Convenções: as instruções do original ao ministro (as rubricas) aparecem em itálico; o que o povo diz aparece em negrito ou marcado com Resp. Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).
Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo nem partes, de infinito poder, sabedoria e bondade, Criador e Preservador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E na unidade dessa Divindade há três pessoas, de uma só substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O Filho, que é o Verbo do Pai, verdadeiro e eterno Deus, de uma só substância com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem; de modo que duas naturezas inteiras e perfeitas, isto é, a Divindade e a humanidade, foram unidas numa só pessoa, para nunca serem separadas; da qual resulta um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que verdadeiramente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar o seu Pai conosco e ser sacrifício não só pela culpa original, mas também pelos pecados efetivos dos homens.
Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e retomou o seu corpo, com tudo o que pertence à perfeição da natureza humana, com o qual subiu ao céu, e ali está sentado até que volte para julgar todos os homens no último dia.
O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é de uma só substância, majestade e glória com o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.
A Sagrada Escritura contém tudo o que é necessário para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma para que seja crido como artigo de fé, nem considerado requisito ou necessário para a salvação. Pelo nome de Sagrada Escritura entendemos aqueles livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento de cuja autoridade nunca houve dúvida na Igreja.
Dos nomes dos livros canônicos:
Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, o Primeiro Livro de Samuel, o Segundo Livro de Samuel, o Primeiro Livro dos Reis, o Segundo Livro dos Reis, o Primeiro Livro das Crônicas, o Segundo Livro das Crônicas, o Livro de Esdras, o Livro de Neemias, o Livro de Ester, o Livro de Jó, os Salmos, os Provérbios, Eclesiastes ou o Pregador, Cantares ou Cânticos de Salomão, os quatro Profetas maiores, os doze Profetas menores.
Todos os livros do Novo Testamento, tal como são comumente recebidos, nós os recebemos e os consideramos canônicos.
O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; pois, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a vida eterna é oferecida à humanidade por Cristo, que é o único Mediador entre Deus e o homem, sendo ao mesmo tempo Deus e homem. Por isso não devem ser ouvidos os que imaginam que os antigos patriarcas esperavam apenas promessas passageiras. Embora a lei dada por Deus por meio de Moisés, no que se refere a cerimônias e ritos, não obrigue os cristãos, e os seus preceitos civis não devam necessariamente ser adotados em nenhum Estado, contudo nenhum cristão, seja quem for, está livre da obediência aos mandamentos chamados morais.
O pecado original não consiste em imitar Adão (como em vão afirmam os pelagianos), mas é a corrupção da natureza de todo homem que é naturalmente gerado da descendência de Adão, pela qual o homem está muito afastado da justiça original e é, por sua própria natureza, inclinado ao mal, e isso continuamente.
A condição do homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode voltar-se nem preparar-se, pela sua própria força natural e pelas suas obras, para a fé e para invocar a Deus. Por isso não temos poder para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus sem que a graça de Deus, por Cristo, vá adiante de nós, para que tenhamos boa vontade, e opere conosco, quando tivermos essa boa vontade. [N. do T.: preventing us, no inglês da época, quer dizer “indo adiante de nós”; é a graça preveniente, central na teologia de Wesley.]
Somos considerados justos diante de Deus somente pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pela fé, e não pelas nossas próprias obras ou merecimentos. Por isso, que somos justificados somente pela fé é doutrina muito salutar e cheia de consolo.
Embora as boas obras, que são frutos da fé e se seguem à justificação, não possam apagar os nossos pecados nem suportar a severidade do juízo de Deus, contudo são agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo e brotam de uma fé verdadeira e viva, de tal modo que por elas a fé viva pode ser conhecida com tanta evidência como a árvore se reconhece pelo fruto.
Obras voluntárias, além e acima dos mandamentos de Deus, que chamam de obras de supererrogação, não podem ser ensinadas sem arrogância e impiedade. Pois por elas os homens declaram que não só dão a Deus tudo o que são obrigados a dar, mas fazem por amor dele mais do que o dever exige; ao passo que Cristo diz claramente: “Assim também vocês, depois de terem feito tudo o que lhes foi ordenado, digam: ‘Somos servos inúteis'” (Lc 17.10).
Nem todo pecado cometido voluntariamente depois da justificação é o pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Por isso não se deve negar a concessão do arrependimento aos que caem em pecado depois da justificação. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos afastar-nos da graça recebida e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos de novo e emendar a nossa vida. E por isso devem ser condenados os que dizem que já não podem pecar enquanto viverem aqui, ou que negam lugar ao perdão para os que verdadeiramente se arrependem.
A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis na qual se prega a pura Palavra de Deus e se administram devidamente os sacramentos, segundo a ordenança de Cristo, em tudo o que é necessariamente requerido para eles.
A doutrina romana a respeito do purgatório, das indulgências, da veneração e adoração tanto de imagens como de relíquias, e também da invocação dos santos, é coisa tola, inventada em vão, que não se apoia em nenhuma garantia da Escritura, mas é contrária à Palavra de Deus.
É coisa claramente contrária à Palavra de Deus e ao costume da Igreja primitiva fazer a oração pública na Igreja, ou ministrar os sacramentos, numa língua que o povo não entende.
Os sacramentos instituídos por Cristo não são apenas distintivos ou sinais da profissão dos cristãos, mas antes são sinais seguros da graça e da boa vontade de Deus para conosco, pelos quais ele opera invisivelmente em nós e não só vivifica, mas também fortalece e confirma a nossa fé nele.
Há dois sacramentos instituídos por Cristo, nosso Senhor, no Evangelho, a saber: o Batismo e a Ceia do Senhor.
Os outros cinco, comumente chamados sacramentos, a saber, a confirmação, a penitência, as ordens, o matrimônio e a extrema-unção, não devem ser contados como sacramentos do Evangelho, pois em parte nasceram de uma imitação corrompida dos apóstolos e em parte são estados de vida permitidos nas Escrituras, mas não têm a mesma natureza do Batismo e da Ceia do Senhor, porque não têm nenhum sinal visível ou cerimônia instituída por Deus.
Os sacramentos não foram instituídos por Cristo para serem contemplados ou levados em procissão, mas para que deles fizéssemos o devido uso. E somente nos que os recebem dignamente eles têm efeito ou operação salutar; mas os que os recebem indignamente adquirem para si condenação, como diz São Paulo.
O Batismo não é apenas sinal de profissão e marca de distinção, pela qual os cristãos se distinguem dos outros que não são batizados; mas é também sinal da regeneração, ou novo nascimento. O batismo das crianças pequenas deve ser mantido na Igreja.
A Ceia do Senhor não é apenas sinal do amor que os cristãos devem ter uns pelos outros, mas antes é um sacramento da nossa redenção pela morte de Cristo; de tal modo que, para os que a recebem de maneira correta, digna e com fé, o pão que partimos é participação no corpo de Cristo, e do mesmo modo o cálice da bênção é participação no sangue de Cristo.
A transubstanciação, ou mudança da substância do pão e do vinho na Ceia do Senhor, não pode ser provada pela Sagrada Escritura, mas é contrária às palavras claras da Escritura, destrói a natureza do sacramento e tem dado ocasião a muitas superstições.
O corpo de Cristo é dado, tomado e comido na Ceia somente de maneira celestial e espiritual. E o meio pelo qual o corpo de Cristo é recebido e comido na Ceia é a fé.
O sacramento da Ceia do Senhor não foi, por ordenança de Cristo, reservado, levado em procissão, elevado ou adorado.
O cálice do Senhor não deve ser negado aos leigos; pois as duas partes da Ceia do Senhor, por ordenança e mandamento de Cristo, devem ser ministradas igualmente a todos os cristãos.
A oferta de Cristo, feita uma só vez, é a perfeita redenção, propiciação e satisfação por todos os pecados do mundo inteiro, tanto o original como os efetivos; e não há outra satisfação pelo pecado senão essa somente. Por isso o sacrifício das missas, no qual comumente se diz que o sacerdote oferece Cristo pelos vivos e pelos mortos para obter a remissão da pena ou da culpa, é fábula blasfema e engano perigoso.
Os ministros de Cristo não são obrigados pela lei de Deus nem a fazer voto de celibato nem a abster-se do casamento; portanto, é lícito para eles, como para todos os outros cristãos, casar-se a seu critério, conforme julgarem que isso serve melhor à piedade.
Não é necessário que os ritos e as cerimônias sejam em todos os lugares os mesmos, ou exatamente iguais; pois sempre foram diferentes e podem ser mudados conforme a diversidade de países, tempos e costumes, contanto que nada se estabeleça contra a Palavra de Deus. Quem, por seu juízo particular, de propósito e deliberadamente, quebrar abertamente os ritos e as cerimônias da igreja a que pertence, que não sejam contrários à Palavra de Deus e que tenham sido estabelecidos e aprovados pela autoridade comum, deve ser repreendido publicamente, para que os outros temam fazer o mesmo, como quem ofende a ordem comum da igreja e fere a consciência dos irmãos fracos.
Cada igreja particular pode estabelecer, mudar ou abolir ritos e cerimônias, contanto que tudo seja feito para edificação.
Sua Majestade, o Rei, com o seu Parlamento, tem o poder supremo em todos os Domínios Britânicos; a eles pertence o governo supremo de todos os estados, em todas as causas, e não estão, nem devem estar, sujeitos a nenhuma jurisdição estrangeira. [N. do T.: este artigo é próprio da edição britânica; nas igrejas metodistas dos Estados Unidos, o artigo correspondente trata dos governantes daquele país.]
As riquezas e os bens dos cristãos não são comuns quanto ao direito, título e posse deles, como alguns falsamente alardeiam. Contudo, todo homem deve, daquilo que possui, dar generosamente esmolas aos pobres, segundo a sua capacidade.
Assim como confessamos que o juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo e por Tiago, seu apóstolo, também julgamos que a religião cristã não proíbe que alguém jure quando o magistrado o exigir, numa causa de fé e caridade, contanto que se faça segundo o ensino do profeta, em justiça, juízo e verdade.