Justino Mártir, Diálogo com Trifão · Diálogo com Trifão

Capítulos 41 a 53

A oferta de flor de farinha e a eucaristia; os justos de antes da lei; os cristãos que guardam a lei; Elias e João Batista; as duas vindas.

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Capítulo XLI. A oferta de flor de farinha era figura da eucaristia

“E a oferta de flor de farinha, senhores”, disse eu, “que se prescrevia apresentar em favor dos que eram purificados da lepra, era figura do pão da Eucaristia, cuja celebração nosso Senhor Jesus Cristo prescreveu em memória do sofrimento que ele suportou em favor dos que são purificados na alma de toda iniquidade, para que, ao mesmo tempo, demos graças a Deus por ter criado o mundo, com tudo o que nele há, por causa do homem, e por nos ter livrado do mal em que estávamos, e por ter derrubado por completo1 os principados e as potestades por meio daquele que sofreu segundo a sua vontade. Por isso Deus fala pela boca de Malaquias, um dos doze [profetas], como eu disse antes,2 a respeito dos sacrifícios que vocês então ofereciam: ‘Eu não tenho prazer em vocês, diz o Senhor, e não aceitarei os sacrifícios das mãos de vocês; pois, desde o nascente do sol até o poente, o meu nome tem sido glorificado entre os gentios, e em todo lugar se oferece incenso ao meu nome e uma oferta pura; porque o meu nome é grande entre os gentios, diz o Senhor; mas vocês o profanam’ (Ml 1.10-12). [Assim], ele fala então daqueles gentios, isto é, de nós, que em todo lugar lhe oferecemos sacrifícios, ou seja, o pão da Eucaristia e também o cálice da Eucaristia, afirmando ao mesmo tempo que nós glorificamos o seu nome e que vocês [o] profanam. Por sua vez, o mandamento da circuncisão, que ordenava circuncidar sempre os meninos no oitavo dia, era figura da verdadeira circuncisão, pela qual somos circuncidados do engano e da iniquidade por meio daquele que ressuscitou dos mortos no primeiro dia depois do sábado, [isto é, por meio de] nosso Senhor Jesus Cristo. Pois o primeiro dia depois do sábado, continuando a ser o primeiro3 de todos os dias, é chamado, no entanto, o oitavo, segundo o número de todos os dias do ciclo, e [ainda assim] continua a ser o primeiro.

Capítulo XLII. As campainhas da veste do sacerdote eram figura dos apóstolos

“Além disso, a prescrição de que se prendessem doze campainhas4 à [veste] do sumo sacerdote, que descia até os pés, era símbolo dos doze apóstolos, que dependem do poder de Cristo, o Sacerdote eterno; e é pela voz deles que toda a terra foi cheia da glória e da graça de Deus e do seu Cristo. Por isso também Davi diz: ‘A sua voz se espalhou por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo’ (Sl 19.4). E Isaías fala como se representasse os apóstolos, quando dizem a Cristo que não creem na sua própria pregação, mas no poder daquele que os enviou. E assim ele diz: ‘Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor? Anunciamos diante dele como se [ele fosse] uma criança, como raiz numa terra seca’ (Is 53.1-2). (E o que segue na ordem da profecia, já citada.5) Mas, quando a passagem fala como pela boca de muitos, ‘Anunciamos diante dele’, e acrescenta ‘como se fosse uma criança’, significa que os maus lhe ficarão sujeitos e obedecerão à sua ordem, e que todos se tornarão como uma só criança. É algo semelhante ao que se pode observar no corpo: embora os membros sejam contados como muitos, todos juntos são chamados um só e são um corpo. Pois, de fato, um povo e uma igreja,6 embora sejam muitos indivíduos em número, são na verdade como um só, chamados e designados por um só nome. Em suma, senhores”, disse eu, “enumerando todas as outras disposições de Moisés, posso demonstrar que eram figuras, símbolos e anúncios das coisas que aconteceriam a Cristo, dos que, segundo a presciência, haveriam de crer nele, e das coisas que também seriam feitas pelo próprio Cristo. Mas, como o que acabo de enumerar me parece suficiente, volto de novo à ordem da exposição.7

Capítulo XLIII. Ele conclui que a lei teve fim em Cristo, que nasceu da virgem

“Assim, pois, como a circuncisão começou com Abraão, e o sábado, os sacrifícios, as ofertas e as festas com Moisés, e ficou provado que foram ordenados por causa da dureza de coração do povo de vocês, assim também era necessário, conforme a vontade do Pai, que tivessem fim naquele que nasceu de uma virgem, da família de Abraão, da tribo de Judá e de Davi; em Cristo, o Filho de Deus, que foi anunciado como aquele que havia de vir a todo o mundo para ser a lei eterna e a aliança eterna, como mostram as profecias já mencionadas. E nós, que nos aproximamos de Deus por meio dele, recebemos não a circuncisão carnal, mas a espiritual, que Enoque e os que eram como ele observaram. E a recebemos pelo batismo, visto que éramos pecadores, pela misericórdia de Deus; e todos os homens podem igualmente obtê-la. Mas, como agora o mistério do seu nascimento requer a nossa atenção, falarei dele. Isaías, então, afirmou a respeito da geração de Cristo que ela não podia ser declarada pelo homem, em palavras já citadas:8 ‘Quem declarará a sua geração? Pois a sua vida é tirada da terra; pelas transgressões do meu povo ele foi levado9 à morte’ (Is 53.8). Assim o Espírito profético afirmou que a geração daquele que havia de morrer, para que nós, homens pecadores, fôssemos curados pelas suas pisaduras, era tal que não podia ser declarada. Além disso, para que os homens que creem nele possam conhecer o modo pelo qual ele veio ao mundo,10 o Espírito profético, pelo mesmo Isaías, predisse como isso aconteceria, da seguinte maneira: ‘E o Senhor falou outra vez a Acaz, dizendo: Pede para ti um sinal ao Senhor, teu Deus, nas profundezas ou nas alturas. Acaz, porém, disse: Não pedirei, nem tentarei o Senhor. E Isaías disse: Ouçam, pois, ó casa de Davi! Acaso é pouco para vocês contender com homens? E como contendem com o Senhor? Portanto, o Senhor mesmo lhes dará um sinal: eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será chamado Emanuel. Ele comerá manteiga e mel antes de conhecer ou preferir o mal e escolher o bem;11 pois, antes que o menino conheça o bem ou o mal, ele rejeita o mal12 escolhendo o bem. Pois, antes que o menino saiba dizer pai ou mãe, ele receberá o poder de Damasco e os despojos de Samaria diante do rei da Assíria. E a terra será abandonada,13 a qual a custo suportarás por causa da presença dos seus dois reis.14 Mas Deus trará sobre ti, sobre o teu povo e sobre a casa de teu pai dias que ainda não vieram sobre ti desde o dia em que Efraim tirou de Judá o rei da Assíria’ (Is 7.10-17; 8.4).15 Ora, é evidente para todos que, na descendência de Abraão segundo a carne, ninguém nasceu de uma virgem, nem se diz que tenha nascido [de uma virgem], a não ser este nosso Cristo. Mas, como vocês e os seus mestres ousam afirmar que na profecia de Isaías não se diz ‘Eis que a virgem conceberá’, mas ‘Eis que a jovem conceberá e dará à luz um filho’, e [como] vocês explicam a profecia como se [se referisse] a Ezequias, que foi rei de vocês, procurarei discutir brevemente este ponto em oposição a vocês e mostrar que ela se refere àquele que nós reconhecemos como o Cristo.

Capítulo XLIV. Os judeus em vão se prometem a salvação, que não se pode obter senão por meio de Cristo

“Assim, no que depende de vocês, serei achado inocente em todos os aspectos, se me esforçar com empenho para persuadi-los, apresentando demonstrações. Mas, se vocês permanecerem de coração endurecido, ou fracos para [tomar] uma decisão, por causa da morte, que é a sorte dos cristãos, e não quiserem dar assentimento à verdade, vocês se mostrarão autores dos seus próprios [males]. E vocês enganam a si mesmos quando imaginam que, por serem descendência de Abraão segundo a carne, herdarão plenamente os bens que foram anunciados como dados por Deus por meio de Cristo. Pois ninguém, nem mesmo dentre eles,16 tem algo a esperar, mas somente os que na mente se tornaram semelhantes à fé de Abraão e reconheceram todos os mistérios. Pois digo17 que alguns preceitos foram impostos a vocês com referência ao culto de Deus e à prática da justiça; mas alguns preceitos e atos foram igualmente mencionados com referência ao mistério de Cristo, por causa da18 dureza de coração do povo de vocês. E que isso é assim, Deus o dá a conhecer em Ezequiel, [quando] disse a respeito disso: ‘Ainda que Noé, Jacó19 e Daniel pedissem filhos ou filhas, o pedido não lhes seria concedido’ (Ez 14.20). E em Isaías, sobre esse mesmo assunto, ele falou assim: ‘O Senhor Deus disse: Eles sairão e verão os membros [dos corpos] dos homens que transgrediram. Pois o seu verme não morrerá, e o seu fogo não se apagará, e eles serão um espetáculo para toda a carne’ (Is 66.24). De modo que convém que vocês arranquem essa esperança da alma e se apressem a conhecer de que modo o perdão dos pecados e a esperança de herdar os bens prometidos serão de vocês. Mas não há outro [caminho] senão este: conhecer este Cristo, ser lavado na fonte20 de que fala Isaías para a remissão dos pecados e, de resto, viver uma vida sem pecado.”

Capítulo XLV. Os que foram justos antes da lei e sob a lei serão salvos por Cristo

E Trifão disse: “Se eu parecer interromper estes assuntos, que você diz que precisam ser investigados, a pergunta que pretendo fazer é, contudo, urgente. Permita-me fazê-la primeiro.”

E eu respondi: “Pergunte o que quiser, conforme lhe ocorrer; e eu procurarei, depois das perguntas e respostas, retomar e completar a exposição.”

Então ele disse: “Diga-me, pois: os que viveram segundo a lei dada por Moisés viverão do mesmo modo que Jacó, Enoque e Noé na ressurreição dos mortos, ou não?”

Eu lhe respondi: “Quando citei, meu senhor, as palavras ditas por Ezequiel, de que ‘ainda que Noé, Daniel e Jacó pedissem filhos e filhas, o pedido não lhes seria concedido’, mas que cada um, isto é, será salvo pela sua própria justiça, eu disse também que os que regularam a vida pela lei de Moisés seriam igualmente salvos. Pois o que na lei de Moisés é naturalmente bom, piedoso e justo, e foi prescrito para ser feito pelos que lhe obedecem,21 e o que foi determinado para ser cumprido por causa da dureza de coração do povo, foi igualmente registrado e também praticado pelos que estavam sob a lei. Visto que os que fizeram o que é universal, natural e eternamente bom são agradáveis a Deus, eles serão salvos por meio deste Cristo na ressurreição, assim como os justos que viveram antes deles, a saber, Noé, Enoque, Jacó e quaisquer outros que haja, juntamente com os que conheceram22 este Cristo, Filho de Deus, que existia antes da estrela da manhã e da lua, e se sujeitou a encarnar-se e a nascer desta virgem da família de Davi, a fim de que, por esta dispensação, a serpente que pecou desde o princípio e os anjos semelhantes a ela sejam destruídos, e a morte seja desprezada e, na segunda vinda do próprio Cristo, abandone para sempre os que creem nele e vivem de modo agradável, e deixe de existir; quando alguns serão enviados para ser castigados sem cessar, para o juízo e a condenação do fogo, enquanto outros existirão livres do sofrimento, da corrupção e da tristeza, e na imortalidade.”

Capítulo XLVI. Trifão pergunta se quem ainda agora guarda a lei será salvo. Justino prova que ela em nada contribui para a justiça

“Mas, se alguns, ainda agora, quiserem viver observando as instituições dadas por Moisés e, apesar disso, crerem neste Jesus que foi crucificado, reconhecendo que ele é o Cristo de Deus, que lhe foi dado ser o Juiz absoluto de todos e que dele é o reino eterno, poderão eles também ser salvos?”, perguntou-me ele.

E eu respondi: “Consideremos isso também juntos: se é possível agora observar todas as instituições mosaicas.”

E ele respondeu: “Não. Pois sabemos que, como você disse, não é possível em lugar nenhum sacrificar o cordeiro da Páscoa, nem oferecer os bodes ordenados para o jejum, nem, em suma, [apresentar] todas as outras ofertas.”

E eu disse: “Diga-[me] então você mesmo, por favor, algumas coisas que podem ser observadas; pois você se convencerá de que, mesmo que um homem não guarde nem tenha cumprido os preceitos eternos,23 ele pode certamente ser salvo.”

Então ele respondeu: “Guardar o sábado, ser circuncidado, observar os meses e lavar-se quando se toca em algo proibido por Moisés, ou depois da relação sexual.”

E eu disse: “Você acha que Abraão, Isaque, Jacó, Noé e Jó, e todos os outros, antes ou depois deles, igualmente justos, e também Sara, mulher de Abraão, Rebeca, mulher de Isaque, Raquel, mulher de Jacó, e Lia, e todas as demais, até a mãe de Moisés, o servo fiel, que não observaram nenhum destes [estatutos], serão salvos?”

E Trifão respondeu: “Não eram circuncidados Abraão e os seus descendentes?”

E eu disse: “Sei que Abraão e os seus descendentes eram circuncidados. A razão pela qual a circuncisão lhes foi dada, eu a expus longamente no que veio antes; e, se o que foi dito não o convence,24 examinemos de novo a questão. Mas você sabe que, até Moisés, nenhum justo, de fato, observou absolutamente nenhum destes ritos de que estamos falando, nem recebeu mandamento algum para observar, exceto o da circuncisão, que começou com Abraão.”

E ele respondeu: “Sabemos disso e admitimos que eles são salvos.”

Então eu lhe dei esta resposta: “Você percebe que Deus, por meio de Moisés, impôs todas essas ordenanças a vocês por causa da dureza de coração do povo de vocês, para que, pelo grande número delas, vocês tivessem Deus continuamente diante dos olhos, em toda ação, e jamais começassem a agir de modo injusto ou ímpio. Pois ele ordenou que vocês pusessem ao redor de vocês [uma franja] de cor púrpura (Nm 15.38), para que não se esquecessem de Deus; e mandou que usassem um filactério (Dt 6.8), com certos caracteres, que de fato consideramos santos, gravados num pergaminho muito fino; e por esses meios os incitava25 a conservar uma lembrança constante de Deus, ao mesmo tempo, porém, convencendo-os de que no coração vocês não têm nem sequer uma leve lembrança do culto de Deus. Mas nem assim vocês foram dissuadidos da idolatria: pois, nos tempos de Elias, quando [Deus] enumerou os que não tinham dobrado o joelho diante de Baal, disse que o número era de sete mil; e em Isaías ele os repreende por terem sacrificado os seus filhos aos ídolos. Mas nós, porque nos recusamos a sacrificar àqueles a quem antigamente costumávamos sacrificar, sofremos os castigos mais extremos e nos alegramos na morte, crendo que Deus nos ressuscitará por meio do seu Cristo e nos tornará incorruptíveis, imperturbáveis e imortais; e sabemos que as ordenanças impostas por causa da dureza de coração do povo de vocês em nada contribuem para a prática da justiça e da piedade.”

Capítulo XLVII. Justino tem comunhão com cristãos que observam a lei. Não poucos católicos agem de outro modo

E Trifão perguntou de novo: “Mas, se alguém, sabendo que isso é assim, depois de reconhecer que este homem é o Cristo, e de ter crido nele e lhe obedecer, quiser, contudo, observar essas [instituições], será salvo?”

Eu disse: “Na minha opinião, Trifão, esse tal será salvo, se não se esforçar de todos os modos por persuadir os outros homens, quero dizer, os gentios que foram circuncidados do erro por Cristo, a observar as mesmas coisas que ele, dizendo-lhes que não serão salvos se não fizerem isso. Foi o que você mesmo fez no começo da conversa, quando declarou que eu não seria salvo se não observasse essas instituições.”

Então ele replicou: “Por que, então, você disse ‘Na minha opinião, esse tal será salvo’, a não ser que haja alguns26 que afirmam que esses não serão salvos?”

“Há pessoas assim, Trifão”, respondi; “e estas não ousam ter nenhum trato com tais pessoas, nem lhes oferecer hospitalidade; mas eu não concordo com elas. Mas, se alguns, por fraqueza de espírito, quiserem observar as instituições dadas por Moisés, das quais esperam alguma virtude, mas que nós cremos terem sido determinadas por causa da dureza de coração do povo, juntamente com a sua esperança neste Cristo, e [quiserem praticar] os atos eternos e naturais de justiça e de piedade, e ainda assim escolherem viver com os cristãos e os fiéis, como eu disse antes, sem induzi-los a se circuncidarem como eles, nem a guardar o sábado, nem a observar quaisquer outras cerimônias desse tipo, então sustento que devemos unir-nos a eles e conviver com eles em todas as coisas como parentes e irmãos. Mas se, Trifão”, continuei, “alguns da sua raça, que dizem crer neste Cristo, obrigam os gentios que creem neste Cristo a viver em tudo segundo a lei dada por Moisés, ou escolhem não conviver tão intimamente com eles, igualmente não os aprovo. Mas creio que mesmo aqueles que foram persuadidos por eles a observar a dispensação legal juntamente com a sua confissão de Deus em Cristo provavelmente serão salvos. E sustento, além disso, que os que confessaram e conheceram que este homem é o Cristo, mas por algum motivo voltaram à dispensação legal, negaram que este homem é o Cristo e não se arrependeram antes da morte, de modo algum serão salvos. Sustento ainda que os da descendência de Abraão que vivem segundo a lei e não creem neste Cristo antes da morte também não serão salvos, e especialmente os que anatematizaram e anatematizam nas sinagogas este mesmo Cristo e tudo aquilo pelo qual poderiam obter a salvação e escapar do castigo do fogo.27 Pois a bondade e a benignidade de Deus, e as suas riquezas sem limite, consideram justo e sem pecado o homem que, como conta Ezequiel (Ez 33.11-20), se arrepende dos pecados; e consideram pecador, injusto e ímpio o homem que se desvia da piedade e da justiça para a injustiça e a impiedade. Por isso também nosso Senhor Jesus Cristo disse: ‘Naquilo em que eu os surpreender, nisso os julgarei.'”28

Capítulo XLVIII. Antes de se provar a divindade de Cristo, ele [trifão] pede que se estabeleça que ele é o Cristo

E Trifão disse: “Ouvimos o que você pensa sobre esses assuntos. Retome a exposição de onde parou e leve-a até o fim. Pois uma parte dela me parece paradoxal e totalmente impossível de provar. Pois, quando você diz que este Cristo existia como Deus antes dos séculos, e depois que se sujeitou a nascer e tornar-se homem, e contudo não é homem nascido de homem, essa [afirmação] me parece não apenas paradoxal, mas também tola.”

E eu lhe respondi: “Sei que a afirmação parece mesmo paradoxal, especialmente aos da sua raça, que nunca querem entender nem cumprir as [exigências] de Deus, mas [estão prontos a cumprir] as dos seus mestres, como o próprio Deus declara (cf. Is 29.13). Ora, certamente, Trifão”, continuei, “[a prova] de que este homem29 é o Cristo de Deus não falha, ainda que eu não seja capaz de provar que ele existia antes como Filho do Criador de todas as coisas, sendo Deus, e que nasceu homem da Virgem. Mas, visto que provei com certeza que este homem é o Cristo de Deus, seja ele quem for, mesmo que eu não prove que ele preexistia e se sujeitou a nascer homem sujeito às mesmas paixões que nós, tendo um corpo, segundo a vontade do Pai, só neste último ponto seria justo dizer que errei, e não negar que ele é o Cristo, ainda que se mostrasse que ele nasceu homem de homens e se provasse [apenas isto]: que ele se tornou Cristo por eleição. Pois há alguns, meus amigos”, disse eu, “da nossa raça,30 que admitem que ele é o Cristo, embora o tenham por homem nascido de homens; com eles não concordo, nem concordaria,31 ainda que a maioria dos que [agora] têm as mesmas opiniões que eu o dissesse; pois fomos ordenados pelo próprio Cristo a não dar crédito a doutrinas humanas, mas às que foram proclamadas pelos bem-aventurados profetas e ensinadas por ele mesmo.”

Capítulo XLIX. Aos que objetam que Elias ainda não veio, ele responde que ele é o precursor da primeira vinda

E Trifão disse: “Os que afirmam que ele foi homem, que foi ungido por eleição e depois se tornou Cristo, parecem-me falar de modo mais plausível do que vocês, que sustentam as opiniões que você expõe. Pois todos nós esperamos que o Cristo será homem [nascido] de homens e que Elias, quando vier, o ungirá. Mas, se este homem parece ser o Cristo, deve certamente ser reconhecido como homem [nascido] de homens; mas, pelo fato de Elias ainda não ter vindo, concluo que este homem não é ele [o Cristo].”

Então eu lhe perguntei: “A Escritura, no livro de Zacarias, não diz que Elias virá antes do grande e terrível dia do Senhor (Ml 4.5)?”

E ele respondeu: “Certamente.”

“Se, portanto, a Escritura obriga você a admitir que foram preditas duas vindas do Cristo, uma em que ele apareceria sofredor, desonrado e sem beleza, e a outra em que viria glorioso e Juiz de todos, como ficou manifesto em muitas das passagens já citadas, não havemos de supor que a palavra de Deus anunciou que Elias será o precursor do grande e terrível dia, isto é, da sua segunda vinda?”

“Certamente”, respondeu ele.

“E, em conformidade com isso, nosso Senhor, no seu ensino”, continuei, “anunciou que isso mesmo aconteceria, dizendo que Elias também viria. E sabemos que isso acontecerá quando nosso Senhor Jesus Cristo vier do céu em glória; cuja primeira manifestação o Espírito de Deus que estava em Elias precedeu como arauto na [pessoa de] João, profeta da nação de vocês, depois do qual nenhum outro profeta apareceu entre vocês. Ele clamava, sentado junto ao rio Jordão: ‘Eu batizo vocês com água, para arrependimento; mas virá aquele que é mais forte do que eu, de quem não sou digno de levar as sandálias. Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo. A sua pá está na sua mão, e ele limpará completamente a sua eira e recolherá o trigo no celeiro; mas a palha ele a queimará num fogo que nunca se apaga’ (Mt 3.11-12). E esse mesmo profeta o rei de vocês, Herodes, mandara encerrar na prisão; e, quando se celebrava o seu aniversário e a sobrinha32 do mesmo Herodes, com a sua dança, lhe agradou, ele lhe disse que pedisse o que quisesse. Então a mãe da moça a instigou a pedir a cabeça de João, que estava na prisão; e, tendo ela pedido, [Herodes] mandou que trouxessem a cabeça de João num prato. Por isso também o nosso Cristo, [quando estava] na terra, disse aos que afirmavam que Elias devia vir antes do Cristo: ‘Elias virá e restaurará todas as coisas; mas eu lhes digo que Elias já veio, e não o reconheceram; pelo contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram’ (Mt 17.11-12). E está escrito: ‘Então os discípulos entenderam que ele estava se referindo a João Batista’ (Mt 17.13).”

E Trifão disse: “Também esta afirmação me parece paradoxal, a saber, que o Espírito profético de Deus, que estava em Elias, estava também em João.”

A isso respondi: “Você não acha que a mesma coisa aconteceu no caso de Josué, filho de Nave (Num), que sucedeu a Moisés no comando do povo, quando foi ordenado a Moisés que impusesse as mãos sobre Josué, e Deus lhe disse: ‘Tirarei do espírito que está em ti e o porei sobre ele’ (Nm 11.17)?”33

E ele disse: “Certamente.”

“Assim, pois”, digo eu, “como, estando Moisés ainda entre os homens, Deus tirou do espírito que estava em Moisés e o pôs sobre Josué, assim também Deus pôde fazer vir sobre João [o espírito] de Elias; para que, assim como Cristo, na sua primeira vinda, apareceu sem glória, também a primeira vinda do espírito, que permaneceu sempre puro em Elias34 como o de Cristo, fosse percebida como sem glória. Pois o Senhor disse que faria guerra contra Amaleque com mão oculta; e você não negará que Amaleque caiu. Mas, se se diz que só na vinda gloriosa de Cristo se fará guerra contra Amaleque, quão grande será o cumprimento35 da Escritura que diz: ‘Deus fará guerra contra Amaleque com mão oculta’ (Êx 17.16)! Você pode perceber que o poder oculto de Deus estava no Cristo crucificado, diante de quem os demônios e todos os principados e potestades da terra tremem.”

Capítulo L. Prova-se por Isaías que João é o precursor de Cristo

E Trifão disse: “Você me parece ter saído de um grande combate com muitas pessoas sobre todos os pontos que estamos investigando, e por isso estar bem preparado para responder a todas as perguntas que lhe fazem. Responda-me, então, primeiro, como pode mostrar que há outro Deus além do Criador de todas as coisas; e depois mostrará [também] que ele se sujeitou a nascer da Virgem.”

Eu respondi: “Permita-me, antes de tudo, citar certas passagens da profecia de Isaías que se referem ao ofício de precursor exercido por João, o Batista e profeta, diante deste nosso Senhor Jesus Cristo.”

“Permito”, disse ele.

Então eu disse: “Isaías predisse assim o ofício precursor de João: ‘E Ezequias disse a Isaías: Boa é a palavra do Senhor que ele falou: haja paz e justiça nos meus dias’ (Is 39.8). E: ‘Encorajem o povo; sacerdotes, falem ao coração de Jerusalém e encorajem-na, porque a sua humilhação está cumprida. O seu pecado está anulado; pois ela recebeu da mão do Senhor o dobro pelos seus pecados. Voz do que clama no deserto: Preparem os caminhos do Senhor; endireitem as veredas do nosso Deus. Todo vale será aterrado, e todo monte e colina serão rebaixados; o que é tortuoso será endireitado, e o caminho áspero se tornará caminhos planos; e a glória do Senhor será vista, e toda a carne verá a salvação de Deus, pois o Senhor o disse. Voz de alguém que diz: Clame! E eu disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. A erva secou, e a sua flor caiu; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. Tu que anuncias boas-novas a Sião, sobe ao alto monte; tu que anuncias boas-novas a Jerusalém, levanta a tua voz com força. Levantem-na, não tenham medo; digam às cidades de Judá: Eis o seu Deus! Eis que o Senhor vem com força, e [o seu] braço vem com autoridade. Eis que a sua recompensa está com ele, e a sua obra diante dele. Como pastor ele apascentará o seu rebanho, recolherá os cordeiros com [o seu] braço e animará a que está prenhe. Quem mediu a água com [a] mão, e o céu a palmos, e toda a terra com [o] punho? Quem pesou os montes e [pôs] os vales na balança? Quem conheceu a mente do Senhor? E quem foi o seu conselheiro, e quem o aconselhará? Ou com quem ele se aconselhou, e esse o instruiu? Ou quem lhe mostrou o juízo? Ou quem lhe fez conhecer o caminho do entendimento? Todas as nações são consideradas como uma gota de um balde e como o movimento de uma balança, e serão consideradas como saliva. Mas o Líbano não basta para queimar, nem os animais bastam para um holocausto; e todas as nações são tidas como nada e por nada’ (Is 40.1-17).”

Capítulo LI. Prova-se que esta profecia se cumpriu

E, quando terminei, Trifão disse: “Todas as palavras da profecia que você repete, meu senhor, são ambíguas e não têm força para provar o que você quer provar.” Então eu respondi: “Se os profetas não tivessem cessado, de modo que não houve mais nenhum na sua nação, Trifão, depois deste João, é evidente que o que digo a respeito de Jesus Cristo talvez pudesse ser considerado ambíguo. Mas, se João veio primeiro chamando os homens ao arrependimento, e Cristo, quando [João] ainda estava sentado junto ao rio Jordão, veio, pôs fim à sua profecia e ao seu batismo, e também ele mesmo pregou, dizendo que o reino dos céus está próximo, e que devia sofrer muitas coisas da parte dos escribas e fariseus, ser crucificado e ressuscitar ao terceiro dia, e que apareceria de novo em Jerusalém e de novo comeria e beberia com os seus discípulos; e predisse que, no intervalo entre a sua [primeira e a segunda] vinda, como eu disse antes, surgiriam sacerdotes e falsos profetas em seu nome, o que de fato se vê; então como podem essas coisas ser ambíguas, quando os próprios fatos podem persuadir você? Além disso, ele se referiu ao fato de que não haveria mais nenhum profeta na sua nação, e ao fato de que os homens reconheceram que a Nova Aliança, que Deus anunciara outrora [ter a intenção de] promulgar, estava então presente, isto é, o próprio Cristo; e o fez nos seguintes termos: ‘A lei e os profetas foram até João Batista; desde então o reino dos céus sofre violência, e os violentos se apoderam dele. E, se vocês o puderem36 receber, ele é Elias, que estava para vir. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’ (Mt 11.12-15).

Capítulo LII. Jacó predisse duas vindas de Cristo

“E foi profetizado pelo patriarca Jacó que haveria duas vindas do Cristo, e que na primeira ele sofreria, e que depois da sua vinda não haveria nem profeta nem rei na sua nação (prossegui), e que as nações que cressem no Cristo sofredor esperariam a sua manifestação futura. E por esta razão o Espírito Santo pronunciara essas verdades em parábola e de modo obscuro; pois”, acrescentei, “está dito: ‘Judá, os seus irmãos o louvaram; as suas mãos [estarão] sobre o pescoço dos seus inimigos; os filhos de seu pai se prostrarão diante de você. Judá é um leãozinho; do rebento, meu filho, você brotou. Reclinando-se, deitou-se como leão e como filhote [de leão]: quem o despertará? Não se afastará de Judá o governante, nem o chefe de entre as suas coxas, até que venha aquilo que lhe está reservado; e ele será a expectativa das nações, amarrando o seu jumentinho à videira e o filho da sua jumenta ao ramo da videira. Lavará as suas roupas no vinho e a sua capa no sangue da uva. Os seus olhos serão brilhantes de37 vinho, e os seus dentes brancos como o leite’ (Gn 49.8-12). Além disso, que na sua nação nunca faltou nem profeta nem governante, desde quando começaram até o tempo em que este Jesus Cristo apareceu e sofreu, você não ousará afirmar desavergonhadamente, nem poderá prová-lo. Pois, embora vocês afirmem que Herodes, depois de cujo [reinado]38 ele sofreu, era ascalonita, admitem, contudo, que havia um sumo sacerdote na nação de vocês; de modo que vocês tinham então quem apresentasse ofertas segundo a lei de Moisés e observasse as demais cerimônias legais; e [tinham também] profetas em sucessão até João (mesmo quando a nação de vocês foi levada cativa para a Babilônia, quando a sua terra foi devastada pela guerra e os vasos sagrados foram levados embora); nunca deixou de haver entre vocês um profeta que fosse senhor, chefe e governante da nação de vocês. Pois o Espírito que estava nos profetas ungia os reis de vocês e os estabelecia. Mas, depois da manifestação e da morte do nosso Jesus Cristo na nação de vocês, não houve nem há em parte alguma profeta algum; mais ainda, vocês deixaram de existir sob um rei próprio, a sua terra foi devastada e abandonada como uma choupana numa vinha; e a afirmação da Escritura, pela boca de Jacó, ‘E ele será a expectativa das nações’, significava simbolicamente as suas duas vindas e que as nações creriam nele; fatos que agora, finalmente, vocês podem discernir. Pois os que, de todas as nações, são piedosos e justos pela fé de Cristo esperam a sua manifestação futura.

Capítulo LIII. Jacó predisse que Cristo montaria um jumento, e zacarias o confirma

“E aquela expressão, ‘amarrando o seu jumentinho à videira e o filho da jumenta ao ramo da videira’, era um anúncio antecipado tanto das obras realizadas por ele na sua primeira vinda como também da fé que as nações depositariam nele. Pois elas eram como um jumentinho sem arreios, que não levava jugo sobre o pescoço, até que este Cristo veio e enviou os seus discípulos para instruí-las; e elas levaram o jugo da sua palavra e sujeitaram o pescoço para suportar todas [as provações], por causa dos bens prometidos por ele mesmo e esperados por elas. E, de fato, nosso Senhor Jesus Cristo, quando quis entrar em Jerusalém, pediu aos seus discípulos que lhe trouxessem certa jumenta, juntamente com o seu jumentinho, que estava amarrada na entrada de uma aldeia chamada Betfagé; e, montando nela, entrou em Jerusalém. E, como isso foi feito por ele do modo exato como fora profetizado que seria feito pelo Cristo, e como se reconheceu o cumprimento, tornou-se uma prova clara de que ele era o Cristo. E, embora tudo isso tenha acontecido e seja provado pela Escritura, vocês continuam de coração endurecido. Mais ainda, foi profetizado por Zacarias, um dos doze [profetas], que isso aconteceria, nas seguintes palavras: ‘Alegre-se muito, filha de Sião; grite e proclame, filha de Jerusalém; eis que o seu Rei virá até você, justo, trazendo salvação, manso e humilde, montado num jumento e num jumentinho, cria de jumenta’ (Zc 9.9). Ora, que o Espírito profético, assim como o patriarca Jacó, tenha mencionado tanto uma jumenta como o seu jumentinho, dos quais ele se serviria, e, além disso, que ele, como eu disse antes, tenha pedido aos seus discípulos que trouxessem os dois animais, [esse fato] era uma predição de que vocês, os da sinagoga, juntamente com os gentios, creriam nele. Pois, assim como o jumentinho sem arreios era símbolo dos gentios, assim também a jumenta arreada era símbolo da nação de vocês. Pois vocês possuem a lei que [lhes] foi imposta pelos profetas. Além disso, o profeta Zacarias predisse que este mesmo Cristo seria ferido e os seus discípulos dispersos, o que também aconteceu. Pois, depois da sua crucificação, os discípulos que o acompanhavam se dispersaram, até que ele ressuscitou dos mortos e os persuadiu de que assim fora profetizado a respeito dele, que ele havia de sofrer; e, assim persuadidos, foram por todo o mundo e ensinaram essas verdades. Por isso também nós somos firmes na sua fé e na sua doutrina, visto que temos [esta nossa] convicção tanto pelos profetas como por aqueles que, em todo o mundo, são vistos como adoradores de Deus em nome daquele Crucificado. Também Zacarias diz o seguinte: ‘Ó espada, levante-se contra o meu Pastor e contra o homem do meu povo, diz o Senhor dos Exércitos. Fira o Pastor, e o seu rebanho será disperso’ (Zc 13.7).

Notas

1. Literalmente, “derrubado com uma derrubada completa”.

2. Cap. XXVIII.

3. Ou, “sendo o primeiro”.

4. Êx 28.33 não dá número definido de campainhas. Otto supõe que Justino confundiu as campainhas com as pedras preciosas, que eram doze.

5. Cap. XIII.

6. Ekklesia; a versão latina traz conventus.

7. Literalmente, “à exposição em ordem”.

8. Cap. XIII.

9. Ou, “eu fui levado”.

10. Literalmente, “ele estava no mundo, tendo nascido”.

11. Ver cap. LXVI.

12. Literalmente, “desobedece ao mal” (apeithei ponera). Conjecturou-se apothei, e apeithei poneria.

13. Os manuscritos de Justino trazem “será tomada”: katalephthesetai. Isso é claramente um erro por kataleiphthesetai; mas seria difícil dizer se o erro é de Justino ou dos copistas, como observa Thirlby.

14. A tradução disto é duvidosa: literalmente, “da face dos dois reis”, e as palavras poderiam ir com “será abandonada”.

15. Is 7.10-17, com Is 8.4 intercalado. A última oração também pode ser traduzida: “em que ele tirou de Judá Efraim, a saber, o rei da Assíria”.

16. Isto é, da descendência de Abraão.

17. Justino distingue entre os atos essenciais, relativos ao culto de Deus e ao estabelecimento da justiça, e as observâncias cerimoniais, que tinham significado meramente temporário. O reconhecimento dessa distinção, afirma ele, é necessário para a salvação: necessário no sentido de que a justificação deve apoiar-se não nas segundas, mas nos primeiros; e, sem esse reconhecimento, um judeu, como diz Justino, poria as suas esperanças na sua nobre descendência de Abraão.

18. Mais provavelmente, “ou por causa da” etc.

19. Na Bíblia, “Jó”; Maranus prefere “Jacó” e julga a menção do seu nome muito apropriada para refutar as pretensões arrogantes da posteridade de Jacó.

20. Alguns referem isto ao batismo de Cristo. Ver Cipriano, Adv. Jud. I, 24. (Otto.)

21. “Lhe”, isto é, à lei; ou “o que na lei” etc.

22. Os que vivem depois de Cristo.

23. “Eternos”, isto é, na opinião do judeu.

24. Literalmente, “o deixa sem graça”.

25. Literalmente, “importunando”.

26. “Ou: Não há alguns” etc.

27. O texto parece estar corrompido. Otto lê: “anatematizam os que põem a sua confiança neste mesmo Cristo para obter a salvação” etc.

28. Grabius julga que isto foi tirado do Evangelho [apócrifo] segundo os Hebreus. Não está no Novo nem no Antigo Testamento.

29. Ou, “tal homem”.

30. Alguns leem “da sua raça”, referindo-se aos ebionitas. Maranus crê que a referência é aos ebionitas e defende, numa longa nota, a leitura “nossa”, visto que Justino estaria mais inclinado a associar esses ebionitas aos cristãos do que aos judeus, ainda que fossem hereges.

31. Langus traduz: “Nem, de fato, muitos dos que têm a mesma opinião que eu o diriam.”

32. Literalmente, “prima”.

33. Nm 11.17, dito dos setenta anciãos. Justino confunde o que se diz aqui com Nm 27.18 e Dt 34.9.

34. O sentido é que não houve divisão de pessoa. Elias permaneceu o mesmo, depois como antes de o seu espírito ser derramado sobre João.

35. Literalmente, “fruto”.

36. “Quiserem.”

37. Ou, “em comparação com o”.

38. Aph’ hou; muitos traduziram “sob o qual”, como se fosse eph’ hou. Isso seria um erro. Conjecturou-se também ephuge em lugar de epathen.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith (Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Justino cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.