Aula 1 de 11A Escatologia de John Wesley

O Reino já e ainda não: por onde começa a escatologia de Wesley

“Porque o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.”Romanos 14.17 · NAA

Bispo Ildo MelloLeitura prévia: Rm 14.17; Lc 17.20-21; Mc 1.15; Sl 90.1-12; Hb 11.1; 2Co 4.16-18

Como ler esta aula. As palavras de Wesley aparecem como links sublinhados em laranja, seguidos da referência convencional entre parênteses (sermão e parágrafo, ou livro e versículo das Notas); o link abre a obra neste site no trecho exato. Os blocos marcados Síntese do curso trazem a leitura e a avaliação do curso; os marcados Nota do editor, esclarecimentos e fontes.

Para começar

Por que estudar a escatologia de John Wesley?

O que acontece quando morremos? Cristo voltará antes ou depois de um período de tribulação? Haverá um reinado de mil anos sobre a terra? O que Wesley pensava sobre tudo isso, e por que tanta gente o cita para defender posições opostas?

Escatologia é a parte da teologia que trata das últimas coisas: a morte, o estado dos que morreram, a volta de Cristo, a ressurreição, o julgamento, o destino final dos justos e dos ímpios e a renovação da criação. Nenhum outro assunto da fé cristã produz tantas conversas acaloradas, tantos gráficos e tantas datas. E poucos assuntos são tão pouco estudados nas fontes.

Este curso tem um propósito simples: ler John Wesley em John Wesley. Os 141 sermões, as Notas sobre toda a Bíblia, o Diário e as Cartas estão publicados neste site, em português. Cada afirmação que fizermos sobre o que ele ensinou vem acompanhada de um link que leva ao trecho exato da obra. Você não precisa confiar no resumo de ninguém, nem no meu. Pode conferir.

Há três razões para começar por Wesley. A primeira é de família: ele é o pai da tradição metodista, e a Igreja Metodista Livre se entende como herdeira do seu ensino. A segunda é de honestidade: o nome dele é invocado por pré-milenistas, pós-milenistas e amilenistas, e é justo perguntar o que ele mesmo escreveu. A terceira é pastoral: a escatologia de Wesley não foi feita para alimentar curiosidade sobre o calendário de Deus, e sim para produzir santidade, esperança e urgência missionária. Foi assim que ele a pregou, e é assim que queremos aprendê-la.

Como usar os links desta aula. Os links destacados em laranja abrem a obra de Wesley no site e rolam até a frase citada. Nas Notas, o link cai na nota do versículo; nos sermões, no parágrafo. Se o navegador não destacar o trecho, use a busca da página (Ctrl+F ou Cmd+F) com as palavras da citação.

O que ler

Onde Wesley fala das últimas coisas

Wesley nunca escreveu um tratado de escatologia. O que ele pensava está espalhado por sermões, notas de rodapé, entradas de diário e cartas. Por isso o primeiro passo é conhecer o mapa.

1

Os sermões

Aqui está o núcleo. Sermão 15, O grande julgamento foi pregado diante de juízes, num tribunal, e apresenta a sequência inteira: sinais, trombeta, ressurreição, comparecimento de todos diante de Cristo e renovação da criação. Sermão 112, O Rico e Lázaro e Sermão 122, Sobre a Fé tratam do estado depois da morte. Sermão 73, Do inferno trata do castigo dos ímpios; Sermão 60, A libertação geral e Sermão 64, A nova criação, da renovação do mundo; Sermão 137, Sobre a Ressurreição dos Mortos, da ressurreição do corpo; Sermão 4, O cristianismo bíblico e Sermão 63, A difusão geral do evangelho, da esperança de que o evangelho encha a terra. Sermão 54, Sobre a eternidade é a meditação que sustenta tudo o mais.

2

As Notas sobre a Bíblia

Nas Notas sobre o Novo Testamento, Wesley comenta versículo por versículo os textos que toda discussão escatológica precisa enfrentar: Mateus 24 e 25, 1Coríntios 15, 1Tessalonicenses 4 e 5, 2Tessalonicenses 2, 2Pedro 3 e Apocalipse 20. Nas notas sobre o Apocalipse ele também reproduz cálculos de datas de um comentarista do seu tempo, que ele mesmo tratou com reserva, como se vê na nota sobre Apocalipse 20.2: o perigo não está em sustentar que os mil anos ainda virão, mas em interpretá-los em sentido grosseiro e carnalNotas, Ap 20.2. Este curso deixa esses cálculos de lado.

3

O Diário e as Cartas

No Diário aparecem as ocasiões em que ele pregou sobre Apocalipse 20, o sepultamento da mãe, Susana Wesley, e a leitura de livros sobre o fim do mundo. Nas Cartas, escritas a amigos e discípulos, a esperança do céu aparece sem polêmica, no tom de quem consola. Ambos ajudam a ver como a doutrina virava vida.

4

Os hinos de Charles Wesley

O irmão cantou o que John pregou. O hino Eis que ele vem, descendo com as nuvensHymns of Intercession, 1758, de 1758, é a expressão mais conhecida da esperança dos dois irmãos na volta visível de Cristo. Vamos usá-lo quando tratarmos da segunda vinda e da tribulação.

Uma advertência que atravessa o curso inteiro vem do editor destes sermões, na apresentação do Sermão 15: Wesley inclui conjecturas pessoais sobre a duração e o local do julgamento, e essas especulações devem ser distinguidas do ensino bíblico central que ele procura ressaltarSermão 15. Vamos fazer exatamente isso em cada aula: separar o que Wesley afirma como ensino bíblico daquilo que ele mesmo apresenta como suposição.

Apresentação do Sermão 15, O grande julgamento

O centro

O Reino de Deus já começou

A escatologia de Wesley não começa no fim. Começa no coração convertido. Para ele, a vida eterna não é apenas o que vem depois da morte: é o que Deus começa a fazer agora em quem crê.

No Sermão 7, sobre Romanos 14.17, Wesley define o Reino de Deus como a verdadeira religião, que não consiste em ritos, opiniões corretas nem obras exteriores, mas em justiça, paz e alegria no Espírito Santo. Ele então explica por que a Escritura chama isso de Reino dos Céus: porque, em certa medida, é o céu aberto dentro da almaSermão 7, I.12. E acrescenta um verso que resume a sua visão: A vida eterna já começouSermão 7, I.12; a glória, na terra, despontou. Quem tem o Filho tem a vida (1Jo 5.12), e a vida eterna é conhecer o Deus verdadeiro e Jesus Cristo (Jo 17.3).

As Notas dizem o mesmo com precisão de comentarista. Sobre Mateus 3.2, Wesley explica que Reino dos Céus e Reino de Deus são a mesma coisa e significam não apenas um futuro estado de felicidade no céu, mas um estado a ser desfrutado na terraNotas, Mt 3.2. A expressão às vezes indica o estado presente, às vezes o estado de glória, mas geralmente inclui ambosNotas, Mt 3.2. Sobre Lucas 17.21, o Reino não deve ser procurado em tempos distantes ou lugares remotos: ele chegou, está presente na alma de cada verdadeiro crenteNotas, Lc 17.21. E sobre João 3.36, quem crê no Filho tem a vida eterna, e já a tem: pois ama a Deus, e o amor é a essência do céuNotas, Jo 3.36.

Ainda não

O que o crente espera

A ressurreição do corpo, o julgamento diante de Cristo, a glória e a criação renovada. Na nota sobre o Pai-Nosso, Wesley ora para que o reino da graça encha a humanidade de santidade e felicidade, até ser transportada daqui para o teu reino de glóriaNotas, Mt 6.10.

Esse é o eixo do curso. Wesley pensa a escatologia como a consumação de algo que já começou. Por isso ele consegue falar do julgamento e do inferno com seriedade sem cair no terror, e falar do céu sem tirar os pés do chão: para ele, tudo o que o fim promete já foi provado, em parte, por quem foi justificado e nasceu de novo. Por isso também ele pode dizer, no Sermão 15, que dentro de pouco tempo todos compareceremos diante do tribunal de CristoSermão 15, §2, e, no Sermão 64, que a Escritura aponta para a restauração universal, que há de suceder à destruição universalSermão 64, §7.

O horizonte

Viver com a eternidade diante dos olhos

Se há uma frase que explica a urgência de Wesley, é esta, do Sermão 54: um ponto de tempo decide para onde vamos. Ele pregou, viajou e escreveu com a eternidade à vista.

No Sermão 54, sobre o Salmo 90.2, Wesley tenta dar à mente humana alguma noção do que não cabe nela. Ele compara a eternidade ao espaço sem limites e diz de si mesmo: um ponto de tempo, o espaço de um momento, me leva àquele lugar celeste ou me encerra no infernoSermão 54, §5. Depois vem a imagem que ficou famosa: suponha uma bola de areia tão grande quanto o globo terrestreSermão 54, §10 e imagine que um grão dela seja aniquilado a cada mil anos; o tempo necessário para a bola inteira desaparecer é infinitamente menor que a eternidade.

Duas coisas nesse sermão precisam ficar claras desde a primeira aula. Primeira: a eternidade infeliz nunca é decretada por Deus. Wesley diz que os espíritos imortais que a experimentam a escolheram, pois é impossível que esta seja a sorte de qualquer criatura senão pelo seu próprio ato e decisãoSermão 54, §14. Ele até põe na boca de cada alma, no último dia, a confissão de que nenhum terrível decreto de Deus selou ou fixou a sorte imutável de ninguémSermão 54, §14. Segunda: o remédio para a cegueira humana em relação ao que está distante tem nome. Este remédio é a féSermão 54, §16. É a fé, no sentido de Hebreus 11.1, que abre os olhos para o mundo invisível; por ela, o crente vive na eternidade e anda na eternidadeSermão 54, §17.

O mesmo tema volta no Sermão 110, com uma frase que serve de definição: a função da fé começa onde termina a função dos sentidosSermão 110, §4. Os sentidos nos dão o mundo visível; a fé nos dá o invisível e o eterno. E no Sermão 121 ele desenvolve a comparação do Salmo 73.20, mostrando que existe grande semelhança entre a vida humana e um sonhoSermão 121, §2: acordamos dela na eternidade.

Sermões 110 e 121

Nas cartas, o tom é o de quem consola. À sobrinha Sarah, que sofria uma decepção, ele escreve em 1781 que é bom para ela ter visto a aflição e ter sido frustrada na sua esperançaCartas sobre a esperança do céu, porque tudo o que nos desprende das coisas passageiras e nos ensina a viver na eternidade é uma bênção. Não é frieza. É o modo como um pastor que já enterrou muitos amigos aprendeu a olhar para a vida.

Como Wesley lê a profecia

Escritura interpretada pela Escritura, com sobriedade

Wesley tem convicções firmes sobre as últimas coisas e, ao mesmo tempo, uma cautela rara. As duas atitudes convivem, e o curso precisa das duas.

A regra hermenêutica está dita no Sermão 64: ir tão longe quanto a revelação permite, interpretando a Escritura pela Escritura, segundo a analogia da féSermão 64, §2. A analogia da fé é o princípio de que a Escritura inteira governa a leitura de cada parte (Rm 12.6). Um versículo difícil de Apocalipse não pode derrubar o que os evangelhos e as cartas ensinam com clareza sobre a volta de Cristo, a ressurreição e o juízo. Esse princípio vai reaparecer nas aulas sobre o milênio e sobre o arrebatamento.

A cautela aparece toda vez que ele chega ao limite do que a Bíblia diz. No Sermão 15, sobre o lugar do julgamento, ele admite que não possuímos uma declaração explícita das EscriturasSermão 15, II.3. Sobre a transformação da matéria no fim, escreve: não podemos afirmar nem negar isso agora; saberemos depoisSermão 15, III.4. Nas Notas sobre Atos 1.7, os tempos e as épocas ficaram reservados ao Pai, para serem revelados quando e a quem lhe aprouverNotas, At 1.7. E na nota sobre Apocalipse 20.3, diante das imagens da prisão de Satanás, pergunta: até que ponto tomá-las literalmente, até que ponto apenas figuradamente, quem pode dizer?Notas, Ap 20.3

O que ele afirma sem hesitar

Cristo voltará visivelmente; todos ressuscitarão; todos comparecerão diante do tribunal de Cristo; a criação será renovada; o destino de cada um é decidido nesta vida; o tempo de se arrepender é agora.

O que ele trata como conjectura

A duração e o lugar do julgamento; a natureza do fogo que transformará os elementos; os detalhes do estado intermediário; e, sobretudo, os cálculos de datas do Apocalipse que ele reproduziu de um comentarista do seu tempo, inclusive o ano de 1836 para o cumprimento de certas profecias (nota sobre Apocalipse 10.6: do ano 800 até 1836Notas, Ap 10.6).

Essa última conjectura merece uma palavra honesta. O ano de 1836 chegou e passou, e nada do que fora calculado aconteceu. Wesley não inventou a data, mas a repetiu. Isso não o desqualifica; mostra apenas que até um mestre pode se apoiar demais em um comentarista brilhante. A lição é dupla: aprender com a sobriedade de Wesley, não com a aritmética alheia, e lembrar que ele mesmo escreveu, sobre o milênio, que o perigo não está em sustentar que os mil anos ainda virão, mas em interpretá-los em sentido grosseiro e carnalNotas, Ap 20.2. Na apresentação das Notas sobre o Apocalipse, o editor deste site registra que Wesley reconhece a dificuldade singular do livro e recomenda humildade ao interpretá-loNotas, apresentação do Apocalipse. É o espírito com que vamos ler.

O caminho

As onze aulas, em ordem

O curso segue a ordem das últimas coisas, da morte à nova criação, com duas paradas para conversar com os sistemas escatológicos de hoje.

Aula 1

O Reino já e ainda não

Fontes, método e o eixo da escatologia de Wesley.

Aula 2

A morte e o paraíso

O estado intermediário: paraíso, Hades e a ausência de purgatório.

Aula 3

Ele vem

A volta visível de Cristo, os sinais e a sobriedade quanto a datas.

Aula 4

Mateus 24 nas Notas

Jerusalém, a grande tribulação e o fim do mundo no discurso do monte das Oliveiras.

Aula 5

Arrebatamento e tribulação

Por que Wesley é pós-tribulacionista, e por que não podia ser outra coisa.

Aula 6

A ressurreição do corpo

Uma só ressurreição, de justos e ímpios, na vinda de Cristo.

Aula 7

O grande julgamento

O Sermão 15 e as Notas: um só juízo, de toda a humanidade.

Aula 8

O Reino de Deus

A natureza e a expansão do Reino na era presente, a esperança de Wesley na expansão do evangelho e o seu realismo.

Aula 9

Wesley e os sistemas

Pré-milenismo, dispensacionalismo, pós-milenismo e amilenismo diante dos textos.

Aula 10

A nova criação

Os novos céus e a nova terra nos Sermões 60 e 64.

Aula 11

Viver à luz do fim

Mordomia, vigilância e a morte de Wesley: a escatologia que vira vida.

Para hoje

O que muda quando o fim entra na conversa

Wesley não estudava as últimas coisas para saber mais. Estudava para viver melhor. Três consequências práticas já cabem nesta primeira aula.

1

A esperança começa hoje

Se a vida eterna já começou em quem crê, a pergunta mais urgente não é quando Cristo volta, e sim se o Reino de Deus, justiça, paz e alegria no Espírito Santo, já se estabeleceu no seu coração. Wesley termina o Sermão 7 dizendo que o Reino está próximo de cada ouvinte, e o caminho é um só: arrepender-se e crer no evangelho (Mc 1.15).

2

Sobriedade sem indiferença

Podemos falar da volta de Cristo com convicção e, ao mesmo tempo, recusar datas, mapas e certezas que a Bíblia não dá. As duas coisas não se anulam. Wesley pregou sobre o julgamento diante de um tribunal cheio e, no mesmo sermão, disse não saber onde ele acontecerá.

3

Leia antes de rotular

Antes de dizer que Wesley era isto ou aquilo, leia o que ele escreveu. É o exercício deste curso, e vale para qualquer autor. Os links estão aí para isso.

Para levar da aula. Uma frase para guardar: a fé faz o crente viver na eternidade e andar na eternidade (Sermão 54). Uma pergunta para carregar durante a semana: em que decisão desta semana a eternidade ainda não entrou?

Fixação

Cartões de memorização

Toque no cartão para ver o outro lado. Bom para revisar antes da avaliação.

Avaliação

Teste o que você aprendeu

Seis questões, com nota ao final. Cada alternativa traz um comentário assim que você escolhe.

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Para pensar e conversar

Perguntas para reflexão

Uma pergunta para dentro e outra para a conversa com quem pensa diferente. Cada uma traz uma resposta sugerida.

Wesley diz que o crente vive na eternidade e anda na eternidade. O que isso mudaria concretamente na sua semana?Ver resposta sugerida

Comece pelo lado prático, que é o de Wesley. Ele não está pedindo que pensemos no céu o dia inteiro, e sim que as decisões da semana sejam tomadas com o fim à vista: como gastamos o dinheiro, como tratamos quem nos ofende, que conversas alimentamos, quanto tempo damos à oração e à Palavra.

Um exercício simples: liste três decisões que você vai tomar nos próximos dias e pergunte, diante de cada uma, se ela ficaria diferente caso Cristo voltasse na semana seguinte. Onde a resposta for sim, você encontrou o lugar em que a eternidade ainda não entrou.

E note o que Wesley recusa: o medo como motor. A fé que vê o invisível produz sobriedade e alegria, não pânico. Quem vive na eternidade não corre atrás de datas; corre atrás de santidade.

Um irmão da igreja diz que estudar escatologia só divide o povo de Deus e que é melhor deixar o assunto de lado. Como responder com mansidão?Ver resposta sugerida

Primeiro, reconheça o que há de verdadeiro na queixa. O assunto divide mesmo, e muita gente já foi ferida por brigas sobre datas e gráficos. Não adianta negar a experiência dele.

Depois, mostre que a Bíblia não deixa o assunto de lado. A volta de Cristo, a ressurreição e o juízo estão no Credo Apostólico e em quase todos os livros do Novo Testamento (1Ts 4.13-18; 2Pe 3.11-14; Ap 22.20). O que divide não é a doutrina, é o modo de tratá-la.

Por fim, ofereça o exemplo de Wesley como caminho do meio: convicção firme sobre o que a Escritura afirma e humildade sobre o que ela não afirma. Convide o irmão a fazer o curso junto. Estudar as fontes com calma costuma unir mais do que separar.

Por que Wesley nunca escreveu uma escatologia sistemática, e o que isso ensina a quem ensina?Ver resposta sugerida

Wesley era um pregador e um pastor de almas antes de ser um teólogo de gabinete. Ele escrevia para responder necessidades reais: um funeral, uma sessão de tribunal, um erro que circulava entre as sociedades, um versículo difícil que precisava de nota. A escatologia dele nasce nessas ocasiões.

Isso ensina duas coisas. A primeira é que uma doutrina não precisa vir em formato de sistema para ser sólida: as convicções de Wesley sobre a volta de Cristo, a ressurreição e o juízo são firmes e coerentes, ainda que espalhadas. A segunda é que a escatologia serve à vida da igreja, e não o contrário. Quando o ensino sobre o fim deixa de produzir santidade, esperança e missão, algo se perdeu no caminho.

Para quem ensina, fica o convite a fazer como ele: partir dos textos, responder às perguntas reais das pessoas e manter a humildade nos pontos em que a Escritura silencia.

O Reino já e ainda não: por onde começa a escatologia de Wesley · Aula 1 de 11 do curso A Escatologia de John Wesley. Todas as citações desta aula levam ao trecho exato das obras de John Wesley publicadas neste site.