História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo IX

Deturpações históricas: os “Documentos Nazaritas” e a ação da Conferência de Genesee

Alegou-se, porém, que existiram “Documentos da União Nazarita”, e levantou-se a pergunta: “A existência de tais ‘Documentos’ não pressupõe a existência de tal organização?” Respondemos: não necessariamente. Todos sabem que é da própria natureza da ficção apresentar os acontecimentos de que trata como se fossem ocorrências reais. Mas ninguém, por isso, a cita como história autêntica. A única aparência de prova apresentada até hoje da existência de uma “União Nazarita”, até onde pudemos descobrir, baseia-se nos escritos de um único homem, as suas cartas pessoais e os seus “Documentos da União Nazarita da Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal”, e na ação da Conferência de Genesee baseada nesses “Documentos”.

Os “Documentos” estão contidos num folheto1 que o Rev. Joseph McCreery leu perante a Conferência de Genesee, da Igreja Metodista Episcopal, em Olean, Nova York, em 1855. Mas McCreery fez questão de declarar com toda a clareza, na ocasião, que ele mesmo constituía “a União Nazarita” e que só ele era responsável por todo o assunto. Outros, que se supunha pertencerem a essa “União”, confirmaram a sua declaração, todos concordando que o assunto inteiro era uma criação da fantasia de McCreery. Além disso, o autor dos “Documentos” afirma praticamente o mesmo no prefácio do seu folheto, quando diz:

Certo folheto publicado em Nova York apresentou os nazaritas como uma sociedade secreta dedicada à propagação de doutrinas. Basta dizer que o seu autor foi enganado pelo seu zeloso correspondente, tanto quanto ao fato como quanto ao propósito dos nazaritas. Até agora é apenas uma simples proposta de voltar às “veredas antigas”.

Assim, o autor do folheto que contém os “Documentos” declara virtualmente que tal sociedade não existia e que “até agora é apenas uma simples proposta de voltar às ‘veredas antigas'”. Não há uma diferença evidente entre “uma simples proposta” e um fato consumado? Não é necessária a prova de que a proposta foi posta em prática para justificar a afirmação categórica da existência de tal sociedade? E o bispo Simpson, ou qualquer um dos vários que escreveram sobre o assunto, apresentou tal prova? Ninguém pode afirmar que sim, porque tal prova não existe.

O fato é que a afirmação de que o metodismo livre se originou numa “União” ou “Organização” nazarita com caráter de sociedade secreta etc. foi feita originalmente sem fundamento e com a intenção de lançar odiosidade e descrédito sobre o novo movimento; e os que depois deram dignidade a essa invenção, incorporando-a a ciclopédias ou histórias, fizeram-no ou por quererem dar à falsidade a maior circulação possível, ou por se deixarem enganar no assunto ao deixarem de investigar o caso como merecia. Nenhuma das alternativas é lisonjeira para tais autores, seja qual for a que eles ou os seus amigos escolham; mas os fatos devem ser conhecidos, sejam quais forem as consequências.

Convém aqui apresentar mais provas de que a suposta “União Nazarita” foi assunto pelo qual um só membro da Conferência de Genesee foi responsável, e que, qualquer que tenha sido a sua intenção, a coisa foi principalmente fictícia e nunca passou de “uma simples proposta”. Na sessão da Conferência realizada em Perry, Nova York, em 1858, Joseph McCreery testemunhou o seguinte:

Escrevi tudo o que se refere ao Bando Nazarita. Escrevi os Documentos. Planejei uma associação e preparei os Documentos prevendo que ela existiria, mas, quando chegamos à Conferência, tínhamos muitos outros assuntos a tratar. Não nos organizamos, e a questão da organização ficou em aberto desde então. Nunca ministrei o voto a ninguém e nunca o fiz eu mesmo, não formalmente. A associação nunca chegou a ser formada na prática; afirmei quase isso no plenário da Conferência de Olean. Afirmei que a coisa toda era provisória e apenas projetada, e que só eu era responsável por todo o assunto. O prefácio do folheto é uma coisa inteiramente imaginária.

Temos aqui o caso exposto com clareza, e pelo próprio homem cuja fantasia concebeu a ideia da “União Nazarita”, mas que nunca fizera formalmente o voto nazarita nem o ministrara a outra pessoa, e que declara “que a coisa toda era provisória e que só ele era responsável por todo o assunto”. Pode-se desejar algo mais claro ou mais definido?

“Mas a Conferência de Genesee não declarou de fato, pelo seu voto, que tal organização ou sociedade existia? E a mesma Conferência não ordenou e conduziu, mais tarde, uma investigação judicial da suposta ‘Organização Nazarita’? E as duas ações acima não constam do livro de atas da Conferência?” A essas perguntas é preciso responder afirmativamente. Tendo respondido que sim, perguntamos: e daí? O registro de uma ação da Conferência mostra apenas que a Conferência tomou tal ação; não pode mostrar se essa ação foi certa ou errada, baseada em fatos ou em ficção.

Na sua História da Conferência Anual de Genesee, o falecido Rev. F. W. Conable, citando o Dr. F. G. Hibbard, diz: “A primeira vez que a Conferência de Genesee entrou em contato formal com o nazaritismo foi na sua sessão em Olean, em 1855. Na primeira sessão tomou-se a seguinte decisão: ‘Resolvido: que todos os papéis em mãos relativos à Sociedade Nazarita sejam agora lidos perante a Conferência.'” Informa-se então que “a leitura dos papéis e as discussões tomaram dois dias”. A decisão final da Conferência naquela ocasião é dada assim:

“Resolvido: Que, embora não duvidemos de que haja muito espaço para melhoria entre nós na religião espiritual e na observância das nossas amadas instituições, lamentamos que, em vista das deficiências que possam existir, e com o propósito declarado de voltar aos primeiros princípios, alguns dos nossos membros se tenham associado, como constatamos que fizeram, sob o nome de ‘Bando Nazarita’, ou outros nomes semelhantes, com algumas formas de segredo e com a pretensão de serem singulares nesse aspecto; e reprovamos tais associações e expressamos aqui a nossa plena expectativa de que ela seja abandonada por todos os membros desta Conferência. Condenamos especialmente, mas com afeto, as expressões caluniosas lidas a respeito da Igreja Metodista e dos seus ministros dentro dos seus limites; e submetemos estas ideias à consideração especial de todos os envolvidos neste assunto e esperamos que, daqui em diante, se conduzam de acordo com elas.”2

Mais tarde, na Conferência de Perry, tendo-se contestado a existência de uma “Organização Nazarita”, o assunto foi investigado judicialmente. Não se poupou esforço para provar a existência de tal organização. A única prova apresentada, porém, foram os “Documentos Nazaritas”, a que já nos referimos. Mas, se os “Documentos” são admissíveis como prova, também o é a declaração do seu autor a respeito deles. Além disso, o seu testemunho sobre esse ponto deveria ter o mesmo peso que os próprios “Documentos”. Mas a sua declaração é que “a coisa toda é uma ficção, preparada e pronta para se tornar fato, quando achássemos conveniente fazê-la tal”; e também que “a coisa toda era provisória e apenas projetada, e só eu sou responsável por todo o assunto”. Nunca chegou o tempo de se materializar aquilo que era inteiramente projetado e provisório, e pelo qual um só homem era responsável; e assim a suposta “Organização Nazarita” nunca veio a existir.

“Mas a ação da Conferência de Olean, citada acima, não é prova de que tal organização existia de fato naquela época?” Sobre esse ponto, citamos de novo Why Another Sect?:

Temos de confessar que não conseguimos entender essa linguagem. Parece absurdo acusar os “nazaritas” de “pretenderem ser singulares” quanto a ter “algumas formas de segredo”. Que homens que durante anos se opuseram às sociedades secretas fossem acusados de fazer tal “pretensão” parece extremamente espantoso. Eles sabiam que havia muitas sociedades que tinham “formas de segredo”.

De modo algum é certo, supondo que esta seja uma cópia fiel do registro, que o registro esteja correto. Conhecemos casos em que secretários tão competentes quanto o que fez aquele registro, sem intenção, ao copiar documentos no livro de atas, cometeram erros que afetaram seriamente o sentido.

Mas, supondo que a cópia e o registro estejam corretos, suponhamos que a Conferência tenha votado como aqui se diz, o seu voto de que um fato existia não prova que ele de fato existisse. Concederemos infalibilidade à Conferência de Genesee, cega pela fúria partidária, quando a negamos ao papa e ao seu concílio geral, agindo com serenidade? O voto nem sequer prova que a Conferência cresse que aquilo que votou fosse verdade. Prova apenas que ela tinha poder para aprovar tal voto, e o aprovou. Essa mesma Conferência de Genesee, na sua sessão em LeRoy, em 1857, votou como fato o que todo homem que votou sabia não ser fato. Fizeram isso no meu julgamento. Com o meu artigo impresso diante deles, votaram que eu disse naquele artigo o que sabiam que eu não disse. Chamei a atenção deles para isso e o tornei tão claro que o mais obtuso não podia deixar de ver.

Que o voto de uma Conferência de que um fato existe não prova a sua existência, mostram-no os registros de um corpo da Igreja Metodista Episcopal muito mais respeitável do que a Conferência de Genesee.

O livro de atas da Conferência Geral realizada em Filadélfia, em maio de 1864, tem o seguinte registro:

“A longa luta sobre a escravidão parece aproximar-se do fim, e sinais nada duvidosos indicam a vontade de Deus e apontam infalivelmente para a destruição de um sistema tão desumano.

“Alegramo-nos por termos estado, desde o princípio, à frente das igrejas americanas na luta contra a escravidão.”

Os homens que votaram essa autocongratulação foram eleitos pelas diversas Conferências para representar a piedade e a sabedoria da igreja. Eram homens acima da média dos pregadores metodistas.

Esses homens devem ter sabido que havia no livro de atas da Conferência Geral, com força de lei, resoluções aprovadas apenas vinte e oito anos antes, que contradizem claramente a pretensão acima de “termos estado, desde o princípio, à frente das igrejas americanas na luta contra a escravidão”.

Duvidamos que algum corpo respeitável já tenha feito maior insulto a um povo que lê.

Copiamos do livro de atas da Conferência Geral da Igreja Metodista Episcopal de 1836:

“Resolvido pelos delegados das Conferências Anuais reunidos em Conferência Geral:

“1. Que desaprovam, no sentido mais absoluto, a conduta de dois membros da Conferência Geral que, segundo se informa, fizeram recentemente nesta cidade conferências sobre o abolicionismo moderno, e a favor dele.

“Resolvido, 2. Que se opõem decididamente ao abolicionismo moderno e negam inteiramente qualquer direito, desejo ou intenção de interferir na relação civil e política entre senhor e escravo, tal como existe nos estados escravagistas desta União.

“Resolvido, 3. Que a comissão nomeada para redigir uma carta pastoral aos nossos pregadores seja instruída, como por esta é instruída, a tratar do assunto do abolicionismo moderno, que tem agitado tão seriamente as diversas partes do nosso país, e a fazer saber aos nossos pregadores, membros e amigos que a Conferência Geral se opõe à agitação desse assunto e usará todos os meios prudentes para suprimi-la.”

Depois de ler a ação dessas duas Conferências Gerais da Igreja Metodista Episcopal, você pode crer que o voto de uma Conferência metodista episcopal prova algo além de que o aprovaram?3

Parece agora que, se o testemunho humano não deve ser inteiramente desacreditado, já se apresentaram provas suficientes para demonstrar conclusivamente a todo leitor imparcial que a suposta “Organização Nazarita” dentro dos limites da Conferência de Genesee, da Igreja Metodista Episcopal, não existiu durante todos os anos daquela agitação que finalmente dividiu a Conferência e resultou na organização da Igreja Metodista Livre; que a coisa toda foi inteiramente fictícia, produto da fantasia de um só homem, pela qual só esse membro da Conferência foi responsável; que a organização da Igreja Metodista Livre não teve ligação, nem direta nem indireta, nem próxima nem remota, com tal organização ou sociedade, e nem poderia ter tido, pela melhor das razões, a saber, porque tal organização ou sociedade nunca existiu; e que as tentativas de certos escritores de fazer parecer que o movimento metodista livre teve a sua origem remota numa sociedade secreta conhecida como “Bando Nazarita” devem ser explicadas por outro motivo que não o desejo de que a história das dificuldades da Conferência de Genesee daquele período fosse escrita com imparcialidade.

A primeira declaração publicada de que se formara uma “Associação Nazarita” dentro da Conferência de Genesee apareceu nas colunas editoriais do Buffalo Advocate de 19 de junho de 1855. Segue uma cópia:

Soubemos, de fonte digna de confiança, e temos em mãos provas suficientes para demonstrar, que existe entre os ministros de certa seita protestante do oeste de Nova York uma organização religiosa secreta, onde menos se suspeitaria. O propósito dessa ordem jesuítica não tentaremos explicar desta vez; mas as suas consequências, se o seu avanço não for detido e a sua existência não for apagada, não é preciso ser profeta para prevê-las: facções ministeriais incuráveis e igrejas arruinadas serão, de outro modo, o resultado inevitável. Essa ordem tem sido designada por vários nomes; mas o nome autorizado é “O BANDO NAZARITA”. É de esperar que os que assumiram esse título solene e sugestivo tenham pesado bem o que estão fazendo e o que implica a solene imposição desse nome a si mesmos. A nós parece uma zombaria ímpia, e, se “pode vir alguma coisa boa DESTA NAZARÉ”, então pode sair coisa limpa de coisa imunda. Conhecemos bem os homens que são os autores desse singular movimento e há muito tempo observamos o seu deitar e o seu levantar. A nossa gaveta editorial secreta guarda o segredo de muitos fatos curiosos a respeito da carreira ministerial de algumas dessas personagens eminentes e mais notáveis.

Sabemos que a sociedade é constituída de três graus ou “divisões”. No terceiro, ou mais alto, só são admitidos os espíritos dirigentes da ordem, ou os que se supõe que favorecerão de coração o propósito da ordem. O primeiro grau, ao que parece, é constituído de modo tão indefinido que alguém pode entrar nele sem saber. Do candidato se exige apenas que manifeste a sua aprovação de certos homens e medidas, e pronto, torna-se imediatamente nazarita, e isso antes de saber. Depois disso, é abordado com cuidado, e as suas opiniões sobre certas outras medidas são sondadas, e, se for “de confiança”, é promovido!

Há muitas considerações que dão a essa nova organização um aspecto inusitado, para não dizer ridículo. Uma delas é que os seus autores se tornaram até agora um tanto notórios pela sua hostilidade inflamada às sociedades secretas. Publicaram e disseram coisas grandes e duras. Há anos estão empenhados em dar aos Odd Fellows e aos maçons, leigos e clérigos, “uma boa descompostura”. Na verdade, um dos principais propósitos desse Bando Nazarita é opor-se à influência que, segundo alegam, as sociedades secretas seculares procuram exercer nos assuntos religiosos. Outro belo traço dessa nova ordem são as características pessoais e religiosas especialmente encantadoras dos que a conceberam e a deram à luz. O seu caráter é uma estranha mistura de santidade e calúnia, de humildade pomposa e orgulho humilde, de pecabilidade e perfeição. A sua pregação do evangelho da paz é sempre acompanhada ou seguida de ciúmes, ressentimentos e dissensões fanáticas. Tiranos rabugentos e irritadiços em casa, têm uma caridade muito ardente pelas “queridas irmãs” fora de casa, algumas das quais “levam consigo”. Sem nenhuma notável “santidade de costumes imaculada”, as suas profissões chegam ao céu e os vestem com a veste mais imaculada de uma pureza presumida. Como exemplo dessa classe, remetemos o leitor a certo indivíduo que mora no condado de Orleans, chamado, segundo a nomenclatura nazarita, BANI, que é, segundo nos informam, o sumo sacerdote dessa nova profissão.

A acusação contra todas as partes supostamente envolvidas na alegada “Associação Nazarita” é muito específica e forte no editorial acima, ao passo que o espírito com que foi escrito não parece ter sido louvável. A prometida prova de que tal organização existia então nunca foi apresentada, porém, porque as “provas suficientes” faltaram ao redator do Advocate na hora da necessidade. Pelo número seguinte do jornal, vê-se que a acusação recebera um pronto desmentido da única pessoa competente para afirmá-la ou negá-la: o homem que era o único responsável pelas cartas escritas sobre uma “União Nazarita” e pelos “Documentos”. De maneira franca e varonil, ele se apresentou e assumiu a responsabilidade por tudo o que escrevera sobre o assunto, e inocentou completamente os seus irmãos caluniados.

O redator do Advocate viu-se então na necessidade de fazer algum tipo de desculpa ou defesa, e a maneira como enfrentou essa responsabilidade aparece no seguinte trecho de um número posterior do seu jornal:

Sabemos que “Bani” nega que os NAZARITAS sejam um bando organizado, como afirmamos que eram no número da semana passada. Lembramos a esse indivíduo tão consciencioso e notável a importância de manter a verdade do seu lado, tanto quanto as circunstâncias permitirem, e de não se pôr, com negações gratuitas e voluntárias dos fatos, numa posição muito embaraçosa, na qual os homens honestos raramente se encontram. Bani, não está certo, é decididamente errado fazer afirmações que você sabe que são falsas, e você não deve fazer mais isso.

Os trechos acima, que são amostras fiéis de vários artigos publicados de tempos em tempos nas colunas do mesmo periódico, falam por si quanto ao espírito que os ditou. Certamente não foi o Espírito do Mestre. O seu espírito é amargo, a sua linguagem grosseira, vulgar e nada fraterna, e as suas declarações são falsas. Além disso, o último dos trechos acima mostra a disposição do seu autor de se esquivar com graça e sarcasmo, quando a franqueza e o amor à verdade o teriam levado a uma humilde confissão e a um pedido de desculpas pelas deturpações em massa contidas no seu artigo anterior.

O resumo de todo o assunto da suposta “União Nazarita” é dado assim em Why Another Sect?:

O Rev. Joseph McCreery escreveu várias cartas a diferentes pregadores, propondo que trabalhassem em harmonia nos seus esforços para persuadir o povo a voltar às veredas antigas do metodismo. Ali, com toda a probabilidade, o assunto teria parado; mas algumas dessas cartas foram mostradas ao redator do Buffalo Advocate, que tirou delas todo o proveito e provocou alguma agitação. Prevendo que o assunto seria levantado na Conferência, o Rev. J. McCreery preparou uma exposição de todo o caso, incluindo cópias das cartas que escrevera. Ele a leu perante a Conferência em Olean, em 1855. Esse “Documento”, ou “Rol”, como era chamado, foi muito deturpado. Para corrigir essas deturpações, foi publicado pelo Rev. Wm. C. Kendall. Isso foi tudo o que houve nesse caso, no que se refere aos pregadores que pertenciam à Conferência.

Depois que a Igreja Metodista Livre foi organizada, alguns que se opunham à sua organização fizeram reuniões à parte e se chamaram “nazaritas”. Alguns deles ainda conservavam a sua filiação à Igreja Metodista Episcopal, e outros não; mas todos se colocaram contra a Igreja Metodista Livre. Sempre foram os seus adversários implacáveis. Insistem que se cometeu um grande erro ao deixar a Igreja Metodista Episcopal, ou ao não se unir de novo a ela, quando postos para fora, e continuar a agitação dentro do seu seio.4

Apresentamos agora um relato verdadeiro do suposto movimento “nazarita” dentro da Conferência de Genesee, da Igreja Metodista Episcopal, do qual vários escritores dessa igreja afirmaram, com segurança e persistência, que o metodismo livre nasceu. Apresentamos as provas da nossa exposição do caso, ao passo que eles não fazem a menor tentativa de apresentar provas ou citar fontes para as suas afirmações, a não ser o Sr. Conable, que cita a ação da Conferência, tal como formulada pelo Dr. Hibbard, a respeito da investigação do “nazaritismo”. Isso, como se mostrou, nada prova, a não ser que a Conferência tomou tal ação. Cremos ter mostrado, para satisfação dos leitores sem preconceito, que as versões da origem da Igreja Metodista Livre dadas na História da Conferência de Genesee, de Conable, na Ciclopédia do metodismo, de Simpson, e na História do metodismo nos Estados Unidos, de Buckley, são claramente deturpações históricas.

[N. do T.: a frase “se pode vir alguma coisa boa desta Nazaré” alude a Jo 1.46. “Levam consigo” alude a 1Co 9.5 (“levar conosco uma mulher crente como esposa”), usado aqui com malícia. “Uma boa descompostura” traduz a gíria americana “particular jesse”. Pelo relato de Hogue, o “Bani” do editorial era o próprio Joseph McCreery, autor dos “Documentos”, que respondeu ao jornal.]

Notas do autor

  1. Ver o Apêndice C. ↩
  2. Págs. 638-640. ↩
  3. Págs. 39-43. ↩
  4. Págs. 62-63. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.