História da Igreja Metodista Livre · Volume II · Capítulo XVI

Os interesses missionários

Junta Geral de Missões. Só no outono de 1882 a Igreja Metodista Livre deu passos definidos com vistas a levar a sua obra a terras estrangeiras. Até então os seus esforços missionários organizados se tinham limitado ao que se poderia chamar mais propriamente de missões nacionais. Mas a Conferência Geral reunida em Burlington, Iowa, em 1882, criou na Disciplina uma Junta Geral de Missões, e as seguintes pessoas foram eleitas para constituí-la: Joseph Travis, redator do Free Methodist; Daniel M. Sinclair, da Conferência de Wisconsin; Walter W. Kelley, da Conferência do Centro de Illinois; Joseph Goodwin Terrill, Charles B. Ebey e Thomas B. Arnold, da Conferência de Illinois; e D. W. Abrams, da Conferência de Michigan. Charles B. Ebey foi eleito secretário pela Conferência Geral. Os membros da junta recém-eleita reuniram-se em Burlington em 22 de outubro e se organizaram, elegendo Joseph Travis presidente e Thomas B. Arnold tesoureiro.

Embora formada em 1882, a junta só foi incorporada em 19 de junho de 1885. O seu nome jurídico, a princípio, era “General Missionary Board of the Free Methodist Church” (Junta Geral de Missões da Igreja Metodista Livre). Em 15 de março de 1895, fez-se na sua carta uma emenda que mudou o nome jurídico para “General Missionary Board of the Free Methodist Church of North America” (… da Igreja Metodista Livre da América do Norte). Ao mesmo tempo, fizeram-se duas outras emendas, uma das quais ampliou os poderes da junta e a outra determinou que a administração dos negócios ficasse a cargo de uma junta de cinco diretores, em vez de cinco curadores, como antes. Em 18 de abril de 1908, a carta foi de novo emendada para prever sete diretores em vez de cinco.

Durante o tempo que decorreu entre a primeira nomeação de uma Junta de Missões e a sua incorporação, Thomas B. Arnold cumpriu os deveres que costumam ser cumpridos por um secretário de missões. O Sr. Ebey foi eleito secretário da junta desde o começo e era nominalmente o secretário de missões; mas os seus deveres eram principalmente os de secretário de atas. Por acordo geral, deixava-se ao Sr. Arnold, o tesoureiro, corresponder-se com os candidatos, examiná-los, ajudá-los a obter o enxoval, o transporte etc. e acompanhá-los a Nova York quando partiam para o campo. Na Conferência Geral de 1890, o Rev. W. W. Kelley foi eleito secretário de missões. Ocupou o cargo até cerca de 1º de abril de 1893 e então renunciou. Era homem de capacidade e de valor sólido, pregador vigoroso e incisivo da verdade, administrador sábio e fiel da Disciplina, e profundamente dedicado à causa das missões. A sua renúncia foi motivada pela saúde debilitada. Foi por fim para a Califórnia, onde, depois de alguns anos passados em relativa tranquilidade, morreu em grande paz. A Comissão Executiva aceitou a sua renúncia e elegeu J. G. Terrill para completar o restante do seu mandato. Na Conferência Geral de 1894, B. Winget foi eleito para sucedê-lo no primeiro escrutínio, mas renunciou imediatamente; diante disso o Sr. Terrill foi regularmente eleito para o cargo, que ocupou até a morte, na primavera de 1895. No mês de julho seguinte, B. Winget foi eleito pela Comissão Executiva para sucedê-lo.

A Disciplina determina atualmente que “a Junta Geral de Missões será composta dos bispos, da presidente da Sociedade Missionária Feminina para o Exterior e de outras três membros da Sociedade, eleitas pela Sociedade Geral na sua reunião quadrienal; de um presbítero itinerante e um leigo de cada um dos distritos missionários; e do secretário de missões, a serem eleitos por voto secreto pela Conferência Geral”, num total de vinte e um membros. Essa junta está autorizada:

1. A arrecadar, receber, manter, aplicar, pagar ou dispor de quaisquer bens, imóveis ou móveis, de qualquer natureza e onde quer que estejam, conforme permitido pela lei, que forem dados, obtidos ou mantidos em auxílio da obra missionária geral da Igreja Metodista Livre.

2. A adquirir por compra, doação ou legado bens imóveis ou móveis nos Estados Unidos da América do Norte ou em terras estrangeiras, e a mantê-los, vendê-los ou transferi-los conforme, a seu juízo, for necessário para o andamento da sua obra missionária.

[N. do T.: as páginas do original trazem aqui e adiante gravuras com retratos de missionários (Plates Twelve a Fifteen); as legendas não foram traduzidas.]

Desde a sua organização até o fim de 1914, essa junta levantou por meio das coletas das Conferências, e aplicou, as seguintes quantias, contadas por quadriênios:

Quadriênio encerrado em Dólares
1886 3.805,96
1890 4.971,04
1894 12.919,18
1898 17.065,93
1902 16.510,92
1906 31.731,79
1910 45.196,62
1914 56.643,41
Total 188.844,85

Sociedade Missionária Feminina para o Exterior. A Sociedade Missionária Feminina Geral para o Exterior da Igreja Metodista Livre foi organizada na época da Conferência Geral de Greenville, Illinois, em outubro de 1894. Antes disso, tinham-se organizado várias sociedades de Conferência, de distrito e locais, a primeira em 1882, a segunda em 1890 e outras depois; mas não estavam ligadas umas às outras sob uma constituição geral.

A Sra. Ellen Lois Roberts, viúva do falecido superintendente geral B. T. Roberts, foi eleita a primeira presidente da Sociedade Geral e ficou no cargo até o fim de 1902, quando, por causa da idade, se retirou. As outras oficiais foram as seguintes: Sra. M. B. Hart, Srta. Emma Freeland, Sra. Emma S. Roberts e Sra. G. W. Coleman, vice-presidentes; Sra. E. L. MacGeary, secretária correspondente; Sra. M. L. Coleman, secretária de atas; Sra. F. H. Ashcraft, tesoureira.

A Sra. E. L. Roberts morreu em 28 de janeiro de 1908. Com a sua partida, desapareceu da igreja militante uma mulher de tipo muito incomum. Disse-se bem que ela

não pertencia a nenhuma raça ou época, mas era daquele grupo de espíritos escolhidos que, de geração em geração, foram reconhecidos como uma bênção para a terra. Ela estaria em casa com Maria e Marta; pois, com Maria, certamente amava sentar-se aos pés de Jesus; e com Marta também, pois ela também sabia o que era carregar muitos cuidados. Com o ilustre grupo de Romanos 16 (Febe, Priscila, Maria, Trifena, Trifosa e a amada Pérside), com todo o grupo dos obreiros apostólicos do evangelho, ela tinha afinidade de sentimento e, em certa medida, experiências semelhantes. Certamente sabia o que era participar dos sofrimentos “como bom soldado de Cristo Jesus” (2Tm 2.3). Sabia o que era permanecer firme “como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11.27), quando as coisas visíveis da terra (a estima popular, a honra e os bens) desapareciam até sumir.1

Ela foi sempre uma torre de força para o marido. Durante a experiência um tanto prolongada das perseguições dele pela Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal, que resultaram na sua expulsão da Conferência e da igreja e na recusa da Conferência Geral em examinar a sua apelação, ela ficou nobremente ao seu lado, sempre o encorajando a ser fiel às suas convicções de dever a qualquer custo. E, durante mais de trinta anos da superintendência geral dele na Igreja Metodista Livre, identificou-se tão completamente com ele em todos os seus trabalhos, cuidados, responsabilidades, ansiedades, provações e lutas que se tornou com ele uma espécie de cofundadora do metodismo livre. Foi certamente uma das mulheres que ajudaram a fazer a igreja de que o marido foi por tantos anos o principal chefe visível. E, durante quinze anos depois da morte dele, continuou a viver e trabalhar como inspiração para os membros daquele ramo da igreja militante que ele fora o principal instrumento em organizar e, como seu líder terreno, em guiar durante a primeira geração da sua história. Além disso, em nenhuma das obras da sua vida sempre laboriosa ela se houve com mais honra do que na sua relação com a Sociedade Missionária Feminina para o Exterior. Viveu até a idade avançada de quase oitenta e quatro anos.

Com a renúncia da Sra. Roberts, a Sra. Mary L. Coleman, esposa do professor J. E. Coleman, foi eleita sua sucessora na presidência da Sociedade Missionária Feminina Geral para o Exterior, cargo que ainda ocupa com muita honra para si e para a organização. Desde o seu começo até agora, a Sociedade cresceu a cada ano em território, em número e em eficiência, até tornar-se um dos maiores e mais importantes fatores da obra e do desenvolvimento da igreja. O seguinte quadro financeiro da Sociedade indicará em certa medida a sua importância como auxiliar da obra geral da Igreja Metodista Livre.

Fundos recebidos por quadriênio pela tesouraria da Sociedade Missionária Feminina para o Exterior e aplicados pela Junta Geral de Missões, de 1º de outubro de 1894 a 1º de outubro de 1914:

Quadriênio encerrado em Dólares
1898 18.920,47
1902 45.673,19
1906 96.297,11
1910 166.401,64
1914 189.522,45
Total 516.814,86

As estatísticas acima mostram claramente que a Sociedade Missionária Feminina para o Exterior, desde a sua organização, tem sido um fator altamente importante nesse ramo da obra da igreja.

ÍNDIA

Embora a Igreja Metodista Livre não tivesse Junta Geral de Missões até 1882, nem Junta de Missões incorporada até 1885, em janeiro de 1881 o Rev. Ernest F. Ward e a Sra. Phoebe E. Ward, sua esposa, membros da Igreja Metodista Livre dentro da Conferência de Illinois, que havia bastante tempo sentiam o chamado de Deus para o campo estrangeiro, foram para a Índia como missionários de fé. A Sra. Ward fora professora antes do casamento e economizara algumas centenas de dólares dos seus ganhos, parte das quais destinou ao transporte deles.

Trabalharam primeiro em Burhanpur, nas Províncias Centrais, onde construíram uma casa de missão, que acabaram vendendo ao bispo William Taylor para a sua Missão do Sul da Índia. Depois se estabeleceram em Ellichpur, na mesma província, onde continuaram a trabalhar por vários anos. O seu trabalho ali foi entre os korkus. Algum êxito acompanhou a sua obra, e o Sr. Ward teve o privilégio de batizar vários convertidos do paganismo. O Sr. Ward criou também uma língua escrita para os korkus. O Rev. A. Norton diz: “Se isso tivesse sido tudo o que ele fez, teria sido a obra de um homem para toda uma vida.”

Depois, porém, decidiram outra mudança, concluindo que poderiam fazer mais estabelecendo-se mais ao sul, onde as línguas eram menos misturadas. Continuaram a trabalhar nas Províncias Centrais, porém, como antes, e viram muita coisa que os encorajou no trabalho.

Embora não tivessem sido enviados pela Junta de Missões, eram considerados pelos amigos em casa missionários da Igreja Metodista Livre, e muitos na igreja contribuíam com bastante generosidade e regularidade para o sustento da sua obra. Eram representantes verdadeiros e leais dos princípios do metodismo livre e obreiros dedicados e sérios em tudo o que constitui a verdadeira obra missionária. Desde que se organizou a Junta Geral de Missões, porém, eles a consideraram um corpo consultivo na obra que faziam. Por fim, em 1896, depois de estarem associados com os missionários da junta da igreja na obra por cerca de dois anos, ofereceram-se à Junta Geral de Missões da Igreja Metodista Livre e foram aceitos. O seu trabalho posterior foi muito bem aceito pela junta.

Voltaram para casa pela primeira vez em 1892, depois de cerca de onze anos no campo estrangeiro. Depois de cerca de um ano na terra natal, voltaram ao campo da Índia, onde ficaram até o começo do verão de 1910. Então, por causa da fraqueza da Sra. Ward, resultado de uma doença grave, e porque o Sr. Ward também precisava recuperar-se num clima mais favorável, voltaram de novo para casa. Ao chegar a Nova York, seguiram imediatamente para Seattle, Washington, onde as suas três filhas estudavam, e chegaram a tempo de ver a formatura da filha mais velha, Ethel, no Seattle Seminary. Depois disso tomaram parte em reuniões missionárias, cultos de acampamento e outros encontros em favor da obra, conforme podiam, quase até 1º de setembro de 1910, data em que, depois de breve doença, a Sra. Ward partiu para o seu lar no céu. Voltaram para casa só duas vezes em quase trinta anos.

No outono de 1911, acompanhado da filha Ethel, o Sr. Ward voltou ao campo missionário, onde ambos se dedicaram sem reservas à obra no distrito de Yeotmal, em Berar, nas Províncias Centrais. Em 17 de janeiro de 1914, o Sr. Ward casou-se de novo, tomando por esposa a Sra. Elizabeth Tucker, que passara vários anos no campo da Índia com os Grupos de Pentecostes.

O trabalho dos Ward abriu o caminho para as operações missionárias da Igreja Metodista Livre na Índia, e por isso pareceu apropriado que os pormenores acima aparecessem aqui, embora tratem em grande parte do seu trabalho quando não eram, no sentido técnico, missionários metodistas livres.

Foi em novembro de 1885 que a Comissão Executiva da Junta Geral de Missões aceitou as Srtas. Ranf e Zimmerman como missionárias e as enviou à Índia para ajudar o Sr. e a Sra. Ward. Essas moças partiram de Nova York em 17 de dezembro de 1885. A Srta. Zimmerman não ficou muito tempo a serviço da junta, mas a deixou em 12 de junho de 1886 para trabalhar nas zenanas sob outra direção. Depois foi desligada.

[N. do T.: “zenana” é a parte da casa reservada às mulheres, na Índia; o “trabalho nas zenanas” era a visita missionária às mulheres em casa.]

A Srta. Ranf continuou a trabalhar com o Sr. e a Sra. Ward, porém, em Burhanpur e em Ellichpur, e mostrou-se missionária muito dedicada e fiel, até a sua morte trágica em 6 de novembro de 1890. Essa foi causada pela explosão de uma lamparina de querosene de parede onde ela assistia a um culto na Igreja da Inglaterra. Ao se levantarem da oração, a lamparina caiu, e as suas roupas pegaram fogo. Ela correu para fora; e, como não havia meios à mão para apagar as chamas, as suas roupas se queimaram quase inteiramente antes que pudessem ser extintas. Depois de levada para casa, sofreu uma agonia indescritível durante cinco horas e meia, até que a morte veio aliviá-la. Ao escrever sobre a sua morte, o Sr. Ward a descreve como “dedicada, paciente e abnegada até o extremo”; e acrescenta: “Morreu como viveu, muito amada pelos nativos, tanto hindus como maometanos. Multidões vieram para ver pela última vez os seus restos mortais.” “Entregamos o seu corpo deformado, mas precioso, ao pó, num lugar bonito ao lado da sua querida Preethee, no cemitério inglês. Ela dissera certa vez que seria bom ser sepultada naquele mesmo lugar.”

A missionária seguinte enviada à Índia pela Junta de Missões metodista livre foi a Srta. Celia J. Ferries, que partiu de Chicago para o campo estrangeiro em fevereiro de 1891. Ficou no campo estrangeiro cerca de cinco anos e meio antes de voltar a este país, e durante a maior parte desse tempo ocupou o cargo de superintendente da obra metodista livre na Índia. Escolheu e obteve a estação de Yeotmal, que tem sido por muitos anos o centro das operações da igreja naquele país. As suas auxiliares na obra foram as Srtas. Anna Jones, do oeste da Pensilvânia, e Mattie J. Miller, do oeste de Iowa.

A Srta. Ferries partiu de Bombaim, em licença para casa, em 21 de agosto de 1896. Ficou na terra natal pouco mais de um ano e então, em 23 de outubro de 1897, partiu de novo de Nova York para o campo estrangeiro, ao qual era ardentemente dedicada.

O acréscimo seguinte à lista de missionários na Índia foi a Srta. Anna Jones, enviada pela Junta de Missões em agosto de 1892. Ficou cerca de quatro anos e meio, mas grande parte do tempo com a saúde fraca. Voltou à América na primavera de 1897. Como a sua saúde a incapacitara grande parte do tempo para o trabalho no estrangeiro, a junta decidiu que não seria aconselhável que voltasse.

A Srta. Emma Appling foi para a Índia em 13 de dezembro de 1893, sob os auspícios dos Grupos de Pentecostes, mas em setembro de 1895 foi recebida em experiência pela Junta de Missões metodista livre e, cerca de um ano depois, recebida em plena relação. Por causa da saúde debilitada voltou a este país no fim do outono de 1900. Em 1903, com a saúde melhor, foi de novo enviada ao campo estrangeiro, onde ficou e trabalhou com eficácia até que a saúde falhou de novo e ela voltou para casa em junho de 1907. Diante do seu estado físico, julgou-se melhor que não tentasse de novo o esforço do trabalho no estrangeiro. Recuperou por fim uma saúde relativamente boa, mas nunca se restabeleceu de todo. Em 4 de fevereiro de 1910 casou-se com Thomas Herbert Gilpatrick, de Seattle, Washington, onde continuou a morar até a sua morte, ocorrida em 14 de junho de 1913.

A Srta. Mattie J. Miller foi enviada ao campo da Índia em 1894, onde ficou cerca de seis anos, tempo em que esteve associada às Srtas. Ferries e Jones na obra de Yeotmal. Voltou à terra natal em 1900. Depois de ficar em casa algum tempo, combinou voltar sob outros auspícios e apresentou a sua renúncia à junta, aceita em outubro de 1901.

Ao mesmo tempo que a Srta. Ferries voltou ao campo, em 23 de outubro de 1897, acompanharam-na o Rev. e a Sra. H. L. Crockett e também V. G. McMurray, os dois primeiros aceitos pelos diretores da junta e o último pela junta na sua reunião anual. Antes que partissem, a junta providenciou que o Sr. McMurray fosse ordenado por um bispo missionário metodista episcopal na Índia. Ele foi ordenado, portanto, depois de chegar ao campo. No começo do verão de 1898, o Sr. McMurray e a Srta. Ferries se casaram. Na sua reunião anual de 1901, a junta nomeou também o Sr. McMurray superintendente da missão de Yeotmal. No ano seguinte ele foi renomeado, com o entendimento de que a nomeação só valeria até a época da Conferência Geral, em junho de 1903. Na reunião da junta realizada na Conferência Geral, decidiu-se permitir que o Sr. e a Sra. McMurray voltassem para casa assim que, a juízo do secretário de missões, se julgasse aconselhável. Voltaram no fim do mesmo ano e, durante algum tempo, dedicaram-se a viajar e realizar reuniões em favor da obra no estrangeiro. Na reunião anual da junta em 1904, tendo enviado as suas renúncias a esse corpo e combinado voltar à Índia sob outros auspícios, as suas renúncias foram aceitas.

Os Crockett não puderam ficar muito tempo na Índia por causa do completo colapso nervoso da Sra. Crockett. Por isso voltaram para casa em 1900. Não julgando prudente, por causa da saúde da Sra. Crockett, voltar ao campo, apresentaram as suas renúncias à junta, que foram aceitas.

Em 19 de janeiro de 1901, o Rev. e a Sra. J. T. Taylor partiram de Nova York para a Índia, acompanhados das Srtas. Rose Cox e Effie Southworth; e, em setembro do mesmo ano, o Sr. e a Sra. M. C. Clarke, do estado de Washington, os seguiram. A Srta. Mary E. Chynoweth partiu para o mesmo campo em 4 de janeiro de 1902. Por causa de um esgotamento nervoso, a Srta. Cox achou necessário voltar para casa em licença em 1905. Recuperou a saúde e voltou de novo ao campo, onde trabalhou alguns anos, até que se esgotou de novo e teve de deixar o campo. Por causa da saúde da Sra. Taylor, os Taylor tiveram de voltar em licença em 1906. Depois de algum tempo em casa, a saúde dela melhorou o bastante para permitir o seu retorno, e desde então têm trabalhado com muita eficácia. Em 1914, porém, a Sra. Taylor achou necessário voltar mais uma vez por causa da saúde, ficando ele no campo estrangeiro. O Sr. Taylor foi secretário da missão na Índia em 1901-1902 e, em 1903, foi nomeado superintendente da obra da Índia pela Junta Geral de Missões. Foi também renomeado anualmente até voltar à América em 1906. Depois que voltaram à Índia, em 1908, foi de novo nomeado superintendente da obra e tesoureiro da missão, e em ambos os cargos prestou serviço muito eficaz.

A Srta. Southworth provou abundantemente a sua aptidão para a obra missionária de vários modos. Está à frente do Orfanato de Meninas desde o começo. Cuidou dos flagelados da fome e aprendeu a língua como pôde, porque era uma necessidade. “Trouxe sistema e ordem à confusão” e em geral mostrou-se à altura de todas as ocasiões.

No começo de 1908, a Srta. Chynoweth contraiu um caso virulento de varíola. A Srta. Cox e a Srta. Southworth cuidaram dela com muita ternura, e fez-se por ela tudo o que o socorro médico podia fazer, mas sem resultado. A doença avançou rapidamente e, depois de breve tempo de sofrimento, veio a sua libertação final, e ela foi estar com Deus, em 29 de janeiro de 1908.

O Sr. e a Sra. Clarke mostraram-se obreiros muito eficientes no campo estrangeiro. O principal trabalho dele foi ligado ao Orfanato de Meninos, onde, sob a sua orientação, a parte industrial do trabalho com os meninos avançou com tanto êxito que atraiu a atenção de muitos hindus e deu prestígio à nossa obra entre eles. A Sra. Clarke estava também bem preparada para ser uma auxiliar para ele nos seus empreendimentos. Por causa da saúde abalada dela, porém, acharam necessário voltar à América em 1908, e desde então, em parte por causa da situação dos pais dela e em parte por outras razões, não julgaram sábio voltar. Durante a licença do Sr. Taylor, em 1906, o Sr. Clarke atuou como superintendente da obra missionária da Índia.

Durante 1906 foram também enviados à Índia o Sr. Samuel D. Casberg, a Srta. Jessie W. Lively e o Rev. e a Sra. G. G. Edwards. O Sr. Casberg partiu em 7 de janeiro; o Rev. e a Sra. Edwards, em 27 de janeiro; e a Srta. Lively, em 4 de dezembro de 1906. Depois de trabalhar cerca de dois anos no campo estrangeiro, o Sr. Casberg casou-se com a Srta. Lively. Nas suas respectivas esferas, ambos foram obreiros eficientes, e juntos têm trabalhado com diligência e fidelidade desde então.

A permanência do Sr. e da Sra. Edwards no campo foi de curta duração. Trabalharam principalmente na obra evangelística e, durante um ano, estiveram à frente do Orfanato de Meninos e Escola Industrial. Ao fim desse tempo, por razões válidas, julgou-se melhor que voltassem para casa.

Obteve-se para a Índia uma missionária corajosa e valiosa com a aceitação de Gertrude Alcorn em 1906. Ela já estava na Índia, tendo ido com os Grupos de Pentecostes em novembro de 1905. Por causa de certa desmoralização entre eles, pela falta de supervisão adequada, a sua relação com os Grupos de Pentecostes no campo missionário não era de todo satisfatória, e por isso ela se ofereceu à junta metodista livre e foi aceita. Atualmente está na terra natal para tratar da saúde, onde se submeteu a uma operação cirúrgica crítica, mas espera recuperar a saúde de costume e voltar ao campo.

A Srta. Mata D. Allee foi aceita pela junta e nomeada para a Índia no outono de 1907, mas, como o clima do país pôs a sua saúde à prova muito severamente, foi necessário que o seu período de trabalho na Índia fosse breve. Ela era, sob outros aspectos, bem qualificada para a obra no estrangeiro, e a sua volta forçada foi uma decidida decepção para ela e uma grande perda para a obra.

Durante os anos de 1907 a 1910, foram aceitos seis missionários para o campo da Índia. Foram os seguintes: Edith M. Santee, que partiu em 2 de novembro de 1907; o Sr. e a Sra. Herbert M. Damon, que partiram de Nova York em 5 de novembro de 1909; a Srta. Louise D. Calkins, que acompanhou o Sr. e a Sra. Damon; Fred G. Mynett, ex-soldado do exército britânico na Índia, aceito pela junta em experiência em 20 de outubro de 1909; e Abraham Lind, que foi enviado à Índia como soldado britânico em 1903, foi graciosamente convertido e batizado com o Espírito Santo enquanto estava no exército e, depois de terminado o seu tempo de serviço, ofereceu-se à obra missionária metodista livre e foi aceito em 19 de outubro de 1910.

O Sr. e a Sra. Damon tinham ensinado dois anos para o governo dos Estados Unidos nas Ilhas Filipinas, logo antes de partirem como missionários; e o Sr. Lind era judeu convertido, formado num instituto hebraico de teologia judaica e bom linguista, como se vê pelo fato de ter adquirido o inglês, o alemão, o latim, o grego, cinco línguas semíticas e sete línguas indianas. Depois de estar algum tempo com a junta metodista livre, porém, ficou descontente, retirou-se e dedicou-se a uma obra missionária independente na Índia.

Desde 1910, mais cinco missionários foram enviados ao campo da Índia: as Srtas. Ella Becker, de Indianápolis, Indiana; Elizabeth Moreland, de Brooklyn, Nova York; e Lorena Marston, de Seattle, Washington; e o Sr. e a Sra. Clyde C. Foreman, de Warren, Pensilvânia. Todos foram aceitos pela Junta Geral de Missões na sua reunião anual de outubro de 1913 e partiram de Nova York em 9 de dezembro seguinte. Por causa da saúde abalada da Sra. Foreman, eles tiveram de voltar no outono de 1914. O acréscimo mais recente à lista dos missionários da Índia foi a Srta. Effie G. Cowherd, recebida dos Grupos de Pentecostes no outono de 1914. Ela já estava no campo, trabalhando na obra missionária com os Grupos.

ÁFRICA

Em 25 de abril de 1885, o Rev. W. W. Kelley e a Sra. Augusta Tullis Kelley, o Sr. e a Sra. Robert Shemeld e G. Harry Agnew partiram de Nova York para a África, nomeados pela Junta Geral de Missões. Chegaram a Durban, na África do Sul, no começo de junho, onde o Sr. e a Sra. Shemeld se separaram do resto do grupo, foram para o interior, até Estcourt, e começaram uma missão conhecida como Missão Betânia. Os outros três subiram pela costa leste até Inhambane e fundaram ali uma missão, que se manteve constantemente desde então.

Inhambane mostrou-se uma região muito insalubre, e o efeito do clima foi tal sobre o Rev. e a Sra. Kelley que, em menos de um ano, tiveram de voltar à América ou morrer no campo. Voltaram, portanto, deixando sozinho o Sr. Agnew, então um moço de apenas vinte e um anos. Ele ficou ali quatro anos antes de voltar à terra natal. Durante esse tempo suportou provas severas e grandes privações, tendo acomodações muito primitivas para viver e estando sem a comunhão e a ajuda de ninguém da sua própria igreja.

[N. do T.: Inhambane fica no atual Moçambique, então colônia portuguesa. O original indica a pronúncia do nome para leitores de língua inglesa.]

Voltou para casa pela primeira vez em janeiro de 1889. Em julho de 1890 foi de novo para o campo estrangeiro. Voltou à América de novo em setembro de 1894 e assistiu à Conferência Geral de outubro daquele ano, em Greenville, Illinois. Ficou neste país só alguns meses e depois voltou à África. Cerca de três semanas depois de voltar à África, casou-se com a Srta. Susie Sherman, que trabalhava sob outros auspícios, na Estação Missionária de Fair View, em Natal. Pouco depois do casamento foram para a obra de Inhambane. A sua vida de casados foi breve, porém, morrendo a Sra. Agnew de febre africana em 17 de dezembro seguinte.

Em 30 de abril de 1888, pouco mais de nove meses antes da primeira volta do Sr. Agnew à América, o Rev. e a Sra. J. D. Bennett, o Sr. e a Sra. A. D. Lincoln, a Srta. F. Grace Allen e a Srta. Ida Heffner chegaram à África, enviados pela junta como reforço.

O que fora antes um entreposto comercial francês, num lugar chamado Malahisi, a cerca de dezesseis milhas de Komeni (os dois lugares eram estações missionárias na região de Inhambane), foi então comprado, e a família Bennett e as Srtas. Allen e Heffner mudaram-se para lá e tomaram posse imediatamente, enquanto o Sr. e a Sra. Lincoln e o filho ficaram com o Sr. Agnew, em Komeni.

Foi uma mudança encantadora para o Sr. Agnew, “um oásis num deserto”, como ele disse. Por algum tempo tudo correu agradavelmente, e o Sr. Agnew, depois de tanto tempo de vida solitária de solteiro, considerava os privilégios da comunhão cristã que agora gozava “quase bons demais para serem verdade”. Achou o Sr. e a Sra. Lincoln companheiros agradáveis de convívio e de trabalho e registra o prazer que tinham em contar e comparar experiências. Diz particularmente que a Sra. Lincoln era “um verdadeiro soldado, que nunca se queixava e amava o trabalho pioneiro”.2

Pouco tempo depois, porém, ocorreram mudanças que deixaram o Sr. Agnew sozinho mais uma vez no “continente africano”. A Sra. Lincoln deu à luz uma criança, que logo morreu. Poucos dias depois a mãe também morreu. Mais tarde ainda o Sr. Lincoln, desejando levar a sua filhinha adotiva à América, para ser posta no Lar Industrial para Crianças de T. B. Arnold, em Chicago, Illinois, segundo um desejo que a esposa manifestara, partiu com ela. Quando chegou à Missão Betânia, em Estcourt, Natal, a febre africana, de que sofria antes de partir, voltou e foi fatal. Então os membros restantes do grupo recém-chegado passaram por algum tempo para a Junta Americana de Comissários para Missões Estrangeiras.

Nenhum deles deixou a igreja da sua escolha, mas, por causa de um mal-entendido, os fundos da junta em casa deixaram de chegar, e todos os envolvidos julgaram melhor aceitar uma abertura que parecia providencial. O Sr. e a Sra. Bennett e a Srta. Heffner foram para uma estação em Makodweni, enquanto a Srta. Allen ficou algum tempo com o Sr. e a Sra. Richards em Mongwe, estações ambas ao norte de Inhambane.

O Sr. Agnew continuou a trabalhar em Inhambane durante cerca de doze anos. Então, tendo estado tanto tempo naquele clima insalubre, pareceu melhor que mudasse, e assim, em 1897, foi para o Transvaal e se dedicou principalmente ao trabalho em Joanesburgo. Em 3 de maio de 1897, casou-se com a Srta. Lillie A. Smith, moça dedicada que trabalhava como missionária em Natal havia mais de três anos. Logo foram para Joanesburgo. Ele ainda tinha Inhambane no coração, porém, e fez também repetidas viagens para lá para visitar e supervisionar a obra. Três vezes, durante o seu trabalho na África, fez a pé a viagem da baía de Delagoa a Inhambane, através de uma região selvagem. Da primeira vez foi sozinho; da segunda, acompanhado de Peter Magumbeni, um rapaz muchopi convertido; e na terceira viagem foi acompanhado de um Sr. Baker, advogado de Joanesburgo, que queria visitar a região dos bachopis, pois pensava empreender ali, no futuro, uma obra missionária ele mesmo. O trabalho do Sr. Agnew em Joanesburgo foi principalmente entre os africanos nativos de várias partes do país que vinham ali trabalhar nas minas de ouro. Os seus esforços foram recompensados com frutos muito animadores, e em resultado a igreja tem ali duas casas de missão, com um acre e meio de terra, tudo avaliado em 3.000 dólares.

[N. do T.: os “bachopis” (singular “muchopi”) são o povo chope, do sul de Moçambique.]

Durante cerca de dois anos e meio da guerra anglo-bôer, ele achou necessário suspender as operações em Joanesburgo. Durante esse tempo foi para Natal e ajudou na obra ali. Mostrou-se especialmente útil na abertura de uma nova estação em Ebenezer, obra que ainda se mantém, num lugar chamado Itemba, a duas milhas e meia de Ebenezer. No fim da guerra voltou a Joanesburgo, onde encontrou a propriedade da missão ainda intacta, e onde continuou a supervisionar a obra de Joanesburgo e a de Inhambane. Em todos os seus dezoito anos na África, voltou para casa só duas vezes. Planejara, porém, voltar para casa com a família a tempo de assistir à Conferência Geral de 1903, pretendendo também ficar o bastante para publicar um pequeno livro com um relato do seu trabalho pioneiro na África do Sul; mas, quase às vésperas da partida para a América, foi acometido do que se mostrou febre hematúrica, e em 9 de março de 1903 morreu, deixando, além da esposa, dois filhos, Susie e Harry. A esposa e os filhos vieram para a América, mas ela acabou voltando à África, onde se dedicou à obra missionária e conseguiu dar boa educação aos filhos. Segundo o secretário de missões, “o maior avivamento em qualquer estação da África foi dado em ligação com o trabalho da Sra. Agnew em Fair View”.

A Srta. Heffner, uma das que formaram o grupo enviado para reforçar o Sr. Agnew em 1888, depois da volta dos Kelley e da morte dos Lincoln, comprometeu-se, junto com a Srta. Allen, com a Junta Americana e continuou a serviço dela enquanto ficou na África. Trabalhou sob os auspícios da Igreja Metodista Livre até que o grupo foi disperso pela doença e pela morte, um período de cerca de sete meses. Continuou a trabalhar sob a Junta Americana quase quatro anos e meio, depois do que voltou à América para ficar, e a sua relação com a Junta de Missões metodista livre foi encerrada.

A Srta. Allen trabalhou três meses com os missionários metodistas livres em Inhambane, depois do que ensinou numa escola de meninos e meninas para a Junta Americana durante um ano, de modo que ficou em Inhambane cerca de quinze meses. Em 1889 foi para Natal, mas, como a Junta de Missões metodista livre não tinha ali nenhuma missão onde ela pudesse ficar, retomou o trabalho escolar sob a Junta Americana, em Inanda, onde ensinou num seminário para moças nativas durante dois anos. Em 1891 foi para a Estação Missionária de Fair View, onde tem trabalhado desde então, com fidelidade e heroísmo, sob a Junta Geral de Missões da Igreja Metodista Livre. Por algum tempo esteve à frente da escola da estação, mas em 1897 organizou a Escola de Meninas de Fair View, que dirige desde então e cujas alunas, em 1914, eram 360. “De todos os nossos missionários na África, a Srta. Allen é a que está há mais tempo no campo, e o seu trabalho abnegado e o seu serviço fiel são muito apreciados lá e na terra natal.”3

O Rev. e a Sra. Bennett trabalharam cerca de dois anos sob a Junta de Missões metodista livre antes de passarem para a Junta Americana, com a qual ficaram cerca de um ano e oito meses. Depois voltaram à América. Isso foi no outono de 1893. Continuaram a sua relação com a junta até março de 1899, quando a sua renúncia, apresentada antes, foi aceita. Ele voltou por fim ao trabalho pastoral na Conferência do Leste de Michigan, onde morreu de repente, de paralisia, enquanto dirigia uma reunião de avivamento. A sua oração, tantas vezes repetida, de morrer em serviço foi atendida.

O Rev. e a Sra. A. D. Noyes foram enviados, acompanhados da Srta. Mary E. Carpenter, à Libéria, na África Ocidental, em setembro de 1885. À Srta. Carpenter não foi permitido trabalhar muito tempo no campo missionário. O grupo de missionários chegou à África no Dia de Ação de Graças. No Natal seguinte ela adoeceu de febre africana e, no domingo, 3 de janeiro de 1886, partiu para a sua recompensa no céu. Era mulher de caráter muito estimável, muito amada pelos que a conheciam. Por que foi tirada tão cedo do campo de trabalho a que consagrara todas as suas capacidades tem de ficar entre os mistérios não resolvidos.

O Sr. e a Sra. Noyes voltaram à América no começo de 1886 e foram depois enviados pela junta para trabalhar em Natal, em novembro de 1887. Trabalharam sob a junta só dez semanas e, durante esse tempo, estiveram com o Sr. Shemeld na Estação Missionária de Betânia, em vez de em Natal. Como a junta deixou de mandar os meios necessários para o seu sustento, comprometeram-se a trabalhar sob a Junta Americana e continuaram a seu serviço durante três anos. Retomaram o trabalho sob a junta metodista livre, porém, em 1º de dezembro de 1890, e continuaram a seu serviço até o outono de 1898. Ele esteve em casa, porém, por pouco tempo no outono de 1895, para assistir à reunião anual da Junta Geral de Missões. Nessa reunião chegou-se a um acordo entre ele e a junta para a transferência da propriedade da Missão de Fair View para a junta. Ele chegou à América em 7 de outubro e partiu de volta para a África em 9 de novembro seguinte.

O Sr. e a Sra. Noyes ficaram em Fair View até 31 de agosto de 1898. Então voltaram à América e deixaram de trabalhar sob a Junta Geral de Missões. Enquanto estiveram na África, os seus serviços tiveram muito valor para a igreja, particularmente porque obtiveram 2.300 acres de terra muito valiosa em Fair View, que ele transferiu para a Junta Geral de Missões e que é hoje a sede geral da obra metodista livre na África.

Em 1892 a junta aceitou e enviou à África mais quatro missionários. Foram o Rev. J. J. Haviland, o Sr. Frank L. Desh e as Srtas. Emma Hillmon e Rose Myers. Esse grupo partiu de Nova York e chegou em maio de 1892. Em outubro do mesmo ano, J. J. Haviland e Emma Hillmon se casaram em Estcourt, Natal. Depois do casamento ficaram na Missão Betânia, em Estcourt, até que a propriedade ali foi vendida. Então foram para Inhambane, em 13 de junho de 1895, onde ficaram até a morte do Sr. Haviland, em 18 de março de 1897, justamente quando se preparavam para voltar à América. Poucos dias depois da morte dele, a Sra. Haviland, com os dois filhos, partiu para a terra natal. Enquanto estiveram na África, os Haviland foram missionários diligentes e fiéis, e a morte repentina dele foi um golpe severo para a obra em que estava tão ardentemente empenhado. Foi um golpe especialmente desnorteante e esmagador para a Sra. Haviland. Depois de voltar à América, ela trabalhou, conforme a saúde e os cuidados da família permitiam, viajando e falando sobre missões em favor da obra no estrangeiro, sob a direção da junta. Continuou a sua relação com a junta até a reunião anual de outubro de 1900.

Frank L. Desh e Rose Myers se casaram na capela de Fair View em 4 de julho de 1892. Em 7 de novembro do mesmo ano partiram dali para o campo de Inhambane. A sua permanência em Inhambane foi de curta duração, porém, e depois voltaram para Natal. Dedicaram-se a um trabalho de missão de resgate contra a orientação da junta, o que resultou no seu desligamento por esse corpo.

De acordo com uma decisão anterior da Junta de Missões que lho pedia, o secretário de missões visitou a África na primavera de 1898 para cuidar dos interesses da obra, ficando cerca de seis meses. Foi a primeira vez que um membro da junta visitou algum dos campos missionários estrangeiros. A junta manifestou depois muita satisfação com os resultados dessa visita. A obra de Joanesburgo foi aberta em grande parte como resultado da visita dele ali.

O grupo seguinte enviado à África foi formado pelo Rev. e a Sra. J. P. Brodhead e pela Srta. Lucy A. Hartman. Partiram de Nova York em 6 de abril de 1898 e chegaram a Durban em 15 de maio seguinte. O Sr. Brodhead fora membro da Conferência do Centro de Illinois, e a Sra. Brodhead, professora de arte no Greenville College. Depois, porém, ele transferiu a sua condição de membro para a Conferência de Pittsburgh, onde continuou a trabalhar até ser aceito como missionário para a África. Ao chegar à África, o Sr. Brodhead recebeu a superintendência da obra em Natal, cargo que continuou a ocupar até a organização da Conferência Missionária da África do Sul. Durante o primeiro ano depois da formação da Conferência, foi presbítero de distrito de toda a obra. Trabalhou incansavelmente pela ampliação da obra, e com excelentes resultados. No cumprimento dos seus numerosos deveres esteve sujeito a provas e privações que afetaram a sua saúde, e por isso ele e a Sra. Brodhead receberam uma licença.

Quando foram para a África, tinham duas filhinhas, que decidiram deixar com a mãe e a irmã da Sra. Brodhead. Essas parentes cuidaram delas dois anos. Então a mãe, com setenta e sete anos, e a irmã, a Srta. Hattie Sanford, foram para a África e levaram as crianças aos pais. Ficaram também na África até que o Sr. e a Sra. Brodhead voltaram em licença, na primavera de 1907. A “mãe Sanford” completou oitenta e quatro anos na viagem de volta, um dia depois que o navio cruzou o equador. Durante os seus sete anos na África teve excelente saúde, e tanto ela como a filha prestaram muito serviço valioso em favor da obra missionária.

Quando os Brodhead voltaram, trouxeram consigo uma moça nativa, Elizabeth Nombango Zelemu, que ficou na América e frequentou a escola por algum tempo, e depois voltou à África, onde desde então trabalha como professora na Escola de Meninas de Fair View.

O Sr. e a Sra. Brodhead voltaram à África perto do fim de 1909. Na volta, ele abriu uma nova estação na Pondolândia e uma no Griqualand Oriental. Depois abriu também a obra na Estação Missionária de Critchlow, na Pondolândia, e ainda está à frente dela. Atuou também como presbítero de distrito do Distrito da Costa e serve atualmente na mesma função no Distrito da Pondolândia. Uma das suas principais qualificações para o trabalho na África tem sido uma aptidão natural para lidar com os nativos. A sua esposa tem sido uma apoiadora verdadeira e leal da obra.

A Srta. Hartman ficou onze anos na África antes de voltar para casa em licença. Então ficou na terra natal menos de um ano e meio e voltou de novo ao campo, acompanhada da sua amiga, a Srta. Maud Cretors, da Igreja Menonita. O trabalho da Srta. Hartman na África tem sido principalmente evangelístico e limitado sobretudo às Estações Missionárias de Ebenezer e Itemba, embora tenha passado algum tempo ensinando. Foi a primeira mulher admitida à ordenação num campo estrangeiro. Com ajuda nativa construiu uma capela sem nenhuma despesa para a junta. O campo do seu trabalho atual é Itemba. Deus abençoou a sua obra e a fez muito frutífera.

Outro grupo foi enviado na primavera de 1902, formado por Nathanael B. Smith e esposa, Carroll Smith, J. W. Haley e as Srtas. Margaret A. Nickel e Rosa D. Hunter. Nathanael B. Smith e a esposa trabalharam no campo cerca de três anos, quando, por causa da saúde debilitada dele, foi necessário voltarem, e pouco depois renunciaram à sua relação com a junta. Ele já morreu.

Carroll Smith e a Srta. Hunter se casaram em 25 de março de 1903. Logo depois do casamento foram para Joanesburgo, para preencher as vagas deixadas ali pela morte de Harry Agnew e pela licença da sua viúva. Depois passaram vários anos na Estação Missionária de Greenville, na Pondolândia, onde fizeram um trabalho escolar bem-sucedido junto com o restante do trabalho da estação. Mais tarde ainda foram mandados de novo para Inhambane, onde fortes ataques de febre os obrigaram a voltar à América. Chegaram à terra natal em junho de 1910, depois de dedicar oito anos à obra missionária da África. Voltaram ao campo estrangeiro em 3 de fevereiro de 1912, e a Conferência o nomeou presbítero do Distrito de Inhambane e pregador responsável pela Missão Memorial Roberts, tendo a esposa como associada.

A. E. Haley, Nellie Reed e Jennie Hamilton chegaram à África no começo de 1905.

J. W. Haley e Jennie Hamilton foram casados pelo Rev. J. P. Brodhead em 15 de março de 1905. Formaram um par forte para a obra missionária. Ele sempre esteve em alta conta entre os missionários e foi dos mais bem-sucedidos. Ela se mostrou especialmente corajosa, tendo feito certa vez uma viagem de 200 milhas para o interior com o marido e a filhinha, atravessando uma região onde nunca se vira uma mulher branca. Os seus anos de trabalho, na maior parte na insalubre região de Inhambane, abalaram tanto a saúde do Sr. Haley que tornaram necessária a sua volta aos Estados Unidos na primavera de 1909. Estão agora na América, mas esperam voltar ao campo.

O Dr. W. A. Backenstoe foi enviado como missionário médico em novembro de 1903. A esposa o acompanhou, embora só tenha sido aceita pela junta como missionária depois de chegar ao campo. Embora plenamente habilitado para a prática da medicina neste país, ele descobriu que a lei inglesa, que vigorava na África do Sul, não permitia aos formados pelas escolas de medicina da América praticar sem ter obtido diploma diretamente de alguma escola de medicina inglesa reconhecida. Pôde prestar, e prestou, muito serviço médico gratuito e mostrou prontidão para adaptar-se às várias circunstâncias e condições ligadas à obra no estrangeiro. A esposa mostrou-se auxiliar eficiente na obra missionária, e ambos conquistaram a boa vontade tanto dos missionários como da população nativa. Voltaram para casa em 1911 e, no outono de 1913, foram para Edimburgo, na Escócia, onde ele vem fazendo desde então um curso de estudos com o fim de habilitar-se a praticar a medicina segundo a lei inglesa quando voltarem ao campo.

Em 1903 foram enviados Jules Ryff e a esposa. Partiram de Nova York naquele outono. Ele foi uma vez secretário e várias vezes presidente da Conferência Missionária da África do Sul desde a sua organização, e serviu também no cargo de presbítero de distrito. Têm sido missionários valiosos, e o seu trabalho é muito apreciado pelos outros missionários e pelos que não têm ligação com a obra missionária.

A Srta. Reed partiu para o campo estrangeiro em janeiro de 1905. A maior parte do seu tempo, desde que chegou à África, foi passada ensinando na Escola e Lar de Meninas de Fair View, em associação com a Srta. Allen. O trabalho missionário dos Juniores começou ligado à ida da Srta. Reed, e ela foi a primeira missionária sustentada com fundos levantados pelos Juniores. Está atualmente na América, mas espera voltar logo à África.

Em dezembro de 1905, o Sr. e a Sra. W. S. Woods foram enviados à África com o fim de cuidar da grande extensão de terra ligada à Estação Missionária de Fair View. Ofereceram-se à junta em resposta a um pedido de tal ajuda publicado no Free Methodist. Mostraram-se exatamente as pessoas necessárias para cuidar dos bens temporais da obra ali, além de serem de muita ajuda na parte espiritual da obra.

Em 1905, o bispo W. A. Sellew foi enviado para visitar e inspecionar a obra missionária na África, na Índia, na China e no Japão, e foi instruído pela Comissão Executiva a organizar a obra da África numa Conferência Missionária, se a seu juízo parecesse madura para tal passo. Assim, a Conferência Missionária da África do Sul foi organizada na Estação Missionária de Fair View, em Natal, em 11 de outubro de 1905. Os pregadores em plena conexão eram J. P. Brodhead, J. W. Haley, Jules Ryff, Carroll Smith e A. E. Haley. Os delegados leigos eram F. Grace Allen, Lucy A. Hartman e Margaret A. Nickel. Jules Ryff foi escolhido secretário.

A obra foi agrupada nos Distritos da Costa, do Interior, de Joanesburgo e de Inhambane, e J. P. Brodhead foi posto como presbítero de distrito dos quatro. Havia dez nomeações, além de catorze estações no Distrito de Inhambane atendidas por evangelistas nativos. Informaram-se treze evangelistas nativos ligados às outras nomeações. O Dr. W. A. Backenstoe foi recebido na Conferência em experiência.

O bispo passou quase quinze meses nesses vários campos, a maior parte na África, cerca de três meses na Índia e o restante na China e no Japão. Os resultados dessa viagem foram considerados muito favoráveis pela junta.

Desde a formação da Conferência da África do Sul, a obra naquele país tem estado principalmente sob o controle da Conferência, e a sua administração tem sido bem diferente do que era antes. Damos abaixo parte das estatísticas da obra da África de 1907 e de 1914, pelas quais se podem ver os ganhos e as perdas de sete anos de administração da Conferência:

1907 1914
Número total de estações principais 7 8
Número total de postos avançados 72 74
Número total de missionários americanos 24 24
Membros em plena conexão 342 659
Membros em experiência 223 458
Total de membros 565 1.117
Número total de aderentes 585 740
Nativos que recebem instrução regular 3.045 3.950
Meninos (não órfãos) sustentados no ano 115 153
Meninas (não órfãs) sustentadas no ano 72 96
Total de órfãos sustentados 187 249
Número de escolas dominicais 23 14
Número de alunos 1.053 750
Número de escolas de aldeia e diurnas 24 51
Número de alunos 685 1.115
Quantia recebida pelos missionários de todas as fontes 2.403 dólares 500 dólares
Templos pertencentes às estações 17 37
Prédios escolares pertencentes às estações 3 43
Acres de terra pertencentes às estações 4.211 4.184
Valor da terra 42.640 dólares 55.925 dólares
Valor dos prédios e bens móveis 18.550 dólares 32.700 dólares
Valor de todos os bens das estações 61.690 dólares 88.625 dólares

Pelo exposto se verá que, embora tenha havido ganho bem perceptível em vários sentidos durante os sete anos de administração da Conferência, houve também algumas perdas materiais, ou aparentes. No todo, porém, houve ganho mais constante do que parece, pois em vários casos o aparente declínio indicado pelos números se deve a mudanças no campo que não significam necessariamente declínio, mas antes economia na administração. Mudanças nas leis portuguesas causaram um declínio nas escolas dominicais.

Desde que se organizou a Conferência, mais onze missionários foram enviados ao campo. A Srta. Maggie LaBarr partiu de Nova York para a África em dezembro de 1906, em companhia de G. D. Schlosser e da Srta. Matilda Deyo. Ocupou-se principalmente como professora na Escola de Meninas de Fair View e na Escola de Meninos de Edwaleni. Fez também algum trabalho evangelístico. Voltou à América em setembro de 1913, onde ainda está.

O Rev. Newton Baxter Ghormley e a esposa partiram em novembro de 1907. Desde que chegaram, estão à frente da Escola de Formação de Edwaleni, em Natal, na qual têm trabalhado com diligência e eficiência, e boa parte do tempo em circunstâncias muito desanimadoras. O trabalho particular da instituição que dirigem é o de formar moços nativos para o trabalho evangelístico. Mais recentemente acrescentou-se um departamento de trabalhos manuais, tendo o governo feito uma concessão para ajudar nesse trabalho. Faltava-lhes um auxiliar adequado nesse departamento até que a junta enviou James S. Rice e a esposa, que é enfermeira, em novembro de 1913. O Sr. Rice estava bem qualificado para professor de trabalhos manuais, formado pelo Mechanics Institute de Rochester, Nova York. O trabalho desde então tem corrido com harmonia e êxito.

A Srta. Ethel A. Cook foi aceita pelos diretores da Junta Geral de Missões em março de 1907 e foi para o campo no outono seguinte. Trabalhou parte do tempo em que ficou no campo em Natal, depois passou algum tempo na Pondolândia, e em seguida foi posta em Inhambane, onde continuou a trabalhar até que, em 1909, por causa de um completo esgotamento nervoso, foi obrigada a voltar para casa. Foi missionária fiel, muito apreciada pelos companheiros de trabalho no campo, e ficou muito aflita por ter de voltar à América. O seu estado de saúde abalado continuou tanto tempo que ela enviou a sua renúncia, aceita em 13 de outubro de 1913.

O Rev. e a Sra. G. G. Kessel foram aceitos pela Junta de Missões em 18 de junho de 1907. Esperava-se que partissem com o Rev. e a Sra. Ghormley. O Sr. Kessel fora pastor e presbítero de distrito durante alguns anos nas Conferências do Oeste do Kansas e da Califórnia antes de se oferecer à junta, e ambos eram bem instruídos e qualificados sob outros aspectos para o campo estrangeiro. A Srta. Luella Newton e os dois filhos deles, John e Edward, os acompanharam à África. Foram providencialmente impedidos de ir com os Ghormley, e por isso só deixaram este país em maio de 1908. O Sr. Kessel tem sido pastor parte do tempo em que está no campo estrangeiro, e parte do tempo serviu como presbítero de distrito. Considerando a idade que tinha quando foi, teve êxito admirável em dominar a língua nativa e tem sido um modelo de ousadia para muitos dos homens mais jovens. A esposa também tem sido uma auxiliar valiosa para ele na obra. A Srta. Newton entrou nas fileiras missionárias em 1910.

Em junho de 1907, o Rev. e a Sra. August M. Anderson foram aceitos para o campo da África, e eles e os Kessel partiram juntos. A Sra. Anderson é filha do falecido Rev. C. M. Damon. Foram nomeados para a Estação Missionária de Greenville, na Pondolândia, onde o seu trabalho foi muito bem aceito. Ainda estão à frente dessa obra. Têm sido zelosos e corajosos e enfrentaram muitas provas severas.

A força missionária da África foi ainda aumentada em 1910 com o envio do Sr. e da Sra. Elbert E. Wells. Foram mandados para Inhambane como seu campo de trabalho. Ao chegar à África, foram primeiro para Fair View, onde passaram várias semanas com os missionários dali. Depois foram para Modderfontein, no Transvaal, onde ficaram vários meses estudando a língua antes de seguir para Inhambane. Depois de chegar ao seu destino final, mostraram-se fiéis ao encargo que lhes foi confiado, mas não puderam ficar ali continuamente, e assim o seu trabalho se dividiu entre Inhambane e Germiston, no Transvaal. Pelas últimas notícias, a saúde da Sra. Wells estava tão abalada que parecia provável que logo voltassem à América.

Em 25 de janeiro de 1913, a Srta. Ida B. Rice partiu de Nova York para a África, indo sozinha. Chegou a Durban em 7 de março. A Conferência da África do Sul a nomeou para Inhambane, na costa leste, onde tem trabalhado desde então com boa aceitação.

A obra metodista livre na África tem tido muito êxito, consideradas todas as coisas.

Notas do autor

  1. Artigo “My Mother” (Minha mãe), de Benson Howard Roberts, mestre em artes, no Free Methodist de 17 de março de 1908. ↩
  2. G. Harry Agnew, A Pioneer Missionary, págs. 121-122. ↩
  3. Winget, Missions and Missionaries, pág. 20. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.