Os sistemas que contêm algo semelhante à esperança de uma ressurreição a tomaram emprestada deste Livro. [N. do T.: isto é, a Bíblia.] Mas os seus autores admitiram esse raio de luz nos seus sistemas como uma espécie de véu para cobrir a massa de putrefação, que de outro modo seria horrível demais, e para dar aos seus seguidores a ideia de que o seu sistema era sagrado e divino.
A justiça de Deus está tão envolvida na ressurreição dos mortos quanto o seu poder ou a sua misericórdia. Ser libertado dos estorvos terrenos, das paixões terrenas, das enfermidades do corpo, da doença e da morte; ser levado a um estado de existência consciente, com um corpo refinado e uma alma sublime, ambos imortais e ambos inefavelmente felizes: que privilégio glorioso!
O dia do juízo! Que palavra terrível é esta! Que tempo verdadeiramente aterrador! Quando os céus se enrolarão como um pergaminho (cf. Is 34.4), e os elementos se desfarão pelo fogo (cf. 2Pe 3.10); quando a terra e o que lhe pertence serão queimados, e a fúria dessa conflagração será tal que o mar já não existirá (cf. Ap 21.1)! Um tempo em que os mortos nobres e plebeus, os pequenos e os grandes, estarão em pé diante de Deus (cf. Ap 20.12), e todos serão julgados segundo o que tiverem feito por meio do corpo (cf. 2Co 5.10); sim, um tempo em que os pensamentos do coração e todas as coisas secretas serão trazidos à luz (cf. 1Co 4.5); em que os inumeráveis milhões de transgressões, e os pecados embrionários e abortados, serão expostos nos seus propósitos e intenções; um tempo em que a Justiça, a Justiça Eterna, se assentará sozinha no trono e pronunciará uma sentença tão imparcial quanto irrevogável, e tão terrível quanto eterna! Há um termo para a vida humana; e todo ser humano desliza rapidamente para ele tão depressa quanto as asas do tempo, no seu movimento para a frente, incompreensivelmente veloz, podem levá-lo! E os vivos não levarão isso a sério? Não devemos viver em vista de sermos julgados? E não devemos viver e morrer de modo a viver de novo por toda a eternidade, não com Satanás e os seus anjos, mas com Deus e os seus santos? Ó homem de Deus! Ó cristão! Ó espírito imortal! Pense nessas coisas!
Observem a ordem desse dia terrivelmente glorioso: 1. Jesus, em toda a dignidade e esplendor da sua eterna Majestade, descerá do céu para a região intermediária, que o apóstolo chama de “ares”, em algum lugar dentro da atmosfera da terra. 2. Então será dado o brado, ou a palavra de ordem, para que os mortos se levantem. 3. Em seguida, o arcanjo, como arauto de Cristo, repetirá a ordem: “Levantem-se, mortos, e venham para o juízo!”. 4. Quando todos os mortos em Cristo forem ressuscitados, então “a trombeta soará” (1Co 15.52), como sinal para que todos se reúnam junto ao trono de Cristo. Era pelo som da trombeta que se convocavam as assembleias solenes sob a lei, e parece haver aqui uma alusão a tais convocações. 5. Quando os mortos em Cristo forem ressuscitados, sendo o seu corpo de humilhação feito igual ao corpo da glória dele (cf. Fp 3.21), então, 6. os que estiverem vivos serão transformados e feitos imortais. 7. Estes serão “arrebatados juntamente com eles […] para o encontro com o Senhor nos ares” (1Ts 4.17). 8. Podemos supor que então o tribunal se instalará, os livros serão abertos e os mortos serão julgados pelo que estiver escrito nesses livros (cf. Ap 20.12). 9. Tendo sido assim determinado o estado eterno dos vivos e dos mortos, todos os que se acharem como os que “fizeram aliança com ele por meio de sacrifícios” (cf. Sl 50.5), e que “lavaram suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro” (Ap 7.14), serão levados para a sua glória eterna e “estarão para sempre com o Senhor” (cf. 1Ts 4.17). Que glória inexprimivelmente aterradora se manifestará então! Abstenho-me de trazer aqui as descrições que homens de inclinação poética fizeram dessa cena terrível, porque não posso confiar na sua exatidão; e é um assunto de que devemos falar e que devemos contemplar, tanto quanto possível, nas palavras das Escrituras.