Igreja Metodista Livre · Disciplina de 1860 · Capítulo I

Artigos de Religião, Regras Gerais e recepção de membros

AS DOUTRINAS E A DISCIPLINA
DA
IGREJA METODISTA LIVRE

CAPÍTULO I

SEÇÃO I. ARTIGOS DE RELIGIÃO

[N. do T.: estes 23 artigos seguem, com pequenas diferenças de redação, os Artigos de Religião que John Wesley preparou para os metodistas americanos no Sunday Service (1788), já traduzidos neste site. Onde o texto é o mesmo, mantivemos a mesma tradução. Em relação ao Sunday Service, a Disciplina de 1860 não traz os artigos sobre o purgatório, sobre as duas espécies na Ceia, sobre o casamento dos ministros e sobre os governantes civis. Também reduz o artigo sobre os sacramentos ao primeiro parágrafo. E acrescenta dois artigos novos: o XIII, “Inteira santificação”, e o XIV, “Recompensa e castigo futuros”.]

I. Da fé na Santíssima Trindade

Há um só Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo nem partes, de infinito poder, sabedoria e bondade, Criador e Preservador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. E na unidade dessa Divindade há três pessoas, de uma só substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

II. Do Verbo, ou Filho de Deus, que se fez verdadeiro homem

O Filho, que é o Verbo do Pai, verdadeiro e eterno Deus, de uma só substância com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita virgem; de modo que duas naturezas inteiras e perfeitas, isto é, a Divindade e a humanidade, foram unidas numa só pessoa, para nunca serem separadas; da qual resulta um só Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que verdadeiramente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar o seu Pai conosco e ser sacrifício não só pela culpa original, mas também pelos pecados efetivos dos homens.

III. Da ressurreição de Cristo

Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos e retomou o seu corpo, com tudo o que pertence à perfeição da natureza humana, com o qual subiu ao céu, e ali está sentado até que volte para julgar todos os homens no último dia.

IV. Do Espírito Santo

O Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, é de uma só substância, majestade e glória com o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.

V. A suficiência das Sagradas Escrituras para a salvação

As Sagradas Escrituras contêm tudo o que é necessário para a salvação; de modo que tudo o que nelas não se lê, nem por elas se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma para que seja crido como artigo de fé, nem considerado requisito ou necessário para a salvação. Pelo nome de Sagrada Escritura entendemos aqueles livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento de cuja autoridade nunca houve dúvida na Igreja.

Os nomes dos livros canônicos:

Gênesis,
Êxodo,
Levítico,
Números,
Deuteronômio,
Josué,
Juízes,
Rute,
o Primeiro Livro de Samuel,
o Segundo Livro de Samuel,
o Primeiro Livro dos Reis,
o Segundo Livro dos Reis,
o Primeiro Livro das Crônicas,
o Segundo Livro das Crônicas,
o Livro de Esdras,
o Livro de Neemias,
o Livro de Ester,
o Livro de Jó,
os Salmos,
os Provérbios,
Eclesiastes, ou o Pregador,
Cantares, ou Cânticos de Salomão,
os quatro Profetas maiores,
os doze Profetas menores.

Todos os livros do Novo Testamento, tal como são comumente recebidos, nós os recebemos e os consideramos canônicos.

VI. Do Antigo Testamento

O Antigo Testamento não é contrário ao Novo; pois, tanto no Antigo como no Novo Testamento, a vida eterna é oferecida à humanidade por Cristo, que é o único Mediador entre Deus e o homem. Por isso não devem ser ouvidos os que imaginam que os antigos patriarcas esperavam apenas promessas passageiras. Embora a lei dada por Deus por meio de Moisés, no que se refere a cerimônias e ritos, não obrigue os cristãos, e os seus preceitos civis não devam necessariamente ser adotados em nenhum Estado, contudo nenhum cristão, seja quem for, está livre da obediência aos mandamentos chamados morais.

VII. Do pecado original, ou de nascença

O pecado original não consiste em imitar Adão (como em vão afirmam os pelagianos), mas é a corrupção da natureza de todo homem que é naturalmente gerado da descendência de Adão, pela qual o homem está muito afastado da justiça original e é, por sua própria natureza, inclinado ao mal, e isso continuamente.

VIII. Do livre-arbítrio

A condição do homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode voltar-se nem preparar-se, pela sua própria força natural e pelas suas obras, para a fé e para invocar a Deus. Por isso não temos poder para fazer boas obras agradáveis e aceitáveis a Deus sem que a graça de Deus, por Cristo, vá adiante de nós, para que tenhamos boa vontade, e opere conosco, quando tivermos essa boa vontade. [N. do T.: preventing us, no inglês da época, quer dizer “indo adiante de nós”; é a graça preveniente, central na teologia wesleyana.]

IX. Da justificação do homem

Somos considerados justos diante de Deus somente pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pela fé, e não pelas nossas próprias obras ou merecimentos. Por isso, que somos justificados somente pela fé é doutrina muito salutar e cheia de consolo.

X. Das boas obras

Embora as boas obras, que são frutos da fé e se seguem à justificação, não possam apagar os nossos pecados nem suportar a severidade do juízo de Deus, contudo são agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo e brotam de uma fé verdadeira e viva, de tal modo que por elas a fé viva pode ser conhecida com tanta evidência como a árvore se reconhece pelo fruto.

XI. Das obras de supererrogação

Obras voluntárias, além e acima dos mandamentos de Deus, que chamam de obras de supererrogação, não podem ser ensinadas sem arrogância e impiedade. Pois por elas os homens declaram que não só dão a Deus tudo o que são obrigados a dar, mas fazem por amor dele mais do que o dever exige; ao passo que Cristo diz claramente: “Assim também vocês, depois de terem feito tudo o que lhes foi ordenado, digam: ‘Somos servos inúteis'” (Lc 17.10).

XII. Do pecado depois da justificação

Nem todo pecado cometido voluntariamente depois da justificação é o pecado contra o Espírito Santo, e imperdoável. Por isso não se deve negar a concessão do arrependimento aos que caem em pecado depois da justificação. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos afastar-nos da graça recebida e cair em pecado, e, pela graça de Deus, levantar-nos de novo e emendar a nossa vida. E por isso devem ser condenados os que dizem que já não podem pecar enquanto viverem aqui, ou que negam lugar ao perdão para os que verdadeiramente se arrependem.

XIII. Inteira santificação

As pessoas que foram apenas justificadas, embora não cometam pecado exteriormente, têm contudo consciência de que ainda resta pecado no coração. Sentem uma tendência natural para o mal, uma inclinação a afastar-se de Deus e a apegar-se às coisas da terra. Os que são inteiramente santificados são salvos de todo pecado interior: dos maus pensamentos e das más disposições. Nenhuma disposição errada, nenhuma contrária ao amor, permanece na alma. Todos os pensamentos, palavras e ações são governados pelo amor puro.

A inteira santificação ocorre depois da justificação e é obra de Deus realizada instantaneamente na alma consagrada e que crê. Depois que a alma é purificada de todo pecado, ela está então plenamente preparada para crescer na graça.

[N. do T.: “tempers”, aqui traduzido por “disposições”, é termo característico de Wesley para as inclinações habituais do coração, boas ou más. O artigo é próprio da Igreja Metodista Livre e não consta do Sunday Service.]

XIV. Recompensa e castigo futuros

Deus estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça (At 17.31), por meio de Jesus Cristo, segundo o evangelho. Os justos terão no céu uma herança que não pode ser destruída, que não fica manchada, que não murcha (1Pe 1.4). Os ímpios irão para o castigo eterno (Mt 25.46), onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga (Mc 9.48).

XV. De falar na congregação numa língua que o povo entenda

É coisa claramente contrária à Palavra de Deus e ao costume da Igreja primitiva fazer a oração pública na Igreja, ou ministrar os sacramentos, numa língua que o povo não entende.

XVI. Da Igreja

A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis na qual se prega a pura Palavra de Deus e se administram devidamente os sacramentos, segundo a ordenança de Cristo, em tudo o que é necessariamente requerido para eles.

XVII. Dos sacramentos

Os sacramentos instituídos por Cristo não são apenas distintivos ou sinais da profissão dos cristãos, mas antes são sinais seguros da graça e da boa vontade de Deus para conosco, pelos quais ele opera invisivelmente em nós e não só vivifica, mas também fortalece e confirma a nossa fé nele.

XVIII. Do batismo

O batismo não é apenas sinal de profissão e marca de distinção, pela qual os cristãos se distinguem dos outros que não são batizados; mas é também sinal da regeneração, ou novo nascimento. O batismo das crianças pequenas deve ser mantido na Igreja.

XIX. Da Ceia do Senhor

A Ceia do Senhor não é apenas sinal do amor que os cristãos devem ter uns pelos outros, mas antes é um sacramento da nossa redenção pela morte de Cristo; de tal modo que, para os que a recebem de maneira correta, digna e com fé, o pão que partimos é participação no corpo de Cristo, e do mesmo modo o cálice da bênção é participação no sangue de Cristo (1Co 10.16).

A transubstanciação, ou mudança da substância do pão e do vinho na Ceia do nosso Senhor, não pode ser provada pela Sagrada Escritura, mas é contrária às palavras claras da Escritura, destrói a natureza do sacramento e tem dado ocasião a muitas superstições.

O corpo de Cristo é dado, tomado e comido na Ceia somente de maneira celestial e espiritual. E o meio pelo qual o corpo de Cristo é recebido e comido na Ceia é a fé.

O sacramento da Ceia do Senhor não foi, por ordenança de Cristo, reservado, levado em procissão, elevado ou adorado.

XX. Da única oblação de Cristo, consumada na cruz

A oferta de Cristo, feita uma só vez, é a perfeita redenção, propiciação e satisfação por todos os pecados do mundo inteiro, tanto o original como os efetivos; e não há outra satisfação pelo pecado senão essa somente. Por isso o sacrifício das missas, no qual se diz que o sacerdote oferece Cristo pelos vivos e pelos mortos para obter a remissão da pena ou da culpa, é fábula blasfema e engano perigoso.

XXI. Dos ritos e cerimônias das igrejas

Não é necessário que os ritos e as cerimônias sejam em todos os lugares os mesmos, ou exatamente iguais; pois sempre foram diferentes e podem ser mudados conforme a diversidade de países, tempos e costumes, contanto que nada se estabeleça contra a Palavra de Deus. Quem, por seu juízo particular, de propósito e deliberadamente, quebrar abertamente os ritos e as cerimônias da igreja a que pertence, que não sejam contrários à Palavra de Deus e que tenham sido estabelecidos e aprovados pela autoridade comum, deve ser repreendido publicamente, para que os outros temam fazer o mesmo, como quem ofende a ordem comum da igreja e fere a consciência dos irmãos fracos.

Cada igreja particular pode estabelecer, mudar ou abolir ritos e cerimônias, contanto que tudo seja feito para edificação (1Co 14.26).

XXII. Dos bens dos cristãos

As riquezas e os bens dos cristãos não são comuns quanto ao direito, título e posse deles, como alguns falsamente alardeiam. Contudo, todo homem deve, daquilo que possui, dar generosamente esmolas aos pobres, segundo a sua capacidade.

XXIII. Do juramento do cristão

Assim como confessamos que o juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo e por Tiago, seu apóstolo (Mt 5.34-37; Tg 5.12), também julgamos que a religião cristã não proíbe que alguém jure quando o magistrado o exigir, numa causa de fé e caridade, contanto que se faça segundo o ensino do profeta, em justiça, juízo e verdade (Jr 4.2).


SEÇÃO II. REGRAS GERAIS

A natureza, o propósito e as Regras Gerais das nossas Sociedades Unidas

[N. do T.: o texto segue as Regras Gerais de John Wesley (1743), já traduzidas neste site, na forma em que passaram à Disciplina americana: narradas na terceira pessoa (“o Sr. Wesley”) e com alguns ajustes. A diferença mais significativa é a regra contra “comprar, vender ou possuir um ser humano como escravo”, que não está no texto de 1743.]

(1) No fim do ano de 1739, oito ou dez pessoas vieram ao Sr. Wesley, em Londres, profundamente convencidas do pecado e gemendo com fervor por redenção. Pediram (como fizeram mais duas ou três no dia seguinte) que ele passasse algum tempo com elas em oração e as aconselhasse sobre como fugir da ira vindoura (Mt 3.7), que viam continuamente pairando sobre a cabeça. Para ter mais tempo para essa grande obra, ele marcou um dia em que todas pudessem vir juntas, o que, dali em diante, elas fizeram toda semana, a saber, na quinta-feira, à noite. A estas, e a quantas mais desejassem juntar-se a elas (pois o número crescia a cada dia), ele dava, de tempos em tempos, os conselhos que julgava mais necessários; e sempre concluíam o encontro com oração ajustada às diversas necessidades de cada um.

(2) Foi assim que surgiu a SOCIEDADE UNIDA, primeiro na Europa e depois na América. Tal sociedade não é senão “um grupo de pessoas que têm a forma e buscam o poder da piedade (2Tm 3.5), unidas a fim de orar em conjunto, receber a palavra de exortação e velar umas pelas outras em amor, para que se ajudem mutuamente a desenvolver a sua salvação“.

(3) Para que se possa discernir mais facilmente se estão de fato desenvolvendo a própria salvação, cada sociedade é dividida em grupos menores, chamados classes, conforme o lugar em que moram. Há cerca de doze pessoas em cada classe, uma das quais é chamada de líder. É dever dele:

I. Ver cada pessoa da sua classe pelo menos uma vez por semana, a fim de:

1. Informar-se de como vai a alma de cada uma.

2. Aconselhar, repreender, consolar ou exortar, conforme a ocasião exigir.

3. Receber o que estejam dispostas a dar para o sustento do pregador, da igreja e dos pobres.*

II. Encontrar-se com o ministro e os mordomos da sociedade uma vez por semana, a fim de:

1. Informar o ministro dos que estejam doentes, ou dos que andem desordenadamente e não aceitem correção.

2. Entregar aos mordomos o que recebeu das suas classes na semana anterior.

* Esta parte se refere às vilas e cidades, onde os pobres costumam ser numerosos e as despesas da igreja, consideráveis.

(4) Uma só condição é exigida previamente daqueles que desejam ser admitidos nestas sociedades: “o desejo de fugir da ira vindoura e de ser salvo dos seus pecados”. Mas, onde quer que esse desejo esteja realmente firmado na alma, ele se mostrará pelos seus frutos. Espera-se, portanto, de todos os que nelas permanecem que continuem a evidenciar o seu desejo de salvação:

Primeiro, não fazendo mal, evitando o mal de toda espécie, especialmente o que é mais comumente praticado. Como, por exemplo:

Tomar o nome de Deus em vão.

Profanar o dia do Senhor, seja fazendo nele trabalho comum, seja comprando ou vendendo.

A embriaguez; comprar ou vender bebidas destiladas, ou bebê-las, a não ser em casos de extrema necessidade.

Comprar, vender ou possuir um ser humano como escravo.

Brigas, discussões, contendas; um irmão ir a juízo contra outro irmão; pagar o mal com o mal, ou insulto com insulto; o uso de muitas palavras ao comprar ou vender.

Comprar ou vender mercadorias que não pagaram os impostos devidos.

Dar ou receber coisas com usura, isto é, com juros ilícitos.

Conversa sem caridade ou sem proveito, especialmente falar mal das autoridades ou dos ministros.

Fazer aos outros o que não gostaríamos que nos fizessem.

Fazer aquilo que sabemos não ser para a glória de Deus, como:

Usar ouro ou roupas caras (1Tm 2.9).

Tomar parte em diversões que não podem ser praticadas em nome do Senhor Jesus.

Cantar canções ou ler livros que não conduzem ao conhecimento ou ao amor de Deus.

A moleza e a autoindulgência desnecessária.

Ajuntar tesouros na terra.

Tomar emprestado sem probabilidade de pagar, ou adquirir mercadorias sem probabilidade de pagá-las.

(5) Espera-se de todos os que permanecem nestas sociedades que continuem a evidenciar o seu desejo de salvação:

Segundo, fazendo o bem, sendo misericordiosos de toda maneira, na medida das suas forças; fazendo, conforme tenham oportunidade, todo o bem possível, e a todos quanto for possível.

Aos corpos deles, com a capacidade que Deus dá, dando de comer aos famintos, vestindo os nus, visitando ou socorrendo os que estão doentes ou na prisão.

Às almas deles, instruindo, repreendendo ou exortando todos com quem tenham contato; pisando aos pés aquela doutrina fanática de que “não devemos fazer o bem a não ser que o coração esteja disposto a isso“.

Fazendo o bem, especialmente aos da família da fé (Gl 6.10), ou aos que gemem por sê-lo; dando preferência a eles no trabalho, comprando uns dos outros, ajudando-se mutuamente nos negócios; e tanto mais porque o mundo ama o que é seu (Jo 15.19), e somente o que é seu.

Com toda a diligência e economia possíveis, para que o evangelho não seja desacreditado.

Correndo com perseverança a carreira que lhes está proposta (Hb 12.1), negando a si mesmos e tomando dia a dia a sua cruz (Lc 9.23); sujeitando-se a suportar o opróbrio de Cristo, a ser considerados lixo do mundo, escória de todos (1Co 4.13); e esperando que os homens, mentindo, digam todo mal contra eles por causa do Senhor (Mt 5.11).

(6) Espera-se de todos os que desejam permanecer nestas sociedades que continuem a evidenciar o seu desejo de salvação:

Terceiro, participando de todas as ordenanças de Deus. São elas:

O culto público a Deus.

O ministério da Palavra, lida ou exposta.

A Ceia do Senhor.

A oração em família e em particular.

O exame das Escrituras.

O jejum ou a abstinência.

(7) Estas são as Regras Gerais das nossas sociedades, todas as quais somos ensinados por Deus a observar, na sua Palavra escrita, que é a única regra, e a regra suficiente, tanto da nossa fé quanto da nossa prática. E sabemos que o seu Espírito escreve todas elas nos corações verdadeiramente despertados. Se houver entre nós alguém que não as observe, que habitualmente quebre qualquer uma delas, que isso seja levado ao conhecimento dos que velam por aquela alma, como quem deve prestar contas (Hb 13.17). Nós o admoestaremos do erro do seu caminho. Nós o suportaremos por algum tempo. Mas, se então não se arrepender, não terá mais lugar entre nós. Teremos livrado a nossa própria alma (Ez 3.19).


SEÇÃO III. DA RECEPÇÃO DE MEMBROS NA IGREJA

1. Ninguém seja admitido em período de experiência enquanto não der prova satisfatória de conversão bíblica e não for recomendado por algum membro da nossa Igreja.

2. Ninguém seja recebido em plena comunhão a menos que dê prova de um coração renovado, e enquanto não for recomendado pelo seu líder, não tiver frequentado a classe durante seis meses de experiência, não tiver sido batizado e não puder dar respostas satisfatórias às seguintes perguntas, que lhe serão feitas diante da sociedade:

[N. do T.: “probation”, o período de experiência do candidato a membro; “full connection”, a condição de membro pleno.]

1. Você tem o testemunho DO ESPÍRITO de que é filho de Deus (Rm 8.16)?

2. Você tem aquele perfeito amor que lança fora o medo (1Jo 4.18)? Se não tem, buscará com diligência até alcançá-lo?

3. É seu propósito dedicar inteiramente o resto da sua vida ao serviço de Deus, fazendo o bem ao próximo e desenvolvendo a sua própria salvação com temor e tremor (Fp 2.12)?

4. Você deixará para sempre todos os enfeites supérfluos e se vestirá com roupa modesta, com decência e bom senso, não com tranças no cabelo, ouro, pérolas ou roupas caras, mas como convém aos que professam ser piedosos, com boas obras (1Tm 2.9-10)?

5. Você se absterá de ligação com todas as sociedades secretas, mantendo-se livre para seguir a vontade do Senhor em todas as coisas?

6. Você subscreve os nossos Artigos de Religião, as nossas Regras Gerais e a nossa Disciplina, e está disposto a ser governado por eles?

7. Você tem comunhão cristã e amor pelos membros desta sociedade, e os ajudará, conforme Deus lhe der capacidade, a levar adiante a obra do Senhor?

A pessoa que der respostas afirmativas às perguntas acima será admitida a todos os privilégios de membro, com o consentimento de três quartos de todos os presentes numa reunião da sociedade.

Tradução para o português a partir de The Doctrines and Discipline of the Free Methodist Church, adopted August 23, 1860 (Buffalo: B. T. Roberts, 1860), em fac-símile publicado pela First Fruits Press (Asbury Theological Seminary, 2016); domínio público. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.