História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXIV

Mais pregadores decapitados eclesiasticamente

Antes que chegasse o tempo da segunda Convenção dos Leigos, em Albion, a Conferência de Genesee mandara ao cepo eclesiástico mais alguns dos seus pregadores. Dois deles, J. W. Reddy e H. H. Farnsworth, foram despachados com a sua passagem à condição de pregadores estabelecidos. Outros quatro, a saber, Loren Stiles Jr., John A. Wells, William Cooley e C. D. Burlingham, foram “expulsos sob acusações triviais e forjadas, depois do arremedo de um julgamento, na Conferência realizada em Brockport, em 1859”.

Essa sessão da Conferência realizou-se em outubro, menos de um mês antes da data marcada para a segunda Convenção anual dos Leigos. Durante o ano, a facção da “Regência” não poupara nenhum esforço nem deixara passar nenhuma oportunidade de destruir a influência dos homens expulsos na sessão anterior. Todos esses esforços, porém, tinham terminado num fracasso notável. Apesar de esses homens terem saído a trabalhar para Deus sob a interdição da expulsão pela Conferência, estigmatizados como “não cristãos e imorais”, nunca foram recebidos mais cordialmente pelo público cristão, nem tiveram uma audiência mais ampla e mais eficaz, do que durante esse ano. A bênção de Deus os acompanhava por onde iam, e “a palavra do Senhor crescia e prevalecia poderosamente” (At 19.20).

A determinação de esmagar o “nazaritismo” nunca fora mais manifesta, nem mais iníqua nos seus métodos e medidas, do que durante esse ano. O Buffalo Advocate e o Northern Christian Advocate mais do que mantiveram a sua costumeira reputação de difamar todos os que não se curvavam com deferência servil à vontade da facção dominante. As suas colunas estavam cheias de artigos do caráter mais inflamatório, que apelavam aos seus leitores para acabar de vez com o “nazaritismo” que ainda restava na Conferência. Por isso, quando a sessão se reuniu, a maioria viera pronta para executar quaisquer medidas propostas pelos seus líderes, a fim de consumar a obra de extermínio.

Esse espírito de hostilidade amarga se transformou numa chama devoradora com a demonstração que presenciaram ao se reunirem. O Rev. Fay H. Purdy, evangelista conhecido da Igreja Metodista Episcopal, armara um grande tabernáculo nos arredores da cidade, mas à vista, e quase ao alcance do ouvido, da igreja onde a Conferência ia se reunir, e estava realizando uma série de cultos evangelísticos que deviam continuar durante toda a sessão da Conferência. O tabernáculo comportava cerca de 3.000 pessoas. Em volta dele havia várias fileiras de tendas de famílias e de sociedades, ocupadas por “grande número de cristãos inteligentes, dedicados e sérios, que o partido dominante estigmatizava como ‘nazaritas'”. Isso mostrava claramente que o “nazaritismo” não estava tão perto da extinção quanto os seus inimigos tinham esperado e suposto. Não estava sequer enfraquecido, muito menos destruído.

Os defensores da piedade vital na Conferência sabiam desde o início que nessa sessão se adotariam medidas extremas e estavam prontos para enfrentar qualquer que fosse a sua sorte. Contudo, em descaramento sem rubor, em diplomacia jesuítica e em loucura farisaica, ao pisar os direitos dos membros e desonrar a lei humana e a divina, o procedimento da maioria superou de longe o que esperavam. A capacidade da “Regência” para a injustiça em nome da justiça fora subestimada. Supunha-se que ao menos se sentiriam de algum modo obrigados a respeitar a Constituição da Igreja Metodista Episcopal; mas até ela foi passada por cima sem piedade. Essa Constituição não concede às Conferências Anuais nenhum poder legislativo. A Conferência Geral é o único corpo legislador devidamente constituído no metodismo. As Conferências Anuais podem executar as leis dela que, por disposição constitucional, caem na sua esfera; mas não podem legislar, nem dar força de lei às suas próprias decisões, nem estabelecer penas pela violação delas. Tentar qualquer dessas coisas é usurpar as prerrogativas que pertencem só à Conferência Geral.

Nessa sessão, porém, a Conferência de Genesee usurpou a autoridade de um corpo legislador e, no segundo dia da sessão, aprovou as seguintes “resoluções”, as quatro primeiras destinadas a obrigar os pregadores que simpatizavam com os seus irmãos expulsos a deixar de manifestar publicamente essa simpatia, e a quinta destinada a fazer quem violasse as disposições das quatro primeiras responder por isso perante a Conferência e ficar sujeito à expulsão:

Resolvido: 1º. Que a segurança e a prosperidade de uma igreja só podem ser mantidas por uma deferência solene aos seus conselhos e à sua Disciplina, tal como legitimamente determinados e executados.

2º. Que consideramos a admissão de ministros expulsos, itinerantes ou locais, nos nossos púlpitos, e a associação com eles e a ajuda a eles como ministros, até que tenham sido restaurados à comunhão da igreja pelo devido processo, como descrito na Disciplina, como subversivas da integridade e do governo da igreja e tendentes diretamente a produzir discórdia e divisão e “toda espécie de coisas ruins” (Tg 3.16).

3º. Que desaprovamos e condenamos a prática de certos membros desta Conferência de realizar de modo irregular acampamentos ou outras reuniões assim realizadas irregularmente, ou de apoiá-los tomando parte nos cultos.

4º. Que, a juízo desta Conferência, é altamente impróprio um pregador entrar no cargo de outro pregador e marcar reuniões, ou assistir às que forem marcadas por outros, contra a vontade do pregador responsável ou do presbítero presidente.

5º. Que, se algum membro desta Conferência for considerado culpado de desrespeitar as opiniões e os princípios expressos nas resoluções acima, terá de responder por isso perante esta Conferência.

Aprovadas essas resoluções, a Conferência passou a fazer delas um teste no exame do caráter dos pregadores. O caráter dos que prometiam governar-se pelas resoluções era aprovado; os que não faziam essa promessa eram levados a julgamento e expulsos, a menos que preferissem tornar-se pregadores estabelecidos. O bispo Simpson presidiu a sessão da Conferência, e dizia-se que dera às resoluções-teste a sua enfática aprovação. Aprovadas essas disposições, e com a aprovação do bispo, a Conferência estava agora preparada para medidas desesperadas no trato com os “nazaritas” e com o “nazaritismo”. Que medidas seriam essas, a sequência mostrará.

Agindo em harmonia com o espírito das resoluções-teste, o bispo ordenou a vários pregadores que tinham vindo de outras Conferências para ajudar o Sr. Purdy nas suas reuniões que deixassem de participar delas. Alguns obedeceram; mas o Rev. D. W. Thurston, presbítero presidente do distrito de Cortland, da Conferência de Oneida, continuou a trabalhar com o Sr. Purdy como antes. O bispo o chamou perante uma comissão e o admoestou, mas a admoestação não foi atendida.

Era evidente que as resoluções-teste tinham sido adotadas como medida conveniente para levar à punição os pregadores “nazaritas” e os que simpatizavam com eles. Assim, sob a sua aplicação, J. W. Reddy e H. H. Farnsworth foram tornados pregadores estabelecidos, enquanto Loren Stiles Jr., John A. Wells, William Cooley e Charles D. Burlingham, recusando-se a submeter-se ao domínio tirânico que a Conferência de Genesee assumira, foram levados a julgamento e expulsos da Conferência e da igreja.

[N. do T.: “locate” (tornar-se pregador estabelecido) significava deixar o rodízio das nomeações; aqui aparece como a alternativa à expulsão.]

Segue uma cópia do libelo de acusações movido contra o Rev. Loren Stiles Jr.:

Acuso pela presente o Rev. L. Stiles Jr.

I. De falsidade.

Por ter deposto, no caso de B. T. Roberts, na sessão da nossa Conferência realizada em Perry, em 6 de outubro de 1858, que não recebeu nem leu a prova tipográfica de um documento impresso em Brockport, assinado por George W. Estes e intitulado “Metodismo da Nova Escola” e “A quem interessar possa”; e, no caso de J. McCreery Jr., ocorrido na mesma Conferência, ter deposto que recebeu um papel que se apresentava como a prova tipográfica desse documento, com um bilhete que explicava a sua natureza, e que o leu, ou leu parte dele.

II. De contumácia.

1. Por ter recebido no seu púlpito, e tratado como ministro, um membro expulso desta Conferência.

2. Por ter entrado nos limites do cargo de F. W. Conable e ali realizado reuniões e organizado uma classe, contra a admoestação do seu presbítero presidente.

J. B. WENTWORTH.

A primeira dessas acusações foi evidentemente feita numa tentativa de manchar a sua reputação e “enegrecer o seu caráter”. Por falta de provas, porém, não pôde ser sustentada, e a maioria foi obrigada a votar a sua absolvição dessa acusação. Assim ele foi providencialmente preservado de ter posta sobre si, pelos seus inimigos, a mancha da falsidade.

Sobre o processo da segunda acusação e das suas especificações, o superintendente geral B. T. Roberts deixou registrado o seguinte, cuja verdade nunca foi contestada, até onde podemos apurar:

Da primeira especificação da segunda acusação não houve prova nenhuma. Mostrou-se que, uma vez durante o ano, o Rev. B. T. Roberts esteve numa reunião trimestral geral na Igreja Metodista Episcopal de Albion, da qual o irmão Stiles era pastor. Certa noite, depois que o Rev. B. I. Ives pregou, B. T. Roberts, a convite dele, exortou. Mas, na defesa, mostrou-se que ele tinha, naquela época, uma licença regular de exortador, lavrada na devida forma! O Sr. Roberts foi tratado simplesmente como exortador e nada mais! Não foi chamado a exercer, nem exerceu, nenhuma das funções de “um ministro”!

A segunda especificação foi admitida como nominalmente verdadeira. Holley, N. Y., é uma vila grande entre Brockport e Albion. Havia vários anos não existia ali sociedade metodista nem pregação metodista. Quando fui nomeado para Brockport, às vezes pregava em Holley, a convite. Fui de Brockport para Albion e ainda de vez em quando pregava em Holley, às vezes na Academia, às vezes na Igreja Presbiteriana. Depois que o Sr. Stiles foi para Albion, manteve esses compromissos ocasionais em Holley. Como o interesse crescia e almas se convertiam, o Sr. Stiles formou uma classe, que, podemos acrescentar, se tornou uma igreja próspera, que construiu um dos melhores templos do lugar. Não se fez nenhuma objeção até que começou a obra de expulsão e se procurou “ocasião” contra o Sr. Stiles. O Sr. Conable não tinha compromisso de pregação em Holley, nem nunca tivera. O seu ponto de pregação mais próximo ficava a cerca de três milhas. O compromisso do Sr. Stiles de pregar era em geral em dia e hora diferentes dos dele. O Sr. Conable tinha um pequeno número de membros, dois ou três, que moravam em Holley. Mas estes não lhe pediram que marcasse pregação no seu lugar.

Não se alegou que esses membros de Holley deixassem de contribuir, como de costume, para o sustento do Sr. Conable. De modo que o Sr. Stiles, ao ir pregar em Holley, não interferiu de modo algum nem nos compromissos nem no salário dele.

Não se tentou mostrar que o Sr. Stiles tivesse violado alguma disposição da Disciplina. Pelo contrário, ele leu na Disciplina, nas regras para a conduta do pregador: “Você não tem outra coisa a fazer senão salvar almas. Portanto, gaste e deixe-se gastar nessa obra; e vá sempre não só aos que querem você, mas aos que mais precisam de você.” Era exatamente o que ele fizera, nada mais, nada menos.

Com tal acusação, assim sustentada, a maioria votou para expulsar da Conferência de Genesee E DA IGREJA METODISTA EPISCOPAL Loren Stiles Jr., um dos homens mais dedicados, eloquentes, talentosos e de coração nobre que havia então no ministério dessa denominação.

De todos os jornais metodistas, oficiais ou independentes, só um falou em condenação desse ato violento e ilegal. No entanto, poucos anos depois, quando o Rev. S. Tyng Jr. foi brandamente censurado pelas autoridades da Igreja Episcopal Protestante por pregar na paróquia de outro clérigo sem o consentimento deste, os jornais metodistas, com muito calor e zelo, condenaram tal invasão da liberdade pessoal! Havia, contudo, esta diferença: a igreja do Sr. Tyng tinha uma lei clara que proibia o ato; a Igreja Metodista não tinha nenhuma lei que proibisse os seus ministros de fazer o que o Sr. Stiles fizera. O Sr. Tyng pregou nas imediações de uma Igreja Episcopal. Não havia igreja nem ponto de pregação metodista a menos de três milhas do lugar onde o Sr. Stiles pregava! O Sr. Tyng pregou nas horas regulares de culto. O Sr. Stiles pregava em geral numa noite de dia de semana, quando isso não interferia com nenhum pregador, em lugar nenhum.

Os redatores metodistas explicarão por que era errado a Igreja Episcopal censurar o Sr. Tyng, e certo a Igreja Metodista Episcopal expulsar o Sr. Stiles do ministério e da igreja pelo mesmo ato, quando todos os pontos de diferença eram favoráveis ao Sr. Stiles?1

[N. do T.: a regra citada por Stiles é a 11ª das regras para o pregador, na redação já usada na nossa tradução da Disciplina de 1860 (cap. III), que remete a 2Co 12.15.]

O Rev. Charles D. Burlingham foi outro que teve de responder, nessa sessão da Conferência de Genesee, a uma acusação de “contumácia”, sob a qual havia três especificações destinadas a sustentá-la. As acusações foram apresentadas pelo Rev. D. F. Parsons. O Sr. Burlingham preparou um documento e o apresentou à Conferência como defesa contra os seus acusadores. Intitulava-se “Declaração de C. D. Burlingham à Conferência de Genesee, em resposta a uma acusação e especificações apresentadas contra ele pelo Rev. D. F. Parsons”. Os trechos seguintes são apresentados como a melhor luz disponível sobre o caso:

Brockport, 15 de outubro de 1859.

Acusação: “Contumácia.”

1ª especificação: “Por ter recebido na igreja, em experiência, um membro expulso da Conferência de Genesee, sem confissão ou reforma satisfatória.”

Recebi Benjamin T. Roberts em experiência, em Pekin, em 7 de novembro de 1858, numa reunião geral da sociedade, de acordo com um voto unânime, sem que ele confessasse o suposto crime pelo qual fora expulso.

As minhas razões para fazê-lo são:

1. Creio que há casos excepcionais na aplicação da regra da Disciplina em questão, porque, se a letra estrita da regra tiver de controlar sempre os casos dos que pedem admissão em experiência, segue-se que uma pessoa inocente, que foi injustamente expulsa, nunca poderá ser readmitida na igreja.

Entendo que o bispo Baker confirma essa opinião (ver o Guide Book, pág. 159, parágrafo 9): “Quando um membro ou pregador foi expulso de acordo com a nossa forma de Disciplina, não pode depois gozar dos privilégios da sociedade e dos sacramentos na nossa igreja sem contrição e reforma satisfatória; mas, se a sociedade se convencer da inocência do membro expulso, ele pode de novo ser recebido em experiência sem confissão”; e o princípio da conclusão cobre, naturalmente, os dois casos das premissas, “membro ou pregador”.

2. Creio que tal admissão na igreja não podia remover o fundamento da sua apelação à Conferência Geral, porque esse corpo, julguei eu, só podia agir no caso sobre os pontos submetidos na apelação; ele sendo responsável pelos seus atos posteriores perante a sua Conferência, caso a Conferência Geral revertesse a decisão pela qual fora expulso.

3. No dia seguinte à expulsão, tendo sido notificada a apelação, a questão da sua admissão na igreja foi discutida informalmente pelos bispos Janes e Baker e pelos presbíteros presidentes. A questão não era se ele podia ser recebido confessando o suposto crime, pois naturalmente isso removeria o fundamento da sua apelação; a questão era se ele podia ser recebido em experiência sem prejudicar a sua apelação. Aqueles presbíteros presidentes idosos e experientes (pois alguns deles o eram), com os dois bispos, ficaram em dúvida sobre a questão, o que mostra, pelo menos, que tal questão não estava então definitivamente resolvida nas regras administrativas da igreja, como insinuou o nosso presidente há poucos dias.

Depois, o bispo Janes, segundo me informou o irmão Roberts quando o encontrei pela primeira vez em Pekin, disse-lhe que não perdera a confiança nele e que ele podia filiar-se de novo à igreja, ou palavras nesse sentido, deixando essa impressão nítida na sua mente.

Juntei uma coisa com a outra e, ligando ambas aos conselhos de alguns ministros eminentes, dentro e fora dos limites da nossa Conferência, e depois de receber toda a luz então ao meu alcance, recebi-o em experiência. Confesso que estava em dúvida sobre a questão há um ano; e, tendo ocasião de agir nesse caso, com a luz que me surgiu, fiz o que pensei ser certo e apropriado.

4. Um quarto ponto deste argumento é um caso perfeitamente análogo, quanto ao princípio de receber uma pessoa em experiência “sem confissão” etc., de notoriedade mais que comum, ocorrido dentro dos limites da nossa Conferência. Um membro destacado foi expulso. Apelou. A Conferência Trimestral, por alguma irregularidade de forma, devolveu o caso para novo julgamento. Ele foi expulso pela segunda vez. Sob a instrução e o conselho do muito experiente presbítero presidente do distrito, homem de profunda erudição, essa pessoa expulsa foi recebida em experiência, sem confissão, num cargo a poucas milhas de distância; e depois pegou carta de transferência e se filiou a um novo cargo, mais perto de casa, sem mudar de residência nem confessar o crime pelo qual fora expulsa. Essa administração pode ter sido correta, não sei, porque não conheço todo o caso; mas, se correta, o é com base na minha primeira razão aqui apresentada; e, se correta, cobre do ponto de vista moral o meu ato de receber “sem confissão” etc. Naturalmente, uma administração errada naquele caso não justificará outra errada em outro caso. Mas, quando se permite a homens mais sábios do que eu praticar assim sem serem tratados como contumazes, certamente eu deveria ter o benefício de tal clemência.

5. Depois que soube, de fonte autêntica, o bispo Baker, qual era a decisão episcopal que se aplicaria a esse caso e que poderia remover o fundamento da sua apelação; depois de consultar o irmão Roberts, que expressou de tempos em tempos o desejo e o propósito de prosseguir com a sua apelação, e alguns ministros eminentes que têm a confiança da igreja e que poderão atuar como seus defensores no caso, obedeci ao conselho implícito do bispo e atendi ao pedido do irmão Roberts, interrompendo a sua condição de membro em experiência da mesma maneira como fora recebido. A conclusão, então, desses cinco pontos, cada um e todos juntos, resume-se em poucas palavras: não há, não pode haver, sombra de contumácia, nem no princípio, nem no motivo, nem no ato. O quinto ponto, junto com todos os outros, dá prova não de um espírito obstinado, mas de um espírito dócil; não de resistência e desprezo, mas de submissão e obediência às regras, às decisões e às autoridades da igreja.

Segunda especificação: “Por ter dado ao referido membro expulso licença de exortador, na ocasião dessa recepção em experiência.”

Pela recomendação, quase unânime, da mesma reunião geral da sociedade que votou pela sua recepção em experiência, e na mesma ocasião, dei-lhe licença de exortador.

Como a Disciplina reconhece os exortadores como membros das Conferências Trimestrais, e os membros em experiência não podem ser membros de uma Conferência Trimestral, declarei no certificado que lhe dei que ele era membro em experiência; supondo com isso que uma pessoa, apta sob os outros aspectos a atuar como exortador, poderia fazê-lo antes de poder praticar atos oficiais, como membro da igreja, na qualidade de membro da Conferência Trimestral.

As minhas razões, então, para lhe dar tal licença são:

1. Que ele pudesse, de maneira regular e ordenada, exortar religiosamente o povo.

2. Eu cria que ele era de fato membro em experiência em boa situação, legalmente; e a opinião do bispo, dada há cinco ou seis dias, confirma essa ideia; portanto, nesse aspecto, não havia impedimento.

3. E, embora a Disciplina não preveja investir membros em experiência de poderes oficiais, a não ser de modo implícito, talvez, indicado pelas palavras “membro da sociedade”, exigidas na relação de um pregador local com a igreja (Disciplina, pág. 42), e pelas palavras “membro da classe”, na de um exortador (Disciplina, pág. 66), distinção de palavras nos dois casos que talvez, dizemos, implique que se exige a plena condição de membro no primeiro caso, mas não no segundo; ainda assim, a lei do costume, talvez fundada nessa distinção que notei, admite e sanciona, em alguns casos, uma administração como a minha no caso em questão: o Rev. bispo H. B. Bascom, doutor em teologia, foi autorizado a exortar enquanto estava em experiência.

Com esses fundamentos, e não por contumácia, dei a B. T. Roberts licença de exortador, na forma e da maneira que declarei. A ideia de pôr o meu juízo particular nesse caso, e as minhas convicções pessoais, em oposição e resistência às decisões solenes da Conferência, quando reunida como tribunal, nunca entrou nos meus pensamentos nem no meu coração para ser acalentada por um momento.

Se a minha administração foi incorreta na primeira ou na segunda especificação, ou em ambas, certamente não é um erro do coração; e certamente não devo ser considerado contumaz por não ser mais sábio. Sei que pretendi fazer, e pensei que fiz, pelas razões declaradas, exatamente o que devia ser feito, diante de todas as minhas responsabilidades.

Terceira especificação: “Por ter assistido e ajudado numa chamada ‘reunião trimestral geral’ realizada em Ransomville, em fevereiro passado, dentro dos limites do cargo de East Porter, e ao mesmo tempo que a reunião trimestral regular do referido cargo.”

Sobre essa especificação, digo que assisti a tal reunião em Ransomville, e os fatos seguintes mostrarão que não o fiz por contumácia contra a Conferência, nem por desprezo ao oficial que preside o distrito, como se insinua na especificação:

1. À luz da declaração apresentada, eu considerava o irmão Roberts autorizado, naquela época, a realizar reuniões religiosas onde houvesse oportunidade, com o consentimento do povo e das autoridades do lugar; e, por isso, em tais circunstâncias, não considerei impróprio associar-me a ele e a outros no culto religioso.

2. Os wesleyanos tinham convidado essa reunião para a sua igreja; o nosso povo, pelo que entendo, não tinha nem igreja nem ponto de pregação no lugar.

3. Nunca soube nem sonhei, até que me apresentaram este libelo, que Ransomville estava no cargo de East Porter, pois entendia que ficava em território vago, entre Wilson e Porter, e mais ou menos à mesma distância de Pekin, o meu cargo, quanto de qualquer desses lugares.

4. A varíola grassava em certa medida no nosso lugar, e as nossas reuniões estavam suspensas; e, em tais circunstâncias, os nossos irmãos julgaram apropriado reunir-se com outros irmãos em algum lugar onde não violassem nenhuma ordem da igreja e onde provavelmente fizessem algum bem em nome do Senhor; e estive com eles parte do tempo para fazer um pouco de trabalho e ver o que essas pessoas faziam, pois, então como agora, posso dizer que sei pouco dessas reuniões por observação pessoal.

5. Essa reunião calhou de ocorrer no dia da reunião trimestral do cargo de Porter. Não tive nada a ver com a organização da reunião nem com a fixação da data, mas tenho boas razões para crer que o compromisso foi marcado sem saber que a outra reunião seria na mesma hora. Quando se soube que a reunião de Porter seria nessa ocasião, era tarde demais para mudar a data da outra; mas, como entendi pelos irmãos com quem conversei (eu não conhecia então nada daqueles lugares), a reunião do circuito provavelmente se faria junto com Youngstown, ou em algum ponto a seis ou oito milhas de Ransomville; julguei que uma não interferiria na outra e, por isso, assisti à referida reunião. Lamentei que as duas reuniões fossem ocorrer ao mesmo tempo, porque possivelmente a reunião de Porter poderia ser na parte leste do circuito, mais perto de Ransomville, e poderia pensar-se que essa reunião se destinava a interferir naquela, o que não era o caso.

Irmãos, procurei examinar e responder a cada ponto do libelo; e, embora admita alguma pequena parcialidade pelo meu cliente, devo dizer, com toda a franqueza, que não há, não pode haver, nas suas convicções sobre o caso, sombra de prova que sustente a acusação; que, embora todas as especificações sejam quase literalmente verdadeiras, não há no caso o menor grau de contumácia.

Não se recomenda o texto acima ao leitor como uma defesa admirável e completa? Não respira o espírito da franqueza e da piedade genuína, bem como da lealdade à igreja? Não teria uma declaração assim absolvido o seu autor perante qualquer corpo deliberativo sem preconceito, secular ou religioso? E, no entanto, tal era o estado de coisas na Conferência de Genesee que a sua defesa foi ouvida como um conto à toa; e, tendo-o destinado de antemão à condenação, e tendo os votos para executar o seu propósito, a maioria o votou culpado e depois lhe aplicou a pena mais severa ao seu alcance: a expulsão da Conferência e da Igreja Metodista Episcopal! Até onde poderiam ter ido, se a lei o permitisse, só se pode conjecturar.

Notas do autor

  1. Why Another Sect?, págs. 222-225. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.