Igreja Metodista Livre (EUA) · Manual do Pastor (1998) · Capítulo III
[N. do T.: as seções sobre os Ministérios Unidos para Cristo, o plano de previdência e os honorários de evangelistas descrevem a organização financeira da Igreja Metodista Livre dos EUA nos anos 90. No Brasil, vale o Manual da Igreja Metodista Livre do Brasil.]
Veja o Par. A/536 do Livro de Disciplina.
Desde 1965, o orçamento unificado da Igreja Metodista Livre tem sido um método pelo qual cada metodista livre, contribuindo por meio da igreja local, sustenta todas as facetas do ministério mundial da Igreja Metodista Livre.
Naquela época, os Ministérios Unidos para Cristo (UMC, na sigla em inglês) eram um meio pelo qual as contribuições enviadas por todas as igrejas e Concílios dos Estados Unidos eram depositadas no fundo geral e distribuídas aos ministérios aprovados da denominação, de acordo com orçamentos previamente estabelecidos.
O Concílio Geral de 1985 adotou uma mudança significativa nos procedimentos, mas pediu que os Ministérios Unidos para Cristo continuassem sendo o “sistema aprovado para financiar todos os ministérios da igreja geral”.
Desde 1987, há dois planos distintos para arrecadar os recursos dos Ministérios Unidos para Cristo: UMC-Missões Mundiais e UMC-Ministérios Nacionais. Os recursos de Missões Mundiais e de Ministérios Nacionais são arrecadados separadamente, mas continuam sob o guarda-chuva dos Ministérios Unidos para Cristo.
Esta parte dos UMC envolve um sistema de sustento personalizado dos missionários metodistas livres e dos seus ministérios. Os Concílios e as igrejas locais se comprometem a sustentar um ou mais missionários com uma quantia determinada, com a expectativa de que essa base de sustento no país continue durante todo o tempo do ministério deles sob o Departamento de Missões Mundiais. Todo o dinheiro de UMC-Missões Mundiais recebido para esse sustento será usado exclusivamente para evangelizar e discipular pessoas além das nossas fronteiras.
O plano de financiamento de UMC-Ministérios Nacionais se chama Cotas de Sustento Básico. Essas cotas são determinadas aplicando-se uma fórmula aprovada pela Junta de Administração ao total das contribuições de um Concílio no ano anterior. Cada igreja local recebe uma parte da meta aceita pelo Concílio. Os orçamentos dos departamentos se baseiam nas metas aceitas pelos Concílios. Por isso, espera-se que os Concílios e as igrejas locais alcancem essas metas, para evitar déficits nos departamentos.
Os orçamentos são necessários para facilitar a boa mordomia dos recursos que Deus providenciou por meio do seu povo.
Os orçamentos previstos dos vários ministérios que recebem recursos por meio dos UMC são apresentados à Comissão de Orçamento e Finanças dos Ministérios Unidos para Cristo, para exame, definição das dotações e recomendação à Junta de Administração, para adoção.
Os Ministérios Unidos para Cristo dependem de um fluxo constante de recursos. Cada Concílio é incentivado a enviar, todo mês, um doze avos da sua Meta Mínima de UMC-Missões Mundiais e da sua Cota de Sustento Básico de UMC-Ministérios Nacionais.
A Comissão Operacional do Centro dos Ministérios Mundiais prepara o orçamento dos Ministérios Nacionais, e o Departamento de Missões Mundiais prepara o orçamento das Missões Mundiais. Esses orçamentos são submetidos à Comissão de Orçamento e Finanças, para exame e, se necessário, revisão. Essa comissão é composta de ministros e leigos de toda a denominação. Eles trabalham com dedicação para distribuir de forma justa os recursos disponíveis entre os vários ministérios da igreja. O orçamento é apresentado à Junta de Administração da denominação para aprovação final.
Por decisão do Concílio Geral de 1979, é possível contribuir para projetos especiais, além e acima dos Ministérios Unidos para Cristo. Os Projetos Especiais de Crescimento representam áreas aprovadas de ministério que precisam de recursos adicionais, além dos orçamentos básicos dos UMC.
Todos esses projetos foram aprovados pela Junta de Administração. O dinheiro dado aos Projetos Especiais de Crescimento vai diretamente para esses projetos específicos e não é distribuído proporcionalmente a outros ministérios. Todos os anos, o Centro dos Ministérios Mundiais envia aos pastores uma lista dos projetos especiais de crescimento de Missões Mundiais e de Ministérios Nacionais.
O orçamento básico dos Ministérios Unidos para Cristo deve ter prioridade em todos os esforços de promoção. Os Projetos Especiais de Crescimento devem ser tratados como áreas especiais de ministério que não competem com o orçamento dos UMC, mas o complementam.
O Concílio Geral de 1964 autorizou a Junta de Administração a desenvolver um plano de previdência que pudesse complementar a Previdência Social dos ministros e funcionários da nossa igreja. A Junta de Administração começou imediatamente a trabalhar na implantação de um plano que desse proteção e segurança às pessoas que dedicam anos de serviço à obra da igreja. O plano foi adotado e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1969.
O plano de previdência seria custeado inteiramente pela igreja, sem que se exigissem ou permitissem contribuições dos participantes. Era conhecido como “plano de compra de renda”, o que significa que, na aposentadoria, o participante receberia uma quantia mensal baseada na compra de uma renda vitalícia, limitada conforme as disposições do plano. Embora fosse um passo positivo, logo ficou evidente que eram necessários ajustes importantes para torná-lo mais vantajoso para os participantes.
A Junta de Previdência, depois de um estudo cuidadoso, recomendou à Junta de Administração um plano revisto, que foi adotado na reunião de primavera de 1980, reexaminado pela junta nas reuniões de outono daquele ano, e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1981.
As principais revisões incluíram a mudança de um “plano de compra de renda” para um plano de “benefício definido”. O novo plano é explicado por inteiro no material entregue a cada participante. Os benefícios dão peso maior ao tempo de serviço, para incentivar e recompensar a fidelidade, e ao mesmo tempo levam em conta, em pequena medida, os diferentes níveis de remuneração. Outros objetivos alcançados foram a uniformidade da administração e uma renda complementar de aposentadoria mais adequada.
O plano estabelece um calendário de carência para que os participantes tenham direito aos benefícios. Os benefícios variam conforme o salário anual, o tempo de serviço e a idade no momento da aposentadoria. Há várias opções disponíveis à medida que se aproxima a aposentadoria.
Os investimentos do fundo são administrados pela Fundação Metodista Livre.
É obrigatório que cada igreja local participe do plano. Ao fazê-lo, ela demonstra a sua cooperação em beneficiar os seus pastores com maior segurança na aposentadoria. Por isso, cada igreja deve levar em conta essa obrigação ao fazer o orçamento e instruir o tesoureiro a enviar os pagamentos em dia.
Se em algum momento você tiver dúvidas sobre o plano, entre em contato com o agente de previdência do seu Concílio ou com o Departamento de Recursos Humanos do Centro dos Ministérios Mundiais.
As Juntas Administrativas Locais às vezes precisam de ajuda para fixar um honorário justo para o evangelista. As orientações abaixo foram estudadas pela comissão do Concílio Geral (1979), revistas pela Comissão de Evangelismo e aprovadas pela Junta de Administração. Uma vez que os evangelistas são designados por Deus, como a sua Palavra deixa claro, eles são dignos do seu salário.
Os evangelistas gerais de tempo integral têm um chamado especial de Deus (Ef 4.11-13) para realizar um ministério designado por Deus às nossas igrejas locais. No entanto, os evangelistas estão numa situação financeira peculiar. Precisam pagar a própria moradia, as contas de consumo, as despesas com o carro e pelo menos metade do seu seguro, da sua previdência e da sua contribuição à Previdência Social. Os evangelistas normalmente não são convidados nas épocas de festas nem durante a maior parte dos meses de verão, exceto para os acampamentos. Além disso, não têm férias remuneradas, como os pastores de igrejas locais. A maioria dos evangelistas pode contar com renda só em oito ou nove meses por ano.
Ao contrário dos pastores locais, os evangelistas não recebem salário durante doença ou licença de emergência. Abrem mão de vantagens como a ajuda de custo para retiros, seminários, Concílio Regional, livros e material de escritório.
As orientações financeiras seguintes são padrão nas denominações de santidade. Se forem seguidas, o evangelista receberá um salário comparável ao salário do pastor naquela semana.
| Salário semanal do pastor | ______________ |
| Benefícios em dinheiro (moradia, contas de consumo etc.) | ______________ |
| Previdência Social | ______________ |
| Total | ______________ |
| Multiplicado por 2 | ______________ |
Essa é a quantia que se deve pagar ao evangelista por uma semana, ou parte de uma semana, de serviço. Contratar um evangelista por dois domingos equivale a duas semanas, mesmo que o ministério dure só oito dias.
A exortação do apóstolo Paulo, “seja um exemplo para os fiéis” (1Tm 4.12), é uma que todo ministro deve levar a sério. A integridade moral nunca deve ser comprometida pela falta de total honestidade, pela quebra dos votos feitos ao cônjuge, à família, à igreja e ao país, nem por atitudes indiscretas com pessoas do sexo oposto. As dívidas devem ser pagas no vencimento. O pastor deve ser disciplinado, não permitindo nem mesmo a aparência do mal. As ações falam mais alto do que as palavras. O sermão mais forte já pregado é a vida vivida. Até os pensamentos precisam ser purificados pela inspiração do Espírito Santo.
Você e os seus colegas pastores formam a equipe do Concílio. Os seus colegas merecem o seu apoio. Seja encorajador. Que nenhum leigo jamais ouça dos seus lábios comentários críticos sobre outro pastor.
Esteja pronto para ajudar os pastores novos e mais jovens que chegam ao seu Concílio. Respeite e honre os que são mais velhos e deram anos da sua vida ao ministério.
Um dos maiores incentivos à unidade do Concílio é a prática de os pastores orarem diariamente uns pelos outros. Aplique a Regra de Ouro nos seus relacionamentos, procurando sempre tratar os colegas pastores como você gostaria que eles o tratassem.
Ao assumir as responsabilidades de uma nova congregação, fale bem do seu antecessor, reconhecendo as suas contribuições e os seus pontos fortes. Os amigos mais próximos do pastor anterior logo serão seus apoiadores. Construa o seu ministério sobre os seus próprios pontos fortes.
Ao deixar uma congregação, torne a transição a mais fácil possível para o seu sucessor e o cônjuge dele. Apresente-os pessoalmente aos líderes da igreja e da comunidade. Não volte ao seu pastorado anterior, a não ser quando for absolutamente necessário.
Evite celebrar funerais e casamentos onde você serviu antes sem o pleno conhecimento e consentimento do pastor atual. Se isso for necessário, inclua sempre o pastor atual no culto. Se por algum motivo você for estar na comunidade, informe o pastor da sua presença. Deixe claro ao povo que você não está ali no papel de pastor.
Paulo continua: “Cuide de você mesmo e da doutrina. Continue nestes deveres, porque, fazendo assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem” (1Tm 4.16).
Procurarei estar sempre consciente do caráter sagrado da minha vocação.
Procurarei, com oração, aprofundar o meu compromisso com Cristo e viver constantemente esse compromisso diante de todos, em perfeito amor.
Procurarei dedicar tempo suficiente ao desenvolvimento das minhas capacidades intelectuais, à atualização em relação ao pensamento do meu tempo e à preparação das minhas mensagens.
Procurarei manter o meu corpo em boa forma física.
Procurarei dar atenção integral aos meus deveres ministeriais.
Procurarei manter um alto padrão moral no falar e no agir, e ser decoroso nas maneiras e no vestir.
Procurarei agir de modo irrepreensível em todos os assuntos comerciais e financeiros e não contrair dívidas que envergonhem a mim ou à minha igreja.
Procurarei apresentar o equilíbrio da verdade com tato e de forma construtiva.
Procurarei reconhecer a influência dos outros sobre a minha vida e o meu ministério e dar o devido crédito aos materiais de referência que usar.
Procurarei zelar pela conduta da minha própria família.
Aceitarei o pastorado como uma obrigação sagrada e cumprirei fielmente todos os meus deveres até ser liberado.
Serei um pastor espiritual de todo o meu povo e procurarei ser pastor dos que não têm pastor.
Pregarei o evangelho da salvação e da inteira santificação com amor e paciência.
Procurarei agir de modo irrepreensível no cumprimento dos meus deveres pessoais.
Considerarei o meu serviço como o principal e a minha remuneração como secundária.
Guardarei sem quebra as confidências.
Representarei a Igreja Metodista Livre na minha comunidade e serei um mensageiro de boa vontade e de unidade, no espírito de Cristo.
Deixarei em boa ordem os registros e o patrimônio da igreja quando terminarem as minhas responsabilidades.
Respeitarei o pastorado de outro ministro e prestarei serviço só em emergências ou com o consentimento do ministro designado.
Procurarei valorizar o trabalho de outro ministro.
Tratarei com honra o registro do trabalho do meu antecessor e do meu sucessor.
Terei entusiasmo pela missão da Igreja Metodista Livre e a promoverei.
Se a minha posição doutrinária mudar, ou se por qualquer outro motivo eu já não estiver em harmonia ou em afinidade com a Igreja Metodista Livre, eu me retirarei voluntariamente do Concílio e da igreja, no espírito de Cristo, procurando proteger os melhores interesses tanto da igreja local quanto da igreja geral.
Adotado pelo Concílio Geral de 1974
Os pastores da Igreja Metodista Livre são empregados por um Concílio Regional e prestam contas a ele. São membros do Concílio, são eleitos às ordens e ordenados pelo Concílio Regional e estão sob a sua designação.
Essa relação oferece oportunidades de ministérios mais amplos, pela participação nas iniciativas de alcance do Concílio. Ali os pastores podem usar os seus dons especiais com proveito ainda maior para a edificação da igreja. Os pastores encontram renovação e instrução no trabalho com outros pastores e leigos que têm preocupações semelhantes.
A lealdade ao Concílio e aos seus ministérios é uma responsabilidade que deve ser levada a sério. Espera-se que os pastores metodistas livres demonstrem lealdade ao seu superintendente e ao líder do seu grupo, e aos ministérios do seu Concílio e da denominação.
Ao cumprir as suas responsabilidades para com o Concílio, o pastor deve manter o equilíbrio adequado entre elas e o trabalho pastoral na igreja local. Este é o de importância primordial. Os pastores bem-sucedidos ajudarão a sua igreja a participar do alcance mais amplo do Concílio e da denominação.
A Igreja Metodista Livre é uma igreja conexional. Desde a nossa fundação, em 1860, temos provido a liderança das nossas igrejas por meio de um sistema de nomeações pelo Concílio Regional. Além de aproximadamente 1.200 pastores nomeados, um grande número de pessoas ordenadas estão designadas para algum trabalho especial ligado às necessidades gerais da igreja ou estão liberadas para trabalhar fora da igreja.
Há, e sempre houve, um movimento de pastores entre os Concílios. Além disso, o emprego na igreja geral ou em entidades ligadas a ela provoca um fluxo constante de entrada e saída no ministério pastoral.
Precisamos reconhecer e aceitar esse movimento. É ético e legal transferir-se de um Concílio para outro. Ao mesmo tempo, é necessário observar certas orientações que todos aceitam e respeitam.
Embora todas as considerações acima sejam importantes, às vezes parecem entrar em conflito. Nessas ocasiões, deve-se buscar a vontade do Senhor tanto por meio da comissão de nomeações ministeriais quanto pela sensibilidade da pessoa à direção divina. Podemos encontrar o caminho nesses assuntos se observarmos as virtudes cristãs da franqueza, da confiança mútua, do respeito mútuo pelas pessoas e do respeito pela forma de governo da igreja.
Tradução para o português a partir de Pastor’s Handbook, publicado pela Junta de Bispos da Free Methodist Church (USA), 4ª edição revisada (Indianápolis: Light and Life Communications, 1998). As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA). Págs. 161-168 do original. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.