Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo III
[N. do T.: este capítulo descreve a organização da Igreja Metodista Livre dos EUA em 1995-1998 e remete aos parágrafos do Livro de Disciplina americano daquela época. No Brasil, vale o Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil. Os nomes dos órgãos seguem os do nosso Manual: society = igreja local; society meeting = assembleia da igreja local; official board = Junta Administrativa Local; nominating committee = Comissão de Chapas; board of trustees = Comissão de Patrimônio; board of stewards = junta de ecônomos; pastor’s cabinet = equipe ministerial.]
(Resumo das decisões do Concílio Geral de 1995*)
Em harmonia com a nossa declaração de missão, de “… convidar para a sua membresia e equipar para o ministério a todos que responderem com fé”, o modelo do Novo Testamento, de arrependimento, fé e batismo, constituirá as exigências principais para a membresia. Isso torna a membresia na Igreja Metodista Livre, tanto quanto possível, sinônimo de entrada no Corpo de Cristo. Estamos abertos a todos os que Deus despertou e os amparamos com o poder curador e capacitador do Espírito Santo na sua igreja. Os princípios de conduta cristã expressos nos Pars. A/315-342 devem ser os alvos de amadurecimento na vida de todos os que são convidados à membresia.
A igreja busca a santidade no seu sentido mais amplo: amar a Deus de todo o coração, de toda a alma, de todo o entendimento e com toda a força, e ao próximo como a nós mesmos. Esse chamado à santidade reafirma os nossos valores históricos e aumenta a nossa responsabilidade de enfrentar abertamente o pecado do nosso tempo, seja a dependência química, o egoísmo, a maledicência ou qualquer outra coisa que desonre o nome de Deus. (Veja o Par. A/352.1 do Livro de Disciplina.)
A Igreja Metodista Livre se dedica à evangelização e a fazer discípulos, com preocupação intencional pelo crescimento espiritual de cada pessoa da sua comunidade, seja quem busca a Deus, seja o novo cristão, seja o cristão de longa data.
O alvo da maturidade cristã está descrito no Capítulo III do Livro de Disciplina.
As exigências principais para a membresia na Igreja Metodista Livre são o arrependimento, a fé e o batismo, de acordo com o modelo do Novo Testamento para a entrada no Corpo de Cristo.
a. despertamento para Deus, o desejo de buscar a Deus (Par. A/301);
b. concordância em participar das oportunidades de amadurecimento oferecidas pela igreja, como classes, estudos bíblicos e pequenos grupos (Par. A/307);
c. evidência de conversão genuína (Par. A/302);
d. receber a instrução catequética do batismo e o sacramento do batismo ou, se batizado na infância, dar assentimento público à aliança batismal (Par. A/124);
e. concluir o curso de instrução aprovado para candidatos a membro;
f. compromisso com a Aliança de Membro (Pars. A/154-160) e com a seção “Conduta Cristã” do Livro de Disciplina (Pars. A/315-342);
g. entrevista com o pastor ou com a Comissão de Cuidado de Membros, ou com ambos, que verificarão se a pessoa está pronta para a membresia (Pars. A/306-307);
h. aprovação pela Junta Administrativa Local da igreja, mediante recomendação da Comissão de Cuidado de Membros (Par. A/404.4, Seç. 4); e
i. responder afirmativamente às perguntas para a recepção de membros, numa reunião pública da igreja (Par. A/353.1).
A sequência dos passos acima é a ordem normal, mas pode variar conforme a necessidade de cada pessoa. O propósito é permitir que os novos crentes, ou os membros que vêm por transferência:
a. identifiquem as questões da sua vida e recebam ajuda;
b. identifiquem as suas dúvidas teológicas e doutrinárias e encontrem respostas; e
c. aprendam a missão da Igreja Metodista Livre e assumam compromisso com ela.
Uma igreja local ou um Concílio Regional pode considerar os passos 1.a a 1.c como membresia em preparação. Pode-se usar o rito de recepção de membros em preparação (Par. A/360).
Para garantir a saúde espiritual e o crescimento da igreja local, os membros das várias juntas e comissões encarregadas de dar conteúdo e direção à missão da igreja devem ser pessoas de profundidade espiritual, fé viva e frequência fiel à igreja, e devem estar de acordo com a doutrina, a conduta e a missão da Igreja Metodista Livre.
As Comissões de Chapas e as igrejas locais devem consultar as orientações para a escolha de líderes que se encontram em Êx 18.21, At 7.3, 1Tm 3.1-13 e Tt 1.5-9. As pessoas escolhidas como delegados ao Concílio Regional, para cargos de liderança, funções de ensino e ministério público, devem demonstrar um estilo de vida em harmonia com as passagens acima e com os Capítulos I e III do Livro de Disciplina.
[N. do T.: assim no original: “At 7.3”. O texto sobre a escolha de líderes cheios do Espírito e de sabedoria é At 6.3.]
A assembleia deve ser anunciada com pelo menos dez dias de antecedência. Não se permite o voto por ausência.
Ao preparar a eleição dos líderes leigos, o pastor deve chamar a atenção para as qualificações bíblicas para a liderança encontradas em Mt 20.26-28, Jo 15.12-17, At 6.1-7 e Ef 4.1-17.
A igreja local elegerá dentre os seus membros, por escrutínio, os delegados ao Concílio Regional, de acordo com as disposições do Par. A/277.
Os delegados ao Concílio Regional podem ser indicados pela Comissão de Chapas, se a igreja local assim decidir, apresentando pelo menos dois nomes para cada vaga de delegado, para eleição por escrutínio (Par. 402.1, Seç. 4).
A eleição dos delegados e dos suplentes será feita em escrutínios separados, e cada um exigirá a maioria dos votos dos presentes e votantes. Os membros adultos, exceto os candidatos ao ministério do Concílio, podem ser eleitos delegados. No entanto, o delegado que for recebido como candidato ao ministério do Concílio durante a sessão em curso não fica impedido de servir como delegado.
Os delegados servem de ligação entre a igreja local e o pessoal nomeado para ela, assim como entre o Concílio e a igreja local. As suas tarefas principais incluem: representar a igreja local no Concílio Regional; participar das atividades do Concílio quando solicitados; representar a igreja diante do superintendente; preservar a unidade do corpo, promovendo a paz e a harmonia entre os membros.
Os delegados leigos devem atender às condições descritas para os líderes no Par. A/402, Seç. 2.b, e apoiar o pastor e a equipe no planejamento e na promoção das estratégias da Grande Comissão.
O objetivo do processo de indicação é identificar pessoas de maturidade espiritual, com dons e frutos no ministério, e oferecer a cada uma um papel apropriado na missão geral da igreja.
Na assembleia anual, a igreja local elegerá por escrutínio, dentre os seus membros adultos, uma Comissão de Chapas permanente, de no mínimo três e no máximo nove pessoas, mais o pastor titular. A igreja local deve considerar pessoas espiritualmente maduras, que entendam a missão da igreja e a busquem ativamente.
A igreja local determinará o tamanho da comissão, a duração dos mandatos e o rodízio, inclusive eventuais limites de mandato. As indicações para a Comissão de Chapas podem ser recebidas com antecedência. Nesse caso, deve-se fornecer um formulário de indicações pelo menos um mês antes da eleição. A Junta Administrativa Local processará essas indicações e preparará uma cédula com todas as pessoas disponíveis. Podem-se receber indicações do plenário, se a igreja local o tiver decidido antes, por uma norma permanente. A Comissão de Chapas não pode apresentar indicações para a próxima Comissão de Chapas.
Deveres: a Comissão de Chapas recomendará à igreja local pessoas para os cargos de liderança das comissões e juntas permanentes (o que pode incluir dois terços da equipe ministerial do pastor, conforme o Par. A/404.3, Seç. 1); o tesoureiro da igreja local; o diretor de educação cristã e os diretores por faixa etária; os diretores ou presidentes da junta de ecônomos, da Comissão de Patrimônio, de evangelismo e crescimento da igreja, de missões e de finanças e mordomia; e outros cargos de liderança que a igreja local determinar. As equipes de ministério dessas juntas e comissões podem ser indicadas pelos respectivos diretores ou pela Comissão de Chapas, conforme a igreja local determinar.
O relatório da Comissão de Chapas deve ser posto à disposição da igreja local pelo menos dez (10) dias antes da eleição.
O tesoureiro deve ser membro adulto da Igreja Metodista Livre. Manterá registro de todo o dinheiro arrecadado e da forma como é gasto, e será responsável por apresentar por escrito um demonstrativo financeiro detalhado a cada mês e um relatório completo à assembleia anual da igreja local.
Para proteger o tesoureiro, recomenda-se que a Junta Administrativa Local eleja conferentes, que contarão cada oferta e fornecerão a documentação necessária para a auditoria anual; o tesoureiro porá esses formulários à disposição da auditoria.
Recomenda-se também eleger um secretário financeiro, se o tamanho da congregação e o volume de recursos movimentados o aconselharem. Os deveres do secretário financeiro serão definidos pela Junta Administrativa Local.
A pedido conjunto do pastor e da comissão de finanças, os livros financeiros devem ser postos à disposição para exame.
A Junta Administrativa Local será composta pelo pastor titular e pelos líderes de ministério da igreja, conforme a igreja local determinar. Recomenda-se que tenha no mínimo sete e no máximo doze membros. Deve incluir pelo menos um delegado e um membro da Comissão de Patrimônio.* Recomenda-se também que nenhum membro, exceto o pastor, sirva por mais de seis anos consecutivos.
Os membros da Junta Administrativa Local devem ser membros representativos da igreja local, fiéis na frequência ao culto, envolvidos no ministério e contribuintes financeiros pelo menos no nível do dízimo.
A Junta Administrativa Local se organizará para supervisionar os ministérios da igreja conforme a necessidade. Dará atenção à liderança no evangelismo e crescimento da igreja, nas missões mundiais, na educação cristã e na saúde espiritual da congregação.
O procedimento revisto para a avaliação do(s) pastor(es) e da congregação se encontra no Par. A/403 do Livro de Disciplina.
Já não existe a pesquisa sobre o retorno do pastor nem a votação sobre a sua permanência.
* A menos que se encontre em outro lugar deste Manual. [N. do T.: assim no original; a nota parece referir-se ao asterisco do título “Resumo das decisões do Concílio Geral de 1995”.]
Toda igreja organizada tem uma Junta Administrativa Local, que serve de centro nervoso da congregação. Ela recolhe os desejos do corpo de crentes, toma decisões, prepara propostas importantes para a igreja local, executa as decisões da junta e comunica os resultados a todo o corpo. Uma igreja pode ser abençoada com uma junta eficiente, bem treinada e que funciona bem. Por outro lado, a junta pode se tornar ineficaz, desanimada e de valor duvidoso, dependendo, em muitos casos, da atitude e da capacidade de liderança do pastor.
Todo pastor deve ter como alvo ajudar a Junta Administrativa Local a se tornar o que ela deve ser. Começa-se pela disposição de aceitar, treinar e conduzir os membros nos seus papéis individuais e coletivos. (Veja acima a seção sobre as decisões do Concílio Geral de 1995, “Junta Administrativa Local”.)
Para fazer uma avaliação preliminar da Junta Administrativa Local, use a seguinte lista de perguntas:
Se uma Junta Administrativa Local não tiver certeza quanto aos itens 1 e 2 acima, a primeira responsabilidade do pastor é treiná-la, com a orientação do superintendente, conforme a necessidade.
Compre exemplares em número suficiente para distribuir entre os membros da Junta Administrativa Local. Indique leituras, seguidas do seu ensino, seja num retiro de um dia, seja em partes de estudo incluídas na pauta de reuniões sucessivas da junta. Membros da sua igreja que tenham o dom de ensinar podem ajudá-lo.
A igreja que tem uma missão claramente declarada, um conjunto de prioridades cuidadosamente pensado e alvos “assumidos” pela congregação está em condições de realizar grandes coisas para Deus. A própria Junta Administrativa Local é o lugar apropriado para discutir, aperfeiçoar e adotar esses itens.
O Livro de Disciplina da Igreja Metodista Livre (edição de 1995) descreve a composição e o trabalho da Junta Administrativa Local no Par. A/402.3. Os deveres da Comissão de Cuidado de Membros, da junta de missões, da junta de evangelismo e crescimento da igreja, da Junta de Educação Cristã, da equipe ministerial do pastor, dos ecônomos, da Comissão de Patrimônio e de outros oficiais são ampliados nos Pars. A/404-404.5 e A/850-854.
As igrejas maiores muitas vezes atribuem responsabilidades específicas à Comissão de Patrimônio e aos ecônomos. Por exemplo, os membros da Comissão de Patrimônio (sozinhos ou com equipes de apoio) podem ser responsáveis por negócios, manutenção do prédio, jardinagem, encanamento e assim por diante. Os ecônomos podem ser encarregados de dirigir o atendimento às necessidades da comunidade, a hospitalidade, a comunhão, o berçário, a preparação da Ceia e coisas semelhantes.
As orientações seguintes ajudarão a conduzir uma reunião eficaz da Junta Administrativa Local:
Se encontrar dificuldades para treinar ou conduzir com eficácia a igreja por meio da sua Junta Administrativa Local, o pastor deve consultar o superintendente do Concílio, que está preparado para ajudar.
Se a Igreja Metodista Livre quiser cumprir a sua missão ao longo dos anos 90 e no século XXI, precisaremos, entre outras coisas, ajustar as estruturas para que sejam eficazes e produtivas. Abaixo está uma estrutura alternativa que pode ser usada para atender aos objetivos da igreja local ou do Concílio.
A igreja local se reúne anualmente para:
A Junta Administrativa Local:
[N. do T.: no original, um gráfico. Reproduzimos aqui o seu conteúdo em texto.]
NOTA: Comissões provisórias ou tarefas específicas atribuídas a pessoas normalmente funcionam de modo mais produtivo do que as comissões permanentes. Há várias razões para isso:
a) as comissões provisórias recebem uma tarefa específica;
b) recebem um orçamento específico;
c) recebem um prazo específico para concluir o seu trabalho;
d) são honradas, elogiadas e agradecidas de acordo.
NOTA: As igrejas que empregam um ou dois pastores auxiliares podem querer fazer deles membros provisórios da Junta Administrativa Local. Nesse caso, a junta deve entrar em “sessão executiva” durante parte de cada reunião. As igrejas maiores podem querer usar o pessoal da equipe como comissão de programa.
A intenção da estrutura é manter o foco, realizar ministério de fato, não sobrecarregar grupos ou pessoas, dar um senso de conclusão às tarefas e permitir que mais obreiros digam “sim” às oportunidades; e, se o pastor e a sua equipe ministerial fizerem as atribuições em harmonia com a missão da igreja, haverá progresso na missão.
Estruturas simples dão amplas permissões aos líderes-chave e permitem que o pastor lance a visão e conduza a um futuro desejado. A estrutura alternativa acima foi pensada para permitir que isso aconteça. Desde que não viole os pontos inegociáveis do modelo New Day de permissão e prestação de contas, a estrutura pode ser ajustada ou ampliada para atender às necessidades locais, com a aprovação do superintendente do Concílio. A estrutura do Concílio pode ser ajustada do mesmo modo, em consulta com o bispo da área.
Aprovado pela Junta de Bispos em 21 de fevereiro de 1996.
Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 149-156 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.