Orígenes, Sobre os Princípios · Livro IV
As Escrituras são inspiradas por Deus; as profecias cumpridas em Cristo; o sentido literal, moral e espiritual.
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1. Visto que, ao investigar assuntos de tamanha importância, não nos contentamos com as opiniões comuns e com a evidência clara das coisas visíveis,1 mas tomamos, além disso, como prova do que afirmamos, testemunhos daqueles escritos que cremos ser divinos, isto é, do que se chama Antigo Testamento e do que se denomina Novo, e procuramos confirmar nossa fé pela razão; e como ainda não falamos das Escrituras como divinas, vamos tratar, como que em resumo, de alguns pontos a respeito delas, expondo as razões que nos levam a considerá-las escritos divinos. E, antes de usar as palavras dos próprios escritos e as coisas que neles se mostram, devemos dizer o seguinte a respeito de Moisés e de Jesus Cristo, o legislador dos hebreus e o introdutor das doutrinas salvadoras segundo o cristianismo. Porque, embora tenha havido muitíssimos legisladores entre gregos e bárbaros, e mestres que anunciavam opiniões que se apresentavam como a verdade, não ouvimos falar de nenhum legislador que tenha sido capaz de inspirar a outras nações o zelo de receber suas palavras; e, embora os que se propunham filosofar sobre a verdade trouxessem um grande aparato de aparente demonstração lógica, nenhum deles conseguiu imprimir o que julgava ser a verdade em outras nações, nem sequer num número digno de menção de pessoas de uma única nação. E, no entanto, os legisladores teriam gostado de impor a todo o gênero humano, se possível, as leis que lhes pareciam boas, e os mestres de espalhar por toda parte no mundo o que imaginavam ser a verdade. Mas, como não podiam chamar homens de outras línguas e de muitas nações a observar suas leis e a aceitar seu ensino, nem sequer tentaram fazê-lo, considerando, não sem sabedoria, a impossibilidade de que tal resultado lhes acontecesse. Ao passo que toda a Grécia e a parte bárbara do nosso mundo contêm inumeráveis seguidores zelosos que abandonaram as leis de seus pais e os deuses estabelecidos para observar as leis de Moisés e fazer-se discípulos das palavras de Jesus Cristo; embora os que se apegavam à lei de Moisés fossem odiados pelos adoradores de imagens, e os que aceitavam as palavras de Jesus Cristo estivessem expostos, além disso, ao perigo de morte.
2. E, se observamos quão poderosa a palavra se tornou em pouquíssimos anos, apesar de se terem formado conspirações contra os que confessavam o cristianismo, de alguns deles terem sido mortos por causa dele e de outros terem perdido seus bens, e de que, apesar do pequeno número de seus mestres,2 foi pregada por toda parte no mundo, de modo que gregos e bárbaros, sábios e insensatos, se entregaram ao culto que vem por meio de Jesus,3 não temos dificuldade em dizer que o resultado está acima de qualquer poder humano,4 tendo Jesus ensinado com toda autoridade e persuasão que sua palavra não seria vencida; de modo que podemos com razão considerar como oráculos5 aquelas suas declarações, tais como: “Por minha causa vocês serão levados à presença de governadores e de reis, para lhes servir de testemunho, a eles e aos gentios” (Mt 10.18); e: “Muitos, naquele dia, vão me dizer: ‘Senhor, Senhor, não comemos em teu nome, e em teu nome não bebemos, e em teu nome não expulsamos demônios?’ E eu lhes direi: ‘Afastem-se de mim, vocês que praticam a iniquidade; eu nunca conheci vocês'” (cf. Mt 7.22-23). Ora, talvez fosse (outrora) provável que, ao pronunciar essas palavras, ele as dissesse em vão, de modo que não fossem verdadeiras; mas, quando aquilo que foi declarado com tanta autoridade se cumpriu, isso mostra que Deus, tendo-se feito realmente homem, entregou aos homens as doutrinas da salvação.6
3. E que necessidade há de mencionar também que foi predito a respeito de Cristo7 que então faltariam os príncipes de Judá e os chefes de suas coxas,8 quando viesse aquele a quem está reservado (isto é, o reino); e que a expectativa dos gentios habitaria na terra?9 Porque é claramente manifesto, pela história e pelo que se vê nos dias de hoje, que desde os tempos de Jesus não houve mais ninguém que fosse chamado rei dos judeus;10 tendo sido destruídas todas aquelas instituições judaicas de que se orgulhavam, quero dizer, as disposições relativas ao templo e ao altar, a celebração do culto e as vestes do sumo sacerdote. Porque se cumpriu a profecia que dizia: “Os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, sem príncipe, sem sacrifício, sem altar, sem sacerdócio e sem oráculos”.11 E empregamos essas predições para responder aos que, perplexos quanto às palavras ditas por Jacó a Judá no Gênesis, afirmam que o etnarca,12 sendo da linhagem de Judá, é o príncipe do povo, e que não faltará alguém da sua descendência até a vinda daquele Cristo que eles figuram na imaginação. Mas, se “os filhos de Israel hão de ficar muitos dias sem rei, sem príncipe, sem altar, sem sacerdócio e sem oráculos”; e se, desde que o templo foi destruído, já não existe sacrifício, nem altar, nem sacerdócio, é manifesto que o príncipe faltou de Judá, e o chefe de entre as suas coxas. E, como a predição declara que “não faltará príncipe de Judá, nem chefe de entre as suas coxas, até que venha o que lhe está reservado” (Gn 49.10), é manifesto que já veio aquele a quem (pertence) o que está reservado, a expectativa dos gentios. E isso fica claro pela multidão de pagãos que creram em Deus por meio de Jesus Cristo.
4. E também no cântico do Deuteronômio (Dt 32) se dá a conhecer profeticamente que, por causa dos pecados do povo anterior, haveria uma eleição de nações insensatas, a qual não se realizou por ninguém mais senão por Jesus. “Pois eles”, diz ele, “provocaram ciúmes em mim com aquilo que não é Deus, com seus ídolos me provocaram à ira; e eu provocarei ciúmes neles com aquele que não é povo, com uma nação insensata os provocarei à ira” (Dt 32.21). Ora, é possível entender com toda a clareza como os hebreus, de quem se diz que provocaram ciúmes em Deus com aquilo que não é Deus e o provocaram à ira com seus ídolos, foram (eles mesmos) provocados a ciúmes por aquele que não era povo, isto é, a nação insensata que Deus escolheu pela vinda de Jesus Cristo e de seus discípulos. Vemos, de fato, “a nossa vocação, que não muitos sábios segundo a carne, não muitos poderosos, não muitos nobres (são chamados); mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios; e as coisas humildes e as desprezadas Deus escolheu, e as que não são, para reduzir a nada as que antes existiam” (cf. 1Co 1.26-28); e que o Israel segundo a carne, que o apóstolo chama de “carne”, não se glorie na presença de Deus.
5. E que diremos das profecias a respeito de Cristo nos Salmos, havendo uma certa ode com o título “Para o Amado” (Sl 45.1-2), cuja “língua” se diz ser “a pena de um hábil escritor, o mais formoso dos filhos dos homens”, visto que “a graça se derramou nos seus lábios”? Pois uma prova de que a graça se derramou nos seus lábios é esta: embora o tempo de seu ensino tenha sido curto (pois ensinou cerca de um ano e alguns meses), o mundo se encheu do seu ensino e do culto a Deus (estabelecido) por meio dele. Porque surgiram “em seus dias justiça e abundância de paz” (cf. Sl 72.7), que permanece até a consumação, a qual foi chamada a remoção da lua; e ele continua “dominando de mar a mar, e desde os rios até os confins da terra” (Sl 72.8). E à casa de Davi foi dado um sinal: pois a Virgem deu à luz, e esteve grávida,13 e gerou um filho, e o nome dele é Emanuel, que quer dizer “Deus conosco”; e, como diz o mesmo profeta, cumpriu-se a predição: “Deus (está) conosco; sabei-o, ó nações, e sede vencidas; vós que sois fortes, sede derrotados” (cf. Is 8.8-9); pois nós, dentre os pagãos, fomos vencidos e derrotados, nós que fomos conquistados pela graça do seu ensino. Também o lugar do seu nascimento foi predito (nas profecias de) Miqueias: “Pois tu, Belém”, diz ele, “terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre os príncipes de Judá; porque de ti sairá um Chefe que governará o meu povo, Israel” (cf. Mq 5.2; Mt 2.6). E, segundo Daniel, as setenta semanas se cumpriram até (a vinda de) Cristo, o Príncipe (cf. Dn 9.25). E veio aquele que, segundo Jó (cf. Jó 40 e 41), subjugou o grande peixe14 e deu a seus verdadeiros discípulos poder para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo (cf. Lc 10.19), sem sofrerem dano algum da parte deles. E observe-se também a vinda universal dos apóstolos enviados por Jesus para anunciar o evangelho, e se verá tanto que o empreendimento estava acima do poder humano como que a ordem veio de Deus. E, se examinarmos como os homens, ao ouvirem doutrinas novas e palavras estranhas, se entregaram a esses mestres, vencidos, em meio ao próprio desejo de conspirar contra eles, por um poder divino que velava sobre esses (mestres), não ficaremos incrédulos quanto a terem eles também operado milagres, dando Deus testemunho às suas palavras por sinais, prodígios e milagres diversos.
6. E, enquanto assim demonstramos brevemente15 a divindade de Cristo, e (para isso) usamos as declarações proféticas a respeito dele, demonstramos ao mesmo tempo que os escritos que profetizaram a respeito dele foram divinamente inspirados; e que os documentos que anunciaram sua vinda e sua doutrina foram proferidos com todo poder e autoridade, e que por isso alcançaram a eleição dentre os gentios.16 Devemos dizer também que a divindade das declarações proféticas e a natureza espiritual da lei de Moisés resplandeceram depois da vinda de Cristo. Porque, antes da vinda de Cristo, não era de todo possível apresentar provas manifestas da inspiração divina da Escritura antiga; ao passo que a vinda dele levou os que poderiam suspeitar que a lei e os profetas não eram divinos à clara convicção de que foram compostos (com o auxílio) da graça celestial. E quem lê as palavras dos profetas com cuidado e atenção, sentindo pela própria leitura os vestígios da divindade17 que há nelas, será levado por suas próprias emoções a crer que as palavras que foram tidas por palavras de Deus não são composições de homens. Além disso, a luz que estava contida na lei de Moisés, mas que fora ocultada por um véu, resplandeceu na vinda de Jesus, sendo removido o véu, e aqueles bens cuja sombra estava contida na letra vindo gradualmente ao conhecimento (dos homens).
7. Seria enfadonho enumerar agora as profecias mais antigas a respeito de cada acontecimento futuro, para que aquele que duvida, impressionado pela divindade delas, deixasse de lado toda hesitação e distração e se dedicasse de toda a alma às palavras de Deus. Mas, se o elemento sobre-humano do pensamento18 não parece apresentar-se aos não instruídos em todas as partes das Escrituras, isso não é de modo algum de admirar; porque, quanto às obras daquela providência que abrange o mundo inteiro, algumas mostram com a máxima clareza que são obras da providência, ao passo que outras estão tão encobertas que parecem dar motivo à incredulidade a respeito daquele Deus que ordena todas as coisas com indizível habilidade e poder. Pois o plano artístico19 de um Governante providente não é tão evidente nas coisas que pertencem à terra quanto no caso do sol, da lua e das estrelas; e não tão claro no que se refere aos acontecimentos humanos quanto o é nas almas e nos corpos dos animais, sendo cuidadosamente averiguados por aqueles que se dedicam a essas coisas o fim e a razão dos impulsos, das imaginações e das naturezas dos animais, e a estrutura de seus corpos.20 Mas, assim como (a doutrina da) providência não é de modo algum enfraquecida21 (por causa das coisas que não se compreendem) aos olhos dos que uma vez a aceitaram honestamente, assim também a divindade da Escritura, que se estende a toda ela, não (se perde) por causa da incapacidade de nossa fraqueza para descobrir em cada expressão o esplendor oculto das doutrinas, velado numa linguagem comum e sem atrativos.22 Pois temos o tesouro em vasos de barro, para que resplandeça a excelência do poder de Deus e não se julgue que procede de nós, (que somos apenas) seres humanos. Porque, se os métodos batidos23 de demonstração (comuns) entre os homens, contidos nos livros (da Bíblia), tivessem conseguido produzir convicção, então com razão se suporia que a nossa fé repousa na sabedoria dos homens, e não no poder de Deus; mas agora é manifesto a todo aquele que ergue os olhos que a palavra e a pregação não prevaleceram entre a multidão “em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder” (1Co 2.4). Por isso, visto que um poder celestial, ou mesmo supraceleste, nos impele a adorar o único Criador, deixemos a doutrina do princípio de Cristo, isto é, os elementos,24 e procuremos avançar para a perfeição, a fim de que também a nós seja falada a sabedoria que se fala aos perfeitos. Pois aquele que a possui promete falar sabedoria entre os perfeitos, mas uma sabedoria diferente da deste mundo e da dos príncipes deste mundo, que é reduzida a nada. E essa sabedoria será nitidamente gravada25 em nós e produzirá uma revelação do mistério que foi guardado em silêncio nos tempos eternos,26 mas agora se manifestou por meio das Escrituras proféticas e da aparição de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém.
8. Tendo falado assim brevemente27 sobre a inspiração divina das santas Escrituras, é necessário passar (à consideração) do modo como devem ser lidas e entendidas, visto que numerosos erros se cometeram por não ter a multidão descoberto o método pelo qual os santos documentos28 devem ser examinados.29 Pois tanto os duros de coração como as pessoas ignorantes30 da circuncisão não creram em nosso Salvador, julgando que seguiam a linguagem das profecias a respeito dele, e não percebendo de modo palpável aos sentidos31 que ele tivesse proclamado libertação aos cativos, nem que tivesse edificado o que eles verdadeiramente consideram a cidade de Deus, nem que tivesse destruído “os carros de Efraim e o cavalo de Jerusalém” (cf. Zc 9.10), nem que tivesse comido manteiga e mel e, antes de conhecer ou preferir o mal, escolhido o bem (cf. Is 7.15). E pensando, além disso, que fora profetizado que o lobo, o animal de quatro patas, haveria de pastar com o cordeiro, e o leopardo de deitar-se com o cabrito, e o bezerro, o touro e o leão de pastar juntos, guiados por uma criancinha, e que o boi e o urso haveriam de pastar juntos, crescendo juntos os seus filhotes, e que o leão haveria de comer palha como o boi (cf. Is 11.6-7): não vendo nenhuma dessas coisas visivelmente cumprida durante a vinda daquele que cremos ser o Cristo, não aceitaram nosso Senhor Jesus; mas, como quem se tivesse chamado Cristo indevidamente,32 o crucificaram. E os que pertencem às seitas heréticas, lendo isto: “Um fogo se acendeu em minha ira” (cf. Jr 15.14); e isto: “Eu sou um Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração” (cf. Êx 20.5); e isto: “Arrependo-me de haver ungido Saul como rei” (cf. 1Sm 15.11); e isto: “Eu sou um Deus que faço a paz e crio o mal” (cf. Is 45.7); e, entre outros, isto: “Não há maldade na cidade que o Senhor não tenha feito” (cf. Am 3.6); e ainda isto: “Males desceram da parte do Senhor sobre as portas de Jerusalém” (cf. Mq 1.12); e: “Um espírito mau, da parte do Senhor, atormentava Saul” (cf. 1Sm 16.14; 18.10); e incontáveis outras passagens semelhantes a essas, não ousaram deixar de crer que fossem Escrituras de Deus; mas, crendo que eram (palavras) do Demiurgo, a quem os judeus adoram, julgaram que, sendo o Demiurgo um Deus imperfeito e não benevolente, o Salvador viera anunciar uma Divindade mais perfeita, que, segundo dizem, não é o Demiurgo, tendo eles opiniões diversas a respeito dele; e, tendo-se afastado uma vez do Demiurgo, que é o único Deus incriado, entregaram-se a ficções, inventando para si hipóteses segundo as quais imaginam que há algumas coisas visíveis e certas outras coisas não visíveis, tudo isso fantasias de suas próprias mentes. E, no entanto, os mais simples dentre os que professam pertencer à Igreja supuseram que não há divindade maior que o Demiurgo, no que pensam com acerto, ao passo que imaginam a respeito dele coisas tais que não se creriam nem do mais selvagem e injusto dos homens.
9. Ora, a causa, em todos os pontos enumerados anteriormente, das falsas opiniões e das afirmações ímpias ou ignorantes33 a respeito de Deus não parece ser outra senão o não entender a Escritura segundo o seu sentido espiritual, mas interpretá-la conforme a mera letra. E, por isso, aos que creem que os livros sagrados não são composições de homens, mas foram compostos por inspiração34 do Espírito Santo, conforme a vontade do Pai de todas as coisas, por meio de Jesus Cristo, e que chegaram até nós, devemos indicar os caminhos (de interpretá-los) que nos parecem (corretos), a nós que nos apegamos à regra35 da Igreja celestial de Jesus Cristo segundo a sucessão dos apóstolos. Ora, que há certas economias místicas dadas a conhecer pelas santas Escrituras, todos, mesmo os mais simples dos que aderem à palavra, creram; mas quais sejam elas, as pessoas sinceras e modestas confessam que não sabem. Se, pois, alguém ficasse perplexo quanto ao trato de Ló com suas filhas, quanto às duas mulheres de Abraão, às duas irmãs casadas com Jacó e às duas servas que lhe deram filhos, não podem dar outra resposta senão esta: que são mistérios que não compreendemos. E mais ainda: quando se lê (a descrição) da preparação do tabernáculo, crendo que o que está escrito é um tipo,36 procuram adaptar o que podem a cada particularidade narrada acerca do tabernáculo, não errando quanto à sua crença de que o tabernáculo é tipo de alguma coisa, mas errando às vezes ao aplicar a descrição daquilo de que o tabernáculo é tipo a alguma coisa especial de modo digno da Escritura. E toda a história que se considera narrar casamentos, ou a geração de filhos, ou guerras, ou quaisquer histórias que circulam entre a multidão, eles declaram serem tipos; mas de que o são em cada caso particular, em parte porque seus hábitos não estão plenamente exercitados, em parte também por sua precipitação, e às vezes, mesmo quando alguém é bem preparado e perspicaz, por causa da excessiva dificuldade que os homens têm de descobrir as coisas, a natureza de cada particularidade relativa a esses (tipos) não é averiguada com clareza.
10. E que necessidade há de falar das profecias, que todos sabemos estarem cheias de enigmas e palavras obscuras? E, se chegamos aos Evangelhos, o entendimento exato também destes, por serem a mente de Cristo, requer a graça que foi dada àquele que disse: “Nós, porém, temos a mente de Cristo, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado gratuitamente. Disto também falamos, não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito” (1Co 2.16, 12-13). E quem, ao ler as revelações feitas a João, não se assombraria com os indizíveis mistérios ali ocultos, os quais são evidentes (até) para quem não compreende o que está escrito? E a que pessoa hábil em investigar palavras pareceriam claras e fáceis de entender as Epístolas dos Apóstolos, visto que também nelas há incontável número de ideias profundíssimas que, (saindo) como que por uma fresta, não admitem compreensão rápida?37 E, portanto, sendo assim as coisas, e visto que inumeráveis pessoas caem em erros, não é seguro, ao ler (as Escrituras), declarar que se entende facilmente aquilo que precisa da chave do conhecimento, que o Salvador declara estar com os intérpretes da Lei. E respondam os que não admitem que a verdade estava com estes antes da vinda de Cristo como é que nosso Senhor Jesus Cristo diz que a chave do conhecimento está com aqueles que, segundo eles alegam, não tinham os livros que contêm os segredos38 do conhecimento e os mistérios perfeitos.39 Porque suas palavras são estas: “Ai de vocês, intérpretes da Lei! Porque vocês pegaram a chave do conhecimento. No entanto, vocês mesmos não entraram e impediram os que estavam entrando” (Lc 11.52).
11. O caminho, pois, segundo nos parece, pelo qual devemos tratar as Escrituras e extrair delas o seu sentido é o seguinte, que foi averiguado a partir das próprias Escrituras. Em Salomão, nos Provérbios, encontramos uma regra como esta, prescrita a respeito das doutrinas divinas da Escritura:40 “E tu, retrata-as de modo tríplice, em conselho e conhecimento, para responder palavras de verdade aos que te propõem” (cf. Pv 22.20-21).41 Cada um deve, então, retratar de modo tríplice em sua própria alma as ideias da santa Escritura; para que o simples seja edificado pela “carne”, por assim dizer, da Escritura, pois assim chamamos o sentido óbvio; enquanto aquele que já subiu um certo trecho (seja edificado) pela “alma”, por assim dizer. E o perfeito, por sua vez, e aquele que se assemelha aos de quem fala o apóstolo quando diz: “Falamos sabedoria entre os perfeitos, não, porém, a sabedoria do mundo, nem dos príncipes deste mundo, que são reduzidos a nada; mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta, que Deus predeterminou antes dos séculos para a nossa glória” (1Co 2.6-7), (receba edificação) da lei espiritual, que tem a sombra dos bens vindouros. Pois, assim como o homem consta de corpo, alma e espírito, assim também a Escritura, que foi disposta para ser dada por Deus para a salvação dos homens. E por isso deduzimos isto também de um livro que alguns desprezam, O Pastor, a respeito da ordem dada a Hermas de escrever dois livros e, depois de fazê-lo, anunciar aos presbíteros da Igreja o que aprendera do Espírito. As palavras são estas: “Você escreverá dois livros e dará um a Clemente e um a Grapte. E Grapte admoestará as viúvas e os órfãos, e Clemente enviará às cidades de fora, enquanto você anunciará aos presbíteros da Igreja”. Ora, Grapte, que admoesta as viúvas e os órfãos, é a mera letra (da Escritura), que admoesta os que ainda são crianças na alma e não podem chamar Deus de Pai, e que por isso são chamados órfãos; e admoesta, além disso, as que já não têm um noivo ilegítimo,42 mas permanecem viúvas, porque ainda não se tornaram dignas do Noivo (celestial); ao passo que de Clemente, que já está além da letra, se diz que envia o que está escrito às cidades de fora, como se chamássemos a estas as “almas” que estão acima (da influência) das (afeições) corporais e das ideias baixas,43 sendo ordenado ao próprio discípulo do Espírito que dê a conhecer, não mais por letras, mas por palavras vivas, aos presbíteros de toda a Igreja de Deus, que encaneceram44 pela sabedoria.
12. Mas, assim como há certas passagens da Escritura que não contêm de modo algum o sentido “corpóreo”, como mostraremos nos (parágrafos) seguintes, há também lugares em que devemos buscar somente a “alma”, por assim dizer, e o “espírito” da Escritura. E talvez por isso se diga que as talhas de água, contendo duas ou três medidas cada uma, estavam ali para a purificação dos judeus, como lemos no Evangelho segundo João (cf. Jo 2.6): a expressão dá a entender veladamente, a respeito daqueles que (são chamados) pelo apóstolo “judeus” em oculto, que eles são purificados pela palavra da Escritura, recebendo às vezes duas medidas, isto é, por assim dizer, o sentido “psíquico” e o “espiritual”; e às vezes três medidas, visto que algumas têm, além dos já mencionados, também o sentido “corpóreo”, que é capaz de (produzir) edificação. E seis talhas de água são razoavelmente (apropriadas) aos que são purificados no mundo, que foi feito em seis dias, o número perfeito. Que o primeiro “sentido”, pois, é proveitoso no aspecto de ser capaz de comunicar edificação, testemunham-no as multidões de crentes genuínos e simples; enquanto da interpretação que se remete à “alma” há um exemplo na primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. A expressão é: “Não amarre a boca do boi que pisa o trigo” (cf. 1Co 9.9; Dt 25.4); ao que ele acrescenta: “Por acaso Deus está preocupado com bois? Ou não o diz inteiramente por nossa causa? É claro que é por nossa causa que isso está escrito: para que quem lavra lavre com esperança, e o que debulha, na esperança de participar” (cf. 1Co 9.9-10). E há numerosas interpretações adaptadas à multidão que estão em circulação, que edificam os que não conseguem entender sentidos mais profundos, e que têm mais ou menos o mesmo caráter.
13. Mas a interpretação é “espiritual” quando alguém é capaz de mostrar de que coisas celestiais os judeus “segundo a carne” serviram de exemplo e sombra, e de que bens futuros a lei contém a sombra. E, de modo geral, devemos investigar, segundo a promessa apostólica, “a sabedoria em mistério, a sabedoria oculta que Deus predeterminou antes do mundo para a glória” dos justos, a qual “nenhum dos príncipes deste mundo conheceu” (cf. 1Co 2.6-8). E o mesmo apóstolo diz em algum lugar, depois de se referir a certos acontecimentos mencionados como ocorridos no Êxodo e em Números, “que essas coisas lhes aconteceram figuradamente, mas foram escritas por nossa causa, sobre quem chegaram os fins dos séculos” (1Co 10.11). E dá ocasião de averiguar de que coisas eram figuras quando diz: “Porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” (1Co 10.4). E em outra Epístola, ao esboçar as várias coisas relativas ao tabernáculo, usou as palavras: “Faça tudo de acordo com o modelo que foi mostrado a você no monte” (cf. Êx 25.40; Hb 8.5). Além disso, na Epístola aos Gálatas, como que repreendendo os que julgam ler a lei e, contudo, não a entendem, e julgando que não a entendem os que não refletem que há alegorias contidas sob o que está escrito, diz: “Digam-me vocês, os que querem estar sob a lei: será que vocês não ouvem a lei? Pois está escrito que Abraão teve dois filhos: um da mulher escrava e outro da mulher livre. Mas o da escrava nasceu segundo a carne; o da livre, mediante a promessa. Estas coisas são alegóricas;45 porque estas são as duas alianças” (Gl 4.21-24), e assim por diante. Ora, devemos observar com cuidado cada palavra empregada por ele. Ele diz: “Vocês que querem estar sob a lei”, e não “Vocês que estão sob a lei”; e: “Não ouvem a lei?”, entendendo-se “ouvir” no sentido de “compreender” e “conhecer”. E na Epístola aos Colossenses, resumindo brevemente o sentido de toda a legislação, diz: “Portanto, que ninguém julgue vocês por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, que são sombra das coisas que haviam de vir” (Cl 2.16-17). Além disso, na Epístola aos Hebreus, discorrendo sobre os que pertencem à circuncisão, escreve: “que ministram em figura e sombra das coisas celestiais” (Hb 8.5). Ora, é provável que, a partir desses exemplos, não tenham dúvida alguma a respeito dos cinco livros de Moisés aqueles que uma vez aderiram ao apóstolo como homem divinamente inspirado;46 mas você quer saber, quanto ao resto da história, se também ela aconteceu como figura? Devemos notar, então, a expressão da Epístola aos Romanos: “Reservei para mim sete mil homens que não dobraram os joelhos diante de Baal” (Rm 11.4; cf. 1Rs 19.18), tirada do terceiro livro dos Reis, a qual Paulo entendeu como equivalente (em sentido) aos que são israelitas segundo a eleição, porque não somente os gentios foram beneficiados pela vinda de Cristo, mas também alguns da raça de Deus.47
14. Sendo este o estado da questão, temos de esboçar o que nos parecem ser os sinais do (verdadeiro) entendimento das Escrituras. E, em primeiro lugar, deve-se indicar isto: que o propósito do Espírito, que pela providência de Deus, por meio do Verbo que estava no princípio com Deus, iluminou os ministros da verdade, os profetas e os apóstolos, era sobretudo (a comunicação) de mistérios inefáveis a respeito das coisas dos homens (e por homens entendo agora as almas que se servem de corpos), a fim de que aquele que é capaz de instrução, pela investigação e pela dedicação ao estudo das profundezas de sentido contidas nas palavras, se torne participante de todas as doutrinas do seu conselho. E, entre as matérias que se referem às almas (que não podem alcançar a perfeição de outro modo, à parte da rica e sábia verdade de Deus), as (doutrinas) que dizem respeito a Deus e a seu Filho unigênito são necessariamente postas como primeiras, isto é, de que natureza ele é, e de que modo é o Filho de Deus, e quais são as causas de ele ter descido até (assumir) a carne humana e a humanidade completa; e qual é também a operação deste (Filho), e sobre quem e quando é exercida. E era necessário também que o tema dos seres aparentados e das outras criaturas racionais, tanto das que são divinas como das que caíram da bem-aventurança, juntamente com as razões de sua queda, estivesse contido no ensino divino; e também o das diversidades das almas, e da origem dessas diversidades, e da natureza do mundo e da causa de sua existência. Devemos aprender também a origem da grande e terrível maldade que se espalha sobre a terra, e se ela está confinada somente a esta terra ou prevalece também em outros lugares. Ora, enquanto esses e outros objetivos semelhantes estavam presentes ao Espírito que iluminou as almas dos santos ministros da verdade, havia um segundo objetivo, por causa dos que não eram capazes de suportar a fadiga de investigar assuntos tão importantes, a saber, ocultar a doutrina relativa aos temas antes mencionados em expressões que continham uma narrativa que transmitia um anúncio a respeito das coisas da criação visível,48 da criação do homem e dos sucessivos descendentes dos primeiros homens até se tornarem numerosos; e outras histórias que relatam os atos de homens justos e os pecados cometidos ocasionalmente por esses mesmos homens, como seres humanos que eram, e os atos perversos, tanto de impureza como de vício, cometidos por homens pecadores e ímpios. E, o que é mais notável, pela história de guerras, dos vencedores e dos vencidos, indicam-se certos mistérios aos que são capazes de examinar essas narrativas. E, mais admirável ainda, as leis da verdade são preditas pela legislação escrita, sendo todas essas coisas descritas numa série encadeada, com um poder que está verdadeiramente em harmonia com a sabedoria de Deus. Pois o propósito era que também o invólucro das verdades espirituais, quero dizer, a parte “corporal” da Escritura, não fosse sem proveito em muitos casos, mas fosse capaz de melhorar a multidão, segundo a sua capacidade.
15. Mas, visto que, se a utilidade da legislação e a sequência e a beleza49 da história fossem por si mesmas50 evidentes em toda parte, não creríamos que se pudesse entender nas Escrituras outra coisa além do que é óbvio, a palavra de Deus dispôs que certas pedras de tropeço, por assim dizer, e escândalos e impossibilidades fossem introduzidos no meio da lei e da história, a fim de que, arrastados em todas as direções pela natureza meramente atraente da linguagem,51 não venhamos ou a afastar-nos de todo das (verdadeiras) doutrinas, como quem nada aprende digno de Deus, ou, não nos apartando da letra, a não chegar ao conhecimento de nada mais divino. E também devemos saber isto: que, sendo o objetivo principal anunciar a conexão “espiritual” nas coisas que se fazem e nas que se devem fazer, onde o Verbo encontrou que as coisas feitas segundo a história podiam ser adaptadas a esses sentidos místicos, ele se serviu delas, ocultando da multidão o sentido mais profundo; mas onde, na narrativa do desenvolvimento das coisas suprassensíveis,52 não se seguia a realização daqueles determinados acontecimentos já indicados pelo sentido místico, a Escritura entreteceu na história (o relato de) algum acontecimento que não ocorreu, às vezes o que não poderia ter acontecido, às vezes o que poderia, mas não aconteceu. E às vezes se intercalam umas poucas palavras que não são verdadeiras em seu sentido literal,53 e às vezes um número maior. E um procedimento semelhante se deve notar também na legislação, na qual se encontra muitas vezes o que é útil em si mesmo e apropriado aos tempos da legislação; e às vezes também o que não parece ter utilidade; e outras vezes se registram impossibilidades por causa dos mais hábeis e inquisitivos, para que se entreguem ao trabalho de investigar o que está escrito e assim cheguem a uma convicção adequada do modo como se deve buscar, em tais assuntos, um sentido digno de Deus.
16. Não foi, porém, só com as (Escrituras compostas) antes da vinda (de Cristo) que o Espírito agiu assim; mas, sendo o mesmo Espírito e (procedendo) do único Deus, fez o mesmo tanto com os evangelistas como com os apóstolos, visto que nem mesmo estes contêm de ponta a ponta uma história pura de acontecimentos, os quais estão de fato entretecidos segundo a letra, mas não ocorreram realmente.54 Nem mesmo a lei e os mandamentos transmitem inteiramente o que é conforme à razão. Pois quem, tendo entendimento, suporá que o primeiro, o segundo e o terceiro dia, e a tarde e a manhã, existiram sem sol, sem lua e sem estrelas? E que o primeiro dia foi, por assim dizer, também sem céu? E quem é tão insensato que suponha que Deus, à maneira de um lavrador, plantou um paraíso no Éden, para o lado do oriente, e pôs nele uma árvore da vida, visível e palpável, de modo que quem provasse do fruto com os dentes do corpo obtinha a vida? E, ainda, que alguém se tornava participante do bem e do mal mastigando o que tirava da árvore? E, se se diz que Deus passeava no paraíso à tarde e que Adão se escondeu debaixo de uma árvore, não suponho que alguém duvide de que essas coisas indicam figuradamente certos mistérios, tendo a história acontecido em aparência, e não literalmente.55 Também Caim, ao sair da presença de Deus, certamente parece aos homens ponderados apto a levar o leitor a perguntar o que é a presença de Deus e o que significa sair dela. E que necessidade há de dizer mais, visto que os que não são de todo cegos podem recolher incontáveis exemplos de gênero semelhante, registrados como ocorridos, mas que não aconteceram literalmente?56 Mais ainda: os próprios Evangelhos estão cheios do mesmo gênero de narrativas; por exemplo, o diabo levando Jesus a um alto monte para lhe mostrar dali os reinos do mundo inteiro e a glória deles. Pois quem há, entre os que não leem tais relatos com descuido, que não condenaria os que pensam que com o olho do corpo, que requer uma altura elevada para que se vejam as partes que ficam (imediatamente) abaixo e ao redor, foram contemplados os reinos dos persas, dos citas, dos indianos e dos partos, e o modo como seus príncipes são glorificados entre os homens? E o leitor atento pode notar nos Evangelhos inumeráveis outras passagens semelhantes a essas, de modo que se convencerá de que nas histórias que estão registradas literalmente se inserem circunstâncias que não ocorreram.
1. te enargeia ton blepomenon.
2. oude ton didaskalon pleonazonton.
3. te dia ‘Iesou theosebeia.
4. meizon e kata anthropon to pragma einai.
5. chresmous.
6. soteria dogmata.
7. proepheteuthe ho Christos.
8. ek ton meron.
9. epidemese.
10. ouk eti basileis ‘Ioudaian echrematisan.
11. Cf. Os 3.4. Citado segundo a Septuaginta.
12. Rufino o chama de “Patriarca”.
13. eteke kai en gastri esche, kai eteken huion.
14. to mega ketos.
15. hos en epitome.
16. dia touto tes apo ton ethnon ekloges kekratekota.
17. ichnos enthousiasmou.
18. to huper anthropon ton noematon.
19. ho technikos logos.
20. Sphodra tou pros ti kai heneka tinos heuriskomenou tois touton epimelomenois, peri tas hormas, kai tas phantasias, kai phuseis ton zoon, kai tas kataskeuas ton somaton.
21. chreokopeitai.
22. en eutelei kai eukataphroneto lexei.
23. kathemaxeumenai.
24. tes stoicheioseos.
25. entupothesetai.
26. chronois aioniois.
27. hos en epidrome.
28. ta hagia anagnosmata.
29. pos dei ephodeuein.
30. hoi idiotai ton ek tes peritomes.
31. aisthetos.
32. para to deon.
33. idiotikon.
34. epipnoias.
35. kanonos.
36. tupous einai ta gegrammena.
37. Murion hoson kakei, hos di opes, megiston kai pleiston noematon ou bracheian aphormen parechonton.
38. aporrheta.
39. pantele musteria.
40. Na Septuaginta: Kai su de apograpsai auta seauto trissos, eis boulen kai gnosin epi to platos tes kardias sou; didasko oun se alethe logon, kai gnosin alethe hupakouein, tou apokrinesthai se logous aletheias tois proballomenois soi. A Vulgata traz: Ecce, descripsi eam tibi tripliciter, in cogitationibus et scientia, ut ostenderem tibi firmitatem et eloquia veritatis, respondere ex his illis, qui miserunt te.
41. Cf. a nota 40, acima.
42. paranomo numphio.
43. ton kato noematon.
44. pepoliomenois.
45. allegoroumena.
46. hos theion andra.
47. tinas apo tou theiou genous, isto é, israelitas.
48. peri ton aistheton demiourgematon.
49. glaphuron.
50. autothen.
51. hupo tes lexeos helkomenoi to agogon akraton echouses.
52. en te diegesei tes peri ton noeton akolouthias.
53. kata to soma.
54. Oude touton pante akraton ten historian ton prosuphasmenon kata to somatikon echonton, me gegenemenon; oude ten nomothesian kai tas entolas pantos to eulogon emphainonta. Um manuscrito traz gegenemenen, referido a historian, sobre o que um editor observa: “Hic et in sequentibus imploro fidem codicum!”
55. dia dokouses istorias kai ou somatikos gegenemenes.
56. kata ten lexin.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de Frederick Crombie (Ante-Nicene Fathers, vol. 4, Buffalo, 1885), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução, feita do latim de Rufino e, nos capítulos III.1 e IV.1, do grego conservado. As notas são do tradutor inglês; as do editor americano da coleção foram omitidas. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Orígenes cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita de outro modo, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.