Patrística · século II
O Diálogo com o judeu Trifão
O Diálogo com Trifão é a obra mais longa de Justino Mártir e a mais antiga defesa cristã diante do judaísmo que chegou até nós por inteiro. Foi escrito depois da Primeira Apologia, à qual o próprio Justino se refere, por volta do ano 155-160. Justino conta uma conversa de dois dias com Trifão, um judeu culto que fugira da guerra recente na Judeia, e com os amigos que o acompanhavam.
Nos primeiros capítulos, Justino narra como passou pelas escolas dos filósofos até encontrar, num velho à beira-mar, o caminho para os profetas e para Cristo. Depois o diálogo trata da lei de Moisés e da circuncisão, que ele vê cumpridas e superadas na nova aliança; de Cristo, que já aparecia nas teofanias do Antigo Testamento e é anunciado pelos profetas na sua encarnação, paixão e glória; e do chamado dos gentios, que se tornam o verdadeiro Israel. O tom é firme, mas a conversa termina em cordialidade, com a oração de Justino para que os seus interlocutores creiam que Jesus é o Cristo de Deus.
Justino diz coisas duras sobre o povo judeu do seu tempo e expõe ideias próprias da época, como, nos capítulos 80 e 81, a esperança de mil anos numa Jerusalém restaurada, que ele mesmo reconhece não ser partilhada por todos os cristãos. Traduzimos com fidelidade, sem comentários. O original é grego; a tradução foi feita da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith na coleção Ante-Nicene Fathers (1885), conferida com as páginas impressas. Justino cita longamente o Antigo Testamento pela Septuaginta; quando a citação difere do texto bíblico que conhecemos, seguimos a redação dele.
O encontro com Trifão; como Justino passou pelos filósofos e foi levado aos profetas e a Cristo; a lei antiga e a nova aliança.
Diálogo com TrifãoA verdadeira justiça não está nos ritos; o jejum verdadeiro, a circuncisão, o sábado e os sacrifícios; a salvação só por Cristo.
Diálogo com TrifãoA justiça verdadeira obtida por Cristo; os Salmos 110 e 72 falam de Cristo, Senhor dos Exércitos; a lei como figura.
Diálogo com TrifãoA oferta de flor de farinha e a eucaristia; os justos de antes da lei; os cristãos que guardam a lei; Elias e João Batista; as duas vindas.
Diálogo com TrifãoO Deus que apareceu a Abraão, a Jacó e a Moisés é distinto do Pai; a Sabedoria gerada pelo Pai, como fogo de fogo.
Diálogo com TrifãoEste Deus se encarnou e nasceu da virgem; as fábulas pagãs imitam a verdade; os textos que os judeus retiraram da Escritura.
Diálogo com TrifãoCristo, o Rei e Senhor anunciado pelos profetas; os anjos rebeldes; o reino de mil anos; os dons proféticos passados aos cristãos.
Diálogo com TrifãoAs figuras do madeiro e da cruz no Antigo Testamento; a maldição que Cristo tomou sobre si; o Salmo 22 e as palavras de Cristo na cruz.
Diálogo com TrifãoO Salmo 22 e a paixão; a ressurreição e o sinal de Jonas; a conversão dos gentios; Josué, figura de Cristo.
Diálogo com TrifãoRegras para entender as profecias; o sacrifício puro de Malaquias; os cristãos são o povo santo prometido a Abraão e os filhos de Deus.
Diálogo com TrifãoOs nomes de Cristo; o Verbo enviado como pessoa; o poder do nome de Jesus; Noé e o batismo; o apelo final e a despedida de Trifão.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith (Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Justino cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.