Escritos do Século III · Clemente de Alexandria

Quem é o rico que se salva? (seções 1 a 24)

O rico não deve desesperar da salvação; o que o Senhor pediu ao jovem rico foi que arrancasse da alma o apego aos bens, e não que se desfizesse deles sem mais.

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I. Os que dirigem discursos elogiosos aos ricos parecem-me, com razão, ser julgados não apenas aduladores e vis, por fingirem com veemência que lhes dá prazer o que lhes é desagradável, mas também ímpios e traiçoeiros. Ímpios, porque, deixando de louvar e glorificar a Deus, o único perfeito e bom, de quem, por meio de quem e para quem são todas as coisas (Rm 11.36), revestem1 de honras divinas homens que se revolvem numa vida execrável e abominável e, o que é o principal, sujeitos por isso mesmo ao juízo de Deus. Traiçoeiros, porque, embora a riqueza baste por si só para inchar e corromper a alma de quem a possui e desviá-la do caminho pelo qual se alcança a salvação, eles os entorpecem ainda mais, enchendo o espírito dos ricos com o prazer de louvores extravagantes e levando-os a desprezar inteiramente tudo, exceto a riqueza, pela qual são admirados. Trazem, como se diz, fogo ao fogo, despejam orgulho sobre orgulho e acrescentam presunção à riqueza, um fardo mais pesado àquilo que por natureza já é um peso, quando antes se deveria tirar e remover dele alguma coisa, como de uma doença perigosa e mortal. Pois quem se exalta e se engrandece recebe em troca a mudança e a queda para uma condição humilde, como ensina a palavra divina. A mim me parece muito mais bondoso, em vez de lisonjear vilmente os ricos e louvá-los pelo que é mau, ajudá-los de todos os modos possíveis a realizar a sua salvação: pedindo isso a Deus, que com certeza e com doçura concede tais coisas aos seus filhos, e assim, pela graça do Salvador, curando-lhes a alma, iluminando-os e conduzindo-os à posse da verdade. E quem alcançar isso e se distinguir nas boas obras ganhará o prêmio da vida eterna. Ora, a oração que se estende até o último dia da vida requer uma alma forte e tranquila; e a conduta da vida requer uma disposição boa e justa, que se estenda a todos os mandamentos do Salvador.

II. Talvez a razão pela qual a salvação parece mais difícil aos ricos do que aos pobres não seja uma só, mas muitas. Alguns, ouvindo apenas, e de modo superficial, a palavra do Salvador, “que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” (Mt 19.24), desesperam de si mesmos, como se não estivessem destinados à vida, entregam-se de todo ao mundo, agarram-se à vida presente como se só ela lhes restasse e assim se afastam ainda mais do caminho da vida futura, sem mais indagar a quem o Senhor e Mestre chama de rico, nem como aquilo que é impossível ao homem se torna possível a Deus. Outros compreendem isso de modo correto e suficiente, mas, dando pouca importância às obras que conduzem à salvação, não fazem a preparação necessária para alcançar aquilo que esperam. E digo ambas as coisas dos ricos que já conheceram o poder do Salvador e a sua gloriosa salvação. Com os que ignoram a verdade pouco me ocupo.

III. Aqueles, pois, que são movidos pelo amor à verdade e pelo amor aos irmãos, e que nem tratam com grosseira insolência os ricos que foram chamados, nem, por outro lado, se curvam diante deles por interesses avarentos, devem primeiro, pela palavra, livrá-los do seu desespero infundado e mostrar, com a devida explicação dos oráculos do Senhor, que a herança do reino dos céus não lhes está de todo vedada se obedecerem aos mandamentos. Depois, devem adverti-los de que o medo que sentem não tem motivo e de que o Senhor os recebe de bom grado, desde que eles o queiram. E então, além disso, devem expor e ensinar como e por quais obras e disposições alcançarão o que esperam, visto que isso nem está fora do seu alcance, nem, por outro lado, se obtém sem esforço. Antes, como acontece com os atletas (para comparar coisas pequenas e perecíveis com coisas grandes e imortais), quem foi dotado de riqueza mundana considere que isso depende dele mesmo. Pois, entre os atletas, um, por desesperar de poder vencer e ganhar coroas, nem sequer inscreveu o nome na competição; outro, cujo espírito estava animado por essa esperança, mas que não se submeteu aos trabalhos, à dieta e aos exercícios apropriados, ficou sem coroa e viu frustradas as suas expectativas. Assim também, quem foi investido de riqueza mundana não se proclame excluído de antemão da arena do Salvador, desde que seja crente e contemple a grandeza do amor de Deus pelos homens. Nem espere, por outro lado, agarrar as coroas da imortalidade sem luta e sem esforço, permanecendo sem treino e sem combate. Vá, antes, colocar-se sob o Verbo como seu treinador e sob Cristo como presidente dos jogos. Tenha por alimento e bebida prescritos o Novo Testamento do Senhor; por exercícios, os mandamentos; por elegância e adorno, as belas disposições: o amor, a fé, a esperança, o conhecimento da verdade, a mansidão, a brandura, a compaixão, a seriedade. Assim, quando, pela última trombeta, for dado o sinal para a corrida e para a partida daqui, como do estádio da vida, ele poderá apresentar-se com boa consciência, vitorioso, diante do Juiz que distribui os prêmios, reconhecidamente digno da Pátria do alto, à qual retorna com coroas e com as aclamações dos anjos.

IV. Conceda-nos, pois, o Salvador que, tendo começado o assunto a partir deste ponto, possamos oferecer aos irmãos o que é verdadeiro, apropriado e salutar, primeiro quanto à própria esperança e, em segundo lugar, quanto ao acesso a essa esperança. Ele, de fato, concede aos que suplicam, ensina aos que perguntam, dissipa a ignorância e afasta o desespero, trazendo de novo as mesmas palavras sobre os ricos, que se tornam intérpretes de si mesmas e expositoras infalíveis. Pois nada se compara a ouvir de novo as mesmas afirmações que até agora, nos Evangelhos, afligiam você, porque as ouvia sem exame e, por imaturidade, de modo equivocado: “E, saindo ao caminho, alguém se aproximou e se ajoelhou, dizendo: Bom Mestre, que bem farei para herdar a vida eterna? E Jesus disse: Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus. Você conhece os mandamentos: Não cometa adultério, não mate, não furte, não dê falso testemunho, não defraude, honre o seu pai e a sua mãe. E ele, respondendo, lhe disse: Tudo isso tenho observado. E Jesus, olhando para ele, o amou e disse: Uma coisa lhe falta. Se você quer ser perfeito, venda o que tem e dê aos pobres, e você terá um tesouro no céu; e venha, siga-me. E ele ficou triste com essa palavra e retirou-se pesaroso, pois era rico e tinha muitas propriedades. E Jesus, olhando ao redor, disse aos seus discípulos: Com que dificuldade os que têm riquezas entrarão no Reino de Deus! E os discípulos ficaram espantados com as suas palavras. Mas Jesus, tornando a falar, lhes disse: Filhos, como é difícil para os que confiam nas riquezas entrar no Reino de Deus! Mais facilmente um camelo entrará pelo fundo de uma agulha do que um rico no Reino de Deus. E eles ficaram sobremaneira espantados e disseram: Quem, então, pode ser salvo? E ele, olhando para eles, disse: O que é impossível para os homens é possível para Deus. Pois para Deus tudo é possível. Pedro começou a dizer-lhe: Eis que nós deixamos tudo e o seguimos. E Jesus respondeu: Em verdade lhes digo que todo aquele que deixar o que é seu, pais, irmãos e bens, por minha causa e por causa do evangelho, receberá cem vezes mais agora, neste mundo, terras, bens, casa e irmãos, com perseguições; e, no mundo por vir, a vida eterna. Porém muitos primeiros serão últimos, e os últimos, primeiros” (Mc 10.17-31).2

V. Isso está escrito no Evangelho segundo Marcos, e de modo correspondente em todos os outros; embora talvez as expressões variem um pouco em cada um, todos mostram plena concordância quanto ao sentido.

Mas, sabendo bem que o Salvador nada ensina de modo meramente humano, e sim ensina tudo aos seus com sabedoria divina e mística, não devemos ouvir as suas palavras de modo carnal; antes, com a devida investigação e inteligência, devemos buscar e aprender o sentido nelas oculto. Pois mesmo aquilo que parece ter sido simplificado aos discípulos pelo próprio Senhor exige não menos, e até mais, atenção do que o que foi expresso de forma enigmática, por causa da sabedoria superabundante que contém. E, ao passo que as coisas que se julga terem sido explicadas por ele aos de dentro, aos que ele chamou filhos do reino, exigem ainda mais consideração do que as que pareciam ter sido ditas com simplicidade e a respeito das quais, por isso mesmo, os ouvintes não fizeram perguntas, estas, porém, que dizem respeito a todo o plano da salvação e devem ser contempladas com admirável e supraceleste profundidade de espírito, não devemos recebê-las superficialmente com os ouvidos, mas aplicando a mente ao próprio espírito do Salvador e ao sentido não expresso da declaração.

VI. Pois foi com agrado que se fez ao nosso Senhor e Salvador uma pergunta muito apropriada a ele: à Vida, a respeito da vida; ao Salvador, a respeito da salvação; ao Mestre, a respeito das principais doutrinas ensinadas; à Verdade, a respeito da verdadeira imortalidade; ao Verbo, a respeito da palavra do Pai; ao Perfeito, a respeito do descanso perfeito; ao Imortal, a respeito da imortalidade segura. Perguntaram-lhe sobre aquilo por causa do qual ele desceu, que ele inculca, que ensina, que oferece, para mostrar a essência do evangelho: que ele é o dom da vida eterna. Pois ele previu, como Deus, tanto o que lhe seria perguntado como o que cada um lhe responderia. E quem faria isso mais do que o Profeta dos profetas e o Senhor de todo espírito profético? E, chamado de “bom”, tomando dessa primeira expressão a nota de partida, começa o seu ensino por aí, voltando o discípulo para Deus, o bom, o primeiro e único dispensador da vida eterna, que o Filho, tendo-a recebido dele, nos dá.

VII. Por isso, o maior e principal ponto das instruções que dizem respeito à vida deve ser implantado na alma desde o início: conhecer o Deus eterno, o doador do que é eterno, e, pelo conhecimento e pela compreensão, possuir a Deus, que é o primeiro, o altíssimo, o único e o bom. Pois esta é a fonte e o sustentáculo imutável e inabalável da vida: o conhecimento de Deus, que verdadeiramente é e que concede as coisas que verdadeiramente são, isto é, as eternas, de quem procedem para os outros seres tanto o ser como a permanência3 nele. Pois ignorá-lo é a morte; mas conhecê-lo, apropriar-se dele, amá-lo e assemelhar-se a ele é a única vida.

VIII. Quem, pois, quer viver a verdadeira vida recebe primeiro a ordem de conhecer aquele “a quem ninguém conhece, a não ser que o Filho o revele” (Mt 11.27). Em seguida, deve aprender, depois dele, a grandeza do Salvador e a novidade da graça; pois, segundo o apóstolo, “a lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (Jo 1.17); e os dons concedidos por meio de um servo fiel não se igualam aos que o verdadeiro Filho concede. Se, pois, a lei de Moisés tivesse bastado para conferir a vida eterna, seria inútil que o próprio Salvador viesse e sofresse por nós, percorrendo o curso da vida humana desde o nascimento até a cruz; e inútil que aquele que tinha cumprido todos os mandamentos da lei desde a juventude caísse de joelhos e pedisse a outro a imortalidade. Pois ele não apenas tinha cumprido a lei, mas começara a fazê-lo desde a mais tenra juventude. Que há de grande ou especialmente ilustre numa velhice que já não produz faltas? Mas, se alguém, na travessura juvenil e no fogo da mocidade, mostra um juízo maduro, mais velho do que os seus anos, esse é um campeão admirável e distinto, encanecido sobretudo no espírito.

Mas, ainda assim, sendo tal, esse homem está plenamente convencido de que nada lhe falta no que diz respeito à justiça, mas de que está inteiramente desprovido de vida. Por isso a pede àquele que é o único capaz de dá-la. Quanto à lei, mostra confiança; mas ao Filho de Deus dirige-se em súplica. Passa de fé em fé. Como quem é perigosamente sacudido e está num ancoradouro arriscado, na lei, dirige-se ao Salvador para encontrar um porto.

IX. Jesus, portanto, não o acusa de não ter cumprido tudo o que a lei manda; ao contrário, ama-o e acolhe com afeto a sua obediência naquilo que aprendera. Diz, porém, que ele não é perfeito quanto à vida eterna, visto que não tinha cumprido o que é perfeito, e que é de fato praticante da lei, mas ocioso quanto à verdadeira vida. Aquelas coisas, sem dúvida, são boas. Quem o nega? Pois “o mandamento é santo” (Rm 7.12), na medida em que é uma espécie de treinamento com temor e de disciplina preparatória, que conduzia ao ponto culminante da legislação e à graça. Mas Cristo é o cumprimento “da lei para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4); e não como escravo que faz escravos, mas filhos, irmãos e coerdeiros, que fazem a vontade do Pai.

X. “Se você quer ser perfeito” (Mt 19.21). Logo, ainda não era perfeito. Pois nada é mais perfeito do que aquilo que é perfeito. E de modo divino a expressão “se você quer” mostrou a autodeterminação da alma que conversava com ele. Pois a escolha dependia do homem, como ser livre; mas o dom, de Deus, como Senhor. E ele dá aos que querem, aos que se empenham com todo o fervor e pedem, para que assim a salvação deles se torne deles mesmos. Pois Deus não força (a coação repugna a Deus), mas supre aos que buscam, concede aos que pedem e abre aos que batem. Se você quer, então, se realmente quer e não está enganando a si mesmo, adquira o que lhe falta. Uma coisa lhe falta: a única coisa que permanece, o bem, aquilo que agora está acima da lei, que a lei não dá, que a lei não contém, que é a prerrogativa dos que vivem. Ele, que tinha cumprido todas as exigências da lei desde a juventude e se gloriara de algo magnífico, não foi capaz de completar o todo4 com esta única coisa que o Salvador especialmente lhe pedia, para receber a vida eterna que desejava. Mas foi embora descontente, aborrecido com o mandamento da vida pela qual suplicara. Pois não queria verdadeiramente a vida, como afirmava, mas visava apenas à reputação da boa escolha. Era capaz de se ocupar com muitas coisas; mas a única, a obra da vida, ele não tinha força, nem disposição, nem capacidade para realizá-la. Tal foi também o que o Senhor disse a Marta, que se ocupava com muitas coisas e andava distraída e inquieta com o serviço, enquanto censurava a irmã porque, deixando o serviço, se assentara aos pés dele, dedicando o tempo a aprender: “Você se preocupa com muitas coisas, mas Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada” (Lc 10.41-42). Assim também ordenou a ele que deixasse a sua vida atarefada e se apegasse ao Único e aderisse à graça daquele que oferecia a vida eterna.

XI. Que foi, então, que o levou à fuga e o fez afastar-se do Mestre, da súplica, da esperança, da vida antes buscada com ardor? “Venda os seus bens” (Mt 19.21). E que é isso? Ele não lhe ordena, como alguns entendem às pressas, que jogue fora os bens que possuía e abandone a sua propriedade; ordena-lhe, sim, que expulse da alma as suas ideias sobre a riqueza, a excitação e o apego doentio por ela, as ansiedades, que são os espinhos da existência e sufocam a semente da vida. Pois não é coisa grande nem desejável ser desprovido de riqueza sem um propósito especial, a não ser por causa da vida. Se fosse assim, os que nada têm, os desvalidos e mendigos do pão de cada dia, os pobres espalhados pelas ruas, que não conhecem a Deus nem a justiça de Deus, simplesmente por sua extrema necessidade, pela falta de sustento e pela carência até das menores coisas, seriam os mais bem-aventurados e os mais queridos de Deus, e os únicos possuidores da vida eterna.

Nem era coisa nova renunciar à riqueza e dá-la aos pobres ou necessitados; pois muitos o fizeram antes da vinda do Salvador: uns por causa do tempo livre (assim obtido) para o estudo e por causa de uma sabedoria morta; outros, por fama vazia e vanglória, como os Anaxágoras, os Demócritos e os Crates.

XII. Por que, então, ordenar como coisa nova, divina, a única que dá a vida, aquilo que não salvou os de outrora? E que há de peculiar no que a nova criatura,5 o Filho de Deus, indica e ensina? Não é o ato exterior que outros já praticaram, mas algo diferente, indicado por ele, maior, mais divino, mais perfeito: despojar das paixões a própria alma e a disposição interior, cortar pela raiz e lançar fora o que é estranho ao espírito. Pois esta é a lição própria do crente e o ensino digno do Salvador. Os que antigamente desprezaram as coisas exteriores abriram mão dos seus bens e os desperdiçaram, mas as paixões da alma, creio eu, eles as intensificaram. Pois se entregaram à arrogância, à ostentação e à vanglória, e ao desprezo pelo resto da humanidade, como se tivessem feito algo sobre-humano. Como, então, o Salvador teria ordenado aos destinados a viver para sempre o que era prejudicial e danoso para a vida que ele prometeu? Pois, sendo assim, alguém, depois de se livrar do fardo da riqueza, pode ainda assim conservar inata e viva a cobiça e o desejo de dinheiro; pode ter abandonado o uso dele e, ao mesmo tempo privado e desejoso do que gastou, sofrer duplamente, pela falta do que o servia e pela presença do arrependimento. Pois é impossível e inconcebível que os que carecem do necessário à vida não se afligam no espírito e não sejam desviados de coisas melhores pelo esforço de obtê-lo de algum modo e de alguma parte.

XIII. E quanto mais proveitoso é o caso contrário: que alguém, possuindo o suficiente, não esteja ele mesmo em apuros por dinheiro e ainda possa socorrer aqueles a quem é necessário socorrer! Pois, se ninguém tivesse nada, que lugar restaria entre os homens para a dádiva? E como poderia esse dogma deixar de se mostrar claramente oposto e contrário a muitos outros excelentes ensinos do Senhor? “Façam para si amigos com as riquezas da injustiça, para que, quando vocês faltarem, eles os recebam nos tabernáculos eternos” (Lc 16.9). “Ajuntem tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem corroem, nem ladrões escavam” (Mt 6.20). Como alguém poderia dar de comer ao faminto e de beber ao sedento, vestir o nu e abrigar o desabrigado (e, por não fazerem isso, ele ameaça com o fogo e as trevas exteriores), se cada um primeiro se despojasse de todas essas coisas? Mais ainda: ele pede a Zaqueu e a Mateus, os ricos publicanos, que o recebam com hospitalidade. E não lhes ordena que se desfaçam dos seus bens, mas, aplicando o julgamento justo e removendo o injusto, acrescenta: “Hoje houve salvação nesta casa, pois também este é filho de Abraão” (Lc 19.9). De tal modo ele louva o uso dos bens que, com esse acréscimo, ordena repartir deles: dar de beber ao sedento, pão ao faminto, acolher o desabrigado e vestir o nu. Mas, se não é possível suprir essas necessidades sem recursos, e ele mandasse as pessoas abandonar os seus recursos, que outra coisa estaria o Senhor fazendo senão exortar a dar e a não dar as mesmas coisas, a alimentar e a não alimentar, a acolher e a fechar a porta, a repartir e a não repartir? O que seria a coisa mais irracional de todas.

XIV. As riquezas, portanto, que beneficiam também o nosso próximo, não devem ser jogadas fora. Pois são posses, porque são possuídas, e são bens, porque são úteis e foram providas por Deus para uso dos homens; estão ao nosso alcance e postas sob o nosso poder, como matéria e instrumentos para bom uso dos que sabem manejar o instrumento. Se você o usa com habilidade, ele é hábil; se lhe falta habilidade, ele sofre os efeitos da sua inabilidade, sendo ele mesmo isento de culpa. Tal instrumento é a riqueza. Você é capaz de usá-la corretamente? Ela serve à justiça. Alguém a usa mal? Ela, por sua vez, é ministra da injustiça. Pois a sua natureza é servir, não governar. Aquilo, pois, que por si mesmo não tem nem bem nem mal, sendo isento de culpa, não deve ser culpado; mas sim aquilo que tem o poder de usá-lo bem ou mal, por possuir escolha voluntária. E isso é a mente e o juízo do homem, que tem em si mesmo liberdade e autodeterminação no trato do que lhe foi confiado. Portanto, ninguém destrua a riqueza, mas antes as paixões da alma, que são incompatíveis com o melhor uso da riqueza. Assim, tornando-se virtuoso e bom, poderá fazer bom uso dessas riquezas. A renúncia, portanto, e a venda de todos os bens devem ser entendidas como ditas a respeito das paixões da alma.

XV. Eu diria, então, o seguinte. Visto que algumas coisas estão dentro da alma e outras fora dela, e que, se a alma as usa bem, também elas são tidas por boas, mas, se mal, por más, aquele que nos manda alienar os nossos bens rejeita aquelas coisas depois de cuja remoção as paixões ainda permanecem, ou antes aquelas com cuja remoção até a riqueza se torna proveitosa? Se, portanto, quem lança fora a riqueza mundana ainda pode ser rico em paixões, mesmo faltando a matéria [para satisfazê-las] (pois a disposição produz os seus próprios efeitos, sufoca a razão, oprime-a e inflama-a com as suas cobiças inatas), de nada lhe adianta ser pobre de bolso enquanto é rico de paixões. Pois não lançou fora o que devia ser lançado fora, mas o que é indiferente; privou-se do que é útil e ateou fogo ao combustível inato do mal pela falta dos meios exteriores [de satisfação]. Devemos, portanto, renunciar aos bens que são nocivos, não aos que podem ser úteis, se a pessoa conhece o uso correto deles. E o que é administrado com sabedoria, sobriedade e piedade é proveitoso; e o que é danoso deve ser lançado fora. Mas as coisas exteriores não causam dano. Assim, pois, o Senhor admite o uso das coisas exteriores, mandando-nos lançar fora não os meios de subsistência, mas aquilo que os usa mal. E isso são as enfermidades e as paixões da alma.

XVI. A presença da riqueza nessas coisas é mortal para todos; a sua perda, salutar. Tornando a alma pura disso, isto é, pobre e despojada, devemos ouvir o Salvador que assim fala: “Venha e siga-me” (Mc 10.21). Pois para os puros de coração ele se torna agora o caminho. Mas na alma impura a graça de Deus não encontra entrada. E impura é a (alma) que é rica em cobiças e está nas dores de parto de muitos afetos mundanos. Pois quem possui bens, ouro, prata e casas como dons de Deus; quem, com eles, serve ao Deus que os dá para a salvação dos homens; quem sabe que os possui mais por causa dos irmãos do que por si mesmo; quem está acima da posse deles e não é escravo do que possui; quem não os carrega na alma, nem prende e circunscreve neles a sua vida, mas está sempre trabalhando em alguma obra boa e divina, esse, ainda que algum dia, por necessidade, seja privado deles, é capaz de suportar com ânimo alegre a perda deles tanto quanto a abundância. Este é o que o Senhor chama bem-aventurado e pobre em espírito, herdeiro digno do reino dos céus, e não aquele que não poderia viver rico.

XVII. Mas quem carrega as suas riquezas na alma, e em vez do Espírito de Deus traz no coração ouro ou terras, e está sempre adquirindo bens sem fim, e vive continuamente à procura de mais, curvado para baixo e preso nas redes do mundo, sendo terra e destinado a voltar à terra, como poderá desejar e pensar no reino dos céus, um homem que não traz um coração, mas terras ou metal, e que forçosamente há de ser encontrado no meio das coisas que escolheu? Pois onde está a mente do homem, ali está também o seu tesouro. O Senhor reconhece um duplo tesouro: o bom, “porque a pessoa boa tira o bem do bom tesouro do coração”; e o mau, pois “a pessoa má tira o mal do mau tesouro; porque a boca fala do que está cheio o coração” (Lc 6.45). Assim como, para ele, o tesouro não é um só, como também acontece para nós (aquele que dá o grande ganho inesperado na descoberta), mas há também um segundo, sem proveito e indesejável, aquisição má e danosa, assim também há riqueza em coisas boas e riqueza em coisas más, pois sabemos que riquezas e tesouro não são separados um do outro por natureza. E um tipo de riquezas deve ser possuído e adquirido; o outro, não possuído, mas lançado fora.

Da mesma maneira, a pobreza espiritual é bem-aventurada. Por isso também Mateus acrescentou: “Bem-aventurados os pobres”. Como? “Em espírito” (Mt 5.3). E ainda: “Bem-aventurados os que têm fome e sede da justiça de Deus” (Mt 5.6). Por isso são infelizes os pobres do tipo contrário, que não têm parte em Deus, e menos ainda nos bens humanos, e não provaram da justiça de Deus.

XVIII. De modo que (a expressão) os ricos dificilmente entrarão no reino deve ser entendida de modo erudito,6 e não de modo canhestro, rústico ou carnal. Pois, se a expressão é usada assim, a salvação não depende das coisas exteriores, sejam elas muitas ou poucas, pequenas ou grandes, ilustres ou obscuras, estimadas ou desprezadas, mas da virtude da alma: da fé, da esperança, do amor, da fraternidade, do conhecimento, da mansidão, da humildade e da verdade, cuja recompensa é a salvação. Pois ninguém viverá, nem, por outro lado, perecerá, por causa da formosura do corpo. Mas quem usa o corpo que lhe foi dado com castidade e segundo Deus viverá; e quem destrói o templo de Deus será destruído. Um homem feio pode ser devasso, e um homem bonito, temperante. Nem a força e a grande estatura do corpo dão a vida, nem algum dos membros destrói. Mas a alma que os usa é que fornece a causa de uma coisa e de outra. Suporte, pois, diz-se, quando for golpeado no rosto (Mt 5.39); e a isso um homem forte e de boa saúde pode obedecer. E, por outro lado, um homem fraco pode transgredir por rebeldia de temperamento. Assim também um homem pobre e desvalido pode ser encontrado embriagado de cobiças; e um homem rico em bens mundanos, temperante, pobre em prazeres, digno de confiança, inteligente, puro, disciplinado.

Se, pois, é a alma que, em primeiro lugar e sobretudo, há de viver, e se a virtude que brota ao redor dela salva e o vício mata, então fica claramente manifesto que ela é salva por ser pobre daquelas coisas cuja riqueza a destrói, e é morta por ser rica daquelas coisas cuja riqueza a arruína. E não busquemos mais a causa do desfecho em outro lugar senão no estado e na disposição da alma, quanto à obediência a Deus e à pureza, e quanto à transgressão dos mandamentos e ao acúmulo de maldade.

XIX. É verdadeira e corretamente rico, pois, quem é rico em virtude e capaz de fazer uso santo e fiel de qualquer fortuna; é falsamente rico quem é rico segundo a carne e transforma a vida em posse exterior, que é passageira e perecível e ora pertence a um, ora a outro, e no fim a ninguém. Da mesma maneira, há um pobre genuíno e outro falsificado e falsamente chamado assim: o pobre em espírito, que é o que importa, e o pobre no sentido mundano, que é outra coisa. A quem é pobre em bens mundanos, mas rico em vícios, quem não é pobre em espírito7 e rico para com Deus, é dito: Abandone os bens alheios que estão na sua alma, para que, tornando-se puro de coração, você veja a Deus, o que é outro modo de dizer: Entre no reino dos céus. E como você pode abandoná-los? Vendendo-os. Como assim? Você deve receber dinheiro pelos seus haveres, fazendo uma troca de riquezas, convertendo em dinheiro os seus bens visíveis? De modo nenhum. Mas introduzindo, em lugar do que antes habitava na sua alma, que você deseja salvar, outras riquezas que divinizam e que proporcionam a vida eterna: as disposições conformes ao mandamento de Deus; por elas lhe advirão recompensa e honra sem fim, salvação e imortalidade eterna. É assim que você vende corretamente os bens, muitos dos quais são supérfluos, que lhe fecham os céus, trocando-os pelos que são capazes de salvar. Que os primeiros sejam possuídos pelos pobres carnais, desprovidos dos segundos. Mas você, recebendo em troca a riqueza espiritual, terá agora um tesouro nos céus.

XX. O homem rico e correto segundo a lei, não entendendo essas coisas em sentido figurado, nem como o mesmo homem pode ser pobre e rico, ter riqueza e não tê-la, usar o mundo e não usá-lo, foi embora triste e abatido, deixando o estado de vida que era capaz apenas de desejar, mas não de alcançar, e fazendo para si mesmo do difícil o impossível. Pois era difícil para a alma não ser seduzida e arruinada pelos luxos e pelos encantos floridos que cercam uma riqueza notável; mas não era impossível, mesmo cercado por ela, alcançar a salvação, desde que a pessoa se retirasse da riqueza material para aquela que é apreendida pela mente e ensinada por Deus, e aprendesse a usar as coisas indiferentes de modo reto e apropriado, de forma a buscar a vida eterna. E os próprios discípulos, a princípio, ficaram alarmados e espantados. Por que ficaram assim ao ouvir isso? Seria porque eles mesmos possuíam muita riqueza? Não; havia muito tinham deixado até as suas redes, anzóis e barcos a remo, que eram os seus únicos bens. Por que, então, dizem consternados: “Quem pode ser salvo?” (Mc 10.26). Tinham ouvido bem, como discípulos, o que o Senhor dissera em parábola e de modo obscuro, e perceberam a profundidade das palavras. Pois estavam confiantes na salvação pelo fato de não terem riqueza. Mas, quando tomaram consciência de que ainda não tinham renunciado inteiramente às paixões (pois eram neófitos, recentemente escolhidos pelo Salvador), ficaram extremamente espantados e desesperaram de si mesmos não menos do que aquele rico que se apegava tão terrivelmente à riqueza que preferiu à vida eterna. Havia, portanto, para os discípulos motivo de todo temor, se tanto o que possui riqueza como o que está repleto de paixões fossem os ricos, e se ambos igualmente fossem expulsos dos céus. Pois a salvação é privilégio das almas puras e livres de paixões.

XXI. Mas o Senhor responde: “Porque o que é impossível para os homens é possível para Deus” (Lc 18.27). Isso, de novo, está cheio de grande sabedoria. Pois o homem, por si só, trabalhando e esforçando-se pela libertação das paixões, nada consegue. Mas, se mostrar claramente que deseja isso intensamente e se empenha nisso, alcança-o pelo acréscimo do poder de Deus. Pois Deus coopera com as almas que querem. Mas, se elas abandonam o seu empenho, o espírito concedido por Deus também é retido. Pois salvar os que não querem é próprio de quem usa de coação; mas salvar os que querem é próprio de quem mostra graça. Nem o reino dos céus pertence aos que dormem e aos preguiçosos, “mas os violentos o tomam à força” (Mt 11.12). Pois esta é a única violência louvável: forçar a Deus e tomar dele a vida à força. E ele, conhecendo os que perseveram com firmeza, ou melhor, com violência, cede e concede. Pois Deus se alegra em ser vencido em tais coisas.

Por isso, ao ouvir essas palavras, o bem-aventurado Pedro, o escolhido, o eminente, o primeiro dos discípulos, o único por quem, além de si mesmo, o Salvador pagou o tributo, depressa captou e compreendeu o dito. E que diz ele? “Eis que nós deixamos tudo e seguimos o senhor” (Mc 10.28). Ora, se por “tudo” se refere aos seus próprios bens, gaba-se de ter deixado talvez quatro óbolos ao todo8 e esquece de mostrar que o reino dos céus é a recompensa deles. Mas se, lançando fora aquilo de que falávamos há pouco, as velhas posses da mente e as doenças da alma, eles seguem as pegadas do Mestre, isso agora os une aos que hão de ser inscritos nos céus. Pois é assim que alguém segue verdadeiramente o Salvador: buscando a ausência de pecado e a perfeição dele, adornando e compondo a alma diante dela como diante de um espelho e dispondo tudo em todos os aspectos de modo semelhante.

XXII. “E Jesus, respondendo, disse: Em verdade lhes digo que todo aquele que deixar o que é seu, pais, filhos e riquezas, por minha causa e por causa do evangelho, receberá cem vezes mais” (Mc 10.29-30). Mas que não perturbe você nem isso, nem o dito ainda mais duro proferido em outra passagem com estas palavras: “Quem não odeia pai, mãe e filhos, e ainda a sua própria vida, não pode ser meu discípulo” (Lc 14.26). Pois o Deus da paz, que também exorta a amar os inimigos, não introduz o ódio e a separação em relação aos que nos são mais queridos. Ora, se devemos amar os nossos inimigos, é conforme a reta razão que, subindo a partir deles, amemos também os parentes mais próximos. Ou, se devemos odiar os parentes de sangue, a dedução nos ensina que muito mais devemos repelir os nossos inimigos. Assim, os raciocínios se mostrariam destruindo-se um ao outro. Mas não se destroem, nem estão perto disso. Pois, com o mesmo sentimento e disposição, e com base na mesma regra, quem ama o inimigo pode odiar o pai, visto que nem se vinga do inimigo, nem reverencia o pai mais do que a Cristo. Pois com uma palavra ele extirpa o ódio e a injúria, e com a outra, a deferência para com os parentes, se ela for prejudicial à salvação. Se, então, o pai, o filho ou o irmão de alguém for ímpio e se tornar obstáculo à fé e impedimento para a vida superior, que este não seja amigo dele nem concorde com ele, mas, por causa da inimizade espiritual, desfaça o parentesco carnal.

XXIII. Suponha que a questão seja um processo judicial. Imagine que o seu pai se apresenta diante de você e diz: “Eu o gerei e o criei. Siga-me, junte-se a mim na maldade e não obedeça à lei de Cristo”, e tudo o que diria um homem blasfemo e morto por natureza.

Mas, do outro lado, ouça o Salvador: “Eu regenerei você, que fora mal nascido pelo mundo para a morte. Eu o libertei, curei e resgatei. Eu lhe mostrarei a face do bom Pai, Deus. Não chame ninguém de seu pai na terra (Mt 23.9). Deixe que os mortos sepultem os mortos; mas você, siga-me (Mt 8.22). Pois eu o levarei a um descanso9 de bênçãos inefáveis e indizíveis, que olhos não viram, nem ouvidos ouviram, nem penetraram em coração humano; para as quais os anjos desejam olhar, e ver que bens Deus preparou para os santos e para os filhos que o amam (1Co 2.9; 1Pe 1.12).” Eu sou aquele que o alimenta, dando-me a mim mesmo como pão, do qual quem provou não experimenta mais a morte, e oferecendo dia após dia a bebida da imortalidade. Sou mestre de lições supracelestes. Por você lutei contra a Morte e paguei a sua morte, que você devia pelos seus pecados passados e pela sua incredulidade para com Deus.”

Tendo ouvido essas considerações de ambos os lados, decida por si mesmo e dê o seu voto pela sua própria salvação. Se um irmão disser algo semelhante, se um filho, se a esposa, se qualquer outra pessoa, acima de todos, que Cristo vença em você. Pois ele luta em seu favor.

XXIV. Você pode até enfrentar a riqueza. Diga: “Certamente Cristo não me proíbe de ter bens. O Senhor não é invejoso.” Mas você se vê vencido e derrubado por ela? Deixe-a, jogue-a fora, odeie-a, renuncie a ela, fuja. “Mesmo que o seu olho direito leve você a tropeçar”, depressa “arranque-o” (Mt 5.29). Melhor é o reino de Deus para um homem com um só olho do que o fogo para quem está inteiro. Seja a mão, seja o pé, seja a alma, odeie-a. Pois, se for destruída aqui por amor de Cristo, será restituída à vida lá.

Notas

1. Esta oração está incompleta no manuscrito e é traduzida conforme a complementou Fell, por conjectura.

2. Clemente nem sempre reproduz as palavras exatas de Marcos.

3. Em vez de meinai, Fell sugere aqui me einai, “o não ser”.

4. A leitura do manuscrito é prathenai, que está corrompida. Nós a mudamos para peritheinai. Outras emendas foram propostas. Talvez se deva ler prostheinai, “acrescentar”.

5. A aplicação a Cristo das palavras he kaine ktisis tem sido muito discutida. Segaar tem uma longa nota a respeito, cujo conteúdo ele assim resume: he kaine ktisis é uma criatura à qual nada jamais existiu na terra igual ou semelhante, homem, mas também Deus, por meio de quem vêm a verdadeira luz e a vida eterna.

6. mathematikos. Fell sugere, em lugar desta leitura do texto, pneumatikos ou memelemenos.

7. ho kata pneuma ou ptochos … phesi. Segaar omite ou e, assim, faz de ho kata pneuma etc. o sujeito de phesi. Parece melhor, com o tradutor latino, verter como acima, o que supõe a mudança de ho em hos.

8. O texto é a leitura da margem da primeira edição. A leitura do manuscrito, tou logou, é emendada por Segaar para to tou logou, “como diz o ditado”.

9. Segaar emenda anapausin para apolausin, “gozo”.

Tradução para o português a partir das versões inglesas da coleção Ante-Nicene Fathers (Buffalo, 1885): Clemente de Alexandria por William Wilson (vol. 2), Tertuliano por S. Thelwall (vol. 3) e Cipriano por Ernest Wallis (vol. 5), conferidas com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando o autor cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta, pela antiga versão latina ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.