Cirilo de Jerusalém, Catequeses · Catequese XIV

Ressuscitou, subiu aos céus e está assentado à direita do Pai

A ressurreição ao terceiro dia, a ascensão e o assento à direita do Pai, com as profecias e as testemunhas.

Catequese XIV. Sobre as palavras: e ressuscitou dos mortos ao terceiro dia, e subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai

1 Coríntios 15.1-4
Irmãos, venho lembrar-lhes o evangelho que anunciei a vocês… e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras etc.

“Alegre-se, ó Jerusalém, e celebrem uma grande festa, todos vocês que amam Jesus”, porque ele ressuscitou. “Alegrem-se, todos vocês que antes choravam” (Is 66.10), quando ouviram os atos ousados e perversos dos judeus: porque aquele que foi ultrajado por eles neste lugar ressuscitou. E, assim como o discurso sobre a cruz foi triste, que a boa notícia da ressurreição traga alegria aos ouvintes. Que o luto se transforme em contentamento, e o lamento em alegria; e que a nossa boca se encha de alegria e contentamento por causa daquele que, depois da sua ressurreição, disse: “Alegrem-se” (Mt 28.9)1. Pois conheço a tristeza dos amigos de Cristo nestes últimos dias; porque, como o nosso discurso parou na morte e no sepultamento, e não anunciou a boa notícia da ressurreição, a mente de vocês ficou em suspenso, esperando ouvir o que desejavam.

Agora, pois, o Morto ressuscitou, aquele que era “livre entre os mortos” (Sl 88.5)2 e o libertador dos mortos. Aquele que, na desonra, suportou com paciência a coroa de espinhos, esse mesmo se levantou e coroou a si mesmo com o diadema da sua vitória sobre a morte.

2. Assim como apresentamos os testemunhos a respeito da sua cruz, venham, verifiquemos agora também as provas da sua ressurreição, uma vez que o apóstolo que temos diante de nós3 afirma: “foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras” (1Co 15.4). Visto, pois, que um apóstolo nos remeteu aos testemunhos das Escrituras, é bom que adquiramos pleno conhecimento da esperança da nossa salvação; e que aprendamos primeiro se as divinas Escrituras nos dizem a estação da sua ressurreição, se ela acontece no verão ou no outono, ou depois do inverno; e de que tipo de lugar o Salvador ressuscitou; e que nome os admiráveis profetas anunciaram para o lugar da ressurreição; e se as mulheres, que o procuraram e não o acharam, depois se alegram ao achá-lo; para que, quando os Evangelhos forem lidos, as narrativas destas santas Escrituras não sejam tidas por fábulas nem por rapsódias.

3. Que o Salvador foi sepultado, vocês ouviram claramente no discurso anterior, como diz Isaías: “O seu sepultamento será em paz” (Is 57.2)4; porque no seu sepultamento ele fez a paz entre o céu e a terra, trazendo os pecadores a Deus; e: “o justo é tirado do caminho da injustiça” (Is 57.1)5; e: “O seu sepultamento será em paz”; e: “Darei os ímpios pelo seu sepultamento” (Is 53.9)6. Há também a profecia de Jacó, que diz nas Escrituras: “Ele se deitou e se agachou como leão e como filhote de leão; quem o despertará?” (Gn 49.9). E a passagem semelhante em Números: “Agachou-se, deitou-se como leão e como filhote de leão” (Nm 24.9). Vocês também ouviram muitas vezes o salmo que diz: “E tu me fizeste descer ao pó da morte” (Sl 22.15). Além disso, assinalamos o lugar quando citamos as palavras: “Olhem para a rocha que vocês cavaram” (Is 51.1)7. Mas agora, que os testemunhos sobre a própria ressurreição nos acompanhem no caminho.

4. Primeiro, então, no Salmo 11 ele diz: “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, eu me levantarei agora, diz o Senhor” (Sl 12.5). Mas essa passagem ainda continua duvidosa para alguns, porque ele muitas vezes se levanta também na ira8, para se vingar dos seus inimigos.

Venham, então, ao Salmo 15, que diz claramente: “Guarda-me, Senhor, porque em ti confiei” (Sl 16.1); e, depois disso: “Não me unirei às suas assembleias de sangue, nem farei menção dos seus nomes com os meus lábios” (Sl 16.4)9, pois eles me rejeitaram e escolheram César como seu rei (Jo 19.15)10; e também as palavras seguintes: “Eu via sempre o Senhor diante de mim, porque ele está à minha direita, para que eu não seja abalado” (Sl 16.8); e logo depois: “Sim, e até de noite os meus rins me corrigiram” (Sl 16.7)11. E depois disso diz com toda a clareza: “Pois não deixarás a minha alma no inferno12, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção” (Sl 16.10). Não disse: “nem permitirás que o teu Santo veja a morte”, pois então ele não teria morrido; mas: “a corrupção”, diz ele, “eu não vejo, e não permanecerei na morte”. “Tu me fizeste conhecer os caminhos da vida” (Sl 16.11). Eis aqui pregada claramente uma vida depois da morte. Venham também ao Salmo 29: “Eu te exaltarei, Senhor, porque tu me levantaste e não permitiste que os meus inimigos se alegrassem contra mim” (Sl 30.1). Que foi que aconteceu? Você foi resgatado dos inimigos, ou foi solto quando estava para ser ferido? Ele mesmo diz com toda a clareza: “Senhor, do inferno fizeste subir a minha alma” (Sl 30.3)13. Lá ele diz “não deixarás”, profeticamente; e aqui fala do que há de acontecer como já acontecido: “fizeste subir”. “Tu me salvaste dos que descem ao abismo” (Sl 30.3). Em que momento se dará o acontecimento? “O choro dura pela tarde, mas a alegria vem pela manhã” (Sl 30.5); porque à tarde foi a tristeza dos discípulos, e pela manhã a alegria da ressurreição.

5. Mas você quer saber também o lugar? De novo ele diz no Cântico: “Desci ao jardim das nogueiras” (Ct 6.11); pois era um jardim o lugar onde ele foi crucificado (Jo 19.41). Porque, embora agora tenha sido magnificamente adornado com dádivas reais, antes era um jardim, e ainda restam os sinais e os vestígios disso. “Um jardim fechado, uma fonte selada” (Ct 4.12), pelos judeus que disseram: “Nós lembramos que aquele enganador, enquanto vivia, disse: Depois de três dias ressuscitarei. Portanto, mande que o túmulo seja guardado com segurança” (Mt 27.63-64); e mais adiante: “Indo eles, montaram guarda ao túmulo, selando a pedra com a escolta” (Mt 27.66). E, visando bem a esses, alguém diz: “e no descanso tu os julgarás” (Jó 7.18)14. Mas quem é a fonte selada, ou quem é interpretado como “poço de águas vivas” (Ct 4.15)? É o próprio Salvador, a respeito de quem está escrito: “Pois em ti está a fonte da vida” (Sl 36.9).

6. Mas o que diz Sofonias, na pessoa de Cristo, aos discípulos? “Prepare-se, levante-se de madrugada: todo o seu rebusco foi destruído” (Sf 3.7)15: o rebusco, isto é, dos judeus, entre os quais não restou nem um cacho, nem sequer um rebusco de salvação, porque a sua videira foi cortada. Veja como ele diz aos discípulos: “Prepare-se, levante-se de madrugada”: de madrugada espere a ressurreição.

E mais adiante, no mesmo contexto da Escritura, ele diz: “Portanto, espere por mim, diz o Senhor, até o dia da minha ressurreição no Testemunho” (Sf 3.8)16. Você vê que o profeta previu também o lugar da ressurreição, que havia de ser chamado “o Testemunho”. Pois qual é a razão de este lugar do Gólgota e da Ressurreição não se chamar igreja, como as demais igrejas, mas Testemunho? Talvez tenha sido por causa do profeta, que havia dito: “até o dia da minha ressurreição no Testemunho”.

7. E quem, então, é este, e qual é o sinal daquele que ressuscita? Nas palavras do profeta que se seguem no mesmo contexto, ele diz claramente: “Pois então farei voltar aos povos uma língua” (Sf 3.9)17; porque, depois da ressurreição, quando o Espírito Santo foi enviado, foi concedido o dom de línguas, “para que servissem ao Senhor debaixo de um só jugo” (Sf 3.9)18. E que outro sinal se apresenta no mesmo profeta de que haveriam de servir ao Senhor debaixo de um só jugo? “Dalém dos rios da Etiópia me trarão ofertas” (Sf 3.10). Você sabe o que está escrito em Atos, quando o eunuco etíope veio dalém dos rios da Etiópia (At 8.27). Já que as Escrituras dizem tanto o tempo como a particularidade do lugar, e dizem também os sinais que se seguiram à ressurreição, tenha daqui em diante uma fé firme na ressurreição, e que ninguém o afaste de confessar Cristo “ressuscitado dentre os mortos” (2Tm 2.8).

8. Tome agora também outro testemunho no Salmo 87, onde Cristo fala nos profetas (pois aquele que então falava veio depois entre nós): “Ó Senhor, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti” (Sl 88.1); e um pouco mais adiante: “Tornei-me como um homem sem socorro, livre entre os mortos” (Sl 88.4-5). Não disse: “Tornei-me um homem sem socorro”, mas: “como um homem sem socorro”. Pois, de fato, ele foi crucificado não por fraqueza, mas voluntariamente, e a sua morte não veio de uma fraqueza involuntária. “Sou contado com os que descem ao abismo” (Sl 88.4). E qual é o sinal? “Afastaste de mim os meus conhecidos” (Sl 88.8), pois os discípulos fugiram. “Será que farás maravilhas para os mortos?” (Sl 88.10). Depois, um pouco adiante: “E eu, Senhor, clamo a ti, e de madrugada a minha oração chegará à tua presença” (Sl 88.13). Você vê como eles mostram o ponto exato da hora, da paixão e da ressurreição?

9. E de onde ressuscitou o Salvador? Ele diz no Cântico dos Cânticos: “Levante-se, venha, minha companheira” (Ct 2.10)19; e no que se segue: “numa caverna da rocha” (Ct 2.14)20. “Caverna da rocha” ele chamou a caverna que antigamente ficava diante da porta do sepulcro do Salvador e tinha sido escavada na própria rocha, como se costuma fazer aqui diante dos sepulcros. Agora ela não se vê, porque a caverna exterior foi cortada naquela ocasião por causa do adorno atual. Pois, antes de o sepulcro ser decorado pela munificência real, havia uma caverna na frente da rocha. Mas onde está a rocha que tinha em si a caverna? Fica perto do centro da cidade, ou perto dos muros e da periferia? E fica dentro dos muros antigos, ou dentro dos muros exteriores, que foram construídos depois? Ele diz, então, no Cântico: “numa caverna da rocha, junto ao muro exterior” (Ct 2.14)21.

10. Em que estação ressuscita o Salvador? É no verão, ou em alguma outra? No mesmo Cântico, imediatamente antes das palavras citadas, ele diz: “Porque eis que passou o inverno, a chuva cessou e se foi” (Ct 2.11)22; “aparecem as flores na terra, chegou o tempo da poda” (Ct 2.12)23. Não está agora a terra cheia de flores, e não estão podando as videiras? Você vê como ele disse também que o inverno já passou. Pois, quando chega este mês de Xântico24, já é primavera. E esta é a estação, o primeiro mês entre os hebreus, em que acontece a festa da Páscoa, antes figurativa, mas agora verdadeira. Esta é a estação da criação do mundo, porque então Deus disse: “Que a terra produza relva de pasto, que dê semente segundo a sua espécie e segundo a sua semelhança” (Gn 1.11)25. E agora, como você vê, toda erva já está dando semente. E, assim como naquele tempo Deus fez o sol e a lua e lhes deu cursos de dia (e noite) iguais, assim também, há poucos dias, foi a estação do equinócio.

Naquele tempo Deus disse: “Façamos o ser humano à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gn 1.26)26. E a imagem ele recebeu, mas a semelhança ele a obscureceu pela sua desobediência. Na mesma estação, então, em que a perdeu, aconteceu também a restauração. Na mesma estação em que o homem criado foi expulso do paraíso pela desobediência, aquele que creu foi introduzido nele pela obediência. A nossa salvação, então, aconteceu na mesma estação da queda: quando apareceram as flores e chegou o tempo da poda.

11. Um jardim era o lugar do seu sepultamento, e uma videira o que ali foi plantado; e ele disse: “Eu sou a videira” (Jo 15.1)27. Foi plantado, pois, na terra, para que fosse arrancada pela raiz a maldição que veio por causa de Adão. A terra fora condenada a espinhos e abrolhos; a verdadeira Videira brotou da terra, para que se cumprisse o que foi dito: “Da terra brota a verdade, dos céus a justiça baixa o seu olhar” (Sl 85.11). E que dirá aquele que foi sepultado no jardim? “Colhi a minha mirra com as especiarias” (Ct 5.1); e de novo: “mirra e aloés, com todas as principais especiarias” (Ct 4.14)28. Ora, estes são os símbolos do sepultamento; e nos Evangelhos se diz: “as mulheres foram ao túmulo, levando os óleos aromáticos que haviam preparado” (Lc 24.1); e Nicodemos também, levando “um composto de mirra e aloés” (Jo 19.39). E mais adiante está escrito: “Comi o meu pão com o meu mel” (Ct 5.1)29: o amargo antes da paixão, e o doce depois da ressurreição. Depois, tendo ressuscitado, ele entrou com as portas fechadas; mas eles não creram que fosse ele, porque “pensavam que estavam vendo um espírito” (Lc 24.37). Mas ele disse: “Toquem em mim e vejam” (Lc 24.39). Ponham os dedos no sinal dos pregos, como Tomé exigiu. “E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e como estavam admirados, Jesus lhes disse: Vocês têm aqui alguma coisa para comer? Então lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel” (Lc 24.41-42). Você vê como se cumpre aquilo: “Comi o meu pão com o meu mel”.

12. Mas, antes que ele entrasse com as portas fechadas, o Noivo e Pretendente30 das almas foi procurado por aquelas nobres e corajosas mulheres. Vieram aquelas bem-aventuradas ao sepulcro e procuraram aquele que tinha sido ressuscitado, e as lágrimas ainda lhes caíam dos olhos, quando deviam antes estar dançando de alegria por aquele que tinha ressuscitado. Maria veio procurá-lo, segundo o Evangelho, e não o achou; e logo ouviu os anjos, e depois viu o Cristo. Estão, então, também estas coisas escritas? Ele diz no Cântico dos Cânticos: “Na minha cama busquei o amado de minha alma”. Em que momento? “De noite, na minha cama, busquei o amado de minha alma”: Maria, diz a Escritura, veio “quando ainda estava escuro”. “Na minha cama, de noite, busquei-o; busquei-o, mas não o achei” (Ct 3.1; Jo 20.1). E nos Evangelhos Maria diz: “Levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram” (Jo 20.13). Mas os anjos, que então estavam presentes, curam a ignorância delas, pois disseram: “Por que vocês estão procurando entre os mortos aquele que vive?” (Lc 24.5). Ele não só ressuscitou, mas também tinha consigo os mortos quando ressuscitou (Mt 27.52). Mas ela não sabia, e na pessoa dela o Cântico dos Cânticos disse aos anjos: “Vocês viram o amado da minha alma? Mal os deixei (isto é, os dois anjos), encontrei o amado da minha alma. Agarrei-me a ele e não o deixei ir embora” (Ct 3.3-4).

13. Pois, depois da visão dos anjos, Jesus veio como seu próprio arauto; e o Evangelho diz: “E eis que Jesus veio ao encontro delas e disse: Salve! E elas, aproximando-se, abraçaram os pés dele” (Mt 28.9). Elas se agarraram a ele, para que se cumprisse: “Vou agarrar-me a ele e não o deixarei ir embora”. Embora a mulher fosse fraca no corpo, o seu espírito era varonil. “As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo” (Ct 8.7): estava morto aquele a quem procuravam, mas a esperança da ressurreição não se apagou. E o anjo lhes diz de novo: “Vocês, não tenham medo!” (Mt 28.5)31. Não digo aos soldados “não tenham medo”, mas a vocês; quanto a eles, que tenham medo, para que, ensinados pela experiência, deem testemunho e digam: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus” (Mt 27.54); mas vocês não devem ter medo, porque “o perfeito amor lança fora o medo” (1Jo 4.18). “Vão e digam aos seus discípulos que ele ressuscitou” (Mt 28.7), e o resto. E elas partem com alegria, mas cheias de medo; também isso está escrito? Sim, o segundo salmo, que relata a paixão de Cristo, diz: “Sirvam o Senhor com temor e alegrem-se nele com tremor” (Sl 2.11): alegrem-se, por causa do Senhor ressuscitado; mas com tremor, por causa do terremoto e do anjo que apareceu como relâmpago.

14. Embora, portanto, os principais sacerdotes e os fariseus, por meio de Pilatos, tivessem selado o túmulo, as mulheres viram aquele que tinha ressuscitado. E Isaías, conhecendo a fraqueza dos principais sacerdotes e a força da fé das mulheres, diz: “Mulheres, que vêm de ver, venham aqui; porque o povo não tem entendimento” (Is 27.11)32: os principais sacerdotes carecem de entendimento, ao passo que as mulheres são testemunhas oculares. E, quando os soldados foram à cidade ter com eles e lhes contaram tudo o que tinha acontecido, eles lhes disseram: “Digam isto: Os discípulos dele vieram de noite, enquanto estávamos dormindo, e roubaram o corpo” (Mt 28.13). Bem predisse, portanto, Isaías também isto, como na pessoa deles: “Mas falem-nos e contem-nos outro engano” (Is 30.10). Aquele que ressuscitou está de pé, e eles, com um presente em dinheiro, persuadem os soldados; mas não persuadem os reis do nosso tempo. Os soldados, então, entregaram a verdade por prata; mas os reis de hoje, na sua piedade, construíram esta santa igreja da Ressurreição de Deus, nosso Salvador, revestida de prata e lavrada com ouro, na qual estamos reunidos33; e a embelezaram com tesouros de prata, de ouro e de pedras preciosas. “E, se isto chegar ao conhecimento do governador”, dizem eles, “nós o persuadiremos” (Mt 28.14). Sim, ainda que vocês persuadam os soldados, não persuadirão o mundo; pois por que, assim como os guardas de Pedro foram condenados quando ele escapou da prisão, não foram condenados também os que guardavam Jesus Cristo? Sobre aqueles, Herodes pronunciou a sentença, porque nada sabiam e não tinham o que dizer em sua defesa; ao passo que estes, que tinham visto a verdade e a esconderam por dinheiro, foram protegidos pelos principais sacerdotes. Contudo, embora poucos dos judeus tenham sido persuadidos naquele tempo, o mundo se tornou obediente. Os que esconderam a verdade foram eles mesmos escondidos; mas os que a receberam foram manifestados pelo poder do Salvador, que não só ressuscitou dos mortos, mas também ressuscitou consigo os mortos. E na pessoa destes o profeta Oseias diz claramente: “Depois de dois dias, nos dará vida; ao terceiro dia, nos ressuscitará, e viveremos diante dele” (Os 6.2).

15. Mas, já que os judeus desobedientes não se deixam persuadir pelas divinas Escrituras, mas, esquecendo tudo o que está escrito, contestam a ressurreição de Jesus, seria bom responder-lhes assim: Com que fundamento, enquanto vocês dizem que Eliseu e Elias ressuscitaram mortos, contestam a ressurreição do nosso Salvador? Será porque agora não temos testemunhas vivas daquela geração para o que dizemos? Pois bem, apresentem vocês também testemunhas da história daquele tempo. Mas aquilo está escrito; também isto está escrito. Por que, então, vocês recebem um e rejeitam o outro? Foram hebreus os que escreveram aquela história; também os apóstolos eram todos hebreus. Por que, então, vocês não creem nos judeus34? Mateus, que escreveu o Evangelho, escreveu-o na língua hebraica35; e Paulo, o pregador, era hebreu de hebreus; e os doze apóstolos eram todos de raça hebreia; depois, quinze bispos de Jerusalém foram constituídos em sucessão dentre os hebreus36. Qual é, então, a razão de vocês admitirem os seus próprios relatos e rejeitarem os nossos, embora também estes tenham sido escritos por hebreus, dentre vocês mesmos?

16. Mas é impossível, dirá alguém, que os mortos ressuscitem; e, no entanto, Eliseu ressuscitou mortos duas vezes: quando estava vivo, e também depois de morto. Cremos, então, que, quando Eliseu estava morto, um morto lançado sobre ele, ao tocá-lo, se levantou, e Cristo não ressuscitou? Mas, naquele caso, o morto que tocou Eliseu se levantou, e aquele que o ressuscitou continuou morto; neste caso, porém, tanto o próprio Morto de quem falamos se levantou, como muitos mortos foram ressuscitados sem sequer o terem tocado. Pois “muitos corpos de santos já falecidos ressuscitaram; e, saindo dos túmulos depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa” (evidentemente esta cidade, em que agora estamos37) “e apareceram a muitos” (Mt 27.52-53). Eliseu, então, ressuscitou um morto, mas não conquistou o mundo; Elias ressuscitou um morto, mas os demônios não são expulsos em nome de Elias. Não estamos falando mal dos profetas, mas celebrando com mais grandeza o Mestre deles; pois não exaltamos as nossas maravilhas depreciando as deles, porque as deles também são nossas; mas, pelo que aconteceu entre eles, ganhamos crédito para as nossas.

17. Mas eles dizem ainda: “Um cadáver recém-falecido foi ressuscitado por quem estava vivo; mas mostrem-nos que alguém morto há três dias possa ressuscitar, e que um homem seja sepultado e ressuscite depois de três dias.” Se buscamos o testemunho das Escrituras como prova desses fatos, o próprio Senhor Jesus Cristo o fornece nos Evangelhos, dizendo: “Porque assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará três dias e três noites no coração da terra” (Mt 12.40). E, quando examinamos a história de Jonas, grande é a força38 da semelhança. Jesus foi enviado para pregar o arrependimento; Jonas também foi enviado; mas, enquanto um fugiu, sem saber o que haveria de acontecer, o outro veio de boa vontade, para dar o arrependimento para a salvação. Jonas dormia no navio e roncava em meio ao mar tempestuoso; enquanto Jesus também dormia, o mar, segundo a providência de Deus39, começou a se agitar, para mostrar em seguida o poder daquele que dormia. A um disseram: “Por que você está roncando? Levante-se, invoque o seu Deus, para que Deus nos salve” (Jn 1.6); mas, no outro caso, dizem ao Mestre: “Senhor, salve-nos” (Mt 8.25). Lá disseram: “Invoque o seu Deus”; aqui dizem: “Salva tu”. Mas um diz: “Peguem-me e me lancem no mar; então o mar ficará calmo para vocês” (Jn 1.12); o outro, ele mesmo, “repreendeu os ventos e o mar; e tudo ficou bem calmo” (Mt 8.26). Um foi lançado no ventre de uma baleia; mas o outro desceu, por sua própria vontade, até lá onde está a baleia invisível da morte. E desceu por sua própria vontade, para que a morte vomitasse os que ela havia devorado, conforme está escrito: “Eu os remirei do poder da sepultura e os resgatarei da mão da morte” (Os 13.14).

18. Neste ponto do nosso discurso, consideremos o que é mais difícil: um homem, depois de sepultado, ressuscitar da terra, ou um homem no ventre de uma baleia, tendo entrado no grande calor de um ser vivo, escapar da corrupção. Pois que homem não sabe que o calor do ventre é tão grande que até os ossos engolidos se desfazem? Como, então, Jonas, que esteve três dias e três noites no ventre da baleia, escapou da corrupção? E, sendo a natureza de todos os homens tal que não podemos viver sem respirar o ar, como fazemos, como ele viveu três dias sem um sopro deste ar? Mas os judeus respondem e dizem: O poder de Deus desceu com Jonas quando ele era sacudido no inferno. Então o Senhor concede vida ao seu próprio servo, enviando com ele o seu poder, e não pode concedê-la também a si mesmo? Se aquilo é crível, isto também é crível; se isto é incrível, aquilo também é incrível. Para mim, ambos são igualmente dignos de crédito. Creio que Jonas foi preservado, pois “para Deus tudo é possível” (Mt 19.26); creio que também Cristo ressuscitou dentre os mortos, pois tenho muitos testemunhos disso, tanto das divinas Escrituras como do poder que ainda hoje opera40, daquele que ressuscitou: ele desceu sozinho ao inferno, mas de lá subiu com grande companhia; pois desceu à morte, “e muitos corpos de santos que dormiam ressuscitaram” (Mt 27.52) por meio dele.

19. A morte ficou consternada ao ver um novo visitante descer ao Hades sem estar preso pelas correntes daquele lugar. Por que, ó porteiros do Hades, vocês ficaram apavorados ao vê-lo? Que medo insólito se apoderou de vocês? A morte fugiu, e a sua fuga denunciou a sua covardia. Os santos profetas correram para ele, e Moisés, o legislador, e Abraão, Isaque e Jacó; também Davi, Samuel, Isaías e João Batista, que deu testemunho quando perguntou: “Você é aquele que estava para vir ou devemos esperar outro?” (Mt 11.3). Todos os justos que a morte havia tragado foram resgatados; pois convinha que o Rei que eles tinham anunciado se tornasse o redentor dos seus nobres arautos. Então cada um dos justos disse: “Ó morte, onde está a sua vitória? Ó sepultura, onde está o seu aguilhão?” (1Co 15.55)41. Pois o Vencedor nos resgatou.

20. Deste nosso Salvador o profeta Jonas foi figura, quando orou do ventre da baleia e disse: “Na minha angústia clamei”, e assim por diante; “do ventre do inferno” (Jn 2.2); e, no entanto, estava na baleia; mas, embora na baleia, diz que está no Hades, pois era figura de Cristo, que havia de descer ao Hades. E, poucas palavras depois, falando na pessoa de Cristo, profetiza com toda a clareza: “A minha cabeça desceu às fendas dos montes” (Jn 2.6)42; e, no entanto, ele estava no ventre da baleia. Que montes, então, o cercam? Eu sei, diz ele, que sou figura daquele que há de ser posto no sepulcro cavado na rocha. E, embora estivesse no mar, Jonas diz: “Desci até a terra” (Jn 2.6), porque era figura de Cristo, que desceu ao coração da terra. E, prevendo os atos dos judeus, que persuadiram os soldados a mentir e lhes disseram: “Digam que o roubaram” (Mt 28.13), ele diz: “Por darem atenção a vaidades mentirosas, abandonaram a sua própria misericórdia” (Jn 2.8). Pois aquele que teve misericórdia deles veio, foi crucificado e ressuscitou, dando o seu precioso sangue tanto pelos judeus como pelos gentios; e, ainda assim, eles dizem: “Digam que o roubaram”, dando atenção a “vaidades mentirosas”43. Mas, a respeito da sua ressurreição, Isaías também diz: “Aquele que fez subir da terra o grande Pastor das ovelhas” (Is 63.11)44; acrescentou a palavra grande para que não se pensasse que ele estava no mesmo nível dos pastores que o precederam.

21. Já que temos, então, as profecias, permaneça conosco a fé. Caiam os que caem pela incredulidade, já que assim querem; mas você firmou o pé na rocha da fé na ressurreição. Que nenhum herege jamais o convença a falar mal da ressurreição. Pois até hoje os maniqueus dizem que a ressurreição do Salvador foi em aparência, como a de um fantasma, e não real, sem dar atenção a Paulo, que diz: “o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi”; e ainda: “pela ressurreição de Jesus Cristo, nosso Senhor, dentre os mortos” (Rm 1.3-4)45. E outra vez ele mira neles e fala assim: “Não pergunte em seu coração: Quem subirá ao céu? ou: Quem descerá ao abismo?, isto é, para levantar Cristo dentre os mortos” (Rm 10.6-7); e, do mesmo modo, adverte como escreveu em outro lugar: “Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos” (2Tm 2.8); e ainda: “E, se Cristo não ressuscitou, é vã a nossa pregação, e é vã também a fé que vocês têm. Além disso, somos tidos por falsas testemunhas de Deus, porque testemunhamos a respeito de Deus que ele ressuscitou a Cristo, ao qual ele não ressuscitou” (1Co 15.14-15). Mas, no que segue, ele diz: “Mas, de fato, Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias dos que dormem” (1Co 15.20); e: “Apareceu a Cefas e, depois, aos doze” (1Co 15.5) (se você não crê numa só testemunha, tem doze testemunhas); “depois, foi visto por mais de quinhentos irmãos de uma só vez” (1Co 15.6) (se não creem nos doze, que aceitem os quinhentos); “depois, foi visto por Tiago” (1Co 15.7)46, seu próprio irmão e primeiro bispo desta diocese. Visto, então, que tal bispo viu em primeira mão47 Cristo Jesus ressuscitado, não descreia dele você, que é seu discípulo. Mas você diz que Tiago, seu irmão, era testemunha parcial; “depois, ele foi visto também por mim” (1Co 15.8), Paulo, seu inimigo; e que testemunho se põe em dúvida quando é um inimigo que o proclama? “Eu, ‘que antes era perseguidor’ (1Tm 1.13), agora anuncio a boa-nova da ressurreição.”

22. Muitas são as testemunhas da ressurreição do Salvador: a noite e a luz da lua cheia (pois aquela noite era a décima sexta48); a rocha do sepulcro que o recebeu; também a pedra se levantará contra o rosto dos judeus, pois viu o Senhor; até a pedra que então foi removida49 dá ela mesma testemunho da ressurreição, jazendo ali até hoje. Anjos de Deus que estavam presentes testemunharam a ressurreição do Unigênito; e também Pedro e João, e Tomé, e todos os demais apóstolos; alguns deles correram ao sepulcro e viram os panos do sepultamento, nos quais antes ele estivera envolto, jazendo ali depois da ressurreição; e outros apalparam as suas mãos e os seus pés e viram as marcas dos cravos; e todos juntos desfrutaram daquele sopro do Salvador e foram considerados dignos de perdoar pecados no poder do Espírito Santo. Também as mulheres foram testemunhas, as que se agarraram aos seus pés e viram o grande terremoto e o resplendor do anjo que estava ali; também os lençóis de linho que o envolviam e que ele deixou ao ressuscitar; os soldados e o dinheiro que lhes foi dado; o próprio lugar, que ainda se pode ver; e esta casa da santa Igreja, que, pelo amor afetuoso a Cristo do imperador Constantino, de bendita memória, foi construída e adornada como você vê.

23. Testemunha da ressurreição de Jesus é também Tabita, que em nome dele foi ressuscitada dentre os mortos (At 9.41); pois como havemos de descrer que Cristo ressuscitou, quando até o seu nome ressuscitou mortos? O mar também dá testemunho da ressurreição de Jesus, como você já ouviu50. Testemunham também a pesca de peixes, e o braseiro que ali havia, e o peixe posto sobre ele. Pedro também dá testemunho, ele que antes o negara três vezes e que depois três vezes o confessou, e recebeu ordem de apascentar as suas ovelhas espirituais51. Até hoje está de pé o monte das Oliveiras, que aos olhos dos fiéis quase mostra ainda aquele que subiu numa nuvem, e a porta celeste da sua ascensão. Pois do céu ele desceu a Belém, mas ao céu subiu do monte das Oliveiras52; no primeiro lugar começou os seus combates entre os homens, no segundo foi coroado depois deles. Você tem, portanto, muitas testemunhas: tem este mesmo lugar da ressurreição; tem também o lugar da ascensão, para o oriente; tem também como testemunhas os anjos que ali deram testemunho, e a nuvem em que ele subiu, e os discípulos que desceram daquele lugar.

24. A sequência do ensino da fé me levaria a falar também da ascensão; mas a graça de Deus dispôs53 que você ouvisse sobre ela com toda a amplitude, tanto quanto a nossa fraqueza permitiu, ontem, no dia do Senhor; pois, pela providência da graça divina, a sequência das leituras54 na igreja incluiu o relato da subida do nosso Salvador aos céus55; e o que então se disse foi dito principalmente por causa de todos, e para a assembleia reunida dos fiéis, mas especialmente por sua causa56. Mas a questão é: você prestou atenção ao que foi dito? Pois você sabe que as palavras que vêm a seguir no Credo lhe ensinam a crer naquele “que ressuscitou ao terceiro dia, e subiu ao céu, e sentou-se à direita do Pai”. Suponho, pois, que você certamente se lembra da exposição; mas agora vou, de passagem, recordar-lhe de novo o que então foi dito. Lembre-se do que está claramente escrito nos Salmos: “Deus subiu em meio a aclamações” (Sl 47.5); lembre-se de que os poderes divinos também diziam uns aos outros: “Levantem as suas portas, ó príncipes” (Sl 24.7)57, e o resto; lembre-se também do salmo que diz: “Subiu às alturas, levou cativo o cativeiro” (Sl 68.18)58; lembre-se do profeta que disse: “Aquele que edifica a sua ascensão até o céu” (Am 9.6)59; e de todos os demais pormenores mencionados ontem por causa da contradição dos judeus.

25. Pois, quando falarem contra a ascensão do Salvador como coisa impossível, lembre-se do relato do transporte de Habacuque: pois, se Habacuque foi transportado por um anjo, levado pelos cabelos da cabeça (Bel e o Dragão 33; cf. Ez 8.3), muito mais o Senhor dos profetas e dos anjos podia, pelo seu próprio poder, subir aos céus numa nuvem a partir do monte das Oliveiras. Maravilhas como esta você pode trazer à memória, mas reserve a primazia para o Senhor, o realizador de maravilhas; pois os outros foram carregados para o alto, mas ele carrega todas as coisas. Lembre-se de que Enoque foi trasladado (Hb 11.5), mas Jesus subiu; lembre-se do que foi dito ontem a respeito de Elias: que Elias foi levado num carro de fogo (2Rs 2.11), mas que “os carros” de Cristo “são multiplicados dez mil vezes, milhares e milhares” (Sl 68.17)60; e que Elias foi levado ao oriente do Jordão, mas que Cristo subiu ao oriente do ribeiro Cedrom; e que Elias foi “como que ao céu”61, mas Jesus, ao céu; e que Elias disse que uma porção dobrada no Espírito Santo seria dada ao seu santo discípulo, mas que Cristo concedeu aos seus próprios discípulos tão grande gozo da graça do Espírito Santo que não só a tinham em si mesmos, mas também, pela imposição das suas mãos, comunicavam a participação nela aos que criam.

26. E, quando você tiver assim lutado contra os judeus, quando os tiver vencido com exemplos paralelos, passe então adiante à primazia da glória do Salvador: a saber, que aqueles eram servos, mas ele é o Filho de Deus. E assim você se lembrará da sua primazia pelo pensamento de que um servo de Cristo foi arrebatado ao terceiro céu. Pois, se Elias chegou até o primeiro céu, mas Paulo até o terceiro, este, portanto, obteve uma dignidade mais honrosa. Não se envergonhe dos seus apóstolos; eles não são inferiores a Moisés, nem ficam atrás dos profetas; mas são nobres entre os nobres, e ainda mais nobres. Pois Elias, na verdade, foi levado ao céu; mas Pedro tem as chaves do Reino dos Céus, tendo recebido estas palavras: “O que você desligar na terra terá sido desligado nos céus” (Mt 16.19). Elias foi levado somente ao céu; mas Paulo, tanto ao céu como ao paraíso (2Co 12.2, 4) (pois convinha que os discípulos de Jesus recebessem uma graça mais abundante), e “ouviu palavras indizíveis, que homem nenhum tem permissão para repetir”. Mas Paulo desceu novamente do alto, não porque fosse indigno de permanecer no terceiro céu, mas para que, depois de desfrutar de coisas acima do alcance humano, e de descer com honra, e de pregar a Cristo, e de morrer por causa dele, recebesse também a coroa do martírio. Mas deixo de lado as outras partes deste argumento, das quais falei ontem na assembleia do dia do Senhor; pois, para ouvintes entendidos, uma simples lembrança basta para a instrução.

27. Mas lembre-se também do que muitas vezes eu disse62 a respeito de o Filho estar sentado à direita do Pai, por causa da frase seguinte do Credo, que diz: “e subiu ao céu, e sentou-se à direita do Pai”. Não investiguemos com curiosidade o que propriamente se entende por trono, pois é incompreensível; mas também não toleremos os que dizem falsamente que foi depois da sua cruz, ressurreição e ascensão ao céu que o Filho começou a sentar-se à direita do Pai. Pois o Filho não obteve o seu trono por promoção63; mas, durante todo o seu ser (e o seu ser vem de uma geração eterna64), ele também está sentado junto com o Pai. E este trono, o profeta Isaías, tendo-o contemplado antes da vinda do Salvador na carne, diz: “Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono” (Is 6.1), e o resto. Pois ao Pai “ninguém jamais viu” (Jo 1.18), e aquele que então apareceu ao profeta era o Filho. O salmista também diz: “O teu trono está firme desde a antiguidade; tu és desde a eternidade” (Sl 93.2). Embora, então, os testemunhos sobre este ponto sejam muitos, por causa do adiantado da hora nos contentaremos com estes.

28. Mas agora devo lembrar a vocês algumas poucas coisas, entre muitas, que se dizem a respeito de o Filho estar sentado à direita do Pai. Pois o Salmo 109 diz claramente: “Disse o Senhor ao meu Senhor: Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés” (Sl 110.1). E o Salvador, confirmando esta palavra nos Evangelhos, diz que Davi não falou estas coisas por si mesmo, mas por inspiração do Espírito Santo, dizendo: “Então, como é que Davi, pelo Espírito, o chama de Senhor, dizendo: ‘Disse o Senhor ao meu Senhor: Sente-se à minha direita’?” (Mt 22.43-44), e o resto. E, nos Atos dos Apóstolos, Pedro, no dia de Pentecostes, de pé com os onze e discursando aos israelitas, citou textualmente este testemunho do Salmo 109 (At 2.34).

29. Mas devo lembrar a vocês, do mesmo modo, também alguns outros testemunhos a respeito de o Filho estar sentado à direita do Pai. Pois no Evangelho segundo Mateus está escrito: “Mas eu lhes digo que, desde agora, vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Todo-Poderoso” (Mt 26.64), e o resto; de acordo com isso, também o apóstolo Pedro escreve: “Por meio da ressurreição de Jesus Cristo, que, depois de ir para o céu, está à direita de Deus” (1Pe 3.21-22). E o apóstolo Paulo, escrevendo aos romanos, diz: “É Cristo quem morreu, ou melhor, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus” (Rm 8.34). E, exortando os efésios, fala assim: “segundo a eficácia da força do seu poder, que ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita” (Ef 1.19-20), e o resto. E aos colossenses ensinou assim: “Portanto, se vocês foram ressuscitados juntamente com Cristo, busquem as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus” (Cl 3.1). E na Epístola aos Hebreus diz: “Depois de ter feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas” (Hb 1.3). E ainda: “Ora, a qual dos anjos Deus em algum momento disse: Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos por estrado dos seus pés?” (Hb 1.13). E ainda: “Ele, porém, tendo oferecido um único sacrifício por todos os homens, assentou-se para sempre à direita de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés” (Hb 10.12-13). E ainda: “Olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, sem se importar com a vergonha, e está sentado à direita do trono de Deus” (Hb 12.2)65.

30. E, embora haja muitos outros textos sobre o assentar-se do Unigênito à direita de Deus, estes nos bastam por ora, repetindo a minha observação de que não foi depois da sua vinda na carne66 que ele obteve a dignidade deste assento; não, pois mesmo antes de todos os séculos o Filho unigênito de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, possui sempre o trono à direita do Pai. Agora, que ele mesmo, o Deus de todos, que é Pai do Cristo, e nosso Senhor Jesus Cristo, que desceu, e subiu, e está sentado junto com o Pai, vele pelas almas de vocês; guarde inabalável e imutável a esperança de vocês naquele que ressuscitou; os ressuscite juntamente com ele dos pecados mortos de vocês para o seu dom celeste; os torne dignos de ser “arrebatados nas nuvens, para o encontro com o Senhor nos ares” (1Ts 4.17), no tempo que ele achar oportuno; e, até que chegue aquele tempo da sua gloriosa segunda vinda, escreva todos os nomes de vocês no Livro dos vivos e, tendo-os escrito, nunca os apague (pois os nomes de muitos, que se desviam, são apagados); e conceda a todos vocês crer naquele que ressuscitou e esperar aquele que subiu e há de vir novamente (há de vir, mas não da terra; pois fique de sobreaviso, ó homem, por causa dos enganadores que hão de vir); aquele que está sentado no alto e está aqui presente conosco, “observando a boa ordem de cada um e a firmeza da sua fé” (Cl 2.5). Pois não pense que, por estar agora ausente na carne, ele está por isso ausente também no Espírito. Ele está aqui presente no meio de nós, ouvindo o que se diz dele, contemplando os seus pensamentos íntimos e “sondando os rins e os corações” (Sl 7.9); ele que também está agora pronto para apresentar ao Pai, no Espírito Santo, os que vêm para o batismo e todos vocês, e para dizer: “Eis aqui estou eu e os filhos que Deus me deu” (Is 8.18; Hb 2.13). A ele seja a glória para sempre. Amém.

Notas

1. “Salve!” A saudação usual, chairete, quer dizer “alegrem-se”.

2. Versão Revisada: “abandonado entre os mortos”; à margem: “lançado fora”.

3. ho paron, isto é, no texto lido.

4. Versão Revisada: “ele entra na paz”.

5. Versão Revisada: “o justo é levado antes que venha o mal”.

6. Versão Revisada: “designaram-lhe a sepultura com os ímpios”.

7. epesemeiosametha, “assinalamos para nós mesmos”; voz média. A passagem foi citada na Catequese XIII, 35.

8. Sl 7.6: “Levanta-te, Senhor, na tua indignação”.

9. “Não oferecerei as suas libações de sangue.” O salmista abomina os ritos sangrentos e até os nomes dos falsos deuses.

10. Cirilo aplica aos judeus o que o salmista diz a respeito dos que se apressam atrás de outro deus.

11. Citando de memória, Cirilo inverte a ordem dessas frases.

12. Versão Revisada: “no Sheol”; Septuaginta: “no Hades”.

13. Versão Revisada: “do Sheol”; Septuaginta: “do Hades”.

14. “…e que a cada momento o ponhas à prova.” No hebraico, “um piscar de olhos”, como em Jó 21.13; nas duas passagens a Septuaginta o interpretou erroneamente como “descanso”.

15. “Eles se levantaram de madrugada e corromperam todos os seus atos.” A passagem foi inteiramente mal entendida pelos Setenta, a quem são Cirilo segue.

16. “Até o dia em que eu me levantar para a presa.” Em lugar de “para a presa”, a Septuaginta parece ter lido “para o testemunho”. Cerca de dez anos antes de serem pronunciadas estas catequeses, Eusébio (Vida de Constantino, III, cap. xxviii), falando da descoberta do Santo Sepulcro, em 326 d.C., chama-o “um testemunho da ressurreição do Salvador mais claro do que qualquer voz poderia dar”.

17. “Uma linguagem pura.”

18. “Para o servirem de comum acordo” (à margem: “ombro”).

19. “Levante-se, meu amor, minha formosa, e venha embora.”

20. “Nas fendas da rocha.”

21. “Nas fendas da rocha, nos lugares secretos das escadas.” A Versão Revisada traz: “no esconderijo do lugar escarpado”.

22. Em parelthen, eporeuthe heauto, a Septuaginta imitou o uso pleonástico do hebraico depois de verbos de movimento, que corresponde à expressão inglesa “Go away with you” e ao dativo ético do grego e do latim. Veja o Léxico de Gesenius sobre esse uso, e Ewald, Introductory Grammar, § 217, l. 2.

23. “O canto das aves.” A palavra hebraica significa ou “corte”, como no tomes da Septuaginta, no kladeuseos de Símaco e na margem da Versão Revisada, “poda”, ou, como na Versão Autorizada, “canto”.

24. Xântico é o nome do sexto mês no calendário macedônico, que corresponde aproximadamente ao nisã judaico (Josefo, Antiguidades, II, xiv, 6) e à última parte da Quaresma e à Páscoa. Sobre a tradição de que a criação aconteceu nesta estação, veja santo Ambrósio, Hexaemeron, I, cap. 4, § 13.

25. “Relva, ervas que deem semente.” A Septuaginta traz uma construção irregular, botanen chortou speiron sperma.

26. “A Igreja antiga distinguia com muita exatidão entre eikon (imagem) e homoiosis (semelhança), e a Igreja grega faz o mesmo na sua Confissão. Esta última expressão indica o destino do homem, que não deve ser considerado realizado no momento da criação” (Dorner, System of Christian Doctrine, trad. inglesa, II, p. 78). A imagem está nas capacidades permanentes da natureza humana (Gn 9.6; 1Co 11.7; Tg 3.9); a semelhança, na realização delas em conformidade moral com Deus (homoetheian Theou, Inácio, Aos Magnésios, vi). “A imagem de Deus é algo abrangente… A ela pertencem a capacidade intelectual do homem, a sua liberdade de vontade e o seu domínio sobre as outras criaturas, que decorre das duas primeiras. Estas constituem o to ousiodes, aquela parte da imagem divina que é natural e essencial ao homem e que, por conseguinte, nunca pode ser inteiramente apagada, desfigurada ou extinta, mas permanece até no homem caído. Mas, além destas, a Igreja de Deus sempre reconheceu, no primeiro homem, certos ornamentos adicionais e, por assim dizer, complementos da imagem divina, como a imortalidade, a graça, a santidade, a justiça, pelos quais o homem se aproximava mais da semelhança e da parecença com Deus. Estas eram (se assim posso dizer) as cores vivas em que consistiam principalmente a graça, a beleza e o brilho da imagem divina; essas cores desbotaram, sim, foram desfiguradas e apagadas pela transgressão do homem” (Bull, The State of Man before the Fall, vol. ii, p. 114, Oxford). Compare Ireneu (V, vi, § 1; xvi, § 2); Tertuliano (Sobre o batismo, cap. 5); Clemente de Alexandria (Exortação, cap. 12); Orígenes (Contra Celso, IV, 30).

27. O editor beneditino adota outra pontuação: “e a videira que ali foi plantada disse: E eu sou a videira”.

28. Compare Catequese XIII, 32.

29. “O meu favo com o meu mel.”

30. ho therapeutes. Junto com “Noivo” e “aquele a quem a minha alma ama”, o sentido de “Pretendente” é mais apropriado do que o de “Médico”.

31. O enfático humeis é corretamente interpretado por Cirilo como distinção entre as mulheres e as sentinelas assustadas.

32. “As mulheres virão e lhes porão fogo.”

33. Compare Eusébio (Vida de Constantino, III, 36).

34. Em lugar de tois Ioudaiois, o editor de Jerusalém adota, do Cod. A, tois idiois, “os seus próprios compatriotas”, leitura melhor neste lugar, se tivesse mais apoio dos manuscritos. O latim de Milles traz apenas “Cur igitur non creditis?” (Por que, então, não creem?).

35. As afirmações de Papias, Ireneu, Orígenes, Eusébio, Epifânio e Jerônimo a respeito de um Evangelho hebraico de são Mateus são discutidas com competência pelo Dr. Salmon (Introduction to the N.T., Lect. X), que chega à conclusão de que o Evangelho canônico não foi traduzido do hebraico (aramaico), mas escrito originalmente em grego.

36. Esta afirmação pode ter sido tirada de Eusébio (Hist. Ecl. IV, cap. 5) ou dos “registros escritos” (engraphon), pelos quais ele soube que, “até o cerco dos judeus que aconteceu sob Adriano (135 d.C.), houve ali quinze bispos em sucessão, todos os quais, segundo se diz, eram de origem hebreia”.

37. O arquidiácono de Jerusalém, Fócio Alexandrides, observa que, “com esta explicação entre parênteses, Cirilo talvez quisesse refutar a opinião, favorecida por alguns, de que esses santos que dormiam e foram ressuscitados entraram na Jerusalém celestial”. Veja Eusébio, Demonstração Evangélica, IV, 12.

38. energeia [Forte enargeia, Edit.]. Esta conjectura do editor beneditino é recomendada pelo sentido muito apropriado de “nitidez da semelhança”, mas parece não ter apoio em nenhum manuscrito.

39. kat’ oikonomian.

40. Compare Catequese IV, 13; XIII, 3.

41. Sobre a opinião de que os patriarcas, os profetas e os justos foram resgatados por Cristo no Hades, compare Irineu (Haer. I, xxvii, § 3; IV, xxvii, § 2), Clemente de Alexandria (Stromata, VI, cap. 6), Orígenes (In Genesim Hom. XV, § 5).

42. A R.V. traz: “Desci até os fundamentos dos montes; a terra, com os seus ferrolhos, se fechou sobre mim para sempre”.

43. Por vaidades mentirosas entendem-se, no original, “ídolos vãos”.

44. A R.V. traz: “Onde está aquele que os fez subir do mar com os pastores (à margem: o pastor) do seu rebanho?” A leitura de Cirilo, ek tes ges em vez de ek tes thalasses, encontra-se no manuscrito alexandrino da Septuaginta. Atanásio (Ad Serapionem, Ep. I, 12) tem a mesma leitura e interpretação que Cirilo. Por “os pastores” entendem-se provavelmente Moisés e Arão; compare Sl 77.20: “Guiaste o teu povo como ovelhas, pela mão de Moisés e de Arão”. Hb 13.20: “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos o nosso Senhor Jesus, aquele grande Pastor das ovelhas” etc. A palavra “grande” é acrescentada pelo autor da Epístola aos Hebreus, não por Isaías.

45. Cirilo, na sua citação incompleta do v. 4, faz Iesou Christou tou K. hem. depender de anastaseos. A ordem e a construção corretas são dadas na R.V.: “o qual foi declarado Filho de Deus… pela ressurreição dos mortos, a saber, Jesus Cristo, nosso Senhor”.

46. Esta aparição de Cristo a Tiago não é mencionada nos Evangelhos. Jerônimo (Catalogus scriptorum ecclesiasticorum, p. 170 D) menciona uma tradição segundo a qual Tiago havia jurado que não comeria pão desde a hora em que bebera o cálice do Senhor até que o visse ressuscitado dentre os mortos. Por isso o Salvador, logo depois de ressuscitar, apareceu a Tiago e lhe ordenou que comesse.

47. Em lugar de toioutou toinun episkopou prototupos idontos, os Codd. Roe e Casaub. têm tou toinun prototupou episkopou idontos, o que dá melhor sentido: “visto, então, que o bispo primeiro viu etc.” Sobre o significado de paroikia e a extensão de uma diocese primitiva, veja Bingham, IX, cap. 2.

48. Se a crucificação ocorreu no dia 14 de nisã, a noite seguinte daria início ao dia 15, e a noite depois dela ao dia 16.

49. Compare Catequese XIII, 39.

50. Veja § 17, acima.

51. noeta.

52. São Lucas (Lc 24.50) descreve a ascensão como ocorrida em Betânia, mas a tradição que Cirilo segue havia muito fixara o local no cume do monte das Oliveiras, uma milha mais perto de Jerusalém; e ali a imperatriz Helena construíra a Igreja da Ascensão (Eusébio, Vida de Constantino, III, 43; Demonstratio evangelica, VI, xviii, 26). Não há nada na linguagem de Cirilo que justifique a sugestão do editor beneditino de que ele alude à lenda segundo a qual as marcas dos pés de Cristo ficaram impressas de modo indelével no lugar de onde ele subiu. Na geração seguinte, Santo Agostinho parece dar apoio à história milagrosa (In Iohannis Evangelium Tractatus XLVII): “Ali estão as suas pegadas, agora adoradas, onde ele esteve por último e de onde subiu ao céu.” O suposto vestígio de um dos pés ainda é mostrado no monte das Oliveiras; “o outro, tendo sido removido pelos turcos, encontra-se agora na capela de Santa Tecla, que fica no palácio do patriarca” (edição de Jerusalém). Compare Stanley, Sinai and Palestine, cap. XIV; Dictionary of the Bible, verbete Olives, Mount of.

53. oikonomese. Nesta palavra, como também na expressão abaixo, kat’ oikonomian tes Theias charitos, Cirilo se refere à ordem de leitura das Escrituras como parte de uma disposição estabelecida pela graça divina.

54. anagnosmaton, termo que inclui as porções da Escritura (perikopai) designadas para a Epístola e o Evangelho, bem como as leituras diárias do Antigo e do Novo Testamento.

55. A seção Lc 24.36-53, que na Igreja oriental é o Evangelho do dia da Ascensão, é também um dos “onze Evangelhos matinais da ressurreição (euangelia anastasima heothina), que eram lidos por turno, um a cada domingo nas matinas”. Dictionary of Christian Antiquities, “Lectionary”. Como esta catequese foi pronunciada numa segunda-feira, a seção em questão fora lida no dia anterior.

56. malista men… exairetos de.

57. O texto diz: “Levantem, ó portas, as suas cabeças”. A ordem das palavras hebraicas induziu ao erro os tradutores gregos.

58. Sobre a leitura anebe, encontrada em alguns poucos manuscritos da Septuaginta, veja a nota de Tischendorf a Ef 4.8.

59. A R.V. traz: “É ele quem edifica as suas câmaras no céu”. A A.V.: “os seus andares”; à margem: “ascensões”, ou “esferas”. A Septuaginta: ten anabasin autou.

60. chiliades euthenounton. O hebraico significa literalmente “milhares de repetição”, isto é, muitos milhares: euthenein, “abundar”.

61. Septuaginta: hos eis ton ouranon. Em 1Mc 2.58 os manuscritos variam entre heos e hos, mas este último (diz Fritzsche) “é uma alteração feita para concordar com 2Rs 2.11. Mas ali a referência é à elevação intencionada de Elias ao céu, e por isso hos é corretamente usado (Kühner, Gramm., § 604, nota; Jelf, § 626, obs. 1), ao passo que aqui o fato é referido como um fato histórico consumado”. A distinção aqui feita por Cirilo é, portanto, excessivamente sutil, como se vê abaixo, no § 26, onde ele escreve: Elias men gar anelephthe eis ouranon.

62. Veja Catequese IV, 7; XI, 17. A cláusula kai kathisanta ek dexion tou Patros não aparece na forma original do Credo de Niceia, mas encontra-se na confissão de fé contida nas Constituições apostólicas, cap. 41, nas quatro confissões eusebianas de Antioquia (341-342 d.C.) e no Macrostichos (344 d.C.). Uma cláusula equivalente encontra-se na breve confissão de Hipólito (c. 220 d.C.), Contra haeresim Noeti, cap. 1: “kai onta en dexia tou Patros“, e em Tertuliano, De virginibus velandis, cap. 1: “Regula quidem Fidei una omnino est, sola immobilis et irreformabilis,… sedentem nunc ad dextram Patris” (A regra de fé é absolutamente uma só, a única imutável e irreformável… que agora está sentado à direita do Pai); De praescriptione, cap. 13: “Regula est autem fidei… sedisse ad dexteram Patris” (A regra de fé, porém, é… que se sentou à direita do Pai); Adversus Praxean, cap. 2: “sedere ad dexteram Patris” (estar sentado à direita do Pai).

63. ek prokopes. Compare Catequese X, 5.

64. aph’ houper estin, (esti de aei gennetheis). Em ambas as orações, estin é enfático.

65. Sobre a omissão de Mc 16.19 por Cirilo, veja Westcott e Hort.

66. ten ensarkon parousian. Compare § 27.

Tradução para o português a partir da versão inglesa de Edwin Hamilton Gifford (Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 7, Nova York, 1894), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. As notas são do tradutor inglês. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Cirilo cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita de outro modo, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.