História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXXIII

A formação da Conferência de Genesee

A primeira sociedade local da Igreja Metodista Livre, na sua condição de denominação, foi organizada em Pekin, Nova York, pelo superintendente geral B. T. Roberts, em 26 de agosto de 1860, três dias depois da adoção da Disciplina pela Convenção de Pekin. A partir dessa sociedade, como núcleo, a obra metodista livre se espalhou desde então em todas as direções, até abranger hoje trinta e sete Conferências nos Estados Unidos, quatro no Domínio do Canadá e uma na África do Sul, além de extensas missões na Índia, na China, no Japão e na República Dominicana. Abrange também uma bela casa publicadora em Chicago, Illinois; dois colégios superiores, um em Greenville, Illinois, e outro em McPherson, Kansas; quatro seminários que fazem trabalho preparatório e de primeiros anos de colégio; três seminários que fazem trabalho preparatório; várias escolas de grau inferior; e várias instituições beneficentes prósperas.

No começo, muitas vezes se predisse que a obra metodista livre “logo se esgotaria”. O que se disse acima indica que ela vem “se esgotando” há muitos anos, embora num sentido diferente do que os seus inimigos profetizavam. Deus, que plantou essa videira, a regou, nutriu e protegeu, e a fez crescer e estender os seus ramos em várias direções e até limites extensos, apesar de todos os agentes e poderes que conspiraram para a sua destruição. A sociedade organizada em Pekin em 1860 era composta de dezenove membros. Todos, menos dois, já foram recolhidos à Igreja triunfante. Maduros para a sua passagem, o Rev. L. E. Chase, presbítero local, de Jackson, Michigan, e a Sra. Cornelia Castle, de St. Johns, Michigan, aguardam a sua mudança do estado mortal para o imortal como o vigia cansado aguarda a chegada da aurora.

[N. do T.: “run out” tem duplo sentido: “esgotar-se” e “espalhar-se para fora”. Hogue joga com os dois.]

Notou-se num capítulo anterior como a excomunhão em massa de membros da Igreja Metodista Episcopal resultou na formação de “Grupos”, “Sociedades” e “Igrejas Independentes”, como meio de preservar as ovelhas perseguidas de serem dispersas e devoradas. Essas várias organizações locais e independentes começaram então a aliar-se à denominação recém-organizada. Isso se fazia votando, em conjunto, a adoção da Disciplina da nova organização e, depois, com cada membro das respectivas organizações respondendo às perguntas da Disciplina.

Muito naturalmente, depois de assim identificados com a organização maior, esses “Grupos” ou “Sociedades” locais começaram a pedir aos líderes do novo movimento alguém que tivesse a supervisão pastoral deles. Enquanto havia poucas sociedades a atender, o problema era simples; mas, à medida que se multiplicavam e crescia a demanda por orientação espiritual, tornou-se mais difícil e complicado. O resultado lógico dessa situação foi a organização de Convenções (mais tarde chamadas Conferências), com autoridade para decidir quem devia ser considerado apto a atender essa demanda e para fixar de ano em ano as suas relações pastorais.

A primeira a ser organizada foi o que hoje se conhece como Conferência de Genesee, do oeste de Nova York. Na sua organização, era conhecida como Convenção do Leste. Todos os encontros preliminares de caráter deliberativo tinham sido chamados Convenções, e muito naturalmente a nova denominação adotou esse nome para designar as suas reuniões deliberativas anuais, até que se viu que o nome Conferência se adequava melhor ao caráter dos trabalhos e ao modo de fazê-los. Depois dos primeiros anos, o termo Convenção foi abandonado, e Conferência tomou o seu lugar: mudança certamente para melhor.

[N. do T.: na nossa tradução da Disciplina de 1860 mantivemos “Convenção Geral” e “Convenção Anual”, como no original daquele ano.]

A primeira sessão da Convenção do Leste (Conferência de Genesee) realizou-se em Rushford, condado de Allegany, Nova York, a partir de 8 de novembro de 1860. Inscreveram-se dezesseis pregadores e treze delegados leigos.

Foram recebidos em plena conexão: B. T. Roberts, Loren Stiles Jr., Hanford Colborn, A. F. Curry, John W. Reddy e Ephraim Herrick. Foram admitidos em experiência: Daniel M. Sinclair, Moses N. Downing, Russell Wilcox, Arthur King, J. B. Freeland, A. A. Phelps, Judah Mitchell, James Mathews, T. W. Read e Henry Spear.

Os delegados leigos dessa primeira sessão da Conferência metodista livre assim formada foram os seguintes: Dewey Tefft, Gilbert Eggleston, Jonathan Handly, J. R. Annis, Edward P. Cox, P. Hartshorn, George P. Rose, Isaac Williams, G. W. Holmes, Lyman Parker, Charles P. Greenman, George Worthington e James Doty Jr.

A Convenção autorizou o emprego das seguintes pessoas como supridores nos circuitos: Otis O. Bacon, Isaac Foster, A. B. Matthewson; e também Charles P. Greenman, S. K. J. Chesbrough, Isaac Williams e A. C. Leonard, desde que tivessem a devida licença.

Os pregadores foram todos nomeados para circuitos ou estações, e os presidentes de distrito foram autorizados a empregar mais dez como supridores; e ainda assim não se puderam preencher todos os lugares que pediam pregadores. A Comissão de Nomeações fez as seguintes nomeações:

Distrito de Genesee. Presidente: ______. Holley, a ser suprido; Albion, L. Stiles Jr.; Kendall, M. N. Downing; Rochester e Chili, Daniel M. Sinclair; Buffalo (rua Treze), James Mathews; Buffalo (Segunda Igreja Metodista Livre), suprido por S. K. J. Chesbrough; Carey e Shelby, J. B. Freeland; Asbury, a ser suprido; Carlton e Yates, suprido por A. C. Leonard; Alden, a ser suprido; Pekin, Tonawanda, Porter e Wilson, Russell Wilcox, Judah Mitchell, Arthur King e Isaac Williams.

Distrito de Allegany. Presidente: A. F. Curry. Wales e Spring Brook, Ephraim Herrick; West Falls, suprido por Levi Metcalf; East Otto, suprido por Otis O. Bacon; Rushford, J. W. Reddy; Gowanda e Collins, a ser suprido; Chemung, T. W. Read, H. W. Spears; Perry, A. A. Phelps; Cadiz, suprido por A. B. Matthewson.

B. T. Roberts, superintendente geral.

[N. do T.: “supridor” (“supply”) é o pregador, em geral ainda não membro da Conferência, que supre um cargo vago.]

A. F. Curry, um dos pregadores recebidos em plena conexão na organização dessa Conferência, fora antes médico, mas se dedicara à obra do ministério ao chamado de Deus e servira nessa função por algum tempo na Igreja Metodista Episcopal. Durante a última parte do tempo em que corria a agitação da Conferência de Genesee que levou à formação da Igreja Metodista Livre, ele estava nomeado como pastor em Allegany, Nova York. Simpatizava fortemente com os irmãos desprezados e perseguidos chamados “nazaritas” e abraçou e defendeu abertamente a sua causa.

Por fim, por dever e para se livrar da cumplicidade com as medidas opressivas da Conferência, retirou-se da Igreja Metodista e formou uma Igreja Congregacional Metodista Livre em Allegany. Quase todos os membros da igreja de que fora pastor foram com ele. Isso reduziu tanto a sociedade metodista episcopal daquele lugar que o ponto foi abandonado, sem cultos metodistas ali durante vários anos. A Igreja Congregacional Metodista Livre usou a propriedade da Igreja Metodista Episcopal, que, depois da formação da Igreja Metodista Livre em 1860, também foi usada pelo povo metodista livre durante vários anos.

Quando se organizou a Conferência de Genesee da Igreja Metodista Livre, o Sr. Curry ofereceu-se a esse corpo e foi recebido na Conferência em plena conexão. Foi eleito presidente do distrito de Allegany. Continuou a servir nas fileiras do ministério metodista livre, principalmente na Conferência de Susquehanna, enquanto viveu. Foi presidente de distrito (ou presbítero de distrito, como o cargo foi chamado depois) durante muitos anos e representou repetidas vezes as suas Conferências na Conferência Geral. Era homem de muita dignidade, mas de grande afabilidade e sociabilidade; pregador capaz e às vezes eloquente, cujo tema preferido era a expiação de Cristo. Era também conselheiro valioso e amigo fiel. Teve bastante participação na legislação inicial da Igreja Metodista Livre e foi um dos honrados construtores do metodismo livre primitivo.

Outro homem que se ligou à Conferência de Genesee nessa primeira sessão, e que esteve em destaque identificado com o movimento metodista livre por mais de cinquenta anos, foi J. B. Freeland. Foi recebido em experiência. Era um moço de nobres qualidades e de experiência religiosa excepcionalmente profunda e clara. Morava em Allegany, Nova York. A. F. Curry era o seu pastor na Igreja Metodista daquele lugar. Não só vieram para a Igreja Metodista Livre ao mesmo tempo, como, pela providência de Deus, foram companheiros de trabalho nas mesmas Conferências durante muitos anos, e o seu convívio e a sua comunhão permaneceram sem interrupção até que a morte chamou o Sr. Curry para o outro mundo.

Algum tempo depois que E. E. Chambers foi mandado como presbítero presidente para o distrito de Olean, no lugar de C. D. Burlingham, pelo poder da Regência, a Junta Oficial de Allegany assistiu ao seu culto no sábado às duas da tarde, mas no domingo foi em bloco aos cultos em Five Mile, um bairro a cinco milhas ao norte de Allegany. Era uma espécie de protesto contra o ato do poder da Regência de ter removido o presbítero presidente Burlingham, homem contrário à Regência e defensor da santidade, e de ter nomeado no seu lugar o Sr. Chambers, adepto muito forte da Regência. A reunião em Five Mile estava a cargo do Sr. Freeland e de George Fuller, exortadores do circuito de Allegany, e de G. C. Sheldon e outros, líderes de classe. A reunião se fez no salão de baile abandonado de Cornell Wiltse, que também fora contagiado pelo “nazaritismo”, e o salão ficou bem cheio.

Fiéis ao compromisso feito na primeira Convenção dos Leigos e reiterado nas seguintes, esses irmãos se tinham abstido de pagar qualquer coisa ao novo presbítero presidente, por ele ter participado da expulsão de Roberts, McCreery e outros e não ter mostrado sinal de arrependimento. Sendo o “Doutor Curry”, como era comumente chamado por ter sido médico, o seu pastor, e sendo a Junta Oficial favorável a eles, o Dr. Chambers não conseguiu resolver os seus casos lendo-os como retirados, e assim eles não passaram pela ignomínia que muitos dos seus irmãos sofreram.

O pastor e a Junta Oficial cuidaram de que as licenças dos que eram exortadores fossem devidamente renovadas. Por isso o Sr. Freeland pôde filiar-se à Igreja Metodista Livre por carta de transferência, devidamente dada pela Igreja Metodista Episcopal, coisa muito rara naqueles dias. Antes de ir à Conferência de Rushford, ele vinha trabalhando por uns três meses como exortador entre os que tinham sido “lidos fora” da Igreja Metodista no condado de Niágara antes da Conferência de Brockport. Esteve presente na reunião da tenda de Fay Purdy na época daquela Conferência. Desde que se uniu em experiência à Conferência de Genesee da Igreja Metodista Livre, mostrou-se sempre verdadeiro servo de Deus e da igreja. O seu trabalho voltará a ser considerado à medida que prosseguirmos com a nossa narrativa.

Dos que compuseram essa primeira Conferência da igreja na sua formação, todos já foram para a sua morada eterna, exceto J. B. Freeland. Na calma expectativa da idade avançada, ele aguarda a convocação para cessar o trabalho e entrar no descanso. Note-se que o nome do presidente do distrito de Genesee não aparece na lista acima. Parece que o cargo foi deixado para ser preenchido depois, por nomeação do superintendente geral. O Earnest Christian de março de 1861 traz um relato editorial de uma reunião trimestral geral em Albion, em fevereiro anterior, do qual se reproduz o seguinte, pela luz que lança sobre a nomeação que por fim se fez:

Uma das cenas mais emocionantes que já presenciamos aconteceu na Convenção Trimestral, quando O REV. ASA ABELL SE UNIU À IGREJA METODISTA LIVRE.

Há quarenta anos ele é pregador itinerante na Igreja Metodista Episcopal. Foi delegado a quatro Conferências Gerais e ocupou por dezoito anos o cargo de presbítero presidente. É geralmente conhecido e profundamente amado. Mal havia olhos secos na Convenção quando ele anunciou a sua convicção de que chegara o tempo de mudar a sua relação eclesiástica. Não podemos esperar fazer justiça às suas palavras, mas foram, em substância, as seguintes: “Sou há muito tempo membro da Igreja Metodista Episcopal. É com grande relutância que a deixo. Devo a minha salvação, depois de Deus, à Igreja Metodista Episcopal. Ela é a minha mãe. Não posso voltar-me contra ela. Isso não está no meu coração, e confio que não esteja no coração de nenhum de nós fazer-lhe guerra. As minhas simpatias estão com os irmãos que foram tachados de nazaritas. Puseram sobre eles o calcanhar da opressão. Alguns deles foram, como creio, injustamente excluídos, e negou-se-lhes toda reparação. Pensou-se que podiam ser facilmente aniquilados. Eu pensava de outro modo. O grande avivamento da santidade no distrito de Genesee foi tachado de fanatismo. Eu cria que era uma obra genuína de Deus. As minhas simpatias têm estado com essa classe de pessoas. Tenho de ir com um lado ou com o outro. Decidi lançar a minha sorte com vocês. Eu poderia sentar e chorar por uma hora. Quisera que não tivesse havido motivo para este passo. Mas estamos separados no sentimento. A comunhão acabou. Por isso tenho de vir para o meio de vocês, se me aceitarem.” Não precisamos acrescentar que ele foi recebido de braços abertos. Ele ocupará o posto de presidente do distrito de Genesee.

Nessa sessão da Conferência, A. A. Phelps foi recebido em plena conexão e eleito para as ordens de diácono. O superintendente geral Roberts o ordenou no domingo. Ele continuou a trabalhar no ministério metodista livre por vários anos com muita aceitação e foi também colaborador frequente do Earnest Christian. O Sr. Phelps era homem erudito, formado num colégio superior com o grau de mestre em artes, pregador capaz, excelente pastor e escritor competente. Por fim se deixou influenciar pelo adventismo materialista, deixou os metodistas livres, trabalhou entre o povo adventista por algum tempo, depois se uniu a uma igreja independente de linha restauracionista, voltou por fim a um aprisco ortodoxo e passou o último período da sua vida dirigindo uma escola de formação de obreiros cristãos em Boston, Massachusetts.

[N. do T.: “adventismo materialista” designa provavelmente a doutrina do “sono da alma”, e “restauracionista”, a crença na restauração final de todos; Hogue não explica os termos.]

Nessa primeira sessão da Conferência, ou Convenção, de Genesee também se apresentou o assunto de lançar um jornal semanal. A proposta provocou considerável discussão, que resultou por fim num voto da maioria no sentido de que tal projeto era, naquele momento, inoportuno e insensato. O grande argumento a favor de tal periódico era a necessidade de um meio pelo qual a igreja pudesse corrigir as frequentes e danosas deturpações feitas continuamente pelos que tinham sido instrumentos de forçar a divisão na Igreja Metodista Episcopal que tornara necessária a nova organização.

Sobre esse ponto, o superintendente Roberts disse: “Um jornal semanal neste momento nos envolveria quase inevitavelmente em controvérsia. Os que não deixam de tentar nenhum meio para nos destruir puseram nas nossas mãos tantas armas que poderiam ser usadas em nosso proveito e para confusão deles que a tentação seria, tememos, irresistível. Mas gerar e alimentar um espírito controverso entre o povo de Deus seria uma grande calamidade. Aquilo de que mais precisamos é um avivamento geral, profundo e completo da religião. A repetição das injustiças que sofremos e dos maus atos de outros não terá muita probabilidade de salvar almas. Se nos mantivermos firmes nisso, o Senhor será a nossa defesa: ‘Deus põe a salvação como muralha e defesa’ (Is 26.1).”

As dificuldades financeiras que o projeto traria foram outra consideração apresentada contra ele pelo Sr. Roberts, e que pesou na decisão da Conferência de adiar uma ação decisiva sobre o assunto. A Conferência nomeou, porém, uma comissão de leigos e de três ministros, instruídos a levantar, se possível, 1.000 dólares durante o ano para a compra de tipos, prensa e outros equipamentos, em preparação para lançar um jornal mais tarde. A comissão foi formada pelos seguintes senhores: A. W. Perry, D. E. Tyler, George Worthington, G. W. Holmes, J. Handly, W. H. Doyle, E. S. Woodruff, Charles Denny e Seth M. Woodruff, leigos; e A. F. Curry, J. W. Reddy e T. W. Read, ministros. Pediu-se aos membros em geral de toda a Conferência que cooperassem nesse empreendimento.

Adotadas essas medidas, os irmãos decidiram por fim deixar o projeto de lado por enquanto; e, entregando a sua causa àquele que disse: “Nenhuma arma forjada contra você prosperará; e você condenará toda língua que quiser acusá-la em juízo” (Is 54.17), saíram dessa primeira sessão da Conferência esquecidos das injustiças sofridas no passado e esperançosos de um ano de avivamento e salvação. E não alimentaram essa esperança em vão.

Acenderam-se fogos de avivamento na maioria dos circuitos durante o ano, e até nas “regiões além” dos limites da Conferência. Houve grandes refrigérios em Wales; caíram chuvas de bênção sobre o cargo de Parma; Buffalo ardia de interesse pelo avivamento, com a obra avançando a fundo na Igreja Metodista Livre e tendo também irrompido entre os suecos de um povoado a cerca de quatro milhas, e com uma boa obra feita no cais, onde o Rev. D. M. Sinclair e alguns dos seus membros realizavam regularmente cultos dominicais entre os barqueiros. Em Allegany, Rochester, Rushford, North Chili, Lyndonville, Collins e muitos outros pontos também houve avivamentos, e muitas almas foram recolhidas ao reino de Deus. Realizaram-se acampamentos em várias partes da Conferência, acompanhados de manifestações maravilhosas do poder divino, que resultaram em muitas conversões e na santificação de muitos crentes. O acampamento de Bergen, em particular, foi um tempo de grande elevação para a obra dentro e até fora dos limites da Conferência. O Earnest Christian, num relato editorial dele, disse: “Os resultados serão sentidos em todo o país. Grande número obteve a bênção do perdão, e um número ainda maior, confiamos, a da pureza de coração. Os membros em geral foram vivificados e voltaram para casa encorajados e decididos a trabalhar com maior diligência do que nunca pela salvação das almas. Alguns dos ministros também sentiram de novo o poder vivificador do Espírito Santo e saíram para espalhar mais do que nunca o fogo santo.”

As reuniões trimestrais gerais também foram tempos de notável interesse e poder. Não eram meras reuniões oficiais, mas encontros dos “peregrinos” de todos os circuitos de cada distrito, para comunhão e encorajamento mútuo e para passar alguns dias em serviço sério pela promoção da verdadeira obra de Deus. Muitas vezes estavam presentes de cem a duzentas pessoas de fora, e, quando os tições se juntavam, o vento do Espírito Santo soprando sobre eles os acendia numa verdadeira chama de avivamento, na qual se repetiam muitas das cenas do antigo Pentecostes. Esses cultos foram um grande meio de promover a unidade e o amor fraternal e de espalhar e aprofundar a obra de Deus dentro da igreja infante. A chama do avivamento foi quase contínua.

A seguinte decisão foi tomada pela Conferência na sua segunda sessão, realizada em Perry, Nova York, de 24 a 28 de outubro de 1861, e está em nítido contraste com o que tem sido a política geral da igreja há muitos anos, e com o que se tornou a política da própria Conferência que a aprovou não muitos anos depois:

Pergunta 1. Aprovamos, como igreja, o trabalho das mulheres?

Resposta: De todo o coração. É dever das mulheres cristãs exercitar-se nas reuniões sociais e públicas, por meio da oração, do testemunho pessoal ou da exortação, conforme as suas capacidades permitirem ou a ocasião oferecer.

Pergunta 2. Aprovamos a pregação das mulheres?

Resposta: Não. E pelas seguintes razões:

1. Não a encontramos autorizada no Antigo Testamento.

2. Não a encontramos autorizada no Novo Testamento.

3. Pelo contrário, a Palavra de Deus dá a entender claramente que a mulher não se destina ao ofício do santo ministério.

4. Ela se choca com os deveres e as relações ordinárias do sexo feminino.

5. Tende a despertar preconceito e a produzir confusão na condução da obra de Deus.

6. É contrária ao uso da igreja em todos os tempos, sem excetuar a Igreja Metodista. Que a prática é contrária a Wesley pode ver-se pelas seguintes palavras de John Wesley, no seu conselho à Sra. Crosby: “Os metodistas não permitem mulheres pregadoras. * * * Em público, você pode muito bem intercalar breves exortações com a oração; mas mantenha-se tão longe quanto puder do que se chama pregação; portanto, nunca tome um texto; nunca fale em discurso contínuo, sem alguma pausa, por mais de cinco ou seis minutos. Diga ao povo: ‘Teremos outra reunião de oração em tal hora e lugar.’ Se Hannah Harrison tivesse seguido essas orientações, poderia ser hoje tão útil como sempre” (Works, vol. VII, págs. 28-29).

Apesar do caráter drástico dessa decisão, a Conferência que a aprovou foi uma das primeiras (talvez a primeira) a dar licença a mulheres como pregadoras locais. Em 1873, “o seguinte documento, apresentado por C. D. Brooks, da Conferência de Genesee, foi encaminhado, a pedido dele, à Conferência Geral, como forma apropriada de licença a ser concedida às mulheres que uma Conferência Trimestral julgue chamadas para pregar o evangelho”:

Certificamos que nós, membros da Conferência Trimestral, conhecendo os dons e as graças da irmã ______, declaramos com alegria a nossa plena confiança na sua integridade e também apreciamos a sua capacidade de expor e ensinar as Escrituras da verdade divina; e, para que ela tenha encorajamento para usar os seus dons, nós a recomendamos de boa vontade como obreira pública, para a edificação da causa de Cristo.

Votado pela Conferência Trimestral realizada em ______.

Presidente.

Secretário.

[N. do T.: a decisão de 1861 é transcrita aqui como documento histórico. O próprio Hogue registra o contraste com a prática posterior da Igreja Metodista Livre, que logo passou a licenciar mulheres para pregar. A posição atual da Igreja Metodista Livre do Brasil sobre o ministério feminino está exposta na lição “Por que a Igreja ordena mulheres”, publicada no site.]

Nessa segunda sessão da Conferência também se tomou uma decisão com vistas à fundação de uma escola denominacional, e aprovou-se o seguinte a respeito:

Resolvido, que se nomeie uma comissão de dois pregadores e dois leigos para tomar medidas a fim de obter, se possível, durante o próximo ano da Convenção, um edifício e um terreno adequados a serem destinados a fins escolares, como seminário ou academia; contanto que tal compra fique dentro do limite de 2.000 dólares e contanto, também, que não se faça nenhuma compra que envolva esta Convenção em qualquer responsabilidade financeira.

Rev. Asa Abell, Rev. L. Stiles Jr., G. W. Holmes, T. B. Catton. Comissão.

Isso mostra que, logo no começo da história da igreja, os seus fundadores reconheceram a necessidade de preparo educacional para a obra da vida e também a necessidade de a igreja fundar escolas próprias, se quisesse que os seus filhos e jovens fossem educados sob influências cristãs que formam um caráter cristão forte. Parece, porém, que nada resultou dessa decisão da Conferência; a ata impressa nem sequer mostra que a comissão tenha apresentado relatório. Passaram-se vários anos até que algo definido tomasse forma no sentido de começar uma escola, e então foi por iniciativa do superintendente geral Roberts, que conduziu o assunto até a sua conclusão bem-sucedida, e não por decisão de alguma Conferência.

O primeiro relatório estatístico dessa Conferência que aparece na ata impressa está ligado à sua terceira sessão. Por esse relatório, vê-se que a Conferência tinha dez pregadores em plena conexão e doze em experiência; 1.421 membros leigos e 278 em experiência, num total de 1.699; e propriedades da igreja avaliadas em 31.850 dólares. O seu ministério conta hoje cinquenta membros em plena conexão e quatro em experiência; os seus membros leigos somam 1.823, incluindo alguns em experiência; e as propriedades da igreja são declaradas no valor de 116.700 dólares, com casas pastorais avaliadas em 66.050 dólares. Deve-se lembrar, porém, que as Conferências de Oil City e de Pittsburgh se formaram depois com território que, na maior parte, foi em algum tempo ocupado pela Conferência de Genesee, e que, quando Genesee foi dividida para formar a Conferência de Pittsburgh, o seu número de membros ficou muito reduzido pela divisão.

Há poucas Conferências na denominação que tenham levantado e enviado um grupo tão bom de homens capazes e piedosos para pregar o evangelho como a de Genesee. Ela deu à igreja três bispos: Roberts, Coleman e Hogue; três redatores do Free Methodist: Wood, Roberts e Hogue; um agente da Casa Publicadora: Chesbrough; e dois tesoureiros dos fundos da igreja: Chesbrough e Sully (este último leigo); todos levantados dentro do seu território e eleitos de dentro dos seus limites para os respectivos cargos. Outros que começaram o seu ministério dentro dos seus limites também ocuparam alguns dos cargos mais importantes da igreja, mas se uniram primeiro a outras Conferências e foram depois eleitos de dentro delas para os respectivos cargos, como W. A. Sellew para o cargo de bispo, D. S. Warner para o de redator da literatura da escola dominical e J. S. MacGeary para o de bispo missionário. Outros ainda, levantados em outras Conferências, foram escolhidos, depois de se unirem à de Genesee, para ocupar posições de destaque na igreja: William Pearce para o episcopado, e J. G. Terrill e B. Winget como secretários de missões.

[N. do T.: o próprio autor, Wilson T. Hogue, inclui-se na lista dos bispos e redatores vindos da Conferência de Genesee.]

É também um prazer lembrar os nomes de outros que contribuíram para a edificação da causa nos primeiros anos, alguns dos quais ainda são forças fortes no metodismo livre. Havia A. G. Terry, santo de Deus, notável pela fé e pela devoção; Henry Hornsby, notável pelo conhecimento da história da igreja e da jurisprudência eclesiástica; J. W. Reddy, o orador de língua de prata da Conferência; William Manning, o doce cantor de Genesee; C. D. Brooks, nos seus primeiros dias homem de habilidade e poder nos avivamentos; Otis O. Bacon, homem em quem não havia dolo; T. B. Catton, um dos fortes pilares do metodismo livre; A. A. Burgess, no seu vigor homem de habilidade e zelo evangelístico; C. C. Eggleston, veterano da Guerra Civil, modesto, afável, interessante e leal a Deus e à igreja; A. H. Bennett, sempre fiel, e no entanto bondoso e amoroso com todos, o São João de Genesee; John O’Regan, convertido do romanismo, notável troféu da graça divina; E. A. Taylor, cujos anos de disciplina na escola das provações aflitivas fizeram dele um homem de muita utilidade; e C. W. Bacon, o profeta chorão, verdadeiro filho do metodismo livre. Eram todos homens bons, capazes e úteis, uma honra para a igreja e para a causa de Deus.

Poder-se-iam mencionar mais vinte ou trinta que trabalharam com capacidade e zelo pela edificação do metodismo livre, alguns dos quais há muito foram para a sua casa celestial, outros estão às portas do mundo espiritual, e outros ainda continuam a suportar fielmente “a fadiga e o calor do dia” (Mt 20.12); mas isso daria ao registro uma extensão injustificável. Sem dúvida os seus nomes estão inscritos no “Livro da Vida do Cordeiro”.

Além disso, seria difícil encontrar em qualquer igreja leigos mais firmes, nobres, consagrados e piedosos do que Abner I. Wood, Seth Woodruff,1 Philander H. Curtis, Bailey Burritt, G. C. Sheldon, Cornell Wiltse, S. B. Lane, Thomas Hogg, Hiram Snell, Franklin Smith, Lorin Hill, Abram Castle, J. B. Annis, A. K. Bacon, N. S. Bennett, G. W. Holmes, Thomas Sully, George W. Johnston, Dewey Tefft, J. Cady, Henry Swanson, Tristram Corliss, Simon Witmer, os irmãos Metcalf e os Worthington, de Rushford, Nova York, e Alexander Leonard. São os nomes de apenas algumas amostras dos leigos que sempre ajudaram a fazer do metodismo livre um êxito na Conferência de Genesee e até nas “regiões além”. Eram um grupo nobre; e, com as suas esposas consagradas e heroicas, não pouparam trabalho nem sacrifício no interesse da causa que tinham abraçado. Havia centenas mais de fé e dedicação semelhantes, e aos sábios conselhos, ao trabalho sério, aos sacrifícios heroicos e aos donativos generosos dos seus nobres leigos e das suas esposas igualmente nobres a obra da Conferência de Genesee sempre deveu em grande parte o seu êxito.

Num período inicial da sua história, a Conferência de Genesee perdeu um dos seus pilares mais fortes com a morte prematura do Rev. Loren Stiles Jr. Esse eminente pregador foi um dos construtores do metodismo livre no princípio, e a igreja infante esperava dele grandes coisas no interesse do reino de Deus para o futuro, esperança que sem dúvida se teria realizado se ele tivesse sido poupado para trabalhar, como muitos outros foram, durante a primeira geração da história da igreja. Mas Deus o chamou do trabalho terreno para o serviço mais alto do seu reino celestial na plena força da sua idade. Os caminhos de Deus são insondáveis e misteriosos, e assim pareceu especialmente nesse caso.

Por ocasião da morte do Sr. Stiles, o superintendente geral Roberts, referindo-se ao triste acontecimento no Earnest Christian, disse: “Um dos grandes desânimos que tivemos de enfrentar ao procurar promover a religião espiritual foi a remoção precoce do cenário da luta dos que pareciam mais necessários para o avanço da causa.” Citou então as mortes do bispo Hamline, de William C. Kendall, do Dr. Redfield e de outros, além do Sr. Stiles, e acrescentou: “Sentimo-nos sozinhos; sentimo-nos tristes. Que significa isso? Estará Deus descontente com os nossos esforços para promover a religião pura, para pôr assim de lado os que mais fazem pelo seu avanço? Não pode ser. Ele leva os seus operários, mas continua a sua obra. Quer que a sua igreja, a ‘igreja dos primogênitos’ (Hb 12.23), se apoie só nele, e por isso tira as suas colunas e sustenta, pelo seu poder invisível e todo-poderoso, o edifício trêmulo cuja queda, aos olhos humanos, parece inevitável e próxima.”

[N. do T.: o texto está assim no original, conferido na imagem da página. Roberts inclui o Dr. Redfield entre os mortos, mas, segundo o próprio Hogue, Stiles morreu em maio de 1863, e as biografias dão a morte de Redfield em novembro de 1863. O artigo citado deve, portanto, ser algo posterior à morte de Stiles.]

O Sr. Stiles era um homem extraordinário. Não foi feito em escala estreita, mas se caracterizava pela amplitude e pela harmonia do caráter. Fisicamente era alto, de ombros largos, ereto, mas com a cabeça levemente inclinada. Tinha testa alta e cabelos ondulados, cuja mecha da frente lhe caía sobre a testa quando falava, obrigando-o a afastá-la repetidas vezes com a mão. Era em todos os sentidos da palavra um homem, um cavalheiro e um cristão. Era modesto e reservado, mas nunca a ponto de fugir da responsabilidade. Tinha convicções fortes e positivas e não tinha medo nem vergonha de declará-las em qualquer lugar e a qualquer custo. Era devoto, piedoso, espiritual e pregava com unção celestial. Possuía todas as qualidades do orador, e estas, inflamadas pelo batismo do Espírito Santo, faziam dele não só um homem intensamente interessante de ouvir, mas um homem muito popular, no melhor sentido da palavra. Muitos o chamavam “o orador do metodismo do oeste de Nova York”.

Morreu na sua casa, em Albion, Nova York, em 7 de maio de 1863, de febre tifoide. Na época da sua morte, ocupava o cargo de presidente do distrito do Norte.

Depois de escrita a parte anterior deste capítulo, morreu o Sr. Thomas Sully, um dos leigos mencionados. Ele foi um dos leigos que assistiram à segunda Convenção dos Leigos para protestar contra a política de proscrição na Conferência de Genesee da Igreja Metodista Episcopal. Isso foi em 1859. Participou também da Convenção de delegados em Pekin, Nova York, onde se organizou a Igreja Metodista Livre. Assim que se formou a Igreja Metodista Livre de Buffalo, ligou-se a ela; de modo que foi um dos primeiros construtores do metodismo livre. Permaneceu sempre fiel aos ideais primitivos da igreja que ajudou a formar. Estava sempre pronto também para sustentar a causa, não só financeiramente, mas com todo o peso da sua influência e com toda a eficácia das suas orações. Durante muitos anos foi secretário e tesoureiro da Pitts Agricultural Works, de Buffalo, Nova York, e depois se tornou acionista da empresa; e, durante todos esses anos, foi reconhecido por todos os que o conheciam como homem da mais estrita integridade. Durante os últimos seis anos da sua vida serviu como tesoureiro da Junta Geral de Missões da Igreja Metodista Livre e também como tesoureiro de todos os outros fundos gerais da igreja. Nessa função foi fiel até o fim. Passou o dia anterior à sua morte no escritório, como de costume, e fez um dia inteiro de trabalho. Estava no seu octogésimo terceiro ano e era quase o homem mais ágil da Casa Publicadora. Não faltou um dia por doença durante os seus seis anos como tesoureiro dos fundos da igreja. A sua morte foi muito digna da vida que vivera. Caiu num sono suave e não acordou mais.

Notas do autor

  1. Seth Woodruff foi um homem notavelmente bom e útil, uma espécie de William Carvosso na Igreja Metodista Livre. Era moleiro de profissão e tinha um bom negócio. Por fim, disse ao Senhor que, assim que possuísse 5.000 dólares, daria todo o seu tempo ao trabalho pelo avanço do seu reino. Logo foi dono de 5.000 dólares e, fiel à sua palavra, organizou-se imediatamente para dedicar dali em diante todo o seu tempo à obra do Senhor. Foi um dos homens mais fiéis em exortar os pecadores ao arrependimento. Certa vez, o seu cavalo ficou incontrolável e disparou. O animal corria pelos campos como o vento, com o dono em perigo constante e à espera de ser morto; e, nessa corrida desvairada, o Sr. Woodruff encontrou um homem não convertido e, sentindo que desejava advertir mais um pecador a arrepender-se antes de ser morto, gritou: “Fuja da ira vindoura!” ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.