História da Igreja Metodista Livre · Volume II · Capítulo XXI
O êxito alcançado pela Igreja Metodista Livre deve ser medido não só pelos seus próprios números estatísticos, pelo seu equipamento material e pelo seu desenvolvimento espiritual, mas também pelo bem que realizou, incidentalmente ou não, fora dos limites da própria organização. Seria impossível a qualquer pessoa reunir todos os fatos históricos necessários para mostrar a plena extensão dessa influência e, ainda que pudessem ser reunidos, seria preciso para expô-los muito mais espaço do que o autor tem à sua disposição.
O máximo que se pode tentar aqui, portanto, é apresentar alguns casos típicos que ilustrem o assunto e algumas observações gerais sobre o alcance da influência da igreja além dos limites da sua própria comunhão durante o meio século e pouco da sua existência denominacional.
1. A influência da Igreja Metodista Livre como agência evangelizadora tem sido nitidamente marcante em relação ao “Movimento de Santidade” geral do país. Ela foi a primeira igreja caracteristicamente de santidade organizada nos Estados Unidos. A santidade, ou inteira santificação como segunda obra da graça, alcançável nesta vida e obrigatória para todos os crentes, foi a verdadeira questão nas antigas dificuldades da Conferência de Genesee que levaram por fim à expulsão de Roberts, McCreery, Stiles e outros de destaque na formação da Igreja Metodista Livre; e, um pouco depois, à exclusão em massa de membros leigos pelo processo de “lê-los fora”. Se o metodismo tivesse permanecido fiel aos seus padrões e à sua profissão original, excomunhões assim, por uma causa assim, teriam sido impossíveis. Se a maioria dos seus representantes na Conferência Geral de 1860 estivesse em simpatia com a obra da santidade como definida acima, e como ensinada por John Wesley, não se pode razoavelmente duvidar de que teriam acolhido as apelações e concedido a reparação que mais de mil e quinhentos leigos inteligentes e espirituais da Igreja Metodista Episcopal pediram. Nesse caso não teria havido necessidade da nova organização, e a Igreja Metodista Livre não teria vindo a existir.
Quando a nova igreja se tornou uma necessidade, para que os excluídos da igreja-mãe e os que por fim foram obrigados a se retirar dela por motivo de consciência tivessem um lar eclesiástico adequado, e também para preservar o metodismo na sua simplicidade e pureza originais, os que contribuíram para formá-la cuidaram bem de que uma declaração doutrinária sobre a inteira santificação, que incorporasse os ensinos de John Wesley e fosse formulada nos termos mais explícitos, tivesse o seu lugar entre os Artigos de Fé. Tanto quanto o autor pôde apurar, essa foi a primeira entidade organizada de cristãos no continente a se declarar assim explicitamente no seu credo sobre o assunto.
Com a sua atitude assim definidamente expressa, e com o seu objetivo declarado de espalhar a santidade bíblica por estas terras, ela também exigiu que os candidatos a membros plenos estivessem gozando daquele perfeito amor que lança fora o medo (1Jo 4.18) ou prometessem buscá-lo diligentemente até alcançá-lo. Essas coisas mostram que a santidade foi a ideia central e dominante na fundação da organização. Isso foi muito antes de existir qualquer das hoje numerosas “Associações de Santidade”: sete anos antes da organização da Associação Nacional de Santidade, que é a mais antiga de todas, e muitos anos antes da fundação de qualquer das igrejas “de santidade” de hoje.
Além disso, quando a Igreja Metodista Livre foi organizada, o Earnest Christian, editado e publicado por B. T. Roberts, era a única publicação deste país dedicada explicitamente a promover a obra da santidade, com exceção de uma, o Guide to Holiness. Até 1909, quando a sua publicação foi interrompida, continuou a dar fielmente testemunho da doutrina e da experiência da plena salvação, e com eficácia, como milhares na terra e no céu podem testemunhar.
Desde o começo da história metodista livre, os seus pregadores todos se comprometeram a trabalhar ao máximo pela promoção da santidade, no sentido caracteristicamente técnico do termo, e os cultos comuns da igreja, como também todas as suas reuniões evangelísticas mais gerais, deram igual destaque à obra da plena salvação.
Em vista dos fatos acima, deve ser evidente para qualquer mente sem preconceito que a Igreja Metodista Livre foi pioneira do hoje amplamente difundido Movimento de Santidade do país, e mãe desse movimento nos seus múltiplos desdobramentos.
Mas outro aspecto em que a sua influência em relação à obra da santidade se tem manifestado, embora indiretamente, é a sua repercussão sobre a Igreja Metodista Episcopal. Numa reunião campal metodista livre em Rahway, Nova Jersey, há alguns anos, o Rev. William B. Osborne, da Igreja Metodista Episcopal, e durante muitos anos figura de destaque na sua obra missionária na Índia, esteve presente na festa de amor do domingo de manhã e, ao dar o seu testemunho, disse: “Vim de cinquenta milhas para assistir a esta reunião a fim de agradecer aos metodistas livres o privilégio que tenho de pregar a santidade na Igreja Metodista Episcopal. Quero que vocês, metodistas livres, continuem exatamente como estão fazendo, ainda que nunca vejam uma só alma convertida diretamente em resultado do seu trabalho; pois vocês estão fazendo uma grande obra na nossa igreja, e também em outras igrejas. Vocês tornam possível que tomemos uma posição por Deus e pela justiça que de outro modo não poderíamos tomar.” Esse irmão, dizendo as suas convicções sinceras, expressou uma grande verdade que ilustra a influência dos metodistas livres como povo além dos limites da sua própria comunhão.
2. A influência da Igreja Metodista Livre como corpo de testemunho e como agência evangelizadora também tem sido marcante na sua relação com a espiritualidade das outras igrejas em geral. A última parte do testemunho do Rev. Sr. Osborne, citado acima, também vem a propósito aqui: “Vocês estão fazendo uma grande obra * * * também em outras igrejas.” A espiritualidade dos metodistas livres em geral, como também a sua posição intransigente e radical por toda espécie de retidão, é notada pelas pessoas imparciais de outras igrejas em todas as partes do país onde são conhecidos, e geralmente em termos de aprovação e de reconhecimento da influência benéfica do seu trabalho. Mesmo onde, como ainda acontece em alguns casos, outras igrejas lhes negam comunhão e se opõem a eles, o próprio fundamento e caráter dessa oposição são um testemunho da sua influência no sentido de perturbar o formalismo e tornar a situação geralmente desconfortável para os professos falsos e superficiais da religião.
Um digno ministro presbiteriano fez, há alguns anos, em substância, a seguinte declaração ao Rev. William Manning, da Conferência de Genesee: “Sr. Manning, o seu povo não deve medir a extensão do bem que está fazendo pelos resultados vistos na sua própria denominação. Vocês estão exercendo uma influência muito saudável sobre as outras igrejas com que entram em contato. Represento uma igreja que geralmente é vista como bem diferente do seu povo, e no entanto estou certo de que a influência da Igreja Metodista Livre muito tem feito para avivar a espiritualidade na Igreja Presbiteriana onde quer que as duas entidades tenham entrado em contato.”
Sentimentos como os citados nos parágrafos acima têm sido expressos com frequência por representantes de outras denominações que são competentes para julgar e de cuja sinceridade nessas declarações não pode haver dúvida razoável.
3. Além disso, a influência da Igreja Metodista Livre pode ser rastreada além dos limites da sua própria comunhão em relação a certos outros movimentos evangelísticos que abençoaram o nosso e outros países. É fato histórico que o falecido Dwight L. Moody foi instruído sobre o batismo com o Espírito Santo por duas mulheres metodistas livres de Chicago e, sob a orientação delas, foi levado a buscar e obter essa experiência. Ele trabalhava com grande empenho na obra da Associação Cristã de Moços da cidade, mas sem os resultados marcantes que acompanharam os seus esforços depois. As mulheres eram bem-vindas às suas reuniões de Companheiros de Jugo, cultos de temperança, reuniões do meio-dia etc. Entre as que frequentavam estavam a “Tia Cooke”, como há muito é chamada familiarmente, e a Sra. Hawxhurst. Tinham profundo interesse por Moody e costumavam ficar depois do culto para falar com ele sobre assuntos de experiência, e particularmente para insistir com ele sobre a importância de buscar o batismo com o Espírito. Também passaram por grande agonia de alma orando por ele, para que recebesse o seu Pentecostes; e o autor sentou-se ao lado dele em Buffalo e o ouviu contar a milhares como examinou as Escrituras sobre o assunto que aquelas “mulheres de vestes simples e rosto radiante” vinham insistindo com ele, até que, plenamente convencido de que a doutrina era bíblica e de que o batismo era para ele, pôs-se de joelhos no seu quarto em Nova York, resolvido a nunca se levantar até receber o Consolador prometido. Ao concluir o relato, disse, em substância: “Todo o êxito que acompanhou os meus trabalhos evangelísticos deveu-se ao batismo com o Espírito que recebi então.”
Também é verdade, embora não se saiba geralmente, que Jerry McAuley e a sua grande obra na Missão da Water Street foram em grande parte produtos do metodismo livre. O Rev. J. S. Bradbrook, de Binghamton, Nova York, que foi redator do jornal de McAuley publicado no interesse da missão, estava provavelmente tão bem informado quanto qualquer pessoa no país sobre os fatos da experiência religiosa de McAuley e também sobre a Missão da Water Street sob a sua direção.
Ele deu um relato interessante da conversão de Jerry McAuley por meio de Samuel Irwin; da sua restauração pelos esforços do “Irmão Little”, outro metodista livre; da conversão de Samuel H. Hadley e do trabalho deste último. Parece também, pelo que escreveu, que, pela sua ligação com o trabalho da Missão da Water Street, os metodistas livres tiveram indiretamente certa influência em dar caráter espiritual à organização do Exército de Salvação.
A versão do Sr. Bradbrook sobre essas coisas é a seguinte:
Mais ou menos na época em que o Irmão Sam Irwin se uniu a nós, ele foi com Orville “Terrível” Gardner à prisão de Sing Sing para conversar com os presos. Orville tinha se convertido pouco antes numa cidadezinha acima da cidade de Nova York, aonde fora encontrar a esposa, tendo acabado de cumprir pena na Ilha Blackwell por quebrar o queixo de um homem com um soco.
Jerry McAuley estava presente na fila, cumprindo pena de quinze anos por pirataria no rio, e converteu-se logo depois da visita deles, em resultado da conversa. (Fontes: Jerry, Sam e o próprio “Terrível” Gardner, quando foram meus hóspedes em Dover por alguns meses.)
Jerry uniu-se à Igreja Metodista Episcopal da Norfolk Street depois de ser solto de Sing Sing, mas ficou tão desgostoso com o que viu ali que abandonou tudo e voltou à bebida e à pirataria no rio como antes.
Um homem chamado Little, metodista livre, segundo me informaram o Irmão Irwin e outros, trabalhava como missionário nos cortiços e tinha uma pequena missão própria. Ele foi atrás de Jerry noite e dia, seguindo-o nos bares, nas ruas etc. Jerry fugia dele quando podia. Finalmente, a conselho dos seus companheiros, certa noite, cheio de uísque, foi atrás de Little e, conseguindo entrar na sala da missão depois do horário das reuniões, pôs-se a “dar-lhe uma surra” e acabar de vez com a interferência de Little na sua própria corrida temerária para a ruína. O plano era bom e poderia ter funcionado à perfeição, não fosse uma coisa, a saber: Little era o homem mais forte, e depois de alguns momentos, com a perda de alguns bancos de madeira estilhaçados, Jerry estava preso ao chão; e quando Little perguntou: “Agora, Jerry, você vai sossegar?”, Jerry respondeu com muita relutância: “Que mais eu posso fazer, Little? Pois é, agora você me sossegou.”
[N. do T.: no original a resposta de Jerry reproduz o sotaque irlandês dele.]
Little o levou para o andar de cima, deu-lhe de comer, pô-lo numa boa cama e foi tão bondoso com ele que Jerry se quebrantou e recomeçou, desta vez para ficar. O próprio Jerry foi quem me contou isso; e sempre chamava Little de “aquele missionário metodista livre”.
Jerry começou a sua missão da Water Street, mas nesse meio-tempo tinha sido animado e ajudado por vários metodistas livres de Nova York. Teve como primeiros auxiliares o Irmão e a Irmã Frank Smith, da classe metodista livre de Brockport, Nova York, que lhe deram ajuda valente e de fato formaram e moldaram a firmeza de regra e de caráter cristão que depois fez dele o sucesso que se tornou.
Durante a sua vida de missão, os peregrinos de Nova York [metodistas livres] * * * formaram grande parte dos seus obreiros ativos nas reuniões da missão. Os peregrinos do Brooklyn [metodistas livres] e os nossos metodistas livres alemães eram auxiliares regulares, e as suas orações, testemunhos e seriedade davam tom e profundidade às reuniões, compensando o trabalho superficial que se podia esperar dos professos mundanos que eram atraídos à missão e participavam dos exercícios.
As moças da Irmã [Jane] Dunning ajudaram muito ali, e duas delas ficaram muito ligadas àquele trabalho, a saber: as Irmãs Pangborn e Sherwood, sendo esta última a “Mãe Sherwood”, que foi o principal esteio de Hadley e foi sepultada a partir da Missão da Water Street com grande pranto e um funeral bem público. [Retratos dessas mulheres, com homenagens à sua memória, encontram-se no livro de Hadley, Down in Water Street.]
O Irmão Joseph Mackey e o Irmão Irwin de fato tiveram tanto (se não mais) a ver com a conversão de Samuel H. Hadley e a sua perseverança na vida cristã quanto o próprio Jerry; pois Jerry se opunha a ele abertamente e por algum tempo se recusou a deixá-lo falar nos cultos públicos, mesmo depois de Hadley ter apelado aos curadores da Missão Cremorne * * * pedindo apoio. Mackey e Irwin frequentaram durante anos os cultos de Jerry, especialmente na Missão Cremorne, raramente faltando a um culto; e Mackey deu muitos dólares.
Fui redator do jornal de Jerry McAuley desde o primeiro número e continuei até o segundo ano, assistindo a todas as reuniões ali e ajudando de outras maneiras; metodista livre também.
Quanto à influência dos metodistas livres em dar caráter espiritual à organização do Exército de Salvação, o Sr. Bradbrook escreve:
O Sr. John B. Gough me contou que voltou da sua viagem a Londres com o Sr. William Noble, colaborador de notável capacidade e destaque na Inglaterra na causa da temperança. Noble ficou tão tomado pelos testemunhos claros daqueles homens e mulheres redimidos (na Missão da Water Street) e pela dedicação do Irmão e da Irmã Smith que declarou ao Sr. John B. Gough: “Nunca mais farei conferências sobre temperança enquanto viver. Não vamos longe o bastante. Voltarei imediatamente a Londres e, alugando o grande Music Hall, abrirei reuniões exatamente como estas e as manterei até morrer.”
Assim fez, e teve muito êxito. Até aqui a minha informação foi confirmada, pois Jerry também me mencionou a mesma coisa com frequência. O Sr. Gough deu uma ou duas conferências na missão em benefício da obra, e eu reportei a sua palestra e tive várias conversas com ele ao lhe submeter as provas de impressão; e foi numa dessas ocasiões que ele falou do assunto. O fato, se verdadeiro, é de muita importância, pois faz do trabalho feito por Jerry e com ele pelos metodistas livres o meio pelo qual o Exército de Salvação tomou a direção e a linha de trabalho que desde então espantaram o mundo. Esta é a declaração de Jerry:
“As reuniões no grande Music Hall dirigidas pelo Sr. Noble atraíram muita atenção dos obreiros religiosos de Londres e também de toda a Inglaterra. Entre outros atraídos para ouvir e ver o novo movimento pela redenção das ‘classes submersas’ estavam William e Catherine Booth, então ocupados na obra cristã entre os pobres de Londres. Eles se inspiraram ali, como Noble se contagiara na missão de Jerry, e os Booth declararam, como Noble antes deles: ‘Esta é a linha. É exatamente isto o que procurávamos’, ou palavras nesse sentido; e a atual linha de trabalho e organização do Exército de Salvação seguiu exatamente as linhas metodistas livres, como eles as ensinaram primeiro a Jerry, depois Jerry a Noble, depois Noble aos Booth.”
Outro fato que ilustra esta parte do nosso assunto: anos atrás o autor assistiu a uma reunião campal metodista livre em Ridgeville, Ohio, e na tarde do segundo domingo pregou sobre “A segunda vinda de Cristo”. A assistência era muito grande, e houve muita liberdade na entrega da mensagem. A atenção foi quase perfeita, e no fim uma grande bênção repousou sobre o povo de Deus. A reunião campal terminou, e o autor foi para a sua casa no Estado de Nova York, sem saber que o seu trabalho tivesse dado algum fruto particular.
Passaram-se vários anos, e um dia um desconhecido bateu à sua porta e perguntou: “O Rev. Sr. H. mora aqui?” Ao ouvir que sim, disse em substância: “O senhor não me conhece, mas eu o conheço. O meu nome é Fuller. Fui ministro congregacional no Estado de Ohio. Há vários anos ouvi o senhor pregar um sermão sobre ‘A vinda do Senhor’ numa tarde de domingo, numa reunião campal em Ridgeville, Ohio. Foi o primeiro sermão que ouvi sobre esse assunto. Ele me fez pensar e estudar, levou-me a novas compreensões da Escritura e resultou na renovação da minha consagração a Deus e no meu chamado para a obra missionária no estrangeiro; e nos últimos seis anos eu e minha esposa temos trabalhado na Índia sob os auspícios da Aliança Cristã. Estou voltando para casa em licença e parei aqui para lhe agradecer a pregação daquele sermão na reunião campal de Ridgeville.”
Esse homem era o Rev. M. B. Fuller, que durante muitos anos tem sido um dos principais representantes da Aliança Cristã na sua obra na Índia, e cuja primeira esposa, de preciosa memória, escreveu o livro The Wrongs of Indian Womanhood (As injustiças contra a mulher indiana). O Sr. Fuller é hoje redator do India Alliance.
Outra obra filantrópica e evangelística muito ajudada e influenciada por obreiros metodistas livres foi a conhecida Missão Providência, da cidade de Nova York. Essa instituição, organizada principalmente para assistir os doentes e os pobres, estava sob a supervisão do Dr. Sabine, médico cristão de disposição filantrópica, que deu muito para a sua manutenção e se dedicou pessoalmente ao trabalho durante muitos anos. Os seus principais obreiros eram escolhidos na Igreja Metodista Livre, segundo ele afirmava, por causa da sua espiritualidade e eficiência superiores. A Sra. Jane Dunning foi por muito tempo o seu principal apoio, e Lida Dunning Lamont e Jennie Pierce estavam também entre as suas auxiliares mais confiáveis e estimadas. O trabalho dessa missão tornou-se bem famoso, e reconhecia-se que o seu caráter e eficácia se deviam em grande parte à influência dos obreiros escolhidos entre o povo metodista livre.
4. Na sua atitude em relação às reformas, a Igreja Metodista Livre também fez sentir de modo destacado a sua influência além dos limites da sua própria comunhão. Sempre esteve nas primeiras fileiras das forças reformadoras. Organizada numa época em que a reforma antiescravagista chegava ao auge, tinha entre as suas Regras Gerais uma que proibia “comprar, vender ou possuir um ser humano como escravo”. Daquele dia em diante, o metodismo livre dedicou-se sempre ativamente à abolição da escravidão, até que se selou para sempre a sentença daquela “soma de todas as vilanias”.
Em relação à reforma da temperança e à proibição do comércio de bebidas, a sua atitude sempre foi igualmente radical e ativa. Os principais defensores dessa reforma, na tribuna, na imprensa e nas suas conversas particulares, declaram unanimemente que, onde quer que encontrem um metodista livre, têm certeza de encontrar um amigo prestativo da causa, e reconhecem que a atitude desse povo como organização é uma ajuda poderosa ao trabalho em que estão empenhados. A influência das suas mulheres em ligação com a União Cristã Feminina de Temperança merece menção especial neste ponto. São dedicadas, intransigentes e fiéis ao máximo da sua capacidade, e o caráter saudável da sua influência é geralmente reconhecido.
Os reformadores contrários às sociedades secretas também encontraram neste povo aliados fortes e confiáveis onde quer que os tenham encontrado. Na verdade, eles são pioneiros nesta reforma, no que se refere à atitude da igreja sobre o assunto; e, até onde o autor sabe, são praticamente o único povo que não transigiu nem recuou em algum grau da sua posição original sobre o assunto.
Além disso, a atitude dos metodistas livres quanto aos bancos gratuitos nas igrejas, ao canto congregacional, à simplicidade e modéstia no vestir, e a sua constante e universal campanha sobre esses assuntos, estiveram entre as forças que produziram mudanças notáveis à nossa volta nesses vários aspectos. Admite-se que a campanha nem sempre foi feita com sabedoria; e que obra de reforma, ou mesmo de reavivamento religioso, jamais foi levada adiante sem nenhuma quebra da lei da sabedoria e da conveniência? Mas, apesar de todos os erros cometidos por homens e mulheres zelosos demais e pouco equilibrados, a influência da igreja como um todo tem sido ampla e benéfica quanto a essas coisas. O sistema de bancos alugados e o monopólio do canto nos cultos das igrejas pelos seus coros, que eram regra quase universal há cinquenta anos, em grande parte caíram em desuso, enquanto a modéstia e a simplicidade no vestir, especialmente entre os obreiros cristãos e os representantes da causa da santidade, se tornaram muito mais comuns. Não é mais do que razoável supor que a atitude e o exemplo deste povo estiveram entre as influências que produziram essas mudanças.
5. Finalmente, a Igreja Metodista Livre exerceu em grau não pequeno influências benéficas além dos seus limites denominacionais por meio do trabalho feito nas suas várias escolas. Por nenhuma outra agência isolada a influência de uma igreja se torna mais universal do que por meio das suas instituições de ensino. Embora essas escolas sejam denominacionais quanto à propriedade e à administração, estão, com todos os seus benefícios, abertas a representantes de todas as denominações e são frequentadas por eles.
No Greenville College, enquanto o autor era presidente, havia entre os alunos, e como internos na família da faculdade, metodistas, batistas, presbiterianos, discípulos de Cristo, menonitas, episcopais e católicos romanos, além de muitos que vinham de famílias sem nenhuma confissão religiosa particular. Esses alunos frequentavam regularmente o culto doméstico, os cultos na capela e o culto de domingo de manhã na Igreja Metodista Livre. Não se poupou esforço para fazer de todos eles cristãos firmes, embora não se interferisse na questão das suas várias filiações denominacionais. Alguns deles se tornaram por fim metodistas livres, mas muitos não. Dos que não se tornaram, muitos foram grandemente beneficiados de várias maneiras e saíram, sob a inspiração dos ideais recebidos na faculdade, para trabalhar em vários campos pela elevação da humanidade.
Condições semelhantes têm prevalecido em todas as escolas da igreja. Em resultado, há ministros do evangelho, missionários, professores e homens e mulheres ocupados em numerosos outros tipos de trabalho filantrópico, em quase todas as partes do mundo, que receberam o seu preparo educacional, e a maior parte, se não toda, da sua qualificação espiritual, numa ou mais dessas várias escolas. Na Índia, na África, na China, no Japão, na Pérsia, no Ceilão, em São Domingos e, de fato, em quase todos os países do globo, a influência dessas instituições de ensino pulsa constantemente por meio do trabalho dos seus ex-alunos que não são membros da Igreja Metodista Livre, nas áreas religiosa, educacional e filantrópica. Quem pode avaliar a influência da igreja além dos limites da sua própria comunhão exercida só por meio dessa agência?
A igreja devia ter exercido uma influência muito mais ampla e poderosa sobre a nação e o mundo do que exerceu; no entanto, quando nos lembramos da pequenez do seu começo, do caráter limitado dos seus recursos, da concorrência zelosa e muitas vezes injusta que teve de enfrentar e da oposição quase universal que encontrou durante muitos anos, e que de modo algum terminou ainda, quando olhamos o que se alcançou à luz dessas coisas, certamente temos razão para exclamar: “Que coisas tem feito Deus!” (Nm 23.23).
Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.