História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXVIII
O metodismo no norte de Illinois, durante a última década da primeira metade do século XIX, estava mais ou menos no mesmo estado de declínio que vimos caracterizá-lo no oeste de Nova York. Havia muitos que percebiam isso e se afligiam com as desolações de Sião, procuravam resistir ao afastamento geral de Deus e dos princípios e práticas do metodismo original e clamavam com fervor: “Aviva a tua obra, ó Senhor” (Hc 3.2). Embora a maioria os considerasse fanáticos “perturbadores de Israel” (1Rs 18.17), cujos gemidos e lágrimas não se justificavam pelas condições da igreja, Deus por fim ouviu o seu clamor e enviou o avivamento pelo qual tinham orado com tanto tempo e com tanto empenho.
Em junho de 1856, o Dr. J. W. Redfield, a convite do Rev. David Sherman, pastor da Igreja Metodista Episcopal de St. Charles, Illinois, dirigiu uma série de reuniões de avivamento naquela cidade. O Sr. Redfield era médico e também pregador local da Igreja Metodista. Tivera no começo da vida uma experiência notável de conversão e, depois, uma experiência igualmente clara da graça santificadora de Deus. Começou a exercer os seus dons para o trabalho cristão logo depois da conversão, visitando as pessoas da comunidade onde vivia e convidando-as a reuniões de oração na escola, onde as exortava a buscar o Senhor com uma capacidade extraordinária para a sua idade. A princípio parece ter se dedicado a esse trabalho sem nenhuma ideia de pregar, movido simplesmente pelo seu amor ao Salvador e às almas dos homens e das mulheres. O povo, porém, percebeu sobre ele o chamado de Deus para a obra do ministério. E não demorou muito para que o seu dever nessa direção lhe fosse revelado pelo Espírito Santo. Foi quando pensou em desistir do trabalho em que se empenhara no impulso do seu primeiro amor que se sentiu contido pelo Espírito e, por fim, sentiu uma poderosa convicção de que fora chamado por Deus para pregar o evangelho.
Feliz teria sido ele se tivesse permanecido sempre fiel a essa convicção. Mas, como acontece com muitos demais, discutiu o assunto e recuou de tempos em tempos em vez de seguir a sua convicção. Por fim resolveu obedecer a Deus, entrou na obra do ministério e foi notavelmente usado por Deus na salvação dos homens. Contudo, depois de tudo isso, fugiu do dever e por um tempo considerável fez o papel do profeta Jonas. Dessa vez se afastou de Deus mais do que nunca. Tornou-se incrédulo, dedicou-se ao estudo da anatomia e à investigação das ciências naturais, mentais e morais, e por pouco não foi parar no materialismo e no ateísmo. Enquanto fugia assim do dever, assumiu também um compromisso de casamento presunçoso, do qual, por muitos anos, colheu, segundo o que semeara (Gl 6.7), uma safra de consequências amargas.
Depois de ter sido castigado, e quase morto, pela sua rebeldia contra o chamado de Deus, a pedido de um pregador metodista de Lockport, Nova York, rendeu-se a Deus e consentiu em tomar o caminho que o Senhor lhe mostrara. Por fim, permitiu que o pregador metodista apresentasse o seu nome à igreja como candidato à licença para pregar. Chegou a hora da reunião em que o seu caso seria examinado. Depois de um breve exame, ia retirar-se para que o caso fosse considerado na sua ausência, quando um dos presentes perguntou qual era a sua posição sobre a questão da abolição. Ele respondeu: “Sou abolicionista do tipo mais forte.” “Então me oporei à recomendação”, disse o irmão que levantara a questão e que simpatizava com a opinião escravagista.
O Dr. Redfield desejava em segredo que a sua recomendação fosse rejeitada, pois parecia pensar que isso o livraria da responsabilidade no assunto. Assim, para que ficassem duplamente certos de que falava sério quando disse que era abolicionista do tipo mais forte, disse então, antes de se retirar: “Quero que fique bem entendido que, se me for concedida licença para pregar e isso acrescentar alguma coisa à influência que hoje tenho, certamente a usarei por Deus e pelo escravo. Agora os seus olhos estão abertos, e os senhores sabem quem sou e o que esperar.” De novo se disse: “Vamos contestar o caso.”
Ele se retirou; votou-se imediatamente, e ele recebeu licença para pregar. Antes de se decidir de vez a obedecer a Deus e pregar o evangelho, tivera um pressentimento, ou convicção, de que, se não se rendesse assim, seria atingido por um raio. Estranhamente, o povo mal chegara em casa, voltando da igreja onde ele recebera a licença, quando um raio caiu sobre ela. Ele ficou muito impressionado com essa circunstância.
Quando, algum tempo depois, recebeu por fim o seu Pentecostes e se entregou à sua vocação dada por Deus, foi maravilhosamente usado por Deus na conversão dos pecadores, na santificação dos crentes, na vivificação da igreja e na promoção geral da obra de Deus. Tinha apenas licença de pregador local, e a Igreja Metodista Episcopal não tinha naquele tempo nenhuma disposição para evangelistas; mas ele se dedicou ao trabalho evangelístico, para o qual era especialmente preparado, tanto pelos dons naturais como pela sua notável experiência cristã. Nem o tempo nem o espaço permitem aqui sequer um esboço dos seus trabalhos evangelísticos; mas, se alguém duvida de que ele esteve entre os maiores evangelistas do século XIX, leia The Life of Rev. John Wesley Redfield, M. D., do Rev. Joseph Goodwin Terrill, e se convencerá. Trabalhou durante anos, grande parte do tempo contra forte oposição, como membro da Igreja Metodista Episcopal; mas por fim encontrou o seu lugar entre os que tinham sido proscritos como “nazaritas” no oeste de Nova York e como “redfieldistas” no norte de Illinois, e na Convenção de Pekin, na qual se fundou a Igreja Metodista Livre, foi delegado de Illinois, tornando-se assim um dos honrados fundadores da nova denominação. Antes disso, sofrera um derrame que o deixou consideravelmente incapacitado; e depois foi vítima de mais dois derrames, que puseram fim à sua carreira terrena. Mas o seu fim foi triunfante. O seu corpo repousa em Marengo, Illinois, e uma pequena coluna de mármore sobre o seu túmulo traz esta inscrição apropriada: “FOI FIEL AO SEU LEMA: FIDELIDADE A DEUS.”
O Sr. Sherman, que convidara o Sr. Redfield a St. Charles, conhecera-o na Nova Inglaterra; e, tendo sido transferido para a Conferência de Rock River e desejando profundamente ver promovida a obra da santidade no seu cargo, fizera-lhe um convite insistente para vir a St. Charles e ajudá-lo numa série de cultos de avivamento. Muitos dos membros mais devotos deram o seu endosso caloroso ao trabalho do Doutor, e seguiu-se um avivamento notável, no qual, apesar da estação desfavorável do ano, muitos se converteram e muitos também disseram ter recebido a experiência da inteira santificação.
O caráter bem-sucedido dessa reunião, evidenciado não só pelo número dos salvos, mas também pelo notável espírito de oração e de trabalho pelas almas derramado sobre a sociedade de St. Charles, fez que o Sr. Redfield fosse instado com convites para trabalhar em várias cidades do norte de Illinois e de Wisconsin. Em consequência, ficou no Oeste uns dois ou três anos, trabalhando com eficácia nos lugares onde portas abertas o convidavam. Elgin, Marengo, Woodstock, Aurora, Quincy, Galva e outras comunidades de Illinois foram grandemente abençoadas pelo trabalho fiel desse homem de Deus. Ele dirigiu também cultos de avivamento em vários centros importantes de Wisconsin.
“Os avivamentos de Marengo e de Woodstock foram maravilhas da graça”, diz o Rev. J. G. Terrill. “Neste último lugar, advogados, médicos, o xerife e outros cidadãos foram levados a Cristo. Alguns deles se tornaram ministros do evangelho.”1
Sob o trabalho do Doutor em Illinois, levantaram-se vários homens e mulheres que mais tarde viriam a ter influência na formação do caráter da Igreja Metodista Livre. Entre eles mencionamos em primeiro lugar Edward Payson Hart. Ele professara a conversão antes da chegada do Doutor Redfield a Illinois, mas, depois de ouvi-lo por algum tempo, percebeu que a sua própria experiência religiosa não se conformava ao modelo do Novo Testamento. Por fim entregou-se inteiramente a Deus, buscou e encontrou não só o testemunho de um coração renovado, mas também o batismo santificador com o Espírito Santo. Logo reconheceu que Deus o chamava para pregar o evangelho, retirou-se da loja maçônica, entrou no ministério da Igreja Metodista Episcopal e por fim se uniu à Igreja Metodista Livre em 1860. Trabalhou com êxito como pastor e como presidente de distrito até 1874, quando a Conferência Geral realizada em Albion, Nova York, o elegeu superintendente geral, título que foi mudado para bispo na Conferência Geral de 1907. Serviu continuamente e com grande aceitação nesse cargo desde a primeira eleição até outubro de 1907, quando, por causa de um problema nervoso que lhe prejudicava seriamente a voz, pediu para ser dispensado dos seus deveres. Ele e a sua estimadíssima esposa vivem agora com conforto e em ambiente agradável em Alameda, Califórnia, que é a sua casa há muitos anos. A Sra. Hart foi inteiramente santificada quando ainda era menina, sob o trabalho do Dr. Redfield em Illinois. Ambos têm sido, por muitos anos, uma poderosa inspiração para a Igreja Metodista Livre.
Joseph Goodwin Terrill, que, ainda menino, se convertera numa série de reuniões de avivamento dirigidas por sua mãe na cozinha de casa, em Aurora, Illinois, também recebeu, sob o ministério do Dr. Redfield, um batismo com o Espírito, sob cuja inspiração permanente se tornou um poderoso homem de Deus. Como “menino pregador”, foi chamado para ser o ministro de um grupo de santos perseguidos que tinham alugado e arrumado a sala de jantar de um velho hotel em St. Charles como lugar de culto. Ele foi, e começaram uma série de reuniões em que cem almas foram salvas. Essa reunião resultou também na formação de uma sociedade metodista livre e na construção de um novo templo. O “menino pregador” desenvolveu-se rapidamente e acabou se tornando um dos pregadores mais capazes e eloquentes da Igreja Metodista Livre, escritor vigoroso e agradável de livros e colaborador de periódicos religiosos, sábio legislador da igreja, autor musical de razoável capacidade, líder entusiasmado do trabalho das convenções de escola dominical, homem que ocupou quase todos os cargos importantes que a igreja podia conceder e que, à época da sua morte, em 1895, era o seu secretário de missões. Em todas as suas múltiplas relações com a igreja, teve grande força na formação do seu caráter para o bem.
Outro fruto do avivamento de Redfield foi C. E. Harroun Sr., que foi levado à luz da plena salvação na primeira reunião que o Doutor Redfield realizou em St. Charles. Sentindo-se chamado por Deus para pregar o evangelho, como São Paulo “não foi imediatamente consultar outras pessoas” (Gl 1.16), mas entregou-se logo e plenamente à obra de pregar Jesus Cristo; e, como bem disse o bispo E. P. Hart, “em toda a sua vida posterior nunca pôde fazer outra coisa tão bem”. Por alguns anos pregou em diferentes pontos de Illinois e de Wisconsin. Depois trabalhou em Iowa, Kansas e Missouri. Foi várias vezes delegado à Conferência Geral, onde mostrou muita sabedoria no conselho e na legislação. Os seus últimos trabalhos foram em Oklahoma, onde por vários anos ajudou o filho, o Rev. C. E. Harroun Jr., na obra da Conferência de Oklahoma, e onde continuou a viver depois que a idade o obrigou a jubilar-se, e por fim partiu em paz para estar com Deus. O bispo Hart disse dele: “Nas suas ministrações, conservou, mais do que qualquer dos seus companheiros de trabalho, tanto no púlpito como no trabalho do altar, o estilo e os métodos peculiares do Dr. Redfield. Ótimo cantor e pregador poderoso, às vezes, conforme o Espírito o move, as congregações são despertadas a um grau de intensa agitação.”2
I. H. Fairchilds, pregador local que foi levado à luz da plena salvação no avivamento de Marengo, também se tornou pregador itinerante de muita utilidade e, mais tarde, teve bastante destaque no começo e na edificação da Igreja Metodista Livre naquela parte de Illinois.
Havia também um bom número de membros leigos que se reuniram com coragem em apoio à obra da santidade nas reuniões do Doutor em vários lugares de Illinois, que resistiram bravamente à oposição e à perseguição que logo surgiram, permaneceram fiéis sem transigir e, por fim, tiveram papel de destaque na história inicial da Igreja Metodista Livre. Entre eles deve-se mencionar o pai M. L. Hart e a sua esposa, pais do Rev. E. P. Hart, superintendente geral (bispo) da Igreja Metodista Livre desde 1874. Foi o pai Hart quem levou o convite da junta oficial ao Doutor Redfield para vir de Elgin, a vinte e cinco milhas, onde então trabalhava, e dirigir uma série de reuniões em Marengo. Esse nobre casal, pela sua fidelidade a Deus, acabou sentindo, como outros de espírito semelhante, a oposição e a tirania da igreja a ponto de perder o seu lar eclesiástico; esteve entre os que desde o início se identificaram com o metodismo livre e deu o seu serviço mais dedicado à sua obra durante o resto dos seus dias. A “mãe Hart” fora levada à experiência da santidade anos antes, sob o trabalho do célebre James Caughey.
Havia também a família Bishop, que esteve em destaque ligada à obra do Doutor Redfield e, mais tarde, à formação e à história subsequente da Igreja Metodista Livre. W. D. Bishop, um dos filhos, é hoje membro jubilado do seu ministério na Conferência da Califórnia; outro filho, M. F. Bishop, é leigo honrado da igreja; e Martha, uma filha, chamada familiarmente “Mattie”, é a fiel e dedicada esposa do bispo Hart.
[N. do T.: “Bishop” é aqui o sobrenome da família, e não o título de bispo.]
Nem devemos deixar de mencionar J. M. Laughlin e a sua piedosa esposa. O Sr. Laughlin era dono do magnífico bosque perto da vila de St. Charles que se tornou histórico como local, por muitos anos, do famoso “Acampamento de St. Charles”, e também como lugar da primeira Convenção dos Leigos do Oeste. Essa convenção resultou na formação da Igreja Metodista Livre no Oeste e, por fim, na organização da Conferência Anual de Illinois. Diz-se que a Sra. Laughlin era mulher de discernimento rápido, de intensa espiritualidade e de profunda experiência nas coisas de Deus. Ambos trabalharam e se sacrificaram pelo bem do metodismo livre até que o bom Senhor lhes mandou cessar o trabalho e entrar no descanso.
Mencionaríamos também a “mãe Cobb”, “que por muitos anos foi a única testemunha viva da experiência do perfeito amor em todas aquelas partes”, que então “andava na luz constante dele havia mais de quarenta anos” e que “viveu quase vinte anos mais na luz dessa experiência, quando Deus a levou para casa”. Embora nunca se tenha tornado metodista livre, fez muito para favorecer o movimento. A “mãe Coombs” foi igualmente uma das “senhoras eleitas” (2Jo 1) daquela região e daqueles dias, “mulher de profunda piedade, entendimento claro e vida coerente”, que não temia ficar ao lado da verdade e dos que a pregavam, fossem quais fossem as consequências.
A igreja deste período posterior deve mais do que pode devidamente apreciar à fidelidade desses homens e mulheres de Deus, e dos muitos outros associados a eles, dos quais “o mundo não era digno” (Hb 11.38) e “cujos nomes se encontram no Livro da Vida” (Fp 4.3).
Um dos leigos mais destacados e influentes do norte de Illinois foi o Exmo. Benjamin Hackney. Nasceu em Canajoharie, condado de Montgomery, Nova York, em 15 de maio de 1805. Muito cedo na vida teve de contar com os próprios esforços para ganhar o sustento. O primeiro dinheiro que ganhou foi trabalhando no Canal Erie e, embora não fizesse então nenhuma profissão de religião, deu o que ganhara para a construção de uma igreja metodista no bairro onde morava.
Logo dominou o ofício de carpinteiro e também os pormenores da vida de negócios e, por fim, assumiu vários contratos para a construção de canais no seu estado natal. Esteve em destaque ligado ao Canal Chemung desde o seu início e, depois de concluído, atuou como seu superintendente por vários anos. Isso era considerado uma posição muito honrosa, pois era uma nomeação do estado, conferida pelo Legislativo. Ao renunciar a esse cargo, aceitou um contrato no Canal Delaware e Hudson e, mais tarde, ocupou posição semelhante no Canal Erie.
Em 24 de novembro de 1831, casou-se com a Srta. Helen Bradley, do condado de Chemung, Nova York, com quem viveu feliz até a morte dela, em agosto de 1852. A doença e a morte dela se tornaram o meio do seu despertamento para sentir a necessidade de Cristo e da sua conversão completa a Deus. Levantou um altar familiar e, por quase dois anos, levou uma vida de oração antes de experimentar uma mudança de coração. Por fim, na primavera de 1854, caminhando em meditação, parou por um momento sob uma sorveira, num canto do quintal, e, levantando os olhos para o céu, invocou o Senhor Jesus para ajudá-lo. Num momento, a paz e a bênção longamente buscadas entraram no seu coração: a certeza dos pecados perdoados e da aceitação diante de Deus.
Em setembro do mesmo ano casou-se com a Sra. Lydia T. Evans, que foi para ele uma auxiliadora muito agradável nas coisas temporais e espirituais, que por fim cuidou dele durante a longa doença que pôs fim à sua vida e que lhe sobreviveu por mais de uma década.
Quando o Sr. Hackney se mudou para Aurora, em 1844, levou consigo 20.000 dólares e se estabeleceu numa fazenda, hoje dentro dos limites da cidade, que depois loteou em terrenos urbanos. Viveu para ver uma casa construída em cada um deles, exceto vários que deu como terrenos para a construção de igrejas. Em 1847 trouxe a família para Aurora, e desde então esteve intimamente ligado ao desenvolvimento e ao êxito da cidade até a sua morte. Quando se projetou a Ferrovia Galena e Chicago Union, ele foi um dos que projetaram e incorporaram a Ferrovia Ramal de Aurora, de Turner’s Junction a Aurora, pois a estrada de Chicago até a Junção, de trinta milhas, era então a única ferrovia do estado. Naturalmente houve considerável dificuldade para começar esse empreendimento, pois ele teve de negociar os títulos, o que só se podia fazer com o seu aval pessoal. “Pode-se dizer com verdade que Benjamin Hackney foi o projetista original da hoje famosa Ferrovia Chicago, Burlington e Quincy.” Foi também o seu primeiro superintendente geral.
O Sr. Hackney atuou como superintendente da estrada por vários anos e poderia ter continuado mais tempo no cargo, se a sua consciência, depois da conversão, não tivesse desaprovado a circulação de trens no domingo. Expôs as suas convicções aos diretores, que se recusaram a atendê-las; por isso decidiu que não podia em honra continuar no cargo, renunciou a ele e ofereceu imediatamente as suas ações à venda, declarando que não enriqueceria à custa de obrigar homens pobres a violar a lei de Deus.
O Sr. Hackney foi também um dos primeiros promotores da fundação do Seminário Clark [hoje Jennings]. Contribuiu com 5.000 dólares para a sua construção e, mais tarde, foi obrigado, pela falência de uns e pela desonestidade de outros, a dar o bastante para chegar a um total de 25.000 dólares, ou 500 dólares a mais do que tinha ao mudar-se para o estado.
Em 1859, o Rev. Seymour Coleman, da Conferência de Troy, estabeleceu-se em Aurora; e, tendo vagado o púlpito da Igreja Metodista do lado leste do rio, pediram-lhe que o ocupasse pelo resto do ano, cerca de seis meses. Ele consentiu e, como era seu costume, deu atenção especial ao tema da inteira santificação, salientando o privilégio e a necessidade dessa experiência para todos os crentes. O Sr. Hackney era nessa época um dos seus paroquianos e teve o privilégio do ensino claro e seguro desse santo homem de Deus. No outono desse ano, realizou-se um acampamento perto da cidade de Aurora, sob a direção do Rev. Luke Hitchcock, presbítero presidente. Foi uma reunião de interesse notável e de grande poder. Na segunda-feira de manhã, o Sr. Hackney, sob profunda convicção quanto à experiência da santificação, encontrou o “pai Coleman”, como era comumente chamado, e lhe disse: “Pus tudo aos pés de Jesus; e agora?” “Ora, simplesmente deixe aí”, disse o pai Coleman, e foi-se embora imediatamente. O Sr. Hackney ficou um tanto aborrecido por ser respondido e deixado de modo tão brusco quando passava por tal luta de alma; mas logo o seu melhor juízo prevaleceu, e ele disse consigo: “Sim, é esse o caminho; se dei tudo, tenho de deixar aí”; e, enquanto assim meditava e confiava em Cristo, veio de repente o testemunho do Espírito de que a obra estava feita. Costumava referir-se a isso muitas vezes como exemplo da sabedoria do pai Coleman no trato com as almas que buscam. Sobre a sua experiência recém-encontrada, testemunhava deste modo: “Já negociei com ações de canais, ações de ferrovias e títulos do estado, mas nunca recebi rendimentos como os das ações que tenho em Jesus.”
No mesmo outono, muitos da sociedade quiseram que o pai Coleman ficasse responsável pela obra por mais um ano; mas, porque pregava de modo tão claro e completo sobre o tema da santidade, era considerado identificado com o “redfieldismo”, e por isso o presbítero presidente e outras pessoas influentes se opuseram ao plano, e nomeou-se outro. Em dezembro veio a separação em St. Charles, a doze milhas de distância; seguiu-se em março a expulsão da família Bishop, do condado de McHenry; depois, em junho, o primeiro acampamento dos leigos do Oeste, logo depois do encerramento da Conferência Geral metodista episcopal em Buffalo, Nova York, onde se apagou o último raio de esperança de reparação para os pregadores expulsos do Leste e os que simpatizavam com eles, quando aquele corpo se recusou a examinar as suas apelações. O Sr. Hackney esteve no acampamento com uma grande tenda, identificando-se corajosamente com os que eram perseguidos por causa de Cristo.
Em agosto de 1860, o Sr. Hackney e outros leigos convocaram outro acampamento em Aurora e convidaram o pai Coleman a dirigi-lo, mas ele recusou. Convidou-se então o Rev. B. T. Roberts, que aceitou. A reunião teve grande frequência, não só dos que depois se tornaram metodistas livres, mas também de muitos metodistas wesleyanos; e dessa reunião data o avivamento da santidade entre o povo wesleyano de Illinois.
Pouco depois organizou-se uma sociedade metodista livre em Aurora. O Sr. Hackney tornou-se membro e permaneceu na comunhão da sociedade de Aurora, ajudando sempre a obra com as suas orações fervorosas, os seus conselhos piedosos e os seus donativos generosos, até a sua morte. Subscreveu 500 dólares para a construção do templo metodista livre, que custou, com o terreno, pouco mais de 4.000 dólares; e, além de pagar essa subscrição, contribuiu com mais de 2.800 dólares em dinheiro para o custo total. Construiu também à sua custa a casa pastoral, que custou 1.311 dólares, e a deu à sociedade. Depois, no seu testamento, dispôs que se dessem 5.000 dólares à sociedade como fundo permanente, a ser investido, sob a direção dos curadores, em imóveis que valessem o dobro dessa quantia, e só a renda seria usada para o sustento dos pastores que a Conferência Anual nomeasse para o cargo. Dispôs igualmente que se deixassem à escola dominical 1.000 dólares, a serem investidos do mesmo modo, e a renda usada em livros e outros materiais necessários; mas, como isso devia sair do que restasse da herança depois de cumpridas as outras disposições do testamento, que somavam 50.000 dólares, os recursos parecem ter faltado, de modo que a escola nunca o recebeu. Mostra, porém, que ele estava acostumado a planejar coisas generosas.
O Rev. J. W. Redfield foi nomeado pastor da sociedade recém-formada, e foi durante o seu trabalho nessa função que sofreu o derrame que por fim pôs termo à sua carreira terrena.
O Sr. Hackney era homem de convicções claras e da coragem que lhe permitia declará-las com ousadia e mantê-las a qualquer custo. A sua dedicação aos princípios era bem conhecida e não podia ser superada. Era homem de juízo calmo e claro, livre de preconceitos pessoais e de tudo o que cheirasse a precipitação ou irreflexão; mas não permitia que nenhuma influência da opinião pública, do favor popular, da amizade pessoal, das relações políticas ou das perspectivas de perda ou ganho financeiro o desviasse do seu senso do que era certo e das suas convicções do dever.
Como prova do seu bom juízo, foi escolhido para representar o seu distrito no Legislativo do estado, e o fez com honra para si e para os seus eleitores. Foi também escolhido para representar a Conferência Anual de Illinois em todas as sessões da Conferência Geral enquanto viveu, cargo que sempre exerceu com muita dignidade e com sabedoria extraordinária. Foi um dos pilares mais fortes do metodismo livre entre os leigos do seu tempo.
Poder-se-ia escrever um capítulo sobre a beneficência e a filantropia desse homem bom; mas basta dizer que a sua fé em Deus e a sua dedicação ao bem dos homens eram nele uma paixão.
Quando ele morreu, cada jornal da cidade publicou um longo esboço da sua vida, e um deles concluía assim:
E assim partiu mais um dos fundadores da nossa cidade: homem, na juventude, de constituição de ferro; homem de nervo e de vontade dominadora, bem preparado para enfrentar os obstáculos à civilização e ao progresso. Foi-se na maturidade dos anos, coroado do respeito dos seus concidadãos.3
A profundidade do trabalho do Dr. Redfield no norte de Illinois acabou provocando oposição da parte de professos de religião superficiais, falsos e mundanos. Como é costume nesses casos, essa oposição se manifestou primeiro entre os ministros; e o primeiro surto decidido ocorreu em St. Charles, onde tinham acontecido certas mudanças desde que o Doutor começara ali o seu trabalho. Sob os seus primeiros trabalhos ali, muitos se converteram e foram santificados. A sua pregação revolvera as coisas até as profundezas, trazendo à luz algumas iniquidades ocultas horríveis. Embriaguez, roubo, adultério e outras iniquidades grosseiras foram descobertos e confessados.
Durante os dois anos seguintes, o Rev. Charles French serviu o cargo como pastor. Convidou o Doutor várias vezes a voltar e ajudá-lo no trabalho de avivamento; mas era tal a atitude de certos membros destacados quanto a ajudar a obra profunda que ele se sentia chamado a fazer que o Dr. Redfield pensou que nada se poderia conseguir e por isso recusou os convites.
O Sr. French foi sucedido pelo Rev. S. G. Havermale. O seu espírito parecia tal que os amigos do Sr. Redfield pensaram que os dois poderiam trabalhar juntos em harmonia. Uma grande maioria dos membros acabou assinando uma petição e apresentando-a à junta oficial, pedindo que o Doutor Redfield fosse convidado a voltar a St. Charles e fazer outra série de reuniões. Uma boa maioria da junta oficial votou por atender ao pedido. Mas era tal a oposição decidida da minoria que a decisão foi por fim deixada ao pastor. Ele decidiu não convidá-lo e o avisou pelo correio.
O Rev. D. C. Howard sucedeu ao Sr. Havermale como pastor em 1859. O Doutor Redfield estava quase concluindo os preparativos para ir para o Sul e, como logo partiria, havia um grande desejo da parte de uma grande maioria da igreja, e também da comunidade de fora, de ouvi-lo pregar antes da partida. Assim, Elisha Foote e J. M. Laughlin procuraram o pastor e lhe pediram que convidasse o Doutor Redfield a pregar. O pastor recusou o pedido. Entre as suas razões, disse: “Fui mandado para cá para guardar este púlpito contra Redfield e Coleman.” Quando lhe perguntaram: “O que o senhor tem contra eles?”, respondeu: “Nada; creio que os dois são homens bons e estão fazendo o bem; mas têm de ser sacrificados para o bem da igreja.”
Como a Igreja Batista estava sem pastor, um dos amigos do Dr. Redfield lhes sugeriu que convidassem o Doutor a ocupar o seu púlpito no domingo seguinte. O convite foi feito, e o Dr. Redfield pregou para uma casa lotada. Combinou-se então que ele pregasse no domingo seguinte. Mas durante a semana certas influências agiram de modo a levar os batistas a cancelar a sua parte no combinado.
Os universalistas ofereceram então a sua igreja e, como era tarde demais para retirar o compromisso, a oferta foi aceita, e o Doutor pregou ali. Naturalmente, bom número de metodistas foi ouvi-lo. Na segunda-feira, o pastor Howard nomeou uma comissão para procurar os membros principais da sua igreja que tinham assistido à reunião de Redfield e informá-los de que seria necessário confessarem que tinham errado e se comprometerem a não fazê-lo mais, se desejassem conservar a condição de membros da igreja. Se não quisessem fazer essa confissão e essa promessa, podiam escolher entre dois caminhos. Podiam receber carta de transferência em boa situação; ou, recusando isso, teriam de aceitar a expulsão.
Essas pessoas não sentiam que tivessem cometido nenhum erro a confessar, nem queriam receber cartas de transferência da sociedade. Nesse dia o pastor viajou para se aconselhar com um dos bispos. Supõe-se que foi a Evanston, para expor o assunto ao bispo Simpson. Na volta, relatou ter consultado um bispo, que era de opinião que a junta oficial tinha competência para declarar retirados os membros que tinham ido ouvir o Dr. Redfield pregar. Seguindo esse conselho, na quarta-feira à noite declararam retiradas catorze pessoas, “entre elas uma que não era membro da igreja nem nunca fora, como a lista dos membros teria mostrado”. Era uma mulher chamada Monroe, que morrera havia muitos anos. Cinco dos treze membros eram membros da junta de curadores, que tinha apenas nove.
O Doutor Redfield pregou com liberdade e poder na segunda e na terça-feira à noite, e várias almas se converteram. Mas, quando viu o problema que provavelmente se seguiria, cessou o seu trabalho ali e, na semana seguinte, partiu na viagem planejada para o Sul.
Quinta-feira à noite encontrou esses membros “retirados” nos seus lugares de costume na reunião de oração semanal. Não lhes permitiram, porém, participar dos exercícios. No fim do culto, foram formalmente “lidos fora” da Igreja Metodista Episcopal. Depois disso, cerca de cinquenta outros pediram as suas cartas de transferência; mas, em vez de atender ao pedido, o pastor lhes ofereceu cartas de retirada, que eles recusaram. Crendo que no devido tempo o mal que lhes fora feito seria corrigido, essas boas pessoas logo alugaram a sala de jantar de um velho hotel como lugar de culto. Joseph G. Terrill, pregador local de Elgin, visitou-os por essa época. Era o menino convertido no avivamento dirigido pela própria mãe na cozinha de casa. Convidaram-no para ser o seu pregador. Ele consentiu e, sob o seu trabalho, irrompeu o avivamento já mencionado neste capítulo.
Logo se viu que era necessário formar algum tipo de organização para cuidar do grande número dos que se tinham convertido. Assim, formou-se um Grupo (Band), que adotou as Regras Gerais da Igreja Metodista Episcopal, com exceção da regra sobre a escravidão. Enquanto isso, a sociedade metodista elegera cinco novos curadores para servir no lugar dos declarados “retirados”, o que era clara violação das leis de Illinois, que não previam declarar vagas desse modo. Além dessas pessoas, entre os declarados “retirados” havia membros antigos, provados e dignos da sociedade, homens que tinham sido os principais responsáveis pela construção do patrimônio da igreja.
Em 27 de abril de 1860, convencidos de que as suas queixas não encontrariam reparação na Conferência Geral, esses “peregrinos” perseguidos organizaram-se numa igreja independente, tomando o nome de Metodista Livre. Eram então cento e doze. Os cinco curadores “lidos fora” da Igreja Metodista como “retirados” foram eleitos curadores da nova igreja na sua incorporação. Os seus nomes eram Elisha Foote, John M. Sangle, Ira D. Tyler, Warren Tyler e Ephraim Collar. Um amigo da nova sociedade, que ainda pertencia à velha igreja, submeteu a questão do método seguido na expulsão dos “redfieldistas”, como eram chamados com desprezo, à sessão seguinte da Conferência de Rock River. A Conferência aprovou a administração do Sr. Howard, mas se declarou contra seguir tal caminho no futuro.
Não longe de Marengo vivia a família Bishop, já mencionada neste capítulo. Eram cinco, todos membros da Igreja Metodista num lugar chamado Franklinville. Esse lugar fora visitado por um avivamento gracioso, no qual muitos se converteram e foram santificados. A obra continuou ali a avançar com poder. Por fim, o presbítero presidente veio a público e, em termos claros, advertiu o povo contra o uso de termos dogmáticos como santificação, santidade e perfeito amor. Então o pregador responsável começou a enfraquecer e, por fim, tomou posição decidida contra a obra distintiva da santidade.
Quando chegou o tempo da sessão da Conferência Anual, o pai Bishop e outros foram e pediram com insistência uma troca de pregadores; “pois”, disse o pai Bishop, “não pagaremos pregadores metodistas para combater a doutrina metodista”. A petição parece não ter sido atendida, pois depois do encerramento da sessão voltaram tanto o pregador titular como o auxiliar. Isso indicava que a guerra contra o “redfieldismo”, como o movimento de santidade era chamado no Oeste, ia continuar, num esforço para bani-lo da Conferência. Assim a batalha se pôs em ordem, e o conflito se renovou a sério.
O pai Bishop abriu a sua casa para uma reunião de santidade nas noites de segunda-feira, à qual o povo da santidade acorria em grande número de Woodstock, Queen Ann Prairie, South Elgin, Crystal Lake e da região intermediária. Essa reunião ficou nas mãos dos leigos; e, embora o pregador responsável viesse, se oferecesse para dirigi-la e por fim declarasse que a transferiria para a igreja, todos os seus planos de capturar a reunião no interesse da oposição falharam. A obra avançou firmemente, e almas se convertiam e eram santificadas em quase todos os cultos.
O desfecho da história é contado assim pelo bispo E. P. Hart, genro do pai Bishop, que conhecia pessoalmente as circunstâncias:
Morava a duas milhas a leste do pai Bishop uma família de sobrenome Best, e, como o nome indica, deviam ser classificados entre os superlativamente bons. A família era formada pelo pai, pela mãe e por quatro meninos. Os meninos eram pequenos, mas estavam sendo cuidadosamente ensinados e educados pela mãe, mulher de inteligência superior e de piedade superlativa. Fora dessa família, o bairro era selvagem e imprudente. Não havia pregação ali havia anos, e muitos jovens nunca tinham ouvido um sermão do evangelho. O lugar ficou depois conhecido de modo favorável como “A Escola de Tijolos”. I. H. Fairchilds, o pregador local já mencionado, marcou um compromisso nessa escola, e realizou-se uma série de reuniões. Muitos do povo da santidade compareceram, entre eles a família Bishop, e, em resultado das reuniões, torrentes de misericórdia caíram sobre a comunidade, e cinquenta ou mais foram salvos. Se bem me lembro, organizou-se uma classe metodista episcopal de quarenta pessoas num circuito vizinho, como fruto dessa reunião… Uma boa obra estava em andamento, e por alguns domingos o pai Bishop e a família sentiram que deviam assistir às reuniões na escola, e o fizeram. Isso serviu de pretexto, e logo foram citados a julgamento por não assistirem ao culto público e à classe na Igreja de Franklinville, à qual pertenciam. Havia pessoas cujos nomes estavam no livro daquela igreja que não assistiam nem ao culto público nem à classe havia anos, algumas das quais eram mórmons declarados, e outras se gloriavam de ser universalistas; mas essas não eram perturbadoras de Israel.
Chegou o dia do julgamento, e essas pessoas, que eram metodistas firmes e vinham de uma linhagem metodista de um século, compareceram à igreja. Mas tinham centenas de simpatizantes, pois eram bem e favoravelmente conhecidos em toda aquela região. Assim, no dia do julgamento, para desânimo do pregador, a igreja estava cheia. Por fim o pregador entrou e informou aos acusados que resolvera fazer um julgamento privado, na casa pastoral do outro lado da rua. O pai Bishop, que sabia alguma coisa da lei metodista, citou Baker sobre a Disciplina e disse: “Um julgamento só deve ser privado a pedido do acusado, e exigimos um julgamento público; pois”, disse ele, “se fizemos alguma coisa digna de prisão ou de morte, não nos recusamos a ser presos nem a morrer” (cf. At 25.11). Mas o pregador levou a sua comissão para a casa pastoral para prosseguir com o julgamento, e os santos continuaram com uma festa de amor. À medida que as cabeças deles caíam, uma após outra, eclesiasticamente, o pregador vinha à igreja e anunciava o fato.
William, o filho mais velho, que se preparava para o ministério, estivera frequentando a escola de teologia de Evanston. Quando foi, levou uma carta de transferência da igreja, mas resolveu não entregá-la em Evanston, de modo que, ao voltar para casa, a tinha consigo. Quando o pregador o declarou expulso, William disse: “Irmão W., o senhor não pode me expulsar: tenho uma carta de transferência.” “Deixe-me vê-la”, disse o pregador. William, um pouco desconfiado, levantou a carta; o pregador, como para vê-la melhor, estendeu a mão e, pegando o canto onde estava assinado o seu próprio nome, com um puxão repentino arrancou o seu nome do certificado. Diante disso, uma moça de nome Sponable, com um grito agudo, caiu aos pés do pregador, tomada de um peso espiritual. A coisa estava ficando quente demais para o pastor, e ele se dirigiu para a porta; mas um santo robusto se postou contra a porta e se recusou a deixá-lo sair. Ele então correu para o púlpito e, com protestos altos e veementes, declarou que não rasgara a carta. Os santos olharam para ele com pena e oraram para que o Senhor tivesse misericórdia dele.
[N. do T.: “fell in a burden” parece indicar que a moça caiu sob um “fardo” de oração ou de aflição espiritual, expressão do vocabulário dos avivamentos.]
Segue uma cópia do libelo original de acusações contra W. D. Bishop e também da carta de transferência da qual o pregador responsável que a deu arrancou o seu nome, negando depois tê-lo feito. Primeiro, o libelo de acusações:
“William D. Bishop: Você está acusado pela presente de negligência do dever e de desobediência à ordem e à Disciplina da igreja.
“1ª especificação: Por negligenciar o culto público de Deus na Igreja de Franklinville, à qual pertence.
“2ª especificação: Por negligenciar a reunião da sua classe.
“Franklinville, 20 de março de 1860. A. C. Coquillett, L. C.”
“Irmão Wm. D. Bishop, você está notificado pela presente a comparecer à igreja deste lugar na próxima sexta-feira, às duas horas da tarde, para julgamento sobre o acima exposto.
“L. Whipple, pregador responsável. Franklinville, 20 de março de 1860.”
Segue a carta de transferência:
“O portador, W. D. Bishop, tem sido membro aceito da Igreja Metodista Episcopal no cargo de Crystal Lake, Conferência de Rock River.
“Franklinville, 20 de agosto de 18[..]
“L. W.
“P. S.: O irmão Bishop tem licença de exortador.”
[N. do T.: “L. C.” é “líder de classe” (“C. L.”, class leader). O ano da carta e o nome do signatário estão incompletos no próprio original, por causa do rasgo.]
O autor destas páginas copiou os documentos acima dos papéis originais, que lhe foram emprestados para esse fim pelo irmão de W. D. Bishop, o Dr. M. F. Bishop. O pregador que deu a carta acima foi L. Whipple, cujo nome está assinado na citação para julgamento sobre o libelo de acusações. Ao tentar arrancar a sua assinatura da carta, conseguiu arrancar tudo, menos as iniciais “L. W.” Estas, junto com a letra, que é a mesma da citação sobre o libelo de acusações, assinada por “L. Whipple, pregador responsável”, são prova de quem deu a carta; e, no momento em que escrevemos, há várias testemunhas vivas que o viram arrancar o seu nome da carta em questão. Se esse assunto parecer a alguém de importância insignificante, lembre-se de que o caso é citado aqui como ilustração do espírito e dos métodos empregados contra os metodistas daquele tempo, no norte de Illinois, que mostravam simpatia pelo movimento de reforma chamado com desprezo de “redfieldismo”.
Tendo sido excluídos da maneira mais injusta da Igreja Metodista Episcopal, à qual tinham sido dedicados por muito tempo, os Bishop ficaram por algum tempo sem saber que caminho seguir. Por fim, o pai Bishop redigiu artigos de associação, que eles e muitos dos que simpatizavam com eles subscreveram, formando-se assim num Grupo de Cristãos Sérios (Earnest Christian Band).
Os casos acima são amostras do espírito geral de oposição à religião espiritual que prevalecia naquele tempo tanto no Oeste como no Leste. São também ilustrações dos métodos injustos e cruéis pelos quais se procurou livrar a Igreja Metodista em Illinois do “redfieldismo”, que era sinônimo da obra da santidade no Oeste, como o “nazaritismo” o era no Leste. Grande bênção acompanhara constantemente o trabalho do Dr. Redfield no Oeste: centenas se converteram claramente (até quinhentos numa única série de reuniões), e centenas também receberam o batismo santificador com o Espírito Santo. As igrejas tinham sido grandemente vivificadas, e erguera-se para o povo em geral um padrão mais elevado de justiça. “Se a Igreja Metodista tivesse sido persuadida a cuidar da obra”, escreveu o Dr. Redfield numa carta particular a um amigo, “em vez de lutar contra ela, ela poderia ter se espalhado mais, e se teria colhido uma safra mais gloriosa.” Não reconheceram, porém, a sua oportunidade, não conheceram o tempo da sua visitação graciosa (Lc 19.44), e assim a colheita espiritual que poderia ter sido para o seu enriquecimento foi deixada para que outros a recolhessem, embora não sem grande sacrifício e experiências de muita angústia.
Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.