical publicado na denominação foi Little Crumbs (Migalhinhas), redigido e publicado pelo Rev. F. J. Ewell, da Conferência de Genesee. Esse jornal começou em 1869 e era publicado em Rochester, Nova York. Depois passou a sair de Vineland, Nova Jersey. Em 1875 foi vendido a Baker e Arnold, proprietários e editores do Free Methodist. No mesmo ano Baker e Arnold começaram a publicação de um jornal de escola dominical chamado The Pearl (A Pérola), o primeiro da série que pensavam publicar com o tempo. The Lily (O Lírio) apareceu em 1876, e Pure Words (Palavras Puras) e Kind Ways (Modos Bondosos) em 1882. No outono desse ano o Sr. Arnold tornou-se o único proprietário do negócio editorial. Algum tempo antes de Baker e Arnold dissolverem a sociedade, esses editores compraram um pequeno jornal chamado Sunshine (Raio de Sol), no qual se fundiu Kind Ways. Todos esses jornais foram redigidos por T. B. Arnold até 1885. Depois Maggie Ewell foi contratada para redigi-los até o fim de 1887, quando a Sra. Tressa R. Arnold assumiu a sua redação, que continuou a ter até 1897.

À lista acima acrescentou-se em 1888, para o quinto domingo do mês, outro jornal chamado Golden Treasures (Tesouros de Ouro). Era redigido pela Sra. Arnold. The Infant Class (A Classe Infantil), com John Harden como redator, apareceu em 1886. De 1890 ao fim de 1897 a Sra. Emma L. Hogue foi a sua redatora, e depois a Sra. Arnold o redigiu até a época da sua compra pela igreja, com os outros jornais de escola dominical.

Por volta do fim de 1896, os quatro jornais de escola dominical publicados pelo Sr. Arnold foram comprados pela Casa Publicadora Metodista Livre, e a sua publicação pela igreja começou em 1º de abril de 1897. Os nomes escolhidos para esses jornais no novo arranjo foram: Our Young Folks (A Nossa Gente Jovem), Youth’s Temperance Evangel (O Evangelho da Temperança para a Juventude), Rose of Sharon (Rosa de Sarom) e Lily of the Valley (Lírio do Vale). (Esses mensários foram por fim reunidos numa publicação semanal chamada Light and Life Evangel, em 1º de janeiro de 1912.) A Sra. Emma L. Hogue os redigiu por contrato com o agente da Casa Publicadora até que a reunião da Comissão Executiva de 1898, como autorizara a Conferência Geral daquele ano, passou a eleger um redator oficial e escolheu para o cargo o Rev. W. B. Olmstead.

Algum tempo depois da compra dos quatro jornais mencionados, os trimestrais da escola dominical, que formavam uma série de seis ou sete publicações, junto com o Inductive Lesson Leaf e o pequeno jornal chamado Sunshine, foram também transferidos para a Casa Publicadora Metodista Livre, e Wilson T. Hogue, redator do Free Methodist, assumiu a sua redação, que continuou a ter até que se elegeu um redator da literatura da escola dominical em 1898, como se disse acima. O Sr. Olmstead, primeiro redator da literatura da escola dominical, foi reeleito para o mesmo cargo pela Conferência Geral de 1903 e de novo reeleito em 1907. Nessa última ocasião, porém, renunciou ao cargo na mesma sessão da Conferência em que foi eleito, e o Rev. David S. Warner, atual ocupante do cargo, foi eleito para preencher a vaga.

Em 1896, Wilson T. Hogue, redator do Free Methodist, conferenciou com o Sr. Chesbrough, agente da Casa Publicadora, e com B. Winget, secretário de missões, sobre a conveniência e a oportunidade de começar um suplemento missionário mensal do Free Methodist, com vistas a fazê-lo afinal um periódico missionário separado. O Sr. Hogue tinha, e o declarou, um duplo objetivo nisso. Primeiro, não podia dar ao secretário de missões e a outros que desejavam representar a causa mais do que cerca de metade do espaço de que precisavam no Free Methodist, e isso o aliviaria desse embaraço. Segundo, tinha bastante certeza de que, se não se fizesse algo desse tipo, logo haveria um movimento para começar um jornal missionário em outro lugar e sob iniciativa particular. O Sr. Chesbrough e o Sr. Winget concordaram com a sugestão, ficando entendido que o Sr. Hogue redigiria o suplemento missionário gratuitamente; e assim a sugestão de um jornal missionário começou a tomar corpo.

Em outubro daquele ano, a Comissão Executiva, na sua reunião anual, recomendou ao secretário de missões que convocasse uma reunião das mulheres especialmente interessadas na obra missionária no exterior, com o fim de considerar a publicação de um periódico dedicado exclusivamente aos interesses missionários. Tal reunião se realizou, e tomou-se uma decisão favorável ao empreendimento proposto. Decidiu-se começar a nova publicação em janeiro de 1898. O nome finalmente adotado para o novo jornal foi Missionary Tidings (Notícias Missionárias). A Sra. Mary Weems Chapman foi escolhida redatora, mas foi sucedida, em janeiro de 1899, pela Sra. Emma Hillmon Haviland. A Sra. Haviland ocupou o cargo só um ano e foi então sucedida pela Sra. Emma Sellew Roberts, que continuou a ocupá-lo com muita competência durante cerca de oito anos e meio, ou até a Conferência Geral de 1907. Nessa ocasião a Sra. Tressa E. Arnold foi eleita redatora pela Sociedade Missionária Feminina Geral para o Exterior, que se reuniu na mesma época e no mesmo lugar. A Sra. Arnold foi reeleita em 1911 e ainda ocupa o cargo com honra.

A Casa Publicadora comprou, em janeiro de 1903, o Arnold’s Practical Commentary on the Sunday-school Lessons (Comentário Prático de Arnold sobre as Lições da Escola Dominical), volume anual. A sua redação, desde então até 1907, esteve nas mãos do Rev. W. B. Olmstead, e desde essa última data o Rev. David S. Warner tem sido o seu redator. A sua compra foi um negócio decididamente vantajoso.

A compra da literatura da escola dominical como um todo de T. B. Arnold foi um investimento lucrativo para a denominação. Considerando que todos os periódicos da escola dominical, cerca de dez ou doze publicações, tinham sido levados pelo fundador da nossa literatura de escola dominical através do período em que não davam lucro, o preço pago por ela pela igreja não foi mais do que se devia aos anos de esforço e sacrifício do Sr. Arnold para que o negócio chegasse a dar lucro; e não se podia razoavelmente esperar que ele se desfizesse dela exatamente quando prometia ser fonte de receita grande e crescente a cada ano sem uma compensação generosa pelos seus anos de luta, quando mal pagava as despesas, e pela perda das publicações como meio de propaganda do seu próprio negócio editorial.

É verdade que a igreja lhe dera o seu endosso e a sua clientela, sem os quais ele não teria alcançado o êxito que alcançou. Mas, mesmo assim, ele certamente merecia não só muito crédito por ter servido a denominação tantos anos com uma literatura de escola dominical que a igreja podia aprovar e por fim tomar das suas mãos sem fazer nenhuma mudança material no seu caráter, mas também uma compensação generosa pelos seus esforços. Isso ficou cada vez mais evidente quando, desde o começo, se descobriu que as publicações não só permitiam à igreja cumprir regularmente as suas obrigações pelo preço de compra, mas, além disso, davam dividendos muito substanciais. Desde 1º de janeiro de 1897, a Casa Publicadora tem feito um negócio constantemente crescente na publicação de livros e folhetos, e também na venda de publicações desse tipo lançadas por outros editores.

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.