Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo I

Cultos fúnebres e sepultamento

[N. do T.: a ordem do sepultamento (págs. 134-136) é a mesma que o Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil traz no §9310, que, no entanto, não inclui as três orações alternativas de entrega do corpo. As citações bíblicas seguem a NAA. A coleta “Ó Deus misericordioso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…” segue a nossa tradução do Sunday Service de Wesley, de onde ela vem.]

Cultos fúnebres e memoriais

A morte traz necessidades especiais de cuidado a qualquer família e abre oportunidades únicas de ministério na comunidade da fé. Tenha um plano pronto para oferecer consolo e ajuda a cada família assim que receber a notícia da morte de um membro da sua igreja. O pastor pode ser a primeira pessoa avisada, mas a rede de cuidado da família enlutada, como um pequeno grupo ou a junta de ecônomos, deve se mobilizar imediatamente para ajudá-la.

Orientações

O pastor normalmente é responsável por planejar e dirigir o funeral, mas uma rede de cuidado é muito eficaz para ajudá-lo no ministério à família.

Se você é novo na região, sinta-se livre para consultar um agente funerário local, ou um pastor que esteja ali há muito tempo, ou ambos, para conhecer os costumes ou as normas locais próprios daquele lugar.

O pastor deve entrar em contato com a família, por telefone ou pessoalmente, assim que souber da morte. Numa emergência, o pastor pode precisar correr a um hospital para aconselhar a família em decisões difíceis, como a doação de órgãos.

Ao ser avisado de uma morte, ore com a família e por ela e pela sua rede de amigos. Telefone para uma pessoa da rede de cuidado, pedindo que avise os outros da necessidade. A pessoa de contato também deve telefonar para a família, perguntando como o grupo pode ajudar (por exemplo, indo à casa ou ao hospital, atendendo telefonemas, ajudando com a imprensa, organizando as refeições etc.). O quanto antes, uma ou duas pessoas da rede de cuidado devem se oferecer para ficar com a família.

Os que consolam os enlutados devem estar atentos aos momentos apropriados para oferecer uma oração ou ler as Escrituras. Seja sensível ao ambiente. Uma crise na sala de emergência, por exemplo, pode ou não ser o melhor momento e lugar para ler as Escrituras.

Se um familiar morreu pouco antes da chegada do pastor (ou se a funerária ainda não levou o corpo), incentive com delicadeza os familiares a ver o corpo antes que seja levado. Alguns podem resistir, mas, se puderem ser persuadidos, começarão o necessário processo do luto.

Tanto os que cuidam quanto o pastor devem lembrar que a hora da morte não é hora de dar conselhos nem respostas prontas a perguntas que não têm resposta. A presença e a preocupação sincera já ajudam por si mesmas. Evite fazer comentários batidos sobre o falecido, como: “Parece que está dormindo” (não, parece morto); “Deus deve ter levado para algum propósito maior no céu” (não, Deus não quer a morte de ninguém; o seu Filho morreu para trazer vida). Em vez disso, ofereça palavras bíblicas de segurança de que Deus ama e compreende e de que está com eles na sua tristeza. Se o falecido era um verdadeiro crente, comentários sobre a esperança da ressurreição costumam ser apropriados.

O planejamento do funeral

Assim que for oportuno, pergunte à família como você pode ajudar nos preparativos. Nunca se sinta ofendido se outro pastor for incluído nos planos do culto fúnebre. Garanta à família que você está disposto a ajudar da maneira que ela desejar.

Se você for dirigir o culto fúnebre ou memorial, converse com a família para saber o que ela deseja. Seja paciente, dando tempo para que os familiares discutam os detalhes entre si. Essa conversa é especialmente delicada, e precisa de cuidado pastoral, se a morte foi inesperada.

Se a família hesitar em começar os planos, esteja preparado para oferecer com delicadeza sugestões que você julgue estarem em harmonia com os costumes da família e da igreja. Faça todo o esforço para cumprir os desejos dela. Se for preciso mudar algo, converse com a família antes do funeral.

Cultos fúnebres e cultos à beira do túmulo simples são sempre apropriados. Embora simples, que esses ministérios sejam ricos nos recursos espirituais da oração e das Escrituras. O evangelho pode ser apresentado com clareza, mas nunca com uma atitude de julgamento sobre o falecido. A sua tarefa de evangelizar será mais eficaz depois, se o seu trabalho de consolar e amparar for bem feito naquele momento.

O primeiro passo no planejamento do culto fúnebre ou memorial é preparar-se a fundo, espiritual e mentalmente. Você poderá falar a mais pessoas sem igreja num funeral do que em qualquer outra ocasião.

Pode-se ler um breve obituário, para apresentar aos parentes e amigos reunidos os dados essenciais sobre o falecido. Essa informação normalmente vem do agente funerário, e você pode acrescentar comentários a partir do que você mesmo sabe.

Pode ser apropriada uma breve história da vida do falecido, falada em apreço pela qualidade da vida vivida e incluindo as contribuições notáveis que deu para o bem da igreja e da sociedade. Essa informação deve ser obtida da família numa “conversa” no momento em que se discutem os preparativos do funeral.

A sua presença faz diferença

Há dois ou três momentos em que é importante estar com a família, dependendo dos costumes locais.

Um deles é antes do primeiro horário de velório, quando a família vê o seu querido no caixão pela primeira vez. Planeje chegar alguns minutos antes, oferecendo uma leitura bíblica (por exemplo, Sl 34.1-4,8-9,15-18) e depois uma breve oração de consolo. Fique com a família durante esse momento reservado.

Outro é a despedida final, antes de o caixão ser fechado para o funeral.

Fique perto da família enlutada em todos os momentos possíveis, antes, durante e depois do culto. A maioria dos agentes funerários providenciará para que você se encontre com a família numa sala reservada, para alguns momentos de oração e reflexão, imediatamente antes do culto.

Logo depois do sepultamento, aproxime-se de cada familiar e ofereça palavras de consolo, ou simplesmente ouça, num silêncio amoroso.

É um bom costume voltar com a família para a casa dela depois do culto. Alguns dos ministérios mais eficazes de consolo e compreensão podem ser realizados nesse momento. A tensão se desfez na satisfação de que tudo o que era possível foi feito para sepultar o corpo do ente querido. Você conhecerá outros membros da família e o seu círculo de amigos. Nesses momentos se fazem contatos duradouros e frutíferos.

A ordem do culto

Atenda aos pedidos da família sempre que possível. Um culto realizado numa casa ou numa funerária será normalmente menos formal e bem curto. O costume local costuma ser guia suficiente.

Embora a brevidade e a simplicidade sejam normalmente apropriadas, o culto para um cidadão destacado ou um líder da igreja, com a participação de vários ministros, exigirá mais planejamento e tempo.

Modelos de ordem de culto

Ordem 1

Prelúdio musical
Sentenças bíblicas de abertura
Invocação
Hino
Leitura bíblica
Oração pastoral
Sermão fúnebre
Bênção ou oração final

Ordem 2

Música instrumental (hinos de consolo)
Sentenças bíblicas
Oração de invocação
Hino
Seleção de passagens bíblicas
Oração pastoral
Hino
Obituário ou história da vida
Mensagem memorial ou sermão fúnebre
Hino
Bênção ou oração final
Música instrumental

Ordem 3

Hinos de consolo
Leitura bíblica
Oração
Mensagem fúnebre
Oração

Ordem para o culto à beira do túmulo

Leitura bíblica
Poema ou entrega do corpo
Bênção ou oração final

Hinos apropriados para funerais

[N. do T.: os números são dos dois hinários em inglês usados então nas igrejas metodistas livres dos EUA: HWC, The Hymnal for Worship and Celebration, e HFL, Hymns of Faith and Life. Os títulos em português entre parênteses são traduções literais.]

HWC HFL Hino
50 29 The Lord’s My Shepherd, I’ll Not Want (“O Senhor é o meu pastor, nada me faltará”)
43 43 Great Is Thy Faithfulness (“Grande é a tua fidelidade”)
52 59 O God, Our Help in Ages Past (“Ó Deus, nosso socorro nas eras passadas”)
8 63 Praise to the Lord, the Almighty (“Louvai ao Senhor, o Todo-Poderoso”)
364 86 My Jesus, I Love Thee (“Meu Jesus, eu te amo”)
218 177 I Know That My Redeemer Lives (“Eu sei que o meu Redentor vive”)
240 192 When He Shall Come (“Quando ele vier”)
410 268 My Faith Looks Up to Thee (“A minha fé olha para ti”)
205 273 And Can It Be? (“E pode ser?”, de Charles Wesley)
466 277 Jesus, Lover of My Soul (“Jesus, amante da minha alma”, de Charles Wesley)
435 352 What a Friend We Have in Jesus (“Que amigo temos em Jesus”)
460 381 All the Way My Savior Leads Me (“Por todo o caminho o meu Salvador me guia”)
490 387 Loved with Everlasting Love (“Amado com amor eterno”)
204 392 Rock of Ages, Cleft for Me (“Rocha eterna, fendida por mim”)
186 456 On a Hill Far Away (“Num monte distante”)
460 Abide with Me! Fast Falls the Eventide (“Fica comigo! Depressa cai a tarde”)

Passagens bíblicas adicionais

Passagens breves: Sl 103.13; 42.11; 46.1-2; 90.1-2; 91.1-2; 27.1; 23.4; 1Co 15.20,22; Sl 124.8 com 2Tm 1.10; 2Co 1.3-4; Nm 23.10; Ap 21.7; 14.13.

Passagens mais longas: Sl 27.1,3,5,11,13; 139.1-2,6-12; Mt 5.3-4,6-8; Rm 8.14,16-18,31-35,37-39; 1Co 15.20-26,35-44,54-58; Mt 25.31-37,40; Hb 12.1-2; 1Co 2.9-11; 1Pe 1.3-9; Ap 7.9-17; 2Tm 4.7-8.

Para uma criança: 2Sm 12.18-20,22-23.

Para um jovem: Jo 11.21-28,32-36; Ec 12.1.

Para um cristão idoso: Jó 5.26; Sl 92.13-14.

Para a entrega do corpo, à beira do túmulo: Mt 5.4 com Jo 14.27 e Mt 18.14; Ml 3.17; Hb 13.20-21; 1Ts 4.13-14; 1Co 15.49,53; Sl 23.4; Is 41.10,13; Sl 103.11,13-14; 1Jo 3.2 com 1Co 13.12; Jo 11.25-26 com Ap 1.17-18; Sl 46.1-3 com Dt 33.27.


O sepultamento dos mortos

(O pastor pode usar a seguinte ordem de culto na igreja ou na capela.)

Sentenças de abertura, como:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente” (Jo 11.25-26).

“Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação, na medida em que não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem. Porque as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas” (2Co 4.17-18).

Invocação

Ó Deus eterno, nosso Pai, de quem viemos e para quem vamos, concede-nos o favor da tua presença divina neste momento da nossa peregrinação terrena; assegura-nos, pelo teu Espírito, que aquele a quem servimos, o próprio Jesus, venceu a morte e vive para sempre; capacita-nos a ver a nossa vida temporal à luz da eternidade; e, assim, que o nosso espírito se acalme e a nossa visão se torne clara. Por Cristo oramos. Amém.

Hino (pela congregação, pelos músicos ou pelo organista) (opcional)
Obituário ou homenagens (opcional)
Leituras do Antigo Testamento, como: Sl 23, 90, 121
Leituras do Novo Testamento, como: Jo 14.1-6; 1Co 15.35-49; 2Co 5.1-5
Hino (pela congregação, pelos músicos ou pelo organista) (opcional)
Meditação
Oração (pela família e pela comunidade)
Bênção (não usada se o culto continuar à beira do túmulo)

(No momento apropriado, no cemitério, o pastor diz:)

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá. E todo o que vive e crê em mim não morrerá eternamente” (Jo 11.25-26).

“Porque eu sei que o meu Redentor vive e por fim se levantará sobre a terra. Depois, revestido este meu corpo da minha pele, em minha carne verei a Deus. Eu o verei por mim mesmo, os meus olhos o verão…” (Jó 19.25-27).

“Porque nada trouxemos para o mundo, nem coisa alguma podemos levar dele” (1Tm 6.7).

“O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.21).

(Pode-se usar também o seguinte no cemitério.)

“Que o coração de vocês não fique angustiado; vocês creem em Deus, creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu já lhes teria dito. Pois vou preparar um lugar para vocês. E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também. E vocês conhecem o caminho para onde eu vou. Então Tomé disse a Jesus: ‘Não sabemos para onde o Senhor vai. Como podemos saber o caminho?’ Jesus respondeu: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim'” (Jo 14.1-6).

(Então o pastor diz:)

Visto que o Deus todo-poderoso, na sua sábia providência, levou deste mundo o nosso irmão falecido (a nossa irmã, ou esta criança), entregamos este corpo mortal à terra, aguardando a ressurreição geral no último dia e a vida do mundo vindouro, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Na sua segunda vinda, em gloriosa majestade, para julgar o mundo, a terra e o mar entregarão os seus mortos, e os corpos corruptíveis dos que dormem nele serão transformados e feitos semelhantes ao seu corpo glorioso, segundo a eficácia do poder que ele tem de subordinar a si todas as coisas.

(O pastor pode orar espontaneamente ou usar o seguinte:)

A coleta

Ó Deus misericordioso, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é a ressurreição e a vida, em quem todo aquele que crê viverá, ainda que morra, e todo aquele que vive e nele crê não morrerá eternamente: humildemente te rogamos, ó Pai, que nos ressuscites da morte do pecado para a vida da justiça, para que, quando partirmos desta vida, descansemos nele; e, na ressurreição geral, no último dia, sejamos achados aceitáveis aos teus olhos e recebamos a bênção que o teu amado Filho então pronunciará a todos os que te amam e temem, dizendo: “Venham, benditos de meu Pai, recebam o reino preparado para vocês desde a fundação do mundo.” Concede isto, nós te rogamos, ó Pai misericordioso, por Jesus Cristo, nosso Redentor. Amém.

ou:

Visto que o espírito do falecido (da falecida) voltou a Deus, que o deu, entregamos o seu corpo à terra, terra à terra, cinza à cinza, pó ao pó, aguardando a ressurreição geral no último dia e a vida do mundo vindouro, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Na sua vinda, em gloriosa majestade, para julgar o mundo, a terra e o mar entregarão os seus mortos, e os corpos corruptíveis dos que dormem nele serão transformados e feitos semelhantes ao seu corpo glorioso, segundo a eficácia do poder que ele tem de subordinar a si todas as coisas. Amém.

ou:

Visto que o espírito deste ente querido voltou a Deus, que o deu, entregamos com ternura o seu corpo à terra, em firme confiança e certa esperança no poder e no amor de Cristo, nosso Senhor, a cujo chamado divino os que dormem nele um dia ressuscitarão para estar com ele e ouvir, com todos os santos, o convite de boas-vindas: “Venha participar da alegria do seu senhor.” Pois dele são o reino, o poder e a glória, para sempre. Amém.

ou, para uma criança:

Na firme esperança da ressurreição para a vida eterna, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, entregamos à terra o corpo desta criança. O Senhor a abençoe e a guarde; o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ela e tenha misericórdia dela; o Senhor sobre ela levante o seu rosto e lhe dê a paz, agora e para sempre. Amém.

Bênção

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos nós, para sempre. Amém.

Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 129-136 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.