Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo I

A Festa do Amor

A festa do amor é rica em tradição, em simbolismo e em comunhão cristã. É um culto em que porções de pão, o elemento de uma refeição simples, são distribuídas aos presentes e repartidas entre eles, como membros de uma só família unida pelo amor.

A festa do amor tem raízes no ágape, a refeição da igreja primitiva. Lucas registra a respeito dos primeiros cristãos: “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo” (At 2.46-47).

O gesto simbólico de partir o pão carrega um significado profundo, desde os antigos ritos do Antigo Testamento até a comunhão atual dos crentes. O pão da Páscoa simboliza até hoje o poder de Deus para libertar o seu povo da escravidão. O pão partido e repartido na Última Ceia representa o sacrifício voluntário de Cristo, para que não morrêssemos.

O partir do pão representa a reconciliação no seu sentido mais nobre. O pão partido que Jesus ofereceu aos discípulos no cenáculo, inclusive a Judas, foi um último ato de amor perdoador da parte do Mestre. Quando Jesus alimentou a multidão com cinco pães partidos e dois peixes, demonstrou o seu amor cuidadoso por todas as pessoas necessitadas. Esse ato simples, e ao mesmo tempo milagroso, abriu o coração compassivo de Jesus a uma multidão faminta. Por isso, o partir do pão, de muitas formas e em muitos lugares, torna-se uma parte importante da comunhão, fonte de milagres, que a igreja primitiva experimentou.

A festa do amor é ao mesmo tempo uma celebração do amor perdoador de Cristo no Calvário e uma participação nesse amor, na comunhão de crentes reconciliados e cheios de alegria.

A festa do amor praticada na tradição metodista foi tomada dos morávios, pelas razões que o próprio Wesley apresentou:

A fim de aumentar neles [nas pessoas dos grupos] a gratidão por todas as misericórdias de Deus, pedi que, numa noite em cada trimestre, todos os homens dos grupos se reunissem; numa segunda, todas as mulheres; e numa terceira, homens e mulheres juntos, para que juntos pudéssemos “tomar as nossas refeições” (como faziam os cristãos antigos) “com alegria e singeleza de coração”. Nessas festas do amor (como as chamamos, conservando tanto o nome como a prática, que estava em uso desde o princípio), nosso alimento é apenas um pouco de bolo simples e água. Mas raramente voltamos delas sem ter sido alimentados não só com “a comida que se estraga”, mas com aquela “que permanece para a vida eterna”.

[N. do T.: trecho de Uma explicação sobre o povo chamado metodista (1749), VI.5, na tradução já publicada neste site.]

Nas sociedades metodistas maiores, a festa do amor era realizada a cada trimestre, num domingo à tarde ou depois do culto de domingo à noite. As sociedades menores a observavam só uma vez por ano. O historiador metodista Dr. Frank Baker atribuiu o declínio e o quase desaparecimento da festa do amor ao fato de ela ter sido produto e instrumento do avivamentismo.

Embora a observância da festa do amor tenha declinado no metodismo livre nos últimos anos, onde ela foi reintroduzida oferece à igreja uma oportunidade de manter a “singeleza de coração” por meio do amor perdoador, que supera as pequenas diferenças e os mal-entendidos.


Festa do Amor e partir do pão

(Uma ordem de culto)

(Preparada para cumprir o Par. A/379 do Livro de Disciplina, “A Festa do Amor”.)

Sentenças de abertura

Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus, e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. Amados, se Deus nos amou de tal maneira, nós também devemos amar uns aos outros. Nunca ninguém viu Deus. Se amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor é, em nós, aperfeiçoado. (1Jo 4.7,10-12)

Hino

The Bond of Love (“O laço do amor”)
Our God Is Love, and All His Saints (“Nosso Deus é amor, e todos os seus santos”)

Meditação em silêncio

(Dê tempo para o exame pessoal e a reflexão.)

“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.” (Sl 139.23-24)

Estou disposto a conhecer a mim mesmo e a assumir a responsabilidade pelo que sou e pelo que faço, ou ponho a culpa nos outros?

Sou honesto, ou professo em público princípios que não pratico em particular?

Sou mais severo no julgamento dos outros do que no julgamento de mim mesmo?

Faço aos outros exigências que não faço a mim mesmo?

Escuto os outros para compreendê-los, ou só penso nos meus próprios pensamentos enquanto os outros falam?

Sou amável e cortês com toda a minha família, com os meus colegas e com os estranhos que encontro?

Perdoo a todos os que me ofenderam ou me falaram com dureza, lembrando que Deus perdoa ainda mais por meio de Cristo Jesus, meu Senhor?

Faço tudo o que está ao meu alcance para manter a paz e a unidade na comunhão dos crentes em Cristo?

Estou pronto a pedir perdão a quem ofendi, humilhando-me para que Jesus Cristo seja exaltado na congregação?

Estou disposto a ser conhecido pelos outros e a amar os meus irmãos e irmãs em Cristo quando os conheço?

Estou pronto a falar com os outros “não para agradar as pessoas, e sim para agradar a Deus, que prova o nosso coração” (1Ts 2.4)?

Oração

(O dirigente pode orar ou dar oportunidade para que outros orem espontaneamente.)

(O pão pode ser distribuído neste momento, antes do hino, com instruções sobre como reparti-lo. Depois de cantado o hino, que as pessoas se movimentem para se misturar com todas as outras, recebam umas das outras o pão oferecido e falem umas às outras com amor e apreço, em voz baixa e com sinceridade.)

Hino

We Are One in the Spirit (“Somos um no Espírito”)

(Terminado o tempo de partilha, os introdutores recolhem as sobras entre os participantes. O povo fica de pé para cantar. Se for conveniente e apropriado, pode formar um círculo e dar as mãos.)

Hino

Blest Be the Tie That Binds (“Bendito o laço que nos une”)

(O culto pode incluir testemunhos ou terminar com a Santa Ceia.)

Bênção

Que o Deus eterno, cujo nome é Senhor, dê o seu Espírito, e que o Espírito Santo derrame o amor de Deus no coração de vocês, por meio de Jesus Cristo, que disse: “Nisto todos conhecerão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns aos outros” (Jo 13.35).

Ordem de culto oferecida pelo bispo emérito Paul N. Ellis.

Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 41-43 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.