O Pastor de Hermas · As Parábolas
Na Arcádia, as doze montanhas e a torre construída sobre a rocha e a porta, que é o Filho de Deus; as virgens que levam as pedras.
#S5
1. Depois que escrevi os mandamentos e as parábolas do Pastor, o anjo do arrependimento, ele veio a mim e me disse: “Quero mostrar a você todas as coisas que o Espírito Santo, que falou com você na forma da Igreja, lhe mostrou. Pois esse Espírito é o Filho de Deus.
Pois, quando você era mais fraco na carne, isso não lhe foi declarado por meio de um anjo; mas, quando você foi fortalecido pelo Espírito e cresceu poderosamente em sua força, de modo que podia até ver um anjo, então finalmente lhe foi manifestada, por meio da Igreja, a construção da torre. De modo belo e conveniente você viu todas as coisas, (instruído) como que por uma virgem; mas agora você vê (sendo instruído) por um anjo, embora pelo mesmo Espírito;
contudo, você precisa aprender tudo com mais exatidão comigo. Pois foi também para isso que fui designado pelo anjo glorioso para morar em sua casa, para que você visse todas as coisas com vigor, sem se aterrorizar com nada, como antes.”
E ele me levou para a Arcádia, a um monte arredondado, e me pôs no alto do monte, e me mostrou uma grande planície e, ao redor da planície, doze montes, cada um com aspecto diferente.
O primeiro era negro como fuligem; o segundo era nu, sem vegetação; o terceiro era espinhoso e cheio de abrolhos;
o quarto tinha a vegetação meio seca, a parte de cima do capim verde, mas a parte junto às raízes seca, e parte do capim secava sempre que o sol o queimava;
o quinto monte tinha capim verde e era escarpado; o sexto monte era todo cheio de fendas, umas pequenas e outras grandes, e as fendas tinham vegetação, mas o capim não era muito viçoso, antes parecia como se tivesse secado;
o sétimo monte tinha vegetação risonha, e o monte inteiro estava em condição próspera, e gado e aves de toda espécie se alimentavam naquele monte; e quanto mais o gado e as aves se alimentavam, tanto mais florescia a erva daquele monte. O oitavo monte era cheio de fontes, e toda espécie de criatura do Senhor bebia das fontes daquele monte.
O nono monte não tinha água nenhuma e era inteiramente deserto; e havia nele feras e répteis mortíferos, que destroem os homens. O décimo monte tinha árvores muito grandes e era todo sombreado, e debaixo da sombra havia ovelhas deitadas, descansando e pastando.
O décimo primeiro monte era densamente arborizado por inteiro, e as árvores nele eram muito produtivas, enfeitadas com diversas espécies de frutos, de modo que quem as visse desejaria comer dos seus frutos. O décimo segundo monte era todo branco, e o seu aspecto era alegre; e o monte era belíssimo em si mesmo.
2. E no meio da planície ele me mostrou uma grande rocha branca, que se erguia da planície. A rocha era mais alta que os montes e quadrangular, de modo que podia conter o mundo inteiro.
Ora, essa rocha era antiga e tinha uma porta talhada nela; mas a porta me pareceu ter sido talhada havia bem pouco tempo. E a porta brilhava mais que o resplendor do sol, de modo que me maravilhei com o brilho da porta.
E ao redor da porta estavam doze virgens. As quatro que estavam nos cantos me pareceram mais gloriosas (que as demais); mas as outras também eram gloriosas; e estavam nos quatro lados da porta, e entre elas estavam virgens, duas a duas.
E estavam vestidas com túnicas de linho e cingidas com decoro, tendo o ombro direito livre, como se pretendessem carregar algum fardo. Assim estavam preparadas, pois eram muito alegres e dispostas.
Depois de ver essas coisas, maravilhei-me comigo mesmo diante da grandeza e da glória do que eu estava vendo. E de novo fiquei perplexo a respeito das virgens, porque, delicadas como eram, estavam de pé como homens, como se pretendessem carregar o céu inteiro.
E o Pastor me disse: “Por que você questiona dentro de si, fica perplexo e traz tristeza sobre si mesmo? Pois as coisas que você não consegue compreender, não tente alcançá-las, se for prudente; mas peça ao Senhor que você receba entendimento para compreendê-las.
O que está atrás de você, você não pode ver, mas o que está diante de você, você contempla. Portanto, as coisas que você não pode ver, deixe-as de lado e não se aflija (com elas); mas as coisas que você vê, domine-as, e não seja curioso demais quanto ao resto; e eu lhe explicarei todas as coisas que eu lhe mostrar. Preste atenção, pois, ao que resta.”
3. Vi chegar seis homens, altos, gloriosos e semelhantes no aspecto, e eles convocaram uma multidão de homens. E os outros que vieram também eram homens altos, belos e fortes. E os seis homens lhes ordenaram que construíssem uma torre acima da porta. E surgiu um grande barulho daqueles homens que tinham vindo construir a torre, enquanto corriam de um lado para outro ao redor da porta.
Pois as virgens que estavam ao redor da porta diziam aos homens que se apressassem a construir a torre. Ora, as virgens tinham estendido as mãos, como se quisessem receber alguma coisa dos homens.
E os seis homens ordenaram que subissem pedras de certo lugar profundo e fossem para a construção da torre. E subiram dez pedras quadradas e polidas, [não] talhadas de uma pedreira.
E os seis homens chamaram as virgens e lhes ordenaram que carregassem todas as pedras que deviam ir para a construção da torre, e que passassem pela porta e as entregassem aos homens que iam construir a torre.
E as virgens puseram as primeiras dez pedras que subiram do abismo umas sobre as outras e as carregaram juntas, pedra por pedra.
4. E na mesma ordem em que estavam juntas ao redor da porta, assim as carregaram: as que pareciam ser fortes o bastante se abaixaram sob os cantos da pedra, enquanto as outras se abaixaram nos lados da pedra. E assim carregaram todas as pedras. E as levaram direto através da porta, como lhes fora ordenado, e as entregaram aos homens para a torre; e estes tomaram as pedras e construíram.
Ora, a construção da torre era sobre a grande rocha e acima da porta. Aquelas dez pedras, então, foram unidas e cobriram a rocha inteira. E formaram o alicerce para a construção da torre. E [a rocha e] a porta sustentavam a torre inteira.
E, depois das dez pedras, outras vinte e cinco pedras subiram do abismo, e estas foram encaixadas na construção da torre, carregadas pelas virgens, como as anteriores. E depois destas subiram trinta e cinco pedras. E estas também foram encaixadas na torre. E depois destas subiram outras quarenta pedras, e todas estas foram colocadas na construção da torre. Assim se fizeram quatro fileiras nos alicerces da torre.
E (as pedras) pararam de subir do abismo, e os construtores também pararam por um pouco. E de novo os seis homens ordenaram à multidão do povo que trouxesse pedras dos montes para a construção da torre.
Foram trazidas, então, de todos os montes, de várias cores, lavradas pelos homens, e foram entregues às virgens; e as virgens as levaram direto através da porta e as entregaram para a construção da torre. E, quando as várias pedras foram postas na construção, tornaram-se todas iguais e brancas, e perderam as suas várias cores.
Mas algumas pedras foram entregues pelos homens para a construção, e estas não se tornaram brilhantes; mas, assim como foram colocadas, assim também foram encontradas; pois não tinham sido entregues pelas virgens nem levadas através da porta. Essas pedras, então, ficavam feias na construção da torre.
Então os seis homens, vendo as pedras que estavam feias na construção, ordenaram que fossem retiradas e levadas [para baixo], para o seu próprio lugar, de onde tinham sido trazidas.
E dizem aos homens que estavam trazendo as pedras: “Abstenham-se de todo, de sua parte, de entregar pedras para a construção; mas ponham-nas junto da torre, para que as virgens as levem através da porta e as entreguem para a construção. Pois se”, [dizem eles,] “não forem levadas através da porta pelas mãos destas virgens, não podem mudar as suas cores. Não trabalhem, portanto”, [dizem eles,] “em vão.”
5. E a construção foi terminada naquele dia, mas a torre ainda não estava definitivamente acabada, pois devia ser levantada [ainda] mais alto; e houve uma pausa na construção. E os seis homens ordenaram aos construtores que se retirassem por um pouco de tempo [todos eles] e descansassem; mas às virgens ordenaram que não se retirassem da torre. E pareceu-me que as virgens tinham sido deixadas para guardar a torre.
E, depois que todos se retiraram [e descansaram], digo ao Pastor: “Como se explica, Senhor”, digo eu, “que a construção da torre não foi acabada?” “A torre”, diz ele, “ainda não pode ser definitivamente acabada até que o seu senhor venha e prove esta construção, para que, se alguma pedra for achada esfarelando, ele a troque; pois a torre está sendo construída segundo a vontade dele.”
“Eu gostaria de saber, Senhor”, digo eu, “o que é a construção desta torre, e a respeito da rocha e da porta, e dos montes, e das virgens, e das pedras que subiram do abismo e não foram lavradas, mas entraram na construção assim como estavam;
e por que primeiro foram postas dez pedras nos alicerces, depois vinte e cinco, depois trinta e cinco, depois quarenta, e a respeito das pedras que tinham ido para a construção e foram retiradas de novo e postas de lado no seu próprio lugar. A respeito de todas essas coisas, tranquilize a minha alma, Senhor, e explique-as para mim.”
“Se”, diz ele, “você não for achado dominado por uma curiosidade vã, conhecerá todas as coisas. Pois daqui a poucos dias viremos aqui, e você verá o que sobrevém a esta torre e entenderá todas as parábolas com exatidão.”
E, depois de poucos dias, viemos ao lugar onde tínhamos estado sentados, e ele me diz: “Vamos à torre, pois o dono da torre vem inspecioná-la.” E chegamos à torre, e não havia ninguém junto dela, a não ser as virgens somente.
E o Pastor perguntou às virgens se o senhor da torre tinha chegado. E elas disseram que ele estaria ali logo para inspecionar a construção.
6. E eis que, depois de pouco tempo, vejo chegar um cortejo de muitos homens e, no meio deles, um homem de estatura tão elevada que ultrapassava a torre.
E os seis homens que dirigiam a construção caminhavam com ele à direita e à esquerda, e todos os que trabalhavam na construção estavam com ele, e muitos outros acompanhantes gloriosos ao seu redor. E as virgens que vigiavam a torre correram a ele e o beijaram, e começaram a andar ao seu lado ao redor da torre.
E aquele homem inspecionou a construção com tanto cuidado que apalpou cada pedra; e tinha na mão uma vara e bateu em cada pedra que estava assentada.
E, quando ele bateu, algumas das pedras ficaram negras como fuligem, outras mofadas, outras rachadas, outras se partiram e ficaram curtas, outras ficaram nem brancas nem negras, outras ásperas e sem se ajustar às outras pedras, e outras com muitas manchas; esses eram os vários aspectos das pedras que foram achadas inaptas para a construção.
Então ele ordenou que todas essas fossem retiradas da torre e postas ao lado da torre, e que outras pedras fossem trazidas e postas no lugar delas.
E os construtores lhe perguntaram de que monte ele desejava que se trouxessem pedras para pôr no lugar delas. E ele não quis que fossem trazidas dos montes, mas ordenou que fossem trazidas de certa planície que ficava perto dali.
E a planície foi escavada, e acharam-se ali pedras brilhantes e quadradas, mas algumas delas também eram redondas. E todas as pedras que havia em qualquer parte daquela planície foram trazidas, todas elas, e foram levadas através da porta pelas virgens.
E as pedras quadradas foram talhadas e postas no lugar das que tinham sido retiradas; mas as redondas não foram postas na construção, porque eram duras demais para ser lavradas, e trabalhar nelas era demorado. Então foram postas ao lado da torre, como se estivessem destinadas a ser lavradas e postas na construção, pois eram muito brilhantes.
7. Então, tendo realizado essas coisas, o homem glorioso que era senhor de toda a torre chamou o Pastor a si e lhe entregou todas as pedras que estavam ao lado da torre, que tinham sido rejeitadas da construção, e lhe disse:
“Limpe estas pedras com cuidado e ponha-as na construção da torre, isto é, estas que podem se ajustar às demais; mas as que não se ajustarem, lance-as para longe da torre.”
Tendo dado essas ordens ao Pastor, ele partiu da torre com todos aqueles com quem tinha vindo. E as virgens ficaram ao redor da torre, vigiando-a.
Digo ao Pastor: “Como podem estas pedras ir de novo para a construção da torre, se foram reprovadas?” Ele me diz em resposta: “Você vê”, diz ele, “estas pedras?” “Eu as vejo, Senhor”, digo eu. “Eu mesmo”, diz ele, “lavrarei a maior parte destas pedras e as porei na construção, e elas se ajustarão às pedras restantes.”
“Como, Senhor”, digo eu, “podem elas, depois de cinzeladas, preencher o mesmo espaço?” Ele me diz em resposta: “Todas as que forem achadas pequenas serão postas no meio da construção; mas todas as que forem maiores serão colocadas mais perto do lado de fora, e elas as manterão unidas.”
Com essas palavras, ele me diz: “Vamos embora e, depois de dois dias, venhamos limpar estas pedras e pô-las na construção; pois tudo ao redor da torre precisa ficar limpo, para que não aconteça que o senhor venha de repente e encontre sujo o contorno da torre e se irrite, e assim estas pedras não vão para a construção da torre, e eu pareça descuidado aos olhos do meu senhor.”
E, depois de dois dias, viemos à torre, e ele me diz: “Vamos inspecionar todas as pedras e ver as que podem ir para a construção.” Digo-lhe: “Senhor, vamos inspecioná-las.”
8. E assim, começando primeiro, passamos a inspecionar as pedras negras; e, assim como estavam quando foram postas de lado da construção, assim também foram achadas. E o Pastor ordenou que fossem retiradas da torre e postas à parte.
Então inspecionou as que estavam mofadas, e tomou e lavrou muitas delas, e ordenou às virgens que as levantassem e as pusessem na construção. E as virgens as levantaram e as colocaram na construção da torre, numa posição do meio. Mas as demais ele ordenou que fossem postas com as negras, pois também estas foram achadas negras.
Então começou a inspecionar as que tinham rachaduras; e destas lavrou muitas e ordenou que fossem levadas pelas mãos das virgens para a construção. E foram colocadas para o lado de fora, porque foram achadas mais sãs. Mas as demais não puderam ser lavradas por causa do número de rachaduras. Por essa razão, portanto, foram lançadas fora da construção da torre.
Então passou a inspecionar as (pedras) curtas, e muitas dentre elas foram achadas negras, e algumas tinham adquirido grandes rachaduras; e ordenou que também estas fossem postas com as que tinham sido lançadas fora. Mas as que restaram delas ele limpou e lavrou, e ordenou que fossem colocadas na construção. Então as virgens as levantaram e as encaixaram no meio da construção da torre, pois eram um tanto fracas.
Então começou a inspecionar as que eram metade brancas e metade negras, e muitas delas foram (agora) achadas negras; e ordenou que também estas fossem levadas com as que tinham sido lançadas fora. †Mas todas as demais foram [achadas brancas e foram] levantadas pelas virgens; pois, sendo brancas, foram encaixadas na construção por elas [mesmas, as virgens].† Mas foram colocadas para o lado de fora, porque foram achadas sãs, de modo que podiam segurar as que foram postas no meio; pois nenhuma delas era curta demais.
Então começou a inspecionar as duras e ásperas; e algumas poucas delas foram lançadas fora, porque não puderam ser lavradas, pois foram achadas muito duras. Mas as demais foram lavradas [e levantadas pelas virgens] e encaixadas no meio da construção da torre, pois eram um tanto fracas.
Então passou a inspecionar as que tinham manchas, e destas algumas poucas tinham ficado negras e foram lançadas fora com as outras; mas as restantes foram achadas brilhantes e sãs, e estas foram encaixadas pelas virgens na construção; mas foram colocadas para o lado de fora, por causa da sua firmeza.
9. Então veio inspecionar as pedras brancas e redondas, e me diz: “Que faremos com estas pedras?” “Como vou saber, Senhor?”, digo eu. [E ele me diz:] “Você não percebe nada a respeito delas?”
“Eu, Senhor”, digo eu, “não possuo esta arte, nem sou pedreiro, nem consigo entender.” “Você não vê”, diz ele, “que são muito redondas, e que, se eu quiser fazê-las quadradas, será preciso cinzelar muita coisa delas? Contudo, algumas delas precisam necessariamente ser colocadas na construção.”
“Se então, Senhor”, digo eu, “tem de ser assim, por que se afligir, e por que não escolher para a construção as que o senhor quiser e encaixá-las nela?” Ele escolheu dentre elas as grandes e as brilhantes e as lavrou; e as virgens as levantaram e as encaixaram nas partes externas da construção.
Mas as demais, que sobraram, foram levantadas e postas de lado na planície de onde tinham sido trazidas; não foram, porém, lançadas fora, “porque”, diz ele, “ainda resta um pouco da torre por construir. E o senhor da torre deseja muitíssimo que estas pedras sejam encaixadas na construção, pois são muito brilhantes.”
Então foram chamadas doze mulheres, belíssimas de forma, vestidas de preto, [cingidas e com os ombros nus,] com os cabelos soltos. E essas mulheres, pareceu-me, tinham um aspecto selvagem. E o Pastor lhes ordenou que levantassem as pedras que tinham sido lançadas fora da construção e as levassem embora para os mesmos montes de onde também tinham sido trazidas;
e elas as levantaram com alegria, e levaram embora todas as pedras, e as puseram no lugar de onde tinham sido tiradas. E, depois que todas as pedras foram levantadas e não restava nem uma só pedra ao redor da torre, o Pastor me diz: “Vamos dar a volta à torre e ver se não há nela nenhum defeito.” E eu fui dar a volta nela com ele.
E, quando o Pastor viu que a torre estava muito bela na sua construção, ficou extremamente contente; pois a torre estava tão bem construída que, quando a vi, cobicei a sua construção; pois estava construída como que de uma só pedra, com um só encaixe. E a obra de pedra parecia talhada na rocha, pois me parecia ser toda uma única pedra.
10. E eu, enquanto andava com ele, estava contente por ver um espetáculo tão esplêndido. E o Pastor me diz: “Vá e traga cal e argila fina, para que eu preencha os contornos das pedras que foram levantadas e postas na construção; pois todo o contorno da torre precisa ficar liso.”
E fiz como ele mandou e os trouxe para ele. “Ajude-me”, diz ele, “e a obra logo estará concluída.” Então ele preencheu os contornos das pedras que tinham ido para a construção e ordenou que o contorno da torre fosse varrido e limpo.
E as virgens tomaram vassouras e varreram, e removeram todo o entulho da torre, e aspergiram água, e o local da torre ficou alegre e muito agradável.
O Pastor me diz: “Tudo”, diz ele, “já foi limpo. Se o senhor vier inspecionar a torre, não tem nada por que nos censurar.” Dizendo isso, quis ir embora.
Mas eu segurei a sua bolsa e comecei a conjurá-lo pelo Senhor que me explicasse [tudo] o que me tinha mostrado. Ele me diz: “Estou ocupado por um pouco de tempo, e depois lhe explicarei tudo. Espere-me aqui até eu voltar.”
Digo-lhe: “Senhor, estando eu aqui sozinho, que vou fazer?” “Você não está sozinho”, diz ele, “pois estas virgens estão aqui com você.” “Recomende-me, então, a elas”, digo eu. O Pastor as chama a si e lhes diz: “Recomendo-lhes este homem até eu voltar”, e partiu.
Fiquei, então, sozinho com as virgens; e elas eram muito alegres e bem dispostas para comigo, especialmente as quatro delas que eram mais gloriosas no aspecto.
11. As virgens me dizem: “Hoje o Pastor não vem aqui.” “Que farei então?”, digo eu. “Espere por ele”, dizem elas, “até o anoitecer; e, se ele vier, falará com você; mas, se não vier, você ficará aqui conosco até que ele venha.”
Digo-lhes: “Vou esperá-lo até a tarde e, se ele não vier, irei para casa e voltarei de manhã cedo.” Mas elas responderam e me disseram: “Você foi confiado a nós; não pode se afastar de nós.”
“Onde, então”, digo eu, “ficarei?” “Você passará a noite conosco”, dizem elas, “como irmão, não como marido; pois você é nosso irmão, e de agora em diante habitaremos com você, pois o amamos muito.” Mas eu tinha vergonha de ficar com elas.
E aquela que parecia ser a principal delas começou a me beijar e a me abraçar; e as outras, vendo-a abraçar-me, também começaram a me beijar, e a me levar ao redor da torre, e a brincar comigo.
E eu tinha ficado como que mais jovem, e comecei eu mesmo também a brincar com elas. Pois algumas delas começaram a dançar, [outras a saltitar,] outras a cantar. Mas eu fiquei em silêncio e andei com elas ao redor da torre, e me alegrava com elas.
Mas, quando chegou a tarde, eu quis ir para casa; mas elas não me deixaram ir, antes me detiveram. E passei a noite com elas e dormi ao lado da torre.
Pois as virgens estenderam no chão as suas túnicas de linho e me fizeram deitar no meio delas, e não faziam outra coisa senão orar; e eu orava com elas sem cessar, e não menos que elas. E as virgens se alegravam por eu orar assim. E fiquei ali com as virgens até de manhã, até a segunda hora.
Então veio o Pastor e diz às virgens: “Vocês lhe fizeram algum mal?” “Pergunte a ele”, dizem elas. Digo-lhe: “Senhor, fiquei feliz por estar com elas.” “De que você ceou?”, diz ele. “Ceei, Senhor”, digo eu, “das palavras do Senhor a noite inteira.” “Elas o trataram bem?”, diz ele. “Sim, Senhor”, digo eu.
“Agora”, diz ele, “o que você quer ouvir primeiro?” “Na ordem em que o senhor me mostrou, Senhor, desde o começo”, digo eu; “peço-lhe, Senhor, que me explique exatamente na ordem em que eu lhe perguntar.” “Conforme você deseja”, diz ele, “assim lhe interpretarei, e não lhe esconderei absolutamente nada.”
12. “Antes de tudo, Senhor”, digo eu, “explique-me isto: a rocha e a porta, o que é?” “Esta rocha”, diz ele, “e a porta são o Filho de Deus.” “Como, Senhor”, digo eu, “a rocha é antiga, mas a porta é recente?” “Ouça”, diz ele, “e entenda, homem insensato.
O Filho de Deus é mais antigo que toda a sua criação, de modo que se tornou o conselheiro do Pai na sua criação. Por isso também ele é antigo.” “Mas a porta, por que é recente, Senhor?”, digo eu.
“Porque”, diz ele, “ele se manifestou nos últimos dias da consumação; por isso a porta foi feita recente, para que os que hão de ser salvos entrem por ela no reino de Deus.
Você viu”, diz ele, “que as pedras que vieram através da porta foram para a construção da torre, mas as que não vieram através dela foram lançadas de novo para o seu próprio lugar?” “Vi, Senhor”, digo eu. “Assim”, diz ele, “ninguém entrará no reino de Deus se não receber o nome do seu Filho.
Pois, se você deseja entrar numa cidade, e essa cidade é toda cercada de muros e tem uma só porta, você pode entrar nessa cidade a não ser pela porta que ela tem?” “Ora, como, Senhor”, digo eu, “seria possível de outro modo?” “Se, então, você não pode entrar na cidade a não ser pela própria porta, assim também”, diz ele, “um homem não pode entrar no reino de Deus a não ser pelo nome do seu Filho, que é amado por ele.
Você viu”, diz ele, “a multidão que está construindo a torre?” “Vi, Senhor”, digo eu. “Eles”, diz ele, “são todos anjos gloriosos. Com eles, pois, o Senhor está cercado como de um muro. Mas a porta é o Filho de Deus; há só esta única entrada para o Senhor. Ninguém, pois, entrará até ele de outro modo senão por meio do seu Filho.
Você viu”, diz ele, “os seis homens, e o homem glorioso e poderoso no meio deles, aquele que andou ao redor da torre e rejeitou as pedras da construção?” “Eu o vi, Senhor”, digo eu.
“O homem glorioso”, diz ele, “é o Filho de Deus, e aqueles seis são os anjos gloriosos que o guardam à direita e à esquerda. Destes anjos gloriosos nenhum”, diz ele, “entrará até Deus sem ele; quem não receber o seu nome não entrará no reino de Deus.”
13. “Mas a torre”, digo eu, “o que é?” “A torre”, diz ele, “ora, esta é a Igreja.
“E estas virgens, quem são?” “Elas”, diz ele, “são espíritos santos; e nenhum homem pode ser achado no reino de Deus de outro modo, a não ser que elas o revistam com a sua veste; pois, se você receber somente o nome, mas não receber delas a veste, de nada lhe aproveita. Pois estas virgens são poderes do Filho de Deus. Se [portanto] você levar o Nome, mas não levar o poder dele, levará o seu Nome em vão.
E as pedras”, diz ele, “que você viu lançadas fora, estas levavam o Nome, mas não se revestiram com a veste das virgens.” “De que tipo, Senhor”, digo eu, “é a veste delas?” “Os próprios nomes”, diz ele, “são a sua veste. Todo aquele que leva o Nome do Filho de Deus deve levar também os nomes delas; pois até o próprio Filho leva os nomes destas virgens.
Todas as pedras”, diz ele, “que você viu entrar na construção da torre, entregues pelas mãos delas e aguardando a construção, foram revestidas do poder destas virgens.
Por esta causa você vê a torre feita uma só pedra com a rocha. Assim também os que creram no Senhor por meio do seu Filho e se revestem destes espíritos se tornarão um só espírito e um só corpo, e as suas vestes serão todas de uma só cor. Mas as pessoas que levam os nomes das virgens têm a sua morada na torre.”
“As pedras, então, Senhor”, digo eu, “que são lançadas fora, por que foram lançadas fora? Pois passaram pela porta e foram colocadas na construção da torre pelas mãos das virgens.” “Já que todas estas coisas lhe interessam”, diz ele, “e você pergunta com diligência, ouça a respeito das pedras que foram lançadas fora.
Todas estas”, [diz ele,] “receberam o nome do Filho de Deus, e receberam também o poder destas virgens. Quando, pois, receberam estes espíritos, foram fortalecidas e estavam com os servos de Deus, e tinham um só espírito e um só corpo [e uma só veste]; pois tinham o mesmo pensamento e praticavam a justiça.
Depois de certo tempo, então, foram persuadidas pelas mulheres que você viu vestidas de roupa preta, com os ombros nus e os cabelos soltos, e belas de forma. Quando as viram, desejaram-nas e se revestiram do poder delas, mas despiram de si o poder das virgens.
Estas, então, foram lançadas fora da casa de Deus e entregues àquelas (mulheres). Mas os que não foram enganados pela beleza dessas mulheres permaneceram na casa de Deus. Assim você tem”, diz ele, “a interpretação das que foram lançadas fora.”
Tradução para o português a partir da versão inglesa de J. B. Lightfoot (The Apostolic Fathers, ed. J. R. Harmer, Londres, 1891), conferida com as imagens das páginas; domínio público. É, portanto, tradução de tradução. Os colchetes são de Lightfoot. As citações bíblicas seguem a Nova Almeida Atualizada (NAA) quando Hermas cita o texto bíblico tal como o conhecemos. Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo José Ildo Swartele de Mello.