Justino Mártir, Diálogo com Trifão · Diálogo com Trifão

Capítulos 28 a 40

A justiça verdadeira obtida por Cristo; os Salmos 110 e 72 falam de Cristo, Senhor dos Exércitos; a lei como figura.

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Capítulo XXVIII. A verdadeira justiça se obtém por meio de Cristo

E Trifão respondeu: “Nós o ouvimos apresentar esse argumento há pouco e prestamos atenção a ele, pois, para dizer a verdade, é digno de atenção; e a resposta que agrada à maioria, a saber, que assim pareceu bem a Deus, não me satisfaz. Porque esse é sempre o subterfúgio a que recorrem os que não conseguem responder à questão.”

Então eu disse: “Visto que trago das Escrituras e dos próprios fatos tanto as provas quanto o ensino que delas decorre, não demore nem hesite em dar-me crédito, ainda que eu seja um homem incircunciso; tão pouco tempo lhes resta para se tornarem prosélitos. Se a vinda de Cristo os surpreender antes, em vão vocês se arrependerão, em vão chorarão, porque ele não os ouvirá. ‘Lavrem os campos não cultivados’, clamou Jeremias ao povo, ‘e não semeiem no meio dos espinhos. Circuncidem-se para o Senhor e circuncidem o prepúcio do seu coração’ (Jr 4.3-4). Não semeiem, portanto, no meio dos espinhos e em terra não lavrada, de onde não podem colher fruto algum. Conheçam a Cristo, e eis que o campo novo, bom, bom e fértil, está no coração de vocês. ‘Pois eis que vêm dias, diz o Senhor, em que visitarei todos os que são circuncidados no seu prepúcio: o Egito, e Judá,1 e Edom, e os filhos de Moabe. Porque todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração’ (Jr 9.25-26). Vocês veem como Deus não se refere a esta circuncisão que foi dada como sinal? Pois ela de nada serve aos egípcios, nem aos filhos de Moabe, nem aos filhos de Edom. Mas, ainda que um homem seja cita ou persa, se tem o conhecimento de Deus e do seu Cristo e guarda os eternos e justos preceitos, está circuncidado com a circuncisão boa e proveitosa, é amigo de Deus, e Deus se alegra com as suas dádivas e ofertas. Mas vou expor diante de vocês, meus amigos, as próprias palavras de Deus, quando ele disse ao povo por meio de Malaquias, um dos doze profetas: ‘Não tenho prazer em vocês, diz o Senhor, e não aceitarei das mãos de vocês os seus sacrifícios; porque desde o nascente do sol até o poente o meu nome será glorificado entre os gentios, e em todo lugar se oferece um sacrifício ao meu nome, sim, um sacrifício puro; porque o meu nome é honrado entre os gentios, diz o Senhor, mas vocês o profanam’ (Ml 1.10-12). E por meio de Davi ele disse: ‘Um povo que eu não conhecia me serviu; ao ouvir a minha voz, me obedeceu’ (Sl 18.43-44).

Capítulo XXIX. Cristo de nada serve aos que observam a lei

“Glorifiquemos a Deus, todas as nações reunidas, porque ele também nos visitou. Glorifiquemo-lo por meio do Rei da glória, por meio do Senhor dos Exércitos. Pois ele foi benigno também para com os gentios, e considera os nossos sacrifícios mais agradáveis que os de vocês. Que necessidade tenho eu, então, da circuncisão, eu que recebi o testemunho de Deus? Que necessidade tenho daquele outro batismo, eu que fui batizado com o Espírito Santo? Penso que, ao dizer isto, eu persuadiria até mesmo os que possuem escassa inteligência. Pois estas palavras não foram preparadas por mim, nem embelezadas pela arte humana; mas Davi as cantou, Isaías as pregou, Zacarias as proclamou e Moisés as escreveu. Você as conhece, Trifão? Elas estão contidas nas Escrituras de vocês, ou melhor, não de vocês, mas nossas. Porque nós cremos nelas; mas vocês, embora as leiam, não captam o espírito que há nelas. Não se escandalizem nem nos censurem pela incircuncisão corporal com que Deus nos criou; e não estranhem que bebamos água quente aos sábados, visto que Deus dirige o governo do universo nesse dia da mesma forma que em todos os outros, e os sacerdotes, assim como nos outros dias, também nesse recebem ordem de oferecer sacrifícios; e há tantos justos que não cumpriram nenhuma dessas cerimônias legais e, no entanto, recebem o testemunho do próprio Deus.

Capítulo XXX. Os cristãos possuem a verdadeira justiça

“Mas atribuam à maldade de vocês o fato de que Deus possa até ser acusado, pelos que não têm entendimento, de não ter sempre instruído a todos nos mesmos estatutos justos. Pois tais instituições pareceram irracionais e indignas de Deus a muitos homens que não tinham recebido a graça de saber que a nação de vocês foi chamada à conversão e ao arrependimento de espírito,2 enquanto se encontrava em estado de pecado e padecia de enfermidade espiritual; e que a profecia anunciada depois da morte de Moisés é eterna. E isto é mencionado no Salmo, meus amigos (Sl 19). E que nós, que fomos tornados sábios por eles, confessamos que os estatutos do Senhor são mais doces do que o mel e o favo, fica manifesto pelo fato de que, mesmo ameaçados de morte, não negamos o seu nome. Além disso, também é manifesto a todos que nós, que cremos nele, oramos para sermos guardados por ele dos espíritos estranhos, isto é, dos espíritos malignos e enganadores, conforme a palavra da profecia declara em figura, falando na pessoa de um dos que creem nele. Pois suplicamos continuamente a Deus, por meio de Jesus Cristo, que nos preserve dos demônios que são hostis ao culto de Deus e aos quais servíamos antigamente, a fim de que, depois de convertidos a Deus por meio dele, sejamos irrepreensíveis. Porque o chamamos Auxílio e Redentor, aquele cujo nome tem um poder que até os demônios temem; e ainda hoje, quando são exorcizados em nome de Jesus Cristo, crucificado sob Pôncio Pilatos, governador da Judeia, eles são vencidos. E assim é manifesto a todos que o Pai lhe deu um poder tão grande, em virtude do qual os demônios se sujeitam ao seu nome e à economia do seu sofrimento.

Capítulo XXXI. Se o poder de Cristo já é tão grande agora, quanto maior será na segunda vinda!

“Mas, se se mostra que um poder tão grande acompanhou e ainda acompanha a economia do seu sofrimento, quão grande será aquele que acompanhará a sua vinda gloriosa! Pois ele virá sobre as nuvens como Filho do Homem, assim predisse Daniel, e os seus anjos virão com ele. Estas são as palavras: ‘Eu continuei olhando, até que foram postos tronos, e o Ancião de Dias se assentou; a sua veste era branca como a neve, e os cabelos da sua cabeça, como a lã pura. O seu trono era como chama de fogo, e as suas rodas, como fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante dele. Milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele. Os livros foram abertos, e o tribunal se assentou. Eu contemplei então a voz das grandes palavras que o chifre proferia; e o animal foi abatido, e o seu corpo destruído e entregue à chama ardente. E aos demais animais foi tirado o domínio, e foi dado aos animais um prazo de vida até uma estação e um tempo. Eu estava olhando na visão da noite, e eis que vinha com as nuvens do céu um como o Filho do Homem; e ele chegou até o Ancião de Dias e se pôs diante dele. E os que estavam ali o fizeram aproximar-se; e foram-lhe dados o poder e a honra real, e todas as nações da terra, segundo as suas famílias, e toda a glória o servem. E o seu domínio é domínio eterno, que não será tirado; e o seu reino não será destruído. E o meu espírito gelou dentro do meu corpo, e as visões da minha cabeça me perturbaram. Aproximei-me de um dos que estavam ali e lhe perguntei o sentido exato de todas essas coisas. Em resposta, ele me fala e me mostrou a interpretação das coisas: Esses grandes animais são quatro reinos, que perecerão da terra e não receberão o domínio para sempre, sim, para todo o sempre. Então quis saber com exatidão a respeito do quarto animal, que destruía todos [os outros] e era muito terrível, de dentes de ferro e unhas de bronze; que devorava, devastava e pisava aos pés o que sobrava; e também a respeito dos dez chifres que tinha na cabeça, e do outro que subiu, por causa do qual três dos primeiros caíram. E aquele chifre tinha olhos e uma boca que falava grandes coisas, e a sua aparência era maior que a dos outros. E eu vi que aquele chifre fazia guerra contra os santos e prevalecia contra eles, até que veio o Ancião de Dias e fez justiça aos santos do Altíssimo. E chegou o tempo, e os santos do Altíssimo possuíram o reino. E foi-me dito a respeito do quarto animal: Haverá na terra um quarto reino, que prevalecerá sobre todos esses reinos, devorará a terra inteira e a destruirá e devastará por completo. E os dez chifres são dez reis que se levantarão; e depois deles se levantará outro,3 que ultrapassará os primeiros em más obras, subjugará três reis, proferirá palavras contra o Altíssimo, destruirá o restante dos santos do Altíssimo e pensará em mudar as estações e os tempos. E será entregue nas suas mãos por um tempo, tempos e metade de um tempo. E o tribunal se assentou, e lhe tirarão o domínio, para o consumir e destruir até o fim. E o reino, o poder e os grandes lugares dos reinos que há debaixo do céu foram dados ao povo santo do Altíssimo, para reinar num reino eterno; e todos os poderes lhe estarão sujeitos e lhe obedecerão. Aqui termina o assunto. Eu, Daniel, fiquei tomado de enorme espanto, e a minha fala se alterou em mim; mas guardei o assunto no meu coração’ (Dn 7.9-28).”

Capítulo XXXII. Trifão objeta que Daniel descreve o Cristo como glorioso; Justino distingue duas vindas

Quando terminei, Trifão disse: “Estas Escrituras e outras semelhantes, senhor, obrigam-nos a esperar aquele que, como Filho do Homem, recebe do Ancião de Dias o reino eterno. Mas esse seu assim chamado Cristo foi desonrado e sem glória, a tal ponto que caiu sobre ele a última maldição contida na lei de Deus, pois foi crucificado.”

Então eu lhe respondi: “Senhores, se as Escrituras que já citei não dissessem que a sua aparência era sem glória e que a sua geração não seria declarada, que pela sua morte os ricos sofreriam a morte, que pelas suas feridas seríamos sarados e que ele seria levado como ovelha; e se eu não tivesse explicado que haveria duas vindas dele, uma em que foi traspassado por vocês, e uma segunda, quando vocês reconhecerão aquele a quem traspassaram, e as suas tribos se lamentarão, cada tribo à parte, as mulheres à parte e os homens à parte, então eu estaria dizendo coisas duvidosas e obscuras. Mas agora, por meio do conteúdo das Escrituras que entre vocês são tidas por santas e proféticas, procuro provar tudo [o que apresentei], na esperança de que algum de vocês se mostre parte daquele remanescente que foi deixado pela graça do Senhor dos Exércitos para a salvação eterna. Para que, portanto, a questão investigada fique mais clara para vocês, mencionarei também outras palavras ditas pelo bem-aventurado Davi, pelas quais vocês perceberão que o Senhor é chamado Cristo pelo Espírito Santo da profecia, e que o Senhor, o Pai de todos, o trouxe de novo da terra, fazendo-o sentar-se à sua direita até que ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés; o que de fato acontece desde que nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu, depois de ressuscitar dos mortos, e os tempos agora correm para a sua consumação; e aquele que, conforme Daniel predisse, dominará por um tempo, tempos e metade de um tempo já está às portas, prestes a proferir coisas blasfemas e ousadas contra o Altíssimo. Mas vocês, por ignorarem por quanto tempo ele dominará, têm outra opinião. Pois interpretam o ‘tempo’ como cem anos. Mas, se é assim, o homem do pecado terá de reinar, no mínimo, trezentos e cinquenta anos, para que contemos como apenas dois tempos aquilo que o santo Daniel diz, ‘e tempos’. Tudo isso eu lhes disse como digressão, para que finalmente se convençam do que Deus declarou contra vocês, que são filhos insensatos, e também disto: ‘Portanto, eis que passarei a remover este povo, e o removerei; e despojarei os sábios da sua sabedoria e esconderei o entendimento dos seus prudentes’ (Is 29.14); e deixem de enganar a si mesmos e aos que os ouvem, e aprendam de nós, que fomos instruídos na sabedoria pela graça de Cristo. As palavras, então, que foram ditas por Davi são estas: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, até que eu ponha os teus inimigos por estrado dos teus pés. O Senhor enviará de Sião o cetro da tua força: domina também no meio dos teus inimigos. Contigo estará, no dia, o principado do teu poder, nos esplendores dos teus santos. Do ventre, antes da estrela da manhã, eu te gerei. O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. O Senhor está à tua direita: esmagou reis no dia da sua ira; julgará entre os gentios, encherá [com] cadáveres.4 Beberá da torrente no caminho; por isso levantará a cabeça’ (Sl 110).

Capítulo XXXIII. O sl 110 não se refere a ezequias. Ele prova que Cristo foi primeiro humilde e depois será glorioso

“E”, continuei, “não ignoro que vocês se atrevem a explicar este salmo como se se referisse ao rei Ezequias; mas que estão enganados, eu lhes provarei agora mesmo com estas mesmas palavras. ‘O Senhor jurou e não se arrependerá’, diz-se; e: ‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque’ (Sl 110.4), com o que vem depois e antes. Nem mesmo vocês se atreverão a objetar que Ezequias tenha sido sacerdote ou seja o sacerdote eterno de Deus; mas que isto é dito do nosso Jesus, estas expressões o mostram. Mas os ouvidos de vocês estão fechados e os seus corações embotados.5 Pois por esta declaração, ‘O Senhor jurou e não se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque’, Deus mostrou com juramento (por causa da incredulidade de vocês) que ele é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque; isto é, assim como Melquisedeque foi descrito por Moisés como sacerdote do Altíssimo, e era sacerdote dos que estavam na incircuncisão, e abençoou o circuncidado Abraão, que lhe trouxe os dízimos, assim Deus mostrou que o seu Sacerdote eterno, chamado também Senhor pelo Espírito Santo, seria Sacerdote dos que estão na incircuncisão. Também os que estão na circuncisão e se aproximam dele, isto é, crendo nele e buscando dele bênçãos, ele os receberá e os abençoará. E que ele será primeiro humilde como homem e depois exaltado, mostram-no estas palavras no fim do Salmo: ‘Beberá da torrente no caminho’, e depois: ‘Por isso levantará a cabeça’.

Capítulo XXXIV. Tampouco o sl 72 se aplica a salomão, cujas faltas os cristãos abominam

“Além disso, para persuadi-los de que vocês não entenderam nada das Escrituras, vou lembrá-los de outro salmo, ditado a Davi pelo Espírito Santo, que vocês dizem referir-se a Salomão, que também foi rei de vocês. Mas ele se refere também ao nosso Cristo. Vocês, porém, se enganam por causa das formas ambíguas de expressão. Pois onde se diz: ‘A lei do Senhor é perfeita’ (Sl 19.7), vocês não o entendem da lei que viria depois de Moisés, mas da lei que foi dada por Moisés, embora Deus tenha declarado que estabeleceria uma nova lei e uma nova aliança. E onde se disse: ‘Ó Deus, dá ao rei o teu juízo’ (Sl 72.1), visto que Salomão era rei, vocês dizem que o Salmo se refere a ele, embora as palavras do Salmo proclamem expressamente que a referência é ao Rei eterno, isto é, a Cristo. Porque Cristo é Rei, e Sacerdote, e Deus, e Senhor, e anjo, e homem, e comandante, e pedra, e Filho nascido, e primeiro sujeito ao sofrimento, depois de volta ao céu, e de novo vindo com glória, e é pregado como quem possui o reino eterno: é o que provo por todas as Escrituras. Mas, para que vocês percebam o que eu disse, cito as palavras do Salmo; são estas: ‘Ó Deus, dá ao rei o teu juízo, e a tua justiça ao filho do rei, para julgar o teu povo com justiça e os teus pobres com juízo. Os montes trarão paz ao povo, e as colinas, justiça. Ele julgará os pobres do povo, salvará os filhos dos necessitados e humilhará o caluniador. Durará juntamente com o sol e diante da lua, por todas as gerações. Descerá como a chuva sobre o velo, como gotas que caem sobre a terra. Nos seus dias florescerá a justiça e abundância de paz, até que a lua seja tirada. E dominará de mar a mar e desde os rios até os confins da terra. Os etíopes se prostrarão diante dele, e os seus inimigos lamberão o pó. Os reis de Társis e das ilhas oferecerão presentes; os reis da Arábia e de Sabá oferecerão dádivas; e todos os reis da terra o adorarão, e todas as nações o servirão; porque ele livrou o pobre do poderoso, e o necessitado que não tinha quem o ajudasse. Ele terá compaixão do pobre e do necessitado e salvará a alma dos necessitados; redimirá a alma deles da usura e da injustiça, e o seu nome será honrado diante deles. E ele viverá, e lhe será dado do ouro da Arábia, e orarão continuamente por ele; todo o dia o bendirão. E haverá um fundamento sobre a terra, que se elevará sobre o cume dos montes; o seu fruto estará sobre o Líbano, e os da cidade florescerão como a erva da terra. O seu nome será bendito para sempre. O seu nome permanecerá diante do sol, e todas as tribos da terra serão abençoadas nele; todas as nações o chamarão bem-aventurado. Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas; e bendito seja o seu nome glorioso para sempre, e para todo o sempre; e toda a terra se encherá da sua glória. Amém, amém’ (Sl 72.1-19). E no fim deste Salmo que citei está escrito: ‘Terminam os hinos de Davi, filho de Jessé’ (Sl 72.20). Além disso, sei que Salomão foi um rei famoso e grande, por meio de quem foi construído o templo chamado de Jerusalém; mas é evidente que nenhuma das coisas mencionadas no Salmo lhe aconteceu. Pois nem todos os reis o adoraram, nem ele reinou até os confins da terra, nem os seus inimigos, prostrando-se diante dele, lamberam o pó. Mais ainda, atrevo-me a repetir o que está escrito no livro dos Reis como praticado por ele: como, pela influência de uma mulher, adorou os ídolos de Sidom; coisa que os gentios que conhecem a Deus, o Criador de todas as coisas, por meio de Jesus, o crucificado, não se atrevem a fazer, mas suportam toda tortura e castigo até o extremo da morte, antes de adorar ídolos ou comer carne oferecida aos ídolos.”

Capítulo XXXV. Os hereges confirmam os católicos na fé

E Trifão disse: “Creio, no entanto, que muitos dos que dizem confessar Jesus e são chamados cristãos comem carnes oferecidas aos ídolos e declaram que de modo algum são prejudicados por isso.” E eu respondi: “O fato de haver homens assim, que se confessam cristãos e admitem que Jesus crucificado é Senhor e Cristo, mas não ensinam as doutrinas dele, e sim as dos espíritos do erro, faz com que nós, que somos discípulos da doutrina verdadeira e pura de Jesus Cristo, sejamos mais fiéis e firmes na esperança anunciada por ele. Porque as coisas que ele predisse que aconteceriam em seu nome, nós as vemos de fato se cumprindo diante dos nossos olhos. Pois ele disse: ‘Muitos virão em meu nome, vestidos por fora com pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes’ (Mt 24.5; 7.15). E: ‘Haverá cismas e heresias’ (1Co 11.19). E: ‘Cuidado com os falsos profetas, que virão até vocês vestidos por fora com pele de ovelha, mas por dentro são lobos vorazes’ (Mt 7.15). E: ‘Muitos falsos cristos e falsos apóstolos se levantarão e enganarão a muitos dos fiéis’ (Mt 24.11). Há, portanto, e houve muitos, meus amigos, que, apresentando-se em nome de Jesus, ensinaram a dizer e a fazer coisas ímpias e blasfemas; e esses são chamados por nós pelo nome dos homens dos quais cada doutrina e opinião teve origem. (Pois uns de um modo, outros de outro, ensinam a blasfemar contra o Criador de todas as coisas, e contra o Cristo, cuja vinda foi por ele predita, e contra o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó; com eles nada temos em comum, pois sabemos que são ateus, ímpios, injustos e pecadores, e que confessam Jesus só de nome, em vez de adorá-lo. Ainda assim, intitulam-se cristãos, assim como certos gentios inscrevem o nome de Deus nas obras das suas próprias mãos e tomam parte em ritos nefandos e ímpios.) Alguns são chamados marcianos, outros valentinianos, outros basilidianos, outros saturnilianos, e outros por outros nomes; cada um chamado segundo o iniciador da opinião particular, assim como cada um dos que se consideram filósofos, como eu disse antes, julga que deve levar o nome da filosofia que segue, tirado do nome do pai daquela doutrina. De modo que, por esses acontecimentos, sabemos que Jesus conhecia de antemão o que aconteceria depois dele, assim como por muitos outros acontecimentos que ele predisse que sobreviriam aos que cressem nele e o confessassem como o Cristo. Pois tudo o que sofremos, mesmo quando somos mortos por amigos, ele predisse que aconteceria; de modo que é manifesto que nenhuma palavra ou ação dele pode ser censurada. Por isso oramos por vocês e por todos os outros homens que nos odeiam, para que, arrependidos conosco, não blasfemem contra aquele que, pelas suas obras, pelos prodígios que ainda agora se realizam por meio do seu nome, pelas palavras que ensinou, pelas profecias anunciadas a seu respeito, é o irrepreensível e em tudo inculpável Cristo Jesus; mas, crendo nele, sejam salvos na sua segunda e gloriosa vinda e não sejam por ele condenados ao fogo.”

Capítulo XXXVI. Ele prova que Cristo é chamado Senhor dos exércitos

Então ele respondeu: “Sejam essas coisas como você diz, a saber, que foi predito que o Cristo sofreria e seria chamado pedra; e que, depois da sua primeira manifestação, na qual fora anunciado que sofreria, viria em glória e seria por fim o Juiz de todos, e Rei e Sacerdote eterno. Agora mostre se este homem é aquele de quem se fizeram essas profecias.”

E eu disse: “Como você deseja, Trifão, chegarei a essas provas que você pede no lugar apropriado; mas agora você me permitirá primeiro recordar as profecias, o que desejo fazer para provar que Cristo é chamado, em parábola, pelo Espírito Santo, tanto Deus como Senhor dos Exércitos e Jacó; e que os intérpretes de vocês, como diz Deus, são insensatos, pois dizem que a referência é a Salomão e não a Cristo, quando ele levou a arca do testemunho para o templo que construiu. O Salmo de Davi é este: ‘Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e todos os que nele habitam. Ele a fundou sobre os mares e a firmou sobre as correntes. Quem subirá ao monte do Senhor? Ou quem permanecerá no seu santo lugar? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não recebeu a sua alma em vão e não jurou com engano ao seu próximo: este receberá do Senhor a bênção e de Deus, seu Salvador, a misericórdia. Esta é a geração dos que buscam o Senhor, dos que buscam a face do Deus de Jacó.6 Levantem as suas portas, ó príncipes; e levantem-se, ó portais eternos, e entrará o Rei da glória. Quem é este Rei da glória? O Senhor forte e poderoso na batalha. Levantem as suas portas, ó príncipes; e levantem-se, ó portais eternos, e entrará o Rei da glória. Quem é este Rei da glória? O Senhor dos Exércitos, ele é o Rei da glória’ (Sl 24). Mostra-se, pois, que Salomão não é o Senhor dos Exércitos; mas, quando o nosso Cristo ressuscitou dos mortos e subiu ao céu, os príncipes no céu, por designação de Deus, recebem a ordem de abrir as portas do céu, para que entre aquele que é Rei da glória e, tendo subido, se assente à direita do Pai até que ponha os inimigos por estrado dos seus pés, como foi manifestado por outro Salmo. Pois, quando os príncipes do céu o viram de aparência sem beleza, desonrada e sem glória, não o reconhecendo, perguntaram: ‘Quem é este Rei da glória?’ E o Espírito Santo, seja na pessoa do seu Pai, seja na sua própria pessoa, lhes responde: ‘O Senhor dos Exércitos, ele é este Rei da glória.’ Pois todos hão de confessar que nenhum dos que presidiam às portas do templo de Jerusalém se atreveria a dizer, a respeito de Salomão, embora fosse um rei tão glorioso, ou a respeito da arca do testemunho: ‘Quem é este Rei da glória?’

Capítulo XXXVII. O mesmo se prova por outros salmos

“Além disso, no diapsalma do salmo quadragésimo sexto, faz-se assim referência a Cristo: ‘Deus subiu com aclamação, o Senhor ao som da trombeta. Cantem ao nosso Deus, cantem; cantem ao nosso Rei, cantem; porque Deus é Rei de toda a terra: cantem com entendimento. Deus reinou sobre as nações. Deus se assenta no seu santo trono. Os príncipes das nações se reuniram com o Deus de Abraão, porque os fortes de Deus foram grandemente exaltados sobre a terra’ (Sl 47.5-9). E no salmo nonagésimo oitavo o Espírito Santo os censura e prediz que aquele que vocês não querem que seja rei é Rei e Senhor tanto de Samuel como de Arão e de Moisés e, em suma, de todos os outros. E as palavras do Salmo são estas: ‘O Senhor reinou, irem-se as nações; [é] ele que se assenta sobre os querubins, estremeça a terra. O Senhor é grande em Sião e está exaltado acima de todas as nações. Confessem o teu grande nome, porque é temível e santo; e a honra do Rei ama o juízo. Tu preparaste a equidade; o juízo e a justiça executaste em Jacó. Exaltem o Senhor, nosso Deus, e adorem o estrado dos seus pés, porque ele é santo. Moisés e Arão entre os seus sacerdotes, e Samuel entre os que invocam o seu nome. Eles invocavam (diz a Escritura) o Senhor, e ele os ouvia. Na coluna de nuvem lhes falava; porque7 guardavam os seus testemunhos e o mandamento que lhes dera. Ó Senhor, nosso Deus, tu os ouviste; ó Deus, foste-lhes propício, e [contudo] tomaste vingança de todas as suas invenções. Exaltem o Senhor, nosso Deus, e adorem no seu santo monte, porque o Senhor, nosso Deus, é santo’ (Sl 99).”

Capítulo XXXVIII. É um incômodo para o judeu que se diga que Cristo deve ser adorado. Justino, porém, o confirma pelo sl 45

E Trifão disse: “Meu senhor, seria bom para nós se obedecêssemos aos nossos mestres, que estabeleceram como lei que não tivéssemos nenhum trato com nenhum de vocês, e que nem sequer conversássemos com vocês sobre essas questões. Pois você profere muitas blasfêmias, ao procurar persuadir-nos de que este homem crucificado estava com Moisés e Arão e lhes falou na coluna de nuvem; depois, que se fez homem, foi crucificado, subiu ao céu, voltará à terra e deve ser adorado.”

Então respondi: “Sei que, como diz a palavra de Deus, esta grande sabedoria de Deus, o Criador de todas as coisas e Todo-Poderoso, está oculta para vocês. Por isso, compadecido de vocês, esforço-me ao máximo para que entendam estas coisas que lhes parecem paradoxais; e, se não, para que eu mesmo seja inocente no dia do juízo. Pois vocês ouvirão outras palavras que parecerão ainda mais paradoxais; mas não se perturbem; antes, continuem ouvintes e investigadores ainda mais zelosos, desprezando a tradição dos seus mestres, visto que o Espírito Santo os declara culpados de incapacidade de perceber as verdades ensinadas por Deus e de preferirem ensinar as suas próprias doutrinas. Assim, no salmo quadragésimo quarto [quadragésimo quinto], estas palavras se referem igualmente a Cristo: ‘O meu coração produziu uma boa palavra; conto as minhas obras ao Rei. A minha língua é a pena de um escriba veloz. Mais formoso em beleza do que os filhos dos homens; a graça se derramou nos teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre. Cinge a tua espada à coxa, ó poderoso. Avança na tua formosura e na tua beleza, prospera e reina, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua mão direita te ensinará maravilhosamente. As tuas flechas são afiadas, ó poderoso; os povos cairão debaixo de ti; no coração dos inimigos do Rei [estão cravadas as flechas]. O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso o teu Deus8 te ungiu com o óleo da alegria acima dos teus companheiros. [Ungiu-te] com mirra,9 óleo e cássia, desde as tuas vestes; desde os palácios de marfim, com os quais te alegraram. Filhas de reis estão na tua honra. A rainha estava à tua direita, vestida com roupas10 bordadas de ouro. Ouve, ó filha, olha e inclina o teu ouvido; esquece o teu povo e a casa de teu pai; e o Rei desejará a tua beleza; porque ele é o teu Senhor, também o adorarão. E a filha de Tiro [ali estará] com presentes. Os ricos do povo buscarão o teu rosto. Toda a glória da filha do Rei [está] no interior, vestida de roupas bordadas a agulha. As virgens que a seguem serão levadas ao Rei; as suas vizinhas serão trazidas a ti; serão trazidas com alegria e regozijo; serão conduzidas ao santuário do Rei. Em lugar de teus pais nasceram-te filhos; tu os constituirás príncipes sobre toda a terra. Lembrarei o teu nome em todas as gerações; por isso os povos te confessarão para sempre, e para todo o sempre’ (Sl 45).

Capítulo XXXIX. Os judeus odeiam os cristãos que creem nisto. Quão grande é a diferença entre uns e outros!

“Ora, não é de admirar”, continuei, “que vocês nos odeiem, a nós que temos estas opiniões e os convencemos de uma contínua dureza de coração.11 Pois, de fato, Elias, conversando com Deus a respeito de vocês, fala assim: ‘Senhor, mataram os teus profetas e derrubaram os teus altares; e só fiquei eu, e procuram tirar-me a vida.’ E ele lhe responde: ‘Ainda tenho sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal’ (1Rs 19.14, 18). Portanto, assim como Deus não descarregou a sua ira por causa daqueles sete mil homens, assim também agora ele ainda não executou o juízo, nem o executa, sabendo que diariamente alguns [de vocês] se tornam discípulos no nome de Cristo e abandonam o caminho do erro; e eles também recebem dons, cada um conforme é digno, iluminados pelo nome deste Cristo. Pois um recebe o espírito de entendimento, outro de conselho, outro de fortaleza, outro de cura, outro de presciência, outro de ensino e outro do temor de Deus.”

A isso Trifão me disse: “Gostaria que você soubesse que está fora de si, falando dessa maneira.”

E eu lhe disse: “Escute, amigo,12 pois não estou louco nem fora de mim; mas foi profetizado que, depois da subida de Cristo ao céu, ele nos livraria13 do erro e nos daria dons. As palavras são estas: ‘Ele subiu ao alto; levou cativo o cativeiro; deu dons aos homens’ (Sl 68.18). Assim, nós que recebemos dons de Cristo, que subiu ao alto, provamos pelas palavras da profecia que vocês, ‘os sábios aos seus próprios olhos e os entendidos em seu próprio conceito’ (Is 5.21), são insensatos e honram a Deus e ao seu Cristo só com os lábios. Mas nós, que fomos instruídos em toda a verdade,14 honramos a ambos com atos, com conhecimento e com o coração, até a morte. Mas vocês hesitam em confessar que ele é o Cristo, como provam as Escrituras e os acontecimentos testemunhados e realizados em seu nome, talvez por esta razão: para não serem perseguidos pelos governantes, que, sob a influência do espírito mau e enganador, a serpente, não deixarão de matar e perseguir os que confessam o nome de Cristo até que ele venha de novo, destrua a todos eles e dê a cada um o que merece.”

E Trifão respondeu: “Agora, então, dê-nos a prova de que este homem que você diz ter sido crucificado e ter subido ao céu é o Cristo de Deus. Pois você já provou suficientemente, por meio das Escrituras que citou antes, que nas Escrituras se declara que o Cristo devia sofrer, voltar com glória e receber o reino eterno sobre todas as nações, sendo-lhe submetido todo reino; mostre-nos agora que este homem é ele.”

E eu respondi: “Isso já foi provado, senhores, para os que têm ouvidos, até mesmo pelos fatos que vocês admitiram; mas, para que não pensem que estou embaraçado e incapaz de dar a prova do que pedem, eu o farei, como prometi, no lugar apropriado. Por ora, retomo a consideração do assunto que estava discutindo.

Capítulo XL. Ele volta às leis mosaicas e prova que eram figuras das coisas que dizem respeito a Cristo

“O mistério, pois, do cordeiro que Deus mandou sacrificar como páscoa era figura de Cristo; com o sangue dele, na proporção da sua fé nele, ungem as suas casas, isto é, a si mesmos, os que creem nele. Pois que a criatura que Deus criou, isto é, Adão, era uma casa para o espírito que procedeu de Deus, todos vocês podem entender. E que este mandamento era temporário, eu o provo assim. Deus não permite que o cordeiro da páscoa seja sacrificado em nenhum outro lugar senão onde o seu nome fosse invocado, sabendo que viriam os dias, depois do sofrimento de Cristo, em que até o lugar em Jerusalém seria entregue aos inimigos de vocês e todas as ofertas, em suma, cessariam; e aquele cordeiro que se mandava assar inteiro era símbolo do sofrimento da cruz que Cristo havia de suportar. Pois o cordeiro,15 quando é assado, é assado e preparado na forma da cruz. Porque um espeto o atravessa de ponta a ponta, desde as partes inferiores até a cabeça, e outro atravessa as costas, e nele se prendem as patas do cordeiro. E os dois bodes que se mandava oferecer durante o jejum, dos quais um era enviado como [bode] emissário e o outro sacrificado, anunciavam igualmente as duas manifestações de Cristo: a primeira, em que os anciãos do povo de vocês e os sacerdotes, tendo lançado as mãos sobre ele e o matado, o enviaram como [bode] emissário; e a sua segunda manifestação, porque no mesmo lugar, em Jerusalém, vocês reconhecerão aquele a quem desonraram e que foi oferta por todos os pecadores dispostos a se arrepender e a guardar o jejum de que fala Isaías, desfazendo os termos16 dos contratos violentos e guardando os outros preceitos também enumerados por ele, que já citei,17 o que fazem os que creem em Jesus. E vocês sabem, além disso, que a oferta dos dois bodes, que se mandava sacrificar no jejum, não podia ser feita do mesmo modo em nenhum outro lugar, mas só em Jerusalém.

Notas

1. Assim na Authorized Version, mas se supõe que seja a Idumeia.

2. Ou “arrependimento do Pai”: patros em vez de pneumatos. Maranus explica a confusão pela semelhança entre as abreviaturas das duas palavras, prs e pns.

3. Literalmente: “E os dez chifres, dez reis se levantarão depois deles.”

4. plerosei ptomata; a versão latina traz implebit ruinas. Thirlby sugeriu que houve uma omissão nos manuscritos por culpa do copista.

5. peperontai. Maranus considera mais provável peporontai, “endurecidos”.

6. Maranus observa, a partir de Thirlby: “Como Justino escreveu pouco antes, ‘e é chamado Jacó em parábola’, isso parece convencer-nos de que Justino escreveu ‘a tua face, ó Jacó’.”

7. “Porque” falta em ambos os códices.

8. Ou “Deus, o teu Deus”.

9. stakte.

10. Literalmente, “roupas de ouro, variegadas”.

11. Literalmente, “de uma opinião de coração duro”.

12. o houtos.

13. Literalmente, “nos levaria cativos”.

14. Contrapondo ou os católicos aos hereges, ou os cristãos aos judeus.

15. Alguns pensam que isto se refere em particular ao cordeiro pascal; outros, a qualquer cordeiro assado.

16. Literalmente, “cordas”.

17. Cap. 15.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de Marcus Dods e George Reith (Ante-Nicene Fathers, vol. 1, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são dos tradutores ingleses; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Justino cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Septuaginta ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.