História da Igreja Metodista Livre · Volume I · Capítulo XXXIV

A formação da Conferência de Illinois

Enquanto os acontecimentos acima se davam no Leste, a obra também se desenvolvia no norte de Illinois. Ali, como no oeste de Nova York, os que tinham sido excomungados sem piedade das sociedades metodistas que tinham ajudado a manter durante anos haviam formado “Grupos” e igrejas metodistas “livres” independentes, como meio de não se dispersarem e também para promover com mais eficácia a obra da santidade e ter mais êxito na conversão dos pecadores. Quando souberam que a Convenção de Pekin, Nova York, votara organizar a Igreja Metodista Livre como nova denominação e adotara uma Disciplina, receberam a notícia com alegria; e logo, um após outro, esses “Grupos” e “Igrejas” procuraram e encontraram nela um lar, adotando a Disciplina e tornando-se sociedades dentro da denominação recém-organizada. Por esse meio, e também pela expansão da obra de avivamento e pelo surgimento de novas sociedades entre os convertidos, a obra nessa região cresceu rapidamente, até que, em junho de 1861, a Convenção do Oeste (hoje Conferência Anual de Illinois) se tornou uma necessidade para a devida supervisão das sociedades multiplicadas.

Essa Convenção (Conferência) foi organizada e realizada junto com um acampamento no bosque do Sr. Laughlin, perto da vila de St. Charles. O acampamento teve grande frequência e produziu resultados muito graciosos. O falecido Rev. J. G. Terrill escreveu sobre ele: “Muitos nesse acampamento entraram na experiência do perfeito amor”, e “cerca de treze se uniram à Igreja Metodista Livre”. Diz também: “A Convenção realizou as suas sessões sobre uma pilha de mourões, do outro lado da estrada, em frente à casa do Sr. Laughlin. Inscreveram-se vinte pregadores e igual número de leigos. Judah Mead foi eleito presidente do distrito [de St. Charles]. Joseph Travis e J. W. Redfield foram eleitos para as ordens de diácono, e Judah Mead e Joseph Travis para as ordens de presbítero. Este último foi eleito para as duas ordens por causa da sua nomeação [como missionário] para St. Louis, sem homens ordenados para ajudá-lo.”1

Essa foi, na realidade, a segunda sessão da Convenção do Oeste, embora fosse a primeira depois da adoção da Disciplina da Igreja Metodista Livre. De um relato editorial dela, publicado no Earnest Christian de setembro daquele ano, extraímos o seguinte:

Dez pregadores foram admitidos na conexão itinerante. Todos os pregadores professam, e cremos que gozam, a bênção da inteira santificação. São moços devotadamente piedosos e trabalhadores, capazes de prestar muito serviço à causa de Cristo com um salário muito pequeno. Um deles, durante o ano, andou mil e seiscentas milhas a pé, visitou mil famílias e orou com elas, e recebeu trinta dólares. Homens assim não se derrubam facilmente quando estão empenhados em espalhar a santidade, com o Espírito Santo enviado do céu.

A seguinte lista de nomeações foi preparada pela Comissão de Nomeações, sendo cada nomeação um circuito, que se supunha ter pelo menos seis pontos de pregação diferentes:

Distrito de St. Louis. Joseph Travis, presidente. St. Louis, Joseph Travis e um a ser suprido.

Distrito de St. Charles. Judah Mead, presidente. St. Charles, Thomas LaDue; Clinton, I. H. Fairchilds, W. D. Bishop; Aurora, J. G. Terrill, Erastus Ribble; Marengo, E. P. Hart, J. W. Dake e um a ser suprido; Crystal Lake, H. M. Hooker, E. Cook; Newfield, G. L. Shepardson, supridor; Ogle, G. P. Bassett; Sugar Creek, Wisconsin, D. F. Shepardson, C. E. Harroun; Geneva, P. C. Armstrong; Belvidere, J. W. Mathews; Elroy, J. Collier; Missão de Rensselaer, A. B. Burdick; Missão Norueguesa, J. Oleson; missionário geral, J. W. Redfield.

A maioria desses nobres homens já passou para o grande além; e os que restam, no momento em que escrevemos, estão aposentados e, na calma confiança da fé e da esperança cristãs, aguardam a vinda do Senhor ou, se ele tardar a sua vinda, a descida do carro que levará os seus espíritos redimidos à sua presença celestial.

Vários dos pregadores da lista acima foram por fim elevados a posições de grande distinção na igreja. E. P. Hart tornou-se superintendente geral em 1874; Joseph Travis foi eleito redator do Free Methodist em 1882; e J. G. Terrill foi escolhido secretário de missões pela Comissão Executiva em 1893, para preencher a vaga deixada pela renúncia de W. W. Kelley, cuja saúde debilitada exigiu que se retirasse do cargo. Em 1894 foi de novo escolhido para o mesmo cargo, do qual logo foi tirado pela morte.

Levantou-se uma dúvida sobre a exatidão histórica da afirmação de que a Igreja Metodista Livre foi organizada em Pekin, Nova York, em 23 de agosto de 1860. A dúvida surgiu do fato de existir ainda o original de uma credencial de pregador emitida pela Convenção do Oeste da Igreja Metodista Livre em junho de 1860, com a assinatura de B. T. Roberts como presidente. Pergunta-se: “Não é isso prova de que a Igreja Metodista Livre era um corpo organizado já em junho de 1860, embora o relato histórico date a sua origem em Pekin, Nova York, em agosto de 1860?” A solução é esta: várias igrejas metodistas “livres” locais tinham sido organizadas no norte de Illinois antes de junho de 1860. Junto com um acampamento realizado no bosque do Sr. Laughlin, em St. Charles, Illinois, em junho de 1860, “realizou-se uma Convenção dos Leigos debaixo das árvores do quintal do Sr. Laughlin”. B. T. Roberts estava presente no acampamento e também na Convenção dos Leigos e, estando presente nesta, foi muito naturalmente “chamado à presidência”.2

Essa é a Convenção que deu a credencial mencionada, e o Sr. Roberts, como presidente da Convenção, naturalmente a assinou. Essa, porém, era uma Convenção dos Leigos, que representava “Grupos” isolados de igrejas metodistas “livres”, sem unidade orgânica, nenhum dos quais adotara ainda a Disciplina da Igreja Metodista Livre, pois esta só foi redigida e adotada como base da nova denominação quando o fez uma Convenção de delegados, leigos e ministros, em Pekin, Nova York, em 23 de agosto de 1860. Essa primeira Convenção do Oeste, de junho de 1860, elegeu o Rev. J. W. Redfield e Daniel Lloyd como seus delegados à Convenção de Pekin, onde se organizou a Igreja Metodista Livre e o Sr. Roberts foi feito o seu primeiro superintendente geral.

Não há estatísticas das primeiras sessões dessa Conferência quanto ao número de membros leigos ou às propriedades de igrejas e casas pastorais. Em 1864, porém, havia 982 membros, dos quais 141 em experiência, com propriedades da igreja avaliadas em 13.953 dólares. Atualmente a Conferência tem quarenta e um pregadores, dos quais dois em experiência; 1.043 membros leigos e 127 em experiência; igrejas avaliadas em 136.900 dólares; e casas pastorais em 67.300 dólares. A de Illinois foi também uma das Conferências-mães das quais nasceram várias outras. O quadro dos ministros que compõem esse corpo tem estado em geral consideravelmente acima da média em capacidade de pregação e de administração, e vários dos homens mais fortes da denominação saíram das suas fileiras.

Notas do autor

  1. History of the St. Charles Camp-meeting, pág. 22. ↩
  2. Terrill, History of the St. Charles Camp-meeting, pág. 15. ↩

Tradução para o português a partir de Wilson T. Hogue, History of the Free Methodist Church of North America (Chicago: Free Methodist Publishing House, 1915), 2 vols., no exemplar de 1918 da Universidade Emory digitalizado pelo Internet Archive; domínio público. O volume I foi conferido também com a transcrição do Holiness Data Ministry. Do volume II foram traduzidos os capítulos de alcance geral (XIII a XXI). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.