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Parte II · Capítulo V

Atributos de Deus: imutabilidade, sabedoria

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OUTRA das qualidades da natureza divina sobre as quais os escritores sagrados se detêm com frequência é a sua imutabilidade. Ela está indicada no seu título augusto e tremendo, EU SOU. Todos os outros seres são dependentes e mutáveis e, assim, formam um contraste marcante com aquele que é independente e, por isso, não é capaz de mudança alguma. “Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim (Sl 102.25-27). Ele é o Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança (Tg 1.17). O plano do Senhor dura para sempre; os intentos do seu coração, por todas as gerações (Sl 33.11). A sua misericórdia dura para sempre (Sl 136.1). A sua justiça é como as grandes montanhas, firme e inabalável (Sl 36.6). Eu, o Senhor, não mudo (Ml 3.6).”

Desta verdade, tão importante para a religião e para a moral, há muitas confirmações tiradas de assuntos que estão constantemente abertos à observação. A ordem geral da natureza nas revoluções dos corpos celestes, a sucessão das estações, as leis da reprodução animal e vegetal e a perpetuação de cada espécie de seres dão esse testemunho; e, se há desvios ocasionais, eles provam a regularidade e a estabilidade gerais deste sistema material, pois de outro modo deixariam de chamar a atenção. O vasto universo, portanto, com o seu imenso agregado de seres individuais e de classes de seres, manifesta não só o poder de Deus, que tudo abrange e tudo penetra; mas, por permanecer de era em era sujeito às mesmas leis e cumprindo os mesmos propósitos, é uma imagem visível da existência de um ser de desígnios constantes, livre de capricho e não sujeito a controle algum. O governo moral de Deus também dá o seu testemunho da mesma verdade. As leis sob as quais estamos agora colocados são as mesmas que foram prescritas às primeiras gerações dos homens. O que era vício então é vício agora; e o que é virtude agora era virtude então. Misérias da mesma espécie e grau infligem castigo ao primeiro; a paz e a bem-aventurança, como antigamente, acompanham a segunda. Deus manifestou a sua vontade aos homens por revelações sucessivas, a patriarcal, a mosaica e a cristã, separadas umas das outras por muitas eras; mas os princípios morais em que cada uma se apoia são exatamente os mesmos, assim como os fins morais que cada uma propõe. As suas diferenças são circunstanciais e variam segundo a idade do mundo, a condição da humanidade e os planos da sua infinita sabedoria; mas a identidade do seu espírito, da sua influência e do seu caráter mostra que o seu autor é um ser imutável de santidade, verdade, justiça e misericórdia. Os homens viciosos têm agora a mesma razão para tremer diante de Deus que tinham em tempos passados, pois ele ainda é “tão puro de olhos, que não pode suportar o mal” (Hc 1.13); e os penitentes e os piedosos têm o mesmo motivo de esperança e o mesmo fundamento seguro de confiança. Esses são os usos morais, de advertência e de ânimo, a que os escritores sagrados constantemente aplicam esta doutrina. Ele é “o Senhor, a esperança de seus pais” (Jr 50.7); e, em todas as mudanças e vicissitudes da vida, esta é a consolação do seu povo: ele nunca o deixará nem o abandonará. “Mesmo que os montes se retirem e as colinas sejam removidas, a minha misericórdia não se afastará de você, e a minha aliança de paz não será removida” (Is 54.10).

É verdade que a estabilidade das operações e dos desígnios divinos, tal como indicada pelas leis do universo material e pelas revelações da sua vontade, mostra apenas a imutabilidade de Deus durante os períodos em que essas operações e dispensações estiveram em vigor. Mas na Escritura elas são constantemente apresentadas como resultado de uma imutabilidade que procede da própria perfeição da natureza divina e que, por isso, lhe é essencial. “Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6): ele não muda porque é “o Senhor”. Nele “não pode existir variação ou sombra de mudança” porque ele é “o Pai das luzes” (Tg 1.17), a fonte e a plenitude de toda luz e de toda perfeição, qualquer que seja. A mudança, em qualquer sentido que implique defeito e fraqueza e, portanto, imperfeição, é impossível à perfeição absoluta; a imutabilidade é, por isso, essencial à sua Divindade. Nesse sentido, ele nunca é capaz de nenhuma espécie de mudança, como até um pagão o exprimiu com tanta força: οὐδέποτε οὐδαμῇ οὐδαμῶς ἀλλοίωσιν οὐδεμίαν ἐνδέχεται (nunca, em parte alguma, de modo algum admite alteração alguma). (Platão, no Fédon.) Pois “se considerarmos a natureza de Deus, que ele é um Ser existente por si mesmo e independente, o grande Criador e sábio Governador de todas as coisas; que é um ser espiritual e simples, desprovido de todas as partes e de toda mistura que possa induzir uma mudança; que é um Ser soberano e incontrolável, no qual nada de fora pode atuar ou produzir alteração; que é um ser eterno, que sempre prosseguiu e sempre prosseguirá no mesmo teor de existência; um ser onisciente, que, conhecendo todas as coisas, não tem razão para agir contra as suas primeiras resoluções; e, em todos os aspectos, um ser perfeitíssimo, que não pode admitir acréscimo nem diminuição, não podemos deixar de crer que, tanto na sua essência como no seu conhecimento, na sua vontade e nos seus propósitos, ele tem de ser necessariamente imutável. Supô-lo de outro modo é supô-lo um ser imperfeito. Pois, se ele muda, tem de ser ou para uma perfeição maior do que a que tinha antes, ou para uma menor. Se for para uma perfeição maior, então havia claramente nele um defeito e a privação de algo melhor do que aquilo que ele tinha ou era; então, mais uma vez, ele não foi sempre o melhor e, por conseguinte, não foi sempre Deus. Se ele muda para uma perfeição menor, então cai de novo num defeito, perde uma perfeição que antes possuía e, deixando assim de ser o melhor dos seres, deixa ao mesmo tempo de ser Deus. A soberana perfeição da Divindade é, portanto, uma barreira invencível contra toda mutabilidade; pois, seja qual for o sentido em que supusermos que ele muda, a sua suprema excelência é anulada ou diminuída por isso. Visto que em todas as mudanças há algo de onde e algo para onde a mudança se faz, uma perda do que a coisa tinha ou uma aquisição do que não tinha, segue-se que, se Deus muda para melhor, não era perfeito antes e, portanto, não era Deus; se muda para pior, não será perfeito e, portanto, depois da mudança, já não será Deus. Consideramos a inconstância nos homens ou uma imperfeição ou uma falta. As suas mudanças naturais, quanto às suas pessoas, procedem da fraqueza e da vaidade; as suas mudanças morais, quanto às suas inclinações e propósitos, procedem da ignorância ou da inconstância; e, por isso, essa qualidade não é de modo algum compatível com a glória e os atributos de Deus.” (Charnock.)

No seu ser e nas suas perfeições, Deus é, portanto, eternamente O MESMO. Ele não pode deixar de existir; não pode ser mais perfeito, porque a sua perfeição é absoluta; não pode ser menos perfeito, porque é independente de todo poder externo e não tem nenhum princípio interno de decadência. Não devemos, porém, interpretar a imutabilidade de Deus como se as suas operações não admitissem mudança, nem mesmo contrariedade, ou como se a sua mente fosse incapaz de atitudes e afetos diferentes para com as mesmas criaturas em circunstâncias diferentes. Ele cria e destrói; fere e cura; opera e cessa das suas obras; ama e odeia. Mas essas coisas, estando sob a direção da mesma sabedoria, santidade, bondade e justiça imutáveis, são provas não de princípios mutáveis, mas de princípios imutáveis, como foi exposto no capítulo anterior. São perfeições, não imperfeições. A variedade de operação, o poder de começar a agir e de cessar de agir, mostra a liberdade da sua natureza; a direção dessa operação para fins sábios e bons mostra a sua excelência. Assim, na linguagem da Escritura, ele “se arrepende” do castigo ameaçado ou iniciado e mostra misericórdia; ou “está cansado de se conter” diante dos obstinadamente culpados e, assim, executa a vingança. Assim, ele “odeia os que praticam a iniquidade” e “ama os justos”. Esse amor também pode ser perdido, “se o justo se desviar da sua justiça”; e esse ódio pode ser afastado, “se o ímpio se converter da maldade”. Há um sentido em que isso pode ser chamado mudança em Deus, mas não é a mudança da imperfeição e do defeito. Prova exatamente o contrário. Se, quando “o justo se desviar da sua justiça”, o amor de Deus por ele fosse imutável, ele não poderia ser o Deus imutavelmente santo, aquele que odeia a iniquidade; e, “se o ímpio se converter da maldade” e, pela graça do Espírito Santo, se tornar nova criatura, e ele não se tornasse objeto do amor de Deus, Deus não seria aquele que ama imutavelmente a justiça. Essas doutrinas bíblicas, portanto, não contradizem a doutrina da imutabilidade divina, mas a confirmam.

Ocorrem, contudo, nos escritos de teólogos e de outros, várias especulações sobre a imutabilidade divina que, embora muitas vezes bem-intencionadas, devem ser recebidas com cautela e às vezes até rejeitadas como desnorteadoras ou perniciosas. Tais são as noções de que Deus conhece todas as coisas por intuição; de que não há sucessão de ideias na mente divina; de que ele não pode receber nenhuma ideia nova; de que não há afetos em Deus, pois supô-lo seria supor que ele é capaz de emoção; de que, se há afetos em Deus, como amor, ódio etc., eles existem sempre no mesmo grau, pois do contrário ele sofreria mudança. Quanto a essas e outras especulações semelhantes, os que têm curiosidade por tais assuntos podem recorrer aos escolásticos e aos metafísicos; mas se verá que a impressão do caráter divino assim representado é muito diferente da que transmitem aqueles escritos inspirados nos quais não são os homens que falam de Deus, mas ele que fala de si mesmo. E nada se poderia mostrar com mais facilidade do que isto: a maior parte dessas noções ou é ociosa, por pressupor que sabemos de Deus mais do que foi revelado; ou tende a representar o Ser divino antes como agente necessário do que como agente livre, e as suas perfeições morais como resultantes de uma cega necessidade física da natureza, mais do que de uma excelência moral essencial; ou, finalmente, é ininteligível ou absurda. Como amostra desta última espécie, podem ser tomadas as seguintes passagens de uma obra de certa reputação. Os argumentos são tirados dos escolásticos e, embora expostos sem rodeios pelo autor, se verá que tingem, em maior ou menor grau, as observações sobre a imutabilidade de Deus nos sistemas de teologia mais correntes e nos discursos sobre os atributos: “O seu conhecimento é independente dos objetos conhecidos; por isso, sejam quais forem as mudanças que haja neles, não há nenhuma nele. As coisas conhecidas são consideradas como passadas, presentes ou futuras, e não são conhecidas por nós da mesma maneira; pois das coisas passadas é preciso dizer que as conhecemos outrora; e das coisas futuras, que as conheceremos depois; ao passo que Deus, com uma só visão, abrange todas as coisas passadas e futuras como se fossem presentes.

“Se o conhecimento de Deus não fosse imutável, poder-se-ia dizer que ele tem pensamentos ou apreensões das coisas num tempo diferentes dos que tem em outro, o que provaria um defeito de sabedoria. E, de fato, uma mudança de opiniões implica ignorância ou fraqueza de entendimento; pois fazer progressos no conhecimento supõe um grau de ignorância, e declinar nele é ser reduzido a um estado de ignorância. Ora, é certo que ambas as coisas são incompatíveis com a infinita perfeição da mente divina; nem se pode atribuir semelhante defeito àquele que é chamado ‘Deus único e sábio’ (Rm 16.27).” (Ridgley, Body of Divinity.)

Ao representar assim o conhecimento de Deus como “independente dos objetos conhecidos”, a fim de estabelecer uma imutabilidade de conhecimento tal que não só não é incompatível com a perfeição desse atributo, mas sem a qual ele não poderia ser perfeito, e ao negar que o conhecimento em Deus tenha qualquer relação com o passado, o presente e o futuro das coisas, deixa-se estranhamente de lado uma distinção muito importante: a distinção entre o conhecimento das coisas possíveis e o conhecimento das coisas reais, ambos os quais têm de ser atribuídos a Deus.

Em relação aos seres possíveis, o conhecimento divino não tem relação com o tempo, e nele não há passado nem futuro: Deus conhece a sua própria sabedoria e onipotência, e isso é conhecer tudo o que lhes diz respeito. Mas à existência possível das coisas devemos agora acrescentar a existência real; esta começou com o tempo, ou o tempo com ela. Eis aqui, pois, outro ramo do conhecimento divino, o conhecimento das coisas que existem realmente, distinção com a qual as operações da nossa própria mente nos tornam familiarizados. E da existência real das coisas surgem a ordem e a sucessão, o passado, o presente e o futuro, não só nas próprias coisas, mas também no conhecimento divino delas. Pois, assim como não poderia haver na mente divina conhecimento de coisas como realmente existentes que não existissem realmente (o que seria falsidade, e não verdade), assim também, se as coisas foram trazidas à existência real em sucessão, o conhecimento da sua existência real tem de ter sido também sucessivo; pois, como existências reais, elas não podiam ser conhecidas como existentes antes de existirem. O ser real das coisas nada acrescentou ao conhecimento da mente infinita quanto às suas potências e propriedades. Estas ele as conhecia por si mesmo, fonte de todo ser, pois todas dependiam da sua vontade, do seu poder e da sua sabedoria. Não havia necessidade, por exemplo, de pôr em movimento o mecanismo deste universo para que ele soubesse como funcionaria, que propriedades exibiria, quais seriam os seus resultados. Mas o conhecimento do universo como um conjunto de seres em existência ideal ou possível não era o conhecimento dele como existência real; este, tanto quanto podemos ver, só foi possível quando “ele falou, e tudo se fez; ele ordenou, e tudo passou a existir” (Sl 33.9). O conhecimento da existência real das coisas é, portanto, sucessivo em Deus, porque as coisas vêm a existir em sucessão; e, quanto às existências reais, há em Deus, tanto quanto em nós, conhecimento prévio, conhecimento presente e conhecimento posterior.

Mas não só se deve distinguir entre o conhecimento que Deus tem das coisas possíveis e o das coisas realmente existentes, como também entre o seu conhecimento de todas as coisas possíveis e o daquelas coisas às quais ele determinou, antes de criá-las, dar existência real. Negar que existisse na mente divina alguma distinção entre a apreensão das coisas que permaneceriam apenas possíveis e a das coisas que, a seu tempo, haveriam de vir a ter ser real seria uma negação ousada do perfeito conhecimento de Deus. Aqui, porém, se insinua que isso faz o conhecimento de Deus derivar de algo fora dele mesmo, e que, se ele deriva o seu conhecimento de algo fora de si mesmo, então esse conhecimento tem de ser dependente. E que mal decorre disso? O conhecimento da natureza, das propriedades e das relações das coisas, Deus o tem de si mesmo, isto é, do conhecimento que tem da sua própria sabedoria e onipotência, pelas quais as coisas que existem foram produzidas e somente pelas quais podiam ser produzidas; e, nesse aspecto, o seu conhecimento não é dependente. Mas o conhecimento de que elas existem realmente não vem dele mesmo, a não ser na medida em que ele as faz existir; e, quando são feitas, o conhecimento da sua existência real deriva delas, isto é, do próprio fato. Enquanto elas existem, ele sabe que existem; quando deixam de existir, sabe que não existem; e, antes que existam, sabe que ainda não existem. O seu conhecimento dos crimes dos homens, por exemplo, como realmente cometidos, depende de esses crimes serem cometidos. Ele sabe o que é o crime independentemente da sua existência real; mas o conhecimento dele como cometido não depende dele mesmo, e sim da criatura. E isso está tão longe de diminuir o conhecimento de Deus que, segundo a razão comum das coisas, só assim podemos supor que o conhecimento de Deus é exato e perfeito.

Mas isso não é tudo o que sustenta a opinião de que há ordem e sucessão também no conhecimento do Ser divino. Não é só no que diz respeito ao conhecimento da existência real, sucessiva e transitória das coisas que se deve atribuir a Deus tanto o conhecimento prévio como o posterior, mas também em outro aspecto. Autores da classe que acabamos de citar falam como se o próprio Deus não tivesse ideias de tempo, ordem e sucessão; como se passado, presente e futuro fossem coisas tão inteira e exclusivamente humanas que nem a própria mente infinita tivesse o poder de apreendê-las. Mas, se há realmente uma ordem sucessiva de acontecimentos quanto a nós, e se isso é algo real e não um sonho, então tem de haver nele um conhecimento correspondente; e, portanto, em todas as coisas que nos dizem respeito, um conhecimento delas como passadas, presentes ou futuras, isto é, tais como são na experiência da humanidade e na própria verdade das coisas. Além disso, se há em Deus aquilo que as Escrituras chamam “propósitos”, e se essa expressão não deve ser classificada entre as figuras de linguagem que representam o poder divino por uma mão e um braço, então há em Deus presciência, estrita e propriamente dita. O conhecimento de qualquer coisa realmente existente é simultâneo à sua existência. Mas, como a intenção de produzir alguma coisa, ou de permitir que seja produzida, tem de ser anterior à existência real da coisa, porque esta é finita e causada, essa mesma intenção é prova do conhecimento prévio daquilo que há de ser produzido, imediatamente pelo ato de Deus ou mediatamente pela sua permissão. A ocorrência real das coisas em sucessão quanto a nós, e em cumprimento do seu propósito ou da sua permissão, é, portanto, prova suficiente da existência de uma presciência estrita e própria delas por parte do Deus todo-poderoso. Quanto à natureza possível, às propriedades e às relações das coisas, o seu conhecimento pode não ter sucessão nem ordem de tempo; mas, quando esses arquétipos das coisas que estão na mente eterna vêm a ter ser real pelo seu poder ou pela sua permissão, isso se dá em cumprimento de uma intenção prévia. As ideias de tempo são assim criadas, por assim dizer, pela própria ordem em que ele as produz ou se propõe produzi-las; e o seu conhecimento delas como realidades corresponde à sua natureza e às suas relações, porque é conhecimento perfeito. Ele as conhece antes de serem produzidas, como coisas que hão de ser produzidas ou permitidas; quando são produzidas, conhece-as com a ideia adicional do seu ser real; e, quando deixam de existir, conhece-as como coisas que existiram.

Ligada ao atributo da imutabilidade está a LIBERDADE de Deus, que nos permite conceber a sua imutabilidade da maneira mais nobre e digna, como resultado da sua vontade e da sua infinita excelência moral, e não como consequência de uma necessidade cega e física. Ele “faz tudo como lhe agrada” (Sl 115.3), e as suas ações são resultado de vontade e escolha. Isso, como bem o expôs o Dr. S. Clarke, decorre da sua inteligência; pois “inteligência sem liberdade não é realmente inteligência alguma, no que diz respeito a qualquer poder, excelência ou perfeição. É de fato uma consciência, mas meramente passiva: uma consciência não de agir, mas puramente de ser objeto da ação de outro. Sem liberdade, de nada se pode dizer, com alguma propriedade de linguagem tolerável, que seja agente ou causa de alguma coisa. Pois agir necessariamente é, real e propriamente, não agir de modo algum, mas apenas sofrer a ação de outro.

“Se a Causa suprema não é um ser dotado de liberdade e escolha, mas um mero agente necessário, cujas ações são todas tão absoluta e naturalmente necessárias como a sua existência, então se seguirá que nada do que não existe poderia ter existido, e que nada do que existe poderia deixar de ter existido; e que nenhum modo ou circunstância da existência de coisa alguma poderia ter sido, em qualquer aspecto, diferente do que é agora de fato. Sendo tudo isso evidentemente falsíssimo e absurdo, segue-se, ao contrário, que a Causa suprema não é um mero agente necessário, mas um ser dotado de liberdade e escolha.”

É verdade que Deus não pode fazer o mal. “É impossível que Deus minta” (Hb 6.18). Mas “esta é uma necessidade não de natureza e de fatalidade, e sim de conveniência e de sabedoria; uma necessidade compatível com a maior liberdade e com a escolha mais perfeita. Pois o único fundamento dessa necessidade é uma retidão de vontade tão inalterável e uma perfeição de sabedoria tal que tornam impossível que um ser sábio resolva agir insensatamente, ou que uma natureza infinitamente boa escolha fazer aquilo que é mau.”

Da SABEDORIA de Deus é preciso dizer pouco aqui, porque muitos exemplos dela, na aplicação do conhecimento para realizar fins dignos dele mesmo e necessários para a revelação da sua glória às suas criaturas, já foram dados nas provas, de que o mundo está repleto, de uma causa inteligente e dotada de desígnio. Sobre este atributo, assim como sobre os outros, as Escrituras se detêm com uma complacência cativante e nos conduzem à contemplação de uma variedade ilimitada de casos em que essa perfeição de Deus foi manifestada aos homens. Ele é o “Deus único e sábio” (Rm 16.27); e, quanto às suas obras, “fizeste todas elas com sabedoria” (Sl 104.24). Tudo foi feito por um ajuste fino e delicado, por número, peso e medida. “Ele vê tudo o que há debaixo dos céus. Quando Deus regulou o peso do vento e fixou a medida das águas; quando determinou leis para a chuva e caminho para o relâmpago dos trovões” (Jó 28.24-26). Volumes inteiros foram escritos sobre este assunto assombroso, “a sabedoria de Deus na criação”, e ele ainda não está esgotado. Cada pesquisa da natureza, cada descoberta quanto às leis pelas quais as coisas materiais se combinam, se decompõem e se transformam, lança nova luz sobre a simplicidade dos elementos que são o objeto dessa incessante operação do poder divino, e sobre a habilidade primorosa e o alcance ilimitado da inteligência que a dirige. O vasto conjunto de fatos que a filosofia natural recolheu com tão louvável trabalho, e cujo acervo cresce constantemente, é um comentário sempre crescente às palavras da inspiração, e continuará a crescer enquanto houver homens na terra para prosseguir em tais investigações: “Deus faz coisas grandes e insondáveis, e maravilhas que não se podem enumerar” (Jó 9.10). “Eis que isto são apenas as bordas dos seus caminhos! Dele temos ouvido apenas um leve sussurro!” (Jó 26.14). Num assunto tão vasto, é preciso remeter aos excelentes livros que foram escritos com o propósito expresso de ilustrar a sabedoria de Deus e de expor as causas finais da criação e da preservação das inumeráveis criaturas de que estamos rodeados,1 e algumas observações gerais terão de bastar.

O primeiro traço da sabedoria é agir para fins dignos. Agir com desígnio é sinal suficiente de inteligência; mas a sabedoria é o exercício conveniente e apropriado do entendimento. E, embora não sejamos juízes competentes do que é conveniente e apropriado que Deus faça em cada caso, para muitos dos seus atos as razões são dadas, ao menos em parte, na sua própria palavra, e elas exigem de imediato a nossa adoração e gratidão, como dignas dele e benévolas para conosco. A razão da criação do mundo foi a manifestação das perfeições de Deus às criaturas racionais destinadas a habitá-lo, e conceder-lhes, enquanto permanecessem inocentes, uma felicidade igual à sua maior capacidade. O fim era importante, e os meios pelos quais foi estabelecido que ele se cumprisse eram evidentemente apropriados. O próprio existir foi feito fonte de satisfação. Deus foi anunciado ao homem, pela revelação, como seu Criador, Senhor e Amigo; mas, sendo ele mesmo invisível, cada objeto foi preparado para torná-lo presente à mente da sua criatura e para ser uma lembrança do seu poder, da sua glória e do seu cuidado. Os céus “proclamavam a sua glória”; a terra fértil, “a sua bondade”. O entendimento do homem era posto em exercício pelo número, pela variedade e pela estrutura engenhosa das obras de Deus; os prazeres do gosto nasciam da sua sublimidade, beleza e harmonia. “Um dia discursava a outro dia, e uma noite revelava conhecimento a outra noite” (Sl 19.2); e Deus, na sua lei, na sua munificência criadora e no seu cuidado preservador, era assim posto sempre diante da sua criatura, revestido do pleno esplendor dos seus atributos naturais e morais, objeto de temor reverente e de amor, de confiança e de submissão. O grande fim moral da criação do homem e da sua residência no mundo, e os meios pelos quais ele se cumpria, eram, portanto, demonstrações da sabedoria divina.

Outro sinal de sabedoria é quando o processo pelo qual uma obra se realiza é simples, e muitos efeitos são produzidos a partir de um ou de poucos elementos. “Quando cada efeito distinto tem uma causa particular e separada, isso não dá prazer ao espectador, por não revelar engenho; mas é contemplada com admiração e deleite, como resultado de profundo conselho, a obra que é complexa nas suas partes e, contudo, simples na sua operação, quando se vê uma grande variedade de efeitos surgir de um só princípio que opera uniformemente.” (Abernethy, On the Attributes.) Esse é o caráter das obras de Deus. De uma só substância material,2 que possui as mesmas propriedades essenciais, são feitos todos os seres visíveis que nos rodeiam: a rocha de granito e o sol central que tudo penetra; o torrão imóvel, o relâmpago veloz e o ar transparente. A gravitação une os átomos que compõem o mundo, reúne os planetas num só sistema, rege a regularidade dos seus movimentos; e, contudo, por mais vasto que seja o seu poder e por mais universal que seja a sua influência, ela se submete a um número infinito de modificações, que permitem o movimento dos corpos individuais, e cede lugar até a forças contrárias, que ainda assim ela controla e regula. Um só ato do poder divino, ao dar certa inclinação ao eixo da terra, produziu a alternância das estações, deu leis à sua temperatura e cobriu-a de uma variedade maior de produtos. À composição da luz e a umas poucas leis simples nela impressas, cada objeto deve a sua cor, e os céus e a terra são revestidos de beleza. Uma combinação de terra, água e gases da atmosfera forma a força e a majestade do carvalho, a graça, a beleza e o perfume da rosa; e, do princípio da evaporação, formam-se nuvens que “destilam fartura”, orvalhos que refrescam os campos abatidos, fontes e rios que fazem os vales por onde correm “exultar de alegria e cantar”.

A variedade de operações igualmente perfeitas é um traço de sabedoria. Nas obras de Deus a variedade é interminável e mostra que a sabedoria de onde elas brotam é infinita. Não podemos ter nenhuma concepção adequada daquela mente em que todas as ideias segundo as quais foram feitos os inumeráveis objetos que compõem o universo tiveram de ter uma existência prévia e distinta, porque foi segundo esse modelo que eles foram feitos; e não só as ideias das próprias coisas, mas de cada parte de que se compõem, do lugar que cada partícula da sua composição havia de ocupar e do papel que havia de desempenhar. O pensamento é avassalador. Essa variedade é óbvia demais para que nos detenhamos nela; contudo, podem-se apontar alguns dos seus matizes mais finos, como prova, por assim dizer, dos recursos infinitos e das concepções infinitamente diversificadas do Criador. “Que variedade, Senhor, nas tuas obras!” (Sl 104.24). Todos os três reinos da natureza derramam as riquezas da variedade: as formas variadas de cristalização e de composição nos minerais; as cores, as formas e as qualidades dos vegetais; as espécies, as propriedades e os hábitos dos animais. E as gradações de uma classe de seres para outra: do informe para o orgânico, do morto para o vivo, da sensibilidade mecânica para a sensação, do sentido embotado para o sentido ativo, da inércia para o movimento; do rastejar para o voar, da sensação para o intelecto, do instinto para a razão,3 do mortal para a imortalidade, do homem para o anjo, do anjo para o serafim. Entre a semelhança e a total dessemelhança, a variedade tem um campo ilimitado; mas a delicadeza do seu toque, por assim dizer, se revela no campo mais estreito que fica entre a semelhança e a identidade completa, do qual as obras de Deus apresentam tantos exemplos curiosos. Não há duas coisas que pareçam exatamente iguais, mesmo quando são da mesma espécie. Plantas da mesma espécie, as folhas e as flores da mesma planta, têm todas as suas variações. Animais da mesma espécie têm o seu caráter individual. Duas folhas de grama ou dois grãos de areia quaisquer mostrarão uma diferença marcada quando comparados com cuidado. A sabedoria disso se mostra mais fortemente marcada quando consideramos que fins importantes, tanto intelectuais como práticos, muitas vezes dependem disso. As semelhanças de várias coisas naturais, em maior ou menor grau, tornam-se meio de adquirir conhecimento delas com mais facilidade, porque servem de base para a sua classificação em gêneros e espécies, sem a qual a memória humana falharia e o entendimento ficaria confuso. As diferenças nas coisas são tão importantes quanto as suas semelhanças. Isso se ilustra de modo notável nos animais domésticos e nos homens. Se os indivíduos daqueles não diferissem entre si, não se poderia reivindicar propriedade sobre eles, nem, quando perdidos, poderiam ser recuperados. O semblante de um indivíduo humano difere do de todos os demais da sua espécie; a sua voz e as suas maneiras têm a mesma variedade. Isso não é só uma ilustração dos recursos do poder e da sabedoria criadores, mas também de desígnio e intenção de assegurar um fim prático. De outro modo, pais, filhos e amigos não poderiam ser distinguidos, nem o criminoso do inocente. Nenhum malfeitor poderia ser identificado pelo seu acusador, e os tribunais seriam obstruídos e muitas vezes se tornariam inúteis para a proteção da vida e da propriedade.

À variedade de espécie e de forma podemos acrescentar a variedade de grandeza. Nas obras de Deus temos os extremos, e esses extremos preenchidos em perfeita gradação, da magnificência à pequenez. Adoramos o poderoso alcance daquele poder que escavou o leito do oceano insondável, moldou as montanhas e encheu o espaço de inumeráveis mundos; mas a mesma mão formou o animálculo, que exige o mais forte poder de aumento dos instrumentos ópticos para se tornar visível. Também nele a obra é perfeita. Percebemos a matéria na sua organização mais delicada: ossos, nervos, tendões, músculos, artérias, veias, o pulsar do coração e o arfar dos pulmões. A obra é tão completa na menor como na mais maciça das obras de Deus.

A conexão e a dependência das obras de Deus são tão admiráveis quanto a sua variedade. Cada coisa ocupa o seu lugar, não por acaso, mas por desígnio; uma sábia ordenação percorre o todo e mostra que esse todo é obra de um só, e somente de um. A mais humilde erva que cresce está em íntima conexão com o próprio universo poderoso. Depende da atmosfera para a umidade, e essa atmosfera supõe um oceano, nuvens, ventos, gravitação; depende do sol para a cor e, essencialmente, para o grau de temperatura de que necessita. Isso supõe a revolução da terra e o ajuste de todo o sistema planetário. Perto demais do sol, seria queimada; longe demais dele, seria gelada. Que união de extremos há aqui: a erva da terra, “que hoje existe e amanhã é lançada no forno” (Mt 6.30), unida aos estupendos poderes da natureza, as mais gloriosas obras da mão direita de Deus!

Tão claramente a sabedoria se manifesta na adaptação dos meios aos fins no mundo visível que são comparativamente poucos os objetos que nos rodeiam, e poucas as suas qualidades, cuja utilidade não seja evidente. Nesse particular, o grau em que aprouve ao Criador manifestar a sua sabedoria é notavelmente impressionante.

“Entre todas as propriedades das coisas não descobrimos nenhuma inutilidade, nenhuma superfluidade. O movimento voluntário é negado à criação vegetal, porque o movimento mecânico atende ao propósito. É ele que, em algumas plantas, levanta uma defesa contra o vento, abre outras na direção do sol, inclina-as para o apoio de que precisam e espalha as suas sementes. Se subirmos mais, até os animais irracionais, nós os encontramos dotados de faculdades exatamente adequadas à posição que ocupam na escala da existência.

“A ostra está fixa na sua rocha; o arenque percorre uma vasta extensão de oceano. Mas as faculdades da ostra não são deficientes: ela abre a concha para se alimentar e a fecha à aproximação de um inimigo. Nem são supérfluas as do arenque: ele se protege e se mantém nos mares gelados e, no verão, confia as suas ovas à influência mais benigna de climas mais quentes. A força e a ferocidade dos animais de rapina são exigidas pelo modo de subsistência que lhes foi destinado. Se a formiga tem sagacidade peculiar, isso não passa de compensação pela sua fraqueza; se a abelha é notável pela sua previdência, essa previdência se torna necessária pela curta duração da sua colheita. Nada pode ser mais variado do que as faculdades concedidas aos animais, cada qual na sua ordem; contudo, se verá que todas essas faculdades, que tornam o estudo da natureza tão interminável e tão interessante, bastam para as suas necessidades, e nada mais.” (Sumner, Records of Creation.)

“Igualmente conspícua é a sabedoria de Deus no governo das nações, dos Estados e dos reinos; ou melhor, ainda mais conspícua, se é que se pode admitir que o infinito comporte graus. Pois toda a criação inanimada, sendo totalmente passiva e inerte, não pode fazer oposição à sua vontade. Por isso, no mundo natural todas as coisas seguem num curso regular e ininterrupto. Mas é muito diferente no mundo moral. Aqui, homens maus e espíritos maus se opõem continuamente à vontade divina e criam inúmeras irregularidades. Aqui, portanto, há pleno campo para o exercício de todas as riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus, contrapondo-se a toda a maldade e insensatez dos homens e a toda a astúcia de Satanás, para levar adiante o seu próprio desígnio glorioso, a salvação da humanidade perdida. Na verdade, se ele fizesse isso por um decreto absoluto e pelo seu próprio poder irresistível, isso não implicaria sabedoria alguma. Mas a sua sabedoria se mostra em salvar o homem de tal maneira que não destrói a sua natureza nem lhe tira a liberdade que lhe deu.” (Wesley, Sermões.)

Mas é nos meios pelos quais os homens ofensores são reconciliados com Deus que os escritores inspirados do Novo Testamento se gloriam de modo especial, como as manifestações mais eminentes da sabedoria de Deus.

“Sobre a admirável obra da redenção, o apóstolo nos dá esta observação: que nela Deus ‘derramou abundantemente sobre nós em toda a sabedoria e entendimento’ (Ef 1.8) [N. do T.: Howe segue a KJV, wisdom and prudence]. Nisso resplandeceu a perfeição da sabedoria e da prudência: em conciliar as dificuldades, poderosas e assombrosas, e as aparentes contrariedades (contrariedades reais, de fato, se ele não tivesse intervindo de algum modo para ordenar o curso das coisas), como o conflito entre a justiça e a misericórdia: que uma tinha de ser satisfeita de tal maneira que a outra pudesse ser atendida, pois esta nunca teria podido ter o seu exercício agradável e grato sem ser reconciliada com a primeira. E que isso se realizasse por um expediente tal que não houvesse queixa nem de um lado nem do outro. Nisso a sabedoria de um Redentor crucificado (aquela sabedoria da qual o Redentor ou Salvador crucificado foi o objeto realizado) triunfou sobre todas as imaginações dos homens e todas as maquinações até dos demônios: por aquela sua morte, pela qual o diabo pretendia a derrota final, a completa destruição de todo o desígnio da sua vinda ao mundo, por esse mesmíssimo meio isso se realiza de modo a encher o inferno de horror, e o céu e a terra de admiração.” (Howe, Posthumous Works.)

“A sabedoria, no tesouro da sua luz incompreensível, planejou salvar o homem sem prejuízo das perfeições de Deus, transferindo o castigo a um Fiador, e assim punir o pecado como a justiça exigia e perdoar o pecador como a misericórdia desejava.” (Bates, Harmony.)

Notas de Richard Watson

1. Ray, Wisdom of God; Derham, Astro-Theology e Physico-Theology; Paley, Natural Theology; Sturm, Reflections; Kirby e Spence, Entomology; e, embora não tenham sido escritos com tal propósito, os Studies of Nature de St. Pierre abrem, à mente que for capaz de suprir os sentimentos piedosos que infelizmente faltavam ao autor, muitos exemplos notáveis da sabedoria e da benevolência de Deus. ↩

2. “Uns poucos corpos não decompostos, que talvez possam ser reduzidos, no fim das contas, a elementos ainda menos numerosos, ou que talvez sejam formas diferentes do mesmo material, constituem a totalidade do nosso universo tangível de coisas.” (Davy, Chemistry.) ↩

3. Não se pretende aqui apoiar a opinião de que a diferença entre o mais alto instinto e a mais baixa razão não é grande. Ela é tão grande quanto a diferença entre uma natureza que presta contas e uma que não presta; entre um ser sob uma lei de força e um ser sob uma lei de obrigação moral e de motivo; entre uma natureza limitada na sua capacidade de aperfeiçoamento e outra cujas capacidades são ilimitadas. “A hipótese temerária de que o negro é o elo de ligação entre o homem branco e o macaco originou-se da classificação arbitrária de Lineu, que associa o homem e o macaco na mesma ordem. A disposição mais natural dos sistemas posteriores os separa nas ordens dos bímanos e dos quadrúmanos. Se essa classificação não tivesse sido seguida, nem à mente mais fantasiosa teria ocorrido encontrar no negro um elo intermediário.” (Pritchard, On Man.) ↩

Tradução realizada com auxílio de inteligência artificial, sob orientação, revisão e responsabilidade editorial do Bispo Ildo Mello.
Texto original em domínio público: Richard Watson, Theological Institutes; or, A View of the Evidences, Doctrines, Morals, and Institutions of Christianity (Londres, 1823-1829), conferido com a edição de Nova York (Lane & Scott, 1850-1851). Citações bíblicas na Nova Almeida Atualizada (NAA).