Jerônimo, Cartas pastorais · Carta 52
Apresentação do editor inglês
Nepociano, sobrinho de Heliodoro (sobre quem se veja a Carta 14), tinha, como o tio, trocado a carreira militar pela clerical e era agora presbítero em Altino, onde Heliodoro era bispo. A carta é um tratado sistemático sobre os deveres do clero e sobre a regra de vida que ele deve adotar. Teve grande voga e provocou muita indignação contra Jerônimo. Sua data é 394 d.C.
1. Repetidas vezes, meu caro Nepociano, você me pede, em suas cartas de além-mar, que lhe trace algumas regras de vida, mostrando como alguém que renunciou ao serviço do mundo para se tornar monge ou clérigo pode manter-se no caminho reto de Cristo, sem ser arrastado para os antros do vício. Quando eu era jovem, ou melhor, ainda menino, e refreava com a vida dura do deserto os primeiros assaltos da paixão juvenil, enviei uma carta de censura1 ao seu venerável tio, Heliodoro, a qual, pelas lágrimas e queixas de que estava cheia, lhe mostrou os sentimentos do amigo que ele havia abandonado. Nela representei o papel próprio da minha idade e, como ainda ardia com os métodos e as máximas dos retóricos, enfeitei-a bastante com os floreios das escolas. Agora, porém, minha cabeça está grisalha, minha testa está enrugada, uma papada como a de um boi me pende do queixo e, como diz Virgílio,
O sangue frio se detém em torno do meu coração.2
Em outro lugar ele canta:
A velhice tudo leva, até a mente.
E um pouco mais adiante:
Tantos dos meus cantos me escaparam,
E até a minha própria voz agora me deixou.3
2. Mas, para que eu não pareça citar apenas a literatura profana, ouça o ensino místico das Escrituras sagradas. Davi fora outrora homem de guerra, mas aos setenta anos a idade o havia esfriado de tal modo que nada conseguia aquecê-lo. Procura-se, então, por todos os confins de Israel uma moça, Abisague, a sunamita, para dormir com o rei e aquecer o seu corpo envelhecido (1Rs 1.1-4). Não lhe parece isso, se você se prender à letra que mata (2Co 3.6), alguma história de farsa ou alguma piada grosseira de uma peça atelana?4 Um velho friorento é enrolado em cobertores e só se aquece no abraço de uma moça. Bate-Seba ainda vivia, Abigail ainda restava, e também as demais esposas e concubinas cujos nomes a Escritura menciona. Contudo, todas são rejeitadas como frias, e só no abraço da jovem é que o velho se aquece. Abraão era muito mais velho que Davi; ainda assim, enquanto Sara viveu, não procurou outra esposa. Isaque contou o dobro dos anos de Davi e, no entanto, nunca sentiu frio ao lado de Rebeca, por mais velha que ela fosse. Nada digo dos antediluvianos, que, embora depois de novecentos anos seus membros devessem estar não apenas velhos, mas decrépitos, não recorreram a abraços de moças. Moisés, o condutor dos israelitas, contou cento e vinte anos e, no entanto, não procurou trocar Zípora por outra.
3. Quem é, então, essa sunamita, esposa e virgem, tão ardente que aquece o frio e tão santa que não desperta paixão naquele a quem aquece (1Rs 1.4)? Que Salomão, o mais sábio dos homens, nos fale da favorita de seu pai; que o homem de paz5 nos conte os abraços do homem de guerra (1Cr 28.3). “Adquira a sabedoria”, escreve ele, “adquira o entendimento; não se esqueça nem se afaste das minhas palavras. Não abandone a sabedoria, e ela guardará você; ame-a, e ela o protegerá. O princípio da sabedoria é: adquira a sabedoria; sim, com tudo o que você possui, adquira o entendimento. Valorize a sabedoria, e ela o exaltará; se você a abraçar, ela o honrará. Ela porá um diadema de graça em sua cabeça e lhe entregará uma coroa de glória” (Pv 4.5-9).
Quase todas as excelências do corpo se alteram com a idade e, enquanto só a sabedoria cresce, todas as outras coisas decaem. Jejuns, vigílias e esmolas tornam-se mais difíceis. O mesmo acontece com dormir no chão, mudar de um lugar para outro, hospedar os viajantes, defender os pobres, a perseverança e a constância na oração, a visita aos enfermos, o trabalho manual para obter dinheiro para dar esmolas. Todos os atos, enfim, que dependem do corpo diminuem com a sua decadência.
Ora, há jovens ainda cheios de vida e de vigor que, pelo esforço e pelo zelo ardente, bem como pela santidade de vida e pela oração constante ao Senhor Jesus, alcançaram o conhecimento. Não falo destes, nem digo que neles o amor da sabedoria esteja frio, pois esse amor murcha em muitos velhos por causa da idade. O que quero dizer é que a juventude, como tal, tem de enfrentar os assaltos da paixão e, em meio aos atrativos do vício e às comichões da carne, é sufocada como um fogo entre ramos verdes, sem poder desenvolver o seu brilho próprio. Mas, quando os homens empregaram a juventude em ocupações louváveis e meditaram na lei do Senhor dia e noite (Sl 1.2), aprendem com o passar do tempo, ganham nova experiência e sabedoria à medida que os anos correm e, assim, das ocupações do passado a sua velhice colhe uma seara de deleite. Por isso conta-se que aquele sábio da Grécia, Temístocles,6 percebendo, ao fim de cento e sete anos, que estava à beira do túmulo, disse lamentar profundamente ter de deixar a vida justamente quando começava a ficar sábio. Platão morreu no seu octogésimo primeiro ano, ainda de pena na mão. Isócrates completou noventa e nove anos em meio ao trabalho literário e escolar.7 Nada digo de outros filósofos, como Pitágoras, Demócrito, Xenócrates, Zenão e Cleantes, que em extrema velhice mostraram o vigor da juventude na busca da sabedoria. Passo aos poetas, Homero, Hesíodo, Simônides, Estesícoro, que viveram todos até idade avançada e, no entanto, ao se aproximar a morte, entoaram cada um deles um canto de cisne mais doce que de costume.8 Sófocles, acusado pelos filhos de caduquice por causa da idade avançada e do descuido com os seus bens, leu diante dos juízes a peça Édipo, que acabara de compor, e fez tão grande demonstração de sabedoria, apesar dos estragos do tempo, que transformou o silêncio decoroso do tribunal nos aplausos do teatro.9 E não é de admirar, visto que Catão, o censor, o mais eloquente dos romanos, na velhice nem corou com a ideia de aprender grego nem perdeu a esperança de conseguir.10 Homero, por sua vez, conta que da língua de Nestor, mesmo já muito velho e alquebrado, fluía uma fala mais doce que o mel.11
Até o próprio nome Abisague, no seu sentido místico, aponta para a maior sabedoria dos velhos. Pois sua tradução é “meu pai é de sobra” ou “o rugido de meu pai”. A expressão “de sobra” é obscura, mas nesta passagem indica excelência e significa que os velhos têm uma provisão maior de sabedoria, a qual até transborda por causa da sua abundância. Em outra passagem, “de sobra” forma uma antítese com “necessário”. Além disso, Abisague, isto é, “rugido”, aplica-se propriamente ao som que as ondas fazem e ao murmúrio que ouvimos vir do mar. Daí se vê claramente que o trovão da voz divina habita nos ouvidos dos velhos com um volume de som que ultrapassa as vozes dos homens. Ainda, na nossa língua, sunamita significa “escarlate”, sinal de que o amor da sabedoria se torna quente e ardente pelo estudo religioso. Pois, embora a cor possa apontar para o mistério do sangue do Senhor, ela também representa o ardor caloroso da sabedoria. Por isso, no Gênesis, é um fio escarlate que a parteira ata à mão de Perez, Perez “o que divide”, assim chamado porque dividiu o muro de separação que antes apartava os dois povos (Gn 38.28-29). Assim também, com uma referência mística ao derramamento de sangue, foi um cordão escarlate que a meretriz Raabe (figura da igreja) pendurou na janela para preservar a sua casa na destruição de Jericó (Js 2.18). Por isso, em outro lugar, a Escritura diz dos homens santos: “Estes são os que vieram do calor da casa do pai de Recabe” (1Cr 2.55, Vulgata). E no evangelho o Senhor diz: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e bem que eu gostaria que já estivesse aceso” (Lc 12.49). Foi este o fogo que, aceso no coração dos discípulos, os levou a dizer: “Não é verdade que o coração nos ardia no peito, quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?” (Lc 24.32).
4. Para que, você pergunta, essas referências recônditas? Para mostrar que você não deve esperar de mim declamação de menino, sentenças floridas, estilo meretrício e, no fim de cada parágrafo, aqueles aforismos concisos e agudos que arrancam gritos de aprovação dos ouvintes. Que só a Sabedoria me abrace; que ela se aninhe em meu seio, a minha Abisague que não envelhece. Imaculada ela é, de fato, e virgem para sempre, pois, embora conceba diariamente e dê à luz sem cessar, permanece intacta como Maria. Quando o apóstolo diz “sejam fervorosos de espírito” (Rm 12.11), quer dizer “sejam fiéis à sabedoria”. E quando o nosso Senhor declara no evangelho que, no fim do mundo, quando o pastor se tornar insensato, segundo a profecia de Zacarias (Zc 11.15), “o amor se esfriará de quase todos” (Mt 24.12), quer dizer que a sabedoria decairá. Ouça, pois, para citar o santo Cipriano, “palavras mais vigorosas que elegantes”.12 Ouça alguém que, embora seja seu irmão na ordem, é seu pai na idade; que pode conduzi-lo do berço da fé à maturidade espiritual; e que, enquanto constrói degrau por degrau as regras do viver santo, pode instruir outros ao instruir você. Sei, naturalmente, que do seu venerável tio, Heliodoro, agora bispo de Cristo, você aprendeu e aprende diariamente tudo o que é santo, e que tem nele diante de si uma regra de vida e um modelo de virtude. Receba, pois, as minhas sugestões pelo que valem e compare os meus preceitos com os dele. Ele lhe ensinará a perfeição do monge, e eu lhe mostrarei o dever inteiro do clérigo.
5. O clérigo, portanto, ao servir a igreja de Cristo, deve primeiro entender o que significa o seu nome; e então, compreendendo isso, deve esforçar-se por ser aquilo que se chama. Pois, como a palavra grega kleros significa “sorte” ou “herança”, os clérigos são assim chamados ou porque são a herança do Senhor, ou porque o próprio Senhor é a sua sorte e porção. Ora, aquele que em sua própria pessoa é porção do Senhor, ou tem o Senhor por porção, deve portar-se de modo a possuir o Senhor e a ser possuído por ele. Quem possui o Senhor e diz com o profeta: “O Senhor é a porção da minha herança” (Sl 16.5; 73.26), não pode apegar-se a nada além do Senhor. Pois, se se apegar a alguma coisa além do Senhor, o Senhor não será a sua porção. Suponha, por exemplo, que ele se apegue ao ouro ou à prata, a propriedades ou a móveis marchetados; com porções como essas o Senhor não se dignará ser a sua porção. Eu, se sou a porção do Senhor e a parte da sua herança (Sl 16.5-6), não recebo porção entre as demais tribos; mas, como o sacerdote e o levita, vivo do dízimo (Nm 18.24) e, servindo ao altar, sou sustentado pelas suas ofertas (1Co 9.13). Tendo sustento e com que me vestir, ficarei contente com isso (1Tm 6.8) e, como discípulo da cruz, partilharei a sua pobreza. Suplico a você, portanto, e
Mais uma vez e ainda outra o exorto;13
não busque na sua experiência militar a medida da obrigação clerical. Sob a bandeira de Cristo não procure lucro mundano, para que, tendo mais do que tinha quando se tornou clérigo, não ouça os homens dizerem, para sua vergonha: “A porção deles de nada lhes aproveitará”.14 Receba os pobres e os estrangeiros à sua mesa modesta, para que com eles Cristo seja o seu hóspede. O clérigo que se mete em negócios e que passa da pobreza à riqueza e da obscuridade a uma posição elevada, evite-o como à peste. Pois “as más companhias corrompem os bons costumes” (1Co 15.33). Você despreza o ouro; ele o ama. Você rejeita a riqueza; ele a persegue com avidez. Você ama o silêncio, a mansidão, o recolhimento; ele se compraz na tagarelice e no atrevimento, nas praças, nas ruas e nas boticas. Que unidade de sentimento pode haver onde há tão grande divergência de costumes?
O pé de uma mulher deve raramente, ou nunca, cruzar a soleira da sua casa. A todas as que são virgens de Cristo, mostre a mesma consideração ou a mesma indiferença. Não se demore sob o mesmo teto com elas e não confie na sua continência passada. Você não pode ser mais santo que Davi nem mais sábio que Salomão. Lembre-se sempre de que foi uma mulher que expulsou o lavrador do paraíso da sua herança.15 Se você ficar doente, um dos irmãos pode cuidar de você; também a sua irmã, ou a sua mãe, ou alguma mulher cuja fé seja aprovada por todos. Mas, se você não tem pessoas assim ligadas a você ou assim marcadas por um comportamento casto, a Igreja mantém muitas mulheres idosas que, com os seus serviços, podem atendê-lo e beneficiar a si mesmas, de modo que até a sua doença dê fruto em forma de esmolas. Sei de casos em que a recuperação do corpo não foi mais que o prelúdio da doença da alma. Há perigo para você no serviço de uma pessoa cujo rosto você observa constantemente. Se, no cumprimento do seu dever clerical, você tiver de visitar uma viúva ou uma virgem, nunca entre sozinho na casa. Que os seus companheiros sejam pessoas cuja companhia não o desonre. Se levar consigo um leitor, um acólito ou um cantor de salmos, que o caráter deles, e não a roupa, seja o seu adorno; que não usem ferros para frisar o cabelo; antes, que o seu porte seja um indício da sua castidade. Você não deve sentar-se a sós com uma mulher nem ver uma sem testemunhas. Se ela tiver algo confidencial a revelar, certamente terá alguma ama ou governanta,16 alguma virgem, alguma viúva, alguma mulher casada. Ela não pode ser tão desamparada a ponto de não ter ninguém além de você a quem se arrisque a confiar o seu segredo. Guarde-se de tudo o que dá ocasião à suspeita e, para evitar o escândalo, fuja de todo ato que possa dar-lhe aparência. Presentes frequentes de lenços e ligas, de toalhas de rosto e de pratos provados primeiro por quem os dá, para não falar de bilhetes cheios de expressões ternas, de coisas como essas um amor santo nada sabe. Expressões afetuosas e sedutoras como “meu mel” e “minha querida”, “você que é todo o meu encanto e o meu deleite”, as cortesias ridículas dos amantes e as suas tolices, causam-nos vergonha no palco e horror nos homens do mundo. Quanto mais as detestamos em monges e clérigos, que adornam o sacerdócio com os seus votos,17 enquanto os seus votos são adornados pelo sacerdócio! Falo assim não porque tema tais males para você ou para homens de vida santa, mas porque em todas as classes e vocações, e entre homens e mulheres, encontram-se bons e maus, e ao condenar os maus eu louvo os bons.
6. Vergonha é dizê-lo: sacerdotes de ídolos, atores, aurigas e prostitutas podem herdar bens; só os clérigos e os monges estão sob uma incapacidade legal, incapacidade decretada não por perseguidores, mas por imperadores cristãos.18 Não me queixo da lei, mas lamento que tenhamos merecido um estatuto tão duro. A cauterização é boa coisa, sem dúvida; mas como é que tenho uma ferida que me faz precisar dela? A lei é rigorosa e previdente e, mesmo assim, a rapacidade continua sem freio. Por meio de uma ficção de fideicomisso desafiamos o estatuto e, como se os decretos imperiais pesassem mais que os mandamentos de Cristo, tememos as leis e desprezamos os Evangelhos. Se é preciso haver herdeiro, a mãe tem o primeiro direito sobre os filhos, a Igreja sobre o seu rebanho, cujos membros ela gerou, criou e alimentou. Por que nos metemos entre a mãe e os filhos?
É glória do bispo prover às necessidades dos pobres; mas é vergonha de todos os sacerdotes ajuntar fortunas particulares. Eu, que nasci (suponhamos) em casa de pobre, numa choupana do campo, e que mal conseguia milho miúdo comum e pão caseiro bastante para encher um estômago vazio, venho agora a desdenhar a mais fina flor de trigo e o mel. Conheço pelo nome as diversas espécies de peixe. Sei dizer sem erro em que costa foi apanhado um mexilhão. Distingo pelo sabor a província de onde vem uma ave. Os pratos requintados me deleitam porque os seus ingredientes são raros, e acabo por encontrar prazer no seu custo ruinoso.
Ouço falar também da atenção servil que alguns mostram para com velhos e velhas quando estes não têm filhos. Trazem a bacia, cercam a cama e fazem com as próprias mãos os serviços mais repugnantes. Esperam ansiosos a chegada do médico e, com lábios trêmulos, perguntam se o doente está melhor. Se por algum tempo o velho dá sinais de recuperar o vigor, ficam em agonia. Fingem estar encantados, mas os seus corações cobiçosos sofrem tortura secreta. Pois temem que os seus esforços sejam em vão e comparam um velho apegado à vida ao patriarca Matusalém. Que grande recompensa poderiam ter junto a Deus se os seus corações não estivessem postos num prêmio temporal! Com que grandes esforços perseguem uma herança vazia! Menos trabalho lhes teria comprado a pérola de Cristo.
7. Leia constantemente as divinas Escrituras; mais ainda, nunca deixe o volume sagrado sair da sua mão. Aprenda o que você tem de ensinar. “Apegue-se à palavra fiel, que está de acordo com a doutrina que lhe foi ensinada, para que possa exortar pelo reto ensino e convencer os que contradizem. Permaneça naquilo que aprendeu e em que acredita firmemente, sabendo de quem você o aprendeu” (Tt 1.9; 2Tm 3.14); e “esteja sempre preparado para responder a todo aquele que lhe pedir razão da esperança e da fé que há em você” (1Pe 3.15). Não deixe que as suas obras desmintam as suas palavras, para que, quando você falar na igreja, alguém não responda em pensamento: “Por que você não pratica o que professa? Eis um amante de iguarias feito censor! Tem o estômago cheio e nos lê uma homilia sobre o jejum. Seria o mesmo que um ladrão acusar os outros de cobiça.” Num sacerdote de Cristo, a boca, a mente e a mão devem estar de acordo.
Seja obediente ao seu bispo e receba-o como o pai da sua alma. Os filhos amam os pais, e os escravos temem os senhores. “Se eu sou pai”, diz ele, “onde está a minha honra? E, se eu sou senhor, onde está o respeito para comigo?” (Ml 1.6). No seu caso, o bispo reúne em si muitos títulos ao seu respeito. Ele é ao mesmo tempo monge, prelado e tio, que já antes o instruiu em todas as coisas santas. Digo também isto: que os bispos saibam que são sacerdotes, não senhores. Que prestem ao clero a honra que lhe é devida, para que o clero lhes ofereça o respeito que pertence aos bispos. Há um dito espirituoso do orador Domício que vem a propósito: “Por que hei de reconhecê-lo como príncipe do Senado, se você não reconhece os meus direitos de simples senador?”19 Devemos compreender que um bispo e os seus presbíteros são como Arão e os seus filhos. Assim como há um só Senhor e um só Templo, assim também deve haver um só ministério. Tenhamos sempre em mente a recomendação que o apóstolo Pedro faz aos sacerdotes: “pastoreiem o rebanho de Deus que há entre vocês, não por obrigação, mas espontaneamente, como Deus quer;20 não por ganância, mas de boa vontade; não como dominadores da herança de Deus, mas sendo exemplos para o rebanho”, e isso de bom grado; para que, “quando o Supremo Pastor se manifestar, vocês recebam a coroa da glória, que nunca perde o seu brilho” (1Pe 5.2-4). É um mau costume, que prevalece em certas igrejas, os presbíteros ficarem calados quando os bispos estão presentes, sob o pretexto de que estes seriam ouvintes ciumentos ou impacientes. “Se, porém”, escreve o apóstolo Paulo, “vier uma revelação a alguém que esteja sentado, cale-se o primeiro. Porque todos poderão profetizar, um após outro, para que todos aprendam e sejam consolados. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos próprios profetas, porque Deus não é Deus de confusão, e sim de paz” (1Co 14.30-33). “O filho sábio é a alegria do seu pai” (Pv 10.1); e o bispo deve alegrar-se com o discernimento que o levou a escolher tais homens para sacerdotes de Cristo.
8. Quando ensinar na igreja, procure provocar não aplausos, mas gemidos. Que as lágrimas dos seus ouvintes sejam a sua glória. As palavras de um presbítero devem ser temperadas pela sua leitura das Escrituras. Não seja um declamador nem um vociferador, alguém que tagarela sem pé nem cabeça; mas mostre-se versado nas profundezas e instruído nos mistérios de Deus. Encher a boca com as palavras e, pela rapidez da fala, assombrar a multidão iletrada é sinal de ignorância. O atrevimento muitas vezes explica aquilo de que nada sabe e, depois de convencer os outros, engana a si mesmo. Meu mestre, Gregório de Nazianzo, quando certa vez lhe pedi que explicasse a expressão de Lucas sabbaton deuteroproton, isto é, “o segundo-primeiro sábado”, esquivou-se brincando do meu pedido, dizendo: “Eu lhe explicarei isso na igreja, e lá, quando todo o povo me aplaudir, você será forçado, contra a vontade, a saber o que não sabe de modo algum. Pois, se só você ficar calado, todos o terão por tolo.” Nada há tão fácil como enganar com pura volubilidade uma multidão comum ou uma congregação sem instrução: tais pessoas admiram mais aquilo que não conseguem entender. Ouça Marco Túlio, objeto daquele nobre elogio: “Você teria sido o primeiro dos oradores, não fosse Demóstenes; ele teria sido o único, não fosse você.” Ouça o que ele, no discurso em defesa de Quinto Gálio,21 tem a dizer sobre os oradores inábeis e o aplauso popular, e então você não será joguete de tais ilusões. “O que lhes conto”, disse ele, “é uma experiência recente minha. Alguém que tem fama de poeta e de homem culto escreveu um livro intitulado Conversas de poetas e filósofos. Nele representa Eurípides conversando com Menandro, e Sócrates com Epicuro, homens cujas vidas sabemos estarem separadas não por anos, mas por séculos. Apesar disso, ele arranca aplausos sem limite e aclamações sem fim. É que o teatro contém muitos que pertencem à mesma escola que ele: como ele, nunca aprenderam as letras.”
9. No vestir, evite tanto as cores sombrias quanto as vistosas. A ostentação e o desleixo devem igualmente ser evitados, pois uma cheira a vaidade e o outro a orgulho. Andar sem um cachecol de linho não é nada; louvável é não ter dinheiro para comprá-lo. É vergonhoso e absurdo gabar-se de não ter guardanapo nem lenço e, no entanto, carregar uma bolsa bem recheada.
Alguns dão uma ninharia aos pobres para receberem eles mesmos uma soma maior e, sob a capa da esmola, não fazem mais que buscar riquezas. Esses são caçadores de esmolas, mais que doadores de esmolas. Os seus métodos são aqueles com que se apanham aves, feras e peixes. Põe-se um pedacinho de isca no anzol, para fisgar a bolsa de uma senhora casada! A igreja está confiada ao bispo; que ele tenha cuidado com quem nomeia para seu esmoler. É melhor para mim não ter dinheiro para dar do que mendigar sem vergonha o que pretendo entesourar. É arrogância também querer parecer mais generoso do que aquele que é bispo de Cristo. “Nem todos podemos todas as coisas.”22 Na igreja, um é o olho, outro a língua, outro a mão, outro o pé, outros os ouvidos, o ventre e assim por diante. Leia a epístola de Paulo aos Coríntios e aprenda como o único corpo se compõe de membros diferentes (1Co 12.12-27). O irmão rude e simples não deve julgar-se santo só porque nada sabe; e o instruído e eloquente não deve medir a sua santidade apenas pela sua fluência. De duas coisas imperfeitas, a rusticidade santa é melhor que a eloquência pecadora.
10. Muitos constroem igrejas hoje em dia; suas paredes e colunas são de mármore reluzente, seus tetos brilham de ouro, seus altares são cravejados de joias. Contudo, à escolha dos ministros de Cristo não se dá atenção alguma. E que ninguém alegue contra mim a riqueza do templo na Judeia, a sua mesa, os seus candelabros, os seus incensários, os seus pratos, as suas taças, as suas colheres23 e o resto dos seus vasos de ouro. Se estas coisas foram aprovadas pelo Senhor, foi num tempo em que os sacerdotes tinham de oferecer vítimas e em que o sangue das ovelhas era a redenção dos pecados. Eram figuras que prefiguravam coisas ainda futuras e foram “escritas como advertência a nós, para quem o fim dos tempos tem chegado” (1Co 10.11). Mas agora o nosso Senhor, pela sua pobreza, consagrou a pobreza da sua casa. Pensemos, portanto, na sua cruz e consideremos as riquezas como lixo. Por que admiramos o que Cristo chama de “riqueza injusta” (Lc 16.9)? Por que estimamos e amamos o que Pedro se gloria de não possuir (At 3.6)? Ou, se insistimos em nos prender à letra e achamos tão agradável a menção do ouro e da riqueza, prendamo-nos também a todo o resto, além do ouro. Que os bispos de Cristo sejam obrigados a casar-se com mulheres, e estas virgens (Lv 21.14). Que o sacerdote mais bem-intencionado seja privado do seu ofício se tiver uma cicatriz e estiver desfigurado (Lv 21.17-23). Que a lepra do corpo seja tida por pior que as manchas da alma. Sejamos fecundos, multipliquemo-nos e enchamos a terra (Gn 1.28), mas não imolemos cordeiro nem celebremos a páscoa mística, pois onde não há templo (Dt 16.5) a lei proíbe esses atos. Armemos tendas no sétimo mês (Lv 23.40-42) e proclamemos um jejum solene ao som da trombeta (Jl 2.15). Mas, se compararmos todas essas coisas, como espirituais, com as coisas espirituais (1Co 2.13); se admitirmos com Paulo que “a lei é espiritual” (Rm 7.14) e nos lembrarmos das palavras de Davi: “Desvenda os meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei” (Sl 119.18); e se, por essas razões, a interpretarmos como o nosso Senhor a interpreta, e foi assim que ele explicou o sábado (Mt 12.1-9), então, rejeitando as superstições dos judeus, devemos rejeitar também o ouro; ou, aprovando o ouro, devemos aprovar também os judeus. Pois temos de aceitá-los com o ouro ou condená-los com ele.
11. Evite receber homens do mundo, sobretudo aqueles a quem as honras fazem inchar de orgulho. Você é sacerdote de Cristo, de um Cristo pobre e crucificado, que viveu do pão alheio. É uma vergonha para você se os lictores ou os soldados do cônsul montam guarda à sua porta, e se o juiz da província janta melhor com você do que no seu próprio palácio. Se você alegar como desculpa o desejo de interceder pelos infelizes e oprimidos, respondo que um juiz mundano terá mais deferência por um clérigo abnegado do que por um rico; dará mais atenção à sua santidade do que à sua riqueza. Ou, se for homem que não ouve o clero em favor dos aflitos senão diante da taça, de bom grado dispensarei a sua ajuda e apelarei a Cristo, que pode socorrer com mais eficácia e mais rapidez do que qualquer juiz. Verdadeiramente, “melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar nos seres humanos. Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar em príncipes” (Sl 118.8-9).
Que o seu hálito nunca cheire a vinho, para que não lhe digam aquelas palavras do filósofo: “Em vez de me oferecer um beijo, você me dá a provar vinho.” Os sacerdotes dados ao vinho são tanto condenados pelo apóstolo (1Tm 3.3) quanto proibidos pela Lei antiga. Os que servem ao altar, dizem-nos, não devem beber vinho nem shechar.24 Ora, toda bebida embriagante se chama em hebraico shechar, seja feita de cereal ou de suco de maçãs, seja que se destile do favo uma espécie rústica de hidromel, seja que se faça um licor espremendo tâmaras ou se coe um xarope espesso de uma decocção de cereal. Tudo o que embriaga e perturba o equilíbrio da mente, evite-o como ao vinho. Não digo que devamos condenar o que é criatura de Deus. O próprio Senhor foi chamado “bebedor de vinho”, e o vinho com moderação foi permitido a Timóteo por causa da fraqueza do seu estômago. Exijo apenas que os que bebem observem aquele limite que a sua idade, a sua saúde ou a sua constituição requerem. Mas, se mesmo sem beber vinho algum eu ardo de juventude, estou inflamado pelo calor do sangue e tenho uma compleição forte e robusta, de bom grado dispensarei o cálice em que não posso deixar de suspeitar veneno. Os gregos têm um dito excelente que talvez se possa traduzir,
Ventre gordo não gera pensamento fino.25
12. Imponha a si mesmo apenas o jejum que puder suportar, e que os seus jejuns sejam puros, castos, simples, moderados e não supersticiosos. De que serve abster-se de azeite, se você vai atrás dos alimentos mais trabalhosos e rebuscados, figos secos, pimenta, nozes, tâmaras, flor de farinha, mel, pistaches? Todos os recursos da horticultura são esgotados para nos poupar de comer o pão caseiro; e, para correr atrás de iguarias, voltamos as costas ao reino dos céus. Há alguns, segundo me dizem, que invertem as leis da natureza e da espécie, pois nem comem pão nem bebem água, mas sorvem ralas decocções de ervas trituradas e suco de beterraba, e não num copo, mas numa concha. Vergonha para nós, que não coramos com tais loucuras e não sentimos repugnância por tal superstição! Para coroar tudo, em meio às nossas iguarias buscamos fama de abstinência. O jejum mais rigoroso é pão e água. Mas, como não traz glória alguma e como todos nós vivemos de pão e água, não é tido por jejum algum, mas por coisa ordinária e comum.
13. Não ande à caça de elogios, para que, ao ganhar o aplauso popular, você não afronte a Deus. “Se ainda estivesse procurando agradar pessoas”, diz o apóstolo, “eu não seria servo de Cristo” (Gl 1.10). Ele deixou de agradar aos homens quando se tornou servo de Cristo. O soldado de Cristo avança através da boa fama e da má fama (2Co 6.8), uma à direita e a outra à esquerda. Nenhum louvor o exalta, nenhuma censura o abate. Não se ensoberbece com as riquezas nem se encolhe por causa da pobreza. Despreza igualmente a alegria e a tristeza. O sol não o queima de dia, nem a lua de noite (Sl 121.6). Não ore nas esquinas das ruas (Mt 6.5), para que o aplauso dos homens não interrompa o curso reto das suas orações. Não alargue as franjas nem use filactérios por ostentação (Mt 23.5), nem, contra a consciência, se envolva no interesse próprio do fariseu.26 Quer saber que tipo de vestimenta o Senhor requer? Tenha prudência, justiça, temperança, fortaleza.27 Que estas sejam os quatro pontos do seu horizonte; que sejam uma quadriga a levá-lo, cocheiro de Cristo, a toda a velocidade até a meta. Nenhum colar pode ser mais precioso que elas; nenhuma pedraria pode formar uma constelação mais brilhante. Por elas você é adornado, cingido e protegido por todos os lados. São a sua defesa e também a sua glória, pois cada pedra preciosa se converte em escudo.
14. Guarde-se também da língua tagarela e dos ouvidos que coçam. Nem difame os outros nem dê ouvidos aos difamadores. “Você se senta”, diz o salmista, “para falar contra o seu irmão e difama o filho de sua própria mãe. Você tem feito essas coisas, e eu me calei; você pensava, perversamente, que eu era igual a você; mas eu o repreenderei e as28 porei em ordem diante dos seus olhos” (Sl 50.20-21). Guarde a sua língua das críticas maldosas e vigie as suas palavras. Saiba que, ao julgar os outros, você está pronunciando sentença contra si mesmo e que você mesmo é culpado das faltas que censura neles. Não é desculpa dizer: “Se outros me contam coisas, não posso ser grosseiro com eles.” Ninguém gosta de falar a um ouvinte que não quer ouvir. A flecha nunca se crava na pedra: muitas vezes ricocheteia contra quem a atirou. Que o difamador aprenda, pela sua falta de vontade de ouvir, a não ser tão pronto em difamar. Salomão diz: “Não se meta com os que são dados à difamação, pois a sua calamidade se levantará de repente; e quem conhece a ruína de ambos?” (Pv 24.21-22, Vulgata), isto é, do difamador e daquele que presta ouvidos à sua difamação.
15. É seu dever visitar os enfermos, conhecer os lares e os filhos das senhoras casadas e guardar os segredos dos nobres. Procure, portanto, manter castos tanto a língua quanto os olhos. Nunca comente a figura de uma mulher, nem deixe uma casa saber o que se passa em outra. Hipócrates,29 antes de ensinar os seus discípulos, faz que prestem juramento e os obriga a jurar-lhe fidelidade. Compromete-os ao silêncio e prescreve-lhes a linguagem, o andar, a roupa e as maneiras. Quanto mais razão temos nós, a quem foi confiada a medicina da alma, de amar as casas de todos os cristãos como os nossos próprios lares! Que nos conheçam como consoladores na tristeza, mais do que como convivas no tempo da alegria. Logo se torna objeto de desprezo o clérigo que, convidado muitas vezes para jantar, nunca se recusa a ir.
16. Nunca busquemos presentes, e raramente os aceitemos quando nos pedirem que o façamos. Pois “mais bem-aventurado é dar do que receber” (At 20.35). De algum modo, o mesmo homem que pede licença para lhe oferecer um presente passa a estimá-lo menos por você o ter aceitado; ao passo que, se você o recusar, é admirável quanto mais ele passará a respeitá-lo. O pregador da continência não deve ser um casamenteiro. Por que aquele que lê as palavras do apóstolo, “resta que os casados sejam como se não fossem casados” (1Co 7.29), por que haveria ele de pressionar uma virgem a casar-se? Por que um sacerdote, que deve ser marido de uma só mulher (1Tm 3.2), insistiria com uma viúva para que se case de novo? Como podem os clérigos ser administradores e procuradores das casas alheias, quando lhes é ordenado desprezar até os próprios interesses? Arrancar algo de um amigo é furto, mas defraudar a Igreja é sacrilégio. Quando você recebeu dinheiro para ser distribuído aos pobres, ser cauteloso ou hesitar enquanto multidões passam fome é ser pior que um ladrão; e subtrair uma parte para si é cometer um crime da mais negra tinta. Estou torturado pela fome, e é você quem vai julgar o que satisfará o meu desejo? Ou reparta imediatamente o que recebeu, ou, se é um esmoler medroso, mande o doador distribuir ele mesmo os seus dons. A sua bolsa não deve continuar cheia enquanto eu estou em necessidade. Ninguém pode cuidar do que é meu melhor do que eu. O melhor esmoler é aquele que nada guarda para si.
17. Você me obrigou, meu caro Nepociano, apesar do castigo que teve de sofrer o meu tratado sobre a virgindade, aquele que escrevi para a santa Eustóquia em Roma,30 você me obrigou, passados dez anos, a abrir de novo a boca em Belém e a expor-me às punhaladas de todas as línguas. Pois eu só poderia escapar da crítica não escrevendo nada, caminho que o seu pedido tornou impossível; e eu sabia, quando tomei a pena, que as flechas de todos os opositores seriam disparadas contra mim. Peço a esses que se calem e desistam de contradizer, pois lhes escrevi não como a adversários, mas como a amigos. Não investi contra os que pecam; apenas os adverti a não pecar mais. O meu julgamento sobre mim mesmo foi tão rigoroso quanto o meu julgamento sobre eles. Quando quis tirar o cisco do olho do meu próximo, primeiro tirei a trave do meu (Mt 7.3-5). Não caluniei ninguém. Nenhum nome foi insinuado. As minhas palavras não visaram indivíduos, e a minha crítica das falhas foi inteiramente geral. Se alguém quiser irritar-se comigo, terá primeiro de confessar que ele mesmo se ajusta à minha descrição.
1. Ver Carta 14, §9.
2. Virgílio, Geórgicas 2.484.
3. Virgílio, Éclogas 9.51, 54, 55.
4. Assim chamada por ter sido criada na cidade osca de Atela.
5. O nome Salomão significa “homem de paz”.
6. Lapso de pena: o certo é Teofrasto.
7. Cícero, De senectute 5.
8. Cícero, De senectute 7.
9. Id., ibid.
10. Cícero, De senectute 8.
11. Homero, Ilíada 1.249; Cícero, De senectute 10.
12. Cipriano, Carta a Donato.
13. Virgílio, Eneida 3.436.
14. Jr 12.13, Septuaginta. Há um jogo com a palavra kleros, que significa (1) porção e (2) clero.
15. Outra alusão à palavra kleros.
16. No latim, major domus.
17. Provavelmente se refere ao voto de celibato.
18. A incapacidade aqui mencionada foi decretada por Valentiniano.
19. Cícero, De oratore 3.1.
20. Assim na Vulgata.
21. Este discurso não se conservou.
22. Virgílio, Éclogas 8.63.
23. Mortariola. Ver Nm 7.24, Vulgata.
24. Lv 10.9; a palavra shechar aparece no texto grego de Lc 1.15.
25. Cf. Shakespeare: “Panças gordas têm cabeças magras, e os bocados finos enriquecem as costelas, mas levam o juízo à falência.”
26. Neste ponto, o texto comum traz algumas frases sem relação com o assunto, que são obviamente uma interpolação.
27. Sb 8.7; as virtudes cardeais da filosofia grega.
28. Isto é, as suas más ações.
29. O principal médico com esse nome floresceu no século V a.C.
30. Isto é, a Carta 22.
Tradução para o português a partir da versão inglesa de W. H. Fremantle (Nicene and Post-Nicene Fathers, 2ª série, vol. 6, Nova York, 1893), conferida com as imagens das páginas; domínio público. O original é latino: esta é, portanto, tradução de tradução. O parágrafo de apresentação de cada carta é de Fremantle; os números de seção são os da edição dele. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Jerônimo cita o texto bíblico tal como o conhecemos; quando cita pela Bíblia latina ou de memória, segue-se a redação dele. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.