Justino Mártir, Diálogo com Trifão · Diálogo com Trifão
O Salmo 22 e a paixão; a ressurreição e o sinal de Jonas; a conversão dos gentios; Josué, figura de Cristo.
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“Então o que vem a seguir, ‘Mas tu, o louvor de Israel, habitas o lugar santo’ (Sl 22.3), declarava que Ele haveria de fazer algo digno de louvor e de admiração, estando para ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia depois da crucificação; e isso Ele obteve do Pai. Pois já mostrei que Cristo é chamado tanto Jacó como Israel; e provei que não é só na bênção de José e de Judá que se proclamou misteriosamente o que se refere a Ele, mas também no Evangelho está escrito que Ele disse: ‘Tudo me foi entregue por meu Pai’; e: ‘Ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho; nem o Filho, a não ser o Pai, e aqueles a quem o Filho o revelar’ (Mt 11.27). Assim, Ele nos revelou tudo o que, pela sua graça, compreendemos das Escrituras, de modo que o reconhecemos como o primogênito de Deus, anterior a todas as criaturas; e também como Filho dos patriarcas, pois tomou carne pela Virgem da linhagem deles e se sujeitou a tornar-se homem sem formosura, desonrado e passível de sofrimento. Por isso também, entre as suas palavras, quando falava dos sofrimentos que haveria de padecer, Ele disse: ‘É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos fariseus e escribas, seja crucificado e ao terceiro dia ressuscite’ (Mt 16.21). Dizia, pois, que era o Filho do Homem, ou por causa do seu nascimento da Virgem, que era, como eu disse, da linhagem de Davi, e de Jacó, e de Isaque, e de Abraão; ou porque Adão1 era pai tanto dele como daqueles que foram enumerados primeiro, dos quais Maria descende. Pois sabemos que os pais das mulheres são também pais dos filhos que as suas filhas dão à luz. Com efeito, [Cristo] chamou Pedro a um dos seus discípulos, antes conhecido pelo nome de Simão, porque este o reconheceu como o Cristo, o Filho de Deus, por revelação do seu Pai; e, como encontramos registrado nas memórias dos seus apóstolos que Ele é o Filho de Deus, e como nós o chamamos Filho, entendemos que Ele procedeu do Pai, antes de todas as criaturas, pelo seu poder e pela sua vontade (pois nos escritos dos profetas Ele é designado, de um modo ou de outro, como Sabedoria, e Dia,2 e Oriente, e Espada, e Pedra, e Vara, e Jacó, e Israel); e que se fez homem pela Virgem, para que a desobediência que procedeu da serpente fosse destruída da mesma maneira pela qual teve origem. Pois Eva, sendo virgem e incorrupta, concebeu a palavra da serpente e deu à luz a desobediência e a morte. Mas a Virgem Maria recebeu fé e alegria quando o anjo Gabriel lhe anunciou a boa notícia de que o Espírito do Senhor viria sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveria com a sua sombra, e que por isso também o ente santo que dela nascesse seria o Filho de Deus (Lc 1.35); e ela respondeu: ‘Que aconteça comigo o que você falou’ (Lc 1.38).” E dela nasceu aquele a quem, como provamos, se referem tantas Escrituras, e por meio de quem Deus destrói tanto a serpente como os anjos e os homens que são semelhantes a ela, mas livra da morte os que se arrependem da sua maldade e creem nele.
“O que vem depois no Salmo é isto, onde Ele diz: ‘Nossos pais confiaram em ti; confiaram, e tu os livraste. Clamaram a ti e não foram confundidos. Mas eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado pelo povo’ (Sl 22.4-6). Essas palavras mostram que Ele reconhece como seus pais aqueles que confiaram em Deus e foram salvos por Ele, os quais também foram os pais da Virgem, por quem Ele nasceu e se fez homem; e Ele prediz que será salvo pelo mesmo Deus, mas não se gloria de realizar coisa alguma pela sua própria vontade ou força. Pois, quando estava na terra, agiu exatamente da mesma maneira e respondeu a alguém que o chamou de ‘Bom Mestre’: ‘Por que você me chama de bom? Um só é bom, meu Pai, que está nos céus’ (Lc 18.18-19). Mas quando diz: ‘Eu sou verme e não homem; opróbrio dos homens e desprezado pelo povo’, profetizou as coisas que de fato existem e que lhe acontecem. Pois nós, que cremos nele, somos em toda parte opróbrio, ‘desprezados pelo povo’; porque Ele, rejeitado e desonrado pela nação de vocês, sofreu as afrontas que vocês tramaram contra Ele. E as palavras seguintes: ‘Todos os que me veem zombaram de mim; falaram com os lábios, menearam a cabeça: Confiou no Senhor; que Ele o livre, já que nele tem prazer’ (Sl 22.7-8), também isso Ele predisse que lhe aconteceria. Pois os que o viram crucificado menearam a cabeça, cada um deles, e torceram os lábios, e, franzindo o nariz uns para os outros,3 disseram em zombaria as palavras que estão registradas nas memórias dos seus apóstolos: ‘Ele dizia que era o Filho de Deus: que desça; que Deus o salve.’
“E o que vem a seguir, ‘Minha esperança desde os seios de minha mãe. A ti fui entregue desde o ventre; desde o ventre de minha mãe tu és o meu Deus, pois não há quem me ajude. Muitos novilhos me cercaram; touros gordos me rodearam. Abriram contra mim a boca, como leão que despedaça e ruge. Todos os meus ossos se derramaram e se espalharam como água. Meu coração se tornou como cera que se derrete no meio do meu ventre. Minha força secou como um caco de barro, e minha língua se apegou à minha garganta’ (Sl 22.9-15), predizia o que haveria de acontecer; pois a afirmação ‘Minha esperança desde os seios de minha mãe’ [explica-se assim]. Logo que Ele nasceu em Belém, como observei antes, o rei Herodes, tendo sabido a respeito dele pelos magos da Arábia, tramou matá-lo, e por ordem de Deus José o tomou, com Maria, e partiu para o Egito. Pois o Pai havia decretado que aquele a quem gerara fosse morto, mas não antes de chegar à idade adulta e de proclamar a palavra que dele procedia. E se algum de vocês nos disser: Não poderia Deus antes ter matado Herodes? Respondo antecipadamente: Não poderia Deus ter eliminado a serpente no princípio, para que ela não existisse, em vez de dizer: ‘Porei inimizade entre ela e a mulher, e entre a descendência dela e a descendência da mulher’ (Gn 3.15)? Não poderia Ele ter criado de uma vez uma multidão de homens? Contudo, sabendo que seria bom, criou tanto os anjos como os homens livres para fazer o que é justo, e determinou períodos de tempo durante os quais sabia que seria bom que eles exercessem o livre-arbítrio; e, porque sabia igualmente que seria bom, estabeleceu juízos gerais e particulares, preservada, no entanto, a liberdade da vontade de cada um. Por isso a Escritura diz o seguinte, a respeito da destruição da torre e da divisão e confusão das línguas: ‘E o Senhor disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma só língua; e isto começaram a fazer; e agora nada do que intentaram fazer lhes será impedido’ (Gn 11.6). E a afirmação ‘Minha força secou como um caco de barro, e minha língua se apegou à minha garganta’ também era profecia do que Ele faria segundo a vontade do Pai. Pois o poder da sua palavra vigorosa, com que sempre refutava os fariseus e escribas e, em suma, todos os mestres da nação de vocês que o interrogavam, cessou como uma fonte abundante e forte cujas águas foram desviadas, quando Ele guardou silêncio e preferiu não responder a ninguém na presença de Pilatos, como se declara nas memórias dos seus apóstolos, para que tivesse fruto eficaz o que está registrado por Isaías, onde está escrito: ‘O Senhor me dá uma língua, para que eu saiba quando devo falar’ (Is 50.4). E ainda, quando disse: ‘Tu és o meu Deus; não te afastes de mim’, ensinou que todos os homens devem esperar em Deus, que criou todas as coisas, e buscar somente dele a salvação e o socorro, e não supor, como fazem os demais homens, que a salvação se obtém pelo nascimento, ou pela riqueza, ou pela força, ou pela sabedoria. E tais sempre foram as práticas de vocês: certa vez fizeram um bezerro, e sempre se mostraram ingratos, assassinos dos justos e orgulhosos da sua linhagem. Pois, se o Filho de Deus declara claramente que pode ser salvo, [não]4 por ser filho, nem por ser forte ou sábio, mas que sem Deus não pode ser salvo, ainda que seja sem pecado, como declara Isaías com palavras no sentido de que nem mesmo no seu falar Ele cometeu pecado (pois não cometeu iniquidade nem engano com a sua boca), como é que vocês ou outros que esperam ser salvos sem esta esperança supõem que não estão enganando a si mesmos?
“Então o que se diz em seguida no Salmo, ‘Porque a tribulação está próxima, porque não há quem me ajude. Muitos novilhos me cercaram; touros gordos me rodearam. Abriram contra mim a boca, como leão que despedaça e ruge. Todos os meus ossos se derramaram e se espalharam como água’ (Sl 22.11-14), foi igualmente uma predição dos acontecimentos que se deram com Ele. Pois naquela noite em que alguns da nação de vocês, enviados pelos fariseus, escribas e mestres,5 vieram sobre Ele a partir do monte6 das Oliveiras, cercaram-no aqueles a quem a Escritura chamou novilhos que dão chifradas e destroem antes do tempo. E a expressão ‘Touros gordos me rodearam’ Ele a disse de antemão a respeito daqueles que agiram como os novilhos, quando foi levado diante dos mestres de vocês. E a Escritura os descreveu como touros, porque sabemos que os touros são os que dão existência aos novilhos. Assim, como os touros são os geradores dos novilhos, os mestres de vocês foram a causa de que os seus filhos saíssem ao monte das Oliveiras para prendê-lo e levá-lo até eles. E a expressão ‘Porque não há quem me ajude’ também indica o que aconteceu. Pois não houve sequer um homem que o socorresse como inocente. E a expressão ‘Abriram contra mim a boca como leão que ruge’ designa aquele que era então rei dos judeus e se chamava Herodes, sucessor do Herodes que, quando Cristo nasceu, matou todas as crianças de Belém nascidas por aquele tempo, porque imaginava que entre elas estaria certamente aquele de quem os magos da Arábia tinham falado; pois ignorava a vontade daquele que é mais forte que todos, como Ele havia ordenado a José e Maria que tomassem o Menino e partissem para o Egito, e ali permanecessem até que lhes fosse feita nova revelação para voltarem à sua terra. E ali permaneceram até que Herodes, que matou as crianças de Belém, morresse e Arquelau lhe sucedesse. E este morreu antes que Cristo chegasse à dispensação da cruz, que lhe fora dada pelo Pai. E quando Herodes sucedeu a Arquelau, tendo recebido a autoridade que lhe fora atribuída, Pilatos, por cortesia, enviou-lhe Jesus amarrado; e Deus, sabendo de antemão que isso aconteceria, assim havia falado: ‘E o levaram ao assírio, como presente ao rei’ (Os 10.6). Ou então Ele quis dizer o diabo, pelo leão que ruge contra Ele: aquele a quem Moisés chama serpente, mas que em Jó e em Zacarias é chamado diabo, e por Jesus é chamado Satanás, o que mostra que ele recebeu um nome composto a partir das obras que praticou. Pois ‘Sata’, na língua judaica e na síria, significa apóstata; e ‘Nas’ é a palavra de onde, por interpretação, ele é chamado serpente, isto é, segundo a interpretação do termo hebraico; e das duas surge a palavra única Satanás. Pois este diabo, quando [Jesus] subiu do rio Jordão, no momento em que a voz lhe disse: ‘Você é meu Filho, hoje eu gerei você’ (Sl 2.7; Mt 3.17), está registrado nas memórias dos apóstolos que veio a Ele e o tentou, chegando a lhe dizer: ‘Adora-me’; e Cristo lhe respondeu: ‘Para trás de mim, Satanás: adorarás o Senhor, teu Deus, e só a Ele servirás’ (Mt 4.9-10). Pois, assim como havia enganado Adão, esperava7 também tramar algum mal contra Cristo. Além disso, a afirmação ‘Todos os meus ossos se derramaram8 e se espalharam como água; meu coração se tornou como cera que se derrete no meio do meu ventre’ foi uma predição do que lhe aconteceu naquela noite em que homens saíram contra Ele ao monte das Oliveiras para prendê-lo. Pois nas memórias que, digo eu, foram compostas pelos seus apóstolos e pelos que os seguiram, [está registrado] que o seu suor caía como gotas de sangue enquanto Ele orava e dizia: ‘Se for possível, passe este cálice’ (Lc 22.42, 44); o seu coração e também os seus ossos tremiam, sendo o seu coração como cera que se derrete no seu ventre, para que compreendamos que o Pai quis que o seu Filho realmente9 passasse por tais sofrimentos por nossa causa, e não digamos que Ele, sendo o Filho de Deus, não sentia o que lhe acontecia e lhe era infligido. Além disso, a expressão ‘Minha força secou como um caco de barro, e minha língua se apegou à minha garganta’ foi uma predição, como observei antes, daquele silêncio, quando aquele que convenceu de insensatez todos os mestres de vocês não deu resposta alguma.
“E a afirmação ‘Tu me lançaste no pó da morte; pois muitos cães me cercaram; a assembleia dos malvados me rodeou. Traspassaram-me as mãos e os pés. Contaram todos os meus ossos. Olharam-me e ficaram a encarar-me. Repartiram entre si as minhas vestes e sobre a minha túnica lançaram sortes’ (Sl 22.15-18) foi uma predição, como eu disse antes, da morte à qual a sinagoga dos malvados o condenaria, aos quais Ele chama tanto cães como caçadores, declarando que os que o caçavam estavam ao mesmo tempo reunidos e empenhados com afinco em condená-lo. E isso está registrado como acontecido nas memórias dos seus apóstolos. E já mostrei que, depois da sua crucificação, os que o crucificaram repartiram entre si as suas vestes.
“E o que vem a seguir no Salmo, ‘Mas tu, Senhor, não afastes de mim o teu socorro; atende a ajudar-me. Livra a minha alma da espada, e a minha10 unigênita da mão do cão; salva-me da boca do leão, e a minha humildade dos chifres dos unicórnios’ (Sl 22.19-21), foi também aviso e predição dos acontecimentos que lhe sobreviriam. Pois já provei que Ele era o unigênito do Pai de todas as coisas, gerado por Ele de modo singular como Verbo e Poder, e que depois se fez homem por meio da Virgem, como aprendemos das memórias. Além disso, é igualmente predito que Ele morreria crucificado. Pois a passagem ‘Livra a minha alma da espada, e a minha11 unigênita da mão do cão; salva-me da boca do leão, e a minha humildade dos chifres dos unicórnios’ indica o sofrimento pelo qual Ele haveria de morrer, isto é, a crucificação. Pois ‘os chifres dos unicórnios’, como já lhes expliquei, são figura da cruz somente. E a oração para que a sua alma fosse salva da espada, da boca do leão e da mão do cão era uma oração para que ninguém se apoderasse da sua alma, a fim de que, quando chegarmos ao fim da vida, façamos a Deus o mesmo pedido, pois Ele é capaz de afastar todo anjo mau e desavergonhado, para que não tome as nossas almas. E que as almas sobrevivem, eu lhes mostrei12 pelo fato de a alma de Samuel ter sido evocada pela feiticeira, como Saul exigira. E parece também que todas as almas de homens justos e de profetas semelhantes a ele caíam sob o domínio de tais potestades, como de fato se deve inferir dos próprios fatos no caso daquela feiticeira. Por isso também Deus, por meio do seu Filho, nos ensina,13 a nós, por causa de quem essas coisas parecem ter sido feitas, a nos esforçarmos sempre com empenho e a orar, na hora da morte, para que as nossas almas não caiam nas mãos de nenhuma potestade dessas. Pois, quando Cristo entregava o espírito na cruz, disse: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23.46), como também aprendi das memórias. Pois Ele exortava os seus discípulos a superar o modo de viver farisaico, advertindo-os de que, se não o fizessem, podiam ter certeza de que não seriam salvos; e estas palavras estão registradas nas memórias: ‘Se a justiça de vocês não exceder a dos escribas e fariseus, não entrarão no Reino dos Céus’ (Mt 5.20).
“O restante do Salmo deixa claro que Ele sabia que o Pai lhe concederia tudo o que pedisse e o ressuscitaria dentre os mortos; e que exortou todos os que temem a Deus a louvá-lo, porque teve compaixão de todas as raças de homens que creem, pelo mistério daquele que foi crucificado; e que Ele se pôs no meio dos seus irmãos, os apóstolos (que se arrependeram de tê-lo abandonado quando foi crucificado, depois que Ele ressuscitou dentre os mortos e depois que Ele próprio os persuadiu de que, antes da sua paixão, lhes havia dito que precisava sofrer essas coisas e que elas tinham sido anunciadas de antemão pelos profetas), e que, vivendo com eles, cantou louvores a Deus, como se torna evidente nas memórias dos apóstolos. As palavras são as seguintes: ‘Declararei o teu nome a meus irmãos; no meio da igreja eu te louvarei. Vocês que temem o Senhor, louvem-no; todos vocês, descendência de Jacó, glorifiquem-no. Tema-o toda a descendência de Israel’ (Sl 22.22-23). E quando se diz que Ele mudou o nome de um dos apóstolos para Pedro, e quando está escrito nas memórias a respeito dele que isso assim aconteceu, e também que mudou os nomes de outros dois irmãos, os filhos de Zebedeu, para Boanerges, que quer dizer filhos do trovão, isso era o anúncio de que era Ele aquele por quem Jacó foi chamado Israel e Oseias foi chamado Jesus (Josué), sob cujo nome o povo que sobreviveu dentre os que saíram do Egito foi conduzido à terra prometida aos patriarcas. E que Ele surgiria como uma estrela da descendência de Abraão, Moisés o mostrou de antemão quando disse assim: ‘Uma estrela surgirá de Jacó, e um chefe de Israel’ (Nm 24.17); e outra Escritura diz: ‘Eis um homem; o seu nome é Oriente’ (Zc 6.12). Assim, quando uma estrela surgiu no céu na época do seu nascimento, como está registrado nas memórias dos seus apóstolos, os magos da Arábia, reconhecendo por ela o sinal, vieram e o adoraram.
“E que Ele ressuscitaria no terceiro dia depois da crucificação, está escrito nas memórias que alguns da nação de vocês, interrogando-o, disseram: ‘Mostra-nos um sinal’; e Ele lhes respondeu: ‘Uma geração perversa e adúltera pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o sinal de Jonas’ (Mt 12.38-39). E, como Ele disse isso de modo obscuro, os ouvintes deviam entender que, depois da sua crucificação, Ele ressuscitaria no terceiro dia. E mostrou que a geração de vocês era mais perversa e mais adúltera do que a cidade de Nínive; pois esta, quando Jonas lhes pregou, depois de ter sido lançado fora do ventre do grande peixe no terceiro dia, que dentro de três (em outras versões, quarenta)14 dias todos pereceriam, proclamou um jejum de todas as criaturas, homens e animais, com pano de saco, com sincera lamentação, com verdadeiro arrependimento do coração e afastando-se da injustiça, crendo que Deus é misericordioso e bondoso para com todos os que se afastam da maldade; de modo que o próprio rei daquela cidade, com os seus nobres, vestiu-se de pano de saco e permaneceu jejuando e orando, e obtiveram o que pediam: que a cidade não fosse destruída. Mas, quando Jonas se entristeceu porque no (quadragésimo) terceiro dia, como havia proclamado, a cidade não foi destruída, [Deus], pela providência de uma aboboreira15 que brotou da terra para ele, debaixo da qual se sentou e ficou à sombra, protegido do calor (a aboboreira havia brotado de repente, e Jonas não a plantara nem a regara, mas ela crescera de uma só vez para lhe dar sombra), e pela outra providência de ela secar, o que entristeceu Jonas, convenceu-o de que estava injustamente aborrecido porque a cidade de Nínive não fora destruída, e disse: ‘Você teve compaixão da aboboreira, pela qual não trabalhou, nem a fez crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu. E não hei de poupar Nínive, a grande cidade, em que há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?’ (Jn 4.10-11).
“E, embora todos os homens da nação de vocês conhecessem os episódios da vida de Jonas, e embora Cristo tenha dito no meio de vocês que lhes daria o sinal de Jonas, exortando-os a se arrependerem das suas más obras ao menos depois que Ele ressuscitasse dentre os mortos, e a chorar diante de Deus como fizeram os ninivitas, para que a nação e a cidade de vocês não fossem tomadas e destruídas, como foram destruídas, vocês não só não se arrependeram depois de saber que Ele ressuscitou dentre os mortos, mas, como eu disse antes,16 enviaram homens escolhidos e designados por todo o mundo para proclamar que uma heresia ímpia e sem lei havia surgido de um certo Jesus, um impostor galileu, a quem nós crucificamos, mas os seus discípulos o roubaram de noite do túmulo onde fora posto depois de despregado da cruz, e agora enganam os homens afirmando que ele ressuscitou dentre os mortos e subiu ao céu. Além disso, vocês o acusam de ter ensinado aquelas doutrinas ímpias, sem lei e profanas que vocês mencionam para condenar os que o confessam como Cristo, Mestre vindo de Deus e Filho de Deus. Além disso, mesmo depois de tomada a cidade de vocês e devastada a sua terra, vocês não se arrependem, mas ousam proferir maldições contra Ele e contra todos os que nele creem. Nós, porém, não odiamos vocês nem aqueles que, por meio de vocês, conceberam tais preconceitos contra nós; mas oramos para que ainda agora todos vocês se arrependam e alcancem misericórdia de Deus, o Pai de todos, compassivo e paciente.
“Mas que os gentios haveriam de se arrepender do mal em que viviam errantes, quando ouvissem a doutrina pregada pelos seus apóstolos a partir de Jerusalém e aprendida17 por meio deles, permitam-me mostrar-lhes citando uma breve passagem da profecia de Miqueias, um dos doze [profetas menores]. É a seguinte: ‘E nos últimos dias o monte do Senhor se manifestará, firmado no cimo dos montes; será exaltado acima das colinas, e os povos afluirão a ele.18 E muitas nações irão e dirão: Venham, subamos ao monte do Senhor e à casa do Deus de Jacó; e eles nos iluminarão no seu caminho, e andaremos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do Senhor, de Jerusalém. E Ele julgará entre muitos povos e repreenderá nações fortes e distantes; e elas transformarão as suas espadas em arados, e as suas lanças em foices; nação não levantará a espada contra nação, nem aprenderão mais a guerra. E cada um se assentará debaixo da sua videira e debaixo da sua figueira, e não haverá quem o atemorize; porque a boca do Senhor dos Exércitos o disse. Pois todos os povos andarão em nome dos seus deuses; mas nós andaremos em nome do Senhor, nosso Deus, para sempre. E naquele dia acontecerá que reunirei a que está aflita, e recolherei a que foi expulsa e a quem eu havia castigado; e farei da aflita um remanescente, e da oprimida uma nação forte. E o Senhor reinará sobre eles no monte Sião desde agora e para sempre’ (Mq 4.1-7).”
E, quando terminei essas palavras, continuei: “Sei que os mestres de vocês, senhores, admitem que todas as palavras desta passagem se referem ao Cristo; e sei igualmente que sustentam que Ele ainda não veio; ou, se dizem que veio, afirmam que não se sabe quem Ele é; mas que, quando se tornar manifesto e glorioso, então se saberá quem Ele é. E então, dizem, acontecerão as coisas mencionadas nesta passagem, como se ainda não houvesse nenhum fruto das palavras da profecia. Homens insensatos! Não entendem o que foi provado por todas estas passagens: que foram anunciadas duas vindas do Cristo; uma, em que Ele é apresentado sofrendo, sem glória, desonrado e crucificado; a outra, em que virá do céu com glória, quando o homem da apostasia,19 que profere coisas estranhas contra o Altíssimo, ousar praticar na terra atos iníquos contra nós, os cristãos, que, tendo aprendido o verdadeiro culto de Deus pela lei e pela palavra que saiu de Jerusalém por meio dos apóstolos de Jesus, nos refugiamos no Deus de Jacó e Deus de Israel. E nós, que estávamos cheios de guerra, de matança mútua e de toda maldade, cada um de nós, por toda a terra, transformamos as nossas armas de guerra, as espadas em arados e as lanças em instrumentos de lavoura, e cultivamos a piedade, a justiça, o amor aos homens, a fé e a esperança, que temos do próprio Pai por meio daquele que foi crucificado; e nos assentamos cada um debaixo da sua videira, isto é, cada homem tendo a sua própria esposa legítima. Pois vocês sabem que a palavra profética diz: ‘E a sua mulher será como videira fecunda’ (Sl 128.3). Ora, é evidente que ninguém pode atemorizar nem subjugar a nós, que cremos em Jesus no mundo inteiro. Pois é claro que, embora decapitados, crucificados, lançados às feras, às correntes e ao fogo, e a todas as demais espécies de tortura, não abandonamos a nossa confissão; ao contrário, quanto mais essas coisas acontecem, tanto mais outros, e em maior número, se tornam fiéis e adoradores de Deus pelo nome de Jesus. Pois assim como, se alguém poda as partes frutíferas de uma videira, ela torna a crescer e produz outros ramos viçosos e frutíferos, o mesmo acontece conosco. Pois a videira plantada por Deus e pelo Cristo Salvador é o seu povo. Mas o restante da profecia se cumprirá na sua segunda vinda. Pois a expressão ‘o que está aflito [e expulso]’, isto é, do mundo, [significa] que, no que depende de vocês e de todos os outros homens, cada cristão foi expulso não só dos seus bens, mas até do mundo inteiro; pois vocês não permitem que nenhum cristão viva. Mas vocês dizem que a mesma sorte coube à sua própria nação. Ora, se vocês foram expulsos depois de vencidos na guerra, sofreram esse tratamento com toda a justiça, como atestam todas as Escrituras; mas nós, embora não tenhamos praticado nenhum [desses atos maus] depois de conhecer a verdade de Deus, recebemos de Deus o testemunho de que, juntamente com o justíssimo e único imaculado e sem pecado, o Cristo, somos tirados da terra. Pois Isaías clama: ‘Vejam como perece o justo, e ninguém se importa com isso; e os justos são tirados, e ninguém considera’ (Is 57.1).
“E que, já no tempo de Moisés, se declarou por símbolo que haveria duas vindas deste Cristo, como mencionei antes, [é manifesto] pelo símbolo dos bodes oferecidos em sacrifício durante o jejum. E também pelo que Moisés e Josué fizeram, a mesma coisa foi anunciada simbolicamente e predita. Pois um deles, estendendo as mãos, permaneceu até a tarde sobre o monte, com as mãos sustentadas; e isso revela o tipo de nenhuma outra coisa senão da cruz; e o outro, cujo nome foi mudado para Jesus (Josué), conduziu a batalha, e Israel venceu. Ora, isso aconteceu com aqueles dois homens santos e profetas de Deus para que vocês percebam que um só deles não podia sustentar os dois mistérios, isto é, o tipo da cruz e o tipo do nome. Pois esta é, foi e será a força somente daquele cujo nome toda potestade teme, sendo grandemente atormentadas porque serão destruídas por Ele. Portanto, o nosso Cristo, que sofreu e foi crucificado, não foi amaldiçoado pela lei, mas deixou manifesto que somente Ele salvaria os que não se afastam da sua fé. E o sangue da páscoa, aspergido nos umbrais e na verga da porta de cada um, livrou os que foram salvos no Egito, quando os primogênitos dos egípcios foram destruídos. Pois a páscoa era Cristo, que depois foi sacrificado, como também disse Isaías: ‘Foi levado como ovelha ao matadouro’ (Is 53.7). E está escrito que no dia da páscoa vocês o prenderam, e que também durante a páscoa o crucificaram. E, assim como o sangue da páscoa salvou os que estavam no Egito, assim também o sangue de Cristo livrará da morte os que creram. Teria Deus, então, sido enganado se esse sinal não estivesse sobre as portas? Não digo isso; mas afirmo que Ele anunciou de antemão a futura salvação do gênero humano pelo sangue de Cristo. Pois o sinal do cordão escarlate, que os espias enviados a Jericó por Josué, filho de Nave (Num), deram a Raabe, a prostituta, dizendo-lhe que o atasse à janela pela qual os desceu para escaparem dos inimigos, também manifestou o símbolo do sangue de Cristo, pelo qual são salvos os que outrora eram prostitutos e injustos de todas as nações, recebendo a remissão dos pecados e não continuando mais no pecado.
“Mas vocês, expondo essas coisas de modo baixo [e terreno], atribuem muita fraqueza a Deus, se as ouvem assim, simplesmente, e não investigam a força das palavras ditas. Porque, desse modo, até Moisés seria considerado transgressor, pois ordenou que não se fizesse imagem de coisa alguma que há no céu, ou na terra, ou no mar; e depois ele mesmo fez uma serpente de bronze, colocou-a sobre uma haste e mandou que os que tinham sido mordidos olhassem para ela; e, olhando para ela, eram salvos. Será que se há de entender que a serpente, que (como eu já disse) Deus no princípio amaldiçoou e eliminou com a grande espada, como diz Isaías (Is 27.1), preservou naquela ocasião o povo? E havemos de receber essas coisas segundo a interpretação insensata dos mestres de vocês, e não [considerá-las] sinais? E não havemos antes de referir a haste à semelhança de Jesus crucificado, já que também Moisés, com as mãos estendidas, juntamente com aquele que recebeu o nome de Jesus (Josué), alcançou vitória para o povo de vocês? Pois desse modo deixaremos de ficar perplexos quanto ao que fez o legislador, quando, sem abandonar a Deus, persuadiu o povo a pôr a esperança num animal por meio do qual a transgressão e a desobediência tiveram origem. E isso foi feito e dito pelo bem-aventurado profeta com muita inteligência e mistério; e não há nada dito ou feito por qualquer dos profetas, sem exceção, que alguém possa com justiça repreender, se possuir o conhecimento que neles há. Mas, se os mestres de vocês só lhes explicam por que se fala de camelas nesta passagem e não naquela, ou por que tantas medidas de flor de farinha e tantas medidas de azeite [se usam] nas ofertas, e fazem isso de modo baixo e mesquinho, ao passo que nunca se atrevem a falar dos pontos grandes e dignos de investigação, nem a expô-los, ou ainda lhes ordenam que não nos deem ouvidos enquanto os expomos e que não entrem em conversa conosco, não merecerão ouvir o que nosso Senhor Jesus Cristo lhes disse: ‘Sepulcros caiados, que por fora parecem belos e por dentro estão cheios de ossos de mortos; que pagam o dízimo da hortelã e engolem um camelo; guias cegos!’ (Mt 23.27, 23-24)? Se, portanto, vocês não desprezarem as doutrinas dos que se exaltam e querem ser chamados Rabi, Rabi, e não se aproximarem das palavras da profecia com tal empenho e inteligência que venham a sofrer da parte do seu próprio povo os mesmos maus-tratos que os próprios profetas sofreram, não poderão tirar proveito algum dos escritos proféticos.
“O que quero dizer é isto. Jesus (Josué), como já observei muitas vezes, que se chamava Oseias, quando foi enviado a espiar a terra de Canaã, recebeu de Moisés o nome de Jesus (Josué). Por que ele fez isso, vocês não perguntam, nem ficam perplexos, nem investigam com rigor. Por isso Cristo lhes passou despercebido; e, embora leiam, não entendem; e ainda agora, embora ouçam que Jesus é o nosso Cristo, não consideram que esse nome lhe foi dado não sem propósito nem por acaso. Mas vocês fazem uma discussão teológica sobre por que se acrescentou um ‘a’ ao primeiro nome de Abraão; e, quanto a por que se acrescentou um ‘r’ ao nome de Sara, usam disputas igualmente pomposas.20 Por que, então, não investigam da mesma maneira a razão pela qual o nome de Oseias, filho de Nave (Num), que o seu pai lhe dera, foi mudado para Jesus (Josué)? Mas, visto que não só o seu nome foi mudado, mas ele também foi designado sucessor de Moisés, sendo o único dos seus contemporâneos que saíram do Egito, ele conduziu o povo sobrevivente à Terra Santa; e, assim como ele, e não Moisés, conduziu o povo à Terra Santa, e como a repartiu por sorte entre os que entraram com ele, assim também Jesus, o Cristo, fará voltar a dispersão do povo e distribuirá a boa terra a cada um, embora não da mesma maneira. Pois aquele lhes deu uma herança temporária, visto que não era o Cristo, que é Deus, nem o Filho de Deus; mas este, depois da santa ressurreição,21 nos dará a posse eterna. Aquele, depois de ter recebido o nome de Jesus (Josué) e de ter recebido força do Espírito dele, fez o sol parar. Pois provei que foi Jesus quem apareceu a Moisés, a Abraão e a todos os outros patriarcas, sem exceção, e conversou com eles, servindo à vontade do Pai; o qual também, digo eu, veio a nascer homem da Virgem Maria e vive para sempre. Pois este é aquele depois22 de quem e por meio de quem o Pai renovará tanto o céu como a terra; este é aquele que brilhará como luz eterna em Jerusalém; este é o rei de Salém segundo a ordem de Melquisedeque, e o Sacerdote eterno do Altíssimo. Daquele se diz que circuncidou o povo pela segunda vez com facas de pedra (o que era sinal desta circuncisão com que o próprio Jesus Cristo nos circuncidou dos ídolos feitos de pedra e de outros materiais), e que reuniu os que foram circuncidados da incircuncisão, isto é, do erro do mundo, em todo lugar, pelas facas de pedra, a saber, as palavras de nosso Senhor Jesus. Pois mostrei que Cristo foi anunciado pelos profetas, em parábolas, como Pedra e Rocha. Assim, entenderemos que as facas de pedra são as suas palavras, por meio das quais tantos que estavam no erro foram circuncidados da incircuncisão com a circuncisão do coração, com a qual Deus, por meio de Jesus, ordenou que fossem circuncidados desde então os que recebiam a sua circuncisão de Abraão, dizendo que Jesus (Josué) circuncidaria pela segunda vez com facas de pedra os que entrassem naquela terra santa.
1. O texto diz auton ton ‘Abraam patera. Thirlby propôs auton tou ‘Adam; Maranus mudou isso para autou ton ‘Adam patera.
2. Não é fácil, diz Maranus, dizer em que Escritura Cristo é assim chamado. Talvez Justino tivesse em mente a passagem “Este é o dia que o Senhor fez” (Sl 118.24). Clemente de Alexandria ensina que ali se trata de Cristo.
3. O texto está corrompido, e o sentido é duvidoso. Otto traduz: naribus inter se certantes.
4. Não se encontra nos manuscritos.
5. kai ton didaskalon, adotado em lugar de kata ten didaskalian, “segundo as suas instruções”.
6. apo tou orous. Justino parece ter suposto que os judeus vieram sobre Cristo de algum ponto do monte enquanto Ele estava no vale abaixo. Foram sugeridas as leituras ‘epi tou orous e epi to oros.
7. Literalmente, “disse”.
8. Maranus diz que dificilmente se pode duvidar de que Justino lia “Derramei-me como água” etc.
9. Justino se refere à opinião dos docetas, de que Cristo sofreu só em aparência, e não na realidade.
10. Veja a nota ao cap. 98.
11. Idem.
12. Essa demonstração não aparece.
13. Sylburg propôs dikaious ginesthai em lugar de di ous gin: “a nos esforçarmos com empenho para nos tornarmos justos e, na hora da morte, a orar”.
14. Na Septuaginta registram-se apenas três dias, embora no hebraico e em outras versões sejam quarenta. A oração entre parênteses é provavelmente obra de um copista.
15. Leia-se kikuona em lugar de sikuona.
16. Cap. 17.
17. Leia-se mathonta em lugar de pathonta.
18. Literalmente, “os povos porão nele um rio”.
19. 2Ts 2.3; veja também o cap. 32.
20. Segundo a Septuaginta, Sara passou a Sarrha, e Abram a Abraam.
21. Ou “ressurreição dos santos”.
22. Justino parece querer dizer que a renovação do céu e da terra data da encarnação de Cristo.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith (Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Justino cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.