História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XVIII
A batalha em torno da questão da “santidade bíblica” ficava cada vez mais cerrada. A facção da “Regência” estava desesperada ao extremo. Do lado do partido da reforma, os ânimos estavam quase igualmente tensos. Ambos começavam a sentir que era questão de vida ou morte e por isso se preparavam para uma guerra mais intensa. O que já acontecera era apenas uma escaramuça leve; o que viria seria uma guerra que poria à prova a alma dos homens.
Quando se soube, na sessão seguinte da Conferência, que, atendendo a uma petição assinada por mil e quinhentos membros da igreja dentro dos limites da Conferência, o Rev. L. Stiles Jr. e o Rev. I. C. Kingsley tinham sido transferidos de volta para a Conferência de Genesee, o desespero do elemento da “Regência” chegou ao máximo. Viram claramente que era preciso adotar medidas heroicas, para não serem chamados a prestar contas dos seus desmandos. Assim, alugaram um salão, sem que os chamados “nazaritas” sequer suspeitassem, e fizeram reuniões secretas à noite para planejar o modo de continuar a guerra.
O método adotado era característico dos homens que o planejaram e adequado ao fim que buscavam. Como já vimos, tinham agora sob o seu controle a maioria dos presbíteros presidentes. O passo seguinte foi dar a entender aos pregadores jovens, e aos que não eram bem aceitos, que a qualidade das suas nomeações dependeria de com qual dos dois partidos da Conferência, o partido da “Regência” ou os chamados “nazaritas”, eles se identificassem dali em diante. Desse modo, logo conseguiram atrair para as suas reuniões secretas homens suficientes dessas classes para formar a maioria da Conferência. ENTÃO ESSE CONCLAVE MINISTERIAL, FORMADO PELOS HOMENS QUE IRIAM CONSTITUIR O JÚRI, E CUJOS VOTOS SECRETOS ANTERIORES PODIAM SER CONTADOS DE ANTEMÃO PARA GARANTIR A CONDENAÇÃO, VOTOU APRESENTAR UM LIBELO DE ACUSAÇÕES CONTRA B. T. ROBERTS E W. C. KENDALL!
O Sr. Roberts acabara de publicar o seu artigo sobre o “Metodismo da Nova Escola”, e as acusações formuladas contra ele se baseavam no conteúdo desse artigo. A acusação geral apresentada foi a de “conduta não cristã e imoral”. O libelo completo será dado logo adiante. Mas antes convém dizer o que o Sr. Roberts se ofereceu para fazer a fim de evitar a necessidade de um julgamento no seu caso. Quando o libelo foi apresentado à Conferência, ele se levantou e disse:
Não tenho intenção de deturpar ninguém. Não penso que o tenha feito. Penso honestamente que os homens a que me referi têm exatamente as opiniões que digo que têm. Mas, se não as têm, ficarei feliz em ser corrigido. Se disserem que não as têm, aceitarei a palavra deles, farei a minha humilde confissão e, tanto quanto possível, repararei o mal que fiz. Publicarei no Northern Independent, e em todos os jornais da igreja que desejarem, do Maine à Califórnia, que os deturpei.
Que proposta mais justa ele poderia ter feito? Que mais se poderia esperar que fizesse? Que outra coisa senão a decisão prévia de sacrificar o homem no altar da conveniência poderia ter levado a maioria de uma Conferência Anual a rejeitar uma proposta tão justa e tão nobre? Nem um só deles quis dizer que fora deturpado em alguma coisa que o Sr. Roberts escrevera; e, no entanto, como logo veremos, ele foi julgado e condenado por “conduta não cristã e imoral” por supostas deturpações desses irmãos no que publicara no “Metodismo da Nova Escola”. Por que essa estranha incoerência? A única solução da questão parece ser que a “Regência” se esforçara tanto para garantir a sua maioria com o fim de esmagar o “nazaritismo” que os líderes sentiram que agora precisavam usá-la, tanto para se justificarem como para desferir um golpe danoso, se não mortal, no suposto fanatismo dos “nazaritas”. Um deles declarara com jactância, e agora precisavam tentar cumprir a bravata: “O nazaritismo tem de ser esmagado, e temos as ferramentas para isso.”
A Conferência prosseguiu com o julgamento. O relato seguinte dos trabalhos foi publicado pelo Sr. Roberts em 1879, em Why Another Sect?, e durante todos os anos seguintes não foi contestado, o que é prova conclusiva da sua exatidão:
Havia pouco a fazer, pois admiti que escrevera o artigo. Na minha defesa, mostrei:
1. Que é princípio indiscutível do direito comum que, em toda ação por difamação, a linguagem exata apontada como difamatória deve constar da acusação.
“Uma acusação por difamação deve apresentar as próprias palavras; não basta afirmar que o réu publicou certo libelo, cuja substância é a seguinte.” (Brightley’s Digest, vol. II, pág. 1631.)
“Numa ação por difamação, a lei exige que se apresentem as próprias palavras do libelo, a fim de que o tribunal possa julgar se constituem fundamento válido para a ação.” (Sergent & Rowlin’s Reports, vol. X, pág. 174.)
2. Que, se se fizer um homem responsável pela interpretação que os seus inimigos dão às suas palavras, seria possível condenar qualquer pessoa que já escreveu. Mais ainda: por esse princípio seria possível condenar o próprio Salvador. Ele disse: “Todos os que vieram antes de mim são ladrões e salteadores” (Jo 10.8). Noé, Jó e Daniel vieram antes dele. Logo, ele caluniou Noé, Jó e Daniel, chamando-os de ladrões e salteadores. De fato, o nosso Salvador foi condenado pela interpretação que os seus inimigos deram às suas palavras.
3. Mostrei que, em todas as especificações importantes, não só não tinham apresentado as minhas palavras, mas tinham distorcido o meu sentido. Reivindico a capacidade de dizer o que quero dizer. Para que o contraste entre as acusações deles e as minhas palavras seja visto com mais facilidade, damos umas e outras em colunas paralelas:
| ACUSAÇÕES CONTRA O REV. B. T. ROBERTS | O QUE ELE DE FATO DISSE |
|---|---|
| “Acuso pela presente o Rev. B. T. Roberts de conduta não cristã e imoral.” | |
| “1º. Por publicar no Northern Independent que existe na Conferência de Genesee um corpo associado, de cerca de trinta pessoas, cujo ensino é muito diferente do dos pais do metodismo.” | “1º. Já está surgindo entre nós uma classe de pregadores cujo ensino é muito diferente do dos pais do metodismo. Encontram-se aqui e ali por toda a nossa Sião; mas na Conferência de Genesee agem como um corpo associado. São cerca de trinta.” |
| “2º. Por publicar, como acima, que os referidos membros da Conferência de Genesee se opõem ao que é fundamental no cristianismo, à própria natureza do cristianismo.” | “2º. Essa diferença é fundamental. Não diz respeito a coisas indiferentes, mas às de mais vital importância. Envolve nada menos que a própria natureza do cristianismo.” |
| “3º. Por classificá-los, na publicação acima mencionada, com Theodore Parker e o Sr. Newman quanto à frouxidão de sentimento religioso.” | “3º. Os metodistas da Nova Escola afetam um grau de liberalismo tão grande quanto o de Theodore Parker e do Sr. Newman.” |
| “4º. Por acusá-los, como acima, de zombar do cristianismo de um modo não indigno de Thomas Paine e que fica abaixo do de Voltaire.” | “4º. A seguinte zombaria não é indigna do próprio Thomas Paine. Fica abaixo da dignidade de Voltaire.” |
| “5º. Por acusá-los, como acima, de serem heterodoxos no tema da santidade.” | “5º. Os metodistas da Nova Escola sustentam que a justificação e a inteira santificação, ou ‘santidade’, são a mesma coisa; que, quando um pecador é perdoado, ele é ao mesmo tempo feito santo; que toda a mudança espiritual que ele pode esperar daí em diante é simplesmente um crescimento na graça. Quando falam de ‘santidade’, entendem por ela o mesmo que os ministros evangélicos das denominações que não aceitam as doutrinas ensinadas por Wesley e Fletcher sobre esse assunto.” |
| “6º. Por afirmar que eles reconhecem que as suas doutrinas não são as doutrinas da igreja e que empreenderam corrigir os ensinos dos seus autores clássicos.” | “6º. Os ministros da Nova Escola têm a franqueza de reconhecer que as suas doutrinas não são as doutrinas da igreja. Empreenderam corrigir os ensinos dos seus autores clássicos. No mesmo editorial do Advocate que citamos tão amplamente, lemos: ‘Assim, nos exercícios e meios de graça instituídos pela igreja, é claramente evidente que se visa antes à excitação das sensibilidades religiosas e ao cultivo da piedade emocional do que ao desenvolvimento de disposições cordiais e humanas e à formação de hábitos de bondade ativa e vigorosa.'” |
| “7º. Por acusá-los, como acima, de tentar abolir os meios de graça, pondo a loja no lugar da reunião de classe e da festa de amor, e a festa social no lugar da reunião de oração.” | “7º. Os meios de graça, com cujo uso um Asbury, um Olin, um Hedding e uma multidão de homens dignos, falecidos e vivos, foram nutridos até a maturidade espiritual, devem ser abolidos, e outros, adequados ao ‘desenvolvimento de disposições cordiais e humanas’, estabelecidos no seu lugar. A loja deve substituir a classe e a festa de amor, e a reunião de oração à moda antiga deve dar lugar à festa social.” |
| “8º. Por apresentar, como acima, os avivamentos entre eles como superficiais, chamando-os de ‘avivamentos esplêndidos’.” | “8º. Os líderes do movimento da Nova Teologia não se destacam por promover avivamentos; e os que de vez em quando ocorrem entre eles podem em geral ser caracterizados como o redator do Advocate designou um que lhe chamou a atenção: ‘avivamentos esplêndidos’. Os pregadores da velha estirpe insistem, com todos os que querem ganhar o céu, na necessidade da abnegação, da não conformidade com o mundo, da pureza de coração e da santidade de vida; ao passo que os outros ridicularizam a singularidade, incentivam com o seu silêncio, e em alguns casos com o seu próprio exemplo e o das suas esposas e filhas, ‘o uso de ouro e de roupas caras’, e” |
| “9º. Por dizer, como acima, que eles tratam com desconfiança toda profissão de experiência religiosa profunda.” | “9º. Tratam com desconfiança toda profissão de experiência religiosa profunda.” |
| “Reuben C. Foote. LeRoy, 1º de setembro de 1857.” |
Expliquei-lhes com tanta clareza que nem o mais obtuso deixaria de ver:
1. Que homens podem “agir como um corpo associado” sem “existir como um corpo associado”. Era verdade que tinham um “corpo associado” regularmente organizado, mas eu não o sabia, nem sequer o suspeitava, e por isso não o disse.
2. Que homens podem ter uma divergência sobre o que é “fundamental”, sobre “a própria natureza do cristianismo”, sem que nenhum deles “se oponha ao que é fundamental” ou à natureza do cristianismo. De fato, os calvinistas e os arminianos, os unitários e os trinitários, divergem assim.
3. Que há uma grande diferença entre “liberalismo”, “ter caridade” e “frouxidão de sentimento religioso”.
4. Que dizer “a seguinte zombaria não é indigna de Thomas Paine” de modo algum equivale a dizer “eles zombam do cristianismo de um modo não indigno de Thomas Paine”.
5. Que dizer que eles entendem por “santidade” o mesmo que os “ministros evangélicos” das outras igrejas protestantes em geral de modo algum é acusá-los de serem “heterodoxos no tema da santidade”.
6. Que o artigo de onde tiro a citação sustenta plenamente tudo o que digo sobre o ponto envolvido na sexta especificação.
7. Que, ao mostrar que, se certas visões da religião prevalecessem, “a loja deveria substituir a classe e as festas de amor”, eu não os acusava de tentar fazê-lo, mas dizia que esse seria o resultado lógico dos ensinos que eu examinava.
8. Que, ao chamar os avivamentos deles de “avivamentos esplêndidos”, eu simplesmente citava um editorial do seu próprio órgão.
9. Que, ao dizer que “tratam com desconfiança toda profissão de experiência religiosa profunda”, eu simplesmente dizia o que era notoriamente verdade. Ouvi um desses pregadores dizer: “Quando ouço alguém professar a santidade, apalpo a minha carteira.” Outro disse: “Se eu encontrasse em minha casa o livro de Jesse T. Peck sobre A ideia central do cristianismo, eu o pegaria com a tenaz e o atiraria ao fogo.”
Contudo, com o assunto assim claramente diante de si, a maioria da Conferência votou que essas especificações (exceto a 4ª, que foi retirada) estavam comprovadas. Ao fazer isso, cada um deles votou como verdadeiro o que sabia ser falso. Não podemos chegar a nenhuma outra conclusão. Não eram homens ignorantes, que não sabiam o que faziam. Não agiam com pressa sobre um assunto que não entendiam. O caso lhes foi exposto com justiça. Votaram deliberadamente que eu escrevera o que sabiam que eu não escrevera.
Fui sentenciado a ser repreendido pelo presidente. Recebi a repreensão e apelei para a Conferência Geral.
[N. do T.: Sergent & Rowlin’s Reports está assim no impresso; parece tratar-se dos Reports de Sergeant e Rawle, da Pensilvânia. No original, as acusações e as palavras de Roberts vêm em sequência; aqui foram postas lado a lado, como Roberts anuncia.]
Quando as nomeações foram lidas, perto do fim da sessão, o Sr. Roberts foi nomeado para Pekin, no condado de Niágara, Nova York. Era praticamente a única parte do território da Conferência em que ele era um completo desconhecido. Ao que sabia, nunca tinha visto ninguém que pertencesse ao circuito de Pekin. Com fé e coragem seguiu para o seu novo campo; mas, antes que chegasse, um pregador destacado da facção da “Regência” se adiantou e informou aos membros que o pregador que lhes fora enviado tinha sido condenado na Conferência por “conduta não cristã e imoral”. Essa notícia também foi publicada no Buffalo Advocate, e sem uma palavra de explicação, deixando assim o povo imaginar os motivos pelos quais se obtivera a sua condenação. Não tinham como saber se ele fora condenado por fraude, embriaguez, devassidão ou algum outro crime; e esse caminho foi evidentemente seguido com a intenção de embaraçá-lo o mais possível no seu novo campo de trabalho, se não com o objetivo de impedir que fosse recebido no circuito.
Que circuito receberia de bom grado um pregador que nenhum dos seus membros jamais tinha visto, e cuja chegada era precedida da declaração sem ressalvas, feita por um ministro destacado da Conferência, de que o novo nomeado acabara de ser condenado por “conduta não cristã e imoral”? Não é de admirar que, ao registrar o fato, o Sr. Roberts tenha dito: “Duvidamos que algum itinerante tenha tido recepção mais fria. Até o pai Chesbrough, um dos mais nobres dos homens e um dos mais leais dos metodistas, a princípio pensou em não ir ouvir-me pregar. ‘Que fizemos nós’, exclamou ele, ‘para que um homem condenado por conduta imoral nos seja enviado como pregador?'”
Contudo, quando chegou a primeira manhã de domingo do pastorado do Sr. Roberts, o Sr. Chesbrough resolveu não se desviar do seu costume constante, de toda a vida, de assistir ao culto da igreja, dizendo: “Ouvi-lo uma vez não pode fazer mal, de qualquer modo.” Assim, foi ao culto com a família. O seu filho contou muitas vezes, depois, como, no caminho de volta para casa, o venerável homem seguiu calado por mais de uma milha e então disse: “Bem, Sam, não sei nada desse homem, mas sei que o que ouvimos hoje é o metodismo como eu o ouvia na velha Conferência de Baltimore, e como não o tenho ouvido no oeste de Nova York.”
O Sr. Roberts dedicou-se ao trabalho do circuito com a sua capacidade e energia características, sem se deixar abater nem desanimar de modo algum pelo mal que lhe acontecera na sessão da Conferência e depois dela. Apesar da indiferença do presbítero presidente e da oposição aberta de alguns membros da Junta Oficial, logo irrompeu um poderoso avivamento, que continuou com poder e fruto crescentes durante todo o ano. A obra alcançou especialmente os jovens, e foi tão profunda entre eles que muitos, na busca sincera de Deus, deixaram o mundo, abriram mão das joias e dos enfeites e tomaram com alegria o caminho apertado (Mt 7.14). Descontente com isso, um dos ecônomos começou reuniões de oração na sua casa, do outro lado da rua, provavelmente para fazer concorrência. O Sr. Roberts não deu atenção a isso, porém, e elas logo deram em nada, enquanto a obra de Deus prosseguia sem obstáculos.
No acampamento distrital daquele ano, o Sr. Roberts tinha uma das maiores tendas do terreno, e muitos dos que tinham sido salvos nas suas reuniões também estavam presentes com ele e com a sua dedicada esposa. O acampamento se realizou a apenas três milhas da casa do presbítero presidente, e, no entanto, por algum motivo, ele nunca falara do assunto ao Sr. Roberts. Durante os três primeiros dias do acampamento não se deu nenhuma oportunidade para testemunhos públicos, evidentemente para que alguns dos que tinham sido salvos no avivamento de Pekin não contassem o que Deus fizera pela alma deles sob o trabalho do Sr. Roberts. Por fim, uma mulher, que era livre em Cristo, rompeu com a formalidade e deu testemunho com a bênção de Deus sobre ela; e, desde então, a maré da salvação começou a subir. Nos intervalos entre os cultos no palanque, as reuniões continuavam na tenda de Pekin, onde muitos se converteram e muitos foram plenamente santificados.
O relato seguinte da obra no circuito de Pekin naquele ano foi publicado no Northern Independent:
Não se pode negar que recebemos na nossa igreja, como nosso pastor, um homem que o Advocate nos informou ter sido julgado e declarado culpado de “imoralidade”; e, a julgar pelos artigos que têm saído de tempos em tempos nesse jornal, parece que os seus opositores pensam: “Se o deixarmos assim, todos crerão nele” (Jo 11.48), e que o único modo de destruir a sua utilidade é persegui-lo com “calúnias” e “perseguições”.
Um artigo recente do Advocate, que desce a uma linguagem imprópria de um cristão que fala de outro, mal merece atenção, pois os dardos lançados contra o irmão Roberts caem muito abaixo dele. A afirmação, porém, de que ele não foi reconduzido à Igreja da Rua Niagara por causa da sua inaptidão servirá bem entre os que nunca ouviram do irmão Thomas [Eleazer Thomas, doutor em teologia] todos os fatos do caso, os quais, graças a Deus, muitos conhecem tão bem quanto o redator do Advocate e ousam contar toda a verdade quando chamados a isso.
Diante, então, de todas essas coisas, a grande questão a responder é esta: a igreja prosperou sob o seu trabalho, e Deus honrou o seu trabalho concedendo-lhe a sua bênção? Alegramo-nos em dizer que a igreja prosperou, pela bênção de Deus, durante o ano. E toda a honra e glória depositamos aos pés de Jesus, pois sem ele os seus filhos não podem fazer nada (Jo 15.5).
Embora não tenhamos sido favorecidos durante o ano com as “orações competentes, marcantes e apropriadas” com que algumas das outras igrejas foram, sentimo-nos gratos por termos tido a súplica do justo, que “muito pode, por sua eficácia” (Tg 5.16). Apesar dos muitos boatos em contrário que circularam, Deus tem trabalhado entre o povo. Entre cinquenta e sessenta pessoas professaram a conversão, cerca de quarenta das quais se filiaram como membros em experiência. A pregação tem sido clara, simples e direta, e de acordo com as doutrinas e a Disciplina da igreja. Em consequência, muitíssimos membros da igreja têm sido vistos no altar de oração, alguns buscando a justificação, outros a santificação. Um bom número professou publicamente ter recebido a bênção da santificação. Sem exceção, todos os membros idosos da nossa igreja se alegraram ao ver a volta dos dias do metodismo wesleyano, com o seu espírito sério e intransigente.
Quando o irmão R. chegou entre nós, a nossa classe do meio-dia de domingo tinha cerca de quinze pessoas; agora a frequência média é, e tem sido há algum tempo, de setenta e cinco a oitenta. As nossas reuniões de oração e as reuniões de classe nas noites da semana (e elas ocorrem todas as noites da semana, em vários pontos do cargo) têm sido mais bem sustentadas durante “a fenação e a colheita” e mais interessantes do que em muitos anos. A escola dominical também alcançou uma frequência e um interesse nunca antes atingidos na sua história. Há hoje dezenas de pessoas na igreja que sentem gratidão a Deus por tê-lo enviado para o nosso meio.
S. K. J. CHESBROUGH. South Pekin, 24 de setembro de 1858.
O autor do relato acima era filho do “pai Chesbrough” mencionado num parágrafo anterior. Mais tarde, com a sua excelente esposa, tornou-se membro da Igreja Metodista Livre, à qual serviu com grande eficiência no ministério por vários anos e, ainda depois, como agente da Casa Publicadora Metodista Livre por quase vinte anos. Como redator do Free Methodist, o autor esteve em estreito contato com ele durante quase nove dos seus vinte anos na Casa Publicadora e muitas vezes o ouviu contar, em substância, os acontecimentos narrados neste capítulo. Foram plenamente confirmados pelo seu testemunho.
Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.